Faça infográficos perfeitos para área de biomed

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Mind the Graph

Aqui vai uma dica preciosa para quem quer fazer uma ciência mais bonita, mais descolada e mais design. E mais fácil e rápida de ser entendida também:

USE INFOGR√ĀFICOS!!!

Use nas apresenta√ß√Ķes, nos posteres em congressos, nas aulas, na tese e nos seus artigos cient√≠ficos tamb√©m. Economize o tempo das pessoas em entender e deixe o mundo mais bonito.

Se voc√™ √© da √°rea de biom√©dicas tenho uma dica melhor ainda: uma ferramenta online que tem todas as ilustra√ß√Ķes e templates que voc√™ precisa. √Č a Mind the Graph. Uma startup 100% nacional com uma qualidade excelente, v√°rios templates e milhares de ilustra√ß√Ķes altamente personaliz√°veis. Troque cores, estilos e formatos das c√©lulas, por exemplo.

O banco de imagens não pára de crescer, e aqui eu selecionei as que eu achei mais  interessantes.

Cientista em pose like a boss

like a boss science
Yeah, science!

Giardia, um cl√°ssico das aulas de biologia

Pesquise no google por PAREIDOLIA
Pesquise no google por PAREIDOLIA

CUIDADO! Isso é uma prensa!

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Ei! Isso t√° gelado!

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Olha o passarinho… er… quer dizer…

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Faça uma história em quadrinho

Usar coca√≠na causa euforia e poderes medi√ļnicos

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=ukJyP5np9fg” title=”Tutorial%20on%20how%20to%20create%20infographics%20for%20Life%20Science%20and%20Health.”]

 

Disclaimer: Eu já comi churrasco na casa do sócio do Mind the Graph, ou seja, sou seu amigo. E também escrevo para o blog da empresa. Se agora você desconfiou de mim, entre lá e dê uma olhada para tirar a prova.

Divertida MENTE, COC√Ēlorido e camisinhas brochantes

Neste epis√≥dio: Divertida MENTE, COC√Ēlorido e camisinhas brochantes.

Coc√ī e camisinha que se colorem quando detectam alguma doen√ßa. Bacana n√©? Ah, mas sei l√°, s√≥ sei que existe.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=VoflVBNu4U0″]

 

Se n√£o acredita no que dissemos, √ďTIMO! Voc√™ aprendeu algo. Mas para provar, seguem as refer√™ncias:

Deixe seu filho ficar triste
http://vida-estilo.estadao.com.br/blo…

Conheça os vencedores desta edição do Prêmio Jovem Cientista
http://www.cnpq.br/web/guest/noticias…
/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/­2596513

Raymond Wang, Nicole Ticea Win Top Intel Science Fair Awards
http://www.huffingtonpost.ca/2015/05/…

Coc√ī colorido
http://www.echromi.com

http://mulher.uol.com.br/comportament…

Estudantes criam camisinha que muda de cor ao detectar doença sexualmente transmissível
http://oglobo.globo.com/sociedade/sau…

Pílula de glitter
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/v…

Seja o dono de uma grande farmacêutica, seu porco capitalista!

Algumas das coisas mais odiadas no mundo atualmente:

As duas primeiras¬†n√£o precisamos explicar, mas √© da √ļltima que vamos falar aqui.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=85I89ZrwIfU”]

 

Saiu um jogo de simula√ß√£o [tipo SimCity lembra?] chamado Big Pharma, que coloca o jogador no comando de uma dessas ind√ļstrias. Estas s√£o t√£o criticadas por tocarem¬†em uma l√≥gica meio absurda que traz desconfian√ßa nas pessoas: quanto mais doentes, quanto mais doen√ßas, melhor para os neg√≥cios.

