Relatório do clima do IPCC tem que ser mais social

david parkins
imagem David Parkins

 

Ok, já sabemos que o aquecimento global existe, é causado por nós e que muita gente vai se dar mal no futuro se não fizermos nada. Isso os relatórios do clima do IPCC deixam bem claro. Eles também dão dados, tabelas, gráficos, limites de quanto CO2 ainda podemos gastar, etc.

Mas algumas coisas eles não nos dizem, como de que jeito implantar mudanças na sociedade para resolver o aquecimento?

Só saber o que está errado, e até indicar uma solução para o problema, não garante que as pessoas vão partir para a ação e resolvê-lo. As pessoas e os governos simplesmente não funcionam assim.

Por isso √© importante que daqui para frente esses relat√≥rios tenham mais participa√ß√£o de cientistas sociais, porque eles estudam pessoas, sociedades e suas rela√ß√Ķes.

Saiu um coment√°rio na Nature falando sobre isso. √Č de um dos rar√≠ssimos cientistas pol√≠ticos que participaram deste √ļltimo relat√≥rio do IPCC, por isso ele sabe como a coisa funcionou por dentro. Ele conta que s√≥ uma √°rea das ci√™ncias sociais estava bem representada: a economia. Outras √°reas como sociologia, ci√™ncia pol√≠tica e antropologia tem que estar juntas e misturadas com a f√≠sica e economia.

E tem um bom motivo para as ciências sociais ficarem de fora disso, e o motivo é que elas tocam em polêmicas que muitos querem evitar. A gente tem que lembrar que o IPCC está num cabo de guerra entre a ciência e a diplomacia, e por isso não basta um dado estar cientificamente certo para ser apresentado. Ele tem que ser um consenso político, e é aí que o bicho pega, porque cada país tem um interesse diferente sobre o mesmo dado. Por exemplo, alguns dos maiores poluidores são países emergentes, que poluem justamente porque estão emergindo, enquanto os países desenvolvidos já se desenvolveram, já poluíram, e podem se dar ao luxo de reduzir. Então de quem é a culpa do aquecimento? Quem tem mais responsabilidade para resolver? Como convencer pessoas a agir agora para evitar um mal futuro?

Ao tentar fugir desse tipo de polêmicas políticas e comportamentais, o IPCC perde força. Afinal, o objetivo é resolver o problema, e não fazer relatórios eternamente.

√Č isso que a imagem que ilustra este post, tirado do coment√°rio da Nature, representa. Genial o desenho, n√©? A ci√™ncia tem que cair fundo na sociedade.

Mas s√≥ colocar cientistas sociais n√£o vai resolver o problema, porque pessoas e sociedades s√£o as coisas mais complexas de se estudar, e mesmo dentro de cada √°rea dessas ci√™ncias ¬†tem muita discord√Ęncia. A ajuda que as sociais podem trazer √© justamente focar e direcionar essas pol√™micas, j√° que elas est√£o acostumadas com isso e tamb√©m porque que acabam sendo as pol√™micas do IPCC em alguma escala.

O importante √© deixar de fugir de pol√™micas e tentar resolver. √Č pra pegar a pol√™mica e p√īr uma melancia na cabe√ßa dela pra todo mundo ver, e chamar os cientistas sociais para tentar solucionar. Uma ideia √© fazer relat√≥rios paralelos focando nesses problemas e entregar para cientistas sociais de todo o mundo discutirem de forma independente.

Criatura misteriosa encontrada na China (MEDO!)

Gente, notícia bombástica: encontraram uma espécie na China que ninguém sabe identificar. Vejam que esquisito:

Imagem da criatura encontrada (reprodução do blog Update or Die)

Isso chegou na lista de discussão do SBBr pela Claudia Chow, vizinha do Ecodesenvolvimento, mas a princípio fui cético. Aponto aqui alguns trechos do texto que me fizeram desconfiar:

“Ningu√©m sabe que criatura √© essa.” – Ningu√©m? Onde est√£o esses zo√≥logos que n√£o souberam dizer a esp√©cie do bicho?

