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Empresas, melhorem

Outro dia fui num evento da GV-CES chamado: “An√°lise econ√īmico-financeira em projetos de sustentabilidade”, o objetivo do evento era apresentar 2 estudos de caso em que an√°lises econ√īmico-financeiras foram incorporadas em projetos de sustentabilidade.

Confesso que fiquei frustrada. Se isso tivesse sido apresentado h√° 10 anos eu teria ficado bastante empolgada, mas usar ferramentas de um sistema falho e cheio de problemas para mensurar algo como servi√ßos ecossist√™micos s√≥ me mostra a perpetua√ß√£o do erro, mas ok se √© o que convence esse povo eu posso at√© engolir, mas por que demoraram tanto para isso? Ou ser√° que resolveram mostrar s√≥ agora para as pessoas que sustentabilidade pode ser mensurada em valores econ√īmicos?

Mas al√©m dessa frustra√ß√£o teve outra coisa que me irritou um pouco. Acabei fazendo o coment√°rio l√° que considerar o uso de an√°lises econ√īmico-financeiras para projetos de sustentabilidade algo inovador √© um tanto atrasado na minha opini√£o, afinal o planeta, os servi√ßos ecossist√™micos prestados por ele e etc, serem considerados apenas recentemente como pe√ßa fundamental na estrat√©gia de uma empresa √© algo que deixa muito a desejar e que acaba gerando uma angustia em mim, pois eu sempre espero mais das empresas. Sem contar do que levantei ali em cima, usar como solu√ß√£o parte do problema n√£o vai trazer resultados muito diferentes ou inovadores.

Ouvir como resposta desse coment√°rio de que vivemos num sistema complexo e que as coisas n√£o acontecem na velocidade que gostar√≠amos √© algo que aceito, mas usar o argumento de que a press√£o para que isso mude tem que vir do consumidor √© algo que me d√° certa tristeza e acho uma covardia sem tamanho. √Č quase que colocar a responsabilidade das empresas de serem corretas no colo das pessoas comuns. Se o consumidor fosse de fato ouvido ou levado em considera√ß√£o n√£o existiria montadora burlando os sistemas de controle de emiss√£o de polui√ß√£o de carros nos testes de emiss√Ķes, n√£o ter√≠amos comida sem nenhum valor nutricional sendo vendida ou sequer existiria a obsolesc√™ncia programada. A press√£o social pode at√© ter sua import√Ęncia, mas acredito que apenas em alguns casos pontuais, a for√ßa da press√£o social √© muito superestimada quando o assunto √© o poder das grandes empresas. Esse papo de que os consumidores, a sociedade, os cidad√£os, etc, devem se mobilizar e fazer press√£o soa para mim s√≥ uma desculpa para justificar a in√©rcia das empresas.

Sustainable Brands 2017

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E finalmente o Sustainable Brands veio a S√£o Paulo, pela primeira vez desde 2014 o evento aconteceu na capital paulista semana passada. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras no primeiro dia do evento e no segundo trabalhei como volunt√°ria. Depois de 6 meses fora do Brasil foi interessante ver como anda a sustentabilidade para as marcas.

A primeira apresentação que eu assisti foi a que mais me empolgou, foi um workshop que falava de modelos de negócio de regeneração. Foi nessa apresentação que descobri a Guayaki Yerba Mate.

A Guayaki √© uma empresa de erva mate cuja miss√£o √© restaurar 200.000 hacres de mata atl√Ęntica na Am√©rica do Sul e gerar mais de 1000 empregos at√© 2020 usando o modelo de neg√≥cios de regenera√ß√£o. O principal produto deles √© a lata de ch√° de erva mate que √© vendido no Whole Foods nos EUA. Mas eles tamb√©m vendem a erva em pacotes. Todos os produtos s√£o org√Ęnicos, livre de transg√™nicos e produzido pelos princ√≠pios de com√©rcio justo, al√©m de serem uma empresa B. Fiquei encantada com o trabalho deles me deu esperan√ßa que empresas podem ter objetivos maiores que al√©m de dar lucro para seus acionistas. Eles conseguiram criar um ciclo virtuoso em que quanto mais mata atl√Ęntica eles restaurarem mais eles podem produzir, uma vez que a erva mate precisa da sombra da mata atl√Ęntica para crescer e se desenvolver.

