Seja o dono de uma grande farmacêutica, seu porco capitalista!

Algumas das coisas mais odiadas no mundo atualmente:

As duas primeiras¬†n√£o precisamos explicar, mas √© da √ļltima que vamos falar aqui.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=85I89ZrwIfU”]

 

Saiu um jogo de simula√ß√£o [tipo SimCity lembra?] chamado Big Pharma, que coloca o jogador no comando de uma dessas ind√ļstrias. Estas s√£o t√£o criticadas por tocarem¬†em uma l√≥gica meio absurda que traz desconfian√ßa nas pessoas: quanto mais doentes, quanto mais doen√ßas, melhor para os neg√≥cios.

Por isso pessoas se revoltam, gritam que essa ind√ļstria √© s√°dica;¬†que s√≥ trata doen√ßas de pessoas e pa√≠ses ricos; que usa pobres como cobaias; que sabota tratamentos naturais/alternativos/caseiros; e que faz rem√©dios que s√≥ servem para piorar as pessoas, como os quimioter√°picos, e faz√™-las comprar mais rem√©dios.

Essas acusa√ß√Ķes¬†s√£o verdadeiras? Assim como com a Dilma e o Fernando, nem todas. Quimioterapia n√£o √© feita para debilitar mais ainda o paciente, e a sabotagem n√£o √© t√£o conspirat√≥ria como se pensa, mas essas ind√ļstrias n√£o s√£o santas, claro.

A d√ļvida que o jogo traz √©: se essas pessoas que criticam estivessem no lugar do empres√°rio dono da ind√ļstria, o que fariam no lugar dele? Deixariam de lucrar com ricos para fazer rem√©dios baratos para pobres? Deixariam de sabotar seus concorrentes?

Bom, talvez só jogando para saber.

 

Vi no BoingBoing

 

Tratamentos virtuais, resultados reais.

Os avanços da tecnologia 3D, que atingiu seu ápice Рpor enquanto Рcom o mega blockbuster Avatar, de processadores e de resolução dos monitores trouxe um novo gás para o desenvolvimento de ambientes em realidade virtual.
Al√©m de ser o sonho de consumo de praticamente todo gamer que se preze, existem v√°rias iniciativas de uso dessas tecnologias em jogos direcionados √† redu√ß√£o da sensa√ß√£o de dor em diversos tratamentos m√©dicos. O conhecimento referente √† essa atividade foi agrupado e discutido no artigo “The effectiveness of virtual reality distraction for pain reduction: A systematic review”, de Kevin Malloy e Leonard Milling (University of Hartford), publicado em Dezembro de 2010 (cita√ß√£o completa no final do post).
Diminuir a dor √© importante n√£o pelo fato em si. Ningu√©m – bom, algumas pessoas sim – gosta de sentir dor, mas de acordo com um levantamento realizado nos EUA em 2003 com mais de 28 mil trabalhadores adultos entrevistados, o custo estimado de perda de tempo produtivo entre faltas e performance reduzida devido a epis√≥dios de dor √© de 61.2 bilh√Ķes de d√≥lares. S√£o bilh√Ķes de motivos para existirem pessoas dedicadas ao estudo de formas para se reduzir esse cen√°rio.
Com base em diversos estudos controlados, a revis√£o de Malloy e Milling encontrou casos de jogos virtuais de sucesso, como dois estudos de 2008 que avaliaram o jogo Snow World. A realidade virtual simula um ambiente muito gelado no qual o jogador √© inserido, e foi idealizado para auxiliar sess√Ķes de hidroterapia e trocas de curativos de pacientes com queimaduras graves, algo conhecidamente muito doloroso.

Games.jpg

Dois momentos dos games: tratando pacientes e criando doentes.
Ambos os estudos, realizados com pacientes de 3 a 40 anos, foram bem sucedidos em compara√ß√£o a outros m√©todos de distra√ß√£o, e o jogo tem sido usado para ajudar a recupera√ß√£o de soldados americanos queimados com sucesso. O v√≠deo abaixo √© uma mat√©ria sobre o jogo e seu uso nessa recupera√ß√£o:

Outros casos a se prestar atenção:
  • Dores causadas por pun√ß√Ķes ou acessos venosos: em estudos de 2004 e 2005, adultos e crian√ßas em quimioterapia mostraram redu√ß√£o significativa dos √≠ndices de dor quando jogavam Virtual Gorilla, em que o jogador √© um gorila em seu habitat. No entanto, outras distra√ß√Ķes (n√£o necessariamente realidade virtual) tiveram desempenho semelhante, de modo que o assunto se encontra em discuss√£o.
  • Coloca√ß√£o de acesso intravenoso: um estudo de 2006 realizado com crian√ßas utilizando o jogo Street Luge, de skate, trouxe resultados promissores, mas ainda inconclusivos.

O artigo comentado aborda utiliza√ß√Ķes bem sucedidas da tecnologia dos games, assunto recorrente no RNAm, e vai pr√° lista de argumentos contra os reclam√Ķes que s√≥ conseguem enxergar jogos como divers√£o, “perda de tempo” e coisa de moleque n√£o quer crescer.

