Ambientalistas e pesquisadores fazem Caminhada Histórica no Horto, em Sampa

Plantio de muda de ipê-amarelo

Quem esteve no Parque Estadual Alberto Löfgren no último sábado (22) pôde participar da terceira edição da Caminhada Histórica. Localizado na zona norte da cidade de São Paulo, o Parque é conhecido pela população como Horto Florestal. O evento é organizado por voluntários. O objetivo é aproximar os visitantes das áreas naturais protegidas e de maneira lúdica compartilhar informações científicas e históricas.

Roda de conversa

Um roteiro com ensinamentos e trocas sobre história, ciência e cultura

Ao longo da caminhada, foi abordada a importância de figuras como o naturalista sueco Alberto Löfgren, que dá nome ao Parque e foi um pioneiro do ambientalismo no Brasil desde o século XIX. Löfgren foi idealizador da primeira Festa da Árvore no país, realizada na cidade de Araras/SP em 1902.

Durante o trajeto, foi mostrado o papel do folclore e da religião na conservação ambiental, a exemplo das imagens do Curupira e de São João Gualberto, presentes no Horto. Ambos são considerados guardiões da Floresta. O primeiro por uma Lei Federal de 1970. O segundo por proclamação do Papa, em 1951.

Os participantes da atividade visitaram edifícios históricos com arquiteturas marcantes, como o antigo Palácio de Verão do Governador, a sede do Instituto Florestal e o Museu Florestal Octávio Vecchi, construídos entre as décadas de 1930 e 1940. Também visitaram o arboreto de pinheiros-do-brejo (Taxodium distichum) de mais de cem anos, que proporcionam beleza cênica ímpar e foram plantados pelo próprio Löfgren.

Plantio de ipê-amarelo

O botânico Osny Tadeu de Aguiar, pesquisador científico do Instituto Florestal, deu uma aula de educação ambiental: forneceu informações sobre as diferentes espécies de árvore presentes no Parque de maneira lúdica. Um dos momentos mais interativos da Caminhada foi o plantio de uma muda de ipê-amarelo (Handroanthus Albus), árvore símbolo do Brasil.

Por falar em interatividade, Osny tirou dúvidas de internautas que acompanharam a transmissão ao vivo realizada pela página de Facebook do Museu Florestal e enviaram perguntas. Os usuários do Parque buscam esclarecimentos principalmente sobre podas de árvores.

A Caminhada Histórica foi totalmente gratuita. Quem chegava no meio, era convidado a integrar o grupo. Quem estivesse cansado podia parar. Mas quase ninguém parou. Desde as crianças até os mais experientes aguentaram bem o roteiro que se estendeu desde às 9 horas da manhã até depois do meio-dia. No momento em que o grupo estava maior, contava-se cerca de 70 pessoas. Vale um destaque para o grupo de escoteiros Kaigang, bastante participativo. Quem ficou até o final pôde acompanhar uma rápida atividade de contação de histórias para as crianças sobre o Alberto Löfgren com direito a música.

As pessoas se apropriando das áreas protegidas

Palácio de Verão

A iniciativa é fruto de trabalho conjunto entre pesquisadores, ambientalistas e amigos. O evento teve também o apoio de monitores do Parque. Independentemente de alguns pertencerem a instituições públicas e outros serem de fora, espera-se que a Caminhada repercuta nos participantes fomentando um sentimento de apropriação e pertencimento em relação ao Horto e às áreas protegidas.

Felipe Zanusso, do Movimento Conservatio, e Natália Almeida, responsável pelo Museu Florestal, parceiros neste blog e idealizadores do evento, promoveram a primeira caminhada em fevereiro deste ano, em comemoração aos 122 anos do Parque. A segunda teve como tema “Um dia no Parque”. Ocorreu no dia 22 de julho, em parceria com o coletivo “E você tem fome de quê?” O mês de setembro trouxe vários motivos para esta terceira edição: o centenário da morte de Alberto Löfgren (11), o Dia do Curupira (11), o Dia da Árvore (21), o início da Primavera (22), entre outros.

Pinheiros-do-brejo ao fundo

E você? Tem alguma área natural protegida próxima a sua casa ou no seu município? Vá conhecê-la que ela é tua. É de todos. E precisa do nosso cuidado.

 

Graduado em Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Especializou-se em Jornalismo Científico pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade de Campinas (Unicamp) e atualmente cursa mestrado em Divulgação Científica e Cultural também pelo Labjor.

8 Comentários

  1. Gostaria de saber a real localização da estátua do Curupira. Onde inicialmente se localizava há 40 anos não mais esta. Quem puder iniciar uma busca em localizar referido monumento, ficamos agradecios em nome de nosso folclore!

    • Olá Renato. Atualmente o Curupira está no Museu Florestal. Ele passou por alguns perrengues, foi tirado de seu local original, quase foi pro lixo, mas um funcionário do Museu resgatou a estátua e hoje ela está no Museu. Contamos essa história nas Caminhadas Históricas, que estão acontecendo a cada dois meses. Fique ligado que a próxima acontece em agosto.

    • Olá Renato. Atualmente o Curupira está no Museu Florestal. Ele passou por alguns perrengues, foi tirado de seu local original, quase foi pro lixo, mas um funcionário do Museu resgatou a estátua e hoje ela está no Museu. Contamos essa história nas Caminhadas Históricas, que estão acontecendo a cada dois meses. Fique ligado que a próxima acontece em agosto.

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