Tamb√©m conheci a Boomera (antiga Wisewaste) que faz um trabalho bem interessante com grandes marcas com rela√ß√£o aos res√≠duos. Eles desenvolveram solu√ß√£o de reciclagem para c√°psulas de caf√©, embalagens de refresco e lixo pl√°stico de uma lagoa no Rio de Janeiro. E ainda est√£o trabalhando com reciclagem de fraldas descart√°veis. O √ļnico por√©m √© que nem sempre essas pr√°ticas viram parte da vida √ļtil do produto, por exemplo as embalagens de refrescos foi apenas um projeto e que terminou, ou seja, eles transformaram as embalagens em instrumentos musicais durante o tempo da campanha e agora acabou, a empresa n√£o recicla mais suas embalagens. Outra coisa tamb√©m √© que a empresa geralmente n√£o participa do planejamento inicial dos produtos, as marcas s√≥ lembram de procurar uma solu√ß√£o para o res√≠duo quando o problema j√° est√° instalado e n√£o no momento do desenvolvimento do produto. Depois as marcas querem que eu acredite que a sustentabilidade j√° √© parte da realidade da sociedade, t√°, sei.

Agora o que me deixou realmente irritada foi ouvir o CEO da Pepsico. Eu tenho uma posição bem radical quando o assunto são alimentos ultraprocessados, principalmente quando eles são basicamente salgadinhos sem nenhum ou quase nenhum valor nutricional.

Pensando sobre isso pensei num post para a minha s√©rie Futuro: “Pepsico resolver encerrar sua produ√ß√£o at√© 2050 e investir em projetos sobre educa√ß√£o alimentar.” hahaha Ser√° que viraliza como fakenews?

Agradeço à organização do evento pela oportunidade como participante e voluntária do evento.

Jogos Olímpicos Rio 2016

E para completar o ciclo de trabalho voluntário em grandes eventos (voluntariei na Rio+20 e na Copa do Mundo), obviamente que estava nas Olimpíadas Rio 2016.

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Após o evento fiquei com vários tópicos na minha cabeça para talvez escrever aqui, não tinha certeza se faria, mas depois de ler Rio 2016 Olympics: A sustainability summary achei que valia contar um pouco do que vi lá.

Esse texto da Ann Duffy √© super otimista com rela√ß√£o aos jogos e todas as a√ß√Ķes de sustentabilidade que foram feitas ao longo do planejamento dos jogos¬†(falei um pouco disso quando visitei o Comit√™ em 2014). Mas o que me intrigou mesmo √© a realiza√ß√£o dos jogos em si, o evento durante e como o tema res√≠duo foi encarado.

Quando fiz a minha primeira caminhada no Parque Olímpico no primeiro domingo dos jogos a tarde meu primeiro choque foi a quantidade de gente que tinha ali. Sinceramente, fiquei assustada, aquilo parecia um formigueiro de gente e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi: um grande evento nunca será sustentável. Reunir aquela quantidade absurda de gente de todos os cantos do mundo, hospedá-las, alimentá-las e transportá-las é algo sem noção e insustentável.

