O maior mist√©rio, e o post mais in√ļtil, de 2013

Quem é macaco velho já sabe que o que vem fácil vai fácil. E com informação é a mesma coisa.

A gente vive num mundo onde ninguém paga nada para ter informação. Mas como pode ser isso se um bom escritor/jornalista/roteirista é caro? Porque a informação de graça que temos quase sempre é ruim. Muito ruim.

Nessa fome que os sites têm por cliques, que é o que paga as contas pela publicidade, eles fazem alguns absurdos.

Quer um exemplo simples?

O maior mist√©rio de 2013…

We have absolutely no clue what built this crazy-complex structureSabe o que √© isso? N√£o? Nem eu. Nem NINGU√ČM!

Em mar√ßo de 2013 saiu num post no site io9 uma not√≠cia¬†(copiado do post original da WIRED) a imagem de uma estrutura encontrada na amaz√īnia que ningu√©m fazia ideia do que era. Bonitinha, estranha e realmente ningu√©m sabe o que √©. Ok, isso √© uma not√≠cia ou pelo menos uma informa√ß√£o interessante e instigante. Passa.

Agora em dezembro aparece um UPDATE dessa not√≠cia com o t√≠tulo “Cientistas est√£o prestes a desvendar o maior mist√©rio de 2013”, e l√° estava a foto da coisinha estranha. Cliquei. [Mas voc√™ n√£o precisa clicar, viu. S√≥ ponho o link aqui por princ√≠pio, mas leia o resto antes]

…e o post mais in√ļtil do ano

√Č um post citando um twit de um grupo de cientistas dizendo que encontraram 11 dessas estruturas e que est√£o prestes a resolver esse mist√©rio. E √© isso. Mais nada.

Não, io9, isso NÃO é uma notícia. Não me interessa saber que alguém está quase desvendando um mistério, principalmente quando essa pessoa só disse que está perto de conseguir. Nem pra mandar um email pra esse pessoal? Esperar uma resposta minimamente informativa? Aliás, nem pra me dizer quem é esse cara, se é um cientista mesmo ou só um charlatão.

Mas pra quê apurar, né? O negócio é ter o máximo de cliques pelo mínimo esforço.

A revista WIRED √© que fez direito: mandou uma rep√≥rter para a amaz√īnia e est√° l√° para dar em primeira m√£o os resultados.

 

Eu fiquei na d√ļvida se eu esperava esse resultado sair antes de publicar isto aqui. Mas sabe como √©, se eu resolver tudo em um post, perco a chance de fisgar o seu click em mais um texto. Ent√£o FIQUE LIGADO NOS PR√ďXIMOS CAP√ćTULOS! ¬†ūüėČ

P√ĀRA, P√ĀRA, P√ĀRA! Depois dos comerciais eu mostro

Discordando de E.O. Wilson (pode?!)

Prometo que eu não fiquei maluco. Ainda. Primeiro: esse post não é para todo mundo. Se você não curte ciência a ponto de discutir a discussão, tchau e até o próximo.

Eu tive um professor de Matem√°tica no cursinho que antes de come√ßar os exerc√≠cios mais dif√≠ceis no final de cada aula, dizia: “Esse √© s√≥ para os coreanos. N√£o vai prestar Exatas, Medicina? Quer Letras, Biologia? Pode sair, vai jogar truco que voc√™ ganha mais. S√≥ quero o povo cabe√ßudo aqui!”.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9d/Plos_wilson.jpg
E.O. Wilson: biólogo, lenda e criador de discórdia entre divulgadores de ciência. Percebam seu sorriso maléfico enquanto observa os mortais se matando na discussão.

Voltando ao assunto: apesar de a experiência em geral ter sido ótima, algumas partes do livro Letters to a Young Scientist do biólogo-lenda-extraordinaire Edward O. Wilson me incomodaram muito. No calor da confusão, resolvi listar alguns pontos e fazer algo bem 2009: criar um debate com os amigos do SBBr e da rede de divulgação científica BR.

Tenho certeza que as opini√Ķes de v√°rios deles, mais especializados e estudados em teoria cient√≠fica e evolu√ß√£o do que eu, acrescentar√£o muito √† discuss√£o.

