O que você NÃO precisa aprender na escola

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=h6TCzlMPxPo”]

 

Rá, yeyé, pegadinha do malandro!!!!

Fingi que eu estava surtando dando aula, e que um aluno estava filmando meio escondido, só pra testar uma ideia: um canal com uma anti-aula, ou seja, uma aula que ensina o que você NÃO precisa saber do que se aprende na escola.

Curr√≠culo escolar √© uma discuss√£o sem fim. Primeiro porque os conhecimentos mudam, ainda mais em ci√™ncias. Segundo porque as opini√Ķes do que √© importante variam muito, e terceiro porque h√° interesses ¬†econ√īmicos e ideol√≥gicos envolvidos.

O que temos agora como grande definidor de conte√ļdos √© o vestibular, ou seja, um mar de conhecimentos com um palmo de profundidade, e o aluno termina o 3o ano sabendo quase nada de quase tudo.¬†Quando o aluno passa para alguma universidade tem que aprender novamente¬†o que realmente tem a ver com a carreira escolhida. Todo o resto do tempo gasto na escola aprendendo outras coisas foi jogado no lixo. E quem n√£o vai prestar vestibular (sim, existe vida fora da academia) perdeu mais tempo ainda.

Agora a onda √© ensinar habilidades e compet√™ncias. O problema √© que n√£o tem tempo para ensinar isso sendo que o aluno tem que¬†resolver a lista de exerc√≠cios semanal em formato de FUVEST desde a 6a S√ČRIE, como alguns col√©gios fazem! Vamos ver quantos anos v√£o se passar at√© habilidades e compet√™ncias realmente entrarem nos curr√≠culos, ou at√© ¬†trazerem a nova moda da educa√ß√£o, j√° que a cada per√≠odo uma nova mudan√ßa estrutural grande √© proposta e acaba sendo aplicada parcialmente ou n√£o aplicada, para dar espa√ßo a uma outra reestrutura√ß√£o, que por sua vez n√£o vai at√© o fim porque agora v√£o trazer outra estrutura… Bom, voc√™ entendeu.

Com isso na cabe√ßa, vou come√ßar uma s√©rie de v√≠deos me baseando nos conte√ļdos de uma apostila muito utilizada no Brasil. Preferi n√£o dizer qual √© para evitar qualquer liga√ß√£o de advogados de grandes empresas de educa√ß√£o, mas √© muito conhecida e se parece com muitas outras utilizadas por a√≠.

O meu ponto vai ser: esquecendo o vestibular, o que¬†precisamos aprender¬†na escola? O que realmente √© √ļtil no nosso dia a dia?
Claro que essa vai ser a minha vis√£o pessoal.

Isso vai dar um rolo…

Faça infográficos perfeitos para área de biomed

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Mind the Graph

Aqui vai uma dica preciosa para quem quer fazer uma ciência mais bonita, mais descolada e mais design. E mais fácil e rápida de ser entendida também:

USE INFOGR√ĀFICOS!!!

Use nas apresenta√ß√Ķes, nos posteres em congressos, nas aulas, na tese e nos seus artigos cient√≠ficos tamb√©m. Economize o tempo das pessoas em entender e deixe o mundo mais bonito.

Se voc√™ √© da √°rea de biom√©dicas tenho uma dica melhor ainda: uma ferramenta online que tem todas as ilustra√ß√Ķes e templates que voc√™ precisa. √Č a Mind the Graph. Uma startup 100% nacional com uma qualidade excelente, v√°rios templates e milhares de ilustra√ß√Ķes altamente personaliz√°veis. Troque cores, estilos e formatos das c√©lulas, por exemplo.

O banco de imagens não pára de crescer, e aqui eu selecionei as que eu achei mais  interessantes.

Cientista em pose like a boss

like a boss science
Yeah, science!

Giardia, um cl√°ssico das aulas de biologia

Pesquise no google por PAREIDOLIA
Pesquise no google por PAREIDOLIA

CUIDADO! Isso é uma prensa!

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Ei! Isso t√° gelado!

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Olha o passarinho… er… quer dizer…

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Faça uma história em quadrinho

Usar coca√≠na causa euforia e poderes medi√ļnicos

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=ukJyP5np9fg” title=”Tutorial%20on%20how%20to%20create%20infographics%20for%20Life%20Science%20and%20Health.”]

