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Futuro 5: Ikea compra de volta a mobília que você não quer mais

Futuro é/era uma série de notícias falsas criadas por mim, que pretende representar o que deveria ser um futuro mais sustentável. Mas o incrível é que dessa vez a notícia do título não é falsa, ela de fato se tornará realidade em lojas da rede em 26 países.

Mats Ekdahl/Ikea

A Ikea irá comprar de volta os móveis da marca dos consumidores e depois irá revendê-los numa loja de segunda mão da marca. E por que essa iniciativa é tão incrível?

Pra mim mostra que a marca está de fato se empenhando em entrar na economia circular e quem sabe futuramente mudar seu modelo de negócio. Já imaginou o dia que a Ikea não venderá mais móvies mas sim simplesmente alugará e estará sempre responsável por toda a vida de seus produtos?

Eu sei que esse conceito é muito estranho para a maioria das pessoas no Brasil, somente quem é muito rico troca móveis da casa com frequência, mas em países ricos trocas de móveis da casa é quase que nem comprar roupa nova a cada estação.

Quem já faz isso e durante muito tempo foi case de sucesso de sustentabilidade por anos é a Interface floor. Uma empresa de carpetes e pisos de vinil que não apenas os vende, mas se responsabiliza pelo recolhimento, reciclagem e reuso do material. Tudo bem que carpete é algo muito relacionado a países frios e aqui são poucos os ambientes que usam esse tipo de solução, mas pensar em reutilizar o material e se preocupar com o destino dos resíduos é algo bem inovador (não deveria, mas é).

Voltando ao caso dos m√≥veis da Ikea, de certo modo, isso meio que existe no Brasil, toda cidade tem sua loja de m√≥veis usados ou herdar m√≥veis de algu√©m que est√° mudando n√£o √© algo incomum. Mas quem j√° n√£o viu por ai um sof√° descartado num riacho? Ou mesmo algum m√≥vel dando as caras no esgoto na √©poca de chuva e enchentes em grandes cidades? Tor√ßo que v√°rias marcas se empenhem nesse sentido e at√© mesmo outras ind√ļstrias como de carro ou tecnologia por exemplo. Gostaria de v√™-las se preocupando com o que acontece com seus produtos depois que seus clientes se desfazem deles.

Suposi√ß√Ķes

Vamos fazer um exercício mental aqui. Só por diversão.

Imagina que voc√™ tem um produto super inovador que seu cliente adora. Vende super bem, d√° lucro e funciona. Mas o produto tem um problema s√©rio de ciclo de vida. Quando ele foi inventado ningu√©m se preocupava muito com gera√ß√£o de lixo e o problema do seu produto est√° a√≠. A vida √ļtil dele √© relativamente curta depois que o cliente compra, ele usa e j√° descarta e n√£o tem muito o que fazer com o produto depois de usado. E como reciclagem n√£o chega em todos os lugares do mundo n√£o √© o que acontece com seu produto por mais que voc√™ se esforce em recolh√™-lo e recicl√°-lo. Alguns lugares do mundo at√© j√° proibiram o seu produto.

Exercício de possibilidades

E agora responsável pelo produto? O que você faz?

Finge que não é problema seu, afinal, a sua função é oferecer um bom produto para seu consumidor e fim.

Você faz a sua parte de tentar recolher o que é possível e dar um destino correto. Mas joga parte da culpa de não dar um destino correto para toda a sua produção no seu consumidor, afinal ele também não colabora na hora de dar um destino certo ao produto.

Começa a gastar toda sua energia, dinheiro e empenho em desenvolver um produto melhor que não gere mais resíduos pós consumo. Mesmo que depois de todo esse processo e esforço você descubra que tenha que desistir do seu produto já consagrado e criar um novo.

Voc√™ pode sugerir outras solu√ß√Ķes e op√ß√Ķes se voc√™ tiver e for mais criativo que eu.

Adendo: seu produto n√£o √© √ļnico no mercado. Ele √© apenas uma forma diferente e c√īmoda de obter o mesmo resultado obtido de outras formas um pouco mais trabalhosas ou apenas mais diversas.

Alguma pista de que produto é esse? Fiquei impressionada que pude pensar em outros produtos além do qual eu tinha em mente originalmente.