Eu trabalhei no est√°dio da Lagoa, na equipe da √°rea de protocolo que consistia em receber os membros da fam√≠lia ol√≠mpica (leia-se membros dos comit√™s ol√≠mpicos nacionais e internacionais, membros das federa√ß√Ķes de esporte, ministros, chefes de estado, etc), cuidar do local onde eles se reuniam (um lounge que cabia umas 100 pessoas) e organizar e indicar os assentos dessas pessoas para assistir a competi√ß√£o, ao todo √©ramos uns 20 volunt√°rios, comandados por 2 funcion√°rios contratados do comit√™ organizador. Qual o maior problema ambiental dessa opera√ß√£o? Res√≠duos. Nesse lounge tinha bebidas do patrocinador a vontade e algumas comidas. T√≠nhamos lixeira de recicl√°veis e n√£o recicl√°veis, adivinha se respeitavam? Muitos at√© tentavam, mas e a garrafa meio cheia que n√£o foi consumida at√© o fim o que fazer, lixeira de recicl√°vel ou org√Ęnicos? In√ļmeras vezes me vi na d√ļvida: copo sujo de refrigerante vai em qual lixeira? Coisas que poderiam ser planejadas como n√£o usar descart√°veis n√£o foi algo pensado, pergunta se os copos, pratos e tralheres eram descart√°veis? Claro! Coisas banais como essas ningu√©m pensou para diminuir a quantidade de res√≠duo gerado. Me do√≠a o cora√ß√£o cada vez que eu via as lixeiras com os res√≠uos todos misturados e uma garrafa de refrigerante cheia at√© a metade sem saber em qual das lixeiras usar… (Pra esse “problema” mostrei aqui a solu√ß√£o encontrada por um shopping em S√£o Jos√© dos Campos.)

E os res√≠duos do almo√ßo dos volunt√°rios e funcion√°rios? Prato, copo, talheres descart√°veis e uma lixeira √ļnica com tudo misturado. Mas a carne que comemos n√£o era proveniente de desmatamento e o peixe era sustent√°vel. √Č o que d√° pra fazer num evento dessa magnitude. T√° bom, √© suficiente? N√£o tenho a resposta. Essas s√£o as experi√™ncias que eu vivi no Est√°dio da Lagoa, o evento tinha instala√ß√Ķes em tantos outros locais e n√£o sei como funcionou em cada um deles, pode ser que tenha sido melhor ou pior, esse foi a √ļnica amostra que eu coletei.

Achei essa reportagem do The Guardian, contam da utilização dos catadores para a gestão dos resíduos durante os jogos. Mas duvido que o lixo gerado no meu almoço tenha ido parar em alguma coperativa, tenho quase certeza que foi tudo parar no aterro com garrafas, talheres e pratos de plásticos que em tese deveriam ser reciclados. Afinal, ninguém merece ter que revirar o lixo sujo de comida e bebida de niguém para retirar os descartáveis, nem pelos R$80 por dia pagos pelo comitê organizador.

Por que o lixo √© t√£o negligenciado? Por que acreditam que¬†colocar 2 tipos de lixeiras e¬†chamar os catadores ou cooperativas de catadores o problema t√° resolvido e equacionado? √Č impress√£o minha ou numa escala de prioridades o lixo sempre vem em √ļltimo? Ser√° que foi muito diferente em Londres, Pequim ou Atenas?

O cinismo da humanidade com relação ao lixo tem que mudar, ou vamos eternamente fingir que o lixo não existe e não nos pertence uma vez que o colocamos numa lata de lixo?

O que aprendi hoje

Hoje teve evento: “Implica√ß√Ķes e oportunidades para o meio empresarial diante da nova INDC brasileira”

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Ai alguns dos meus tweets durante o evento:

 

A coisa foi toda meio esquizofrênica, comecei ouvindo que somos uma potência ambiental e somos respeitados por isso no mundo todo. Mas pra isso ser verdade acho que a gente não deveria ter sujado a nossa matriz energética, né não? Ouvi lá que a Alemanha aproveita mais a energia solar do que nós e o melhor potencial de incidencia solar deles não chega nem perto do nosso pior índice de incidência solar. E mesmo assim somos considerados uma potência ambiental mundial? Mas o mundo vai mal mesmo, hein?