 

Disclaimer: Eu já comi churrasco na casa do sócio do Mind the Graph, ou seja, sou seu amigo. E também escrevo para o blog da empresa. Se agora você desconfiou de mim, entre lá e dê uma olhada para tirar a prova.

Você o estudou mas ele NÃO EXISTE: o mesossomo

miniatura mesossomo

√Č incr√≠vel, descobriram que o mesossomo n√£o existe desde o final dos anos ¬†70 e ele ainda √© ensinado e est√° em todos os livros did√°ticos!

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=j-w1o4OPk0U” title=”mesossomo%20n√£o%20existe”]

Forçando bolsitas de pós-graduação a divulgar ciência em escolas

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Me ensine, pós-graduando!

Quer saber como um governo obriga os p√≥s-graduandos com bolsas federais a virarem excelentes divulgadores de ci√™ncia? √Č s√≥ escrever isso aqui num projeto de lei:

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1¬ļ Esta Lei visa articular os programas federais de
concessão de bolsas de estudos para a educação superior com as redes
p√ļblicas de educa√ß√£o b√°sica.
Art. 2¬ļ O estudante benefici√°rio de bolsa de estudos custeada
com recursos p√ļblicos federais fica obrigado a prestar servi√ßos de
divulgação, formação e informação científicas e educacionais, de no
m√≠nimo quatro horas semanais, em estabelecimentos p√ļblicos de educa√ß√£o
b√°sica.
Art. 3¬ļ Caber√° aos √≥rg√£os federais competentes, em conjunto
com as secretarias estaduais e municipais de educação, regulamentar e
definir as formas de participação dos bolsistas nas atividades das escolas.
Art. 4¬ļ Os bolsistas no exterior cumprir√£o o compromisso
quando do retorno ao Brasil, durante período igual ao de duração da bolsa.
Art. 5¬ļ Esta Lei entra em vigor na data de sua publica√ß√£o.

PROJETO DE LEI DO SENADO, N¬ļ 224 de 2012

Pronto! Problema da educa√ß√£o cient√≠fica resolvido. PR√ďXIMO!

Opa, é claro que não está resolvido coisa nenhuma. Vamos por partes.

Est√°gio em escola funciona?

Todo mundo que teve estágio obrigatório em escola para poder fazer a licenciatura sabe como é: uma bagunça. As escolas e os professores não estão minimamente preparados para receber os bolsistas, mesmo que os bem-intencionados. Ou o professor te larga com a molecada, ou só deixa você assistir. Poucos são os casos onde professores e escolas aproveitam essa mão de obra escrava.

M√£o de obra escrava?

Sim, escrava. Bolsista de programa federal ganha no mestrado R$1.500 e no doutorado R$2.200. √Č mais do que muita gente ganha, voc√™ pode dizer, mas √© muito menos do que o mercado paga por um profissional com esse tempo de estudo.

Um bom bolsista, com um trabalho s√©rio, n√£o tem vida nesse per√≠odo, tanto pelo valor da bolsa ser baixo e deixar o bolsista especialista em harmoniza√ß√Ķes de miojo, quanto pelo tempo escasso. Muita leitura e trabalho de campo, ou pesquisa, ou laborat√≥rio, dependendo da √°rea de atua√ß√£o.

Claro que conheço bolsistas que só fazem um trabalhinho meia-boca no começo da pós e depois ficam coçando o saco ganhando bolsa até o fim do período. Mas são poucos e isso é problema do programa de pós e do orientador que permitem isso.

Por isso, 4 horas semanais parecem pouco, mas pra quem já não tem tempo é muito, e outra coisa mais importante, e que nunca é lembrada pelo governo nem para ajudar os professores, é o tempo de preparação de uma atividade em sala de aula, que eleva para o dobro o tempo gasto na semana.

Mas ent√£o o que fazer?

Claro que n√£o sou contra os p√≥s graduandos atuarem na divulga√ß√£o cient√≠fica. Na verdade o meu sonho √© que todo cientista atue ou pelo menos saiba da import√Ęncia de fazer divulga√ß√£o. Mas fazer nas coxas √© que n√£o d√°, n√©?