Por isso pessoas se revoltam, gritam que essa ind√ļstria √© s√°dica;¬†que s√≥ trata doen√ßas de pessoas e pa√≠ses ricos; que usa pobres como cobaias; que sabota tratamentos naturais/alternativos/caseiros; e que faz rem√©dios que s√≥ servem para piorar as pessoas, como os quimioter√°picos, e faz√™-las comprar mais rem√©dios.

Essas acusa√ß√Ķes¬†s√£o verdadeiras? Assim como com a Dilma e o Fernando, nem todas. Quimioterapia n√£o √© feita para debilitar mais ainda o paciente, e a sabotagem n√£o √© t√£o conspirat√≥ria como se pensa, mas essas ind√ļstrias n√£o s√£o santas, claro.

A d√ļvida que o jogo traz √©: se essas pessoas que criticam estivessem no lugar do empres√°rio dono da ind√ļstria, o que fariam no lugar dele? Deixariam de lucrar com ricos para fazer rem√©dios baratos para pobres? Deixariam de sabotar seus concorrentes?

Bom, talvez só jogando para saber.

 

Vi no BoingBoing

 

Perna bi√īnica de verdade. Finalmente!

Perna bi√īnica
Perna bi√īnica

A coisa √© simples: uma pr√≥tese que entende quando o amputado quer esticar ou encolher e como ele quer fazer isso, com for√ßa ou devagar. Tudo controlado pelo c√©rebro mesmo, do jeito mais natural poss√≠vel. Claro que um computador tem que ficar no meio do caminho, mas n√£o parece incomodar n√£o. √Č s√≥ olhar o v√≠deo.

Finalmente temos algo do jeito que deveria funcionar mesmo. Agora sim d√° pra subir escadas!

A tecnologia est√° t√£o avan√ßada, com o homem indo e voltando da Lua e mandando rob√īs nucleares pra Marte, que n√£o d√° pra acreditar que estamos t√£o atrasados em certas coisas b√°sicas, como fazer uma pr√≥tese que funcione como essa que s√≥ conseguiram fazer agora. Mas porque esse atraso todo?

Eu n√£o chamo de atraso n√£o. Isso mostra que os maiores desafios, os mais dif√≠ceis de resolver, est√£o no nosso planeta mesmo. √Č muito mais f√°cil mandar 3 pessoas numa c√°psula de metal, com toneladas de combust√≠vel altamente inflam√°vel, pra fora do nosso planeta, acertar numa pedra gigante chamada Lua, e trazer esses 3 de volta, do que entender como o c√©rebro, de dentro de nossas pr√≥prias cabe√ßas, comanda o movimento que fazemos todos os dias, sem esfor√ßo e sem perceber.

O pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis está procurando fazer a mesma coisa, mas ele quer detonar o limite maior: quer fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial da copa do mundo no Brasil, usando uma prótese que fica por fora do corpo, como a armadura do Homem de Ferro, mas controlada pelo cérebro da própria pessoa.

A Copa t√° chegando. Ser√° que d√° tempo, Nicolelis?

Vi no Gizmodo, Wall Street Journal e CBS

Controle mentes usando algas, vírus e laser

Essa √© uma daquelas t√©cnicas que pode gerar pol√™micas, e s√≥ n√£o gerou ainda porque n√£o caiu nas gra√ßas dos jornalistas mais sensacionalistas. A optogen√©tica √© um jeito de ligar e desligar neur√īnios apontando para eles um laser. N√£o t√£o simples assim, porque voc√™ tem que injetar no c√©rebro a ser testado um v√≠rus que leva para dentro dos neur√īnios desejados o gene que vai virar a prote√≠na sens√≠vel a luz.

Veja o video:

Essa prote√≠na vem de algas e responde a laser, e dependendo de quais neur√īnios a produzirem ela pode ativ√°-los fazendo por exemplo o camundongo do v√≠deo sair correndo, a mosca tentar voar, o verme parar de se mover, sempre que o laser os ating√≠r.

Isto pode ser usado para controlar o ritmo de células cardíacas e os movimentos de células da pele, como mostrado mais ao final do vídeo.

