Cientista é quem pega tubarão na unha!

Nada como a segura e acolhedora rotina de trabalho.

Veja estes cientistas, por exemplo. Acordam, tomam caf√©, e saem de casa com suas maletas, pegam um barquinho e v√£o PESCAR TUBAR√ēES BRANCOS!!!

E n√£o bastasse isso, eles ainda ficam 15 minutos com o bich√£o l√°, cutucando e espetando pra coletar os dados.

Ent√£o vamos agora para o passo a passo de como estudar tubar√Ķes brancos NA UNHA!

1- Pesque um tubarão com anzóis sem espículas pra não machucar o animal. (puxe com força)

 

2- Pule no ring aquático para guiar e manobrar o tubarão. (essa é a parte que o Chuck Norris mais gosta)

JERONIMOOO
JERONIMOOO
Repare que o cabra que está dando um jab no tubarão já tá com um braço enfaixado. Não quero nem perguntar o que aconteceu ali
Repare que o cabra que está dando um jab no tubarão já tá com um braço enfaixado. Não quero nem perguntar o que aconteceu ali

 

3- Bombear √°gua pelas branqueas e cobrir os olhos para acalmar o tubar√£o; cobrir a boca dele para acalmar o cientista!

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4- Testes, testes, testes – coletar sangue, ultra-som, colocar um gps, aceler√īmetro,… s√£o 12 testes em 15 minutos.

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Pit-stop de tubar√£o: vai, vai, vaaai!

5- Opa, cuidado com o pézinho!

Só nos paranauê
Só nos paranauê

6- Batizar o bichinho e solt√°-lo para a liberdade.

"E seu nome é... Fofinha! Vai Fofinha!"
“E seu nome √©… Fofinha! Vai Fofinha!”

Apesar do estresse o tubar√£o se recupera totalmente em 2 horas. J√° os pesquisadores v√£o levar essa adrenalina para a vida inteira.

 

Vi na WIRED –¬†Spending 15 Minutes With a Great White Shark on a Boat Deck

 

 

PS:

Essa história me lembra um quadrinho do excelente XKCD:

outreach

 

A “b√≠blia” da neuroci√™ncia – use com modera√ß√£o

kandel livro.JPGNa minha saga em come√ßar a estudar neuroci√™ncias (que ser√° documentada neste blog – este j√° √© o segundo post) eu optei por come√ßar lendo o “Princ√≠pios de Neuroci√™ncias” do Kandel, como j√° havia dito antes.

E este é o primeiro livro-texto que leio desde o começo. Sim, livros-texto são aqueles gigantes usados como as bíblias duma disciplina de faculdade. Geralmente o professor da tal matéria só indica os capitulos que lhe interessam e que o tempo do curso permite desenvolver.

Mas começar a ler desde o começo é muito interessante. Os 2 primeiros capítulos do Kandel são muito legais, além de informativos, contando a história da neurociência. Não como um livro de história, mas uma história escrita por um cientista. A diferença é que vai se construindo uma história baseada nos trabalhos e desenvolvimentos da pesquisa, assim eu fui me sentindo mais embasado e preparado para conversar com quem trabalha na área.

Ramon y Cajal, Golgi, Wernicke, Broca, Gazzaniga, s√£o nomes que eu sempre ouvia mas n√£o tinha entendido at√© ent√£o sua posi√ß√£o e import√Ęncia dentro dessa hist√≥ria toda da decifra√ß√£o do c√©rebro. Acompanhar seu erros e acertos faz com que v√°rias id√©ias surjam e muitas outras morram no leitor – morte esta que √© muito importante, j√° que algumas id√©ias que n√≥s temos e nos fazem achar muito inteligentes por isso, acabam nos deixando com cara de idiotas quando percebemos que a dois s√©culos atr√°s algu√©m j√° pensou, testou, e refutou ou confirmou tudo que voc√™ tinha cogitado. Assim n√≥s podemos nos localizar melhor na linha do tempo de desenvolvimento desta √°rea, sem ter que reinventar a roda.

No ombro de gigantes eu me apoiei… escorreguei e ca√≠.

O problema dos livros-texto é o mesmo de todo gigante: geralmente são lerdos.
Esta edi√ß√£o que eu estou lendo √© de 2000, quando o Projeto Genoma Humano estava para ser terminado, pelo menos o rascunho dele. No livro ele fala que “os mais de 80 mil genes da c√©lula humana…” e isto esta errado!

Pelo menos em parte. Antes do sequenciamento do genoma humano, achava-se que em média um gene corresponde a uma proteína. Como temos muitas proteínas devemos ter também muitos genes, mais ou menos uns 100mil. Qual não foi a surpresa quando descobriram que há menos de 30mil genes! Foi um tapa na cara da comunidade científica, e isso mostra que o genoma é mais complexo do que se esperava, porque poucos genes conseguem fazer muito mais proteínas.

