Controle mentes usando algas, vírus e laser

Essa √© uma daquelas t√©cnicas que pode gerar pol√™micas, e s√≥ n√£o gerou ainda porque n√£o caiu nas gra√ßas dos jornalistas mais sensacionalistas. A optogen√©tica √© um jeito de ligar e desligar neur√īnios apontando para eles um laser. N√£o t√£o simples assim, porque voc√™ tem que injetar no c√©rebro a ser testado um v√≠rus que leva para dentro dos neur√īnios desejados o gene que vai virar a prote√≠na sens√≠vel a luz.

Veja o video:

Essa prote√≠na vem de algas e responde a laser, e dependendo de quais neur√īnios a produzirem ela pode ativ√°-los fazendo por exemplo o camundongo do v√≠deo sair correndo, a mosca tentar voar, o verme parar de se mover, sempre que o laser os ating√≠r.

Isto pode ser usado para controlar o ritmo de células cardíacas e os movimentos de células da pele, como mostrado mais ao final do vídeo.

Mas al√©m de permitir controle, a optogen√©tica √© uma ferramenta para estudar as liga√ß√Ķes entre os neur√īnios e revelar os circuitos que formam o c√©rebro, esses sim o Santo Graal da neuroci√™ncia.

Não precisamos nos preocupar com controle mental por enquanto, estão longe disso, mas isso me faz perguntar se aquele cabo do filme Matrix era um cabo de fibra óptica.

 

Dica do Felipe do Psicológico

O comportamento é hereditário?

Sim, o comportamento pode ser herdado pelos genes. Calma, relaxe, esse estranhamento vai passar. Se bem que hoje em dia, nessa era p√≥s-gen√īmica, parece que as pessoas n√£o se espantam mais quando ouvem isso de genes controlando comportamentos. Claro que n√£o √© exatamente isso que acontece, mas saber que h√° influencia dos genes nas nossas a√ß√Ķes me parece um mist√©rio que vale ser estudado. Como isso acontece?

cachorro feioPrimeiro preciso provar que isso acontece. E veja só, vou provar usando cachorrinhos porque eles são fofos. E porque eles são fofos? Porque nós, humanos, selecionamos os cães fofos, não só os de pêlo macio, mas os companheiros, que nos olham nos olhos, que nos entendem. Nada a ver com lobos, concorda? Mas cães são os lobos selecionados por nós para terem um comportamento compatível às nossas necessidades (ou caprichos). A seleção é feita quando deixamos só os totós bonzinhos cruzarem, e assim os filhotes vão ficando cada vez mais bonzinhos. [Veja este vídeo que mostra com o a seleção pelo comportamento levou a mudanças morfológicas e as raposas selvagens foram ficando com cara de cachorrinhos fofos cuti-cuti]

Incr√≠vel como eles podem nos entender mais at√© do que um chimpanz√©. Em um experimento do tipo ‚Äúem qual copo est√° a comida‚ÄĚ, quando o experimentador aponta para o copo que cont√©m comida, chimpanz√©s continuam apenas chutando um ou outro, mas os c√£es entendem e escolhem o copo apontado. Entendem at√© quando apenas olhamos o copo, sem apontar o dedo. √Č muita sintonia, ou podemos chamar de co-evolu√ß√£o? [sei que tem um v√≠deo com esse experimento mas eu n√£o achei. Se voc√™ sabe qual √© mande o link nos comments]

Mas só isso não é prova suficiente. Somos animais também, mas não cães, então temos que provar a ação dos genes no comportamento de nossa espécie.

Um jeito de fazer isso √© ver como doen√ßas psiqui√°tricas, como esquizofrenia, podem ser herdadas, passadas de pais para filhos. E realmente √© isso que acontece com esta doen√ßa intrigante, a qual transforma uma pessoa conhecida em outra totalmente diferente, perturbada por alucina√ß√Ķes, del√≠rios, ap√°tica e acaba mudando o comportamento. Diversos estudos mostraram a herdabilidade desta doen√ßa.