Mas al√©m de permitir controle, a optogen√©tica √© uma ferramenta para estudar as liga√ß√Ķes entre os neur√īnios e revelar os circuitos que formam o c√©rebro, esses sim o Santo Graal da neuroci√™ncia.

Não precisamos nos preocupar com controle mental por enquanto, estão longe disso, mas isso me faz perguntar se aquele cabo do filme Matrix era um cabo de fibra óptica.

 

Dica do Felipe do Psicológico

Super-Sequenciamentos de DNA e a lei de Moore

Dia 19 de abril √© o anivers√°rio da Lei de Moore que diz, segundo a Wikipedia “…[em 1965] o ent√£o presidente da Intel, Gordon E. Moore fez sua profecia, na qual o n√ļmero de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada per√≠odo de 18 meses. Essa profecia tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore.”

Lei_de_moore_2006.svg

fig: A evolução dos precessadores e a lei de Moore

Uma profecia e tanto, porque é um ritmo frenético, concorda? Eu ainda lembro quando jogava Space Invaders no meu XT sei-lá-o-que na tela fósforo verde.

O engraçado é que, sem saber do aniversário, eu ouvi sobre a lei de Moore essa semana. Mais do que isso, ouvi sobre algo que anda mais rápido que a lei de Moore: a potência do sequenciamento de DNA.

O RNAm foi convidado para o lançamento da nova tecnologia de sequenciamento da Life Technologies, o Ion Torrent. Muito legal a tecnologia e parece que vai revolucionar a área de sequenciamento mesmo. Se você é da área entre no link caso se interesse, vale a pena (como não sou da área, não vou entrar em detalhes). Só vou dizer uma coisa: essa coisa consegue detectar a mudança de pH gerada pela liberação de hidrogênio quando uma base, A,T, C ou G se liga à fita a ser sequenciada!

Bom, neste evento foi citada a lei de Moore para compará-la com a evolução da tecnologia de sequenciamento. Veja aqui a comparação do custo de um genoma e o custo dos processadores:Sequencing graphs to slides

Isso muda muita coisa. Com sequenciamentos baratos e rápidos, áreas como a epidemiologia vão mudar, e já estão mudando muito. Técnicas como arrays irão aos poucos sumir, dando lugar ao todo-poderoso, direto e inequívoco sequenciamento.

E j√° tem muita gente no Brasil fazendo muita coisa com sequenciamento. Duas palestras muito interessantes: uma com o pessoal da bioinform√°tica da FioCruz, o Cebio, que oferecem uma estrutura de an√°lise e planejamento de sequenciamento e tem parcerias com v√°rios pesquisadores e empresas; outra coisa interessante √© a Rede Paraense de Gen√īmica e Prote√īmica, da UFPA, um centro com muita estrutura e colabora√ß√Ķes, isso tudo fora do sudeste.

Esses dois centros s√£o muito importantes, sabe porque? Porque m√°quinas como o Ion Torrent est√£o deixando o sequenciamento cada vez mais f√°cil, mas o que fazer com aquele monte de letras ACTG? O funil do conhecimento nessa √°rea √© a an√°lise, e por isso esse knowhow destes centros vale ouro. Bioinform√°tica vale ouro. √Č emprego certo porque pouqu√≠ssima gente tem o conhecimento necess√°rio (essa √© a frase que eu mais ou√ßo ultimamente em todas as √°reas no Brasil). Tamb√©m, precisa entender de biologia, matem√°tica e programa√ß√£o, mas bi√≥logos n√£o suportam exatas, e exatos, bem, at√© gostam de bio, mas ganham muito mais em inicio de carreira em outras √°reas do mercado de trabalho.

Ent√£o veremos o que fazer com as toneladas de dados gerados pelos simples, r√°pidos e baratos sequenciamentos.