E foi um tapa na minha cara também. Afinal, o livro de 2000 já está muito ultrapassado!
Mas afinal, que livro consegue acompanhar o desenvolvimento das coisas? Por defini√ß√£o um livro √© “obsoleto” assim que nasce. Por isso j√° percebi que nas quest√Ķes mais pol√™micas e de √°reas mais din√Ęmicas, como a biologia molecular, vou ter que dar umas olhadas nos trabalhos cient√≠ficos recentes, principalmente nas famosas revis√Ķes, que s√£o artigos que compilam o que h√° de mais novo em um determinado assunto.

E √© isso mesmo, porque no fim das contas n√£o podemos p√īr a culpa no livro ultrapassado, quando o respons√°vel pelo seu conhecimento √© exclusivamente VOC√ä mesmo!

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Olha aí o Kandel com aquela cara de quem tem um Prêmio Nobel no bolso.

E a neuro-saga continua, o próximo tema será: como entender seu cérebro pelos erros.

Quer estudar neuro? Pergunte como

brain_by_podajmidlon.jpgVeja, o título deste post é uma pergunta, por isso você não encontra-rá a resposta definitiva aqui.
Segue email que mandei para meu amigos “neur√≥ticos”, anunciando minha inten√ß√£o de come√ßar seriamente a estudar neuro. Este √© um antigo sonho e agora acho que est√° na hora de come√ßar.
Mas começar por onde? A área é gigante. Bom, este era outro motivo para mandar o email. Veja abaixo e opine.

Este email é um pedido de ajuda. Por isso fique a vontade para não responder caso não tenha tempo. Mas qualquer dica será de grande valia.
√Č chegada a hora de me aventurar muito seriamente no estudo das neuroci√™ncias (meu antigo sonho).
Ainda não vou trabalhar com isto, quero apenas começar a estudar a área.
Por isso gostaria de pedir uma ajuda na sistematização deste embasamento.
Por onde começar é a grande questão. Separar as áreas já não é fácil. O que temos?
Neuroanatomia
Neurofisiologia
Bio mol aplicada na √°rea
Neuropsicologia
Comportamento animal
…?
Tendo as áreas, por onde começar?
Tenho muito interesse em tomada de decisão e também na modulação molecular do comportamento. Como proceder para embasar melhor estes dois objetivos ao final? Alguma dessas áreas pode ser ignorada?
Livros-texto do tipo compêndio para me guiar: vale a pena ou melhor buscar livros mais específiocs e aplicados?
P. Ex.: Cem Bilh√Ķes de Neur√īnios, do Lent, √© bom? N√£o √© muito basic√£o? H√° outros melhores?
O Kandel é o melhor mesmo?
Leituras adicionais (para reforçar cada área específica):
Dentro de cada √°rea h√° livros interessantes, como por exemplo “Por que Zebras n√£o Tem √ölcera”, do Sapolsky, “Erro de Descartes”, “Tabula Rasa”, do Steven Pinker, os do Oliver Sacks… E quando estiver estudando cada √°rea devo ler quais livros?
Bom, era isso. Desculpe o brainstorm de perguntas (literalmente “brain-” ), mas a sua ajuda ser√° muito importante para esta minha nova e determinante fase de aprendizagem.
Muito obrigado

The_Brain_by_soliton.jpgClaro que isto também foi um tipo de estudo ou sondagem, coisas que a minha cabeça de cientista não deixa de fazer, para saber quem responderia, o que responderiam, que livros indicariam, e lincar isto com a personalidade e área de estudo de cada um que respondesse.
Tenho muita sorte de ter amigos inteligentes, informados, solícitos, enfim, fantásticos. Muitas foram as respostas e ajudaram muito.
Tudo que eu quero é otimizar o meu tempo para o estudo, que será autodidático, por isso a preocupação de como organizar tudo na ordem que pareça mais lógica PARA MIM. Mas cada um entra com a sua dica pessoal, claro.
Os amigos que trabalham com comportamento de macacos mandaram material de etologia e neuro em primatas, a psiquiatra indicou as áreas médicas ou clínicas, psicólogo indicando psicologia cognitiva e estatística, e por aí vai. Sempre se puxa a brasa para a própria sardinha.
E ainda bem, afinal isso significa que o pessoal estuda o que gosta e se anima em chamar os outros para a própria área (ou estão usando a tática da piscina gelada: quem tá dentro diz que está uma delícia, só pra fazer quem tá fora pular e se ferrar).
Mas apesar da diversidade algumas coisas apareceram bastante:
Cada um tem um jeito de estudar, e eu preferi começar do micro pro macro, da molecular e fisiologia e ir subindo para a cognição e comportamento, mas o caminho inverso é uma opção muito válida.
O livro “Princ√≠pios de Neuroci√™ncia”, do Kandel parece ser a b√≠blia mesmo. Mais fisiol√≥gico, mas a base √© essa mesmo. Partindo da√≠ a coisa vai variar dependendo do interesse pessoal. Para estudar mais como pensamos, aprendemos e nos comportamos, o “Neurosci√™ncia Cognitiva” do Gazzaniga parece interessante. Por isso neste momento decidi por come√ßar por eles (eu vou ler as vers√Ķes em ingl√™s por serem mais atuais eeu ter conseguido os arquivos pdf, mas os links eu achei melhor p√īr os em portug√™s). E n√£o vai ser f√°cil, porque s√£o dois gigantes, pelo conte√ļdo e pelo tamanho.
Por isso a partir de agora o blog pode passar por um processo de NEURIZAÇÃO dos temas, além de uma diminuição no ritmo de postagem. Fazer o que, eu não sou como muitos gênios e bots que consegue fazer tudo ao mesmo tempo.