Vamos começar: em negrito e aspas, a citação do livro, em Inglês para vocês não questionarem a minha tradução. Meu comentário seguirá abaixo e fiz questão de não consultar nada antes de escrever, para fomentar a discussão. I want feedback, people!

1) Ap√≥s testar experimentalmente duas hip√≥teses sobre o comportamento de retirada dos mortos de col√īnias de formigas, Wilson comenta:

“I then came up with another idea: insects of all kinds that scavenge for a living, such as blowflies and scarab beetles, find their way to dead animals or dung by homing in on the scent. And they do so by using a very small number of the decomposition chemicals present. A generalization of this kind, widely applied, with at least a few facts here and there and some logical reasoning behind it, is a theory. Many more experiments, applied to other species, would be required to turn it into what can be confidently called a fact.”

Fiquei espantado com a afrouxada que Wilson deu no conceito de “teoria” em Ci√™ncia. Uma teoria cient√≠fica n√£o √© definida quando existe um amplo corpo experimental e de observa√ß√Ķes que, respeitando o m√©todo cient√≠fico, confirmam uma generaliza√ß√£o e possibilitam a teoria? Para mim, “alguns fatos aqui e ali” √© uma descri√ß√£o muito pobre dessa complexidade.

2) “… when research is still incomplete, the idea is a theory. If the theory is proved wrong, it was not necessarily also altogether a bad theory. At least it will have stimulated new research, which adds to knowledge.”

Novamente, o problema com a defini√ß√£o de teoria cient√≠fica. Mas nesse caso, √© importante comentar a segunda frase do trecho destacado. Ao contr√°rio do que foi escrito por Wilson, quando uma teoria cient√≠fica √© provada errada, incompleta ou qualquer outra coisa, o que acontece √© um grande, enorme movimento no meio cient√≠fico. Dizer que “enquanto a pesquisa est√° incompleta a ideia √© uma teoria” √© leviano, o que significa “pesquisa incompleta”? E uma teoria que √© uma ideia, na verdade √© uma hip√≥tese, ou n√£o cairia com base em uma √ļnica pesquisa. Ou estou errado?

3) “What remais a theory still is that evolution occurs universally by natural selection, the differential survival and successful reproduction of some combinations of hereditary traits over others in breeding populations. This proposition has been tested so many times and in so many ways, it also is now close to deserved recognition as an established fact.”

Vou acrescentar outro trecho, pois a discuss√£o converge:

“Does biology also have laws? I have been so bold in recent years as to suggest that, yes, biology is ruled by two laws… The second law of biology, more tentative than the first, is that all evolution, beyond minor random perturbations due to high mutations and random fluctuations in the number of competing genes, is due to natural selection.”

Longe de mim querer discutir evolu√ß√£o por sele√ß√£o natural, o meu problema foi com o “universalmente” e com “toda evolu√ß√£o… √© produto da sele√ß√£o natural”. Vou deixar a minha falta de conhecimento espec√≠fico no tema dirigir a conversa: pensando tanto em macro quanto em microevolu√ß√£o, processos de deriva gen√©tica, epigen√©tica, radia√ß√£o adaptativa e evolu√ß√£o molecular s√£o considerados parte da sele√ß√£o natural?

Com a certeza de j√° ter colocado conte√ļdo demais para uma discuss√£o, termino por aqui. Conto com a participa√ß√£o de voc√™s e, mais importante: divirtam-se!

http://1.bp.blogspot.com/-Og5PFfxeCaA/UCX4XD3pELI/AAAAAAAABQU/H24K6_YnA1Q/s320/round-one-fight.png

A valorização do pós-graduando importa?

*** Esse texto faz parte da blogagem coletiva ‚ÄúQual √© o valor do aluno de¬†p√≥s-gradua√ß√£o¬†stricto sensu?‚ÄĚ lan√ßada pelo site P√≥s-Graduando ***

Quando recebi o convite dessa ação, comecei me informando sobre seus objetivos e aproveitei para conhecer a opinião dos autores que já haviam contribuído. E não é que foi exatamente da leitura desses textos que nasceu o meu? Explico.

Constante nos textos foi uma frase que todo estudante de mestrado e doutorado, ap√≥s alguns momentos de quase surto, se acostuma a ouvir quase com indiferen√ßa: ‚Äúmas voc√™ s√≥ estuda?‚ÄĚ.