Primeiro podemos estudar a familia dos doentes para ver se outros parentes tamb√©m s√£o afetados e comparar a fam√≠lias de pessoas n√£o-doentes (tento n√£o usar a palavra NORMAL, acho que n√£o cai bem, concorda?). Se o doente tiver mais parentes tamb√©m doentes do que uma fam√≠lia gen√©rica, temos uma pista de que est√° ligada aos genes. Sabemos que a chance da popula√ß√£o geral de ter esquizofrenia √© 1%. Se seu av√ī tem a doen√ßa sua chance sobe para 3%; um dos pais ou um irm√£o sobe apra 10-20% e os dois pais sobe para 40-50%.

Ainda sim isso não é uma prova definitiva, porque o ambiente é um grande responsável por definir nosso comportamento, e uma característica da família pode ser derivada da criação nessa família, como o fato de eu ser cabeça-dura, que pode ser genético ou só o exemplo do meu pai, do pai dele, todos cabeças-duras. Coisa de família.

Mas como isolar o ambiente pra poder ter certeza da a√ß√£o dos genes? Em animais a gente pode trocar os filhotes de fam√≠lia, mas em gente isso n√£o pode ser feito por cientistas, mas o cientista pode ir atr√°s de pessoas separadas de suas fam√≠lias pela vida. E o ideal √© achar g√™meos. Primeiro comparando g√™meos id√™nticos, que t√™m os mesmos genes, e g√™meos fraternos, que s√£o como irm√£os comuns. O que se faz √© comparar pessoas doentes e ver se seu irm√£o √© doente tamb√©m. Se g√™meos id√™nticos tiverem mais irm√£os tamb√©m doentes do que os irm√£os fraternos, desconfiamos que h√° influ√™ncia dos genes, certo? Afinal todos os irm√£o tiveram a mesma cria√ß√£o, sendo a √ļnica diferen√ßa a diferen√ßa no genoma. Mas estudo bom mesmo √© o de g√™meos id√™nticos criados por fam√≠lias diferentes, porque esses sim tiveram diferentes ambientes e se mantiverem maior taxa de doen√ßa entre irm√£o √© porque essa doen√ßa √© bem gen√©tica. O problema √© achar tantos g√™meos doentes e criados separados.

Ainda sim existem outros tipos de estudos, como juntar vários doentes e vários não-doentes e sequenciar o DNA deles todos olhando as diferenças. Se uma diferença estiver presente em vários doentes e pouco em não-doentes, achamos um marcador da doença. Isso poderia ser usado para diagnóstico e pode guiar pesquisas para tratamentos.

Mas claro que as coisas não são fáceis assim. Em doenças complexas, como hipertenção e esquizofrenia, não há um gene responsável pelo problema, são vários genes que interagem. As vezes o problema não é nem na sequência do gene, mas sim na sua região reguladora, e por aí vai.

Então o que sabemos até hoje? Que o comportamento é influenciado pelos genes e que o ambiente também influencia o comportamento. Qual dos dois é mais importante? Aí vai do gosto do cliente, porque ninguém consegue responder isso.

Podemos pensar que o ambiente que permite a expressão dos genes, ou que os genes são os responsáveis pelo desenvolvimento na barriga da mãe e isso define as características comportmanetais; mas o ventre materno é um ambiente, e ele influencia o desenvolvimento; mas abuso de drogas tem fator genético mostrados por estudos como os de cima, então é culpa do gene; mas quem tem essa tendência só a desenvolve quando entra em contato com a droga, logo, ambiente; mas a pessoa que tem a tendência na verdade tem a tendência de procurar coisas novas, e por isso entra mais em contato com o mundo das drogas, logo, é o gene;… Será que isso terá um fim? Será que realmente um tem que triunfar sobre o outro?

B√īnus: Veja este v√≠deo do John Cleese sobre o assunto. Genial

 

Leia mais:

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Abuso na inf√Ęncia altera o comportamento e o DNA

Squeeze my balls, baby

Beber com os amigos est√° no gene?