Pombas de mochila

pomba mochila gps.JPGVejam se n√£o √© a coisa mais f√īfa! Ou pelo menos o mais pr√≥ximo de f√īfo que um bicho nojento como uma pomba pode ser.
Uma pomba de mochila e fazendo pose!

Mas pra que raios pesquisadores puseram mochilas em pombas? √Č que as mochilas levam um aparelinho de GPS, e assim eles podem rastrear a din√Ęmica das pombas enquanto elas voam em bandos.

Isso tudo pra responder perguntas intrigantes (mesmo que pra gente pare√ßam in√ļteis): porqu√™ um bando de pombos muda de dire√ß√£o de repente? E porqu√™ ele de repente p√°ra e pousa ao mesmo tempo no mesmo lugar? Ou mesmo sem motivo aparente ele levanta v√īo?

Esse estudo mostrou que existe uma hierarquia, e os integrantes do bando seguem o mestre. Mas essa din√Ęmica √© complexa, com trocas de lideran√ßa durante o v√īo e etc.

Mostrou também que os pombos que seguem não fazem isso por reflexo, mas ponderam e escollhem seguir o lider do momento. Isso porque a resposta na mudança de direção não é tão rápida como se fosse por reflexo, parece que rola uma pensadinha antes de mudar.

Outra coisa que essa sim me intrigou: Os animais menos graduados no grupo ficam sempre pra tr√°s e a direita do l√≠der, e parece que isto tem a ver com o c√©rebro dos pombos que, parecido com o nosso, tem o lado direito respons√°vel pelas rela√ß√Ķes sociais. Como o lado direito do c√©rebro “v√™” pelo olho esquerdo (tamb√©m trocado como o nosso), os pombos menos ranqueados preferem ver os chefes como olho que est√° mais atento a sinais sociais. Que loucura!

Vi no Science Now

ResearchBlogging.org

Nagy M, Akos Z, Biro D, & Vicsek T (2010). Hierarchical group dynamics in pigeon flocks. Nature, 464 (7290), 890-3 PMID: 20376149

Mal-humorados s√£o mais inteligentes

al bundy.jpgO √≠cone do mal-humor Al Bundy dizendo “Arrumem um c√©rebro, iNdiotas”

Olha, n√£o t√ī com saco pra escrever. Tudo d√° errado, estou cercado de idiotas e o mundo √© uma droga!

Escrevo para aliviar a tensão, e não para ensinar esta turba ignóbil que me lê.
Só informo que descobriram que o mau-humor deixa as pessoas mais inteligentes, melhorando a capacidade de julgar os outros (entre mais ou menos idiotas) , e também aumentando a memória, o que os tornaria mais prudentes (nunca confie nos idiotas).

Por outro lado, as florzinhas felizes seriam mais criativas. R√Ā, que lindinhos (idiotas).

“Nossa pesquisa sugere que a tristeza melhora as estrat√©gias para processar a informa√ß√£o em situa√ß√Ķes dif√≠ceis”, √© o que diz Joseph Forgas, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney.
 
Forgas ressaltou que as pessoas com um estado de √Ęnimo mais deca√≠do possuem maior capacidade de argumentar suas opini√Ķes por escrito, pelo que concluiu que “n√£o √© bom estar sempre de bom humor”.

Ah e o que esse cara sabe? Primeiro que esta √ļltima frase eu n√£o entendi: “pelo que concluiu que n√£o √© bom estar sempre de bom humor”. Acabou de falar que √© bom pra tudo e conclui que n√£o √© bom? M√° escrita essa frase hein.

Segundo que a notícia eu vi na Folha e na Veja, que compraram da EFE + Reuters, citando um programa de rádio da BBC, citando a revista Australasian Science que não é uma revista científica, como foi dito, mas sim uma revista SOBRE ciência, o que é bem diferente.

Ou seja, mais um telefone sem-fio jornalístico, o que me deixa muito fulo da vida. -Aliás, parabéns para os jornalistas neste seu dia. Fica aqui esta homenagem.

E para o azar das frutinhas felizes que se acham mais criativas que as pessoas que carregam suas nuvens negras sobre a cabeça, saibam que se os mau-humorados forem loucos eles também podem ser mais criativos:

Isto porque uma proteína ligada ao desenvolvimento do cérebro, quando tem uma alteração, aumenta o risco de esquizofrenia. Mas em algumas pessoas ela pode estar aumentando a criatividade! (veja aqui)

Prefiro ser um mal-humorado louco, ent√£o.