Cientistas fora da universidade: existe vida l√° fora. Mas e no Brasil?

embo 2010 logo.JPGEstive no almoço sobre carreiras do congresso EMBO Meeting (um dos motivos deste blog estar às traças). Foi ok, mas podia ter sido melhor. O tempo é curto, não se come, não se bebe, e o barulho das mesas complica a conversa. Mas o problema ficou só com o formato. Os convidados pareceram interessantes e interessados. Participei de três mesas de 35min de conversa com uma pessoa que fez doutorado em alguma área da ciência mas saiu da vida acadêmica.

Seguem aqui as √°reas, os nomes e alguns coment√°rios:

  • Pol√≠tica cient√≠fica

Rochana Wickramasinghe, Royal Society Policy Centre. Basicamente ele liga grupos de cientistas ao governo em temas de interesse social. Como exemplo, o que ele est√° fazendo agora √© colocar conceitos de neuroci√™ncias na educa√ß√£o. N√£o para ensinar neuro aos alunos na escola, mas aplicar conceitos de neuro para melhorar o sistema de ensino. O papel do centro de pol√≠tica cient√≠fica da Royal Society √© juntar material de seus cientistas associados,  e monta um relat√≥rio de f√°cil entendimento para legisladores n√£o-cientistas, al√©m de manter contato com grandes personalidades do mundo pol√≠tico e cient√≠fico.

  • Comunica√ß√£o cient√≠fica:

Rosina Malagrida i Escalas, Director, Science Communication, Barcelona Science Park.
Uma esp√©cie de rela√ß√Ķes p√ļblicas(RP) de um grupo cient√≠fico. O trabalho √© bem de RP mesmo, mas exige um conhecimento de ci√™ncia para traduzir a produ√ß√£o da institui√ß√£o para montar press-release e contatar a m√≠dia. O papel principal desse tipo de RP √© aumentar a visibilidade da institui√ß√£o no seu contexto de interesse, usando a m√≠dia, montando eventos, feiras e outras iniciativas. No caso de Rosina a institui√ß√£o √© mais local, dentro da Catalunia, assim √© essa m√≠dia e popula√ß√£o que ser√£o seu alvo. Claro que a posi√ß√£o de diretoria √© interessante, pois ela pode utilizar mais a criatividade para inventar os projetos de divulga√ß√£o, mas voc√™ vai come√ßar escrevendo press-release e organizando eventos por um bom tempo pelo visto.

 

  • Pesquisa e desenvolvimento na ind√ļstria

Philippe Cronet, Chief Scientific Officer, Eurogentec S.A.
Sim, √© poss√≠vel fazer pesquisa na ind√ļstria (aquelas malditas capitalistas comedoras de criancinhas). E segundo Cronet, pesquisa na ind√ļstria √© at√© mais livre que nas universidades por n√£o haver a press√£o de publica√ß√£o ou prazos de bolsas e p√≥s-gradua√ß√£o. O que ocorre √© que os prazos s√£o mais curtos na ind√ļstria, mas os objetivos s√£o bem calculados e divididos por um time de diferentes √°reas trabalhando juntos, o que pode trazer mais resultados e maior satisfa√ß√£o em v√™-los atingidos mais rapidamente em compara√ß√£o com os 3 ou 4 anos de uma p√≥s. Assim, n√£o h√° um projeto individual, e eventualmente seu chefe pode dizer “A concorr√™ncia j√° est√° fazendo isso, cancelem este projeto”. Mas calma, isto n√£o quer dizer que voc√™ ser√° demitido – s√≥ que vai trocar de projeto.

Muito empolgantes as carreiras em política científica e comunicação, mas percebi as imensas dificuldades para se seguir estas carreiras no Brasil, e ambas pelo mesmo motivo: falta de cultura científica que acaba levando à falta de estrutura.

Afinal, onde está a nossa Royal Society para patrocinar um escritório de política científica? A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ou a Academia Brasileira de Ciências (ABC) cumprem este papel? Quem deveria cumprir?

