Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada

tirinhas85

No post anterior, uma amiga me escreveu indignada com a falta de educação científica dos EUA, onde mais da metade das pessoas não acredita na evolução.

Uma vez, em uma palestra, fiz uma pergunta para o Marcelo Leite e Monica Teixeira, que são divulgadores de ciência famosos no Brasil: Como pode os EUA, que é o maior produtor de ciência no mundo, ter tantas pessoas que não acreditam em evolução?

O Marcelo Leite disse que o que acontece é que nos EUA têm muito espaço e recursos para todos os tipos de ideologias. E setores religiosos mais conservadores veem que a evolução não bate com o que eles acreditam. Não são todos os religiosos que pensam assim, mas principalmente os que acreditam exatamente no que está na bíblia, que acreditam na mulher vindo da costela de Adão, ou que Noé colocou TODOS os animais do mundo numa barca. Mas esses vão ter problemas sérios não só com a evolução mas com muito mais gente por aí. Por isso vamos deixar eles de lado.

Acontece que tem um pessoal que n√£o √© t√£o radical. E essas pessoas se dividem tamb√©m. Tem os que acreditam que deus √© uma entidade sobrenatural, ou seja, fora do mundo natural; e tem o pessoal que tenta ligar religi√£o e ci√™ncia fazendo uma gambiarra, e isso √© o tal do Design Inteligente. Os primeiros (deus √© sobrenatural e por isso n√£o vamos tentar explicar cientificamente) eu respeito, os outros (design inteligente: deus n√£o fez a mulher da costela de Ad√£o mas p√īs o dedo em todas as muta√ß√Ķes de DNA at√© o que viramos hoje) n√£o tem o meu respeito porque tentam afirmar a sua f√© com ci√™ncia, e quando fazem isso distorcem as duas: a f√© e a ci√™ncia.

Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada. As duas podem conviver, mas não podem basear-se uma na outra.

Eu n√£o vou indicar nenhum site sobre design inteligente, muito menos criacionistas, mas vou indicar um de um amigo de, quem eu sou f√£, e que est√° escrevendo um blog chamado Darwin e Deus.

Ele sabe muito de ciência, evolução, história, é católico, e é da turma que coloca Deus no sobrenatural e tenta entender como conviver com isso.

Entre l√°

 

Como um doutor em biologia pode ser anti-Darwin?

Three_Wise_Monkeys

Uma amiga minha, Rubia, me mandou este texto que mostra um inconformismo parecido com o que eu senti quando fiquei sabendo, nas palavras dela, que ”¬†51%¬†dos norte-americanos n√£o acredita na evolu√ß√£o darwiniana e eles dizem isso¬†na maior cara-de-pau”. Absurdo n√©? Farei os meus coment√°rios depois, talvez em outro post, mas agora veja o que ela tem a dizer sobre isso.

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Esta semana eu estava fazendo as leituras obrigatórias para uma disciplina que curso como ouvinte no Departamento de Comunicação da Universidade de Cornell. O tema é o debate sobre o ensino da teoria da evolução versus design inteligente (D.I.) nas escolas norte-americanas. Vale ressaltar neste ponto que sou formada em ciências biológicas e que acredito na evolução tanto quanto acredito na lei da gravidade.

Enquanto lia, visualizava os adeptos do D.I. como uma minoria caipira do tipo que vai fazer compras no supermercado vestindo a cueca por fora da calça. A cavalo.

Estava cansada de ler e as tr√™s gurias com quem eu moro estavam conversando¬†sobre as aulas da semana, ent√£o resolvi aproveitar a pausa para falar do tema¬†da minha aula. Falei por uns 3 minutos sobre as leituras e li em voz alta uma¬†ou outra frase de uma entrevista que dizia que Darwin era o respons√°vel pela¬†difus√£o do ate√≠smo no mundo. Tudo com bastante sarcasmo e ironia, pois achei¬†que estava falando de algo bastante √≥bvio. Uma delas ent√£o me perguntou o que¬†eu achava da evolu√ß√£o. N√£o entendi a pergunta e ela repetiu, ‚Äúvoc√™ acredita na¬†evolu√ß√£o? Acha que √© verdade?‚ÄĚ Ainda confusa com a pergunta (d√£h!) respondi¬†que sim, e com bastante medo praticamente sussurrei: ‚Äúvoc√™…n√£o?‚ÄĚ

ATEN√á√ÉO ‚Äď OS PR√ďXIMOS PAR√ĀGRAFOS PODEM CAUSAR ARRITMIA,¬†CONFUS√ÉO MENTAL E TAQUICARDIA

Ela com a cara mais lavada me diz que n√£o. E uma por uma, as outras tr√™s¬†(t√≠nhamos uma visitante) confirmaram que ‚Äútamb√©m n√£o acreditam na¬†evolu√ß√£o‚ÄĚ. E pasmem, tamb√©m n√£o acreditam na teoria do Big Bang.

