Tag Archives: lixo

Copos pl√°sticos usados viram embalagens de Humor

Pena que meu humor n√£o seja dos melhores, Natura!

Sim, a ideia de reciclar os copos pl√°sticos de um festival de m√ļsica √© incr√≠vel, aglomera√ß√Ķes de gente √© algo que gera MUITO res√≠duo e me pergunto se isso √© sustent√°vel. Falei especialmente disso no post que fiz em 2016 quando fui volunt√°ria nos Jogos Ol√≠mpicos no Rio de Janeiro.

Mas sobre a a√ß√£o da Natura com a Heineken e o Rock in Rio: a a√ß√£o tem seu m√©rito sim, mas n√£o tenho bem certeza se ambiental. O que mais me incomoda nela √© a simplicidade com que parece que o problema foi resolvido. E na verdade n√£o foi simples, nem o problema do pl√°stico foi resolvido. O pl√°stico do copo que voc√™ usou e virou tampa de perfume s√≥ foi adiado para ir para o aterro. O copo que saiu do festival de m√ļsica e virou tampa de perfume para finalmente chegar no consumidor final fez um rol√™ consider√°vel. Na breve exist√™ncia desse pl√°stico ele deve ter rodado mais que muito ser humano com o mesmo tempo de vida. Isso sem pensar no destino da tampa depois que o perfume acabar ou a tampa simplesmente quebrar, pois sim elas podem quebrar.

O mais engraçado é que o Rock in Rio e a Heineken simplesmente repassaram (provavelmente mediante pagamento) uma parte do problema de resíduo deles para a Natura. Ela assumiu o passivo para de fato resolver o problema do ciclo de vida do plástico do copo, que será, sei lá no fim, reciclar novamente a tampa do perfume ou mandá-lo para um aterro?

Me pergunto até que ponto somente adiar a ida de produtos plásticos para o aterro é algo válido, o aproveitamento desse material nunca é 100%. Deve ter a sua validade, mas pra mim não resolve o problema.

O m√©rito dessa a√ß√£o est√° na parceria de um festival de m√ļsica, uma empresa de bebidas e uma marca de beleza. Uma vez que s√£o 3 grandes corpora√ß√Ķes, creio que conciliar todos esses interesses deve ser algo bastante complexo.

Mas do ponto de vista ambiental qual seria a melhor solu√ß√£o para o copo de pl√°stico? Penso que usar copos de pl√°stico n√£o descart√°veis no festival e permitir que as pessoas usem o mesmo copo v√°rias vezes e os levem para casa e continuem usando-os. Mas um festival de m√ļsica com milhares de pessoas √© algo complexo que eu absolutamente n√£o manjo nada. S√≥ t√ī dando meus pitacos de velha blogueira de meio ambiente rabugenta.

Old Lady Smoking GIF - Find & Share on GIPHY

De todo modo, bela tentativa Natura, Heineken e Rock in Rock. Continuem tentando, um dia a gente consegue, ou n√£o.

Judging You GIF - Find & Share on GIPHY

A frustração do descarte

Eu não tenho outra definição para o meu sentimento no momento: frustração, impotência, indignação.

Pra uma pessoa que est√° aqui h√° 11 anos falando de meio ambiente, sustentabilidade, lixo, novas formas de economia e etc isso √© um tapa na cara. Mas a √ļnica coisa que eu posso fazer √© manifestar esse sentimento, n√©? Pois bem, aqui est√°:

Isso sem contar os R$200 q terei q desembolsar tb por conta do tampo traseiro trincado. √Č justo um produto t√£o caro durar t√£o pouco? E simplesmente a manuten√ß√£o n√£o valer a pena?

Eu como ativista de meio ambiente, preocupada c/ os resíduos gerados nesse planeta pensei q o investimento tão alto num aparelho top de linha seria uma solução inteligente p/ gerar menos resíduos, mas vejo q não, essa lógica não funciona p/ o produto de vcs.