Na justificativa o projeto se vangloria porque “n√£o cria¬†√≥rg√£o p√ļblico e nem tampouco novo programa que possa demandar aumento de¬†gastos p√ļblicos”.¬†Num pa√≠s em que falta muito investimento em educa√ß√£o, justificar uma mudan√ßa dizendo que √© bom porque n√£o vai mexer no or√ßamento e nem criar um org√£o especializado pra organizar isso tudo, transforma esse projeto de lei numa piada. S√≥ mais uma daquelas leis que n√£o pegam.

Temos sim que gastar com divulgação científica, e temos sim que criar estruturas especializadas nisso. Como fazer exatamente eu não sei. Um caminho é fazer a divulgação valer realmente alguma coisa no currículo científico dos pesquisadores. Outra é ter um programa organizado e com objetivos bem definidos de como alunos de pós podem ajudar na divulgação científica nas escolas.

Temos que estimular novas voca√ß√Ķes, e dar caminhos para os interessados a optarem por essa atividade, e n√£o enfiar a divulga√ß√£o guela abaixo de bolsistas, escolas e professores.¬†Divulgar n√£o √© f√°cil nem trivial. √Č preciso treino e voca√ß√£o. Um mau divulgador √© pior do que nada, e pode fazer um grande estrago.

Eu gostava muito de psicologia. Quase prestei vestibular para psico ao invés de biologia. Passei a odiá-la quando tive aulas com uma péssima professora de Psicologia da Educação que não sabia nada de nada. Foi a neurociência que resgatou o meu respeito pela psico anos depois. Esse é o meu medo com quem não sabe ou não quer fazer divulgação mas vai fazer obrigado. Crianças odiando ciência sem antes entendê-la.

Exposi√ß√£o com “baratas” que brilham

Réplica gigante de fungo

Todo mundo adora coisas que brilham, e é por isso que se tem um tema para exposição que é sucesso garantido é a bioluminescência. Vagalumes, água-vivas e fungos são algumas das fontes de luz que a natureza possui e que estão representadas na exposição Criaturas de Luz do Museu de História Natural de Nova Iorque.

Parece ser bem legal e é uma pena este tipo de exposição ser tão rara no Brasil.

B√īnus sobre vagalumes:

1- Não é só carnavalesco não. As proteínas que fazem o vagalume brilhar são usados em laboratórios para marcar células, fazendo-as brilharem e facilitando a observação de eventos microscópicos. Sem essa proteína (luciferina) os estudos de todas as áreas de biologia celular estariam muito mais atrasados.

2- Pense numa noite escura, voc√™ caminhando por uma mata com sua amada quando um pequeno brilho verde pisca a meia dist√Ęncia, e pisca de novo mais adiante e novamente mais ali. A noite fica m√°gica, et√©rea, rom√Ęntica. Luz √© magia. Voc√™ com uma lanterna tenta acompanhar o brilho para ver o vagalume de perto. Ao chegar perto e iluminar o brilho verde sua amada grita de espanto e nojo: “UMA BARATA, MATA!!!”. As pessoas ficam impressionadas, e um pouco decepcionadas, quando veem um vagalume de perto, afinal ele parece mesmo uma barata. E neste v√≠deo d√° pra ver o modelo gigante que fazem de um vagalume e o making of da exposi√ß√£o.

Canais de ciência e educação no Youtube produzidos pelo próprio Google

Produ√ß√Ķes originais do Google

O Google pela primeira vez vai produzir conte√ļdo original em canais criados por ele no Youtube. E qual n√£o √© a nossa surpresa em saber que haver√° canais de ci√™ncia e educa√ß√£o! Voc√™ pode pensar: “Incr√≠vel, maravilhoso, √© um sinal de que os tempos est√£o melhorando!”, mas devagar aqui. Dos 100 canais que o Google vai produzir, 4 ser√£o mais cient√≠ficos e 5 educacionais. Eles est√£o na sess√£o “not√≠cias e educa√ß√£o” neste link.

Tem o Numberphilie (algo como “numerofilia”) feito por matem√°ticos e falando das hist√≥rias por tr√°s de alguns n√ļmeros (muita sorte pra eles); o SciShow e o CrashCourse, ainda a serem feitos pelos irm√£o Vlogbrothers,¬†j√° famosos por seus videos (eu n√£o vi, minha mulher viu e disse que √© muito bom); e o DeepSkyVideo,¬†um cara de brinco tentando tirar boas fotos de gal√°xias com seu telesc√≥pio.

