Tag Archives: sustentabilidade

15 anos!

H√° exatos 15 anos eu come√ßava esse blog. Relendo o primeiro post acho que o objetivo dele nunca mudou, sempre tive em mente a possibilidade de encontrar mais pessoas que pensassem nos mesmos assuntos que eu e n√£o me sentir t√£o sozinha. Mas nos √ļltimos tempos, acho que anos mesmo, ele se tornou apenas um lugar em que eu compartilho minhas indigna√ß√Ķes sobre o tema ambiental. S√≥ um lugar de dep√≥sito de pensamentos.

Confesso que me sinto tentada a fechar esse blog, a pauta ambiental continua a mesma desde que comecei aqui, mas sinceramente tenho pouca esperan√ßa de que as coisas mudem e quase nenhuma for√ßa para me esfor√ßar para alguma mudan√ßa significativa. Deve ser a idade‚Ķ Eu tinha 25 anos quando comecei esse blog, hoje beirando os 41 vejo uma segunda onda da sustentabilidade acontecendo e muita gente, mais velha que eu at√©, olhando para ela como se fosse a primeira. √Č cansativo.

N√£o declaro esse blog oficialmente fechado, afinal o mundo sempre foi expert em me irritar quando o assunto √© meio ambiente. Por√©m, confesso que n√£o vejo mais a pauta ambiental como prioridade na minha vida e tenho me tornado c√≠nica para muitas coisas que vejo, infelizmente. Ent√£o deixo aqui meu desabafo e celebro as oportunidades que esse blog me trouxe nesses 15 anos de exist√™ncia, sem d√ļvidas as pessoas que conheci por causa dele foi o que mais importante aconteceu e seria injusto tentar nome√°-las pois sem d√ļvida me esqueceria de algu√©m. Mas ser parte do ScienceBlogs Brasil foi uma das minhas grandes sortes nessa caminhada, fiz amigos para a vida e certamente esse foi o melhor presente que esse diarinho virtual poderia me dar. Muito Obrigada, voc√™s sabem quem s√£o!

Greenwashing urbanístico

No meu passado como servidora p√ļblica paulistana, sim em trabalhei no executivo e legislativo da capital paulistana em 2 momentos distintos, parques lineares foram assunto quando se falava de solu√ß√£o para c√≥rregos da cidade. Sinceramente n√£o tenho bem certeza de como isso foi levado pra frente pela Prefeitura. Existiam v√°rios projetos, n√£o sei se todos se tornaram realidade e dos que foram pra frente quais ainda sobrevivem hoje. √Č, sofremos desse mal na gest√£o p√ļblica, alguns projetos s√£o abandonados ao longo do caminho (pelos mais diversos motivos) ou simplesmente n√£o saem do papel.

Mas o que me faz escrever esse post √© o “caso de sucesso” que ouvia naquela √©poca. Era um c√≥rrego no centro de Seul, na Coreia do Sul, que foi canalizado e coberto no passado e constru√≠do um viaduto elevado, tipo o minhoc√£o em S√£o Paulo ou a falecida perimetral no Rio de Janeiro. Esse rio corta a cidade leste-oeste passando pelo centro e tem 8,4km de extens√£o no total. Esse rio chama-se Cheonggyecheon. Voc√™ pode dar um passeio por ele nesse v√≠deo aqui abaixo:

A obra foi iniciada em 2003 e foi entregue em 2005. Gastou-se na √©poca algo em torno de US$280 milh√Ķes.

Confesso que fiquei maravilhada com o resultado, mas n√£o se iludam, isso tudo √© apenas um cen√°rio constru√≠do que custa por ano mais de US$7 bilh√Ķes de d√≥lares em manuten√ß√£o (dados de 2010). Apenas os 5,8km finais do rio Cheonggyecheon foi restaurado, o trecho inicial continua fechado e serve de esgoto. A √°gua que corre nesse canal vem de outro rio, o Han, s√£o bombeadas sem parar 120.000 toneladas de √°gua diariamente. Ou seja o que vemos nada mais √© que um cen√°rio fabricado. O artigo do professor Myung-Rae Cho, da Universidade de Dankook : The politics of urban nature restoration -The case of Cheonggyecheon restoration in Seoul, Korea, de onde eu tirei essas informa√ß√Ķes aponta todos os problemas da obra e diz ainda que ela foi uma obra pol√≠tica com o intuito de eleger o ent√£o prefeito da cidade como presidente da Coreia do Sul 2 anos depois da entrega.