E voc√™ consumidor do produto o que faz? Qual a sua atitude? Para de usar o produto? Cobra uma atitude da empresa que produz? Finge que nada disso √© com voc√™ ou sequer tem consci√™ncia que usar esse produto gera um impacto e existem outras solu√ß√Ķes?

English version.

Sustentabilidade é impossível até que as empresas admitam o custo ambiental

Fazia tempo que eu não colocava um texto traduzido aqui no blog (confesso que sou uma péssima tradutora), mas quando li esse vi que precisava compartilhar! E com a ajuda do Google Translate resolvi postar aqui. A versão original em Inglês: Sustainability is impossible until companies admit environmental cost.

 Enquanto o impacto das empresas no meio ambiente permanecer ignorado a questão de como a sociedade lida com as consequências dos danos permanecerá sem resposta

Por Joseph Zammit-Lucia

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Relat√≥rio sobre salm√£o de viveiro afirmou que “os peixes de viveiro √© o produto mais t√≥xico da Noruega.” Foto: Tatyana Makeyeva/AFP/Getty Images

De férias, recentemente, visitei a área sagrada japonesa de Kumano Kodo. Milhas de caminhadas marcam rotas de peregrinação da antiga capital de Kyoto para uma série de santuários localizados em torno da península Wakayama.

Nós estávamos andando em um alto cume e paramos para olhar e ouvir os sons da floresta Рo canto dos pássaros , uma variedade de ruídos de insetos e grandes borboletas .

Mas havia algo de estranho. O som estava vindo para nós em mono, não em estéreo. Um dos lados do cume caiu vertiginosamente. A floresta era exuberante, variada e cheia de vida animal e de insetos. Foi a partir deste lado que a cacofonia de som estava vindo. O outro lado do cume era menos íngreme e tinha sido explorada comercialmente como uma plantação de madeira: a monocultura de pinheiros. Nenhum ou muito pouco de vida além dos pinheiros -se poderia sobreviver aqui.

De acordo com algumas normas, as planta√ß√Ķes de pinheiros pode ser considerado “sustent√°vel”. Elas s√£o bem geridas, o re- plantio ocorre e o solo √© mantido em boas condi√ß√Ķes. Mas o que acontece a grande quantidade de outras formas de vida que foram expulsas e destru√≠das no processo de transformar cadeias de montanhas inteiras em florestas manejadas? Quem banca os custos disso? A gest√£o de “externalidades” – como tal dano √© um- emocionalmente marcado por economistas – tem provado ser uma das quest√Ķes mais dif√≠ceis no caminho para a sustentabilidade.

N√£o s√≥ a capacidade das empresas a fazer danos ou despejar seus res√≠duos sem impedimentos prejudicar o meio ambiente. Ela pode levar √† cria√ß√£o de produtos que podem ser prejudiciais √† sa√ļde humana. Pegue a ind√ļstria de cria√ß√£o de salm√£o noruegu√™s – e a maioria das agriculturas de salm√£o em outro lugar, muitas delas controladas por empresas norueguesas. Um relat√≥rio sobre salm√£o de viveiro pelos Guerreiros Verdes da Noruega, afirmou que “os peixes de viveiro √© o produto mais t√≥xico da Noruega.” Por qu√™?

Algumas fazendas de salm√£o despejam res√≠duos t√≥xicos em rios e oceanos . Al√©m dos danos √≥bvios e significativos, tanto para os oceanos e para a vida do oceano, a capacidade de despejar res√≠duos sem impedimentos permite que os produtores de salm√£o usem antibi√≥ticos e subst√Ęncias qu√≠micas cancer√≠genas nas fazendas, a fim de “otimizar ” o valor comercial de seu produto.

A propor√ß√£o desses produtos qu√≠micos permanecem no peixe e, como resultado, o salm√£o que comemos pode ser muito longe da limpo, saud√°vel , natural (produto que se posiciona como). At√© mesmo a colora√ß√£o t√≠pica salm√£o √© frequentemente adicionada quimicamente, o salm√£o de viveiro tem a carne cinza. A quest√£o da imposi√ß√£o de custos sobre os outros tem sido um dos mais intrat√°veis ‚Äč‚Äčno debate sobre a sustentabilidade. As tentativas para avan√ßar foram criticadas por todos os lados. As empresas t√™m resistido a assumir a totalidade dos custos de suas atividades. Mesmo quando as tecnologias alternativas que poderiam eliminar e reduzir significativamente o impacto j√° existem e s√£o acess√≠veis – como na cria√ß√£o de salm√£o – produtores se recusam a adot√°-las.