Mas os aprendizados do dia foram:

Para as empresas mudan√ßas clim√°ticas resumem-se a energia e pelo visto essa √© a √ļnica e maior contribui√ß√£o que eles podem fazer por que o evento S√ď falou disso. Pra voc√™ ter uma no√ß√£o de como o assunto do evento foi energia s√≥ o Ministro de Minas e Energia estava presente apesar da Ministra de Meio Ambiente e o Ministro da Fazenda tamb√©m terem sido convidados.

E para o governo mudanças climáticas não é um problema ambiental e sim de desenvolvimento. Isso explica muita coisa do que temos vistos diante dos nossos problemas ambientais, né não?

E Boa COP-21 para todos!

COP-20 ‚Äď Peru, Lima

S√≥ hoje me dei conta que tem 2 anos que o protocolo de Kioto expirou e simplesmente n√£o h√° mais metas para redu√ß√£o de emiss√Ķes de carbono. Bom, n√£o que essas metas algum dia de fato fizeram muita diferen√ßa no mundo (j√° que o principal emissor n√£o tinha meta nenhuma), mas pelo menos existia um compromisso assinado, n√©? Agora ningu√©m tem‚Ķ

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Abertura da COP-20 Foto: https://www.flickr.com/photos/126063342@N06/15736749298/in/set-72157649549283121

E dezembro chegou e mais uma COP começa, dessa vez aqui na América do Sul, em Lima no Peru. E as poucas notícias que li dizem que desse encontro sai um rascunho de acordo e que provavelmente será assinado no ano quem vem na COP-21 em Paris para então entrar em vigor só em 2020.

Ai voc√™ como eu se pergunta: mas por que isso demora tanto? Ensaio de acordo pra ser assinado daqui um ano para entrar em vigor daqui 6 anos? O que essa gente espera que aconte√ßa at√© l√°? Ali√°s, o que essa gente t√° esperando desde 2012 quando o protocolo de Kioto expirou? Um milagre! Literalmente um milagre! S√©rio gente √© isso que eles pensam‚Ķ Vamos empurrando o problema at√© que uma tecnologia barata e simples surja, vamos administrando as emiss√Ķes aqui e ali at√© que os cientistas encontrem a solu√ß√£o para o problema. Simples assim.

S√≥ eu mesmo na minha santa ingenuidade acreditava que eles queriam salvar o clima do planeta! Olha, eles talvez at√© queiram, mas n√£o querem gastar nenhum dinheiro com isso (de prefer√™ncia querem ganhar muito dinheiro com isso) e n√£o querem mudar nada. Mudar matriz energ√©tica? Poxa, trabalh√£o, hein? (leia-se quanto custo!) Diminuir consumo? Pirou? Como ganhar dinheiro sem mais consumo? √Č aquela velha hist√≥ria: tudo deve mudar para que tudo permane√ßa como est√°.

Claudia Chow, tentando entender conferências do clima desde a COP-15.

Rio 2016

Semana passada fui convidada pelo comitê Olímpico Organizador das Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para participar da coletiva de imprensa de lançamento do relatório da pegada de cabono dos jogos e depois um tour pela sede com direito à conversa com ex atleta vencedor de medalha olímpica e almoço especial.

30.10.2014.Relatório Carbono. Blog
Influenciadores que participaram da visita.

Na parte da manh√£ foi apresentado pela Gerente de Sustentabilidade do Comit√™ Organizador, T√Ęnia Braga, o Relat√≥rio de Gest√£o da Pegada de Carbono dos Jogos Rio 2016. No total do evento ser√£o emitidas 3,6 milh√Ķes de CO2, da organiza√ß√£o do evento eles ser√£o respons√°veis por 724 mil toneladas. A maneira que eles v√£o gerir todas essas emiss√Ķes segue a a seguinte estrat√©gia:

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Uma vez que eles j√° estimaram as emiss√Ķes (as 724 mil toneladas) a ideia agora √© tentar diminui-las, seja evitando, reduzindo ou substituindo-as e a meta deles √© chegar as 600 mil toneladas e ai sim mitigar e compensar essas restantes. Uma das formas que eles v√£o utilizar para compensar essas emiss√Ķes ser√° o que eles chamam de mitiga√ß√£o tecnol√≥gica em parceria com a Dow, que oferece v√°rias t√©cnicas de mitiga√ß√£o de carbono como promo√ß√£o de pr√°ticas agr√≠colas que melhorem a produtividade e reduzam emiss√Ķes, novas embalagens e tecnologias de conserva√ß√£o de alimentos, visando reduzir a quantidade de desperd√≠cios ao¬†longo da cadeia produtiva, medidas de aumento da efici√™ncia energ√©tica em opera√ß√Ķes, processos industriais e materiais, projetos que melhorem a efici√™ncia energ√©tica na constru√ß√£o civil e disseminem solu√ß√Ķes de baixo-carbono no setor de infraestrutura.

Na parte da tarde tivemos algumas experiencias bem legais, conhecemos o medalhista olímpico Ricardo Prado, que é Presidente do Conselho de Esportes do Rio 2016, ele contou um pouco da história e um pouco do que faz hoje na organização dos jogos.

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Com o atleta Ricardo Prado.

Depois tivemos um almoço super especial, não tanto pela comida em si, mas pela experiência de comê-la usando vendas e conversando com o Marcos, um dos funcionários do comitê que é cego desde criança. Essa foi uma das experiências mais legais da minha vida, não só o fato de não ter muita certeza do que estava comendo e ir tentando descobrir, mas a experiência de conversar com um cego sem enxergá-lo e criar toda uma expectativa de vê-lo, a sensação que eu tive é que até a direção da conversa e perguntas feitas foram um pouco diferentes se todo estivéssemos sem as vendas.

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O almoço vendados.

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Foto com o Marcos num dos painéis do encontrados pelo corredor da sede.

Outra coisa que gostei muito foi o prédio sede, todo o planejamento dele pensando na acessibilidade das pessoas, nos murais inspiradores espalhados por todo o local e no conceito e planejamento de ser um prédio modular (contruído com containers) e que vai crescendo e diminuindo conforme a demanda, no início do comitê eram 30 pessoas trabalhando, hoje são entorno de 2mil. E o mais importante, ao fim dos jogos, o prédio não irá existir mais, os módulos serão retirados e provavelmente reutilizados e o terreno poderá novamente ser usado.

√Č poss√≠vel perceber¬† que planejamento est√° presente nas a√ß√Ķes do Comit√™ que nada √© feito sem uma raz√£o de ser muito clara e bem pensada e nesse caso a sustentabilidade entra com muita for√ßa, o diretor de communica√ß√£o chegou a afirmar que sustentabilidade √© uma obssess√£o para eles e n√£o apenas discurso.

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Eu e o logo 3D dos Jogos Olímpicos.

Adorei saber de tudo isso e ver transpar√™ncia e planejamento nas atitudes deles. Mas vale lembrar que esse √© o comit√™ organizador do evento, eles n√£o s√£o respons√°veis por exemplo pelas obras de melhoria no transporte p√ļblico da cidade ou mesmo na constru√ß√£o dos aparelhos esportivos, isso √© reponsabilidade do Governo e acho que devemos cobrar o mesmo profissionalismo deles, a falta de transpar√™ncia das atividades do governo podem acabar comprometendo um trabalho bonito e bem feito que tem sido feito pelo comit√™ organizador.