Eu simplesmente não sabia o que dizer, estava horrorizada. Chocada. Triste. Com pena do Darwin. Para os desavisados como eu, saibam que algo entre 48% e 51% dos norte-americanos não acredita na evolução darwiniana e eles dizem isso na maior cara-de-pau, sem o menor medo de ser feliz. Aqui é normal.

A entrevista da qual eu falei foi feita em 2009 com o Jonathan Wells, um Doutor em biologia celular e molecular pela Universidade da Califórnia (ele também é Doutor em estudos religiosos pela Universidade de Yale). Selecionei dois trechos particularmente interessantes, a entrevista na íntegra pode ser encontrada aqui:

Entrevistador: “Este ano é o bicentenário de Darwin. O que você poderia dizer

que √© um bom resumo, hoje em dia, dos seus escritos sobre evolu√ß√£o?‚ÄĚ
JW: “Por quê não celebramos o centenário de Mendel nos anos 1920, ou o
tricenten√°rio de Newton nos anos 1940? Ambos foram grandes cientistas.‚ÄĚ

Pausa: Hein?! O que tem a ver o c….

Prosseguindo:

JW: ‚ÄúDarwin n√£o √© celebrado por suas contribui√ß√Ķes cient√≠ficas, mas porque sua
teoria se tornou o mito criador do ate√≠smo.‚ÄĚ

Outro trecho peculiar:

JW: ‚Äú(…) dados do projeto genoma est√£o revelando grandes inconsist√™ncias no
argumento Darwiniano de que todos os organismos compartilham um ancestral
comum, e que ningu√©m nunca observou a origem de uma nova esp√©cie ‚Äď muito
menos a origem de novos √≥rg√£os ‚Äď por varia√ß√£o e sele√ß√£o. Por outro lado, a
evidência para o design inteligente está aumentando. Mais cedo ou mais tarde,
evid√™ncia vencer√°.‚ÄĚ

O que não sai da minha cabeça é: como uma pessoa que passou por um doutorado em biologia celular e molecular pode ser anti-Darwin? Mais ainda, com uma quantidade irrefutável de evidências científicas e de consenso quanto à teoria da evolução, como é possível que de cada 2 norte-americanos, só 1 acredite nela?

Para Chris Mooney e Matthew Nisbet, a pol√™mica tem ra√≠zes religiosas mas¬†grande parte da culpa √© da m√≠dia. Eles afirmam em um artigo intitulado¬†‚ÄúUndoing Darwin‚ÄĚ (ou ‚ÄúDesfazendo Darwin‚ÄĚ) que quando a evolu√ß√£o sai do¬†campo cient√≠fico e entra no campo pol√≠tico e jur√≠dico, ela deixa de ser coberta¬†por jornalistas com conhecimento cient√≠fico para navegar entre p√°ginas sobre¬†pol√≠tica e opini√£o, e tamb√©m nos jornais televisivos. Todos esses contextos, cada¬†um ao seu modo, tendem a retirar a √™nfase na forte evid√™ncia cient√≠fica em favor¬†da evolu√ß√£o para dar credibilidade √† ideia de que h√° uma crescente controv√©rsia¬†sobre a ci√™ncia evolutiva, e assim a m√≠dia est√° cumprindo o seu papel e cobrindo¬†‚Äúos dois lados‚ÄĚ do t√≥pico. Eles afirmam categoricamente que esta pr√°tica ‚Äúpode¬†ser politicamente conveniente, mas √© falsa‚ÄĚ.

O Estado √© laico mas mesmo assim temos referencias religiosas no dinheiro,¬†nas escolas, na pol√≠tica com o caso escandaloso do pastor Feliciano como¬†presidente da Comiss√£o de Direitos Humanos. √Č o verdadeiro samba do crioulo¬†doido.

