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Sobre o que o Brasileiro pensa sobre mudanças do clima 2

Me empolguei com esses dados e resolvi explorar um pouco mais.

Conversando com o master jedi em computação Felipe Campelo, descobri que essa minha “análise” pode ser chamada de análise exploratória de dados…

Pois bem, dessa vez resolvi juntar as 2 perguntas que analisei no post anterior. E resolvi ver qual a coerência das pessoas quando escolheram Proteger o meio ambiente, mesmo que isso signifique menos crescimento econômico e menos empregos e depois dizer se concordavam ou não com a frase: As queimadas na Amazônia são necessárias para o crescimento da economia.

Para essa análise eu desconsiderei quem respondeu que não sabe para as 2 questões, não responderam uma das questões ou as 2. Esse grupo desconsiderado equivalem a 4,42% das respostas.

Não me surpreendeu descobrir que 62,39% das pessoas foram muito coerentes e além de priorizarem a proteção do meio ambiente também discordavam que as queimadas na Amazônia são necessárias para o crescimento da economia. Apenas 3,9% das pessoas que priorizam o crescimento da economia concordam que as queimadas são necessárias para esse crescimento. Gostei de ver que 12,98% mesmo priorizando o crescimento econômico não concordam que as queimadas são necessárias. Porém as pessoas que não sabem ou estão em cima do muro (na minha opinião) em qualquer uma das questões, somam 11%.

https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil2/Planilha6?:language=pt&:display_count=y&publish=yes&:origin=viz_share_link

Dessa vez eu resolvi levar em consideração o posicionamento político declarado dos entrevistados. Como comentei no outro post achei bem alto o dado que 25% dos entrevistados não responderam ou não souberam escolher entre direita, esquerda e centro.

https://public.tableau.com/profile/claudia.chow7385#!/vizhome/PesquisaPercepoclimaBrasil2/Planilha7

Ai, com esses dados eu resolvi cruzar com a pergunta: Você já votou em algum político em razão de suas propostas para defesa do meio ambiente?

Ok, ok, vamos desconsiderar que “propostas para defesa do meio ambiente” é algo muito amplo.

Algumas coisas que achei curioso: todas as pessoas que se declararam de esquerda responderam essa pergunta. E o grupo político com maior número de pessoas que responderam sim à questão foram os declarados de esquerda.

https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil2/Planilha8?:language=pt&:display_count=y&publish=yes&:origin=viz_share_link

O curioso caso de quem não sabe se votou em alguém por conta de suas propostas de defesa de meio ambiente somam 0,51%.

Porém é triste perceber que quase 60% das pessoas não consideram a pauta ambiental na hora de votar. E essa mesma pesquisa mostrou que 86% das pessoas se declararam preocupadas ou muito preocupadas com o meio ambiente.

Mais algumas conclusões que me permiti tirar dessa pesquisa: Parece que as pessoas não conseguem relacionar voto e política com ação pelo meio ambiente. Parece que as pessoas pensam: Meio ambiente é uma questão para mim, mas na hora de votar esse não é um fator a ser levado em consideração.

É muito curioso pois mais da metade das pessoas disseram nessa pesquisa que acham que os Governos são os principais atores na resolução do problema das queimadas na Amazônia!

E pra quem pensa que as pessoas podem responder o que acham que é certo na pesquisa e não o que de fato pensam. Eu respondo que se as pessoas acham que se preocupar com meio ambiente, entender que para o crescimento econômico queimadas na Amazônia não é a melhor opção e que o tema aquecimento global é algo importante ou muito importante, eu acho que já é o suficiente para mostrar que estamos num bom caminho. Talvez seja demais afirmar com precisão que 90% dos brasileiros consideram a questão do aquecimento global importante ou muito importante. Mas vamos pensar que parte desses 90% só acham que é certo considerar esse tema importante ou muito importante, já não é um bom começo? Alguma coisa certa está sendo feita!

Sobre o que o Brasileiro pensa sobre mudanças do clima

Faz um pouco mais de 1 mês (início de fevereiro de 2021) o ITS junto com a Universidade de Yale e o Ibope divulgaram o resultado de uma pesquisa sobre a percepção do brasileiro com relação às mudanças climáticas. Confesso que só fiquei sabendo essa semana, pois o mesmo ITS lançou uma chamada pública para Programa de bolsas da pesquisa “Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros”.

Pedi os dados da pesquisa pra eles e resolvi usar meus rudimentares conhecimentos de Tableau (um software de visualização de dados) pra entender melhor os dados dessa pesquisa.