Ou talvez eu seja uma est√ļpida mesmo em querer comprar um produto de luxo e n√£o querer bancar um novo a cada esta√ß√£o. Agora como deve agir uma pessoa preocupada c/ o impacto q deixa no planeta?

Desembolsar um valor maior do mesmo produto novo p/ evitar que mais resíduos sejam gerados ou simplesmente ignorar essa preocupação e comprar um produto novo?

E n√£o, n√£o me venha c/ o papo de descarte ecologicamente correto pois isso √© balela. √Č a l√≥gica do descarte aqui q estou tentando combater, a ideia de q se √© recicl√°vel ou vai ser reciclado tudo bem consumir mais.

√Č muito mais do que apenas mandar o produto p/ um destino melhor q o lix√£o. √Č sobre ser respons√°vel pelo q se consome e como se consome.

Mas o meu caso deve ser um n√ļmero irrelevante p/ vc, n√© Afinal, qtos dos produtos de vcs d√£o problema como o meu depois de 1 ano e meio de uso? Quantas pessoas se d√£o ao trabalho de reclamar? Ficarei aqui c/ a minha frusta√ß√£o e indigna√ß√£o.

Obrigada, por não ser uma empresa melhor para o mundo. Só mais uma como tantas outras.

A culpa é sua

Saiu um estudo na Science of The Total Environment que mostra dados de monitoramento de lixo no assoalho oce√Ęnico dos mares do noroeste da Europa (mais precisamente mares em torno do Reino Unido). Esse estudo mostra dados do per√≠odo de 1992-2017 com redes espalhadas pelos mares que coletam o lixo. Confesso que n√£o li o artigo original inteiro, mas na reportagem que fala desse estudo no The Guardian eles apontam que h√° uma queda no n√ļmero de sacolas pl√°sticas encontradas nessas redes de monitoramento. A reportagem fala em aproximadamente 30% de queda a partir de 2010 em √°reas pr√≥ximas da Noruega e Alemanha at√© a nordeste da Fran√ßa e oeste da Irlanda.

Desde 2003 pa√≠ses como Irlanda e Dinamarca tem cobrado taxas sobre as sacolas pl√°sticas. Ser√° apenas coincid√™ncia que o n√ļmero de sacolas pl√°sticas no mar diminuiu desde ent√£o? Ou o fato de cobrar taxas sobre as sacolas fez com que as pessoas as usassem com mais parcim√īnia e consequentemente menos dessas sacolas foram parar nos mares? Eu n√£o acho que isso √© apenas coincid√™ncia e o pr√≥prio autor do paper, Thomas Maes, diz na reportagem: “Quanto menos sacolas usamos, menos n√≥s descartamos, menos n√≥s as colocamos no ambiente”.

Esse tipo de política funciona tanto que o governo do Reino Unido vem estudando a possibilidade de que essa taxa seja aplicada também às garrafas e latas.

Eu n√£o faria um post s√≥ para contar isso, mas por conta de uma resposta de um twitt meu a essa reportagem eu tive que vir aqui e escrever, na verdade √© quase que uma continuidade do meu √ļltimo post quando achava covardia das empresas colocar no cidad√£o comum a responsabilidade de serem melhores.

Ai eu recebo isso de resposta:

Esse perfil que me respondeu n√£o apenas empurra para o cidad√£o a responsabilidade de reciclar um produto como sem nenhum pudor estimula e incentiva o uso sem qualquer problema.

Então tá, a culpa é da população que não sabe reciclar. E você acha que estimular o consumo é que vai ensiná-las a cuidar do seu lixo, né?

T√° bom, ind√ļstria do pl√°stico, por favor seja melhor do que empurrar a responsabilidade de reciclar o lixo para o consumidor. Ensinar as pessoas das 1001 utilidades do pl√°stico (que √© o que voc√™s prop√Ķem no perfil de voc√™s) √© meio que chover no molhado, todo mundo j√° sabe das benesses e utilidades do pl√°stico, isso num tem nada de novidade para ningu√©m. Isso tamb√©m n√£o colabora em nada com o problema do mal descarte do pl√°stico.