Algo semelhante acontece com o caso das mudan√ßas clim√°ticas e aquecimento¬†global. Ao tentar veicular ambos os lados do debate de maneira ‚Äúimparcial‚ÄĚ, a¬†m√≠dia retrata de maneira bastante desproporcional a opini√£o partilhada pela¬†maioria dos cientistas quando dedica o mesmo tempo no ar (ou o mesmo espa√ßo¬†na m√≠dia impressa) para os c√©ticos. D√° nisso, o p√ļblico fica confuso e a ignor√Ęncia¬†se espalha feito fogo no milharal.

 

@rubiagaissler √© doutoranda em ambiente e sociedade e estuda as rela√ß√Ķes entre m√≠dia e ambiente.¬†Seu blog, Ci√™ncia Sapiens, pode ser visto aqui:¬†rubiagaissler.wordpress.com.

 

UPDATE: continue lendo sobre este assunto no próximo post:

Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada

 

E a Biologia Molecular manda mais um cruzado de direita nos criacionistas…

Depois de alguns textos abordando assuntos variados como experimenta√ß√£o animal, e-mails falsos atacando a Monsanto, “assombra√ß√Ķes” neurol√≥gicas, revistas cient√≠ficas, como conseguir mais sexo, gripe su√≠na e at√© ZUMBIS, resolvi come√ßar a semana voltando √† minha √°rea de trabalho e falar um pouco sobre Biologia Molecular.

ResearchBlogging.orgA “complexidade irredut√≠vel”, um dos argumentos preferidos dos criacionistas para explicar “a vida como ela √©” acaba de ter outro de seus exemplos desmantelado por um artigo publicado no peri√≥dico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Foi muito legal tamb√©m ver que o autor principal desse estudo √© Trevor Lithgow, que tive o prazer de conhecer numa confer√™ncia da Sociedade Brasileira de Bioqu√≠mica e Biologia Molecular (a famosa e inflada SBBq) de 2007.

Antes de mais nada, o que é Complexidade Irredutível?
Componentes celulares intrincados s√£o comumente citados como evid√™ncias do design inteligente. Os proponentes dessa id√©ia dizem que esses componentes complexos n√£o podem poderiam ser fruto do processo evolutivo, por n√£o poderem ser separados em partes menores e funcionais. O fato de serem complexos de modo irredut√≠vel √© a base para se propor que eles tenham sido “desenhados” intencionalmente por uma entidade inteligente. Ent√£o t√°, e eu sou o Batman.

O artigo da PNAS compara as mitoc√īndrias e suas parentes bacterianas, demonstrando que as partes necess√°rias para um maquin√°rio celular particular j√° estavam presentes antes de qualquer mitoc√īndria existir. Foi simplesmente uma quest√£o de tempo at√© que essas partes se combinassem de modo mais complexa.

mitochondria.gif

“Prazer, Mitoc√īndria”

Mitoc√īndrias s√£o organelas celulares descendentes de bact√©rias que milh√Ķes de anos atr√°s foram “incorporadas” por c√©lulas mais complexas. Isso foi proposto por Lynn Margulis, criadora da Teoria da Endossimbiose. Em pouco tempo essas bact√©rias incorporadas se tornaram personagens centrais para as fun√ß√Ķes celulares.

joces11616cvf.gifS√≥ existe um por√©m: essas pr√©-mitoc√īndrias n√£o poderiam ter sobrevivido em seu novo “lar” sem um maquin√°rio prot√©ico chamado TIM23 (um complexo enzim√°tico da membrana interna da mitoc√īndria que pode ser visualizado em amarelo, na imagem ao lado) que realiza o transporte de prote√≠nas para dentro das mitoc√īndrias. As bact√©rias ancestrais n√£o possuem o complexo TIM23, o que sugere que tenham sido desenvolvidas j√° nas mitoc√īndrias, tempos depois.

Isso traz √† tona uma pergunta do tipo “Quem veio primeiro, ovo ou galinha?”: como poderia o transporte de prote√≠nas ter evolu√≠do quando as prote√≠nas eram necess√°rias para a sobreviv√™ncia, no primeiro caso?!

De acordo com a teoria evolucionista, no entanto, a complexidade celular √Č SIM redut√≠vel. √Č necess√°rio somente que os componentes existentes sejam recondicionados, com muta√ß√Ķes inevit√°veis promovendo ingredientes extras √† medida em que s√£o necess√°rios. Os flagelos, propulsores similares a cabelos usados por bact√©rias para locomo√ß√£o, s√£o outro exemplo. Seus componentes s√£o encontrados por toda a c√©lula realizando outras tarefas.

