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A Amaz√īnia por um herdeiro

Desde o lan√ßamento do livro Arrabalde ‚Äď Em busca da Amaz√īnia estou curiosa para saber o que um herdeiro como Jo√£o Moreira Salles tinha a dizer sobre o assunto. Eu sei que ele √© documentarista, produtor de cinema e fundador da revista Piau√≠, mas nada disso seria poss√≠vel se ele n√£o tivesse antes de mais nada nascido herdeiro de uma das maiores fortunas do Brasil. Acontece, nascer na classe trabalhadora ou na classe dona dos meios de produ√ß√£o √© uma loteria.

Pois bem, dito isso vamos ao livro…

Passei boa parte do início da leitura procurando o que eu estava esperando, histórias sobre a Amazonia hoje, sobre a experiência do homem rico ir viver por lá um tempo para poder escrever sobre sua experiência. Ele começa o livro com um resgate histórico de como o Brasil iniciou sua exploração da região, histórias que muitas vezes me entediaram, mas por certo ele achou necessário, só não era o que eu esperava.

Quando ele começa a relatar dados, fatos e causos da Amazonia hoje, começou a me interessar mais, mas isso só começou lá pelo meio do livro. Seja paciente.

Talvez eu n√£o seja a pessoa mais desinformada sobre a regi√£o, acompanho mais ou menos o que se passa, tenho amigos que moram ou moraram por l√° e posso dizer que boa parte do que li no livro n√£o me foi totalmente novo ou uma grande descoberta, mas o fato de ter tudo isso em detalhes e compilado em um s√≥ lugar √© muito importante e necess√°rio. Para pessoas que n√£o entendem a Amaz√īnia, o que se passa por l√° ou a complexidade de lidar com a floresta o livro √© muito bom, por√©m ele √© escrito por um intelectual para outros intelectuais, ok, um livro, por si s√≥ j√° √© coisa para intelectual nos tempos de hoje, uma pena.

Fiquei imaginando um livro menos cabe√ßudo e com menos divaga√ß√£o para pessoas comuns lerem e n√£o morrerem de t√©dio. Por que se voc√™ n√£o quiser saber mesmo sobre a Amaz√īnia, voc√™ se distrai f√°cil e n√£o engata a leitura ali. Enfim, n√£o √© um livro para pessoas comuns, e t√° tudo certo.

√Č triste a constata√ß√£o de que o Brasil nunca teve um plano decente para a regi√£o. Todas as vezes que o Estado tentou alguma a√ß√£o por l√° a op√ß√£o sempre foi derrubar a floresta e fazer outra coisa. Me pergunto quando esse ponto de vista sobre desenvolvimento vai ser superado e vamos todos concordar que manter a floresta de p√© e conseguir usufruir de suas benesses sem destruir √© poss√≠vel e a melhor op√ß√£o. Clamo para que consigamos chegar nesse consenso logo, na verdade acho que j√° estamos atrasados.

O livro √© uma √≥tima refer√™ncia sobre como o Brasil tem lidado com a Amaz√īnia ao longo do tempo. Voc√™ encontra refer√™ncias hist√≥ricas e muita coisa recente, o livro foi lan√ßado em dezembro de 2022. Se fosse escrito de forma mais simples eu recomendaria para alunos do ensino m√©dio, mas a verdade mesmo √© que o brasileiro m√©dio se interesse pouco pela floresta amaz√īnica, √© algo t√£o distante que parece que ela nem nos pertence ou dela dependemos aqui no Sudeste. Ent√£o s√≥ pessoas metidas a intelectual como eu v√£o se interessar por essas 424 p√°ginas que pedem por um melhor tratamento para o ar condicionado do mundo que muito em breve vai come√ßar a dar defeito.

Em tempo, para quem n√£o sabe, assim como eu n√£o sabia, arrabalde segundo o Aur√©lio significa: Cercanias de uma cidade ou povoa√ß√£o; sub√ļrbio. Entende o que eu quero dizer quando esse √© um livro pra intelectual?