Essa indiferen√ßa pode ser adquirida de maneiras bem diferentes. Tem gente que desenvolve surdez seletiva, que aprende como um mestre a evitar essa discuss√£o… No meu caso, entendi que quase ningu√©m que faz essa pergunta tem ideia do que s√£o, como funcionam e quais s√£o os prop√≥sitos de um mestrado ou doutorado na √°rea de ci√™ncias.

S√≥ que isso vai ser assunto para outro texto e vou aproveitar a oportunidade para escrever n√£o sobre o p√≥s-graduando, mas sobre o Brasil. E para isso vou adicionar √† discuss√£o outro ser incompreendido desse pa√≠s: o professor. E ele tem que se acostumar √†s suas pr√≥prias frases cru√©is, como ‚Äúprofessor, voc√™ s√≥ d√° aula?‚ÄĚ e a campe√£ ‚Äúquem n√£o sabe fazer, ensina!‚ÄĚ.

[abre parênteses] Imagina quando eu estava ao mesmo tempo na pós e dando aula? [fecha parênteses]

Essas frases, para mim, refletem um √ļnico problema: educa√ß√£o. Mais precisamente a import√Ęncia (ou falta de) dada √† Educa√ß√£o, o que tem impacto direto na import√Ęncia dada √† Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√£o (CTI). E essas concep√ß√Ķes sobre p√≥s-graduandos e professores s√£o, em grande parte, subproduto da vis√£o do estado brasileiro sobre o tema.

Tenham certeza: a falta de seriedade com que professores e p√≥s-graduandos s√£o encarados em nosso pa√≠s resulta do descaso brasileiro ‚Äď governo e cidad√£o ‚Äď para com educa√ß√£o.

Não tá fácil prá ninguém... mas tem jeito.

Verdade seja dita, parte desse problema n√£o √© exclusividade nossa. Mesmo um pa√≠s superdesenvolvido cient√≠fica e tecnologicamente como os EUA t√™m problemas com a valoriza√ß√£o de professores, e os alunos de p√≥s s√£o muitas vezes considerados subempregados. Duvida? Acesse os quadrinhos de Jorge Cham no PHD Comics e veja o cotidiano acad√™mico retratado por l√°. O conte√ļdo das tirinhas √© humor√≠stico, mas baseado na pr√≥pria experi√™ncia acad√™mica do autor. Tamb√©m √© muito comum ele elaborar seus desenhos de sugest√Ķes de undergrads e grad students norte-americanos.

Assim, o que esperar de um pa√≠s que, verdade seja dita, ainda engatinha em dire√ß√£o ao time de ‚Äúprimeiro mundo‚ÄĚ da Educa√ß√£o e CTI?

Felizmente isso n√£o √© um problema mundial. Na Holanda, por exemplo, grande parte de quem se disp√Ķe a fazer um doutorado assina contrato de emprego e √© um trabalhador como outro qualquer. Mesmo nos EUA, que t√™m problemas parecidos com os nossos, quem se disp√Ķe a tocar um p√≥s-doutorado faz isso como empregado (ao contr√°rio do que acontece no Brasil, onde novamente o sustento √© proveniente de bolsas).

Por essas e outras continuo, como um zumbi, recitando o ‚Äúmantra da resolu√ß√£o dos problemas no Brasil‚ÄĚ: educa√ß√£o, educa√ß√£o, educa√ß√£o. Investir com seriedade, paci√™ncia e compet√™ncia em Educa√ß√£o Fundamental e M√©dia formar√° cidad√£os melhores e conscientes da necessidade de se investir em CTI.

Isso é um processo, não adianta investir um quadrilhão de dólares em CTI se a tal mão de obra qualificada for analfabeta funcional ou incapaz de pensar criticamente. Esse é o motivo de o investimento na formação de cidadãos ser mais importante do que gastar tubos de dinheiro com alta tecnologia. Como diz uma expressão em Inglês, quando entendermos isso e passarmos à ação, the rest follows.

E da√≠ n√£o ser√° necess√°rio realizar mobiliza√ß√Ķes sobre a import√Ęncia do p√≥s-graduando ou sobre o reajuste de bolsas… e sinceramente? Se voc√™ est√° passando por todo o estresse de um mestrado e/ou doutorado, da rotina (falta de rotina?) dif√≠cil, muitas vezes extenuante e comprometedora, e ainda fica chateadinho quando algu√©m tenta desqualificar sua escolha acad√™mica, siga o conselho abaixo:

"Fique tranquilo, trabalhe muito e pare de mimimi". Sério.