O design inteligente j√° utilizou flagelos como evid√™ncia de sua teoria, assumindo que o mesmo seria uma estrutura irredut√≠vel, o que foi posto por terra de acordo com fatos cient√≠ficos, como pode ser lido nesse artigo da revista New Scientist. Esse estudo utilizando mitoc√īndrias faz o mesmo em rela√ß√£o ao transporte de prote√≠nas.

“Essa an√°lise de transporte de prote√≠nas nos fornece uma marca para a evolu√ß√£o de maquin√°rios celulares em geral,” escreve a equipe liderada por Trevor Lithgow. “A complexidade dessas m√°quinas n√£o √© irredut√≠vel.”

Quando analisaram os genomas de proteobact√©rias, a fam√≠lia que deu origem aos ancestrais das mitoc√īndrias, a equipe de Lithgow encontrou duas das partes prot√©icas utilizadas pelas mitoc√īndrias para fazer o complexo TIM23.

As partes estão na membrana celular bacteriana, localizadas de modo ideal para o eventual papel de transporte protéico feito pelo complexo TIM23. Apenas outra parte, uma molécula chamada LivH, poderia fazer um maquinário de transporte protéico rudimentar Рe (surpresa!) essa molécula é comumente encontrada em proteobactérias.

O processo pelo qual partes s√£o acumuladas at√© que estejam preparas para se juntarem num complexo √© chamado pr√©-adapta√ß√£o. √Č uma forma de “evolu√ß√£o neutra”, na qual a constru√ß√£o das partes n√£o fornece nenhuma vantagem ou desvantagem imediata. A evolu√ß√£o neutra encontra-se fora das descri√ß√Ķes de Darwin. Mas quando as partes s√£o juntas, muta√ß√Ķes e a sele√ß√£o natural podem se encarregar do restante do processo, resultando, em √ļltimo caso, no agora complexo TIM23.

“N√£o era poss√≠vel, at√© hoje, tra√ßar qualquer uma dessas prote√≠nas at√© seu ancestral bacteriano,” diz o biologista celular Michael Gray, um dos pesquisadores que originalmente descreveu as origens das mitoc√īndrias. “Essas tr√™s prote√≠nas n√£o possu√≠am exatamente a mesma fun√ß√£o nas proteobact√©rias, mas com uma simples muta√ß√£o puderam se transformar numa m√°quina de transporte de prote√≠nas simples, que pode dar in√≠cio a tudo.”

“Voc√™ olha para maquin√°rios celulares e diz, porque a Biologia faria algo assim?! √Č muito bizarro,” ele diz. “Mas quando voc√™ pensa sobre o assunto √† luz dos processos de evolu√ß√£o neutra, em que essas m√°quinas emergem antes que sejam necess√°rias, elas fazem sentido.”

√Č, minha gente, tem coisa mais bonita que a Biologia?

intelligentdesign.jpg

Pr√° finalizar, minha opini√£o sobre design inteligente…

Texto adaptado de “More ‘Evidence’ of Intelligent Design Shot Down by Science”, escrito por Brandon Klein e publicado na Wired Science.

Imagens: Journal of Cell Science, Blog The atheist, polyamorous, geek

Clements, A., Bursac, D., Gatsos, X., Perry, A., Civciristov, S., Celik, N., Likic, V., Poggio, S., Jacobs-Wagner, C., Strugnell, R., & Lithgow, T. (2009). The reducible complexity of a mitochondrial molecular machine Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0908264106

150 anos depois, a Igreja Católica aceita Teoria da Seleção Natural de Charles Darwin.


Um grande amigo meu, o Gabriel, me pediu para postar este texto seu. Ele tem mais o que fazer do que manter um blog, por isso publica aqui no meu. sendo assim, o que está escrito é responsabilidade dele, mesmo que eu concorde com o que ele fala.