Se você quer saber mais detalhes de como a pesquisa foi feita acesse: https://www.percepcaoclimatica.com.br/

AVISO: Eu só estudei estatística 1 semestre durante a graduação, meus conhecimentos de Tableau, como já mencionei, são rudimentares, mas eu tenho bom senso, é suficiente? Talvez. Veja aí onde eu cheguei com os dados e me corrija se você ver erros.

MINHA “ANÁLISE” – (É muita pretensão minha chamar isso de análise.)

Eu selecionei algumas perguntas que achei mais interessante da pesquisa e resolvi destrinchar melhor como as respostas apareciam regionalmente. Até tentei fazer uns gráficos com a posição política declarada pelos entrevistados, mas achei que a quantidade de gente que não sabia ou não respondeu esta questão era muito grande (quase 25%).

Eis o meu achado.

Quando os entrevistados foram perguntados se concordavam ou não com a afirmação: As queimadas na Amazônia são necessárias para o crescimento da economia, em todo o Brasil a resposta foi que 74% deles discordavam essa afirmação. Achei sensacional esse resultado e ai resolvi fazer um recorte por região. Como a discordância ou não dessa afirmação se distribui pelas regiões do país? Eis que a região com maior número de “concordos” sobre a questão acima veio da região Norte, onde a Amazônia está localizada em sua maior parte. Enquanto no Sudeste nem 15% dos entrevistados concordavam com a afirmação, no Norte quase 30% concorda.

Você pode ver o gráfico melhor aqui: https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil/Planilha1?:language=pt&:retry=yes&:display_count=y&:origin=viz_share_link

Essa tendência meio que se confirma quando a pesquisa pergunta o que é considerado mais importante para o entrevistado: A) Proteger o meio ambiente, mesmo que isso signifique menos crescimento econômico e menos empregos ou B) Promover o crescimento econômico e a geração de empregos, mesmo que isso prejudique o meio ambiente. No geral o brasileiro respondeu que a alternativa A é mais importante (77%). Mas quando abrimos as respostas por região, é o Norte mais uma vez que detém a maior quantidade de pessoas respondendo a opção B. Na região Norte 24,51% dos brasileiros consideram a alternativa B como mais importante para eles, enquanto que nas outras regiões esse número não chega a 17%.

O gráfico fica melhor de ver aqui: https://public.tableau.com/views/PesquisaPercepoclimaBrasil2/Planilha23?:language=pt&:display_count=y&publish=yes&:origin=viz_share_link

A minha opinião sobre esses dados pode estar muito errada, mas vou manifestá-la mesmo assim. Eu achava que era uma minoria de pessoas na região Norte que é a favor do desmatamento e pensa que pelo crescimento econômico vale tudo. Esses dados me mostram que não é bem assim, ainda tem muita gente por lá com esse tipo de pensamento desenvolvimentista a qualquer custo. E ai temos 2 possibilidades para mim: 1) eu era ingênua de acreditar que os maus eram a minoria, talvez eles até sejam, mas tem uns pseudos bons que os apoiam; 2) eu não sei mexer no Tableau, muito menos analisar dados e isso ai tá tudo errado… Aceito ajuda dos universitários!

UPDATE: Fiz mais uma análise dessa pesquisa aqui.

A China e o meio ambiente

Foto: Clay Gilliland (CC BY-SA 2.0)

Em 2007, ano de início desse blog, escrevi um post falando sobre a China e um pouco da realidade ambiental daquele país, usando como referência histórias de conhecidos e notícias da imprensa. Passados exatos 11 anos, o que mudou? Olha, pode ser um longo tempo, mas fico contente que a China tem olhado para o meio ambiente com um pouco mais de preocupação, toda semana recebo pela imprensa alguma notícia, de certa forma, empolgante sobre o assunto.

Semana passada Ronaldo Lemos me trouxe a informação que a poluição está na agenda da ciência para ser nada mais nada menos que eliminada e que “o próximo ciclo de desenvolvimento chinês prevê a transformação do país em uma economia verde.” Pra quem há 11 anos leu que durante uma semana inteira a poluição impedia que os habitantes de Pequim não vissem o céu por conta da espessa camada de poluição isso é um avanço considerável.

Hoje (atrasada diga-se de passagem) li que a China investiu entre 1999-2013 algo em torno de R$60 bilhões em projetos de reflorestamento e que eles tem apresentado resultados positivos.

O anúncio do país ano passado em investir US$360 bilhões em energia renovável até 2020 tem me deixado otimista quanto aos rumos que a China tem dado na sua preocupação ambiental. Parece mesmo que o meio ambiente é uma assunto que está na pauta para eles. E se eles são um dos poucos exemplos de tecnocracia no mundo, se não o único, não é preciso ser nenhum gênio para entender essa mudança de direção.

