A importância do estudo do meio para a educação ambiental

Foto: Defesa Civil de Jundiaí acompanhando alunos do 9º semestre do curso de geologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em uma visita técnica ao Jardim Tamoio (Núcleo Balsan)

As atividades interdisciplinares que realizamos durante a vida, seja em momentos de lazer ou na escola, com toda certeza agregam à nossa educação.

Nos seis anos em que lecionei geografia em escolas estaduais, sempre que pude, fiz ao menos uma aula de campo. Às vezes até mesmo dentro da própria escola, desenhando um mapa, nos trabalhos de reciclagem ou até mesmo trabalhando conceitos do tempo atmosférico. Recentemente, no  Programa de Estágio Docente (PED) na Universidade de Campinas (Unicamp), desenvolvi junto às turmas do curso de geologia vários trabalhos de campo relacionados a problemas urbanos, visitamos desde praias a morros urbanizados e estudamos problemas de deslizamentos, crescimento urbano, desmatamento e metodologias para solucioná-los.

O estudo do meio, seja ele natural ou antrópico, faz-se necessário desde o ensino infantil às faculdades e principalmente para os cursos das áreas ambientais.

Alguns artigos sobre o assunto podem ser encontrados facilmente na Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA). Um exemplo é o trabalho publicado em 2016, em que o objetivo foi identificar como alunos de duas escolas públicas situadas no município de Jaboticabal-SP percebem os meios urbano e rural. Foi aplicado um questionário junto aos alunos e as respostas foram discutidas frente ao referencial teórico concernente a percepção ambiental. Os resultados demonstraram que os alunos possuem percepções diferentes. Prevaleceu em ambos os sexos uma visão superficial do ambiente, onde a natureza é reconhecida pela sua estética. Outro ponto relevante foram as respostas relacionadas às atitudes dos alunos, uma vez que a maioria das suas justificativas aponta os resíduos domiciliares como o principal problema ambiental. E os resultados que obtiveram com o estudo, constataram que as percepções de meio ambiente diferiram entre as duas escolas. As respostas demonstraram que alunos que vivem mais próximos à natureza tem perspectiva diferente, daqueles que estão próximos à área urbanizada: percebem uma maior interação entre o ambiente natural e urbano. Outra questão que consideramos importante foram os valores atribuídos aos rios e matas justificando-os pelas condições: a primeira como fornecedores de matéria-prima e a segunda como áreas de lazer.

Quando a criança ou o adulto colocam em prática o que aprenderam, as chances de desenvolvimento e pensamentos críticos só crescem. Na educação ambiental não poderia ser diferente. É muito fácil falar que um rio pode ser assoreado ou explicar o que a falta de uma mata ciliar pode causar, por exemplo, mas mostrar empiricamente só aumentam as ideias de solução. Isto foi só um exemplo, mas existem milhares de disciplinas que podem ser estudadas em campo.

Outro trabalho que vale a leitura é o artigo Abordagens geocientíficas em estudos do meio no Ensino Fundamental I: construindo pontes para o ensino interdisciplinar, publicado em 2018 na revista Terrae Didatica. O  trabalho  descreve  a  construção  de  abordagens  geocientíficas  no  ensino  fundamental I, tendo como eixo central os Estudos do Meio e a elaboração de cadernos de campo. A pesquisa nos remete à discussão sobre a importância da metodologia do Estudo do Meio e a possibilidade de se trabalhar conteúdos e abordagens geocientíficas no currículo nas séries iniciais. Como resultado, o estudo apontou as possibilidades de construção do olhar geocientífico na escola. Os temas das Geociências poderiam servir de “ponte” para a interdisciplinaridade, e sua incorporação, mesmo que parcial, aos Estudos do Meio, se constituíram em importantes componentes de aprendizagem.

Foto: Trabalho de campo, estudo de uma voçoroca localizada no Jardim Florence I -Campinas/SP, na disciplina de geologia urbana do IG – UNICAMP

Vale destacar também outra questão: os cursos da área ambiental. Existem faculdades que ficam trabalhando só na teoria. O estudo do meio serve também para a formação destes profissionais e agregar novas metodologias naquelas existentes que já aprenderam na sala de aula.

O estudo do meio se mostra muito importante e eficaz para toda a educação e formação, mas principalmente para a educação ambiental, afinal nada melhor do que aprender praticando, criar percepções como soluções, cultura de sustentabilidade e olhares críticos para temas relacionados ao meio ambiente. Os professores, quando se dispõem a fazer um trabalho em sala de aula e mostrar essa realidade com uma ida a campo, só agregam à educação.

Olá prazer, pode me chamar de Gabi, apaixonada por geografia, fotografia e viagens. Sou geógrafa formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestranda em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), lecionei aulas de geografia no estado de SP, como pesquisadora trabalhei na área de Geografia, atuando principalmente nos seguintes temas: qualidade das águas superficiais, Vulnerabilidade Ambiental, Recuperação de mata ciliar, educação ambiental, atualmente geologia urbana, cartografia geotécnica e ensaios geotécnicos (mecânica dos solos).

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