Mas e os outros 91 canais? CELEBRIDADES, COM√ČDIA E CARROS!!! Viu, o mundo ainda continua o mesmo.

Ok, eu sei que tem coisas bacanas também por lá que não tem nada a ver com ciência ou educação, e que 9 já é um bom começo. Concordo. Vamos torcer para que façam sucesso.

E aqui no Brasil? Vamos fazer conte√ļdo independente e em portugu√™s, minha gente?

 

Vi no Notes & Theories 

Ato P√ļblico na SBPC sobre a distribui√ß√£o dos royalties do pr√©-sal!

Sei que está muito em cima da hora, mas não posso deixar de divulgar o evento que acontecerá hoje na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC, em São Paulo.

Trata-se de um Ato P√ļblico que come√ßar√° √†s 14h30 no Sal√£o Nobre da entidade e tem como objetivo chamar a aten√ß√£o e tentar reverter o quadro atual de distribui√ß√£o dos royalties do petr√≥leo que n√£o inclui um percentual de destina√ß√£o para as √°reas de educa√ß√£o, ci√™ncia, tecnologia e inova√ß√£o (C,T&I).

O evento √© aberto ao p√ļblico e reunir√° dirigentes de institui√ß√Ķes de educa√ß√£o e C,T&I, docentes, pesquisadores, parlamentares e autoridades dos governos estadual e federal.

Eu estarei l√°. Quem n√£o puder comparecer saber√° tudo o que aconteceu aqui pelo RNAm.

Mais informa√ß√Ķes sobre o evento em Entidades cient√≠ficas fazem novo ato p√ļblico em favor da Educa√ß√£o e C,T&I.

Já escrevi sobre a situação dos royalties do pré-sal no post Royalties do pré-sal: como transformar óleo em desenvolvimento nacional.

Aproveite a oportunidade para contribuir com a sua assinatura e ajudar essa importante causa!

Cientistas derrubam a Lei da Gravidade! NOT!

Uau, ficaram sabendo que existem religiosos questionando a Lei da Gravidade e buscando o ensino do princ√≠pio da “Queda Inteligente” nas escolas dos EUA! Pois √©!

Calma, eu n√£o enlouqueci. Explico:¬†quem pensa que o costume de encaminhar ‚Äúnot√≠cias‚ÄĚ, ‚Äúrevela√ß√Ķes‚ÄĚ e ‚Äúpol√™micas‚ÄĚ sem nem ao menos se dar ao trabalho de verificar a veracidade do conte√ļdo √© exclusivo de gente com pouco estudo, desfavorecida e blablabla, engana-se.¬†O causo abaixo chegou ao Rafael e a mim por um amigo em comum, com a mensagem:

‚ÄúBi√≥logos: mensagem que est√° circulando na lista de e-mails da gradua√ß√£o em CURSO X da USP. Nem li, mas se interessar… Abra√ßo‚ÄĚ

"Santo Google, mais uma piada levada a sério!"

O e-mail encaminhava uma mensagem indignada de um dos alunos. Uma descoberta que, sem d√ļvida, agitaria todos que ensinam Ci√™ncias. Leiam por si pr√≥prios:

“http://www.theonion.com/articles/evangelical-scientists-refute-gravity-with-new-int,1778/

Cara, s√≥ pode ser piada…. N√£o basta a disputa entre o ensino do evolucionismo X criacionismo, agora alguns religiosos norte-americanos (sempre eles) questionam tamb√©m a lei da gravidade!!! Palha√ßada….

Traduzo um trechinho para os preguiçosos que não quiserem ler tudo em inglês, ou simplesmente traduzir tudo com algum tradutor:

“Vamos dar uma olhada nas evid√™ncias,” disse pesquisador s√™nior do ECFR (Centro Evang√©lico para o Racioc√≠nio baseado na F√©), Gregory Lunsden. “Em Mateus, 15:14, Jesus disse, ‘se um cego guiar outro cego, ambos cair√£o na cova.’ Ele n√£o diz nada sobre a gravidade fazer eles ca√≠rem – apenas que eles cair√£o. Ent√£o, em J√≥ 5:7, n√≥s lemos, ‘Mas o homem nasce para a tribula√ß√£o, como as fa√≠scas se levantam para voar.’ Se a gravidade puxa tudo para baixo, por que as fa√≠scas voam para cima com grande certeza? Isso claramente indica que uma intelig√™ncia consciente governa tudo que cai.”