Sobre o que o Brasileiro pensa sobre mudanças do clima

Faz um pouco mais de 1 m√™s (in√≠cio de fevereiro de 2021) o ITS junto com a Universidade de Yale e o Ibope divulgaram o resultado de uma pesquisa sobre a percep√ß√£o do brasileiro com rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas. Confesso que s√≥ fiquei sabendo essa semana, pois o mesmo ITS lan√ßou uma chamada p√ļblica para Programa de bolsas da pesquisa ‚ÄúMudan√ßas clim√°ticas na percep√ß√£o dos brasileiros‚ÄĚ.

Pedi os dados da pesquisa pra eles e resolvi usar meus rudimentares conhecimentos de Tableau (um software de visualização de dados) pra entender melhor os dados dessa pesquisa.

Se você quer saber mais detalhes de como a pesquisa foi feita acesse: https://www.percepcaoclimatica.com.br/

AVISO: Eu só estudei estatística 1 semestre durante a graduação, meus conhecimentos de Tableau, como já mencionei, são rudimentares, mas eu tenho bom senso, é suficiente? Talvez. Veja aí onde eu cheguei com os dados e me corrija se você ver erros.

MINHA “AN√ĀLISE” – (√Č muita pretens√£o minha chamar isso de an√°lise.)

Eu selecionei algumas perguntas que achei mais interessante da pesquisa e resolvi destrinchar melhor como as respostas apareciam regionalmente. Até tentei fazer uns gráficos com a posição política declarada pelos entrevistados, mas achei que a quantidade de gente que não sabia ou não respondeu esta questão era muito grande (quase 25%).

Eis o meu achado.

Quando os entrevistados foram perguntados se concordavam ou n√£o com a afirma√ß√£o: As queimadas na Amaz√īnia s√£o necess√°rias para o crescimento da economia, em todo o Brasil a resposta foi que 74% deles discordavam essa afirma√ß√£o. Achei sensacional esse resultado e ai resolvi fazer um recorte por regi√£o. Como a discord√Ęncia ou n√£o dessa afirma√ß√£o se distribui pelas regi√Ķes do pa√≠s? Eis que a regi√£o com maior n√ļmero de “concordos” sobre a quest√£o acima veio da regi√£o Norte, onde a Amaz√īnia est√° localizada em sua maior parte. Enquanto no Sudeste nem 15% dos entrevistados concordavam com a afirma√ß√£o, no Norte quase 30% concorda.

Você pode ver o gráfico melhor aqui: https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil/Planilha1?:language=pt&:retry=yes&:display_count=y&:origin=viz_share_link

Essa tend√™ncia meio que se confirma quando a pesquisa pergunta o que √© considerado mais importante para o entrevistado: A) Proteger o meio ambiente, mesmo que isso signifique menos crescimento econ√īmico e menos empregos ou B) Promover o crescimento econ√īmico e a gera√ß√£o de empregos, mesmo que isso prejudique o meio ambiente. No geral o brasileiro respondeu que a alternativa A √© mais importante (77%). Mas quando abrimos as respostas por regi√£o, √© o Norte mais uma vez que det√©m a maior quantidade de pessoas respondendo a op√ß√£o B. Na regi√£o Norte 24,51% dos brasileiros consideram a alternativa B como mais importante para eles, enquanto que nas outras regi√Ķes esse n√ļmero n√£o chega a 17%.

O gr√°fico fica melhor de ver aqui: https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil2/Planilha23?:language=pt&:display_count=y&publish=yes&:origin=viz_share_link

A minha opini√£o sobre esses dados pode estar muito errada, mas vou manifest√°-la mesmo assim. Eu achava que era uma minoria de pessoas na regi√£o Norte que √© a favor do desmatamento e pensa que pelo crescimento econ√īmico vale tudo. Esses dados me mostram que n√£o √© bem assim, ainda tem muita gente por l√° com esse tipo de pensamento desenvolvimentista a qualquer custo. E ai temos 2 possibilidades para mim: 1) eu era ing√™nua de acreditar que os maus eram a minoria, talvez eles at√© sejam, mas tem uns pseudos bons que os apoiam; 2) eu n√£o sei mexer no Tableau, muito menos analisar dados e isso ai t√° tudo errado… Aceito ajuda dos universit√°rios!