Mas como uma pessimista inveterada não posso deixar de ver como o ser humano ainda tem muito a melhorar e repito de certa forma aqui parte do meu discurso quando escrevi o texto aqui no blog em 2007. A China pode estar no caminho de acertar o rumo, mas precisava perceber isso depois do estrago feito? Parece que a humanidade tem um certo apreço por repetir erros, né? Ou simplesmente ignora os erros e só depois que o estrago tá feito é que se dá conta. Bom, pelo menos a China está tentando acertar a direção. E o que podemos dizer do Brasil? Essa reportagem nos dá uma pequena amostra de como as florestas brasileiras tem sido tratadas, por onde a preferência por combustível fóssil tem nos levado entre tantos outros exemplos e não tem me parecido um acerto de rumo na melhor direção, tanto para os brasileiros, como para a humanidade como um todo.

É, China, antes tarde do que nunca…

Para aprender mais sobre a Amazônia

Se você ainda não entende a importância da preservação da Floresta Amazônica ou qual a relação que isso tem com a sua vida, por favor, assista esses vídeos, são produzidos pelo Google e tem um dedo do Fernando Meirelles, são curtinhos.

Aliás, essa experiência imersiva do Google chamada de Eu sou Amazônia tá incrível. Você pode ver os 15 videos curtos no Youtube que lembram, ensinam e demonstram a importância dessa floresta para o mundo.

O site que usa o Google Earth como plataforma tem a localização de várias histórias incríveis da Amazônia, você pode escolher temas como água, alimento, inovação, mudança, etc, cada um desses temas é localizado geograficamente na floresta com várias informações como vídeos, descrições, fatos históricos, notícias, reprodução 3D, tudo relacionados ao local e ao tema.

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Eu sou Amazônia no Google Earth.

Sério, minha cabeça explodiu e me fez lembrar do tempo que eu dizia que ferramentas de GIS (sistema de informação geográfica) eram pra dominar o mundo. Até agora foi o melhor uso que já vi para GIS de forma pública, grátis e como ferramenta de ensino e informação.

Tenho críticas infinitas a gigantes multinacionais como o Google, mas quando eles fazem coisas desse tipo eu quase tenho esperança de que eles podem ser melhores do que realmente são.

Fica a dica: para aquele trabalho de escola sobre a Amazônia? Ou pra ser menos ignorante sobre esse lugar distante chamado Amazônia, explore essa experiência.

Esse NÃO é um post patrocionado.

Odebrecht, mostra a tua cara

Provavelmente eu devo ser a única pessoa que acompanha esse blog desde seu início e portanto as 2 pessoas que passam por esse blog as vezes não devem saber que em 2008 eu tive um problema com a Odebrecht. Bom, vale a pena contar o acontecido, é o case desse blog inclusive! hahaha

Odebrecht Ambiental - Companhia Siderurgica do Atlantico - CSA, Santa Cruz, Rio de Janeiro

No segundo semestre de 2007 a Revista Ideia Sustentável publicou um artigo falando sobre líderes da Sustentabilidade e entre os entrevistados estava Norberto Odebrecht, pouco antes de ler a revista um amigo de faculdade tinha me contado da experiência dele pouco agradável de trabalhar em uma obra na República Dominicana, a obra era gerenciada por quem? Pela Odebrecht! Ai, eu escrevi um email para o editor da revista contando dos absurdos vividos pelo meu amigo naquela obra, recebi um email do editor dizendo que iria entrar em contato com a empresa. 3 meses se passaram e por algum motivo não recebi nenhuma resposta, então resolvi publicar no blog o email trocado com o editor. Pronto, meu inferno começou alguns dias depois…