Me conta, produtores de pl√°stico, de todo pl√°stico que voc√™s j√° produziram na vida, qual a porcentagem dele de fato foi reciclado? J√° que a grande (e parece que √ļnica) solu√ß√£o que voc√™s apontam √© o descarte correto dos res√≠duos. T√° vou ser legal, n√£o precisa ser de todo o pl√°stico j√° produzido na vida, pode ser a taxa de reciclagem dos √ļltimos 5 anos.

Se o cidadão mora numa cidade que não tem reciclagem do lixo como ele faz? (realidade de 69.6% das cidades brasileiras) Você vai lá buscar as sacolinhas infinitas que ele pegou no supermercado para reciclá-las para ele? Ah, claro que não, afinal o cidadão que tem que ter conscientização. Então, caro cidadão a minha dica é: se a sua cidade não tem coleta seletiva de lixo, use menos sacolas plásticas, ok? O ambiente agradece e as tartarugas mandam um beijo!

Se todas as sacolas produzidas por voc√™s de fato virassem sacos de lixo e fossem para aterros sanit√°rios, por que ser√° que ainda tem tanta sacola pl√°stica encontrada no est√īmago de tartaruga ou nas redes de monitoramento dos pesquisadores?

Cara ind√ļstria do pl√°stico, n√£o √© continuando com os mesmos h√°bitos de consumo que vamos conseguir diminuir a polui√ß√£o de pl√°stico ou qualquer problema ambiental que temos. Conscientizar as pessoas sobre descarte do lixo √© parte da solu√ß√£o, mas diminuir o consumo tamb√©m √©, uma coisa n√£o elimina a outra. Ali√°s a diminui√ß√£o do consumo resolve muitos problemas al√©m da polui√ß√£o dos mares, pode ter certeza.

Pelo visto o interesse de voc√™s n√£o √© ser uma ind√ļstria correta, preservar o meio ambiente ou conscientizar as pessoas a darem um destino correto para seus res√≠duos. O objetivo de voc√™s √© que as pessoas continuem a usar sacolas pl√°sticas sem nenhum pensamento cr√≠tico sobre o assunto, como foi durante muito tempo. Mas o meu consolo √© que se o mundo est√° um lugar mais polu√≠do, com menor biodiversidade e sujo, esse mundo n√£o ser√° usufru√≠do s√≥ por mim, mas por voc√™s e seus descendentes tamb√©m e saibam que voc√™s foram os grandes colaboradores dessa sujeira toda.

Sobre cápsulas de café

Eu realmente estou com preguiça de escrever qualquer julgamento de valor diante do ocorrido, vou apenas descrever e você leitor e consumidor pensa o que quiser a respeito.

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr
Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

De vez em quando eu recebo releases de uma empresa de comida. Um dos √ļltimos que recebi foi sobre a reciclagem das c√°psulas de caf√© que a empresa tem feito, nesse caso ela contava que por conta da reciclagem das c√°psulas a empresa doaria 1,6 milh√£o de tubetes de mudas de caf√© para agricultores de caf√© que fazem parte do um certo programa deles. (Eu poderia reproduzir o release aqui, mas voc√™ pode encontr√°-lo nesse link)

Ai, eu enviei as seguintes perguntas para o remetente do mail:

Esses 1.6 milhão de tubetes que serão doados representam qtas cápsulas recicladas? Mais um dado importante que não encontrei: qual a porcentagem das cápsulas produzidas no Brasil pela Nestlé são recicladas? Uma vez que vcs não possuem pontos de coleta no Brasil todo creio que apenas uma parte é reciclada, gostaria de saber qual esse valor.