Quer ver o início desse movimento e ler os textos dos outros participantes? Acesse o link do Pós-Graduando em http://www.posgraduando.com/pos-graduacao/qual-e-o-valor-do-aluno-de-pos-graduacao-stricto-sensu.

Ajuda ao clube de Biologia Sintética da USP!

Uma √°rea de pesquisa que tem ganhado bastante aten√ß√£o √© a Biologia Sint√©tica, que combina diferentes disciplinas (Biologia Molecular, F√≠sica, Engenharia etc.) com o objetivo de “construir” organismos que possam servir como ferramentas tecnol√≥gicas.

iGEMDentro da √°rea de Biologia Sint√©tica existe um evento anual que tem grande import√Ęncia e repercuss√£o: o iGEM (International Genetically Engineered Machine), uma competi√ß√£o em que estudantes da √°rea apresentam seus projetos numa disputa que concentra algumas das maiores novidades da ci√™ncia atual.

Escrevo sobre esse assunto após receber um pedido de ajuda de alunos de graduação e pós-graduação do Clube de Biologia Sintética da USP que estão prontinhos para participar da iGEM, mas não conseguiram fundos para a viagem. Aproveitando a crescente interatividade das redes sociais, o grupo está tentando viabilizar sua participação na competição por uma ação bem comentada atualmente: o crowdfunding.

A ideia √© resolver o problema de financiamento para a viagem por meio de doa√ß√Ķes. Para isso eles criaram uma p√°gina no site RocketHub, onde voc√™ pode fazer a sua doa√ß√£o e contribuir com eles!

Infelizmente eu só recebi a mensagem hoje, faltando 3 (três) dias para o encerramento da campanha. A arrecadação até o momento atingiu 65% da meta de USD$2750,00 e toda ajuda é bem vinda.

Acessem a página, conheçam o projeto e vejam como contribuir em http://www.rockethub.com/projects/6131-brazil-s-igem-team-registration.

O Prof. Carlos Hotta, do blog Brontossauros em Meu Jardim, foi o respons√°vel por encaminhar o pedido e tamb√©m escreveu a respeito, confiram no link “Ajudem estudantes a ir a uma competi√ß√£o de Biologia Sint√©tica“!

Efeitos colaterais do fim do mundo

Blogagem coletiva Fim do Mundo
Entrei na blogagem coletiva do Fim do Mundo um pouquinho adiantado, escrevi o texto em 2009! Veja ele aqui. Foi uma memorável caça a paraquedistas, que é nada mais que um estilo malandro de atrair atenção das pessoas pelos buscadores, como o Google, procurando temas que estão na moda. Na época escolhi o fim do mundo, e disse que o mundo não acabaria em 2012 mas em 2019.

N√£o, eu n√£o tive essa revela√ß√£o em um sonho m√≠stico. Foi uma brincadeira, j√° que tr√™s pessoas proeminentes fizeram previs√Ķes tecnol√≥gicas importantes para dali a 10 anos. Mudan√ßas t√£o grandes que o mundo que conhecemos acabar√°, e um novo vai surgir. Ou seja, nada de profecia maia aqui.

Este texto teve dois efeitos colaterais: muitos coment√°rios e me levou para o programa SuperPop com Luciana Gimenez.

Peço que leia o texto e, principalmente, dê uma olhada nos comentários:

O fim do mundo n√£o ser√° em 2012. Ser√° em 2019

Interessante como a imensa maioria das pessoas que se d√° ao trabalho de comentar mostra que simplesmente n√£o leu o texto.

Inclusive o estagi√°rio do Superpop que quando me ligou mostrou que n√£o leu ao me chamar para falar da minha “teoria” da nova data do fim do mundo em 2019.

Mas tudo bem, gente, se mesmo depois dessa bula de efeitos colaterais vocês ainda querem fazer essa blogagem coletiva, vão em frente.

Ok, confesso que me diverti muito. Boa sorte a todos.