Primeiro foi o editor me mandando um mail dizendo que sim, tinha me respondido, ai publiquei a resposta aqui. Tudo parecia “resolvido”, pois além de ter uma resposta “oficial” da emrpesa, eles ficaram de investigar e blablabla. Só que 3 dias depois uma outra pessoa também da comunicação da empresa me mandou e mail “ameaçador” falando de um site chamado Ambiente Já e uma resposta um tanto quanto grosseira publicada naquele site com relação às minhas denúncias. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo! Nem que raios de site era aquele. Resumo da ópera, o tal Ambiente Já tinha publicado o meu post no site deles sem que eu soubesse, essa pessoa da empresa leu meu relato, não gostou, mandou uma resposta para o site e mandou para mim via email com ameaças nas entrelinhas. Na época eu fiquei bem chateada e de saco cheio com tudo, dei a coisa toda como encerrada e de fato foi o que aconteceu, a empresa nunca mais entrou em contato comigo para dar qualquer satisfação (uma estratégia acertada, afinal, quem é essa blogueira na fila do pão?). Mas pessoalmente eu e meu amigo tivemos uma vitória (ainda que minúscula) que eu nunca contei aqui no blog porque essa história já tinha me esgotado muito. Logo depois da recuperação do meu amigo ele acabou voltando para República Dominicana para uma outra empreiteira que também prestava serviços para a Odebrecht e a publicação do post sobre a história dele e todo o bafafá que ele gerou aconteceu quando ele estava lá, mas numa outra obra. Eis que um belo dia o diretor geral das obras da Odebrecht da República Dominicana manda chamar meu amigo para uma conversa em Santo Domingo (capital do país), ele sem entender nada foi, chegou lá e qual a foi surpresa de saber qual era a pauta? A publicação no meu blog! No fim meu amigo ficou muito contente em saber que meu bloguinho de alguma forma incomodou uma das maiores construtoras do mundo e no mínimo deixou-os com a pulga atrás da orelha sobre para quantas outras Claudias os funcionários deles podem contar histórias como aquelas.

Eu sei que provavelmente devo estar na lista de persona non grata da Odebrecht, em 2013 eles convidaram vários blogueiros para a entrega do Prêmio Odebrecht para o desenvolvimento sustentável e obviamente não me chamaram! hihihi

Mas o motivo desse post não é só relembrar esse case, mas pra dizer que eu não deveria ser tão mentirosa assim em 2008 já que em 2015 o Grupo Odebrecht é condenado a pagar R$50 milhões por trabalho escravo em obras em Angola. E dessa vez, querida Odebrecht não é uma blogueira maluca ambientalista quem está dizendo, nem o amigo dela, é o Ministério Público mesmo.

Acho que todo esse post e o meu “relacionamento” com a referida empresa dispensa quaisquer comentários sobre o envolvimento da construtora na Operação Lava-jato da Polícia Federal, né?

Livros infantis sobre meio ambiente

Tenho amigos brasileiros que casaram com estrangeiros e foram morar fora do país e sempre que quero presentear os filhos deles gosto de dar presentes que tenham a cara do Brasil e essa sempre é uma tarefa trabalhosa. Quando são bebês acho (mas não com muita facilidade) alguma roupinha com a as cores do Brasil ou a bandeira do país (sim, se for ano de Copa do Mundo é bem fácil, do contrário só encontro se sobrou alguma coisa no estoque), quando são maiores já procurei pelúcias de bichos brasileiros e também, não é assim fácil e geralmente são caréssimas ou feias, trabalho árduo.

Acho que em 2011 quando eu trabalhava pertinho da Livraria Cultura lá na Av. Paulista fui atrás de livros infantis sobre a fauna brasileira e pasmem, não achei nada… Não sei se eu não soube procurar, se a moça que me ajudou não entendeu o que eu queria ou se realmente não existia nada do gênero e fiquei bem frustada. Conversei com mães e uma delas me indicou a livro da Turma da Mônica sobre lendas brasileiras, o que eu gostei bastante, mas ainda não era o que eu queria.

Eis que esse ano apareceram 2 lindas surpresas literárias que eu tanto queria e com o trabalho de 2 pessoas super queridas para mim. O primeiro é o livro multimídia Bichos de Cá com ilustrações da Tati Clauzet, uma artista plástica que mora lá em Itatiaia e que tenho o prazer de frequentar o ateliê sempre que vou até lá, o livro tem toda uma proposta diferente pois fala de bichos brasileiros cantando música com ritmos nacionais. Além do CD que acompanha o livro com as músicas ainda tem um app pra baixar no smartphone ou tablet, achei a proposta bem inovadora com um tema que me encantou muito!

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A segunda grata surpresa foi saber que a Maria do blog Ciência e Ideias fez parte do Brasil 100 Palavras,um livro que não só fala dos bichos brasileiros mas também dos biomas, das plantas e das paisagens do nosso país. Esse livro ainda não tive a oportunidade de folhear, mas deve ser muito lindo.