UPDATE: Fiz mais uma an√°lise dessa pesquisa aqui.

Um v√≠deo legal, outro nem tanto…

Sensacional esse vídeo!

Ok, que o tema não é dos mais legais, mas a abordagem é muito boa.

Acesse: quaseumdodo.com.brdodo

Essa reportagem do Jornal Nacional √© realmente triste. E achei mais triste ainda a fala final da Renata Vasconcellos: “O governo do Amap√° anunciou que um grupo vai estudar as causas do fim do fen√īmeno”.¬†Mas s√≥ agora? Duvido que o fen√īmeno parou de acontecer de repente.

pororca
https://flic.kr/p/QwKKB (CC BY-NC-ND 2.0)

Livros infantis sobre meio ambiente

Tenho amigos brasileiros que casaram com estrangeiros e foram morar fora do pa√≠s e sempre que quero presentear os filhos deles gosto de dar presentes que tenham a cara do Brasil e essa sempre √© uma tarefa trabalhosa. Quando s√£o beb√™s acho (mas n√£o com muita facilidade) alguma roupinha com a as cores do Brasil ou a bandeira do pa√≠s (sim, se for ano de Copa do Mundo √© bem f√°cil, do contr√°rio s√≥ encontro se sobrou alguma coisa no estoque), quando s√£o maiores j√° procurei pel√ļcias de bichos brasileiros e tamb√©m, n√£o √© assim f√°cil e geralmente s√£o car√©ssimas ou feias, trabalho √°rduo.

Acho que em 2011 quando eu trabalhava pertinho da Livraria Cultura l√° na Av. Paulista fui atr√°s de livros infantis sobre a fauna brasileira e pasmem, n√£o achei nada‚Ķ N√£o sei se eu n√£o soube procurar, se a mo√ßa que me ajudou n√£o entendeu o que eu queria ou se realmente n√£o existia nada do g√™nero e fiquei bem frustada. Conversei com m√£es e uma delas me indicou a livro da Turma da M√īnica sobre lendas brasileiras, o que eu gostei bastante, mas ainda n√£o era o que eu queria.

Eis que esse ano apareceram 2 lindas surpresas liter√°rias que eu tanto queria e com o trabalho de 2 pessoas super queridas para mim. O primeiro √© o livro multim√≠dia Bichos de C√° com ilustra√ß√Ķes da Tati Clauzet, uma artista pl√°stica que mora l√° em Itatiaia e que tenho o prazer de frequentar o ateli√™ sempre que vou at√© l√°, o livro tem toda uma proposta diferente pois fala de bichos brasileiros cantando m√ļsica com ritmos nacionais. Al√©m do CD que acompanha o livro com as m√ļsicas ainda tem um app pra baixar no smartphone ou tablet, achei a proposta bem inovadora com um tema que me encantou muito!

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A segunda grata surpresa foi saber que a Maria do blog Ciência e Ideias fez parte do Brasil 100 Palavras,um livro que não só fala dos bichos brasileiros mas também dos biomas, das plantas e das paisagens do nosso país. Esse livro ainda não tive a oportunidade de folhear, mas deve ser muito lindo.

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Mas qual a import√Ęncia de falar dos nosso bichos e da nossa natureza para as crian√ßas? N√£o s√≥ as estrangeiras que foi que gerou a minha motiva√ß√£o para procurar livros a respeito, mas as nossas crian√ßas tamb√©m precisam saber mais como √© e o que temos na nossa t√£o famosa biodiversidade! Depois que vi esse relato no TED, essa preocupa√ß√£o ficou ainda maior (Veja s√≥ os 2 primeiros minutos se voc√™ estiver com pressa)

A Copa do Mundo

Eu sei que ainda tem muita Copa para rolar ainda, mas resolvi já escrever algumas coisas importantes que vi na minha participação na Copa do Mundo.