A solução da violência é uma questão metafórica

Stop_The_Violence____by_thymeismatter

‚ÄúPare com a viol√™ncia ou eu te mato‚ÄĚ

Qual a solu√ß√£o para a viol√™ncia? Depende de qual met√°fora voc√™ usar para ela. Se quiser que as pessoas votem por solu√ß√Ķes mais agressivas √© s√≥ classificar a viol√™ncia como uma ‚Äúbesta‚ÄĚ ou um ‚Äúmonstro‚ÄĚ. Mas se quiser que elas votem por ‚Äútratar‚ÄĚ a viol√™ncia com a√ß√Ķes mais amplas, √© s√≥ usar a palavra ‚Äúv√≠rus‚ÄĚ no seu texto.

Simples assim. √Č o que pode ser visto nesse estudo na revista PLoS ONE que usou 253 pessoas. Elas tinham que dar solu√ß√Ķes para a viol√™ncia depois de ler um texto sobre o tema. Metade dos textos continha a palavra ‚Äúbeast‚ÄĚ e a outra metade ‚Äúvirus‚ÄĚ como met√°foras da viol√™ncia. Dos que leram a besta, 71% deram solu√ß√Ķes severas, enquanto que os que leram o v√≠rus se dividiram em 54% com solu√ß√£o severa e 46% com tratamento, como melhorar a economia.

Será que o ser humano é assim tão voluvel como pluma ao vento?

Olha aí a responsa de jornalistas, professores e, ahan, divulgadores de ciência.

 

Vi na Science Now

Quer estudar neuro? Pergunte como

brain_by_podajmidlon.jpgVeja, o título deste post é uma pergunta, por isso você não encontra-rá a resposta definitiva aqui.
Segue email que mandei para meu amigos “neur√≥ticos”, anunciando minha inten√ß√£o de come√ßar seriamente a estudar neuro. Este √© um antigo sonho e agora acho que est√° na hora de come√ßar.
Mas começar por onde? A área é gigante. Bom, este era outro motivo para mandar o email. Veja abaixo e opine.

Este email é um pedido de ajuda. Por isso fique a vontade para não responder caso não tenha tempo. Mas qualquer dica será de grande valia.
√Č chegada a hora de me aventurar muito seriamente no estudo das neuroci√™ncias (meu antigo sonho).
Ainda não vou trabalhar com isto, quero apenas começar a estudar a área.
Por isso gostaria de pedir uma ajuda na sistematização deste embasamento.
Por onde começar é a grande questão. Separar as áreas já não é fácil. O que temos?
Neuroanatomia
Neurofisiologia
Bio mol aplicada na √°rea
Neuropsicologia
Comportamento animal
…?
Tendo as áreas, por onde começar?
Tenho muito interesse em tomada de decisão e também na modulação molecular do comportamento. Como proceder para embasar melhor estes dois objetivos ao final? Alguma dessas áreas pode ser ignorada?
Livros-texto do tipo compêndio para me guiar: vale a pena ou melhor buscar livros mais específiocs e aplicados?
P. Ex.: Cem Bilh√Ķes de Neur√īnios, do Lent, √© bom? N√£o √© muito basic√£o? H√° outros melhores?
O Kandel é o melhor mesmo?
Leituras adicionais (para reforçar cada área específica):
Dentro de cada √°rea h√° livros interessantes, como por exemplo “Por que Zebras n√£o Tem √ölcera”, do Sapolsky, “Erro de Descartes”, “Tabula Rasa”, do Steven Pinker, os do Oliver Sacks… E quando estiver estudando cada √°rea devo ler quais livros?
Bom, era isso. Desculpe o brainstorm de perguntas (literalmente “brain-” ), mas a sua ajuda ser√° muito importante para esta minha nova e determinante fase de aprendizagem.
Muito obrigado