Infelizmente no site que vc indicou no release n√£o encontrei mais informa√ß√Ķes sobre o processo de reciclagem das c√°psulas, na verdade gostaria de saber mais sobre as empresas que recebem essa c√°psulas: elas j√° existiam e fazem reciclagem de outros produtos ou foram criadas especificamente para reciclar as capsulas? Foi feito algum investimento da Nestl√© para o desenvolvimento do processo de reciclagem das c√°psulas?

Vc teria fotos do processo de reciclagem das c√°psulas?

A resposta demorou e tive que me esforçar para obtê-la. Primeiro, sempre recebi esses emails sem solicitá-los, ai qdo veio mais um release sem ter nenhuma resposta do anterior eu reclamei e falei para não me enviarem mais uma vez que não estava rolando uma comunicação. A assessora pediu desculpas, falou para eu reenviar o mail e 2 dias depois veio a seguinte resposta:
Por quest√Ķes estrat√©gicas a Nestl√© n√£o divulga a quantidade de c√°psulas comercializadas, coletadas e recicladas.
 
As cápsulas coletadas são processadas pela marca em parceria com a Boomera, que tem unidades industriais em Itapevi (SP) e em Cambé (PR).
 
Baseado no conceito de economia circular, onde os resíduos se transformam em insumos pra produção de novos produtos, as cápsulas descartadas pelos consumidores nos pontos de coleta passam por um processo de extrusão e são transformadas em uma resina plástica. Essa resina se transforma em matéria prima para produção de novos produtos, sendo o porta-cápsulas Renove o primeiro produto de Nescafé Dolce Gusto feito com materiais 100% reciclados (15% de cápsulas pós uso).
Olha, por uma questão estratégica eu não vou comentar essa resposta. Você leitor querido que me acompanha aqui deve saber o que estou pensando a respeito, aliás, a caixa de comentários está aberta para seus comentários. Eu prefiro evitar a fadiga dessa vez.

Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

DSC07884

Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy √© super otimista com rela√ß√£o aos jogos e todas as a√ß√Ķes de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos¬†(falei um pouco disso quando visitei o Comit√™ em 2014). Mas o que me intrigou mesmo √© a realiza√ß√£o dos jogos em si, o evento durante e como o tema res√≠duo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no est√°dio da Lagoa, na equipe da √°rea de protocolo que consistia em receber os membros da fam√≠lia ol√≠mpica (leia-se membros dos comit√™s ol√≠mpicos nacionais e internacionais, membros das federa√ß√Ķes de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competi√ß√£o, ao todo √©ramos uns 20 volunt√°rios, comandados por 2 funcion√°rios contratados do comit√™ organizador. Qual o maior problema ambiental dessa opera√ß√£o? Res√≠duos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. T√≠nhamos lixeira de recicl√°veis e n√£o recicl√°veis, adivinha se respeitavam? Muitos at√© tentavam, mas e a garrafa meio cheia que n√£o foi consumida at√© o fim o que fazer, lixeira de recicl√°vel ou org√Ęnicos? In√ļmeras vezes me vi na d√ļvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderiam ser planejadas como n√£o usar descart√°veis n√£o foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descart√°veis? Claro! Coisas banais como essas ningu√©m pensou para diminuir a quantidade de res√≠duo gerado. Me do√≠a o cora√ß√£o cada vez que eu via as lixeiras com os res√≠uos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia at√© a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solu√ß√£o encontrada por um shopping em S√£o Jos√© dos Campos.)