Um grande evento depois de 4 anos

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Lembro-me que o √ļltimo grande evento que participei com a tem√°tica de meio ambiente, sustentabilidade e afins foi h√° 4 anos, a Confer√™ncia Ethos de 2010. Essa semana que passou estive no 8o Congresso Gife, como j√° tinha falado aqui. Pois bem, o que mudou sobre a ‚Äúarte de fazer congressos‚ÄĚ nesses 4 anos? Basicamente nada, ou quase nada, continuamos no mesmo modelo de palestras, mesas redondas, oficinas (essas um pouco mais pr√°ticas) e plen√°rias (que nada mais √© que um nome diferente para palestras e mesas redondas, talvez s√≥ mude o tamanho da plateia). Nesse evento em si teve o diferencial da programa√ß√£o aberta, eventos organizados por outras institui√ß√Ķes geralmente na parte da manh√£ ou da noite (antes ou depois da programa√ß√£o oficial do congresso), todos de gra√ßa e sem a necessidade de estar inscrito no Congresso. Foi o caso por exemplo da palestra do Professor Jeffery Sachs que aconteceu no dia 19 √† noite.

E os assuntos, temas e abordagens? Apesar de ser um congresso sobre investimento social de impacto a sustentabilidade sempre permeia os debates, mas ainda vi departamento de sustentabilidade ligado ao departamento de marketing que por sua vez estava ligado √† Funda√ß√£o ou o Instituto da empresa (achava q 4 anos depois coisas do tipo estavam mudando). Vi alguns cases e a grande esmagadora maioria √© sobre educa√ß√£o e de verdade tem algo de errado com todo esse investimento. N√£o sei se ele √© pequeno demais diante do tamanho do Brasil, se √© mal empregado ou se os institutos/ funda√ß√Ķes propagandeiam mais do que realmente fazem pois os nossos √≠ndices de educa√ß√£o s√£o sempre bem vergonhosos, todo esse investimento n√£o faz nem c√≥cegas no nosso problema? √Č para pensar. Fiquei com a mesma sensa√ß√£o que tive quando o li o livro Doar do Bill Clinton, tanto investimento, tanto dinheiro e a sensa√ß√£o que temos √© que¬† estamos bem longe de sermos o que sonhamos como na√ß√£o. Ser√° que meu sonho √© muito exigente?

Um evento desses √© v√°lido pois tr√°s as novidades do¬† mundo a fora,¬† como por exemplo a pesquisadora de Stanford Lucy Bernholz (@p2173) que pesquisa sobre o business das doa√ß√Ķes e √© respons√°vel pelo Laboratorio Digital da Sociedade Civil na mesma Universidade, nas falas dela que ouvi ela trouxe temas interessantes como a economia compartilhada e a mudan√ßa de comportamento da sociedade com as novas tecnologias. Ela ainda prop√īs numa roda de conversa criar uma publica√ß√£o sobre o campo social brasileiro.

Gosto muito desses eventos, mas eles acabam comigo, na metade do segundo dia j√° me sinto esgotada de tanta informa√ß√£o recebida, n√£o consegui ir no terceiro e √ļltimo dia e me sinto arrependida at√©, mas n√£o tenho certeza se iria aproveitar como deveria. Penso que esses eventos s√£o de extrema import√Ęncia pelos mais variados motivos e talvez dessa vez a minha sensa√ß√£o de que os assuntos debatibos e conversados l√° ¬†v√£o ainda que minimanente sair daquelas paredes me deixou mais otimista.

Conferência Ethos Р2010

Como j√° tinha falado anteriormente esse ano mais uma vez estive na Conferencia Ethos pelo 99 Olhares da Natura.

Sobre o evento em si

Acho que precisamos de um novo modelo de Conferência. Acho, não tenho certeza, que ficar todo mundo sentado assistindo algumas pessoas falarem com tempo marcado sobre alguns assuntos que alguém decidiu que é legal e interessante pode não ser assim tão empolgante. Não sei se os debates não foram conduzidos da melhor maneira possível, ou se é o modelo que cansa mesmo, mas criar novas maneiras de se interagir pode ser uma boa pra fazer o evento parecer mais produtivo. As vezes a sensação que me dá é que tudo que é debatido nessas salas ficam lá e não são levadas para mais pessoas, os assuntos parecem ficar limitados ao momento.