Reguladores preferem manter o status quo em vez de descarregar as responsabilidades com o ambiente e a sa√ļde humana. Por outro lado , alguns grupos ambientalistas se opuseram √†s tentativas de compensar alguns dos custos externalizados da ind√ļstria como representando uma mercantiliza√ß√£o da natureza.

A ind√ļstria n√£o pode absorver custos anteriormente externalizados da noite para o dia. √Č tamb√©m claro que continua a ignorar as consequ√™ncias, o que tamb√©m n√£o √© aceit√°vel.

Um primeiro passo seria uma exig√™ncia para todas as empresas a serem transparentes sobre as externalidades que geram em termos de finan√ßas, meio ambiente e sa√ļde. Podemos, ent√£o, iniciar uma discuss√£o aberta perguntando: se as empresas n√£o querem arcar com estes custos que elas geram, como deve a nossa sociedade lidar com eles? Enquanto esses custos permanecerem ocultos e largamente ignorado, tal discuss√£o √© imposs√≠vel.

H√° sinais de progresso. A nova exig√™ncia do Reino Unido para as empresas informarem sobre as emiss√Ķes de gases de efeito estufa a (GEE ) √© um passo bem-vindo. Mas a exig√™ncia deve ser estendida para incluir todo o tipo de impacto ambiental externalizada em toda a cadeia de abastecimento.

Algumas empresas j√° come√ßaram este processo. Puma √© provavelmente o mais conhecido por sua demonstra√ß√£o de resultados do meio ambiente. Patag√īnia √© outra empresa que leva a s√©rio as suas responsabilidades ambientais . Eles t√™m feito grandes progressos, mas ainda n√£o totalmente transparente e respons√°veis por todos os custos impostos ao meio ambiente e √† sa√ļde humana.

Estamos todos chocados quando vemos imagens de aberto de lixo nas ruas ou pilhas de res√≠duos nas cidades de muitos pa√≠ses em desenvolvimento. No entanto, a discuss√£o sobre a grande quantidade de custos externalizados pelas ind√ļstrias em todo o mundo recebe pouca aten√ß√£o.

At√© as corpora√ß√Ķes come√ßarem a ser totalmente transparente sobre os custos totais que eles imp√Ķem sobre o meio ambiente e os reguladores come√ßarem a tomar tal despejo a s√©rio, grande parte da conversa sobre a cria√ß√£o de neg√≥cios sustent√°veis ‚Äč‚Äčpermanecer√° apenas da boca para fora. Transpar√™ncia e um debate aberto sobre como, como sociedade, deve cobrir os custos externalizados est√£o ambos muito atrasadas.

O problema é só a escala…

Eu realmente gostaria de terminar o ano com um post otimista dizendo o quanto eu vejo no futuro um mundo melhor, mas n√£o, o mundo adora me contrariar e s√≥ me diz que tudo s√≥ tende a piorar‚Ķ Eu queria muito ter terminado o ano sem ter lido esse artigo do Valor Econ√īmico: Choque de escala. Nunca li tanta barbaridade atr√°s da outra numa reportagem que se dize sobre¬† sustentabilidade, num suplemento do jornal chamado ‚ÄúNeg√≥cios sustent√°veis‚ÄĚ. PARA A PORRA DO MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!!!!!!

A come√ßar para a chamada da reportagem: ‚ÄúMarina Grossi, presidente do Cebds: “As solu√ß√Ķes para os principais dilemas j√° existem, mas precisam ser difundidas e ganhar escala, com base em metas mensur√°veis, para que tenham viabilidade”‚ÄĚ. Cara Marina Grossi de quais dilemas voc√™ se refere? Eu n√£o vejo solu√ß√£o para a obssess√£o do mundo por crescimento, n√£o vejo solu√ß√£o para a sociedade consumista que estamos inseridos e nem vejo solu√ß√£o para a destrui√ß√£o em massa da biodiversidade mundial. Para mim esses s√£o dilemas essenciais que temos no mundo hoje e que n√£o vejo nenhuma solu√ß√£o que precisa ser apenas difundida e ganhar escala. Se voc√™ tem essa resposta, por favor me escreva e me conte para que eu n√£o ache que tudo continua perdido.