E os res√≠duos do almo√ßo dos volunt√°rios e funcion√°rios? Prato, copo, talheres descart√°veis e uma lixeira √ļnica com tudo misturado. Mas a carne que comemos n√£o era proveniente de desmatamento e o peixe era sustent√°vel. √Č o que d√° pra fazer num evento dessa magnitude. T√° bom, √© suficiente? N√£o tenho a resposta. Essas s√£o as experi√™ncias que eu vivi no Est√°dio da Lagoa, o evento tinha instala√ß√Ķes em tantos outros locais e n√£o sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a √ļnica amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo √© t√£o negligenciado? Por que acreditam que¬†colocar 2 tipos de lixeiras e¬†chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema t√° resolvido e equacionado? √Č impress√£o minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em √ļltimo? Ser√° que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

Lixo, plástico, oceano e a logística reversa

Se tem uma coisa que eu gosto é reparar no que as empresas andam fazendo sobre ser sustentável depois que a moda da sustentabilidade passou. Na verdade, eu não sei bem se a moda passou ou estagnamos e não conseguimos fazer muito mais que não usar sacolinhas plásticas e talvez separar o lixo.

Hoje no Daily Planet descobri que a Adidas se juntou a¬†Parley for the Oceans¬†(Negoci√ß√£o pelos Oceanos). E criou uma campanha que coletou usou o pl√°stico de redes de pesca encontrados¬†pr√≥ximos √†s Ilhas Maldivas e usando uma impressora 3D fez um t√™nis para fazer um t√™nis usando uma impressora 3D. A coleta dessas redes de pesca foi feita pela Sea Sheperd. O interessante √© que √© poss√≠vel ganhar um dos 50 pares de t√™nis produzidos, basta fazer um video, postar no Instagram com a hashtag #ParleyAIR e #adidascontest dizendo porque voc√™ ama os oceanos, fazer uma promessa para ajudar a combater a polui√ß√£o do pl√°stico nos oceanos e mostrar que voc√™ deixou de usar algum pl√°stico de uso √ļnico. Achei a campanha bem legal e queria ser criativa o suficiente para fazer esse v√≠deo para concorrer a um dos pares. Mas eu n√£o sou (e o Brasil n√£o √© um pa√≠s que pode participar da campanha :/) e o que eu sei fazer √© pesquisar mais sobre a empresa e lembrei que eles tinham um programa de coleta de t√™nis velhos e queria saber como andava isso. De que adianta um campanha dessas que deve custar milh√Ķes se ela n√£o se preocupa com sua log√≠stica reversa? Eu por exemplo tenho um par de t√™nis velho da Adidas encostado¬†pois n√£o est√£o em condi√ß√Ķes de uso nem de doa√ß√£o e n√£o sei o que fazer com eles.

sea

Essa pesquisa me deixou feliz pois descobri que desde o ano passado em algumas lojas da Adidas no Brasil eles estão aceitando pares de tênis velhos (e roupas esportivas) de qualquer marca e ainda dão 15% de desconto para novas compras para quem levar um par/roupa usad@. Ok que esse recolhimento ainda não é em 100% das lojas da marca no Brasil, mas é um começo, eu ficaria bem decepcionada se visse essa campanha deles toda linda sobre salvar os oceanos e eles não estivessem nem fazendo a lição de casa pensando no lixo que o próprio produto deles gera por ai.

Vejo as empresas dando passos bastante t√≠midos com rela√ß√£o √† log√≠stica reversa, algo super importante e que est√° na nossa Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos (que existe desde 2010), tamb√©m continuo vendo as pessoas pouco preocupadas com o destino de seu lixo. Quando as empresas v√£o investir a mesma quantidade de dinheiro que usam para promover um t√™nis¬†provenientes de lixo oce√Ęnico¬†em campanhas para promover o destido correto do seu t√™nis velho e sem uso?

Retrospectiva – Onde os navios morrem

Esse blog j√° √© bem velhinho para os padr√Ķes da internet, 8 anos! E provavelmente ningu√©m acompanha desde o in√≠cio como eu e vez ou outra lembro de coisas que postei e ningu√©m viu. Ai pensei que seria tempo de falar novamente de¬†algumas coisas e a primeira que me veio a cabe√ßa foi um post de 2008 sobre o Destino dos Navios.