 

PS: aqui est√° o post com as minhas impress√Ķes do Superpop:¬†RNAm no Superpop: o v√≠deo e as impress√Ķes

 

RNAm na Campus Party

√Č isso a√≠, o RNAm junto com o Rainha Vermelha e o 100Nexos do Scienceblogs estar√£o numa mesa redonda sobre blogs de ci√™ncia na Campus Party. Teremos a presen√ßa ilustre do pessoal do Jovem Nerd, lindo modelo de neg√≥cios baseado em conte√ļdo que eu invejo e admiro, e do professor Dulc√≠dio do site F√≠sica na Veia, uma celebridade dos blogs de ci√™ncia no Brasil.

Quando? Sábado, dia 11/2 às 16h45 e vai passar ao vivo neste site, eu acho (tem que se cadastrar no botão do facebook ou do twitter dessa página)

Aqui a descrição do evento:

O p√ļblico internauta √© muito interessado por ci√™ncia e tecnologia. No entanto, poucos blogs e podcasts tratam deste tema regularmente, e pouqu√≠ssimos se dedicam apenas √† ci√™ncia. Esta mesa redonda trata de como e por que falar de ci√™ncia na internet, e quais resultados isso pode trazer. Participantes:

Atila Lamarino √Č bi√≥logo, escreve sobre biologia e evolu√ß√£o no Rainha Vermelha e em blogs t√£o distintos quanto o Papo de Homem e o H1N1 da Biblioteca Regional de Medicina. Atualmente, coordena o ScienceBlogs Brasil, a vers√£o brasileira da maior comunidade online de ci√™ncia.

Kentaro Mori Gerente de comunidade ScienceBlogs Brasil, criador e editor Ceticismo Aberto

Caio L√ļcio Analista de Sistemas por profiss√£o e especialista em tecnologia por voca√ß√£o. Quando o assunto tecnologia, ci√™ncia ou hist√≥ria, L√ļcio sempre √© chamado nos podcasts do Jovem Nerd.

Dulcídio Braz Físico e Professor. Pioneiro no ensino de Física Moderna para jovens estudantes do ensino médio e início do curso superior. Autor do blog Física na Veia! www.fisicanaveia.com.br.

Rafael Bento da Silva Soares Biólogo, PhD em biotecnologia, Pós-Doutorando em Neurociências e divulgador de ciências através do blog RNAmensageiro desde 2006.

Deive Pazos Co-fundador do Grupo Jovem Nerd e Diretor Comercial do site. Trabalha com planejamento publicitário, mídias sociais e é especializado em campanhas de nicho e estampas desenvolvidas para a Nerdstore.

Alexandre Ottoni Co-fundador do Grupo Jovem Nerd. Al√©m de gerenciar o conte√ļdo di√°rio do Jovem Nerd, trabalha com planejamento publicit√°rio e midias sociais entre partidas de Black Ops.

Criatura misteriosa encontrada na China (MEDO!)

Gente, notícia bombástica: encontraram uma espécie na China que ninguém sabe identificar. Vejam que esquisito:

Imagem da criatura encontrada (reprodução do blog Update or Die)

Isso chegou na lista de discussão do SBBr pela Claudia Chow, vizinha do Ecodesenvolvimento, mas a princípio fui cético. Aponto aqui alguns trechos do texto que me fizeram desconfiar:

“Ningu√©m sabe que criatura √© essa.” – Ningu√©m? Onde est√£o esses zo√≥logos que n√£o souberam dizer a esp√©cie do bicho?

“O animal foi entregue por um homem an√īnimo…” – How convenient.

“… para um zool√≥gico no leste da China.” – OK, qual?

“… mas acreditam ser um tipo estranho (bem estranho) de macaco ou algum cruzamento ex√≥tico entre Lemures (aquele do ‚Äúeu me remexo muito‚ÄĚ do Madagascar) e alguma outra coisa interplanet√°ria.” – Eu nem perderei meu tempo comentando a “super express√£o t√©cnica” usada, “um tipo estranho de macaco” √© pr√° rasgar o diploma de qualquer zo√≥logo. Meu problema foi a afirma√ß√£o seguinte: quem foi o FDP que fez uma afirma√ß√£o dessas? Trocando em mi√ļdos, para o zool√≥gico “√© um macaco bizarro ou um h√≠brido extraterrestre”? WHAT?