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Outra p√©rola da reportagem¬† veio da gerente de sustentabilidade da Unilever, Ligia Camargo: ‚Äú”Queremos dobrar de tamanho e reduzir pela metade o impacto ambiental at√© 2020″, conta . A empresa pretende contribuir para um planeta saud√°vel vendendo mais produtos, principalmente aqueles ligados a aspectos socioambientais, aumentando o faturamento anual de ‚ā¨ 40 bilh√Ķes para ‚ā¨ 80 bilh√Ķes.‚ÄĚ Planeta saud√°vel vendendo mais produtos!!!! Que planeta essas pessoas vivem? E ainda imenda ‚ÄúCom o sabonete bactericida, por exemplo, o plano √© estimular o h√°bito de lavar as m√£os, com reflexos na redu√ß√£o da mortalidade infantil e no bem-estar de 1 bilh√£o de pessoas no mundo.‚ÄĚ Pra que sabonete bactericida se as pessoas nem √°gua encanada tem??? Se apenas 57% dos domic√≠lios brasileiros est√£o ligados a redes de esgoto? J√° t√ī vendo o povo tomando banho com sabonete bactericida naqueles a√ßudes lamacentos do nordeste brasileiro e da √Āfrica no relat√≥rio de sustentabilidade da empresa. E por fim, mas n√£o menos importante, querida Unilever, se voc√™ quer de fato diminuir seu impacto, para dobrar de tamanho voc√™ tem que anular seu impacto ambiental, n√£o apenas reduz√≠-lo pela metade, de que adianta gastar 5 ao inv√©s de 10 para produzir se vco√™ t√° produzindo o dobro? Pra mim a conta continua n√£o fechando.

E o √ļltimo achado da reportagem: ‚Äú”O resultado financeiro √© uma das metas de sustentabilidade“, argumenta Soto.¬† Ele cita o economista indiano Pavan Sukhdev, autor do livro “Corpora√ß√£o 2020”, no qual tra√ßa as condi√ß√Ķes para o desenvolvimento de empresas mais respons√°veis e destaca a import√Ęncia da viabilidade econ√īmica.¬† “N√£o podemos esperar at√© 2050 ou 2100 para fazer mudan√ßas no desempenho ambiental; as transforma√ß√Ķes devem ocorrer na pr√≥xima d√©cada se quisermos manter a esperan√ßa de construir uma economia sustent√°vel”.‚ÄĚ Eu n√£o li o livro Corpora√ß√£o 2020, apenas vi a promo√ß√£o do livro no site Planeta Sustent√°vel, mas pelo que eu pude entender o que t√° em jogo nesse trecho da reportagem √© a sustentabilidade financeira das empresas, a economia sempre em primeiro lugar, se tiver ganho ambiental, social e o que for, legal, mas n√£o √© o primeiro objetivo, nunca.

Ontem li essa entrevista ‚ÄėO capitalismo sustent√°vel √© uma contradi√ß√£o em seus termos‚Äô diz Eduardo Viveiros de Castro e com a reportagem de hoje s√≥ comprovei, mais uma vez, que a sustentabilidade √© mesmo coisa de hippie, por que quem manda no dinheiro, quem compra, quem consome e vende t√° pouco preocupado com o futuro do seres humanos, ningu√©m t√° muito interessado em mudar seu estilo de vida para ter um planeta mais habit√°vel. Ent√£o por favor, vamos parar de nos enganar, empresas digam logo: N√≥s queremos lucros estratosf√©ricos nem que isso comprometa a exist√™ncia dos seres humanos no longo prazo e seres humanos assumam: Num t√ī nem ai para o resto do mundo e para as futuras gera√ß√Ķes, quero consumir muito e sempre mais.

Que venha 2014.

Coletivo Floresta‚ÄďA√ßa√≠ na Amaz√īnia

Terça-feira participei de um bate-papo com os responsáveis da Coca-cola sobre o Del Valle Reserva Açaí+Banana, que vem apresentar o novo coletivo da empresa, o Coletivo Floresta.