Simplesmente copiar e colar o antigo post aqui não faria sentido então resolvi rever o assunto, fazer uma nova pesquisa e ver o que aparecia, pois bem, depois de muitas reportagens no mundo rico e ocidental (National Geographic 2014, Deutsche Welle 2015, Daily Mail 2015, Vice 2015, BBC 2012, CNN 2010), o mundo tem se preocupado com o que acontecia por lá e uma ONG para lutar por mais direitos aos trabalhadores e cuidados ambientais apareceu. Tá rolando uma maior conscientização mas pra mudar alguma coisa mesmo ainda vai tempo, apesar de estarmos falando de Bangladesh, lugar onde nasceu o Grameen Bank, do ganhador do Nobel da Paz, Muhammad Yunus, a miséria e a pobreza são gigantes e como diz meu pai, nesses lugares a vida vale menos.

Espero que com a quantidade de notícias recentes sobre o local que eu achei em grandes veículos internacionais alguma mudança mais significativa aconteça em breve. E olha, sinceramente em alguns videos que eu vi algumas pessoas estavam usando botas! O que é uma evolução perto das fotos que eu vi em 2008, quando escrevi o primeiro post.

Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh (CC BY-NC-ND 2.0)
Foto: https://flic.kr/p/7gAfbh
(CC BY-NC-ND 2.0)

Um festival de comida com lixo mínimo

Acabei de voltar de f√©rias e se teve uma coisa que me chamou muito a aten√ß√£o nessa viagem foi o Festival de Filmes que estava rolando na pra√ßa da prefeitura de Viena. N√£o pela curadoria do festival, pela qualidade dos filmes ou por causa do local onde acontece. Pra falar a verdade eu nem vi nada do festival em si, o que eu vi foi a pra√ßa de alimenta√ß√£o (que √© a parte gastron√īmica) que foi feita em frente ao local do evento.

S√£o v√°rios quiosques de comida e bebida de v√°rios lugares do mundo, desde comida austr√≠aca local, at√© de outras partes da Europa e do mundo.¬† E por que esse festival gastron√īmico chamou a minha aten√ß√£o j√° que esse n√£o √© um blog de turismo e cultura? Quando eu penso nesse tipo de feira gastron√īmica ou at√© qualquer pra√ßa de alimenta√ß√£o eu j√° penso em pratos, copos e talheres descat√°veis e uma tonelada de lixo gerado sem nenhum tipo de tratamento ou destino adequado. S√≥ que dessa vez eu fui surpreendida com pratos de porcelana, talheres de inox (ou qualquer outro material que o valha) e copos de vidros, apenas os guardanapos eram de papel.

√Č poss√≠vel fazer um festival desse tipo numa cidade tur√≠stica e grande como Viena sem gerar sacos, sacos e mais sacos de lixo repletos de materiais descart√°veis? Sim! √Č! E o Festival de Filmes de Viena me mostrou isso.

O festival de filmes é o maior festival de cultura e comida da Europa, eles recebem por volta de 750 mil visitantes.

europa2015 419
Clique na foto para ver o prato de porcelana e os copos de vidro! ūüėČ

europa2015 415
Ainda era cedo quando tirei essa foto e n√£o estava t√£o cheio.

europa2015 421
Uma visão geral do que é o festival de comida. Clique na foto para ver os copos de vidro.

europa2015 424
A lou√ßa e os talheres s√£o recolhidos pelos ‚Äúgar√ßons‚ÄĚ e v√£o para essa esta√ß√£o. A√≠ eles retiram os restos de comida e enviam a lou√ßa para um local onde s√£o lavados.

europa2015 423
O transporte dos copos.

2015-07-26 19.47.59
Meu prato de porcelana e meus talheres de inox! ūüėÄ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora eu me pergunto será que esse sistema é tão mais caro do que se vê por ai com os descartáveis? Apesar dos descartáveis não precisarem de limpeza eles também não vão sozinhos para o aterro.