Lembro-me de um professor que durante a vota√ß√£o de c√©lulas-tronco foi chamado para uma palestra na C√Ęmara dos Deputados, e apenas UM (1) deputado apareceu, justamente o que o convidou para a palestra (pelo menos isso). E ser√° que esta foi a √ļnica tentativa de explicar c√©lula-tronco para nossos legisladores?

E o mesmo ocorre para a comunica√ß√£o cient√≠fica. No Brasil n√£o h√° o costume de se contratar rela√ß√Ķes p√ļblicas nem mesmo em grandes empresas, quanto mais em institutos de pesquisa. H√° iniciativas, mas muito fracas, e nenhuma estruturalmente robusta e duradoura. No jornalismo parece que estamos avan√ßando – vide √†s ag√™ncias de not√≠cias de universidades e institui√ß√Ķes de fomento – mas a comunica√ß√£o cient√≠fica vai al√©m do jornalismo, e √© neste ponto que n√£o vejo iniciativas brasileiras.

Quanto √† ind√ļstria, me espantou a quantidade de estudantes de doutorado ou p√≥s-doutorado europeus que n√£o tinham nenhum conhecido trabalhando na ind√ļstria. E eu, pobre criatura de um pa√≠s em desenvolvimento, conhe√ßo pelo menos uma dezena de colegas que est√£o pesquisando ou em outras √°reas em empresas ligadas a pesquisa.
Mas isso pode ser um problema meu de amostragem, já que estes colegas se formaram nas universidades mais bem conceituadas do Brasil, o que faz que sejam muito cobiçados por um mercado que é pequeno mas está crescendo, enquanto que talvez o mercado europeu esteja saturado.

Bom, segue o congresso. E m√£e, to comendo direitinho, viu! [economizando DDI mode ON]

Para seguir o twitter do congresso: #EMBOmtg

B√īnus:
Sugiro fortemente que você leia este relatório da Royal Society. Aliás o site é bem legal também.

Parabéns para mim, para o rock e para o genoma brasileiro!

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Café afetado pela xylella. Adoro estes cortes de plantas!


13 de julho, que data mais importante para o Brasil e para o mundo. Neste dia, h√° alguns anos atr√°s (n√£o muitos), nascia este que vos escreve. N√£o bastando isto, tamb√©m √© o dia em que se homenageia mundialmente o Rock¬īn Roll. Agora descobri mais um nascimento importante neste dia: Xylella fastidiosa.
Não é uma banda de rock, é uma bactéria que causa uma doença nos laranjais, e não é que ela tenha propriamente nascido em 13/7, mas nesta data ocorreu algo que mudou os rumos da ciência no Brasil.
xylella.jpg[adendo – claro que, sabendo que as bact√©rias se reproduzem aos milh√Ķes em poucos minutos, bilh√Ķes e bilh√Ķes de Xylellas devem nascer todos os dias e no dia 13 n√£o foi diferente, portanto v√°rias bact√©rias fariam anivers√°rio comigo caso elas chegassem a durar um ano.]
Xyllela-Nature.jpgNeste dia, no ano 2000, foi publicado o genoma da Xylella na revista Nature. Este projeto, bancado pela Funda√ß√£o de Amparo √† Pesquisa do Estado de S√£o Paulo (FAPESP), foi uma aposta bem alta: gastar 12 milh√Ķes para colocar o Brasil na ponta de alguma pesquisa e chamar a aten√ß√£o do mundo – no caso a gen√īmica foi a escolhida.
Funcionou. Muitos mestres e doutores puderam aprender técnicas de ponta, equipamentos foram importados, e toda uma geração de cientistas foi gerada, sendo que muitos são hoje em dia pesquisadores no Brasil e fora dele.
Eu mesmo me beneficiei deste salto, pois desde o laboratório de iniciação científica até meu atual no doutorado participaram do sequenciamento, e só com esta conquista puderam se estabelecer, afinal a biologia molecular era muito fraca por aqui.
Mas a mágica funcionou até certo ponto. Na área acadêmica a luta agora é por qualidade. Já conseguimos colocar o Brasil no mapa científico mundial, mas precisamos de trabalhos melhores em revistas científicas de maior impacto. Os projetos genoma são muito criticados por não terem entregado para a agricultura e para a medicina as melhorias e descobertas prometidas no passado. Buscar estes resultados é o que deve aumentar a qualidade.
Mas talvez o mais importante hoje em dia seja ter o arrojo de dez anos atr√°s para estimular de alguma maneira o setor privado a interagir com a √°rea de pesquisa. Um modelo de transfer√™ncia de conhecimento da academia para a ind√ļstria seria o pr√≥ximo passo para firmar definitivamente a produ√ß√£o de ci√™ncia no Brasil.