Podemos chamar essa obra de um greenwashing urban√≠stico? O professor Myung-Rae Cho chama o local de parque p√ļblico decorado com o tema natureza. No projeto, a restaura√ß√£o ecol√≥gica n√£o foi levada em conta, apenas aspectos de engenharia. O que se tem ali √© uma obra de engenharia para evitar problemas de inunda√ß√£o com um projeto paisag√≠stico de natureza. √Č melhor do que era antes? Veja algumas fotos:

Esse √© uma daquelas solu√ß√Ķes que eu diria que odeio amar. Num d√° pra dizer que ficou ruim, melhorou a paisagem milh√Ķes de vezes, por√©m n√£o foi escolhida a melhor solu√ß√£o pensando em longo prazo e uma restaura√ß√£o ecol√≥gica verdadeira. S√≥ o fato de bombear √°gua de outro rio para passar por esse canal, assim, indefinitivamente j√° era motivo suficiente para terem pensado melhor a solu√ß√£o, isso n√£o faz nenhum sentido do ponto de vista ambiental, na minha opini√£o chega ser meio est√ļpido, ainda mais por ser uma solu√ß√£o de obra p√ļblica.

E qual o sentido de restaurar uma parte do rio e largar o trecho inicial como antes? N√£o d√° pra dizer que a raz√£o principal dessa obra era o meio ambiente. D√° pra sentir ai uma vontade maior de parecer verde e ambientalmente correto do que de fato ser. Infelizmente n√£o s√£o s√≥ as empresas que sofrem desse mal…

Muitas outras quest√Ķes sociais tamb√©m entram na conta dessa obra coreana, como a especula√ß√£o imobili√°ria, a gentrifica√ß√£o da regi√£o, o esquecimento cultural que ela provocou, etc. S√≥ mais um exemplo do ser humano fazendo “humanice” no planeta.

Mas como eu n√£o sou coreana vou achar tudo lindo se um dia for passear l√°! hehehe

Futuro 5: Ikea compra de volta a mobília que você não quer mais

Futuro é/era uma série de notícias falsas criadas por mim, que pretende representar o que deveria ser um futuro mais sustentável. Mas o incrível é que dessa vez a notícia do título não é falsa, ela de fato se tornará realidade em lojas da rede em 26 países.

Mats Ekdahl/Ikea

A Ikea irá comprar de volta os móveis da marca dos consumidores e depois irá revendê-los numa loja de segunda mão da marca. E por que essa iniciativa é tão incrível?

Pra mim mostra que a marca está de fato se empenhando em entrar na economia circular e quem sabe futuramente mudar seu modelo de negócio. Já imaginou o dia que a Ikea não venderá mais móvies mas sim simplesmente alugará e estará sempre responsável por toda a vida de seus produtos?

Eu sei que esse conceito é muito estranho para a maioria das pessoas no Brasil, somente quem é muito rico troca móveis da casa com frequência, mas em países ricos trocas de móveis da casa é quase que nem comprar roupa nova a cada estação.

Quem já faz isso e durante muito tempo foi case de sucesso de sustentabilidade por anos é a Interface floor. Uma empresa de carpetes e pisos de vinil que não apenas os vende, mas se responsabiliza pelo recolhimento, reciclagem e reuso do material. Tudo bem que carpete é algo muito relacionado a países frios e aqui são poucos os ambientes que usam esse tipo de solução, mas pensar em reutilizar o material e se preocupar com o destino dos resíduos é algo bem inovador (não deveria, mas é).