Mas nem tudo √© perfei√ß√£o na cidade‚Ķ No dia seguinte na esta√ß√£o de trem almocei numa pra√ßa de alimenta√ß√£o t√≠pica de shoppings em que talheres e pratos eram todos descart√°veis e jogados numa mesma lata de lixo‚Ķ ūüôĀ

A crise da água ou as consequências dela.

Então, de verdade, eu não sei o que escrever específicamente sobre a atual crise da água que o sudeste está passando. Tenho lido um monte de coisas, acompanhado vários movimentos e qualquer coisa que eu escreva me parecerá mais do mesmo e não precisamos disso (eu acho).

seca
Foto: https://flic.kr/p/7kVnCH (CC BY-NC 2.0)

 

O que me assola √© ver algumas solu√ß√Ķes que as pessoas est√£o buscando para a crise. Hoje fui numa confeitaria que eu gosto muito e um dos motivos que gosto dessa confeitaria √© que eles n√£o usam talheres de pl√°stico (o pratinho infelizmente √© de pl√°stico, descart√°vel :/), eis que pe√ßo um peda√ßo de bolo, um capuccino e tudo me aparece na mesa com talheres de pl√°stico! Na hora de pagar reclamei e obviamente ouvi a desculpa que era para economizar √°gua‚Ķ Acrescentei que n√£o adianta economizar √°gua e gerar mais lixo, a pessoa que ouviu concordou, mas n√£o soube dizer mais nada. Ouvi tamb√©m de uma amiga que uma hamburgueria adotou a mesma estrat√©gia, usar talheres de pl√°stico para economizar √°gua. Para tudo! Estamos tentando resolver um problema (a falta de √°gua) gerando outro problema (aumento da quantidade de lixo), ser√° que √© muito dif√≠cil de perceber?

Pensar em como lavar lou√ßa gastando menos √°gua ningu√©m faz, n√©? E sabe qual o meu maior medo nessa hist√≥ria de usar descart√°vel? Virar a regra. Com o ‚Äúconforto‚ÄĚ de n√£o ter que lavar mais a lou√ßa, mesmo que a situa√ß√£o da √°gua se normalize os restaurantes v√£o continuar usando descart√°veis porque √© ‚Äúmais pr√°tico‚ÄĚ. Ai, os otimistas de plant√£o v√£o me dizer: ‚ÄúMas Claudia, os descart√°veis podem ser reciclados.‚ÄĚ Ok, podem, mas quantos de fato ser√£o? Segundo essa pesquisa apenas 17% dos munic√≠pios brasileiros tem coleta seletiva, e s√≥ para constar isso n√£o quer dizer que essa coleta seletiva seja regra para 100% do lixo. Voc√™ realmente acredita que o que pode ser reciclado √© de fato reciclado? Nem preciso comentar, n√©?

Bom, mas se a falta de água for severa como espero que seja (sim estou sendo pessismita) posso me tranquilizar por que nem restaurante aberto para ir teremos! Só por favor, não use descartáveis em casa.

<meta name=”Social-Brunch-Verificacao” content=”279eeb6fc3c79b38bae82923a269ad2a” />

A Copa do Mundo

Eu sei que ainda tem muita Copa para rolar ainda, mas resolvi já escrever algumas coisas importantes que vi na minha participação na Copa do Mundo.

T√ī trabalhando de volunt√°ria, sim, pode dizer o que voc√™ quiser, mas adoro Copa do Mundo e n√£o queria ficar de fora dessa festa no meu pa√≠s, tentei comprar ingressos para poder ir em algum jogo, mas n√£o consegui, ent√£o me sobrou a op√ß√£o de trabalhar como volunt√°ria e at√© agora n√£o me arrependo, a emo√ß√£o de estar no est√°dio na abertura da Copa no meu pa√≠s, √© indescrit√≠vel. Eu n√£o ligo para futebol, mas Copa do Mundo √© uma coisa que mexe comigo, sempre. #mejulguem

copa 013

Pois bem, meu trabalho de volunt√°ria √© de servi√ßo ao espectador, ou seja, tenho a fun√ß√£o de orientar, ajudar e dar informa√ß√Ķes para quem vai ao est√°dio ver os jogos. No jogo de abertura fiquei no in√≠cio do jogo numa das entradas para a arquibancada e no fim fui para uma das sa√≠das orientar para metr√ī e trem.