“O animal foi entregue por um homem an√īnimo…” – How convenient.

“… para um zool√≥gico no leste da China.” – OK, qual?

“… mas acreditam ser um tipo estranho (bem estranho) de macaco ou algum cruzamento ex√≥tico entre Lemures (aquele do ‚Äúeu me remexo muito‚ÄĚ do Madagascar) e alguma outra coisa interplanet√°ria.” – Eu nem perderei meu tempo comentando a “super express√£o t√©cnica” usada, “um tipo estranho de macaco” √© pr√° rasgar o diploma de qualquer zo√≥logo. Meu problema foi a afirma√ß√£o seguinte: quem foi o FDP que fez uma afirma√ß√£o dessas? Trocando em mi√ļdos, para o zool√≥gico “√© um macaco bizarro ou um h√≠brido extraterrestre”? WHAT?

Mas enfim, fiquei curioso e busquei mais informa√ß√Ķes no Google. Qual n√£o foi minha surpresa quando descobri que esse tipo de descoberta tem acontecido muito ultimamente. Vejam algumas das imagens abaixo, s√£o s√≥ uns poucos casos desse tipo que ainda est√£o em aberto e desafiam os maiores especialistas em identifica√ß√£o animal:

Será algum tipo de invasão alienígena? Estarão as espécies da Terra sendo lentamente misturadas a ETs invasores?!

E, o mais assustador de todos. No Brasil (acreditem!!!) foi registrada uma aparição DUPLA dessas estranhas criaturas:

√Č o fim do mundo! Ah n√£o, esqueci que isso s√≥ acontecer√° em 2019, ufa!

Preciso confessar: se no in√≠cio eu estava c√©tico, agora fiquei extremamente preocupado…

A ingenuidade de Bill Gates sobre a Biologia

Caro Bill Gates,

Sinto informar que células não são tão rápidas quanto elétrons. Mais que isso: burocracia para mexer com gente e com o ambiente não é tão simples quanto programar um software.

Digo isto em vista da reportagem do New York Times, repassado pela √Čpoca, sobre o balan√ßo dos investimentos em pesquisa em sa√ļde feitos pela funda√ß√£o Gates.

 

“Cerca de 1.600 propostas chegaram, e as 43 principais eram t√£o promissoras que a Funda√ß√£o Bill & Melinda Gates liberaram US$ 450 milh√Ķes em bolsas de cinco anos _ mais de duas vezes a estimativa inicial.
Recentemente, a funda√ß√£o chamou todos os cientistas a Seattle para avaliar os resultados e decidir quem seguir√° recebendo os financiamentos. Numa entrevista, Gates soou de certa forma moderado, dizendo diversas vezes: “N√≥s fomos ing√™nuos”.”

[Leia a história e os projetos selecionados aqui]

 

Mas na verdade n√£o d√° pra saber se ele foi ing√™nuo ou enganado pelo hype alardeado pelos projetos. Afinal o objetivo de escrever um projeto √© justamente convencer a todo custo quem o l√™. O famoso “puxar a sardinha pro seu lado”, coisa que as vezes (muitas vezes) os cientistas fazem exagerando nas expectativas e enviesando as perspectivas. Outra coisa √© que tem v√°rios ganhadores do Nobel participando, e convenhamos que receber um projeto de um cara desses e dizer “n√£o” n√£o deve ser f√°cil.

Fato √© que ele parece n√£o ter gostado do resultado. E muita gente, incluindo um comentarista da reportagem acima, os cientistas e o pr√≥prio Bill Gates acham que o dinheiro investido nessas pesquisas foi algo bem significativo! Quando na verdade o gasto √© irris√≥rio comparando com gastos militares por exemplo. Para entender meu ponto de vista voc√™ precisa ler este texto espetacular do 100 Nexos, onde se l√™ que antes do telesc√≥pio Hubble, o instrumento mais fant√°stico da astronomia por muito tempo, que ajudou a desvendar milhares de mist√©rios do espa√ßo, do tempo passado e do futuro, √© uma aplica√ß√£o tardia de um projeto de sat√©lites-espi√Ķes que somaram 9 em nossa √≥rbita!