Voltando ao caso dos m√≥veis da Ikea, de certo modo, isso meio que existe no Brasil, toda cidade tem sua loja de m√≥veis usados ou herdar m√≥veis de algu√©m que est√° mudando n√£o √© algo incomum. Mas quem j√° n√£o viu por ai um sof√° descartado num riacho? Ou mesmo algum m√≥vel dando as caras no esgoto na √©poca de chuva e enchentes em grandes cidades? Tor√ßo que v√°rias marcas se empenhem nesse sentido e at√© mesmo outras ind√ļstrias como de carro ou tecnologia por exemplo. Gostaria de v√™-las se preocupando com o que acontece com seus produtos depois que seus clientes se desfazem deles.

A culpa é sua

Saiu um estudo na Science of The Total Environment que mostra dados de monitoramento de lixo no assoalho oce√Ęnico dos mares do noroeste da Europa (mais precisamente mares em torno do Reino Unido). Esse estudo mostra dados do per√≠odo de 1992-2017 com redes espalhadas pelos mares que coletam o lixo. Confesso que n√£o li o artigo original inteiro, mas na reportagem que fala desse estudo no The Guardian eles apontam que h√° uma queda no n√ļmero de sacolas pl√°sticas encontradas nessas redes de monitoramento. A reportagem fala em aproximadamente 30% de queda a partir de 2010 em √°reas pr√≥ximas da Noruega e Alemanha at√© a nordeste da Fran√ßa e oeste da Irlanda.

Desde 2003 pa√≠ses como Irlanda e Dinamarca tem cobrado taxas sobre as sacolas pl√°sticas. Ser√° apenas coincid√™ncia que o n√ļmero de sacolas pl√°sticas no mar diminuiu desde ent√£o? Ou o fato de cobrar taxas sobre as sacolas fez com que as pessoas as usassem com mais parcim√īnia e consequentemente menos dessas sacolas foram parar nos mares? Eu n√£o acho que isso √© apenas coincid√™ncia e o pr√≥prio autor do paper, Thomas Maes, diz na reportagem: “Quanto menos sacolas usamos, menos n√≥s descartamos, menos n√≥s as colocamos no ambiente”.

Esse tipo de política funciona tanto que o governo do Reino Unido vem estudando a possibilidade de que essa taxa seja aplicada também às garrafas e latas.

Eu n√£o faria um post s√≥ para contar isso, mas por conta de uma resposta de um twitt meu a essa reportagem eu tive que vir aqui e escrever, na verdade √© quase que uma continuidade do meu √ļltimo post quando achava covardia das empresas colocar no cidad√£o comum a responsabilidade de serem melhores.

Ai eu recebo isso de resposta:

Esse perfil que me respondeu n√£o apenas empurra para o cidad√£o a responsabilidade de reciclar um produto como sem nenhum pudor estimula e incentiva o uso sem qualquer problema.

Então tá, a culpa é da população que não sabe reciclar. E você acha que estimular o consumo é que vai ensiná-las a cuidar do seu lixo, né?

T√° bom, ind√ļstria do pl√°stico, por favor seja melhor do que empurrar a responsabilidade de reciclar o lixo para o consumidor. Ensinar as pessoas das 1001 utilidades do pl√°stico (que √© o que voc√™s prop√Ķem no perfil de voc√™s) √© meio que chover no molhado, todo mundo j√° sabe das benesses e utilidades do pl√°stico, isso num tem nada de novidade para ningu√©m. Isso tamb√©m n√£o colabora em nada com o problema do mal descarte do pl√°stico.

Me conta, produtores de pl√°stico, de todo pl√°stico que voc√™s j√° produziram na vida, qual a porcentagem dele de fato foi reciclado? J√° que a grande (e parece que √ļnica) solu√ß√£o que voc√™s apontam √© o descarte correto dos res√≠duos. T√° vou ser legal, n√£o precisa ser de todo o pl√°stico j√° produzido na vida, pode ser a taxa de reciclagem dos √ļltimos 5 anos.

Se o cidadão mora numa cidade que não tem reciclagem do lixo como ele faz? (realidade de 69.6% das cidades brasileiras) Você vai lá buscar as sacolinhas infinitas que ele pegou no supermercado para reciclá-las para ele? Ah, claro que não, afinal o cidadão que tem que ter conscientização. Então, caro cidadão a minha dica é: se a sua cidade não tem coleta seletiva de lixo, use menos sacolas plásticas, ok? O ambiente agradece e as tartarugas mandam um beijo!