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Mas qual a importância de falar dos nosso bichos e da nossa natureza para as crianças? Não só as estrangeiras que foi que gerou a minha motivação para procurar livros a respeito, mas as nossas crianças também precisam saber mais como é e o que temos na nossa tão famosa biodiversidade! Depois que vi esse relato no TED, essa preocupação ficou ainda maior (Veja só os 2 primeiros minutos se você estiver com pressa)

Rio+20 – Eventos Paralelos

Portugese

Durante o evento no Riocentro um milhão de coisas aconteceram na cidade sobre o mesmo tema ao mesmo tempo e claro que trabalhando todos os dias no Parque dos Atletas pedir muita coisa. Consegui ir 1 dia no Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development. Eles estavam com transmissão ao vivo pela internet o que eu achei ótimo, apesar de não ter conseguido acompanhar muita coisa. Aliás se você quiser assistir os videos já estão disponíveis aqui. Como eu só fui em um dos paineis não posso falar do evento como um todo, mas pelos comentários que vi na rede acho que foi bastante proveitoso. O presidente do Conselho Internacional para a Ciência chegou a uma conclusão óbvia para mim: “A evidência científica demonstra de forma convincente que o nosso modo de desenvolvimento está a minar a resistência do nosso planeta “, disse Yuan Tseh Lee, presidente do International Council for Science (ICSU). “Temos de encontrar um caminho diferente para um futuro seguro e próspero. Com todo o conhecimento e criatividade que temos é absolutamente possível. Mas estamos correndo contra o tempo. Precisamos de uma liderança real, soluções práticas, e ação concreta para definir o nosso mundo em um caminho sustentável. ” Pra quem a gente precisa endereçar essa conclusão para que as coisas aconteçam mais rápido? Bom, nesse caso só consigo concluir que a humanidade anda a passos de formiga, infelizmente.

Também fui visitar a exposição Humanindade 2012 no Forte de Copacabana, adorei a exposição e pelo visto não fui a única pois as pessoas estavam esperando até 2 horas para pode visitá-la. Uma pena que só durou o período do evento. Veja algumas fotos e um videozinho que fiz em uma das salas.

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Também fui no Rio+Social, teve um monte de gente legal, paineis interessantes, mas foi tudo muito rápido, um monte de gente legal falando por um tempo curtinho, isso me decepcionou bastante, mas não deixou de ser bom. Um evento que tem nomes como Muhammad Yunus, Ted Turner, Richard Branson, Ronaldo Lemos, Matthew Shirts, Pete Cashmore, Fabien Cousteau, Gro Brudtland, entre outros, não pode ser um evento ruim, né?

O discurso da Severn Suzuki foi feito colaborativamente, você podia mandar seu twitt com o que achava que era importante ser lembrado e uma equipe elaborou o texto a partir dos twitts, veja como ficou o discurso:

Eu não fui na Youth Blast, nem na Cúpula dos Povos, mas Bibiana Maia foi e também tá contando aos poucos lá no blog dela. A Aline Kelly também conta sobre a experiência dela na Rio+20 e ambas só foram nos eventos paralelos.

China

Estive de férias na China mês passado e resolvi contar um pouquinho das minhas impressões aqui. Talvez toda a viagem eu conte num outro blog, mas no momento vou me atentar às impressões.

Estive em Hong Kong, Pequim, Xi’an, Lhasa (Tibete) e Chengdu e cada uma das cidades me chamou a atenção por aspectos bem diferentes, até pareciam países diferentes. Mas no aspecto geral não vi coleta seletiva séria, aliás, existe isso em algum lugar do mundo? Talvez o Japão, os países nórdicos da Europa, mas de forma geral coleta seletiva depende da boa vontade dos cidadãos e ai já viu, é difícil mesmo. Em Hong Kong onde eu achei que isso seria mais sério fiquei na casa de um parente e não vi lá nenhuma separação de lixo, ou seja, se você não quiser fazer, não faz e pronto. Nas outras cidade fiquei em hotel então não deu pra saber se funciona, mas nas ruas quase não vi cestos de lixo para separação (não que isso funcione, mas já um começo).

Trânsito… Eu juro que fiquei impressionada, não esperava que fosse TÃO caótico! Sabe o trânsito da Índia? Então, tira as vacas, esse é o trânsito da China, pelo menos foi essa sensação que eu tive. Nas cidades as motos são proibidas, só podem circular umas motinhos elétricas que não atingem uma velocidade muito alta, mas são silenciosas e isso muitas vezes pode ser um problema quando você está tentando atravessar a rua. Achei um videozinho pra ilustrar o caos que é o trânsito, o video é em Shangai e eu não fui pra lá, mas todas as cidades da China me parecem que não são nada diferentes. Ah! Já estava me esquecendo, se buzina pra tudo! Tudo mesmo.

Sugiro dar uma busca no youtube pra ver as maiores locuras que o trânsito da China é capaz.