Transg√™nico prejudica planta√ß√Ķes vizinhas

algod√£o transg√™nico.jpg√Č isso mesmo. O cientista aqui vai falar mal de transg√™nicos. E n√£o sou eu n√£o, √© um artigo da Science. Isso √© pra ningu√©m vir com a velha historinha de que “o lobby das ind√ļstrias boicota as pesquisas e a publica√ß√£o de estudos que v√£o contra seus interesses.” N√£o que isto n√£o exista, mas n√£o √© t√£o conspirat√≥rio como muitos fantasiam.
A hist√≥ria √© a seguinte: o transgene mais famoso do mundo √© o tal “Bt”, que vem da bact√©ria Bacillus thuringiensis. Se voc√™ coloca este gene em plantas elas passam a produzir prote√≠nas que matam as larvas de algumas mariposas que s√£o pragas. Assim essas mariposas n√£o se alastram na planta√ß√£o e nem nas planta√ß√Ķes vizinhas, permitindo reduzir em muito o uso de inseticidas.
Parte da beleza do Bt √© que ele √© espec√≠fico para alguns insetos apenas. Mas esta √© parte do problema tamb√©m. Porque onde foi plantado algod√£o Bt na China houve redu√ß√£o de uso de inseticida, mas infesta√ß√Ķes de um outro inseto ficaram mais comuns. Isso porque o inseticida usado antes controlava as duas esp√©cies, e reduzir o uso dele permitiu o aumento de um dos bichos.
E o pior √© que esse outro inseto nem gosta muito e nem mesmo era considerado uma praga do algod√£o, mas acabou o usando de trampolim para as outras planta√ß√Ķes vizinhas mais apetitosas. Eles acasalavam nas flores de algod√£o e depois iam detonar da vizinhan√ßa.
O estudo mostra que é importante monitorar, não só a praga alvo do transgênico, que no caso aqui é a mariposa, mas também os outros insetos menos significativos.
E é assim que a ciência vai caminhando, pondo pra testar, juntando dados e mudando nossa forma de lidar com o mundo.
PS.: Sobre os trang√™nicos, eu n√£o acho t√£o arriscado assim, afinal eu prefiro introduzir um gene s√≥ num ecossistema do que como temos feito a mil√™nios: mandando um conjunto de cromossomos completo, como quando introduzimos um animal inteiro em outro ambiente ou mesmo uma monocultura. √Č o caso famoso dos coelhos na austr√°lia, c√£es e gatos em diversos outros ambientes, o caf√© no estado se SP (tem p√© de caf√© em todo canto na mata atl√Ęntica hj em dia).
ResearchBlogging.orgLu, Y., Wu, K., Jiang, Y., Xia, B., Li, P., Feng, H., Wyckhuys, K., & Guo, Y. (2010). Mirid Bug Outbreaks in Multiple Crops Correlated with Wide-Scale Adoption of Bt Cotton in China Science, 328 (5982), 1151-1154 DOI: 10.1126/science.1187881

Essa nossa vidinha sintética

Thumbnail image for LIFE_by_OrangeUtan.jpgCom certeza a not√≠cia cient√≠fica mais importante desta semana foi o an√ļncio de que, 10 anos e 40 milh√Ķes de d√≥lares depois, a equipe liderada por Craig Venter conseguiu “criar vida artificial”. Ser√°?

