Cúpula de Líderes sobre o Clima: entenda o que está em jogo

Líderes de todo o mundo participam de cúpula virtual organizada pelos EUA. Imagem: Reprodução/YouTube - Cúpula de Líderes sobre o Clima

A cúpula de líderes organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para discutir as mudanças climáticas, teve como principal objetivo alinhar as visões de mais de 40 líderes globais e reforçar a urgência de ações para redução da degradação ambiental.

Na ocasião, o presidente norte-americano apresentou um plano de investimentos na ordem de US$ 2,3 trilhões para a infraestrutura a fim de criar uma economia mais resiliente e inovadora e ressaltou a transversalidade do aquecimento global em todas as medidas propostas. Da construção de rodovias à criação de empregos, as iniciativas devem contemplar tecnologias limpas e melhoria da eficiência energética.

O presidente Biden dá início à Cúpula de Líderes sobre o Clima em formato virtual em 22 de abril de 2021. Foto da Casa Branca: Adam Schultz

A relevância desse encontro foi a retomada do papel do Estado como agente de mudança para favorecer políticas a favor do desenvolvimento sustentável em uma economia global cada vez mais digitalizada.

A eletrificação e a descarbonização da economia impõe velocidade à transição energética na atual conjuntura aquecimento global-pandemia. E a retomada da agenda verde pelo governo  americano após o negacionismo climático da gestão Trump, indicam que o caminho da infraestrutura somado à fontes renováveis de energia deverão alavancar a geração de empregos a partir de novas tecnologias sustentáveis.

Entre os países em desenvolvimento, a China, emissora de um quarto do carbono planetário, tem feito um esforço para fornecer tecnologias verdes. Na cúpula, o presidente chinês prometeu limitar a alta no consumo de carvão mineral até 2025 e reduzi-lo até 2030.

A Índia, responsável por 6,7% das emissões globais, tem investido em energias renováveis como a solar e eólica e anunciou uma parceria estratégica com os americanos para tecnologias e financiamento de soluções de baixo carbono.

Já no Brasil, pelo menos no curto prazo, não podemos esperar uma transformação similar. Vivemos um paradoxo entre sermos um dos principais atores dessa transformação global e, ao mesmo tempo, termos um discurso oficial pouco aderente ao desenvolvimento limpo. Mas até o presidente Jair Bolsonaro, contumaz negacionista dos impactos climáticos, viu-se pressionado a retomar a promessa de zerar o desmatamento ilegal no país até 2030.

Durante discurso na Cúpula do Clima, o presidente Jair Bolsonaro apresenta metas para redução do desmatamento na Amazônia. Imagem: Reprodução/YouTube

Mesmo com modelos brasileiros interessantes de baixo impacto ambiental, como uma matriz energética renovável e o desenvolvimento do biocombustível, é relevante apontar que essas evoluções surgiram devido a condições naturais e conjunturais e não por incentivos políticos.

O resultado da reunião trouxe alguns avanços em promessas, mas pouco de concreto. O objetivo dos EUA era reconquistar a liderança no processo após o retorno do país ao Acordo de Paris, que propõe metas para que o planeta não supere os 2ºC de aquecimento da atmosfera em relação ao período pré-industrial.

“A Agência Internacional de Energia prevê que emissões de carbono subirão 5% em 2021, ao invés de recuar, em plena pandemia.”

Os norte-americanos se adiantaram e se comprometeram a neutralizar em 2050 os 12% do total mundial de carbono emitidos pelo país. Biden também dobrou a meta de redução adotada por Barack Obama em 2015.

Mas vale lembrar que esses esforços não podem ficar apenas no discurso. A temperatura média do planeta já subiu 1ºC, e na trajetória atual ultrapassará 3ºC até o fim do século. As consequências socioambientais e econômicas podem ser desastrosas, especialmente para as populações mais vulneráveis. Por isso, é mais do que urgente tomar a dianteira da agenda climática.

Leaders Summit on Climate: https://www.state.gov/leaders-summit-on-climate/ 

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