Demorou, mas, depois de um s√©culo e meio de espera por parte da comunidade cient√≠fica, o conjunto de id√©ias que revolucionou as Ci√™ncias Biol√≥gicas foi finalmente reconhecido oficialmente pela Igreja Cat√≥lica, como foi declarado pelo arcebispo Gianfranco Ravasi (Ministro da Cultura do Vaticano), ao anunciar uma confer√™ncia de cientistas, te√≥logos e fil√≥sofos que acontecer√° em Roma em mar√ßo de 2009, marcando os 150 anos da publica√ß√£o da obra “A Origem das Esp√©cies” de Darwin.
Essa not√≠cia vinculada na Reuters e de l√° “transmitida” por todos os portais de not√≠cias, apesar de nova, cont√©m pouco de “novidade”, uma vez que √© pelo menos a terceira vez que um membro do alto escal√£o da Santa S√© se manifesta em favor dos pensamentos de Darwin. Em 1950, Pio XII havia descrito o processo de evolu√ß√£o como “uma abordagem v√°lida do desenvolvimento humano”, e Jo√£o Paulo II, em 1996, fez a mesma observa√ß√£o.
Mas o que muda com essa constatação, REALMENTE? A meu ver, praticamente nada, e explicarei o porquê.
Muda alguma coisa?
A Igreja Cat√≥lica sempre recorreu √† interpreta√ß√£o do G√™nesis, texto b√≠blico que descreve a cria√ß√£o do nosso mundo, por Deus, em 6 dias (e n√£o 7, como √© dito de praxe, visto que o s√©timo Ele tirou “de folga”), para explicar as origens da vida. Enquanto isso, Igrejas Protestantes preferem fazer uma leitura literal desta obra, o que leva ao grande n√ļmero de protestos (sem trocadilho) em rela√ß√£o ao ensino da evolu√ß√£o nas aulas de Biologia em col√©gios p√ļblicos, principalmente nos EUA, onde as press√Ķes de car√°ter religioso sempre exerceram grande influ√™ncia, como pode ser visto atualmente, ao se acompanhar as campanhas dos candidatos √† presid√™ncia.
Tá, e daí?
E da√≠ que, com o passar do tempo e com a maturidade atingida pelo processo cient√≠fico, para apoiar tais cren√ßas, as Igrejas adotaram uma corrente de pensamento disfar√ßada de Ci√™ncia denominada Criacionismo, que os mesmo acreditam ser a resposta “cient√≠fica” do G√™nesis √†s teorias propostas por Darwin para definir inicialmente o processo evolutivo como o conhecemos hoje.

Digo “inicialmente”, porque ainda n√£o havia compreens√£o alguma sobre Biologia Molecular e Gen√©tica quando destas proposi√ß√Ķes. A teoria evolutiva predominante no mundo atual trata justamente das id√©ias de Darwin (Darwinismo) associadas ao conhecimento acumulado em rela√ß√£o aos t√≥picos citados na frase anterior, sendo conhecida como Neodarwinismo.
Agora chegamos aos problemas. √Č √≥bvio que estas duas correntes de pensamento, o Criacionismo e o Neodarwinismo, t√™m poucas chances de coexist√™ncia pac√≠fica, visto que s√£o conflitantes em seu conte√ļdo. O Neodarwinismo foi elaborado com base em d√©cadas e s√©culos de conhecimento cient√≠fico, sendo que conta com diversas evid√™ncias que s√≥ podem ser colocadas √† prova por algu√©m de idoneidade d√ļbia. Enquanto isso, o Criacionismo tem… bom, o Criacionismo tem a B√≠blia… E a “evid√™ncia” √© basicamente essa.
√Č de se estranhar que duas frentes de pensamento t√£o distintas possam tratar da mesma coisa, apesar de o papa atual, Bento XVI, ter afirmado em Agosto de 2007 que o debate entre criacionismo e evolucionismo – o nome mais usual dado ao neodarwinismo – “√© um absurdo”, destacando que a teoria da evolu√ß√£o (cient√≠fica) pode coexistir com a f√© (n√£o cient√≠fica).
A explica√ß√£o: “Esta oposi√ß√£o √© um absurdo porque por um lado h√° muitos testes cient√≠ficos a favor da evolu√ß√£o, mas por outro lado esta teoria n√£o responde a grande pergunta filos√≥fica “De onde vem tudo?”, com a qual se entende a a√ß√£o de Deus”.
Enquanto isso, Jo√£o Paulo II j√° havia dito que “a teoria da evolu√ß√£o √© mais do que uma hip√≥tese”; isto √©, tem bases cient√≠ficas. Ao contr√°rio do que acontece com o criacionismo.
Para explicar o problema com tais afirma√ß√Ķes e an√ļncios, transcrevo parte de um texto colocado pelo Prof. Felipe Aquino em seu blog de doutrina cat√≥lica:
O caminho do meio não é uma opção
” … como vemos com este pronunciamento de Bento XVI, a Igreja Cat√≥lica e o Magist√©rio dos Papas n√£o excluem a teoria evolucionista, desde que o in√≠cio do processo evolutivo tenha tido origem partindo de Deus… Assim, a hip√≥tese darwinista da evolu√ß√£o das esp√©cies, √© uma poss√≠vel explica√ß√£o ao lado do criacionismo que, tamb√©m, tem a seu favor fortes raz√Ķes filos√≥ficas e n√£o apenas religiosas ou b√≠blicas”.

