Somos pós-modernos

Somos pós-modernos por nos permitirmos olhar para o passado e para tudo o que foi feito; de olhar para o presente e buscar entender o que estamos fazendo, mesmo que isso implique em repetir atitudes, posições ou conceitos ditos modernos.

Somos pós-modernos por não mais assumir uma postura universal e salvacionista; por buscarmos outras formas de sermos, vivermos e nos expressarmos, mesmo que isso implique na construção de novos modelos e paradigmas.

Somos pós-modernos por nos colocarmos como sujeitos mais questionáveis, menos certos e mais dispersos.

Somos pós-modernos porque vivemos num tempo que não pode ser definido como o mesmo de antes, por estarmos submersos nas correntes da incerteza e por sabermos, mesmo que de forma vaga e incerta, que não somos mais modernos.  

Mas do que se trata a pós-modernidade?

Tratar de modernidade e pós-modernidade é referir-se, também, a tempos distintos. Vejamos exemplos: tinha-se a ideia de que com os avanços científicos e tecnológicos iríamos, enquanto sociedade, alcançar um “bem estar” e “qualidade de vida”. Também projetávamos que os sujeitos, em um dado momento, seriam livres, emancipados, autônomos a partir da educação escolarizada. Este momento de idealização (e tentativa de implementação) de uma sociedade avançada, a partir de grandes feitos científicos, tecnológicos e sociais, chamamos de Modernidade.

Por outro lado, a pós-modernidade emerge, se é que podemos nos expressar assim, no momento em que esses “feitos” não foram atingidos. As incertezas, os questionamentos e as dúvidas vivenciadas por não atingir os ideais modernos (e percebê-los inalcançáveis) se encontram e formam substrato para o pensamento pós-moderno.

Discussões sobre nomenclatura, aproximações e atravessamentos entre modernidade e pós-modernidade são recorrentes, assim como teorizações e disputas. Há quem trabalhe, a título de exemplo, com um debate de que a pós-modernidade não é um período histórico propriamente dito, mas uma compreensão das problemáticas da modernidade, como ideal não passível de ser atingido. Também existem autores que se utilizam de outros termos para discorrer sobre o tema (modernidade tardia; hipermodernidade…).

No post de hoje, apenas tive o intuito de introduzir, brevemente, a questão da pós-modernidade. Mais textos estão por vir, apresentando outros conceitos relacionados ao tema!

Para saber mais:

VEIGA-NETO, A. Educação e Pós-Modernidade: impasses e perspectivas. Disponível em: http://www.grupodec.net.br/wp-content/uploads/2015/10/EducacaoePosModernaidadeVeigaNeto.pdf.

VEIGA-NETO, A. Michel Foucault e a educação: há algo de novo sob o sol?. In: VEIGA-NETO, A (Org.). Crítica pós-estruturalista e educação. Porto Alegre: Sulina, 1995. p. 9-55.

CORAZZA, S. M. Labirintos da pesquisa, diante dos ferrolhos. In: COSTA, Marisa
Vorraber (Org.). Caminhos Investigativos I: novos olhares na pesquisa em educação.
Rio de Janeiro: Lamparina editora, 2007. p. 103-127

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