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Reuni√£o entre representantes do Coletivo Floresta e representantes de comunidades locais

As primeiras unidades do Coletivo Floresta est√£o instaladas nos munic√≠pios de Manacapuru e Carauari, no estado do Amazonas, onde se localizam agroind√ļstrias credenciadas pela Coca-Cola Brasil. A ideia do coletivo √© ser uma parceria entre a empresa e o estado que por meio de um termo de coopera√ß√£o, buscam um relacionamento com as comunidades extratoras, com o objetivo de preservar a cultura e o meio ambiente, e contribuir para seu desenvolvimento sustent√°vel.

Pelo que eu pude entender a Coca-cola est√° tentando criar um novo jeito de fazer neg√≥cios. Ao inv√©s de ir para o Par√° e comprar a√ßa√≠ de comunidades j√° certificadas ela buscou ajudar na profissionaliza√ß√£o das comunidades da Amaz√īnia que ainda n√£o chegaram nesse patamar de organiza√ß√£o como fornecedoras de insumos da floresta. Pelo que eles contaram as comunidades que eles est√£o trabalhando eram comunidades ribeirinhas que n√£o tinham necessariamente a cultura de vender o a√ßa√≠, a maioria das pessoas que hoje fazem parte desse coletivo tinham o a√ßa√≠ como a √°rvore do quintal, sabe? S√≥ coletavam para consumo pr√≥prio. E agora eles est√£o encarando a √°rvore do quintal como forma de renda.

Achei a iniciativa muito boa, afinal n√£o foi apenas um novo produto no portfolio da DelValle, foi al√©m disso, √© um novo modelo de neg√≥cios que incentiva o empreendedorismo das comunidades da Amaz√īnia.

Mas como eu j√° falei aqui uma vez, eu n√£o fico feliz com o ‚Äúproduto eco‚ÄĚ onde todos os outros produtos da empresa n√£o tem nada de eco, verde, sustent√°vel ou respons√°vel e logicamente perguntei quais os planos para as outras linhas de produtos da marca. Eu achei que essa seria s√≥ mais uma pergunta ret√≥rica com a resposta cl√°ssica, ‚Äúpor enquanto n√£o temos planos de ampliar essas pr√°ticas para as outras linhas‚ÄĚ, mas eles cogitam a ideia de fazer o mesmo com outras linhas dos sucos DelValle sim, inclusive o respons√°vel pela √°rea de neg√≥cios sociais, Pedro Massa, que fez a apresenta√ß√£o, falou que j√° andou visitando alguns produtores de manga, tomara que daqui algum tempo a gente tenha n√£o s√≥ o Coletivo Floresta de a√ßa√≠ na Amaz√īnia, mas tamb√©m o de manga, abacaxi, ma√ß√£ por todo o Brasil.

Sobre o produto: experimentei o néctar e gostei, mas confesso que não sou muito fã de açaí, acho o sabor muito forte, pra mim é uma bebida pra tomar só de vez em quando.

Cart√£o verde da Coreia do Sul

Durante a Rio+20 um dos stands dos países no Parque dos Atletas que eu mais visitava era o da Coreia do Sul, por ser fã da revolução educacional que eles fizeram eu fiquei super interessada em conhecer mais sobre o que eles pensam sobre meio ambiente.

Entre os amigos volunt√°rios conheci o Andr√© que fez um semestre l√° na Coreia durante a gradua√ß√£o e o que ele contou sobre o pa√≠s no quesito ambiental n√£o √© das coisas mais empolgantes ūüôĀ Assim como qualquer outro lugar do mundo (com rar√≠ssimas exce√ß√Ķes) meio ambiente n√£o √© a prioridade deles e nem sempre as decis√Ķes levam a melhor solu√ß√£o ambiental em conta (coisas da democracia?).

De tanto ir no stand eu ganhei um pen drive com v√°rios documentos e v√≠deos e um dos v√≠deos que eu vi me deixaram meio “assustada” seguem:

Por que eu fiquei assustada? Ele √© um pouco complicado por que n√£o tem legenda, mas n√£o d√° uma sensa√ß√£o de consuma a vontade, desde que seja com selo verde tudo bem. Economia verde √© consumir produtos verdes e s√≥? Nem passa perto da redu√ß√£o de consumo ou repensar h√°bitos? Me decepcionei um pouco com isso, mas…

Ai ontem lendo a P√°gina 22¬†vi a entrevista do presidente do¬†Instituto de Tecnologia e Ind√ļstria Ambiental da Coreia do Sul (Keiti, na sigla em ingl√™s) falando do cart√£o verde do pa√≠s.