Mas enfim, fiquei curioso e busquei mais informa√ß√Ķes no Google. Qual n√£o foi minha surpresa quando descobri que esse tipo de descoberta tem acontecido muito ultimamente. Vejam algumas das imagens abaixo, s√£o s√≥ uns poucos casos desse tipo que ainda est√£o em aberto e desafiam os maiores especialistas em identifica√ß√£o animal:

Será algum tipo de invasão alienígena? Estarão as espécies da Terra sendo lentamente misturadas a ETs invasores?!

E, o mais assustador de todos. No Brasil (acreditem!!!) foi registrada uma aparição DUPLA dessas estranhas criaturas:

√Č o fim do mundo! Ah n√£o, esqueci que isso s√≥ acontecer√° em 2019, ufa!

Preciso confessar: se no in√≠cio eu estava c√©tico, agora fiquei extremamente preocupado…

Será que ele é?

Tirinha.jpg

Hunf, toler√Ęncia tem limite…

Essa tirinha foi traduzida do ótimo Saturday Morning Breakfast Cereal e inaugura os posts relacionados ao Desafio 10:23, um protesto em que ativistas em mais de 10 países se reunirão no fim de semana de 5-6 de fevereiro de 2011 para
esclarecer que:

1023-Brazil-300x205.png

Querem saber mais? Acessem http://1023.haaan.com/ e saibam tudo sobre a ação!

ps 1: Culpem o GIMP e suas fontes gringas pela falta de acentuação, eu juro que tentei encontrar uma fonte boa que as aceitasse.

ps 2: Por favor, não me façam explicar a piada da tirinha. Sério.

RNAm no Prêmio ABC de Blogs Científicos!

Ontem, ao voltar de um churrasco em Rio Claro que provavelmente ter√° consequ√™ncias desastrosas para o meu f√≠gado (como sempre…), fui dar uma olhada no Twitter e descobri que tinha sa√≠do o resultado da vota√ß√£o do Pr√™mio ABC para Blogs Cient√≠ficos, organizado pelo Laborat√≥rio de Divulga√ß√£o Cient√≠fica da USP de Ribeir√£o Preto.

Fui ver os ganhadores no Blog Sem Ciência do Prof. Osame Kinouchi e, para minha surpresa, descobri que o RNAm ficou em terceiro lugar na categoria Ciências da Vida!

O que √© mais legal sobre esse pr√™mio: somente quem pertence ao Anel de Blogs Cient√≠ficos p√īde votar, ou seja: s√£o os eleitores mais cr√≠ticos que se pode arrumar numa vota√ß√£o. Praticamente um Oscar dos blogs cient√≠ficos (OK, agora forcei) j√° que foi uma “vota√ß√£o por pares”, nos melhores moldes da Ci√™ncia atual ūüėČ

Foi realmente muito bom saber que muitos dos nossos colegas de trabalho gostam do conte√ļdo que produzimos aqui no RNAm. Ainda mais quando vemos que o Anel de Blogs Cient√≠ficos tem tantos blogs bons em v√°rias categorias, que foi outra coisa que gostei muito em rela√ß√£o a essa iniciativa: descobri muita coisa legal pr√° acompanhar (adeus Google Reader zerado).

No pr√≥ximo final de semana vai acontecer a premia√ß√£o… l√° em Arraial do Cabo, onde ocorrer√° o II EWCLiPo (Encontro de Weblogs Cient√≠ficos em L√≠ngua Portuguesa). Essa viagem continua ficando cada vez mais interessante.

Nota do Rafael_RNAm:

Eu como fundador deste blog estou muito feliz. Primeiro a coloca√ß√£o entre os cem no TopBlogs, onde quem escolhia eram os leitores, e agora este terceir√£o do Anel de Blogs Cient√≠ficos. √Č isso que chamam de sucesso de p√ļblico e cr√≠tica?

Alguém pode dizer que nós estamos festejando demais estes prêmios. Mas escrever este blog é querer um mínimo de visibilidade para temas científicos urgentes a todos hoje em dia. Ele é a nossa pequena ação social. E os prêmios são atestados de que estamos no caminho certo.

Agradeço aos leitores, colegas e (antes que o Kanye me interrompa) ao Gabriel que deu um novo gás ao blog.

Que o RNAm continue se expressando!

A felicidade est√° na internet

amor internet.jpgDescobri duas coisas bem bizarras lendo este artigo da Science. Primeiro que existe uma revista cient√≠fica chamada Journal of Happiness Studies, algo como Revista para Estudos da Felicidade (?!). Segundo que a internet, principalmente os blogs, pode ser um term√īmetro emocional do mundo!

