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Comunicação para Divulgadores Científicos

Como encaminhar meu conteúdo de divulgação científica à imprensa?

Trabalhando à frente da comunicação do Blogs Unicamp há quase 06 anos, minha rotina de trabalho tem sido pensada em como intermediar e facilitar a comunicação entre os cientistas que participam do projeto e a comunicação (imprensa, as redes sociais e a divulgação da divulgação científica).

E dentre as ações planejadas e executadas no projeto, a assessoria de imprensa está entre as atividades mais importantes e que geram mais resultado no projeto. Contudo reconhecemos que realizar essa atividade não é assim tão simples.

Afinal, como discute Graças Caldas em seu texto DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E RELAÇÕES DE PODER, como podemos conciliar a importante função de divulgar ciência e tecnologia de forma competente e precisa, sem abrir mão da necessária interpretação e contextualização da produção científica em prol da informação científica disponibilizada a sociedade? 


@tirinhadearmandinho

Caro divulgador científico

Trabalhar com divulgação científica é estar nessa posição de constante intermediação da informação científica para sociedade, entendendo e conhecendo o funcionamento de outras áreas da comunicação além da sua própria área de expertise. Isso ajuda o próprio divulgador científico a realizar melhor a sua atividade.

Falo um pouco mais sobre isso no texto O que é Comunicação Institucional?

Assim como já comentado em diversas outras ocasiões neste blog:

Fazer divulgação científica se trata de disponibilizar informação científica, de forma ética e embasada pela ciência mas de forma acessível a população, com uma linguagem adequada ao público e em veículos que cheguem a ela.

Dessa forma, ao nosso entender, o profissional da divulgação científica já vive em sua rotina a constante luta que a Graça Caldas coloca em seu texto e conhecer melhor como a relação imprensa-ciência funciona melhora a disseminação de informação científica na sociedade.

Tempo

 

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Arte por @clorofreela

O cientista passa uma vida inteira estudando um determinado assunto de forma profunda e tentando cobrir todos os aspectos do tema, a fim de extrair informações precisas, embasadas e checadas.

Paralelamente, o jornalista trabalha a partir da observação de acontecimentos no mundo que podem gerar o interesse do público (mas sem se tratar somente sobre o imediato). O jornalista também antevê a necessidade de informações que possam vir a ser úteis a população, conscientizando-a para futuras tomadas de decisões.

Se considerarmos ainda a aceleração que as redes sociais provocaram, a relação imprensa-ciência fica ainda mais delicada e necessária, e o tratamento dado à informação científica precisa ter ainda mais responsabilidade profissional, ética e social.

Para o jornalista agilidade é fundamental, a pauta sobre a pesquisa que o cientista trabalha e estuda é interessante agora. Já para o cientista, a precisão da informação e o cuidado com detalhes é imprescindível.

Entender esse tempo e respeitar as duas formas de trabalho é um começo para que essa relação não se torne problemática e a informação não se perca. 

E o que isso significa? Significa que quanto mais disponível esses dois profissionais estiverem, melhor será.

O cientista precisa deixar a disposição um contato viável e de atendimento rápido para que a sua assessoria de comunicação, da sua universidade ou instituto de pesquisa disponibilize ao jornalista, entretanto, este precisa ser um contato que realmente o encontre e que este responda rapidamente, inclusive para declinar o convite de atendimento e possibilitar que o jornalista tenha tempo de procurar outro especialista.

Também é interessante deixar seu canal de divulgação científica disponível para esses canais de contato com a imprensa, pois muitas vezes o jornalista pode utilizar deste material para entender melhor sobre determinado assunto.

Outro ponto importante é ter em mãos contato de outros colegas que estudam assuntos parecidos com o seu e oferecer ao jornalista para que a notícia possa contemplar outros aspectos e ser melhor embasada por outros cientistas éticos e competentes.

Na prática do jornalismo a rapidez é fundamental e quanto mais rápido e preparado o cientista estiver para atender melhor a noticia sairá. 

A comunidade científica não pode mais delegar à imprensa a responsabilidade de educar a sociedade sobre a importância da ciência — porque não cabe a ela essa responsabilidade, e mesmo que coubesse, ela não tem condições de fazer isso sozinha. O abismo é fundo demais para ser preenchido só com folhas de jornal e alguns minutos de televisão. Então, qual é a solução?