Se quiser ver os outros exemplos discutidos pelo Rafael e por mim, visite:

Dica da @linagarrido ressucitada pela mat√©ria “A cura pela realidade virtual”, publicada em Mar√ßo de 2011 na Isto √Č Independente.

KM Malloya & LS Milling. The effectiveness of virtual reality distraction for pain reduction: A systematic review. Clinical Psychology Review. Vol. 30, Issue 8, Pag. 1011-1018 (2010).
doi:10.1016/j.cpr.2010.07.001

Como criar seu próprio exército de cidadãos-cientistas

Space.Invaders.Class

Chega de joguinho de criança, o lance é jogar no espaço real!

Veja o problema: um astr√īnomo tem 1 milh√£o de imagens de galaxias para serem analisadas, caracterizadas e classificadas. Computadores n√£o s√£o bons o suficiente para fazerem isso, ent√£o como ele faz? Normalmente jogamos esse trabalho para os pobres alunos de inicia√ß√£o cient√≠fica ou p√≥s-gradua√ß√£o. Um aluno de p√≥s conseguiu caracterizar 50.000 em uma semana, provavelmente a base de muita cafe√≠na e uma vida social muito triste.

Para acelerar o trabalho o astr√īnomo Chris Lintott montou um site para atrair volunt√°rios, e ele precisava de algumas centenas. Para sua surpresa, eles s√£o hoje centenas de milhares. Mais precisamente 375.000 pessoas que j√° fizeram 200 milh√Ķes de classifica√ß√Ķes no seu tempo livre e no conforto de suas casas. Isso gerou mais de 20 artigos cient√≠ficos.

Agora há outros projetos no site http://www.zooniverse.org/home, sendo um para estudos da Lua, do Sol do clima e até caça a planetas.

Isso lembra o jogo de dobrar prote√≠nas que ajuda cientistas a identificar suas estruturas 3D, e fico imaginando se dados de gen√īma e sequ√™nciamentos de DNA podem ser adaptados para que os n√£o-cientistas possam ajudar e se divertir ao mesmo tempo. Afinal esses estudos geram muitos dados e n√£o h√° gente suficiente para analis√°-los. Os computadores ainda n√£o dao conta sozinhos. No caso das gal√°xias, o computador pode errar 30% das vezes, isso √© muito. E outra coisa, n√≥s vemos padr√Ķes que fogem da analise da m√°quina, como o caso de um cara comum uma professora do ensino fundamental que analisando as imagens notou objeto diferente, nunca visto antes e que ainda n√£o tinha explica√ß√£o pelos astr√īnomos . Agora este fen√īmeno leva seu nome (Hanny¬īs Voorwerp) e est√° sendo estudado pelos telesc√≥pios mais potentes do mundo e revelou-se uma nuvem de hidrog√™nio (corre√ß√Ķes do leitor Evandrofisico). Isso √© muito legal.

Participar ativamente de um processo é o melhor jeito de aprender e se interessar por ele. Isso sim é popularização e democratização da ciência!

 

Vi no Science Insider

World of Warcraft nada. Use seu tempo jogando pela ciência!

virginity-virginity-kid-dork-tool-fail-warcraft-world-towel-demotivational-poster-1239307933.jpgQue tal deixar de se um in√ļtil jogador de WoW, Winning Eleven, ou golf no Wii? Uns cientistas bolaram um jogo em que voc√™ tem que dobrar a estrutura de uma prote√≠na da melhor maneira poss√≠vel, como um quebra-cabe√ßa 3D.
Assim a proteína pode ser melhor compreendida, os pesquisadores ganham mais tempo e você pode estar ajudando a torná-la um novo medicamento!
Assim, quando sua m√£e pegar no seu p√© ap√≥s horas de jogo voc√™ pelo menos vai poder gritar: “Estou ajudando na cura do c√Ęncer, j√°j√° eu des√ßo pra jantar!”
Olha o video aqui.
RT da @alesscar
Al√©m de ajudar na pesquisa jogos podem ajudar a ensinar ci√™ncia. E funcionam! Mas como o preconceito √© grande, ao inv√©s da palavra “jogo” os desenvolvedores tem usado “plataforma de mudan√ßa comportamental” (olha o tucan√™s a√≠).
Tem alguns que j√° fizeram relativo sucesso, como o “Climate Change” (mudan√ßa clim√°tica) que baseou o que est√° para sair, “Fate of the Earth” (Destino Terrestre).
Mas treino é treino, e jogo é jogo.

O brinquedo científico mais legal.

Está dáda a largada. Veja aqui, no fantástico Blog do Brinquedo, os brinquedos mais fabulosos, separados aqui nos de ciência.

Escolha o seu predileto e conte porquê escolheu o tal.

Mesmo eu sendo biólogo molecular e tendo na lista um kit de extração de DNA, o que eu achei mais bacana é esse de desenterrar um fóssil!
esqueleto-dinossauro-kit-01.jpg
Nada mais didático e estimulante do que fazer exatamente o que paleontólogos fazem. Deve dar quase a mesma emoção do fato real.