Acho que eles até tentaram uma nova fórmula com o Open Space e foi bem interessante pois deu oportunidade das pessoas falarem e ouvirem mais sobre seus assuntos de maior interesse, espero que esse espaço seja o início para mudar o jeito de fazer essa conferência. Talvez seja eu quem está querendo inovação demais, mas é que eu ouvi tanto sobre inovação lá…

Sobre o conte√ļdo das palestras

Algumas foram muito bem escolhidas, outras nem tanto, algumas eu queria que tivesse durado mais, outras nem tanto. Obviamente que nada é perfeito e as palestras que mais me chamaram a atenção foram a da Janine Benyus falando de Biomimética e a palestra do André Trigueiro. Ambas por motivos completamente distintos.

Janine Benyus √© uma cientista natural americana que j√° escreveu 6 livros sobre Biomim√©tica, que segundo ela √© uma disciplina emergente que d√° solu√ß√Ķes sustent√°veis imitando designs e processos da natureza, exemplo cl√°ssico: velcro. Uma cientista num evento de empresas, as vezes penso que as empresas precisam mais de ci√™ncia do que de n√ļmeros, planos estrat√©gicos e metas. Veja a palestra dela no TED para entender o que a natureza pode fazer por n√≥s, e me d√° desespero de pensar que a gente pode estar destruindo solu√ß√Ķes!

Andr√© Trigueiro √© jornalista da Globo News e comanda o programa Cidade e Solu√ß√Ķes, √© comentarista da CBN e sua palestra foi uma das poucas a serem aplaudidas de p√© ao final. Pra mim foi muito empolgante ver algu√©m falar verdades num evento que pra mim estava sendo s√≥ troca de elogios e rasga√ß√£o de seda entre as empresas, n√£o sei se todo mundo interpretou assim, mas n√£o √© para muitos falar que todo mundo vai ouvir esse ano pol√≠ticos falando de ciclovias, bicicletas e afins, mas que no fundo √© dif√≠cil eles abrirem m√£o da contribui√ß√£o em cascata da ind√ļstria automobil√≠stica e do caixinha na campanha. Trigueiro ainda falou que precisamos de uma ruptura urgente com esse modelo de desenvolvimento, mas acho que isso pode n√£o ter sensibilizado muito a plateia porque todos devem achar que isso j√° deve ter acontecido‚Ķ

Sobre a ação 99 Olhares que me levou até a Conferência

Como que funcionou isso? A Natura como contribui√ß√£o (patroc√≠nio, apoio, chame como quiser) para o evento comprou um lote de 99 inscri√ß√Ķes e ao inv√©s de distribuir entre seus funcion√°rios ou pessoas que ela queria agradar resolveu fazer uma a√ß√£o convidando pessoas da internet engajadas no assunto para dar seu olhar no evento. Adorei a ideia n√£o s√≥ porque eu fui convidada, mas o fato de chamar gente que pode contribuir de alguma forma com o evento √© muito bom aumenta a variedade, mesmo porque esse √© um evento bem caro que n√£o sei se muitas das pessoas que foram teriam essa oportunidade. Se voc√™ esteve no evento e quiser compartilhar seu olhar, por favor utilize a caixa de coment√°rios!

Conferência Ethos e 99 Olhares

Ano passado participei da Conferência Ethos, de modo meio independente, oferecendo junto com a Paula uma divulgação on-line do evento. Foi uma experiência bastante boa onde conheci várias pessoas e pude ver palestras interessantes, esse ano fui convidada pela Natura para participar do projeto 99 olhares.

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Esse projeto tem a intenção de estimular o debate sobre o futuro do planeta entre grupos diversos da internet. Para isso eles estão oferecendo 99 vagas para participar da Conferência Ethos que acontece agora em maio em São Paulo e para tentar ganhar uma das vagas você deve responder a pergunta: Qual a sua visão de um mundo melhor?