A comunidade científica precisa acordar para a realidade, sair da sua torre de marfim acadêmica, e começar a dialogar direta e diariamente com a sociedade. Até alguns anos atrás, era até justo cobrar mais atenção da mídia, pois não havia outros meios práticos e efetivos disponíveis para se comunicar com a sociedade de maneira regular. Para fazer uma informação chegar à sociedade, o cientista precisava de um interlocutor: o jornalista. Agora, não.

Graças à internet e às redes sociais, qualquer cientista pode se comunicar hoje diretamente com a sociedade, sem necessidade de intermediário, por meio de sites, blogs, vídeos, podcasts e outras plataformas diversas. Em muitos casos, basta uma conta no Facebook.

Herton Escobar – DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: FAÇA AGORA OU CALE-SE PARA SEMPRE 

Credibilidade e Linguagem

Assim como o ditado popular “maçã podre tem em todo lugar”, portanto determinar sua disponibilidade de acordo com as falas fora de contexto colocadas na imprensa ou pelos motivos de ser difícil dialogar com determinados profissionais, é negligenciar a responsabilidade da ciência e da imprensa, em disponibilizar informação a sociedade.

Não estou defendendo aqui que todos devem falar a imprensa, ou de que todos precisam ter um canal de divulgação científica, ou ainda, que o jornalista precisa ser um profundo conhecedor de todas as áreas científicas para fazer o seu trabalho. 

É possível que a comunicação entre as duas áreas aconteça de forma harmoniosa, e para isso é fundamental que haja um bom relacionamento, com respeito e ética e isso não é construído da noite para o dia.

E o que isso significa? Significa facilitar a comunicação entre as duas áreas

Para o jornalista, é sobre dedicar um tempo a ler os materiais enviados pelas assessorias de imprensa e divulgadores científicos sobre a ciência que está sendo produzida no país, ter um banco de contatos de cientistas diverso, não só em áreas da ciência, mas também em relação a gênero, raça, regiões do país, discursos…

Conhecer o trabalho desses cientistas, apesar de a principio parecer que leva um tempo que o jornalismo não tem, garante que no momento da urgência da pauta o jornalista já saiba, mesmo que minimamente, sobre o assunto a ser discutido e qual o melhor cientista a ser contatado, e quais as perguntas pertinentes a se fazer.

Já para o cientista, é importante não só estar disponível, mas também pensar e apresentar a imprensa uma linguagem mais acessível, sem jargões e termos técnicos, exemplos de utilidade da sua ciência no cotidiano, materiais que possam ser usados como consulta e divulgação, textos de divulgação científica, releases com informações pertinentes, vídeos, locações, fotos e ilustrações que podem ser usadas nas reportagens.

O cientista precisa entender que o jornalista é um mediador da informação, então quanto mais acessível for a sua ciência menos provável dela ser colocada a sociedade de forma equivocada.

E caso isso aconteça, peça ao veículo de imprensa que seja corrigido, em caso de se negarem, anote o veículo, avise a assessoria de comunicação e não o atenda mais. Você pode, inclusive, colocar em suas redes sociais uma errata da informação.

“Informação em jornalismo é compreendida como bem social e não como uma comodidade, o que significa que os jornalistas não estão isentos de responsabilidade em relação à informação transmitida e isso vale não só para aqueles que estão controlando a mídia, mas em última instância para o grande público, incluindo vários interesses sociais. A responsabilidade social do jornalista requer que ele ou ela agirão debaixo de todas as circunstâncias em conformidade com uma consciência ética pessoal.”
Princípios Internacionais da Ética Profissional no Jornalismo

Sugestão de pauta

Comentei recentemente na minha conta pessoal no Twitter sobre a importância do divulgador científico, e aqui neste texto vou incluir o cientista, em oferecer seus conteúdos a imprensa, mas que para isso é preciso ter preparo e acima de tudo respeito.

 Sim, querido leitor, é um absurdo que eu precise comentar sobre respeito em pleno século XXI, mas a realidade do Blogs Unicamp é essa, e pelos comentários nesta postagem do Twitter me parece ser também a realidade de muitos divulgadores científicos.

