Como divulgar meu conteúdo de divulgação científica nas mídias sociais?

Comics about a sleepy little sloth and her pet corgi! @slothilda
www.slothilda.com

No texto de hoje propomos o exercício de pensar em como adaptar o seu conteúdo de divulgação científica nas mídias sociais.

A ideia aqui é apresentar um passo a passo de preparação de postagens para qualquer rede social.

Mas, antes de começarmos pedimos que dê uma passadinha no texto anterior, nele propomos o exercício de pensar o conteúdo de divulgação científica, a partir do público a que se destina essa informação.

1º passo: O conteúdo

Então, como primeiro passo, abra em uma aba paralela o texto ‘APOCALIPSE ZUMBI’ que deixei o link abaixo. Ele vai servir de exemplo durante nossa linha de raciocínio. Dê pelo menos uma oladinha rápida no conteúdo antes de prosseguir, ok?

Texto exemplo: “COMO SOBREVIVER A UM APOCALIPSE ZUMBI?”

2º passo: Como o conteúdo será disposto

De posse do conteúdo de divulgação científica (aqui usaremos o texto exemplo) será preciso decidir em qual mídia este será disposto e como ele será divulgado, para isso responda a seguinte pergunta:

Esse conteúdo esta disponível na mídia na qual será divulgada, como texto no Facebook ou Linkedin ou deverá ser divulgado de forma a levar o público ao conteúdo completo, como uma chamada nas mídias sociais para ler o conteúdo inteiro no blog?

No caso do nosso exemplo, a divulgação nas mídias sociais do Blogs de Ciência da Unicamp leva ao conteúdo completo no portal Ciência Nerd. Mas durante esse exercício falarei sobre as duas formas de trabalho.

Sendo assim, é preciso pensar em formas de contextualizar e chamar a atenção do seu público para ler o conteúdo completo. Esse modelo é ideal para casos em que há necessidade de uma explicação mais detalhada ou que precise de recursos adicionais, como imagens, vídeos, gráficos, etc. ou em casos que o principal canal está em outro lugar como o YouTube ou um podcast.

Caso o seu conteúdo esteja disposto na mídia em que está sendo divulgada, sua preocupação estará em resumir todo o conteúdo utilizando recursos disponíveis na mídia social escolhida para prender a atenção do seu público e conseguir passar toda a informação necessária. Falaremos mais sobre isso no 5º passo.

3º passo: Do que se trata seu conteúdo

Sam Puckett em iCarly

Agora será preciso um trabalho minucioso de entendimento sobre conteúdo que será divulgado, principalmente quando este não é de sua autoria.

Veja, leia e reveja – identificando e anotando um pequeno resumo, uma nuvem de palavras (tags) e a cultura relacionada como: filmes, quadrinhos, séries, personagens ou momentos históricos ou que estão acontecendo agora, etc.

No nosso texto exemplo o resumo ficou assim:

O texto procura explicar cientificamente como uma pessoa deve agir para sobreviver a um ataque zumbi, apresentando do que se trata, de onde vem e o que é um zumbi, além de traçar paralelos com a vida real, como segurança e políticas públicas.

Nossa nuvem de palavras:

Fonte: Carneiro (2020)

Não é preciso fazer uma nuvem de palavras igual a esse exemplo, você pode só anotar as palavras, mas se quiser, segue o site que eu usei para fazer essa arte: https://wordart.com/create

Cultura Relacionada:

Fimes e Séries: Walking Dead, Eu Sou a Lenda, Invasão Zumbi, The Rain, Guerra Z. – Evento: Zombie Walk – Jogos: Plants vs Zombies, Resident Evil, Days Gone, Plague Inc.

4º passo: Quem é seu público

Agora sim pensamos no público… Para continuar é importante aquela conferida no texto anterior que mencionei lá no início.

Observe como fica com nosso exemplo – O público que acreditamos se interessar por esse conteúdo de divulgação científica seria:

  • De todos os gêneros – de 20 a 40 anos
  • Com no mínimo fundamental 2 completo (para que tenha o mínimo de condições de entendimento sobre tabelas, gráficos e alguns termos complexos usados no texto)
  • Goste de ler e de acompanhar filmes, games e séries sobre zumbis
  • Tenha interesse em assuntos como ciência, biologia, política, segurança pública.

Também é preciso considerar a mídia na qual está sendo divulgada.

No caso do nosso exemplo o público é incentivado a ir para outro link, sendo assim, é preciso incluir nesse item não só as características da mídia em que estamos fazendo a divulgação (Facebook, whatsapp…), mas também o local onde o conteúdo completo está depositado, no nosso caso, um portal de Blog (para saber mais sobre essa mídia):

  • O público deve saber e gostar de ler, uma vez que essa mídia é predominantemente escrita.
  • Ter uma quantidade de dados de internet que o possibilite ir para o link original
  • Gostar de conteúdo sobre ciência, já que é uma mídia com esse objetivo.

5º passo: Frase chamada 

A frase chamada trata-se do texto curto que será usado para contextualizar seu público na postagem nas mídias sociais. É aqui que o resumo que separamos no 3º passo se fará presente.