Eu j√° fui uma das 99 pessoas escolhidas para participar e colaborar com meu olhar. Eu n√£o precisei necessariamente responder a pergunta em quest√£o, mas acho que o blog deve responder isso a cada post. E baseado neles eu acho que a minha vis√£o de um mundo melhor tem a ver com menos propagandas enganosas dizendo que consumir mais pode ser sustent√°vel, me preocupando com o lixo das cidades e tentando encontrar alternativas, questionando ‚Äúa√ß√Ķes sustent√°veis‚ÄĚ sem fundamento, lendo livros que falam do assunto, pesquisando e desmistificando alguns dogmas ambientalistas, indo em eventos e relatando minhas inquieta√ß√Ķes e impress√Ķes, verificando se as tentativas das empresas tem sucesso ou s√£o s√©rias entre mais um outro monte de coisas‚Ķ. Acho que a cada post nesse blog eu respondo um pouco o que √© a minha vis√£o de um mundo melhor e a sua? Qual √©? Se n√£o quiser participar da promo√ß√£o e responder nos coment√°rios vou achar interessante saber sua opini√£o, afinal a minha eu tenho compartilhado aqui j√° tem 3 anos!

Brasil querendo ficar bem na fita, te convence?

Hoje quando abri o portal Globo.com apareceu um pop-up do Governo Brasileiro que levava para um site falando da participação do Brasil na COP-15.

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Numa das p√°ginas do site chamada Panorama que fala de matriz energ√©tica limpa eles afirmam (no texto) que 45,9% da produ√ß√£o de energia brasileira vem de fontes renov√°veis. Ai mostram 2 gr√°ficos, um mostrando a matriz energ√©tica brasileira separada em renov√°vel (46,4%, afinal qual o n√ļmero correto?) e n√£o renov√°vel (53,6%) e outro gr√°fico as fontes de gera√ß√£o de eletricidade. Mais de 75% √© de origem em hidrel√©tricas.

Ai o Brasil resolve falar em investimentos, √© essa parte que mais me irrita. ‚ÄúA estimativa do Minist√©rio de Minas e Energia para o per√≠odo 2008-2017 indica aportes p√ļblicos e privados da ordem de R$ 352 bilh√Ķes para a amplia√ß√£o do parque energ√©tico nacional.‚ÄĚ ‚ÄúPara a √°rea hidrel√©trica est√£o previstos cerca de R$ 83 bilh√Ķes.‚ÄĚ ‚ÄúOutros R$ 23 bilh√Ķes devem ser aplicados na expans√£o da produ√ß√£o e oferta de biocombust√≠veis como etanol e biodiesel.‚ÄĚ

√ďtimo, s√£o R$106 bilh√Ķes que ser√£o investidos hidrel√©tricas e biocombust√≠veis, ou seja, 30,12% do total dos investimentos. T√° e os outros R$ 246 bilh√Ķes? V√£o investir em que? Vento? Nuclear? G√°s Natural? Petr√≥leo e derivados? Vejam bem s√£o praticamente 70% de todo o dinheiro e eles n√£o falam onde v√£o investi-lo, por que ser√°? N√£o pega bem num site que fala de desenvolvimento sustent√°vel e matriz energ√©tica limpa dizer que 70% dos investimentos em matriz energ√©tica n√£o ter√£o nada a ver com fontes alternativas de energia. Espero realmente estar errada e que o texto foi feito as pressas e esqueceram de mencionar o quanto v√£o investir em outras fontes renov√°veis.

A ideia do site de mostrar o que o Brasil tem feito pelo seu ‚Äúdesenvolvimento sustent√°vel‚ÄĚ √© louv√°vel, mas n√£o precisava entrar na maquiagem verde, n√©? T√° querendo enganar quem, Brasil, ainda mais depois do pr√©-sal?