The_Brain_by_soliton.jpgClaro que isto também foi um tipo de estudo ou sondagem, coisas que a minha cabeça de cientista não deixa de fazer, para saber quem responderia, o que responderiam, que livros indicariam, e lincar isto com a personalidade e área de estudo de cada um que respondesse.
Tenho muita sorte de ter amigos inteligentes, informados, solícitos, enfim, fantásticos. Muitas foram as respostas e ajudaram muito.
Tudo que eu quero é otimizar o meu tempo para o estudo, que será autodidático, por isso a preocupação de como organizar tudo na ordem que pareça mais lógica PARA MIM. Mas cada um entra com a sua dica pessoal, claro.
Os amigos que trabalham com comportamento de macacos mandaram material de etologia e neuro em primatas, a psiquiatra indicou as áreas médicas ou clínicas, psicólogo indicando psicologia cognitiva e estatística, e por aí vai. Sempre se puxa a brasa para a própria sardinha.
E ainda bem, afinal isso significa que o pessoal estuda o que gosta e se anima em chamar os outros para a própria área (ou estão usando a tática da piscina gelada: quem tá dentro diz que está uma delícia, só pra fazer quem tá fora pular e se ferrar).
Mas apesar da diversidade algumas coisas apareceram bastante:
Cada um tem um jeito de estudar, e eu preferi começar do micro pro macro, da molecular e fisiologia e ir subindo para a cognição e comportamento, mas o caminho inverso é uma opção muito válida.
O livro “Princ√≠pios de Neuroci√™ncia”, do Kandel parece ser a b√≠blia mesmo. Mais fisiol√≥gico, mas a base √© essa mesmo. Partindo da√≠ a coisa vai variar dependendo do interesse pessoal. Para estudar mais como pensamos, aprendemos e nos comportamos, o “Neurosci√™ncia Cognitiva” do Gazzaniga parece interessante. Por isso neste momento decidi por come√ßar por eles (eu vou ler as vers√Ķes em ingl√™s por serem mais atuais eeu ter conseguido os arquivos pdf, mas os links eu achei melhor p√īr os em portug√™s). E n√£o vai ser f√°cil, porque s√£o dois gigantes, pelo conte√ļdo e pelo tamanho.
Por isso a partir de agora o blog pode passar por um processo de NEURIZAÇÃO dos temas, além de uma diminuição no ritmo de postagem. Fazer o que, eu não sou como muitos gênios e bots que consegue fazer tudo ao mesmo tempo.

Pombas de mochila

pomba mochila gps.JPGVejam se n√£o √© a coisa mais f√īfa! Ou pelo menos o mais pr√≥ximo de f√īfo que um bicho nojento como uma pomba pode ser.
Uma pomba de mochila e fazendo pose!

Mas pra que raios pesquisadores puseram mochilas em pombas? √Č que as mochilas levam um aparelinho de GPS, e assim eles podem rastrear a din√Ęmica das pombas enquanto elas voam em bandos.

Isso tudo pra responder perguntas intrigantes (mesmo que pra gente pare√ßam in√ļteis): porqu√™ um bando de pombos muda de dire√ß√£o de repente? E porqu√™ ele de repente p√°ra e pousa ao mesmo tempo no mesmo lugar? Ou mesmo sem motivo aparente ele levanta v√īo?

Esse estudo mostrou que existe uma hierarquia, e os integrantes do bando seguem o mestre. Mas essa din√Ęmica √© complexa, com trocas de lideran√ßa durante o v√īo e etc.

Mostrou também que os pombos que seguem não fazem isso por reflexo, mas ponderam e escollhem seguir o lider do momento. Isso porque a resposta na mudança de direção não é tão rápida como se fosse por reflexo, parece que rola uma pensadinha antes de mudar.

Outra coisa que essa sim me intrigou: Os animais menos graduados no grupo ficam sempre pra tr√°s e a direita do l√≠der, e parece que isto tem a ver com o c√©rebro dos pombos que, parecido com o nosso, tem o lado direito respons√°vel pelas rela√ß√Ķes sociais. Como o lado direito do c√©rebro “v√™” pelo olho esquerdo (tamb√©m trocado como o nosso), os pombos menos ranqueados preferem ver os chefes como olho que est√° mais atento a sinais sociais. Que loucura!

Vi no Science Now

ResearchBlogging.org

Nagy M, Akos Z, Biro D, & Vicsek T (2010). Hierarchical group dynamics in pigeon flocks. Nature, 464 (7290), 890-3 PMID: 20376149

Altruísmo: faz bem pros outros, pra você e para seus genes!

altruismo-reciproco.jpg

O Teleton está aí. E como o RNAm irá participar do evento no palco do SBT, porque não falar de um tema científico que tem a ver com o evento?