Se todas as sacolas produzidas por voc√™s de fato virassem sacos de lixo e fossem para aterros sanit√°rios, por que ser√° que ainda tem tanta sacola pl√°stica encontrada no est√īmago de tartaruga ou nas redes de monitoramento dos pesquisadores?

Cara ind√ļstria do pl√°stico, n√£o √© continuando com os mesmos h√°bitos de consumo que vamos conseguir diminuir a polui√ß√£o de pl√°stico ou qualquer problema ambiental que temos. Conscientizar as pessoas sobre descarte do lixo √© parte da solu√ß√£o, mas diminuir o consumo tamb√©m √©, uma coisa n√£o elimina a outra. Ali√°s a diminui√ß√£o do consumo resolve muitos problemas al√©m da polui√ß√£o dos mares, pode ter certeza.

Pelo visto o interesse de voc√™s n√£o √© ser uma ind√ļstria correta, preservar o meio ambiente ou conscientizar as pessoas a darem um destino correto para seus res√≠duos. O objetivo de voc√™s √© que as pessoas continuem a usar sacolas pl√°sticas sem nenhum pensamento cr√≠tico sobre o assunto, como foi durante muito tempo. Mas o meu consolo √© que se o mundo est√° um lugar mais polu√≠do, com menor biodiversidade e sujo, esse mundo n√£o ser√° usufru√≠do s√≥ por mim, mas por voc√™s e seus descendentes tamb√©m e saibam que voc√™s foram os grandes colaboradores dessa sujeira toda.

Empresas, melhorem

Outro dia fui num evento da GV-CES chamado: “An√°lise econ√īmico-financeira em projetos de sustentabilidade”, o objetivo do evento era apresentar 2 estudos de caso em que an√°lises econ√īmico-financeiras foram incorporadas em projetos de sustentabilidade.

Confesso que fiquei frustrada. Se isso tivesse sido apresentado h√° 10 anos eu teria ficado bastante empolgada, mas usar ferramentas de um sistema falho e cheio de problemas para mensurar algo como servi√ßos ecossist√™micos s√≥ me mostra a perpetua√ß√£o do erro, mas ok se √© o que convence esse povo eu posso at√© engolir, mas por que demoraram tanto para isso? Ou ser√° que resolveram mostrar s√≥ agora para as pessoas que sustentabilidade pode ser mensurada em valores econ√īmicos?

Mas al√©m dessa frustra√ß√£o teve outra coisa que me irritou um pouco. Acabei fazendo o coment√°rio l√° que considerar o uso de an√°lises econ√īmico-financeiras para projetos de sustentabilidade algo inovador √© um tanto atrasado na minha opini√£o, afinal o planeta, os servi√ßos ecossist√™micos prestados por ele e etc, serem considerados apenas recentemente como pe√ßa fundamental na estrat√©gia de uma empresa √© algo que deixa muito a desejar e que acaba gerando uma angustia em mim, pois eu sempre espero mais das empresas. Sem contar do que levantei ali em cima, usar como solu√ß√£o parte do problema n√£o vai trazer resultados muito diferentes ou inovadores.

Ouvir como resposta desse coment√°rio de que vivemos num sistema complexo e que as coisas n√£o acontecem na velocidade que gostar√≠amos √© algo que aceito, mas usar o argumento de que a press√£o para que isso mude tem que vir do consumidor √© algo que me d√° certa tristeza e acho uma covardia sem tamanho. √Č quase que colocar a responsabilidade das empresas de serem corretas no colo das pessoas comuns. Se o consumidor fosse de fato ouvido ou levado em considera√ß√£o n√£o existiria montadora burlando os sistemas de controle de emiss√£o de polui√ß√£o de carros nos testes de emiss√Ķes, n√£o ter√≠amos comida sem nenhum valor nutricional sendo vendida ou sequer existiria a obsolesc√™ncia programada. A press√£o social pode at√© ter sua import√Ęncia, mas acredito que apenas em alguns casos pontuais, a for√ßa da press√£o social √© muito superestimada quando o assunto √© o poder das grandes empresas. Esse papo de que os consumidores, a sociedade, os cidad√£os, etc, devem se mobilizar e fazer press√£o soa para mim s√≥ uma desculpa para justificar a in√©rcia das empresas.