Como sintetizar uma vida passo-a-passo:

1- tenha muito dinheiro, tempo, fama e nenhum medo de polêmica. [seja Craig Venter]

2- descubra qual o mínimo de informação que uma célula precisa para viver. [em 1995 o pessoal do Craig sequenciou o menor genoma conhecido, do Mycoplasma genitalium com 500 genes, e ainda conseguiram tirar uns 100 deles]

3- transplante pelo menos um cromossomo natural para outra célula antes de inventar moda! [fizeram isto em 2007]

4- sintetize o cromossomo, ou seja, coloque as letras ATCG na ordem certa. [feito em 2008, com algumas “marcas d¬īagua” para sabermos que √© realmente o constru√≠do e n√£o o natural. Essa assinatura √© um c√≥digo que transforma em ATCG alguns nomes de pesquisadores e at√© uma frase do James Joyce “To live, to err, to fall, to triumph, to recreate life out of life.” (Viver, errar, cair, triunfar, recriar vida apartir de vida) ]

5- coloque o tal cromossomo sintético na outra célula sem DNA e cruze os dedinhos para ela não morrer e se reproduzir. [isso que aconteceu agora]

Como voc√™ p√īde ver, a tal vida n√£o √© totalmente sint√©tica, afinal usaram uma c√©lula j√° existente para ler o programa sint√©tico que √© uma c√≥pia de outro genoma j√° existente.
Eu não estou desmerecendo a pesquisa. Ela é muito legal e abre várias portas mesmo mas, como sempre acontece, o hype é exagerado. Tá longe de construirmos um organismo para os fins alardeados Рcomo bactérias que comem capim e o transformam em petróleo. E outra, bactéria é fácil, quero ver com eucariontes como plantas, vermes, eu e você. Aí literalmente o bicho pega.

O Sérgio Abranches falou (dia 21/5) que este trabalho foi uma quebra de paradigma, mas ele caiu na velha armadilha desta palavra que é a mais prostituída de toda a filosofia da ciência. Na verdade é bem o oposto: este experimento é o ápice do paradigma atual da engenharia genética! Isso vem sendo feito há muito tempo. Há muito que construímos organismos genéticamente modificados: picotando DNA, colando genes, inserindo proteínas e criando animais inteiros transgênicos. Criamos, crescemos, comemos, cheiramos e injetamos seus produtos.

Novos problemas √©ticos? Acho que n√£o. S√≥ um s√īpro a mais nas j√° turbulentas quest√Ķes levantadas pela engenharia gen√©tica h√° pelo menos 30 anos. Nada novo aqui.

Agora o que este avan√ßo tem a ver com Blade Runner √© que eu n√£o sei!!! UPDATE 23/05: me explicaram esta rela√ß√£o nos comments. D√™ uma olhada (mas ainda acho q n√£o tem nada a ver considerando a dist√Ęncia tecnol√≥gica).

Veja o tema do fórum do programa Rádio Blog da rádio Eldorado de São Paulo do dia 21 de maio:

Cientistas conseguiram pela primeira vez produzir uma forma de vida sintética em laboratório. Eles conseguiram reavivar uma célula morta, transplantando uma cópia do genoma de uma bactéria.
O objetivo do experimento √© produzir micro-organismos para fun√ß√Ķes espec√≠ficas, como limpar manchas de petr√≥leo.
Na sua opinião, essa descoberta pode ajudar o ser humano? Pode ser perigosa? Você acredita que no futuro teremos andróides criados por empresas, como os do filme Blade Runner?

BIOLOGIA SINT√ČTICA N√ÉO TEM NADA A VER COM ROB√ĒS!!! ai ai…