√Č stressante! Gente perguntando para voc√™ o tempo todo como chegar em algum lugar, voc√™ atento para que ningu√©m entre com garrafas ou latas nas arquibancadas e ajudando a colocar todo o l√≠quido dentro de um copo (cantei o hino fazendo exatamente isso), atenta para pedir para as pessoas n√£o fumarem ali, gente reclamando que n√£o acha a entrada para seu lugar e quando voc√™ indica ela fala que j√° foi l√° e disseram que n√£o era; gente de mau-humor por que n√£o acha o lugar, gente reclamando por que a √°rea vip dela √© longe do local onde ela t√° sentada, gente reclamando por que n√£o pode entrar com garrafa na arquibancada, gente pedindo para voc√™ tirar fotos para ela, e no meio disso o Brasil faz um gol contra, gente reclamando que a fila da bebida t√° grande, gente querendo praticar seu italiano reclamando que n√£o tem comida, b√™bados valentes, b√™bados engra√ßados, b√™bados querendo dan√ßar, gente querendo bater papo, pessoas da limpeza fazendo corpo mole quando voc√™ fala que o ch√£o t√° molhado e precisa secar e mais gente reclamando que s√≥ tem pipoca, ou que a comida acabou. Tudo isso direcionado a voc√™, volunt√°rio! N√£o, n√£o √© nenhum pouco f√°cil e acho realmente que a Fifa abusa da boa vontade dos volunt√°rios, principalmente desses que como eu ficam ali na linha de frente com os espectadores.

Entre essas e mais outras situa√ß√Ķes acontecendo meus olhos para a sustentabilidade n√£o se fecharam e de alguma forma sofri impactos dela. Por exemplo essa bela lixeira da Coca-cola para lixo recicl√°vel e n√£o-recicl√°vel.

2014-06-12 10.24.16
Lixeiras bonitonas, né?

Bonitonas, né? Mas com pouca ou nenhuma praticidade. Quando você está na mão com umas 4 ou 5 garrafas, com pressa e mais gente querendo fazer o mesmo que você, ter que ficar procurando esses buracos é absolutamente um saco! Além de serem pequenas, num estádio com 60 mil pessoas elas enchem em minutos e essas tampas são de uma dificuldade para encaixar e desencaixar que você não imagina, demora, e enquanto o pessoal da limpeza está encaixando e desencaixando essa tampa para esvaziar a lixeira as garrafas e latas não param de chegar.

Um jeito bem fácil de reduzir o lixo e evitar o problema das garrafas é simplesmente fornecer os refrigentes de máquina, como nas lanchonetes de fast food, será que a logística dessas máquinas é tão mais difícil que o lixo gerado pelas garrafas?

Infelizmente mudei de posto antes do fim do jogo e não sei como ficaram as arquibancadas depois do jogo, mas o exemplo do povo japonês não tem precedentes aqui no Brasil. Vou trabalhar no próximo jogo na quinta em São Paulo e no fim do jogo se o cansaço permitir vou lembrar de olhar as arquibancadas. Na verdade o fato das pessoas irem para as arquibancadas só com os copos ajuda na limpeza porque os copos são bonitos e todo mundo vai querer levar um pra casa de lembrança. Resta saber se elas recolhem o pacote de pipoca, a embalagem do chocolate, a garrafa de água que por ser mais leve pode ser levada para a arquibancada…

E tudo isso foi só o meu primeiro jogo, que venham os próximos…