Sustainable Brands 2017

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E finalmente o Sustainable Brands veio a S√£o Paulo, pela primeira vez desde 2014 o evento aconteceu na capital paulista semana passada. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras no primeiro dia do evento e no segundo trabalhei como volunt√°ria. Depois de 6 meses fora do Brasil foi interessante ver como anda a sustentabilidade para as marcas.

A primeira apresentação que eu assisti foi a que mais me empolgou, foi um workshop que falava de modelos de negócio de regeneração. Foi nessa apresentação que descobri a Guayaki Yerba Mate.

A Guayaki √© uma empresa de erva mate cuja miss√£o √© restaurar 200.000 hacres de mata atl√Ęntica na Am√©rica do Sul e gerar mais de 1000 empregos at√© 2020 usando o modelo de neg√≥cios de regenera√ß√£o. O principal produto deles √© a lata de ch√° de erva mate que √© vendido no Whole Foods nos EUA. Mas eles tamb√©m vendem a erva em pacotes. Todos os produtos s√£o org√Ęnicos, livre de transg√™nicos e produzido pelos princ√≠pios de com√©rcio justo, al√©m de serem uma empresa B. Fiquei encantada com o trabalho deles me deu esperan√ßa que empresas podem ter objetivos maiores que al√©m de dar lucro para seus acionistas. Eles conseguiram criar um ciclo virtuoso em que quanto mais mata atl√Ęntica eles restaurarem mais eles podem produzir, uma vez que a erva mate precisa da sombra da mata atl√Ęntica para crescer e se desenvolver.

Tamb√©m conheci a Boomera (antiga Wisewaste) que faz um trabalho bem interessante com grandes marcas com rela√ß√£o aos res√≠duos. Eles desenvolveram solu√ß√£o de reciclagem para c√°psulas de caf√©, embalagens de refresco e lixo pl√°stico de uma lagoa no Rio de Janeiro. E ainda est√£o trabalhando com reciclagem de fraldas descart√°veis. O √ļnico por√©m √© que nem sempre essas pr√°ticas viram parte da vida √ļtil do produto, por exemplo as embalagens de refrescos foi apenas um projeto e que terminou, ou seja, eles transformaram as embalagens em instrumentos musicais durante o tempo da campanha e agora acabou, a empresa n√£o recicla mais suas embalagens. Outra coisa tamb√©m √© que a empresa geralmente n√£o participa do planejamento inicial dos produtos, as marcas s√≥ lembram de procurar uma solu√ß√£o para o res√≠duo quando o problema j√° est√° instalado e n√£o no momento do desenvolvimento do produto. Depois as marcas querem que eu acredite que a sustentabilidade j√° √© parte da realidade da sociedade, t√°, sei.

Agora o que me deixou realmente irritada foi ouvir o CEO da Pepsico. Eu tenho uma posição bem radical quando o assunto são alimentos ultraprocessados, principalmente quando eles são basicamente salgadinhos sem nenhum ou quase nenhum valor nutricional.

Pensando sobre isso pensei num post para a minha s√©rie Futuro: “Pepsico resolver encerrar sua produ√ß√£o at√© 2050 e investir em projetos sobre educa√ß√£o alimentar.” hahaha Ser√° que viraliza como fakenews?

Agradeço à organização do evento pela oportunidade como participante e voluntária do evento.

Sobre cápsulas de café

Eu realmente estou com preguiça de escrever qualquer julgamento de valor diante do ocorrido, vou apenas descrever e você leitor e consumidor pensa o que quiser a respeito.

Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr
Foto: Reprodução / Thomas Guignard / Flickr

De vez em quando eu recebo releases de uma empresa de comida. Um dos √ļltimos que recebi foi sobre a reciclagem das c√°psulas de caf√© que a empresa tem feito, nesse caso ela contava que por conta da reciclagem das c√°psulas a empresa doaria 1,6 milh√£o de tubetes de mudas de caf√© para agricultores de caf√© que fazem parte do um certo programa deles. (Eu poderia reproduzir o release aqui, mas voc√™ pode encontr√°-lo nesse link)

Ai, eu enviei as seguintes perguntas para o remetente do mail:

Esses 1.6 milhão de tubetes que serão doados representam qtas cápsulas recicladas? Mais um dado importante que não encontrei: qual a porcentagem das cápsulas produzidas no Brasil pela Nestlé são recicladas? Uma vez que vcs não possuem pontos de coleta no Brasil todo creio que apenas uma parte é reciclada, gostaria de saber qual esse valor.