E aí os videos abaixo fizeram mais sentido.

Um mascote fofo (que eu ganhei de pel√ļcia) pedindo para as pessoas economizarem √°gua e energia.

Será que um cartão desses cria consciência nas pessoas? Pensando na forma de consumir talvez faça as pessoas escolherem melhor o que consomem e como consomem, mas será que isso evolui para consumir menos, que na minha opinião é o mais importante de fato? Alguém conhece algum coreano (a)?

Rio+20‚ÄďComida, Consumo e Comportamento

Portugese

De todos os posts que eu me propus a escrever esse me pareceu o mais fácil de começar, vamos lá.

Um dos pontos que ouvi muita reclama√ß√£o foram as pra√ßas de alimenta√ß√£o, todas com pre√ßo altos e com poucas op√ß√Ķes verdadeiramente sustent√°veis ou saud√°veis, mas l√° no Rio Centro o pessoal tinha uma op√ß√£o a mais, uma pequena loja do supermercado P√£o de A√ß√ļcar, com op√ß√Ķes a um pre√ßo como os das lojas fora do evento e com produtos locais, naturais ou org√Ęnicos e brasileiros. Senti inveja de quem estava no Riocentro por eles terem essa op√ß√£o, achei a sacada dessa loja sensacional, tentei encontrar alguma coisa na internet que falasse mais disso, mas n√£o vi nada (olha s√≥ como eles est√£o perdendo a oportunidade‚Ķ). Antes que falem que o P√£o de A√ß√ļcar √© um supermercado caro eu quero dizer que dentro das op√ß√Ķes dadas na pra√ßa de alimenta√ß√£o do Rio Centro essa era a mais coerente com o evento, afinal esse era um evento sobre desenvolvimento sustent√°vel e n√£o vender somente fast food e comidas de puro carboidratos j√° √© um bom come√ßo. Infelizmente n√£o tirei fotos, mas pelo que ouvi dizer, foi um sucesso.

Em alguns momentos essa confer√™ncia n√£o se diferencia em nada de outras que eu j√° foi por ai, tem um monte de stands e um monte de gente e n√£o pude deixar de reparar em como o lixo foi tratado (pelo menos no parque dos atletas). Na maioria dos locais voc√™ via 2 tipo de lixeira, uma azul para materiais recicl√°veis e uma cinza para materiais n√£o recicl√°veis e as vezes uma laranja para pilhas e baterias. Bem f√°cil, nao? √Č a separa√ß√£o que eu fa√ßo aqui em casa, mas quem disse que as pessoas sabem ou se preocupam com em jogar o lixo certo no lugar certo? Como j√° disse, as pessoas precisam mudar a rela√ß√£o delas com o lixo para ai sim vermos a coleta ser efetiva por aqui.

Lixeiras - rio+20
Lixeira cinza de materiais não recicláveis e lixeira azul para materiais recicláveis. Reparem que até a cor do saco de lixo é diferente.

Lixo - Rio+20
Material dentro da lixeira de materiais n√£o recicl√°veis

lixo rio+20
Material dentro da lixeira de materiais recicl√°veis

Uma coisa que me deixou chocada foi o desespero das pessoas por brindes! Impressionante! Cheguei a ter momentos de vergonha alheia ao ver os brasileiros esfomeados por pen-drives, ecobags, mudas de plantas, bibel√īs e coisas afins, como queremos um mundo com menos consumismo se as pessoas querem qualquer quinquilharia desde que seja de gra√ßa (ou talvez s√≥ por ser barato demais)?

Vi gente reclamando do excesso de papel do evento, mas enquanto reclamava disso estava carregando sacolas e sacolas cheia deles… Bom, se papel realmente te encomoda recuse-os, mas eu ouvi: ah, mas eu queria a informação e não tinha de outro jeito, bom, é fácil colocar a culpa nos outros, né? Eu numa situação dessas recusaria o papel e ainda diria para a pessoa por que estava recusando ou simplesmente pegaria e não reclamaria depois, acredito que a gente sempre tem escolha e até não escolher é uma delas.