Por giphy – reactiongifs

Antes de mais nada, assim como jornalista, cientista, profissional de mídias sociais ou divulgador científico, ser assessor de imprensa é uma profissão e sim, precisa que este profissional se capacite, estude e tenha uma série de requisitos para exercer a profissão, portanto é importante ressaltar que para realizar essa tarefa, caso você tenha interesse em fazê-lo, é preciso que se dedique a estudá-lo tanto quanto em qualquer outra profissão.

Mas se você não se interessa ou não está disposto a realizar o trabalho de assessor de imprensa, recomendo que contrate um profissional, uma empresa ou a assessoria de comunicação da sua universidade ou instituto de pesquisa. O mídia ciência da Fapesp e a Agência Bori, são apenas dois exemplos que te ajudam nesta tarefa de contratar um profissional para esta tarefa. 

Mas se mesmo assim você quiser realizar a tarefa de assessoria de imprensa por conta própria, deixarei três dicas importantes:

1 – Saiba com quem está falando…

Os veículos de imprensa e de divulgação científica que se dedicam a divulgar conteúdos de outros colegas, normalmente disponibilizam em seus canais normas de como fazer isso, aqui no Blogs Unicamp deixamos nossa política disponível no “COMO PARTICIPAR?” e no “REGRAS PARA PUBLICAÇÃO“. Além desses dois canais também fazemos convites a colaborações em especiais temáticos e atendemos a pedidos nas redes sociais oficiais do projeto.

Mas é imprescindível que ao solicitar uma divulgação você seja educado e disponibilize todas as informações importantes. É um absurdo, mas recebemos pedidos em nossos canais faltando a identificação do solicitante e do canal, sem o link de inscrição, sem basicamente o mínimo de informação e muitas vezes com assuntos completamente distintos dos tratados em nosso projeto.

Para vocês terem uma noção, no momento da escrita deste texto, tenho dois pedidos de divulgação de pauta de produtos pseudocientíficos, sem falar na quantidade de canais que nos marcam em venda de produtos ou comentários e reclamações que deviam ser destinados a Unicamp quanto instituição e não o Blogs Unicamp quanto canal de divulgação científica da Universidade.

Não conhecer o canal ao qual está pedindo sua pauta mostra desrespeito e falta de foco, o canal simplesmente ignora seu pedido e seu trabalho foi totalmente em vão.

2 – Release

Release, press release ou comunicado de imprensa se trata de um texto resumido sobre um determinado assunto que precisa ser divulgado, como um texto de divulgação científica ou um artigo científico, por exemplo.

Aqui neste link da Scielo tem instruções sobre como elaborar releases de artigos científicos.

Mas porque você como divulgador científico precisa ter em mãos um release ao entrar em contato com o jornalista? 

O release reúne as informações mais relevantes sobre o assunto e posiciona o jornalista sobre qual a importância disso. 

É importante lembrar que o jornalista recebe uma quantidade enorme de releases e contatos por dia, assim o material enviado precisa ser sucinto, direto e com todas as informações relevantes.

E uma boa maneira de construir esse texto é usar do LIDE que se trata de uma técnica jornalística que reúne logo no início do texto as 05 perguntas básicas: O quê?, Quem?, Quando?, Onde? e Por quê? 

Não se esqueça de colocar no assunto o objetivo do contato e procure incluir no texto comentários sobre o que pode ser do interessa da imprensa, porque este assunto deve ser divulgado, quais as dúvidas que a sociedade pode vir a ter e os contatos para melhores informações.

3 – E como encontrar esses canais que recebem materiais para divulgação?

Naquele tweet que comentei acima um dos leitores comentou sobre a dificuldade de encontrar esse canais que aceitam receber releases ou compartilhar conteúdos de colegas, assim acho importante mencionar aqui 3 iniciativas que ajudam neste primeiro contato:

Além dessas inciativas procure seguir, entrar em contato e manter um relacionamento com iniciativas interessantes e que trabalham com conteúdos parecidos com o seu. 

Sempre lembrando que educação, respeito e diálogo nunca é de mais, o canal não é obrigado a publicar seu conteúdo. Se não deu, respeite e siga em frente.

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