Vai um cafezinho aí?

Ah, o café…

Quem não gosta de um cafezinho quentinho e fumegante?

Quem resiste àquele cheirinho característico que exala do café recém coado?

E às mais diversas variações que a cada dia encontramos nas cafeterias, com chantili, chocolate, manteiga de amendoin…?

Seja quente ou gelado, o café está dominando geral!  –  Mas eu tenho que confessar: não sou fã do cafezinho…

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O consumo de café não é devido apenas ao seu sabor característico, mas também a seus efeitos fisiológicos e propriedades estimulantes/psicoativas. Os estudos médico-científicos sobre o café ainda são muito recentes e, com isso, há muita discussão sobre os efeitos do café na saúde humana. Mesmo com seus ferrenhos oponentes dotados de muitos resultados contraditórios, seus advogados apaixonados apresentam evidências que sugerem que o consumo de café pode prevenir diversas doenças crônicas como o diabetes tipo 2, arteriosclerose e alguns tipos de câncer.

Veja mais posts sobre cafeína , clicando nos links indicados pelo “Química viva” (do Science Blogs Brasil).

O café possui mais de 1000 constituintes descritos, sendo que a maioria parece afetar a saúde humana. A cafeína é a substância do café mais estudada e responsável por grande parte dos efeitos estimulantes do sistema nervoso. É provável, porém, alguns dos efeitos benéficos do consumo diário de café estejam relacionado a outros constituintes como alcaloides, ácidos clorogênicos, compostos fenólicos, fibras e minerais.

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Como eu já falei nos posts anteriores, a microbiota é capaz de metabolizar diversos itens da nossa dieta – especialmente aqueles que não são digeridos por nós. Por sua vez, alguns dos produtos da digestão microbiana podem promover benefícios para o hospedeiro [outros podem levar a efeitos adversos]. Fibras não-digeríveis, por exemplo, estimulam o crescimento de bifidobactérias.

Bifidobactérias - bastonetes com extremidade bifurcada (em Y)

Um grupo de cientistas [detalhe: do “Nestlé Research Center”] resolveu analisar como  o consumo de café afeta a microbiota humana. Para isso 16 pessoas (7 homes e 9 mulheres) com idade entre 21 e 57 anos se voluntariaram. A eles algumas condições foram impostas.

As restrições foram: proibido o uso de antibióticos, laxantes ou outra medicação gastrointestinal nos 3 meses anteriores ao estudo, proibido a ingestão de iogurtes ou produtos que contivessem bifidobactérias, lactobacilos ou prébióticos nas 3 semanas anteriores ao estudo, consumo de 3 xícaras de café/dia, IMC (índice de massa corporal = peso/alturaXaltura) entre 20 e 30 e não estar participando de outro estudo.

Preenchendo os requisitos, os voluntários deveriam fazer um pré-tratamento com uma dieta restrita (já citada as restrições) por 3 semanas, seguido por 3 semanas de tratamento consumindo 3 xícaras de café por dia. Amostras de fezes dos voluntários foram coletadas antes e após o tratamento de 3 semanas e, depois, analisadas. [detalhe: o café foi preparado a partir de sachês de café solúvel/instantâneo]

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Os resultados mostraram que não houve diferença significativa na quantidade e tipo das bactérias identificadas, com exceção das bifidobactérias (lembra delas?). O impacto não foi o mesmo para todos os indivíduos do estudo. O aumento no número de bifidobactérias só ocorreu naqueles que possuíam os menores níveis dessa bactéria no início. Outros apresentaram aumento na atividade da bactéria.

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O estudo não identificou qual o componente responsável pelo efeito, mas sabe-se que os cafés instantâneos são reconhecidamente fontes importantes dos chamados prébióticos (substâncias que não são digeridas/absorvidas pelo hospedeiro, mas que são metabolizadas pela microbiota intestinal favorecendo, assim, a proliferação ou a atividade de microrganismos benéficos). Assim, é importante ressaltar que esse aumento pode não ser diretamente ao consumo do produto, mas os resultados sugerem que o café pode ter efeitos benéficos sobre a microbiota (aumento na quantidade e/ou atividade de Bifidobactérias).

Então… você já tomou um cafezinho hoje?

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[atualização] Logo depois da postagem, o Roberto Takata me perguntou se havia FIBRAS no café. Ele mesmo achou a resposta: SIM. (detalhe: fibras são polissacarídeos não-digeríveis). Aqui vê-se um experimento que comparou diferentes preparações de café: expresso, filtrado e solúvel – e mostrou que o café possui mais fibras que outras bebidas. Outro ponto que vale a pena ser ressaltado, diz respeito a esse artigo aqui. Neste segundo artigo, os pesquisadores usaram uma técnica semelhante à utilizada no artigo que usei para escrever o texto principal, mas foi utilizado o café filtrado – e não o solúvel. Os resultados foram bem diferentes: “The growth of bifidobacteria and lactobacilli was not stimulated.” – Só para finalizar, acho importante ressaltar que eu não consegui baixar esses artigos da atualização – a atualização foi escrita baseada apenas no resumo disponível no link. Agradeço se alguém conseguir me enviar ^^” [/atualização]

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**Saiba Mais

ResearchBlogging.org Jaquet M, Rochat I, Moulin J, Cavin C, & Bibiloni R (2009). Impact of coffee consumption on the gut microbiota: A human volunteer study. International Journal of Food Microbiology, 130 (2), 117-121 DOI: 10.1016/j.ijfoodmicro.2009.01.011

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