Infelizmente no site que vc indicou no release n√£o encontrei mais informa√ß√Ķes sobre o processo de reciclagem das c√°psulas, na verdade gostaria de saber mais sobre as empresas que recebem essa c√°psulas: elas j√° existiam e fazem reciclagem de outros produtos ou foram criadas especificamente para reciclar as capsulas? Foi feito algum investimento da Nestl√© para o desenvolvimento do processo de reciclagem das c√°psulas?

Vc teria fotos do processo de reciclagem das c√°psulas?

A resposta demorou e tive que me esforçar para obtê-la. Primeiro, sempre recebi esses emails sem solicitá-los, ai qdo veio mais um release sem ter nenhuma resposta do anterior eu reclamei e falei para não me enviarem mais uma vez que não estava rolando uma comunicação. A assessora pediu desculpas, falou para eu reenviar o mail e 2 dias depois veio a seguinte resposta:
Por quest√Ķes estrat√©gicas a Nestl√© n√£o divulga a quantidade de c√°psulas comercializadas, coletadas e recicladas.
 
As cápsulas coletadas são processadas pela marca em parceria com a Boomera, que tem unidades industriais em Itapevi (SP) e em Cambé (PR).
 
Baseado no conceito de economia circular, onde os resíduos se transformam em insumos pra produção de novos produtos, as cápsulas descartadas pelos consumidores nos pontos de coleta passam por um processo de extrusão e são transformadas em uma resina plástica. Essa resina se transforma em matéria prima para produção de novos produtos, sendo o porta-cápsulas Renove o primeiro produto de Nescafé Dolce Gusto feito com materiais 100% reciclados (15% de cápsulas pós uso).
Olha, por uma questão estratégica eu não vou comentar essa resposta. Você leitor querido que me acompanha aqui deve saber o que estou pensando a respeito, aliás, a caixa de comentários está aberta para seus comentários. Eu prefiro evitar a fadiga dessa vez.

Pecados ambientais

Lá em 2008 eu fiz uma confissão dos meus pecados ambientais. Já está mais do que na hora de rever essa lista, quase 10 anos e será q alguma coisa mudou? Vamos ver…

Imagem "roubada" daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471
Imagem “roubada” daqui: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1471

  1. n√£o sou vegetariana; (continuo n√£o sendo vegetariana, apesar de ter voltado pro Schumacher College e a comida por aqui ser vegetariana)
  2. meu apartamento não tem água individualizada; (desde os fins de janeiro não estou mais nesse apartamento, mas é lá que eu chamo de casa, então continua tudo igual e sem muitas perspectivas de mudanças)
  3. uso sacos plásticos (não biodegradáveis) para colocar meu lixo; (aqui no Schumacher eu sei que alguns desses sacos são biodegradáveis, mas não todos, mas fato é que aqui uso menos sacos plásticos para dispor lixo)
  4. uso absorvente descart√°veis; Agora uso o MoonCup (sim, esse item pode sair da lista pois continuo usando o coletor)
  5. √†s vezes deixo a TV do meu quarto em stand by; (no momento t√ī sem tv no quarto, mas no Brasil tinha e ficava na tomada todo o tempo depois do advento da smart tv)
  6. como em restaurantes todos os dias e por isso… (nesse momento não é mais assim)
  7. n√£o fa√ßo id√©ia de onde vem a carne/ vegetais/ frutas que como; (aqui a maior parte da comida √© local e tudo org√Ęnico)
  8. compro revistas em papel que algumas vezes poderia ler on-line; (hoje em dia cada vez mais raro eu comprar revistas)
  9. compro produtos chineses, alguns legais, outros não; (disso não consigo fugir muito, é invevitável, mas quando tem opção eu escolho a que julgo menos impactante)
  10. só ás vezes fecho o chuveiro para me ensaboar enquanto tomo banho, no inverno sem chances, não faço isso mesmo; (aqui na Inglaterra sem chances…)
  11. Apesar de usarmos sabão em pedra feito de óleo de cozinha para lavar a louça todos os outros produtos de limpeza da casa não são nada ecológicos. (aqui todos os produtos de limpeza são ecológicos, pelo menos é isso que eles prometem nos rótulos)
  12. nenhuma das minhas roupas s√£o feitas de algod√£o org√Ęnico; (continua igual e tenho alguns produtos de grandes marcas como Nike, Columbia, Adidas, etc)
  13. descobri que a empresa que fabrica meu creme dental faz teste em animais, mas a pasta que eu compro doa uma parte do lucro para o SOS Mata Atl√Ęntica, n√£o muda nada, eu sei‚Ķ(a pasta que doava dinheiro pra SOS Mata Atl√Ęntica num vi mais pra vender, portanto n√£o comprei mais. Na verdade esse item vai mudar para: nem todos os meus cosm√©ticos e produtos de higiene pessoal s√£o org√Ęnicos e naturais)