Ou seja, enquanto mendigamos por recursos para a astronomia e tamb√©m para outras √°reas como a sa√ļde e o bem-estar humano, uma quantia gigantesca √© gasta sem que n√≥s sequer saibamos onde.

Obrigado Bill Gates, continue assim gastando parte da sua fortuna pelo bem do próximo (e olhem que eu não estou nem questionando o como essa fortuna foi adquirida), mas acho que mesmo este esforço é uma gota num oceano de descaso pela vida humana.

Natura: natureba sim, hipócrita não

natura2.JPGPode parecer um post pago mas n√£o √©. Vou falar de uma coisa que achei muito legal da Natura, aquela ind√ļstria de cosm√©ticos.
Tudo bem que eu tenho uma birra de campanhas “hipongas” como “xixi no banho”, que pra mim s√≥ fazem as pessoas se alienarem mais do problema ambiental real que √© muito maior do que s√≥ reciclar seu lixinho ou fazer suas necessidades fisiol√≥gicas em locais inapropriados.
Por isso tinha certo pé atrás com a Natura e todo este clima zen e natureba de Bem Estar Bem, seu maior lema. Também uma coisa que me incomodava é a prática de não utilizar animais de jeito nenhum para testar seus produtos. Isso parecia uma provocação ao meu trabalho que exige que use animais. Mas como no fundo eu também não gosto de usar os bichinhos eu acabei engolindo seco essa, e melhor que não usem mesmo animais só para testarem cremes de pitanga e batons.
Acontece que alguns amigos meus trabalham l√° e me disseram que n√£o √© s√≥ papo furado, e que existe sim uma pol√≠tica, ou mesmo uma paran√≥ia, de se manter padr√Ķes r√≠gidos de qualidade e sustentabilidade que nem mesmo s√£o exigidos pela lei ainda! Sendo que a concorr√™ncia toca tudo despreocupadamente e continua faturando de qualquer jeito.
natura.JPGO que me levou a escrever este post foi a embalagem de um produto de a√ßa√≠ da Natura. Al√©m de muito bonita, a embalagem vem com uma tabela com “Informa√ß√Ķes ambientais”. Nela se podem encontrar informa√ß√Ķes sobre a origem e certifica√ß√£o da mat√©ria prima do produto, e o mais interessante √© que mesmo quando a origem da mat√©ria prima n√£o √© certificada est√° l√° o 0% correspondente. N√£o √© como ocorre de costume em outras empresas que quando podem colocar “0% gordura trans” colocam escrito gigante em rosa choque na embalagem (mesmo isto sendo balela), mas quando reduzem o volume no pacote escrevem no menor tamanho permitido por lei.
A Natura ganhou meu respeito por esta a√ß√£o de colocar estas infos ambientais apesar de nem ser obrigada por lei. Sei que tamb√©m √© uma forma de campanha bem marqueteira, mas pelo menos n√£o chegam a ser hip√≥crita – se √© 0% certificado √© 0% e pronto, p√Ķe l√°.
Isso sem falar dos programas sociais, ambientais e até de pesquisa básica, que estimula laboratórios de pesquisa biológica e médica fazendo parcerias.
Esse modelo de neg√≥cio e identidade ambiental pode ser mais f√°cil de manter na √°rea de cosm√©tica em compara√ß√£o com ind√ļstrias mais pesadas e essenciais como farmac√™uticas e alimentos, mas mostram que √© poss√≠vel ainda faturar mesmo com esta pegada ambiental, e tamb√©m pode servir de base para uma regulamenta√ß√£o governamental futura.
Claro que ainda sim teremos o maior dos problemas rondando à nossa porta, que é o excesso de consumo de bens. Mas esta utopia de fazer o mundo consumir menos eu já perdi de vista a algum tempo.