Isso seria poss√≠vel? Quando, de acordo com o m√©rito cient√≠fico, poder√≠amos associar as duas teorias, sendo que uma possui embasamento estritamente “metaf√≠sico”, visto que n√£o h√° (e quanto a isto n√£o h√° discuss√£o) prova alguma em favor do Criacionismo al√©m da f√©?
A resposta para a primeira pergunta √© “n√£o”. E a resposta para a segunda pergunta, num mundo em que a Ci√™ncia se desvencilhou dos dogmas espirituais e atingiu sua independ√™ncia de pensamento e trabalho, √© “nunca”.

Para mais sobre o assunto no Lablog:
Chi vó non pó
Idéias Cretinas

C√©lulas-tronco: o “caminho do meio” do ministro Direito.


Confesso que ao ver o pronunciamento do ministro Direito, uma ponta de esperan√ßa surgiu em mim. Afinal ele citou muita coisa sobre retirar c√©lulas de embri√Ķes sem os inutilizar, ou usar embri√Ķes que p√°ram de se dividir, caracterizando talvez o t√£o incerto termo ‚Äúembri√Ķes invi√°veis‚ÄĚ, que consta na lei. Disse que j√° √© feita extra√ß√£o de c√©lulas de embri√Ķes para diagn√≥stico gen√©tico, onde se retira uma c√©lula do embri√£o para detectar alguma doen√ßa heredit√°ria grave. Mas esta t√©cnica n√£o garante a viabilidade do embri√£o. O risco envolvido √© alto.
A outra alternativa seria usar embri√Ķes que pararam de se dividir, poderia ser uma boa op√ß√£o, pois parece que h√° um bom n√ļmero de c√©lulas vivas nestes embri√Ķes. Mas em que condi√ß√Ķes estariam estes embri√Ķes? Se pararam √© porque algo est√° errado com eles. Assim, seriam necess√°rios muito mais embri√Ķes para se conseguir estudar o que se pretende. E no fim n√£o ter√≠amos certeza se aquelas c√©lulas usadas se comportam como c√©lulas-tronco normais. Muito esfor√ßo para nada.
Apesar de n√£o ter falado nada que deixasse expl√≠cita a sua forma√ß√£o cat√≥lica, Direito acabou mostrando um bom lado budista, ao tentar achar o ‚Äúcaminho do meio‚ÄĚ, t√£o trabalhado pelo budismo. O que, dependendo da interpreta√ß√£o, pode ir de encontro com a f√© cat√≥lica, j√° que o pr√≥prio Jesus Cristo disse: ‚ÄúSede frios ou quentes, os mornos ser√£o vomitados‚ÄĚ.
De qualquer forma parece n√£o haver caminho do meio neste assunto. A lei foi aprovada. Aos trancos e barrancos mas foi. Estejamos atentos para que os medos levantados pela pol√™mica, como tr√°fico de embri√Ķes, ou descaso com material embrion√°rio, n√£o aconte√ßam mesmo, como prometem os cientistas.

Museu Criacionista na revista MAD

– Do blog Pharyngula

Na √ļltima edi√ß√£o da revista americana Mad h√° uma rela√ß√£o de fim de ano com as 20 pessoas, eventos ou coisas mais idiotas de 2007. Olha s√≥ qual √© a #14.

Na imagem l√™-se: “Finalmente h√° prova cabal de que a teoria da evolu√ß√£o est√° errada! Para provar que a intelig√™ncia do homem n√£o evoluiu em todas essas eras vejam estes imbecis com c√©rebro de Cro-magnon que abriram recentemente o Criation Museum, em Petersburg, Kentucky. O museu n√£o s√≥ afronta a ci√™ncia como a ignora por completo! √Č o √ļnico lugar no mundo onde se pode ver um homem cavalgando um dinossauro – exceto, √© claro, em um epis√≥dio dos Flintstones.”

A piada dos Flintstones se refere ao fato de que os homens nunca chegaram perto de um dinossauro, pois estes já haviam se extinguido muito tempo antes do primeiro do gênero Homo.

Mas este museu n√£o √© o √ļnico lugar em que se pode ver humanos montando dinossauros. Aqui no RNAm tamb√©m! Veja estas imagens achadas por um amigo e que realmente me intrigam. Quem teria feito isso e por qu√™?