Adicionando novos itens:

  • N√£o consigo n√£o ligar o aquecedor aqui toda noite, detesto passar frio sabendo que tem aquecimento na casa;
  • N√£o me preocupo com as emiss√Ķes de carbono quando escolho uma viagem, escolho a que for mais conveniente, tipo mais r√°pido, mais barato ou mais confort√°vel;
  • N√£o s√£o todas as minhas viagens a√©reas que eu compenso as emiss√Ķes de carbono.

Na verdade acho que vou parar com essa lista, vou tentar mudar o lado da equação. Ao invés de ficar olhando para os meus pecados e defeitos vou fazer a lista de coisas que eu faço para ter menos impacto no ambiente, talvez sim essa lista ajude alguém a se inspirar e a mudar um pouco também.

Prometo fazer essa lista e public√°-la em breve.

10 anos!

10 anos de blog!
10 anos de blog!

E no próximo dia 03 de fevereiro esse blog completa 10 anos! Gente, pra um blog é muito tempo! Ok que a frequência de posts aqui não tem sido nem um pouco o forte desse blog, mas em tempos de redes sociais efêmeras como Snapchat ter um lugar com textos meus desde 2007 é muito tempo mesmo!

Eu gostaria de comemorar essa data dignamente com uma retrospectiva de posts relevantes por ano ou fazer um video meu contando tudo isso ou pelo menos postar mais frequentemente, mas n√£o rola uma empolga√ß√£o para isso. Hoje escrevo esse blog s√≥ por desabafo, s√≥ para manifestar minha indigna√ß√£o ou contentamento de descobrir coisas legais que acontecem a favor de uma mudan√ßa de paradigma, n√£o acho mais que esse blog ou minhas opini√Ķes tem algum poder de influ√™ncia em quem quer que seja (j√° tive essa ilus√£o um dia, mas passou, ainda bem!).

Escolhi alguns posts favoritos para listar aqui, sim, eles são da história recente do blog, infelizmente depois de 395 posts (sem contar esse aqui) e 10 anos eu não lembro mais de tudo que eu escrevi e por isso só escolhi um post de 2014, 2015 e 2016. Aliás, nos primeiros anos do blog eu fazia um certo tipo de restrospectiva de melhores posts do ano, segue também o link para esses posts.

S√≥ para constar – Posts com links para as publica√ß√Ķes mais acessadas de 2011

Retrospectiva РMinha seleção de melhores posts de 2009

Comemora√ß√Ķes e Mudan√ßas – Minha sele√ß√£o de melhores posts de 2007 e 2008

Minha escolha de 2016 РJogos Olímpicos Rio 2016, foi o grande evento do ano que eu participei

Minha escolha de 2015 –¬†Odebrecht, mostra a tua cara, pois ser persona non grata dessa empresa n√£o tem pre√ßo

Minha escolha de 2014 РExperiência Schumacher Brasil, essa experiência me trouxe bons frutos

Quero apenas ser grata a tudo que esse blog me proporcionou: amizades, experi√™ncias, momentos, viagens, encontros, eventos, todos incr√≠veis e inesquec√≠veis. N√£o sei se esse blog dura mais 10 anos, mas at√© onde ele me levou at√© hoje j√° me deixou muito feliz e provavelmente foi al√©m do que eu esperava. Ele vai continuar sendo o canto de desabafos de uma pessoa preocupada com os rumos que a humanidade tem dado a sua √ļnica casa, o planeta Terra.