Como faz bem fazer o bem, não é mesmo? Mas será? Isto é o que chamamos de altruismo, ou seja, fazer o bem sem querer nada em troca.
Mas ser√° que o altru√≠smo √© bom? A imensa maioria dir√° que sim. Mas da√≠ eu pergunto: bom pra quem? Para a sociedade, a bondade de uma pessoa que se doa para o bem maior √© bom, afinal o “maior” √© a pr√≥pria sociedade. Agora e o pobre coitado que se doa, ganha o qu√™? Uns dir√£o boa reputa√ß√£o, satisfa√ß√£o pessoal ou mesmo o reino dos c√©us (aqui a gente j√° percebe que n√£o se faz o bem a toa, sempre h√° algum motivo ou “recompensa”).

O maior mistério da evolução

O altruismo é um dos maiores mistérios da biologia. Um mistério evolutivo, mais especificamente.
Afinal a concorrência na sociedade e na natureza é acirrada. Não há perdão para erros nem desperdícios. O objetivo é adquirir recursos para se reproduzir e manter seus filhos e passar os genes para a frente. E se o mundo é assim, como é que uma aberração como a altruismo pode aparecer?

Oferecer mordida no Sonho-de-Valsa é vantajoso?

Ajudar os outros? Doar dinheiro? Emprestar o carro? Dar uma mordida do Sonho-de-Valsa e um gole do Yakult? Isso só diminui os recursos, o que no fim das contas diminuiria suas chances de se reproduzir. Diminuindo as chances de reproduzir, mesmo que muito pouco, em milhares de anos de cruzamentos, o comportamento altruísta seria extinto, não acha?

Este pensamento parece bem lógico, mas como explicar que ele ainda exista? Em evolução, quando uma característica é mantida ela está presente por alguns motivos: ou ela é vantajosa (um cérebro grande, por exemplo); ou ela é neutra, não ajuda nem atrapalha (dente do siso); ou ela traz uma pequena desvantajem e está em processo de sumir (como o apêndice que só serve para dar apendicite). РAtenção biólogos puristas: estes são exemplos ilustrativos. Desculpem se não são necessariamente corretos ou consensuais

Neste caso o altruismo, por ser bem caro para quem o pratica, só pode trazer vantagens muito importantes. O caso é que só vemos a vantagem para o grupo, não para o indivíduo. E um grupo não se reproduz, não passa os genes pra frente.
Daí surgiu a idéia da Seleção de Parentesco (Willian Hamilton), ou seja, a gente só faria o bem para nossos parentes. Afinal eles possuem nossos genes também, e para evolucionistas, quem manda na evolução é o gene.
A Seleção de parentesco parece ter resolvido grande parte das perguntas sobre altruísmo.

N√£o me mato por um irm√£o, mas por dois irm√£os ou oito primos talvez.

Alguns pesquisadores (Wilson e Wilson) acham que o grupo mesmo pode ser um mandante na evolu√ß√£o. Se isso for verdade fica mais facil entender o altruismo. Afinal um grupo com muitos altruistas agindo pelo bem maior do grupo seria melhor que um grupo cheio de egoistas cada um pensando s√≥ no seu umbigo. Isso explicaria como surgiram os insetos sociais, como formigas e abelhas, onde de toda a col√īnia s√≥ um indiv√≠duo se reproduz, e os outros tratam de cuidar e ajudar esta rainha, mesmo que elas mesmas n√£o tenham como se reproduzir. As oper√°rias de colm√©ias e formigueiros seriam o mais puro e extremo exemplo de altru√≠smo. (A Sele√ß√£o de Parentesco ainda vale aqui, afinal operarias e rainha s√£o
irmãs, mas a questão é como este comportamento começou, quando ainda
formigueiros e colméias não existiam.)

Nosso corpo é um exemplo de sociedade altruista. Nossas células aceitam benevolentes os comandos centrais do organismo. Elas até mesmo se suicídam quando necessário. As que fogem deste controle podem gerar tumores.