Parceria do jogo Spore com o Projeto SETI

Pesquisadores do SETI e suas criaturas
Pesquisadores do SETI e suas criaturas

O projeto SETI (Procura por Intelig√™ncia Extraterrestre) √© um projeto s√©rio, mas muito criticado. Essa procura por sinais de intelig√™ncia, como ondas de r√°dio ou outras emiss√Ķes pelo espa√ßo afora, luta para manter seu financiamento. Afinal √© uma busca que ainda n√£o gerou resultados.
Se alguém souber mais sobre o projeto por favor mande material. Assumo que sei muito pouco.
Mas a parceria deste projeto com o jogo Spore me deixou intrigado. D√™m uma olhada neste site. Pagando 25 dolares voc√™ adquire uma assinatura SETI para receber informa√ß√Ķes do projeto e tamb√©m poder participar da “tribo” das criaturas criadas pelos pesquisadores, participar de reuni√Ķes tribais das criaturas, e por a√≠ vai.
Acho interessante esta integração do hype com a ciência, mas talvez traga um pouco de descrédito à já sofrida reputação do SETI.
Acho que o melhor tipo de interação seria como está mostrado neste vídeo da Seed.
Will Wright, criador dos jogos Sim City, The sims e o novo Spore, conversa com a astrobi√≥loga do projeto SETI, Jill Tarter sobre jogos e ci√™ncia, o valor de revolu√ß√Ķes cinet√≠ficas e o futuro.

Seedmagazine.com The Seed Salon

Spore РO jogo é científico?

Spore- A febre do momento. Ou Hype, para usar um termo mais modernoso.
Um jogo em que podemos dirigir a evolução. Bem bacana, bonito, bem feito e divertido. Perfeito para crianças e jovens (claro que o velhão aqui está louco para jogar também). Já que é assim, será que podemos usá-lo para ensinar biologia?

√Č, parece que n√£o √© pra tanto. Realmente o jogo √© muito amplo e complexo. Algoritmos de cria√ß√£o aleat√≥ria fazem com que as possibilidades do jogo tendam ao infinito. O Gerador de Criaturas do jogo √© fant√°stico (principalmente por ter um demo gr√°tis). L√° voc√™ pode moldar o corpo do jeito que voc√™ quiser. Escolher que tipo de aparelho bucal, com base na alimenta√ß√£o que ele vai ter ou no som que ir√° fazer para se acasalar. V√°rios n√ļmeros e tipos de olhos, pernas, p√©s, m√£os, colora√ß√Ķes, e por a√≠ vai.

Ciência ou pura diversão?
Claro que um zoólogo vai sentir falta de algumas coisas. Por exemplo, no Criador de Criaturas demo só dá para criar um vertebrado. Você começa com uma coluna vertebral e esqueleto interno. Assim não dá pra fazer um inseto ou um molusco. Outro fato importante: não dá para colocar órgãos sexuais! Sendo que sexo é a base da variação genética necessária para a evolução ocorrer.
Outra coisa estranha. O jogo come√ßa numa fase unicelular, quando seu bichinho chega num planeta dentro de um meteorito. At√© a√≠ tudo bem, essa √© uma teoria aceita para a origem da vida na Terra, tamb√©m chamada ‚Äúteoria da origem extraterrestre‚ÄĚ. O interessante √© como um ser unicelular pode ter olhinhos fofos? Nada contra serem fofos, mas olhos s√£o feitos de muitas c√©lulas, coisa que um ser unicelular n√£o tem.
√Č a√≠ que reside o dilema dos criadores do jogo. Ele deve ser estritamente cient√≠fico ou atrativo como divers√£o? Foi a√≠ que algumas concess√Ķes foram feitas. Olhos em seres unicelulares, viagens espaciais em velocidade maior do que a luz (sim, voc√™ pode desenvolver seu ser at√© ele criar civiliza√ß√£o e conquistar o espa√ßo), etc.
Como eu disse acima, no jogo voc√™ dirige a evolu√ß√£o. Mas a evolu√ß√£o no mundo real n√£o √© dirigida e n√£o tem um objetivo. N√£o √© uma escalada para a civiliza√ß√£o. √Č s√≥ uma quest√£o de sobreviv√™ncia no ambiente.Da√≠ a preocupa√ß√£o do jogo levantar a bola do Design Inteligente.
Vale ou n√£o vale?
Bom, que fazemos ent√£o? Proibimos nossas crian√ßas de jogar Spore? N√£o √© pra tanto. O jogo deixa claro que √© uma brincadeira. Seus bichinhos fofos n√£o nos deixam confundir o virtual com a realidade. E podemos aprender sim sobre o pensar cient√≠fico, causas e conseq√ľ√™ncia, competi√ß√£o, experimenta√ß√£o.
Enfim, o jogo não é um simulador da vida, mas um laboratório onde podemos fingir que brincamos com ela.
links relacionados:
Revista Seed
Citrus