Fairphone

Você acredita que os produtos que você consome são éticos? Desde aquele chocolate gostoso ou aquela blusinha você acha que foi produzido com ética, responsabilidade ambiental e social?

Hoje em dia muitos produtos que consumimos são produzidos nos mais diversos lugares do mundo, fica quase impossível saber se a legislação trabalhista de cada país segue critérios minimamente aceitáveis ou se existem leis ambientais que são cumpridas e fiscalizadas. E dependendo do produto rastrear cada uma das cadeias de suprimentos é algo até difícil de imaginar como fazer, mesmo em tempos de internet.

Pensando na ética e responsabilidade de seus produtos muitas empresas investem em suas cadeias de suprimento, principalmente na matéria-prima de seu produto principal, como por exemplo a Starbucks ou a Natura. Ok, pode ser só marketing da parte deles, mas pelo menos eles vendem a ideia de que se preocupam com isso ou fingem que se preocupam.

fairphone

Mas e no caso de produtos de tecnologia que n√£o s√£o feitos apenas de uma √ļnica mat√©ria-prima? Por exemplo seu telefone celular, seu computador ou sua televis√£o que cont√©m partes oriundas dos mais diversos lugares¬†do mundo? Pensando em toda essa cadeia que surgiu o Fairphone.

O mais legal √© que ele n√£o √© apenas uma linha de produto de uma grande empresa, a Fairphone uma empresa social holandesa tem como premissa criar um telefone que melhore a cadeia de valores dos eletr√īnicos.

Para produzir o telefone deles eles trabalham com a minera√ß√£o, tentando estimular a economia local e n√£o conflitos armados; o design, pensando em produtos dur√°veis e que d√™ aos compradores maior controle aos produtos; a¬†fabrica√ß√£o, proporcionando mais qualidade de vida aos trabalhadores que montam o telefone; o ciclo de vida do produto, pensando em toda a vida √ļtil do telefone: uso, reuso e reciclagem segura, eles acreditam que a responsabilidade deles n√£o termina na venda e trabalham tamb√©m o empreendedorismo social¬†tentando criar uma nova economia baseada em valores sociais. Compartilhando a hist√≥ria da Fairphone eles acreditam que podem ajudar os consumidores a ter mais consci√™ncia em suas compras.

Uma das coisas mais legais da Fairphone √© que depois de alguns investimentos iniciais por meio de institui√ß√Ķes que investem em projetos de teconologia criativa para desenvolvimento social, um pr√™mio do Banco Mundial, uma grana de um boot camp e um fundo privado financiar a fabrica√ß√£o das primeiras encomendas do telefone, nenhuma outra grana de grandes empresas ou capital de risco entrou na empresa pois a ideia √©¬†preservar os valores sociais. Afinal, quando uma empresa que se diz sustent√°vel, √©tica, socialmente respons√°vel e tem suas a√ß√Ķes negociadas na bolsa fica um tanto ref√©m de acionistas que querem lucros mais altos a cada ano e n√£o √© novidade para ningu√©m¬†das atrocidades que as empresas s√£o capazes de fazer por esses lucros (Alguns exemplos: Mitsubish, Renner, Volkswagen).

fairphone2

O Fairphone custa 529,38 euros (algo em torno de R$2200,00) um pouco mais caro que a média dos smartphones aqui no Brasil, mas como eles tem uma produção toda preocupada com causas justas, acho que valeria pagar.

Precisamos de mais empresas que tenham a preocupação não apenas de produzir produtos bons, mas que pense em todo impacto na sua produção e super torço para que a Fairphone prospere (eles estão produzindo o Fairphone 2). Quando vejo iniciativas eu consigo ter um pouquinho mais de fé no mundo, mas só um pouquinho.