T√ī trabalhando de volunt√°ria, sim, pode dizer o que voc√™ quiser, mas adoro Copa do Mundo e n√£o queria ficar de fora dessa festa no meu pa√≠s, tentei comprar ingressos para poder ir em algum jogo, mas n√£o consegui, ent√£o me sobrou a op√ß√£o de trabalhar como volunt√°ria e at√© agora n√£o me arrependo, a emo√ß√£o de estar no est√°dio na abertura da Copa no meu pa√≠s, √© indescrit√≠vel. Eu n√£o ligo para futebol, mas Copa do Mundo √© uma coisa que mexe comigo, sempre. #mejulguem

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Pois bem, meu trabalho de volunt√°ria √© de servi√ßo ao espectador, ou seja, tenho a fun√ß√£o de orientar, ajudar e dar informa√ß√Ķes para quem vai ao est√°dio ver os jogos. No jogo de abertura fiquei no in√≠cio do jogo numa das entradas para a arquibancada e no fim fui para uma das sa√≠das orientar para metr√ī e trem.

√Č stressante! Gente perguntando para voc√™ o tempo todo como chegar em algum lugar, voc√™ atento para que ningu√©m entre com garrafas ou latas nas arquibancadas e ajudando a colocar todo o l√≠quido dentro de um copo (cantei o hino fazendo exatamente isso), atenta para pedir para as pessoas n√£o fumarem ali, gente reclamando que n√£o acha a entrada para seu lugar e quando voc√™ indica ela fala que j√° foi l√° e disseram que n√£o era; gente de mau-humor por que n√£o acha o lugar, gente reclamando por que a √°rea vip dela √© longe do local onde ela t√° sentada, gente reclamando por que n√£o pode entrar com garrafa na arquibancada, gente pedindo para voc√™ tirar fotos para ela, e no meio disso o Brasil faz um gol contra, gente reclamando que a fila da bebida t√° grande, gente querendo praticar seu italiano reclamando que n√£o tem comida, b√™bados valentes, b√™bados engra√ßados, b√™bados querendo dan√ßar, gente querendo bater papo, pessoas da limpeza fazendo corpo mole quando voc√™ fala que o ch√£o t√° molhado e precisa secar e mais gente reclamando que s√≥ tem pipoca, ou que a comida acabou. Tudo isso direcionado a voc√™, volunt√°rio! N√£o, n√£o √© nenhum pouco f√°cil e acho realmente que a Fifa abusa da boa vontade dos volunt√°rios, principalmente desses que como eu ficam ali na linha de frente com os espectadores.

Entre essas e mais outras situa√ß√Ķes acontecendo meus olhos para a sustentabilidade n√£o se fecharam e de alguma forma sofri impactos dela. Por exemplo essa bela lixeira da Coca-cola para lixo recicl√°vel e n√£o-recicl√°vel.

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Lixeiras bonitonas, né?

Bonitonas, né? Mas com pouca ou nenhuma praticidade. Quando você está na mão com umas 4 ou 5 garrafas, com pressa e mais gente querendo fazer o mesmo que você, ter que ficar procurando esses buracos é absolutamente um saco! Além de serem pequenas, num estádio com 60 mil pessoas elas enchem em minutos e essas tampas são de uma dificuldade para encaixar e desencaixar que você não imagina, demora, e enquanto o pessoal da limpeza está encaixando e desencaixando essa tampa para esvaziar a lixeira as garrafas e latas não param de chegar.

Um jeito bem fácil de reduzir o lixo e evitar o problema das garrafas é simplesmente fornecer os refrigentes de máquina, como nas lanchonetes de fast food, será que a logística dessas máquinas é tão mais difícil que o lixo gerado pelas garrafas?

Infelizmente mudei de posto antes do fim do jogo e não sei como ficaram as arquibancadas depois do jogo, mas o exemplo do povo japonês não tem precedentes aqui no Brasil. Vou trabalhar no próximo jogo na quinta em São Paulo e no fim do jogo se o cansaço permitir vou lembrar de olhar as arquibancadas. Na verdade o fato das pessoas irem para as arquibancadas só com os copos ajuda na limpeza porque os copos são bonitos e todo mundo vai querer levar um pra casa de lembrança. Resta saber se elas recolhem o pacote de pipoca, a embalagem do chocolate, a garrafa de água que por ser mais leve pode ser levada para a arquibancada…

