Resultados do Ato Público contra a nova distribuição dos royalties do petróleo.

Dias atrás comentei a realização de um Ato Público encabeçado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) contra o projeto de lei que prevê a redistribuição dos royalties do petróleo.

As críticas à Proposta de Lei Substitutiva 448 extrapolam a cobertura da mídia sobre o entrave entre os Estados e Municípios produtores e não produtores, baseando-se no fato de a nova proposta extinguir itens que tratam da destinação de percentagens específicas para Ciência, Tecnologia & Inovação previstos na legislação vigente.

Salão Nobre lotado para o início das discussões. Ato Público realizado em São Paulo no dia 7 de Novembro de 2011. (Imagem: arquivo pessoal)

O evento terminou com a decisão das entidades organizarem um movimento para solicitar aos deputados da Câmara Federal mudanças no PLS 448 que destinem por lei percentuais para as áreas supracitadas. Um resumo do Ato foi publicado pela SBPC em “Já a partir de 2012, os fundos setoriais perderão quase metade do valor atual“.

O ScienceBlogs Brasil manifestou seu apoio à questão pela publicação do artigo “Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448” no blog Raio-X. O texto contém explicações sobre o tema e foi elaborado para que todos tenham mais conhecimento sobre o assunto.

Acessem!

Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448

 

Ônibus espacial: Embalagem retornável para o espaço valeu a pena?

nasa espaço

Assim termina o programa de ônibus espaciais da NASA, o Projeto Constelation.
A Atlantis voará e fim. A pergunta é: valeu a pena? Muita gente critica o gasto deste programa, afinal levar e trazer um ônibus é muito caro. Exatamente 100 bilhões de dólares. E eu mesmo sempre tive essa dúvida, se vale a pena esse gasto. Para a ciência foi importante, claro, afinal temos o Hubble e suas fotos e descobertas, além das aplicações tecnológicas desenvolvidas para viagem espacial e aplicadas hoje em nosso dia-a-dia (Clique aqui para ver uma animação bem legal mostrando tecnologia espacial que já usamos no banheiro ou na cozinha).

Mas não teríamos avançado mais por menos dólares se tivessem investido em foguetes sem volta e viagens não tripuladas? Eu acho que sim.

Talvez o que tenha acontecido é que chegaram dois projetos na mesa dos caras, um dos ônibus espaciais retornáveis e outro dos foguetes descartáveis (tática russa) e na hora de decidir quiseram inovar, mas escolheram a que acabou sendo mais cara, fazer o quê? Acontece. Importante é saber a hora de parar.

Segue aqui um texto muito bom do José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), e que respondeu várias perguntas que eu tinha sobre isso. LEIA!

A revista britânica The Economist, edição de 30 de junho, anuncia "o fim da Era Espacial" (The end of the Space Age). Como subtítulo, a matéria de capa adianta algo para se começar a entender sua proposta: "O espaço interior é útil. O espaço exterior é história" (Inner space is useful. Outer space is history). A primeira frase parece correta, a outra, nem tanto. Continue lendo

Só um comentário: sobre a exploração para viagens particulares ao espaço ele diz que é um luxo inútil, mas eu não tiro a razão de quem sonha em fazer isto. Veja este vídeo do avião que voa mais alto do mundo e tire suas conclusões.

E se todo ser humano pudesse passar por essa experiência, o mundo mudaria?

 

Bônus: Space Tourists – este documentário passou na TV Cultura, mostra uma dicotomina interessante entre turistas espaciais milhonários e catadores de lixo espacial russos. MUITO BOM!!!

A ingenuidade de Bill Gates sobre a Biologia

Caro Bill Gates,

Sinto informar que células não são tão rápidas quanto elétrons. Mais que isso: burocracia para mexer com gente e com o ambiente não é tão simples quanto programar um software.

Digo isto em vista da reportagem do New York Times, repassado pela Época, sobre o balanço dos investimentos em pesquisa em saúde feitos pela fundação Gates.

 

“Cerca de 1.600 propostas chegaram, e as 43 principais eram tão promissoras que a Fundação Bill & Melinda Gates liberaram US$ 450 milhões em bolsas de cinco anos _ mais de duas vezes a estimativa inicial.
Recentemente, a fundação chamou todos os cientistas a Seattle para avaliar os resultados e decidir quem seguirá recebendo os financiamentos. Numa entrevista, Gates soou de certa forma moderado, dizendo diversas vezes: “Nós fomos ingênuos”.”

[Leia a história e os projetos selecionados aqui]

 

Mas na verdade não dá pra saber se ele foi ingênuo ou enganado pelo hype alardeado pelos projetos. Afinal o objetivo de escrever um projeto é justamente convencer a todo custo quem o lê. O famoso “puxar a sardinha pro seu lado”, coisa que as vezes (muitas vezes) os cientistas fazem exagerando nas expectativas e enviesando as perspectivas. Outra coisa é que tem vários ganhadores do Nobel participando, e convenhamos que receber um projeto de um cara desses e dizer “não” não deve ser fácil.

Fato é que ele parece não ter gostado do resultado. E muita gente, incluindo um comentarista da reportagem acima, os cientistas e o próprio Bill Gates acham que o dinheiro investido nessas pesquisas foi algo bem significativo! Quando na verdade o gasto é irrisório comparando com gastos militares por exemplo. Para entender meu ponto de vista você precisa ler este texto espetacular do 100 Nexos, onde se lê que antes do telescópio Hubble, o instrumento mais fantástico da astronomia por muito tempo, que ajudou a desvendar milhares de mistérios do espaço, do tempo passado e do futuro, é uma aplicação tardia de um projeto de satélites-espiões que somaram 9 em nossa órbita!

Ou seja, enquanto mendigamos por recursos para a astronomia e também para outras áreas como a saúde e o bem-estar humano, uma quantia gigantesca é gasta sem que nós sequer saibamos onde.

Obrigado Bill Gates, continue assim gastando parte da sua fortuna pelo bem do próximo (e olhem que eu não estou nem questionando o como essa fortuna foi adquirida), mas acho que mesmo este esforço é uma gota num oceano de descaso pela vida humana.

RNAm Expresso – Vol.2

custo câncer.jpgImagem do dia (acima)- Quanto já se gastou com pesquisa sobre o câncer – Leia aqui um artigo em inglês sobre grana em pesquisa com câncer – NYTimes