A d√ļvida

sacrificio

Foto: cortesia Andrea Corsi

Esses dias estou a pensar se as poucas coisas que eu acho que fa√ßo a favor do meio-ambiente, como consumir menos, por exemplo, realmente faz alguma diferen√ßa. De verdade a √ļnica diferen√ßa que eu tenho sentido √© a minha insatisfa√ß√£o e sensa√ß√£o de impot√™ncia.

Por exemplo, eu n√£o troco meu telefone celular faz 3 anos, ao longo de 7 anos, tive tr√™s aparelhos, 1 est√° engavetado, meio capenga, mas ainda funcionando, o outro em uso com meu irm√£o e o atual comigo. Pois bem, at√© penso em trocar de aparelho, mas eu fico com peso na consci√™ncia pois estou substituindo um item que ainda est√° em funcionamento, e me pergunto se realmente √© necess√°rio. S√≥ que ao me redor parece que eu sou a √ļnica pessoa que pensa alguma vez antes de trocar seu aparelho celular‚Ķ As pessoas simplesmente trocam seus aparelhos, por que apareceu um modelo novo mais legal, por que a bateria acabou, por que o atual aparelho t√° velho ou por que deu vontade‚Ķ

Outra coisa, comida‚Ķ S√≥ eu me privo de comer salm√£o, ca√ß√£o, frango, aquele sorvete Melona, o H√§agen-Dazs e outras tantas coisinhas porque considero a pegada de carbono, ou a biodiversidade, ou o m√≠nimo de respeito aos animais, nao vejo ningu√©m por ai dizendo que n√£o come camar√£o por princ√≠pios, ali√°s a √ļnica coisa que eu j√° ouvi algu√©m dizendo √© que n√£o come √© foie gras, que convenhamos, n√£o acho que fa√ßa parte do prato cotidiano de muitos brasileiros.

Me pergunto: toda essa chatice minha serve pra qu√™? Para fazer parte do clube das pessoas que se sacrificam em prol de um mundo melhor e n√£o ganham nada com isso? De verdade eu n√£o vou dormir mais feliz por causa disso, nem me sinto uma pessoa que faz alguma diferen√ßa no mundo. √Č, talvez tudo isso seja uma grande bobagem mesmo e eu t√ī me sacrificando √† toa.

Empresas, vocês REALMENTE sabem o que quer dizer sustentabilidade?

planeta terra 

Perdemos o Banco Real. N√£o sei se os clientes do banco realmente lamentam por isso, mas pra quem conhecia o case Real de sustentabilidade talvez seja alguma perda.

O Santander, comprador do Banco Real, provavelmente vai dizer que todas as pr√°ticas do Real de sustentabilidade foram mantidas e blablabla, mas qualquer um que conhecia das pr√°ticas do Real sabe que isso pode n√£o ser bem verdade.

Vou usar um exemplo bem emblem√°tico. F√≥rmula 1. O que a F√≥rmula 1 tem a ver com a sustentabilidade? Um esporte que transporta toneladas de equipamentos ao redor do mundo durante uns 8 meses do ano, que causa a maior polui√ß√£o sonora, que queima combust√≠vel f√≥ssil para ver quem chega mais r√°pido, que deve gerar uma quantidade louca de res√≠duos (algu√©m faz ideia com o que acontece com todos aqueles pneus usados nas corridas e treinos?)… Sustent√°vel, hein? Nada contra F√≥rmula 1, nada mesmo, at√© costumo acompanhar pela tv de vez em quando, mas dizer que √© um esporte sustent√°vel √© for√ßar bem a barra. N√£o que o Santander tenha dito isso, mas um banco que preza por a√ß√Ķes que se preocupam com o futuro do planeta n√£o tem nada a ver com o patroc√≠nio de um esporte como esse… Ainda se fosse uma competi√ß√£o de vela…

Outra coisa que tem causado minha indigna√ß√£o… Empresas que fazem a√ß√Ķes relacionadas a sustentabilidade e insistem no papo a√ß√£o individual, economia de energia, reciclagem… At√© quando as empresas v√£o ficar repetindo esse mantra?? A√ß√£o individual pode ajudar alguma coisa mas n√£o vai NUNCA resolver o problema, economizar energia e reciclar n√£o s√£o o suficiente para conseguirmos melhorar a nossa situa√ß√£o no planeta. Quem DE FATO precisa mudar s√£o as empresas e n√£o apenas numa linha de produtos, mas em todo seu modo de produ√ß√£o e opera√ß√£o, por que ser√° que √© t√£o dif√≠cil de entender isso? Ok, ok, n√£o √© f√°cil, n√£o √© barato ser sustent√°vel, nem tenho certeza se isso √© l√° muito poss√≠vel, mas n√£o me vem tentar tapar o sol com a peneira. Propagandear sustentabilidade n√£o √© sustentabilidade, nem aqui nem na China, onde acho que come√ßam a se preocupar como tema…