Muita gente até acha que o ideal de sociedade humana seria se ela fosse como um formigueiro. Isso pode dar trela a um tipo de autoritarismo, onde não se tem muita liberdade individual e só se pensa no bem maior. Será que queremos pagar este preço? Mas este é outro assunto.

Mas afinal, qual a vantagem de ser altru√≠sta? Talvez o altru√≠smo seja mantido nos humanos pela sele√ß√£o sexual. Assim como chifres grandes e pesados ou rabos gigantes e chamativos foram selecionados pelas f√™meas por elas acharem eles bonitos, o altru√≠smo talvez atraia mulheres. Assim haveira uma vantagem reprodutiva em ser altru√≠sta, compensando as desvantagens. Isto manteria os “genes altru√≠stas” na popula√ß√£o, tornando o grupo altru√≠sta mais apto a sobreviver.

Ainda é dificil saber todos os comos e porquês do altruísmo. Precisamos é saber que este assunto não precisa ser tratado apenas pela religião, filosofia ou psicologia. A biologia pode também estudar este tema, e descobriu que é uma estratégia evolutiva que funciona e já faz parte de nós humanos.

Mas o que vale é que fazer o bem faz bem sim. Portanto FAÇA! DOE! Participe do Teleton 2009 (veja como no fim do post).

Para mais:

A sociobiologia e a crítica dos antropólogos РRevista ComCiência Рrecomendo fortemente. Uma critica ao determinismo genético e ao antropocentrismo antropológico. Mas lembrem-se que a sociobiologia é apenas UMA das abordagens biológicas do comportamento humano

A evolução da bondade РSuperInteressante

Logo Teleton reduzido.JPG

As doa√ß√Ķes para a campanha j√° podem ser feitas desde o dia 8 de Outubro, e seguir√£o at√© o dia 6 de Novembro. Veja como fazer para contribuir:

Por telefone, para doar:

R$ 5 ligue 0500 12345 05
R$ 10 ligue 0500 12345 10

Para doa√ß√Ķes a partir de R$ 30,00 as liga√ß√Ķes devem ser feitas para 0800 775 2009

Quem doar R$ 60 pode escolher um dos “mascotes” da campanha, o Tonzinho OU a
Nina. Doa√ß√Ķes de R$100 ganham o Tonzinho E a Nina. S√≥ pr√° lembrar: a promo√ß√£o n√£o √© cumulativa.

logo-aacd.gifPara doar pela Internet, acesse o site da campanha clicando AQUI (esse endereço é válido durante o ano todo). Para conhecer mais sobre a AACD visite o site deles AQUI!

Mulheres, testosterona e ousadia profissional: mulher-macho, sim senhor!

ResearchBlogging.orgPor favor, não me interpretem mal por causa do título desse post, tudo será explicado ao longo do texto.

De modo geral, as mulheres s√£o mais “conservadoras” em rela√ß√£o √†s opera√ß√Ķes financeiras. √Č o que diz um estudo publicado em 1999 que analisou os resultados de 150 estudos que avaliaram a tend√™ncia de homens e mulheres em rela√ß√£o √† tomada de decis√Ķes que envolviam riscos financeiros.

Your-Ultimate-Savings-Guide_full_article_vertical.jpgEssas diferen√ßas entre homens e mulheres em evitar opera√ß√Ķes financeiras de maior risco podem tamb√©m ser associadas √†s diferen√ßas observadas nas escolhas de carreira. Nas institui√ß√Ķes de ensino analisadas 37% das mulheres estudantes de MBA escolheram carreiras que tinham maior risco associado (como bancos de investimento ou mercado de a√ß√Ķes) contra 57% dos estudantes homens. Apesar de se considerar sempre os fatores sociais e culturais, se acredita que as diferen√ßas biol√≥gicas entre os sexos podem desempenhar um papel importante nessas diferen√ßas comportamentais.

Dentre essas diferen√ßas biol√≥gicas a testosterona, ou “horm√īnio masculino”, se destaca. N√≠veis mais altos de testosterona em homens podem resultar em diferen√ßas comportamentais e de aprendizado, e j√° foi demonstrado em outros trabalhos que a testosterona aumenta a motiva√ß√£o para competi√ß√£o e domin√Ęncia, diminui a sensa√ß√£o de medo e altera o equil√≠brio entre a sensibilidade entre puni√ß√£o e recompensa. Pr√° completar a testosterona tamb√©m j√° foi associada a comportamentos tidos como de alto risco, como jogatina e abuso de √°lcool.