A internet √© o term√īmetro do humor do mundo

Como? Ora, no trabalho publicado nesta revista, os matem√°ticos Peter Dodds e Christopher Danforth analisaram senten√ßas de 2,4 milh√Ķes de blogs, que foram coletados pelo site www.wefeelfine.org. Este site faz buscas pelos blogs do mundo procurando por frases que come√ßam com “I feel…” (eu me sinto…). Assim, com essas senten√ßas retiradas de blogs, eles analisaram as palavras presentes com diferentes pesos. Palavras alegres como “Love” e “triunphant” tinham um valor maior e palavras tristes como “disgusted” tinham um valor menor numa escala de 1 (miserable) a 9 (ecstatic). Assim os pesquisadores calcularam o √≠ndice m√©dio de felicidade para cada texto baseados nos escores das palavras e nas suas freq√ľ√™ncias.

Os pesquisadores escolheram este método por acharem que as pessoas são mais sinceras escrevendo espontaneamente do que respondendo questionários psicológicos. O que faz todo o sentido pra mim e justifica o trabalho.

Resultados: A blogsfera esta cada dia mais feliz! Desde 2005 a felicidade aumentou 4%. Dá até pra acompanhar a felicidade por datas especiais. Natal e dia dos namorados faz a felicidade na net subir pra 6,0, enquanto que datas pesadas como 11 de setembro ficam em tristes 5,7.

grafico felicidade.jpgO dia mais feliz desde 2005 foi 4 de Novembro, dia da elei√ß√£o para presidente dos EUA, com um escore de 6,3. Esse √≠ndice foi bombado pela emo√ß√£o dos bloggers que escreveram mais a palavra “proud” e menos as tristes “pain” e “guilty”. E recentemente a morte de Michael Jackson rendeu 3 dias de tristes 5,8 pontos de felicidade.

Além de datas específicas, podem-se medir diferenças entre sexo e idade. Homens e mulheres tiveram a mesma média de pontos (5,89 e 5,91 respectivamente), mas mulheres são mais extremas e usam palavras muito tristes ou muito alegres. Assim ficam na média, mas não escondem a sua exaltação.

Quanto a idade, adivinhem quem s√£o os mais deprimidinhos? Os emos adolescentes, claro, com 5,5 na faixa e 13 a 14 anos. Tamb√©m, escrevem muito mais palavras de revolta, como “sick”, “hate” e “stupid”, do que os bloggers com maior rodagem, nos seus 45 a 60 anos, e maior √≠ndice de felicidade tamb√©m.

M√ļsicas como term√īmetro

feliz ou triste.jpgFizeram este mesmo teste tamb√©m usando letras de m√ļsicas dentro do site www.hotlyrics.net. Foram analisadas 230 mil letras de m√ļsicas quem mostraram uma realidade mais triste. Desde 1960 a felicidade nas musicas caiu 10%. A maior parte da queda se deu entre 1961 (6,7) e 1980 (6,2). Parece que se canta cada vez menos de amor para se cantar mais sobre √≥dio e dor.

A m√©dia de felicidade dentro de cada estilo de m√ļsica n√£o caiu com o tempo, mas o aparecimento de novos g√™neros, como o punk e o metal, √© que s√£o os respons√°veis pela queda do √≠ndice.
(Se for por causa do punk e do metal, acho a queda muito digna ent√£o.) 

Ah, e agora os pesquisadores querem usar o Twitter para coletar dados, e acompanhar as mudanças de humor em tempo real!

E pra que saber o humor do mundo?

Oras, podemos fazer rela√ß√Ķes em v√°rios n√≠veis, e responder perguntas como as sugeridas pela psic√≥loga Sonja Lyubomirsky: “M√ļsicos com letras mais positivas vendem mais CDs?”, ou “Pessoas em pa√≠ses com blogueiros mais felizes vivem mais?”. Al√©m disso poder√≠amos talvez avaliar governos diretamente pela felicidade do povo durante uma gest√£o, ou mesmo durante eventos como a crise econ√īmica.

Só duas perguntas: será que este blog é mais triste ou mais alegre? E você leitor, fica mais triste ou feliz lendo este humilde RNAm?