Polêmica Fúngica

Grupo de pesquisas da Holanda publicou recentemente artigo na revista The Lancet Infectious Diseases, questionando veementemente o uso de fungicidas agrícolas, uma vez que obtiveram fortes evidências que o uso destes promove resistência no fungo Aspergillus fumigatus, altamente patogênico para humanos. Os pesquisadores argumentam que tais fatos teriam conseqüências mundiais, segundo Paul Verweij, coordenador do estudo.

Porém, foram questionados por Herbert Hof, diretor do Instituto de Microbiologia Médica da Universidade de Heidelberg (Alemanha), que diz que os autores buscam ganhar espaço na mídia. Por outro lado, os resultados obtidos pelos holandeses foram apoiados por David Denning, professor da Universidade de Manchester e diretor do Centro Nacional de Aspergilose do Reino Unido.

Infecção pelo fungo A. fumigatus pode até mesmo levar à morte pacientes imunodeprimidos. Como o próprio nome do fungo atesta, o gênero Aspergillus apresenta uma grande disseminação pelo ar, o que torna fácil a inalação de seus esporos. Várias linhagens de Aspergillus são resistentes a alguns dos mais potentes antifúngicos conhecidos, como os “azóis”, uma classe de antifúngicos utilizado em agricultura. Os pesquisadores holandeses detectaram mutações genéticas em A. fumigatus isolado de ambientes hospitalares, o que pode indicar que pacientes destes hospitais podem estar infectados com A. fumigatus resistentes aos azóis. Tais antifúngicos são utilizados principalmente na Europa (muito menos nos EUA).

O risco do uso dos azóis têm sido debatido há vários anos. Em 2002, uma comissão da Comunidade Européia minimizou o fato. Esta notícia (desta postagem) foi publicada na revista Science, que diz ter recebido uma mensagem por email de Herbert Hof, afirmando que o surgimento de resistência em fungos é balela, pois estes não apresentam ativação de genes de resistência. Por fim, as companhias produtoras de antifúngicos dizem que não existe ligação entre o uso de azóis na agricultura e a infecção de pessoas por A. fumigatus resistente aos antibióticos.

E aí? Quem está com a razão?
Veja o artigo de Martin Enserink, “Farm Fungicides Linked to Resistance in a Human Pathogen”, Science, 2009, volume 326, p. 1173.

Discussão - 3 comentários

  1. Joey Salgado disse:

    Há alguma razão conhecida para a atividade fungicida estar relacionada com a presença de uma anel imidazólico ou triazólico nesses compostos?
    Seu blog é sensacional, aliás!
    Inté!

  2. Roberto disse:

    Caro Joey,
    Procurei na web rapidinho, e encontrei a seguinte referência que pode esclarecer o porque dos anéis nitrogenados serem necessários para a ação destes antifúngicos: Mahmoud A. Ghannoum and Louis B. Rice, Antifungal Agents: Mode of Action, Mechanisms of Resistance, and Correlation of These Mechanisms with Bacterial Resistance, Clinical Microbiology Reviews, October 1999, p. 501-517, Vol. 12, No. 4 (veja no endereço http://cmr.asm.org/cgi/content/full/12/4/501). Mas o nome “azóis” está relacionado ao grupo “azo”, que se refere a nitrogênio (em francês, nitrogênio é “azote”).
    abraço,
    Roberto

  3. Joey Salgado disse:

    Olá Roberto,
    Obrigado pela referência, muito boa!
    Inté!

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