E tudo isso foi só o meu primeiro jogo, que venham os próximos…

Turismo sustent√°vel

Qual a diferen√ßa desse post para o que eu escrevi alguns meses atr√°s intitulado Turismo Verde? Apesar de nomes bastante parecidos eles n√£o tem muito a ver pois esse √© para mostrar uma iniciativa muito legal para ajudar a melhorar o turismo sustent√°vel no pa√≠s. Primeiramente quero apresentar a¬†Garupa. A Garupa nada mais √© do que uma plataforma de crownfunding, nada mais que isso, mas tem um tema espec√≠fico, o turismo sustent√°vel, como funciona? L√° voc√™ encontra v√°rios projetos de turismo sustent√°vel, como por exemplo curso de ingl√™s para a comunidade que cuida de uma pousada na Amaz√īnia para dar mais autonomia aos locais na gest√£o da pousada, apoiar um restaurante de comida caseira e cai√ßara no caminho para a Esta√ß√£o Ecol√≥gica da Jureia ou ainda a reforma do Centro de Visitantes da Associa√ß√£o Mico-Le√£o-Dourado (http://www.micoleao.org.br), para criar uma exposi√ß√£o com mapas, imagens, v√≠deos e textos informativos que acrescentem √† experi√™ncia e √† educa√ß√£o ambiental do visitante.

Al√©m de conhecer projetos bem legais tomei contato com alguns destinos tur√≠sticos no Brasil bem no estilo sustent√°vel de ser, com produ√ß√£o e empoderamento das pessoas locais. √Č muito empolgante.

E toda vez que eu descubro uma iniciativa legal dessas escolho um projeto para adotar e dessa vez escolhi o projeto da Pousada Uacari de contratar um professor de inglês durante um ano para a comunidade que cuida da pousada, veja mais detalhes no video a seguir:

Fiquei morrendo de vontade de conhecer essa pousada, o site deles √© http://pousadauacari.com.br/ . J√° t√ī aqui pensando em v√°rios poss√≠veis roteiros‚Ķ Smile¬†Que tal colaborar com desenvolvimento de turismo sustent√°vel no Brasil? Agora n√£o tem mais desculpa de n√£o saber como!

Relato da Lucia Malla e do Gabriel Britto que j√° estiveram l√° na Pousada!

“Brasilidade”

Ontem participei de um evento patrocinado pela Coca-cola para os blogueiros do hub de blogs Viva Positivamente o tema do encontro foi ‚ÄúBrasilidade‚ÄĚ e contou com a colabora√ß√£o do Luiz Algarra para facilitar nosso bate-papo e com a palestra do Maur√≠cio Krubusly contando todo seu conhecimento sobre o Brasil falando um pouco do trabalho dele naquele quadro do Fant√°stico chamado ‚ÄúMe leva Brasil‚ÄĚ.

Foi uma delícia passar o dia falando do Brasil, do que é o Brasil, o que é ser brasileiro com pessoas super antenadas.

E pensando sobre o assunto o que seria essa brasilidade t√£o na moda nos √ļltimos tempos? A primeira coisa que eu pensei foi sem d√ļvida a miscigena√ß√£o das ra√ßas. Eu mesma sou um exemplo dela, pai chin√™s, m√£e descendentes de italianos e judeus. E quem n√£o tem uma miscel√Ęnea dessas nas suas veias? Italianos, portugueses, negros, √≠ndios, espanh√≥is, japoneses… Acredito que √© por causa dessas misturas todas que somos o que somos, para o bem e para o mal.

Agora uma coisa que √© bem brasileira √© a nossa biodiversidade e acredito que isso seja unanimidade, quem n√£o concorda que isso representa o nosso pa√≠s da melhor forma? O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Esta variedade de vida que √© mais de 20% do n√ļmero total de esp√©cies da Terra, coloca o Brasil no lugar de principal na√ß√£o entre os 17 pa√≠ses de maior biodiversidade.

Achei esse infogr√°fico (mas n√£o sei qual a fonte, meu amigo Amaral j√° desvendou pra mim) que fala da biodiversidade brasileira e seus biomas.