Conheci a reserva dos Pandas em Chengdu, o lugar é sensacional é um zoológico, mas só de pandas, tanto o gigante como o vermelho. Com certeza vale a visita, quem me conhece sabe que eu adoro ursos, então imagina como eu gostei. Eles tem um programa de voluntariado, você paga uma taxa (que eles chamam de doação) e você pode trabalhar um dia na reserva e ganha um certificado e tudo, não tive a oportunidade de fazer isso, mas gostaria muito um dia. Ah, foi o único lugar da China que eu fui e é proibido fumar e as pessoas respeitaram! Um verdadeiro alívio para o meu nariz, que sentiu cheiro de cigarro até no avião!

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Pandas da reserva de Chengdu

A coisa mais sustentável que eu vi na China foi a obra da ferrovia que liga a China ao Tibet, bom, pelo menos em alguns trechos eles fizeram proteção para os animais silvestres não atravessarem a ferrovia, em alguns trechos tem passagem para os animais sob a ferrovia.

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Grade ao longo de toda ferrovia

As sacolinhas plásticas de graça, apesar de terem sido proibidas, ainda são bastante usadas, em alguns lugares até são de graça, pelo menos não notei que me cobraram. No Tibet fui num supermercado que a sacola que eles distribuiam era de tecido e de graça, veja a foto.

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Bom, as preocupações com meio ambiente no dia-a-dia ainda são bem incipientes na China, não notei que é a prioridade número 1 deles, nem haveria de ser, afinal, o mundo respira economia e não meio ambiente, né? E todo mundo ainda acredita que meio ambiente é a última coisa a ser pensada, então eu notei que eles só estão cometendo os mesmos erros que a humanidade vem cometendo… Uma pena.

Filmes sobre meio ambiente

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Assisti O Descendentes e por conta dele resolvi fazer um post sobre filmes que falam de meio ambiente, sustentabilidade e afins. Provavelmente se você leu a sinopse ou assistiu Os Decendentes não necessariamente acha que ele fala desses assuntos, mas nas entre linhas ele toca no assunto sim de uma forma bem sutil. Um dos dilemas do personagem principal Matthew King (interpretado por George Clooney) é sobre um terreno da família situado numa ilha do Havai que estão decidindo se vendem e para quem vendem. É um terreno numa praia linda, deserta e com mata nativa preservada. Os donos do terreno (Matthew e seus primos) avaliam os projetos das empresas sobre o que fazer no local para poderem decidir melhor, eles não se basearam simplesmente no quesito quem paga mais e um dos projetos preferidos por eles é de um empreendedor havaiano que apesar de não ter a proposta mais cara é uma pessoa da “terra”.

Achei que o dilema deles é o que o Brasil passa em relação a obras como Belo Monte. Uma terra maravilhosa que é de um monte de gente e não tem como preservá-la intocada para sempre pelos mais diversos motivos. Acho que a solução mais sensata para casos como esse é fazer alguma coisa no local mas fazer de forma que tenha pouco impacto e que preservação seja o principal objetivo, mas será que isso é mesmo possível? Não sei, mas temos que trabalhar para isso.

Outros filmes que falam de meio ambiente é o Erin Brockovich (baseado em fatos reais) e o Conduta de Risco, esses filmes estão muito mais relacionados às condutas das empresas, suas responsabilidades sociais, ambientais e éticas do que decisões democráticas para beneficiar o maior número de pessoas. É um outro estilo de filme, mas que tocam no tema sustentabilidade de forma bem intrigante.

O mais sutil de todos é o Wall-E na minha opinião, por ser uma animação e mostrar o futuro sem explicar como chegamos lá e deixar tudo subentendido é um filme ambiental sensacional e muito bonito. O tema meio ambiente é tratado de forma leve e sem condenações explícitas.

Esses são os filmes que eu consigo me lembrar que tratam de meio ambienta tirando os documentários como Uma verdade inconveniente, A 11ª hora ou Quem matou o carro elétrico? Quais outros que abordam o tema sem ser o assunto principal? Ah, me lembrei de Avatar, mas vamos combinar que a história é manjada demais…

Esqueça os banhos curtos

O único pecado do texto abaixo são os exemplos americanos, que muitas vezes não se encaixam na nossa realidade brasileira, mas de resto não tem como não concordar com que ele fala. Pode parecer radical demais em alguns pontos, até mesmo pessimista, mas é a mais pura verdade, acreditar que só fazer a nossa parte é o suficiente para revolucionar o mundo é muito pouco.

Aqui no blog cito muito exemplos de empresas porque acho que são elas que tem que mudar independentemente da decisão de compra do consumidor, afinal, antes de mais nada antes de ser consumidor qualquer pessoa é um cidadão que quer ver as coisas certas sendo feitas no mundo em que vive. Claro que o governo pode e deve ajudar, mas como parece que eles não se preocupam muito com esse assunto (vide COP-15) a pressão tem que acontecer dos cidadão também.

