Entrevistas: Olimpíada e divulgação da Linguística

No ano de 2017…

… a Revista Linguística Rio (UFRJ) publicou um pequeno texto ressaltando a importância da Divulgação Científica, de modo a melhorar a percepção pública da área. Um dos argumentos usados foi a indicação de extinção do Ministério da Cultura pelo Governo Temer em 2016, que foi revertida após algumas manifestações.

A cultura conta com grande apoio popular graças ao apelo de grandes artistas que contribuíram com as manifestações. Os cientistas obviamente não teriam o mesmo apelo, porém, um barulho maior poderia ter dificultado ou mesmo evitado a fusão do antigo MCTI em MCTIC (com  antigo Ministério da Comunicação).

Em 2019, a ciência e as universidades estão sofrendo ainda mais ataques. A área de humanidades em especial. Esses fatos têm feito com que a divulgação de nossas áreas se faça cada vez mais necessária.

A evolução no cenário da divulgação científica da Linguística

Felizmente, nos últimos dois anos, os canais de divulgação científica da Linguística cresceram bastante. Em 2016, o primeiro canal do youtube brasileiro de divulgação exclusivamente de linguística (Enchendo Linguística) se iniciava, sendo entrevistado naquele mesmo número de 2017 da Linguística Rio. O canal Enchendo Linguística é apresentado por Marcos Felipe Sant’Anna (mestrando na Unicamp) e Igor Costa (doutorando na PUC-RJ). Ainda no youtube, temos o canal Linguística no Cotidiano, produzido pelo curso de Letras da UFVJM em parceria com a Rádio Universitária 99,7 FM.

Em 2017, Thiago Motta Sampaio (Unicamp) e Janaina Weissheimer (UFRN) falaram da área no festival Pint of Science em Campinas e em Natal, respectivamente. No mesmo ano, Debora Cabral (Cardiff University) e Thiago Motta Sampaio passaram a integrar a equipe do Scicast, o podcast de divulgação científica mais popular do país, e também de seus spinoffs (SciKids [semanal], Spin de Notícias [diário] e Contrafactual [semanal]).

Em 2018 surge a revista Roseta, da ABRALIN, especializada em divulgação científica. Sua editora Mahayana Godoy (UFRN) também participou de um episódio do podcast Dragões de Garagem. Em 2019, mais duas linguistas da Unicamp participaram do Pint of Science para falar sobre linguística indígena, Mahayana Godoy e Luisa Godoy também falaram sobre a área no Pint Natal e Diamantina respectivamente. Também em 2019 nasceu o primeiro podcast especializado em linguagem e literatura, o Língua Livre, sob o comando de Vivian Paixão e Liliane Machado, ambas formadas pela UFRJ e professoras do Colégio Pedro II.

Ao final desse post, encontre uma lista de canais de divulgação da Linguística.

Olimpíada de Linguística

O principal objetivo da divulgação científica é atingir um público leigo, que não conhece a área. Mas normalmente os canais de divulgação iniciam seu crescimento “pregando para convertidos” antes de, de fato, atingir o público leigo. Nesse sentido, a Olimpíada Brasileira de Linguística tem a garantia de já atingir alunos do ensino médio que muitas vezes iniciam sua participação sem saber o que é linguística.

No Spin de Notícias #592, Thiago Motta Sampaio entrevista os alunos selecionados para as equipes brasileiras que disputarão a Olimpíada Internacional de Linguística na Coreia do Sul. Nessa entrevista, podemos perceber que a grande maioria dos alunos não conhecia a área. Dos que conheciam, ainda houve uma percepção de que a área é muito mais profunda do que eles imaginavam.

Dentre os fatores que fomentam o interesse dos alunos pela Olimpíada de Linguística está o estímulo da competição científica, que parece ser um dos principais fatores em qualquer olimpíada de conhecimento. Outro fator destacado foi a influência dos professores, o que nos mostra a importância de investir na formação dos professores de modo que eles também possam falar da pesquisa linguística em sala de aula.

E o que os pesquisadores acham disso tudo?

Vários docentes da Unicamp e da UFSCar tiveram contato direto com os alunos da Olimpíada de Linguística nos últimos dois anos. Um dos embaixadores da Olimpíada de Linguística, Thiago Motta Sampaio, conversou com docentes dessas duas universidades sobre a experiência de participar da Olimpíada de Linguística e sobre a situação da Divulgação Científica da área.

 

Entrevista com a Profa. Patricia Prata, coordenadora da Graduação em Linguística da Unicamp (2019) [25m 14s]

Entrevista com a Profa. Isabella Tardin Cardoso, coordenadora da Pós-Graduação em Linguística da Unicamp (2019) [29m 13s]

Entrevista com o Prof. Renato Basso (UFSCar) em 2018 [6m 21s]

 

Alguns canais, vídeos e textos brasileiros sobre a divulgação científica da Linguística:

1. Textos/Artigos

  • A importância da Divulgação Científica da Linguística e Entrevista com o Canal Enchendo Linguística – Revista Linguística Rio [link]
  • Sampaio, T.O.M. Onde estão os linguistas na divulgação científica brasileira, Revista do EDICC, v.5, n.1, 2018 [link]
  • Revista Roseta (ABRALIN)

2. Blogs 

3. Youtube

4. Podcasts

 

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Professor de Psicolinguística e Processos Cognitivos na UNICAMP; Divulgador da Ciência, Scicaster e "Spiner" (Spin de Notícias) no Portal Deviante (www.deviante.com.br); e Embaixador da Olimpíada Brasileira de Linguística (www.obling.org).

Patricia Prata

Docente da área de Línguas Clássicas no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

Coordenadora do curso de Graduação em Linguística

Isabella Tardin Cardoso

Docente da área de Línguas Clássicas no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

Coordenadora do curso de Pós-Graduação em Linguística

3 Comentários

  1. Incrível como essa área científica tem ganhado destaque ao ser aberta ao público em geral. Posso dizer que para mim, estudante do 3°ano do ensino médio, descobrir essa vertente científica nesse ano (por influência da minha professora de português e de forma inicialmente despretensiosa) me fez reconsiderar totalmente minha graduação e ambições acadêmico profissionais. Venho acompanhando o blog desde a UPA e cada fez mais tenho me fascinado por esse mundo da linguagem. Adorei as indicações da postagem e deixo minha contribuição recomendando o livro de introdução “Entendendo Linguística” da editora Leya.

  2. É incrível como essa área científica tem ganhado visibilidade e conhecimento ao público em geral. Como estudante do 3º ano do ensino médio, posso dizer que fui fascinada pela abordagem que a linguística traz à sociedade e à produção do conhecimento, de forma que mesmo tendo sido apresentada a ela há pouco tempo (por uma influência inicialmente despretensiosa da minha professora de português), sua relevância acadêmica foi suficiente para me fazer mudar decisões e optar pela sua graduação. Tenho acompanhado o blog desde a UPA, adorei as indicações e deixo minha contribuição recomendando o livro ilustrado “Entendendo Linguística”, da Editora Leya, uma ótima leitura para quem está descobrindo ou tem interesse na área.

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