Para construir sua frase chamada considere:

  • Essa frase chamada sintetiza o assunto e ao mesmo tempo incentiva a curiosidade do leitor em ver o conteúdo completo ou continuar a ler a postagem até o fim?
  • A minha frase chamada dá abertura para duplo sentido ou interpretações erradas?
  • Cria relações entre o assunto e seu público?

A frase chamada também precisa construir oportunidades de interação com o seu público, que o incentive a ler, entender, comentar e compartilhar atingindo assim mais pessoas .

Nesse caso os recursos jornalísticos, como o lide, podem ajudar muito:

O LIDE é um elemento fundamental para a funcionalidade do texto jornalístico, que expressa a função das linhas iniciais de uma matéria, no intuito de atrair e conduzir  o leitor aos demais parágrafos. De uma maneira geral, o lide deve responder a: o quê (a ação), quem (o agente), quando (o tempo), onde (o lugar), como (o modo) e por que (o motivo) se deu o acontecimento central da história… O lide deve ser objetivo e direto, evitando a subjetividade, e pautar mais pela exatidão, linguagem clara e simples. O leitor ganha interesse pela notícia quando o lide é bem elaborado e coerente.

No nosso exemplo, escolhemos como frase chamada: 

Quais fatores seriam determinantes para garantir a sobrevivência da humanidade em um apocalipse zumbi?

5º passo: Adapte o conteúdo a mídia social escolhida 

Voltando a utilizar o exemplo das mídias sociais explicadas com chá, observe como cada mídia exige uma forma de colocar o conteúdo e um foco diferente de público.

Fonte: Carneiro (2020)

Também é possível perceber que cada mídia social permite uma quantidade diferente de conteúdo e será preciso adaptar sua frase chamada para cada uma delas. No caso de conteúdos que vão para outras plataforma, como no nosso exemplo, é preciso pensar se a mídia social aceita links, como o Instagram que só permite links após 10 mil seguidores.

Já no caso de conteúdo que fica na mídia social é preciso analisar se a plataforma permite textos longos em uma única postagem, como é o caso do Twitter que permite apenas 280 caracteres.

Se optar por usar imagens, vídeos, podcasts, quadrinhos, ou seja, qualquer conteúdo que não seja de sua autoria, será preciso observar os direitos de usos – nessa postagem da Carol Frandsen é possível saber mais sobre esse assunto.

Outros pontos a considerar

GIFs on the official NASA account @nasa – –https://www.nasa.gov/

O objetivo de divulgar um conteúdo de divulgação científica é levar o conhecimento científico ao máximo de pessoas possível, por isso é importante ter claro a definição da Divulgação Científica e os objetivos do seu trabalho de comunicação, pensar um plano a longo prazo pode ajudar.

Após a postagem é preciso realizar algumas atividades de impulsionamento, ou seja, ferramentas de divulgação que ajudem a entregar o conteúdo para mais pessoas.

Essa atividade pode ser feita de forma automática e paga através das próprias plataformas de mídias sociais, use os passos que demonstramos aqui para preencher os dados nos formulários de impulsionamento pago.

Mas caso prefira fazer isso de forma orgânica (não paga) procure localizar onde o seu público está, marcando e compartilhando com amigos que se encaixam nesse perfil, indicando em grupos do mesmo interesse ou até utilizando hashtags.

As hashtags são ótimas para localização de novos conteúdos e são disponibilizadas seguindo uma determinada ordem: – 1º amigos, 2º páginas curtidas, 3º amigos de amigos e 4º páginas não curtidas. A ideia aqui é facilitar ao seu público (que ainda não te segue/amigo) a encontrar o seu conteúdo. Recomendamos o uso de 3 a 5 hashtags no máximo, sem poluir o conteúdo para que não dificulte a leitura.

A frequência de conteúdo é importante? Sim, a frequência mostra ao seu público diversas informações sobre o mesmo assunto, aumenta a probabilidade de identificação com o conteúdo e distribuição orgânica. Mas, adeque a frequência de acordo com o que é possível cumprir, não imponha um ritmo que prejudique a credibilidade do conteúdo e sua saúde.

Procure dar atenção aos comentários, lembrando que as mídias são por definição uma forma de diálogo. Facilitá-lo aproxima o público do canal e demonstra respeito para com ele.

Sempre responda aos comentários, nem que seja com um curtir, aproveite e utilize-os como tema para novos conteúdos e modificações no planejamento da sua divulgação.

Em caso de receber comentários indesejados (os famosos “Haters”) procure já ter definido uma política de trabalho e uma forma de responder, afinal ter muitos comentários e discussões aumenta a visibilidade do conteúdo mas pode tirar o foco da mensagem. Tenha definido se terá uma resposta padrão, se vai responder à todos individualmente ou deletá-los/ocultá-los.

Para saber mais

Sobre Erica Mariosa
Erica Mariosa Moreira Carneiro – Graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2003), Pós Graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor/Unicamp, Mestra em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor/Unicamp e Doutoranda em Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática pelo PECIM/UNICAMP. Possui experiência na área de Divulgação Científica, atuando principalmente nos seguintes temas: divulgação cientifica, comunicação, relações públicas, mídias sociais e blogs de ciência. Participa como coordenadora da comunicação do projeto Blogs de Ciência da Unicamp como divulgadora científica, administradora e palestrante, desde 2016.

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