Outra coisa também são os sites corporativos… Todos, TODOS (principalmente os relacionados com atividades industriais) tem em algum lugar de seus sites alguma coisa relacionada a sustentabilidade. Pode não dizer nada de concreto, mas tá aí no site que a minha empresa tem, tá? Seja lá o que de fato isso for.

Eu não gosto de ser assim rabugenta, não gosto mesmo, mas irrita ver todo mundo falando que está preocupado com o futuro do Planeta, mas de concreto mesmo só discurso, economia de energia e reciclagem, gente, vamos passar dessa fase, por favor? Quando vamos entender que a redução da população mundial e do consumo é que vão de fato fazer a diferença pra conseguirmos continuar com a espécie humana por aqui por mais algum tempo?

Imagem: http://www.flickr.com/photos/projectarchive/1232148672/

Perguntas que eu n√£o sei a resposta

Ser ambientamente correto, respons√°vel e sustent√°vel n√£o √© das tarefas mais f√°ceis que existe, sempre existir√° uma d√ļvida, uma incerteza e nenhuma prova de que a op√ß√£o que voc√™ escolher √© de fato a melhor. Na maioria das vezes voc√™ tem apenas o bom-senso.

Eis algumas perguntas que eu não sei a resposta e espero que alguém me ajude a respondê-las. Talvez até faça um post de cada uma delas para tentar encontrar a melhor solução. Em itálico coloquei minhas respostas rápidas baseadas em bom-senso, mas não tenho nada que as comprove como de fato uma melhor opção.

  • Qual a melhor op√ß√£o produtos org√Ęnicos de longe ou produtos normais de perto? Normais pr√≥ximos √† minha casa, baixa pegada de carbono, apesar do impacto que os agrot√≥xicos possam ter no ambiente e na minha sa√ļde.
  • Len√ßos/ guardanapos de papel ou de pano? Esse texto tenta ajudar na resposta, mas n√£o me convenceu muito (em ingl√™s). Como na conclus√£o do texto tamb√©m acho que depende, mas em restaurante por exemplo sempre prefiro (quando tenho op√ß√£o) guardanapos de pano.
  • Carros el√©tricos s√£o realmente a melhor op√ß√£o quando a matriz energ√©tica √© suja (petr√≥leo, carv√£o)? Eu ACHO que n√£o, mas √© apenas achismo.
  • X√≠caras de porcelana/cer√Ęmica s√£o realmente a melhor op√ß√£o quando se recicla os copinhos de pl√°stico? Porcela/cer√Ęmica n√£o se recicla e tamb√©m s√£o materiais n√£o renov√°veis. Essa pergunta eu n√£o fa√ßo id√©ia da melhor op√ß√£o, ainda mais com o condicionante de se reciclar os copinhos pl√°sticos.
  • A √°gua gasta para lavar canecas compensa o uso delas? N√£o sei mesmo! Materiais novos x √°gua √© sempre uma d√ļvida cruel pra mim…
  • Compensa trocar produtos velhos (geladeira, ar condicionado, carro) com baixa efici√™ncia energ√©tica por novos e que gastem menos energia? A princ√≠pio sim para diminuir o consumo de energia, mas e o lixo gerado com os produtos velhos? Quem cuida?
  • Usar papel higi√™nico ou ducha na hora de usar o banheiro? Essa d√ļvida se responde com outra pergunta: O que √© mais barato tratar √°gua ou fazer papel? Bom, papel gera lixo, mas tamb√©m pode virar energia ou humus... (colabora√ß√£o do amigo Igor Santos).

Provavelmente deve ter mais 1001 d√ļvidas que passam pela minha cabe√ßa, mas no momento s√£o essas que me lembro. A Tatiana Nahas, do Ci√™ncia na M√≠dia tamb√©m levantou quest√Ķes sem respostas bem interessantes no post o lixo, o consumo e a matem√°tica.