 

Mas o motivo desse encontro foi promover a campanha da Coca-cola de fazer o mascote da Copa do Mundo ser o mais brasileiro de todos os brasileiros e para isso dar√° a todos a oportunidade de mostrar um pouco de sua brasilidade ao √≠cone mais emblem√°tico dos jogos antes de sua revela√ß√£o ao grande p√ļblico. ¬†As pessoas por meio do site poder√£o postar textos, fotos ou v√≠deos fazendo algo bem brasileiro.

Xingu

Lembro de quando estava no ginásio na aula de história a professora passou um filme sobre o Xingu (na verdade me parecia muito mais preguiça da professora de dar aula do que qualquer outra coisa), não me lembro quase nada do filme, lembro das imagens clássicas dos índios, das aldeias e forçando muito a memória talvez fosse um documentário para retratar o estilo de vida dos índios naquele local, nada mais que isso…

Cartaz_Xingu_O_Filme

Semana passada, a convite da Brazucah, fui assistir a pr√©-estreia do  Xingu, o filme e fiquei super contente de conhecer a hist√≥ria da cria√ß√£o do Parque Nacional do Xingu. Ali√°s, o filme s√≥ me fez perceber a minha total ignor√Ęncia em rela√ß√£o a esse parque e como o Brasil trata e tem tratado seus verdadeiros primeiros habitantes.

Voc√™ sabe quem foram os irm√£os Vilas Boas? Eu n√£o tinha ideia (vergonha total). Voc√™ sabe como e por que o Parque Nacional do Xingu foi criado? Pra mim era s√≥ mais uma reserva que tinha √≠ndios, como tantas outras devem ter por ai, mas n√£o √© s√≥ isso. Voc√™ sabe quando esse parque foi criado e toda a sua import√Ęncia? Provavelmente o Google poder√° responder essas perguntas, mas o filme as explica de uma forma muito mais interessante e viva. Ele conta uma parte de quase sucesso da nossa pol√≠tica indigenista. Eu digo quase porque n√£o foi perfeita, cometeram-se muito erros, muitas coisas deram erradas e n√£o aconteceram como deveriam, mas de modo geral a cria√ß√£o do Parque do Xingu foi um grande sucesso dessa pol√≠tica. E esse filme √© mais do que merecido para que mais brasileiros saibam e tenham orgulho dessa hist√≥ria e dos ilustres irm√£os Vilas Boas que tanto lutaram pela preserva√ß√£o da cultura ind√≠gena no Brasil.

O filme estreia nessa sexta dia 06/04/2012 e é altamente recomendado se você não sabe (como eu não sabia) muito sobre o Parque Nacional do Xingu. Mas até se você sabe sobre a história do Parque eu recomendo o filme, é uma boa dose de nacionalismo quando a maioria dos filmes brasileiros de sucesso sempre tratam de violência, corrupção e pobreza.

A realidade da reciclagem no Brasil

Na ter√ßa passada, a convite da Coca-cola, conheci a ONG Doe Seu Lixo no Rio de Janeiro que junto com o Instituto Coca-cola ajuda coperativas de reciclagem do Brasil inteiro a se profissionalizarem. √Č sensacional o trabalho que eles fazem, dignificando a profiss√£o de catador de materiais recicl√°veis, oferecendo cursos e profissionaliza√ß√£o para as coperativas e gerando renda.

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Qualquer pessoa que estuda um pouco sobre reciclagem no Brasil sabe que ela s√≥ deu “certo” por causa da mis√©ria, ou seja, se a reciclagem no Brasil hoje existe n√£o √© por conscientiza√ß√£o ambiental ou por preocupa√ß√£o da administra√ß√£o p√ļblica com o meio ambiente, ela existe mal e porcamente por conta de pessoas que viram no lixo uma alternativa de sobreviv√™ncia. S√£o poucos os exemplos de cidades que implantaram um sistema de coleta seletiva eficiente, a coleta seletiva e a reciclagem no Brasil ainda n√£o √© regra geral. Segundo dados do IBGE na regi√£o norte do pa√≠s, por exemplo, a coleta seletiva praticamente inexiste (Indicadores de Desenvolvimento Sustent√°vel – 2008).