Jogar toda a responsabilidade de salvar o mundo no colo das pessoas é muito fácil, mas a pergunta que não quer calar é: quem realmente quer mudar?

Segue o texto com tradução livre minha.

Esqueça os banhos curtos
Por que mudanças pessoais não são iguais a mudanças políticas.

 

banho

 

Por Derrick Jensen
Alguém em sã consciência acharia que um catador de lixo pararia Hitler, ou que compostagem acabaria com a escravidão ou traria a jornada de 8 horas de trabalho, ou que cortar lenha ou carregar água tiraria as pessoas das prisões czaristas, ou que dançando nuas em torno de um fogo teria ajudado a pôr em prática o Ato de Direito ao Voto de 1957 ou o Ato de Direitos Civis de 1964? Então, por que agora, com todo o mundo em jogo, achamos que podemos salvar o mundo com soluções pessoais?

Parte do problema é que temos sido vítimas de uma campanha sistemática de desorientação. A cultura do consumo e da mentalidade capitalista que nos ensinou a substituir os atos de consumo pessoal por resistência à política organizada. O filme "Uma Verdade Inconveniente" ajudou a criar uma consciência sobre o aquecimento global. Mas você notou que todas as soluções apresentadas são relacionadas com consumo pessoal – trocando lâmpadas, calibrando pneus, dirigindo menos – e não tinha nada a ver com diminuir o poder das empresas, ou interromper o crescimento da economia que está destruindo o planeta? Mesmo que cada pessoa nos Estados Unidos fizesse tudo que o filme sugere, as emissões de carbono nos EUA teriam uma redução de apenas 22%. O consenso científico é que as emissões devem ser reduzidas, em todo o mundo, pelo menos em 75%.

Ou vamos falar da água. Nós ouvimos tantas vezes que o mundo está ficando sem água. Pessoas estão morrendo de falta de água. Os rios estão acabando por falta de água. Devido a isso, precisamos tomar banhos mais curtos. Vê a desconexão? Por tomar banho sou responsável por secar aquíferos? Bem, na verdade não. Mais de 90% da água usada pelos seres humanos é utilizada pela agricultura e indústria. Os restantes 10% são divididos entre os municípios e a vida dos seres humanos individuais. Coletivamente, os campos de golfe usam tanta água quanto os municípios. Pessoas (tanto as pessoas humanas e os peixes) não estão morrendo porque o mundo está ficando sem água. Eles estão morrendo porque a água é que está sendo roubada.

Ou vamos falar de energia. Kirkpatrick Sale resumiu bem: "Nos últimos 15 anos a história foi a mesma a cada ano: o consumo individual residencial, carro particular, e assim por diante, nada mais é do que cerca de um quarto de todo o consumo, a grande maioria é comercial, industrial, empresarial, agronegócio e governo [ele esqueceu militares]. Por isso, mesmo se todos nós andássemos de bicicleta e tivéssemos fogões à lenha o impacto seria pouco significativo sobre o consumo de energia, aquecimento global e poluição atmosférica."

Ou vamos falar de resíduos. Em 2005, a produção de resíduos per capita municipal (basicamente tudo o que é posto para fora na calçada), nos EUA, foi de cerca de 753 kg. Vamos dizer que você é um ativista radical de vida simples e reduz seu resíduo a zero. Recicla tudo. Você usa sacolas de pano. Você conserta a torradeira. Seus dedos saem pra fora do seu tênis velho. Isso não é o suficiente, apesar de tudo. Uma vez que os resíduos urbanos não incluem apenas os resíduos residenciais, mas também resíduos de escritórios do governo e das empresas. Aí você marcha para os escritórios, panfleta redução de resíduos e convencê-os a reduzir seus resíduos o suficiente para eliminar a sua parte dela. Então, eu tenho uma má notícia. Os resíduos municipais são apenas 3% da produção total de resíduos nos Estados Unidos.

Eu quero ser claro. Não estou dizendo que não devemos viver de uma maneira mais simples. Eu vivo razoavelmente simples, mas eu não finjo que não comprar muito (ou não dirigir muito, ou não ter filhos) é um ato político poderoso, ou que é profundamente revolucionário. Não é. Mudança pessoal não é igual a uma mudança social.