D√° para acreditar nesses caras???‚ÄĚ

Minha pronta resposta para a tal mensagem foi ‚ÄúN√£o, gente, n√£o d√°.‚ÄĚ Desse modo, logo parti em busca da not√≠cia original para tirar essa hist√≥ria bizarra a limpo.

√ďbvio, me deparei com mais um belo exemplo de como muita gente perde tempo ‚Äď e talvez c√©rebro ‚Äď simplesmente confiando em qualquer coisa dispon√≠vel na internet. Existe um passo a passo b√°sico para filtrar bobagens como essa e n√£o pagar mico, como voc√™s ler√£o a seguir. Al√©m disso, sugiro que aproveitem essas dicas em qualquer leitura, conversa ou aula daqui em diante. Pensamento cr√≠tico, crian√ßas, s√≥ n√£o √© melhor que canja de galinha =)

Primeiro: encontrar a fonte original. Nesse caso espec√≠fico s√≥ essa a√ß√£o que n√£o vai tomar mais do que 5 minutos do seu precioso tempo j√° resolve qualquer d√ļvida. O artigo encaminhado como ‚Äúpol√™mico‚ÄĚ, ‚Äúabsurdo‚ÄĚ e ‚Äúinimagin√°vel‚ÄĚ foi publicado pelo The Onion. Case closed, next!

‚ÄúU√©, pera√≠, e da√≠? Nunca ouvi falar!‚ÄĚ

N√£o tem problema, o titio explica: o The Onion √© famoso por criar s√°tiras de not√≠cias reais ou simplesmente inventar conte√ļdo absurdo sobre assuntos importantes. No caso, uma s√°tira que aplica√ß√£o semelhante √† maluquice do Desing Inteligente para explicar a Lei da Gravidade. E pensar que algu√©m levou essa not√≠cia a s√©rio, tsc tsc.

Segundo: descobrir a data de publica√ß√£o e encontrar a mesma not√≠cia veiculada em outros portais, jornais, blogs etc. O artigo em quest√£o √© de 2005 e todas as not√≠cias semelhantes s√£o meras reprodu√ß√Ķes da nota original do The Onion. Preciso falar mais? Como algo que teria tanto impacto e geraria tanta discuss√£o s√≥ foi destacado por UM ve√≠culo de comunica√ß√£o? E porque ficou ao l√©u por tantos anos?

Geralmente, a resposta para as duas perguntas é: você está diante de uma mentira/bobagem/piada. Simples assim.

Para quem ainda duvida, outro link de 2005 que encontrei sobre o tema é da Ciência List e pode ser acessado em http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/49892. Lógico, menos de 1 dia depois da mensagem inicial a discussão entrou em uníssono: piada piada piada.

"Tantas informa√ß√Ķes, e agora?!" Sem drama, bom senso e paci√™ncia resolvem essas quest√Ķes. Usem-nos!

Resum√£o: normalmente descobrir se a ‚Äúgrande not√≠cia pol√™mica‚ÄĚ que chegou a voc√™ √© real ou n√£o dificilmente tomar√° mais do que 10 minutos do seu tempo.

Se você acha que é muito tempo para perder com isso, a solução é simples: não a encaminhe. Assim você poupa o seu tempo e de todos que a receberiam.

Ah, e o meu. Especialmente o meu.

Quer multidisciplinaridade? V√° para √°reas da sa√ļde.

A ideia é juntar tudo

[Post patrocinado por¬†EducaEdu: Cursos Sa√ļde e Medicina]

A trans-inter-super-ultra-mega-blaster-multidisciplinaridade estána moda, certo? Todo mundo fala disso. Mas eu acho que a coisa ainda está muito mais no discurso do que na prática. O mundo ainda compensa mais as pessoas super-especializadas. Isso é o que eu acho, mas podemos discutir. Se não concorda ou me apóia, comente este post com sua idéia.

Apesar de n√£o ver isso na pr√°tica da pesquisa, pelo menos tenho visto algo parecido surgir em aulas da p√≥s-gradua√ß√£o. Ou pelo menos algumas. E vejo que a √°rea de sa√ļde √© a que tem estado na frente nesta multidisciplinaridade.