Portanto, falar de coleta seletiva no Brasil ainda não é uma realidade, a reciclagem pode até acontecer, como no caso das latinhas de alumínio que conseguimos reciclar mais de 90%, mas os outros materiais variam em torno de 45% a 55% ainda, mas uma coleta organizada e efetiva ainda é muito incipiente na grande maioria das cidades brasileiras.

E a reciclagem dos 3% do lixo brasileiro como acontece na grande maioria das vezes? Por meio das coperativas de catadores de materias recicláveis, são essas pessoas que por causa da miséria encontraram no lixo uma alternativa de vida digna.

Esse evento que participei na semana passada foi para promover a Semana do otimismo que transforma da Coca-cola. N√£o vou dizer o que penso sobre esse “evento”, j√° falei sobre a empresa em outros posts, n√£o √© de hoje que a marca vem tentando se associar ao tema sustentabilidade e portanto vou dar um voto de confian√ßa que ela tem tentado, n√£o sei se da melhor forma ou de forma acertada, mas √© uma preocupa√ß√£o e o que ela fez e faz por meio do Instituto Coca-cola para as coperativas atendidas pela ONG Doe Seu Lixo me pareceu muito leg√≠timo. Pelas palavras da diretora-executiva, Claudia Lorenzo, do Instituto Coca-cola ainda √© muito pouco o que √© feito perto da import√Ęncia e da relev√Ęncia da marca Coca-cola para o mundo (s√£o 125 anos de empresa no mundo e 70 anos no Brasil), ela sabe que tem um desafio monumental pela frente e diante dos apenas 5 anos do Instituto acho que tem seguido um bom caminho.

As Cat√°stofres Naturais no Brasil

Toda época de chuva no Brasil é o mesmo dejà vu, seja no verão no Sudeste, seja no inverno no Nordeste, enchentes, deslizamentos e inevitavelmente mortes. Mas o que mais me preocupa sempre é o que as pessoas resolveram fazer DEPOIS da catástrofe. Porque imediatamente depois sempre vem ajuda, dinheiro, solidariedade, mas e na hora de reconstruir tudo e a aprender com a desgraça o que acontece?

Recebi um material (diga-se de passagem j√° tem muitos meses) da Funda√ß√£o Bunge sobre o trabalho deles no Vale do Itaja√≠ depois das enchentes e deslizamentos de 2008 e eu fiquei muito contente em saber que l√° eles aprenderam com os erros e est√£o tentando n√£o repet√≠-los. O projeto chama-se “Conhecer para sustentar” e visa n√£o apenas ajudar as fam√≠lias a reconstruirem suas vidas, mas tamb√©m a conhecer melhor o local onde vivem e por que acontecem esses eventos.

Tomara que a população da região serrana do Rio de Janeiro também tenha essa clareza e possa aprender com essa situação difícil, nem que o aprendizado seja apenas votar diferente daqui 2 anos. Entendo que nem tudo a gente pode esperar do governo, esse projeto por exemplo vem de uma iniciativa privada, mas ter governantes conscientes e responsáveis é um bom começo.

Veja o trailer do documentário produzido pela Fundação Bunge sobre o projeto:

Esses dias vi no Jornal Nacional (veja a seguir) uma reportagem sobre o trabalho que est√° sendo realizado l√° no Vale do Itaja√≠ depois dos desastres de 2008 e foi bem legal ver que a prefeitura resolveu instituir uma “Diretoria de Gelologia” para cuidar das √°reas de risco da cidade e ajudar no planejamento urbano.

Umas das falas que eu achei interessante foi do Prefeito de Blumenau quando ele diz que 2 anos √© um tempo muito longo para quem espera, mas eles optaram pelo caminho mais longo e mais seguro. Achei legal um prefeito/ pol√≠tico enfatizar isso, pois na grande maioria das vezes eles s√£o imediatistas e querem apenas ficar bem na fita com o eleitorado, imagino o quanto n√£o deve ter sido f√°cil para ele aguentar o povo cobrando e exigindo solu√ß√Ķes r√°pidas e f√°ceis. Acho que temos um bom caso de sucesso no Brasil, em que uma trag√©dia pode e deve ensinar muito, principalmente a planejar e fazer melhor.