O fato de esse horm√īnio influenciar as decis√Ķes de risco no mundo financeiro ou em outros aspectos econ√īmicos que envolvam tomada de riscos ainda √© controverso no mundo atual e um novo estudo publicado no peri√≥dico Proceedings of the National Academy of Sciences traz mais alguns dados referentes √† essa quest√£o.

Cientistas da Universidade de Chicago investigaram diferen√ßas entre homens e mulheres em rela√ß√£o √† avers√£o a riscos financeiros verificando as concentra√ß√Ķes salivares de testosterona em mais de 500 estudantes de MBA.

flew_1124_p056_f1.jpgApesar de não terem encontrado nenhuma variação entre os homens (nós homens realmente não temos graça nenhuma), no caso das mulheres os níveis mais altos de testosterona circulante foram associados a uma menor aversão ao risco financeiro. Ainda nesse estudo, os níveis de testosterona e a aversão ao risco foram bons indicadores para se predizer as escolhas de carreira dentro da área financeira.

Ou seja, de acordo com os dados desse estudo norte-americano podemos concluir que as mulheres que t√™m mais testosterona (por isso a brincadeira com o “mulher-macho”) adquirem uma abordagem mais agressiva em rela√ß√£o √† condu√ß√£o de sua carreira, algo que ainda √© visto como caracter√≠stico dos homens (e que eu acho que vai cair por terra logo logo).

Aguardem mais textos falando sobre as maravilhas (ou não) que a testosterona pode fazer por você, seja homem, seja mulher!

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ps: Esse deve ter sido o texto mais curto que já escrevi até hoje. Achei tão estranho quanto vocês, mas não reparem, a causa é simples: são 4h da manhã e escrevi logo depois de entregar (FINALMENTE!) minha tese de Mestrado!

Byrnes, J., Miller, D., & Schafer, W. (1999). Gender differences in risk taking: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 125 (3), 367-383 DOI: 10.1037/0033-2909.125.3.367

Sapienza, P., Zingales, L., & Maestripieri, D. (2009). Gender differences in financial risk aversion and career choices are affected by testosterone Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0907352106

Como conseguir mais sexo e deixar as mulheres aos seus pés? Arrumando uma namorada!

flirting1.jpgVoc√™, garot√£o, quer ficar irresist√≠vel pr√° mulheres, e n√£o tem l√° muitos escr√ļpulos?
Que tal ficar mais atraente pr√° mulherada arrumando uma… namorada?!