Dou alguns exemplos:

Como eu estou entrando na √°rea das neuroci√™ncias eu tenho feito disciplinas de p√≥s-gradua√ß√£o na psiquiatria da USP, e comecei por uma disciplina mais amistosa para mim, bi√≥logo que sou ‚Äď isto √©, com um ‚Äúmolecular‚ÄĚ ou ‚Äúgen√©tica‚ÄĚ no nome. Afinal, em estudos do c√Ęncer ou do c√©rebro, molecular √© molecular e gen√©tica √© gen√©tica. Elas s√£o ferramentas que podem ser aplicadas a muita coisa, e os termos, t√©cnicas e jarg√Ķes s√£o os mesmos. Come√ßando assim eu pude me sentir menos patinho feio dentro da psiquiatria.

Assim comecei com a disciplina Genética e Transtornos Psiquiátricos. Pode parecer bem clínico, mas no programa dava pra ver que abordaria conceitos básicos, indo de interação gene x ambiente, passando por estudos epidemiológicos, moleculares e até bioinformática e modelos animais.

Mas a multidisciplinaridade mais interessante n√£o estava no conte√ļdo das aulas, mas nos alunos que apareceram por l√°.

Havia biólogo (eu e não sei se mais algum), psicóloga clínica, um psiquiatra beeeem clínico mas interessado por pesquisa e epigenética, psiquiatra epidemiologista, e até um neurocirurgião!!!

Sério, eu nunca tinha conversado com um neurocirurgião. Para mim eles carregam um estigma de serem os seres mais inteligentes do mundo. Não que eu ache isso, mas parece que quando as pessoas pensam em uma profissão absurdamente difícil, pensam em neurocirurgião.

Claro que o cara era normal, bem gente boa, muito inteligente, principalmente uma intelig√™ncia bem t√©cnica, eu diria, mas nada fora do comum para um bom cirurgi√£o. E deu contribui√ß√Ķes fant√°sticas nas discuss√Ķes da aula. S√©rio, agora eu quero ter sempre um neurocirurgi√£o por perto pra conversar e tirar d√ļvidas.

Agora estou em outra disciplina, esta bem mais voltada para pesquisa, mas ainda sim temos certa diversidade com psiquiatras (na maioria), psicólogos e eu, o biólogo fora do nicho.

E foi muito legal contribuir para a discussão quando a conversa foi sobre o papel da evolução nas doenças psiquiátricas. Eu como biólogo pude ajudar com conceitos que para biólogos são banais, mas para médicos e psicólogo são mais distantes.

Estou gostando de estar nessa √°rea m√©dica ou de sa√ļde. Afinal eu tenho essa tend√™ncia generalista, de gostar de tudo, e vejo que h√° muita multidisciplinaridade por aqui. Claro que ainda faltam √°reas importantes entrarem na roda, como, no caso da psiquiatria, os psic√≥logos comportamentais, neurocientistas e pessoal do comportamento animal, entre outros.

Juro que isso tudo chegou a gerar uma certa inveja-boa da prática clínica. Mas ainda bem que passa rápido.

Por isso, se voc√™ √© um generalista como eu, gosta de interagir com v√°rias √°reas, e ainda n√£o sabe o que fazer da vida (vai prestar vestibular ou entrar em uma p√≥s-gradua√ß√£o), as √°reas da sa√ļde s√£o uma boa pedida.

Veja aqui as op√ß√Ķes do nosso parceiro EducaEdu em Cursos Sa√ļde e Medicina.

Geografia da Pós-graduação brasileira.

√Č p√©ssimo admitir isso, mas s√≥ conheci o portal GeoCapes h√° duas semanas em uma palestra sobre pol√≠tica cientifica ministrada pela presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci√™ncia (SBPC), a Profa. Dra. Helena Bonciani Nader.

Entre os dados pode-se consultar o n√ļmero de bolsas de p√≥s-gradua√ß√£o concedidas, a distribui√ß√£o de discentes, docentes e de programas de p√≥s-gradua√ß√£o, tudo isso em n√≠vel municipal, estadual ou federal.

Também são interessantes os dados de acesso ao Portal de Periódicos disponibilizado pela CAPES.

A imagem abaixo mostra um pouco da interface, para ampli√°-la basta clicar.

Interface do portal GeoCapes. Acesse!

Um prato cheio para quem precisar ou se interessar por um raio-X da pós-graduação no Brasil.

Odeio esse termo, mas #ficadica!