Então como, com o mundo em jogo, viemos a aceitar estas respostas absolutamente insuficientes? Acho que parte disso é que estamos em uma encruzilhada. Uma encruzilhada é o lugar onde você tem várias opções, mas não importa qual opção você escolha, você perde e bater em retirada não é uma opção. Neste ponto deve ser muito fácil reconhecer que cada ação que envolve a economia industrial é destrutiva (e não devemos fingir que a energia solar fotovoltaica, por exemplo, nos isenta disso: eles ainda necessitam de mineração e infra-estruturas de transporte em todos os pontos e processos de produção, o mesmo se pode dizer de todas as outras chamadas tecnologias verdes). Então, se nós escolhermos a opção um -  participar avidamente da economia industrial – acho que poderemos, no curto prazo, ganhar, porque podemos acumular riqueza, o marco de "sucesso" nesta cultura. Mas perderemos, porque ao fazê-lo desistimos de nossa empatia, nossa humanidade. E nós realmente perderemos, porque a civilização industrial está matando o planeta, o que significa que todos perdem. Se nós escolhermos a opção "alternativa de vida mais simples", causando menos danos, mas ainda não evitando a economia industrial de matar o planeta, podemos, a curto prazo ganharmos, porque nós começamos a nos sentir puros, e não teremos que desistir de toda a nossa empatia (apenas o suficiente para justificar não interromper os horrores), mas mais uma vez nós realmente perderemos, porque a civilização industrial ainda está matando o planeta, o que significa que todos perdem. A terceira opção, atuando de forma decisiva para impedir a economia industrial, é muito assustadora por uma série de razões, incluindo, mas não se restringindo ao fato de que perderíamos alguns luxos (como a eletricidade), ao qual estamos acostumados, e o fato de que quem está no poder pode tentar nos matar se impedirmos seriamente a sua capacidade de explorar o mundo – nenhuma das razões altera o fato de que essa opção é melhor do que um planeta morto. Qualquer opção é uma opção melhor do que um planeta morto.

Além de ser ineficaz para causar os tipos de mudanças necessárias para pôr fim a esta cultura de morte no planeta, há pelo menos quatro outros problemas com a percepção de &quot
;viver simplesmente"* como um ato político (ao contrário de vida mais simples, porque isso é o que você quer fazer). O primeiro é baseado na noção errônea de que os seres humanos inevitavelmente prejudicam seu ambiente. Vida mais simples como um ato político consiste unicamente na redução de danos, ignorando o fato de que os humanos podem ajudar a Terra, bem como prejudicá-la. Podemos recuperar córregos, podemos nos livrar de invasores nocivos, podemos remover as barragens, interromper um sistema político inclinado na direção dos ricos, assim como o sistema econômico, podemos destruir a economia industrial que está destruindo o mundo real, físico.

O segundo problema – e esse é um bem grande – é que ele incorretamente atribui a culpa ao indivíduo (e mais especialmente para o indivíduo, que são particularmente impotentes) em vez de culpar realmente aqueles que detêm o poder neste sistema. Kirkpatrick Sale mais uma vez diz: "Todo sentimento de culpa individualista o-que-posso-fazer-para-salvar-a-terra é um mito. Nós, como indivíduos, não estamos criando a crise e não podemos resolvê-la. "
O terceiro problema é que ele aceita a redefinição do capitalismo de cidadãos para consumidores. Ao aceitar essa redefinição, reduzimos nossas formas potenciais de resistência a consumir e não consumir. Os cidadãos têm uma gama muito maior de táticas de resistência disponíveis, incluindo o voto ou não votar, correndo para o escritório, panfletando, boicote, organização de lobby, protestando e quando um governo se torna destrutivo a vida, a liberdade e a busca da felicidade, têm o direito de alterá-lo ou aboli-lo.

O quarto problema é que o desfecho da lógica por trás de uma vida simples como um ato político é o suicídio. Se cada ato dentro da economia industrial é destrutivo, se quisermos parar com esta destruição e se estamos relutantes (ou incapazes) de questionar (muito menos destruir) as infra-estruturas intelectuais, morais, econômicas e físicas que fazem com que todo ato na economia industrial seja destrutivo, então podemos facilmente passar a acreditar que vamos causar o mínimo possível de destruição se morrermos.

A boa notícia é que existem outras opções. Podemos seguir os exemplos de militantes corajosos que viveram os tempos difíceis que eu mencionei, Alemanha Nazi, a Rússia czarista, que fizeram muito mais do que manifestar uma forma de pureza moral, que se opuseram ativamente contra as injustiças que os cercavam. Podemos seguir o exemplo daqueles que lembraram que o papel de um ativista não é continuar no sistema de poder opressor mantendo a integridade tanto quanto possível, mas sim confrontar e derrubar esses sistemas.

*viver simplesmente refere-se ao movimento Simple Living que é um estilo de vida caracterizado por consumir apenas o suficiente para se manter vivo.

Texto original em inglês: http://www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/4801/

Imagem: http://www.flickr.com/photos/demenciano/280171857/