H√° muitos anos pesquisadores discutem quem √© mais propenso a desobedecer o nono ou d√©cimo mandamento (dependendo da religi√£o que voc√™ considerar), que diz: “n√£o cobi√ßar√°s a mulher do pr√≥ximo”, tamb√©m conhecido nos botecos do Brasil como “comportamento fura-z√≥io”.
Claro, nesse caso, pode ser “mulher” ou “homem”, como veremos a seguir.
ResearchBlogging.orgAlgumas pesquisas indicaram que os homens possuem uma tend√™ncia maior a perseguirem a parceira alheia, mas havia uma d√ļvida: essa tend√™ncia √© realmente mais forte nos homens, ou eles simplesmente eram mais propensos a ADMITIR que iam mesmo atr√°s de gente comprometida? Agora h√° resultados experimentais de que mulheres solteiras t√™m uma atra√ß√£o particular pelos parceiros alheios, de acordo com esse estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology.
0_21_flirting_450.jpgBaseando-se na cl√°ssica queixa feminina “os melhores homens j√° t√™m dona”, as psic√≥logas Melissa Burkley e Jessica Parker, da Universidade do Estado do Oklahoma, questionaram se essa afirma√ß√£o n√£o seria resultante de os homens comprometidos serem percebidos como “melhores” pelas mulheres. Para investigar esse fato, as pesquisadoras questionaram 184 universit√°rios (entre homens e mulheres), sendo que alguns eram solteiros, outros n√£o, sobre seu par rom√Ęntico ideal.
Em seguida, foi dito a cada um dos entrevistados que seu perfil havia encontrado um par de pensamento semelhante num programa de computador. Logo em seguida, os pesquisadores mostraram uma foto desse tal pretendente, um membro do sexo oposto bastante atraente. Todos os participantes homens viram a foto da mesma mulher, e o mesmo aconteceu com a foto dada para as mulheres.
Aí começa o experimento: metade do grupo de homens e do grupo de mulheres foi informada que a pessoa da foto era comprometida, sendo que os participantes restantes foram informados que as pessoas das fotos eram solteiras. As pesquisadoras então perguntaram qual era o grau de interesse dos entrevistados nas pessoas que o computador havia indicado, e estavam nas fotos.
Para os homens que participaram do experimento, e para as mulheres que já estavam comprometidas, não houve diferença significativa na atração pelo(a) pretendente sugerido pelo computador.
No caso dos homens, n√£o houve distin√ß√£o ALGUMA em rela√ß√£o √† mulher da foto ser comprometida ou n√£o, o interesse demonstrado foi o mesmo. Bom, isso n√£o √© novidade, n√≥s homens temos poucos crit√©rios, e todos sabem disso. Tamb√©m acho que toda mulher j√° ouviu um “mas eu n√£o sou ciumento” quando diz ser comprometida (convenhamos, um dos maiores xavecos-furados de todos os tempos n√©?), estou certo?
No entanto, as mulheres solteiras demonstraram uma preferência bem maior para ir atrás do companheiro alheio, em relação aos homens, e às mulheres comprometidas. Nas mulheres que foram informadas que o homem da foto era solteiro, ele despertou interesse de 59% das entrevistadas. Já, quando disseram que o homem já estava comprometido, pasmem: 90% (sim, NOVENTA) demonstraram interesse.
3-Flirt-061_384_426771a.jpg

“Alian√ßa bonita… posso te pagar um drink?”


Segundo as autoras, esse maior interesse pode vir do fato de um homem comprometido ter demonstrado sua habilidade em assumir compromissos. Uma das explica√ß√Ķes dadas por elas (e a que eu achei mais divertida, ali√°s) √© que as qualidades desse homem comprometido j√° tenham passado por uma pr√©-sele√ß√£o, que foi feita pela outra mulher (as garotas que participaram dessa pesquisa n√£o s√£o umas gracinhas?). Ali√°s, esse estudo foi bom para que as namoradas se cuidem (e, claro, cuidem dos seus respectivos), pois a concorr√™ncia pode vir sem d√≥ nem piedade!
Depois desses resultados e das justificativas dadas pelas entrevistadas, lembrei na hora da minha m√£e e de uma coisa que ela me ensinou, quando eu era adolescente: “√°gua morro abaixo, fogo morro acima, e mulher quando quer dar, ningu√©m segura!” (j√° at√© imagino a cruz bonita que v√£o fazer pr√° mim, depois dessa)
Minha experi√™ncia de vida j√° me dizia que esse lance de mulher vir com tudo em cima de homem comprometido era verdade (por hist√≥rias minhas, e de v√°rios amigos meus). Assim como as mulheres t√™m a m√°xima “todos os homens decentes j√° t√™m dona”, n√≥s homens temos “o melhor jeito pr√° se fazer chover mulher, √© arrumar uma namorada”.
E voc√™s, o que acham? D√™em suas opini√Ķes, e que a guerra dos sexos comece!!!
Paraquedistas1.jpg* Este texto faz parte da Blogagem Coletiva Caça-paraquedista (conheça mais sobre essa iniciativa aqui). Se você entrou aqui pelo Google, seja bem-vindo e aproveite para conhecer um pouco mais sobre o blog e ciência!
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Parker, J., & Burkley, M. (2009). Who’s chasing whom? The impact of gender and relationship status on mate poaching Journal of Experimental Social Psychology, 45 (4), 1016-1019 DOI: 10.1016/j.jesp.2009.04.022
Imagens: Getty Images; Ellen Stagg Photography