Quer ganhar um Nobel? Agora VOCÊ PODE!

nobelmedal.jpgQuer ganhar o prêmio Nobel? Agora VOCÊ PODE!!!
Pode pelo menos tentar pedir um pedacinho dele concorrendo a bolsas do IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudança do Clima. Eles ganharam o Nobel da Paz por constatarem que realmente os humanos estão esquentando a Terra. Sim, porque antes disso ninguém tinha muita certeza, e o setor de energia e petróleo sempre torceu os dedos para que a resposta fosse outra. Mas a verdade é essa, doa a quem doer.
A grana que o painel ganhou junto com a “medaglia” do Nobel foi para um fundo de financiamento de bolsas para pesquisas do clima – Na verdade foi metade dos 1,6 milh√Ķes de doletas do pr√™mio, porque ele foi dividido com o Al Gore. Leia o email abaixo que recebi pela p√≥sgradua√ß√£o da USP:

Prezado(a),
Gostaríamos de informar que está aberta a Chamada para Propostas para o Programa da Bolsa de Estudos do IPCC РIntergovernmental Panel on Climate Change.
O programa foi estabelecido com os fundos recebidos do Pr√™mio Nobel da Paz concedido ao IPCC em 2007. Sua finalidade √© dupla: desenvolver conhecimento, habilidades e a capacidade de novos acad√™micos de algumas das regi√Ķes mais vulner√°veis aos impactos das mudan√ßas clim√°ticas, e fortalecer a habilidade de pa√≠ses em desenvolvimento de contribuir √† ci√™ncia e √† pesquisa do clima.
Estudantes graduados ou doutorandos dos países em desenvolvimento que desejam se engajar na formação acadêmica, empreender habilidades avançadas de pesquisa e de aperfeiçoamento são bem-vindos aplicar-se para uma bolsa de estudos até o dia de 31 de julho 2010.
Mais informa√ß√Ķes podem ser obtidas diretamente no site do IPCC: http://www.ipcc.ch/ipcc-scholarship-programme/ipcc_scholarshipprogramme.html
Atenciosamente,
Monique Souza
Climate Change, Sustainable Development and Energy Policy Team
British Embassy, Brasilia
Visit our blogs at http://blogs.fco.gov.uk

Bom, a minha pesquisa com v√≠rus e c√Ęncer n√£o tem nada a ver com clima, mas at√© podemos sugerir um projeto para criar um v√≠rus que acabe com pelo menos metade da popula√ß√£o mundial. Isso talvez resolva o problema na ra√≠z.
Ok, acho que não passa no comitê de ética.
Mas passaria se eu conseguisse fazer um vírus que esterilize especificamente subcelebridades, como ex-BBBs ou maria-chuteiras!
Invente voc√™ tamb√©m um projeto esdr√ļxulo para acabar com o aquecimento global!

Xixi em Cannes

√Č isso a√≠, a t√£o famosa campanha Xixi no Banho, da F/Nazca para a ong SOS Mata Atl√Ęntica, ganhou o pr√™mio le√£o de prata em Cannes.
Claro, mais do que justo, afinal deu até no Jornal Nacional:

√ďtima campanha para ganhar o le√£o na categoria Rela√ß√Ķes P√ļblicas, mas irris√≥rio para a conscientiza√ß√£o ambiental. S√≥ pra lembrar, 75% da pessoas que entraram no site da campanha j√° fazem xixi no banho, fora que h√° outras maneiras mais eficazes na economia de √°gua como reduzir o tempo do banho ou usar v√°lvulas mais econ√īmicas.
Mas nada como uma polêmica. O povo gosta e dá prêmios!
Leia mais da campanha no Rastro de Carbono:
Durante o banho, lavar a salada antes ou depois da calcinha?
Deu merda! (Coc√ī no banho)

Dioxina: alguns esclarecimentos.

ResearchBlogging.orgPara n√£o ter d√ļvida: dioxinas s√£o t√≥xicas? Sim.

Afetam o desenvolvimento embrion√°rio? Sim.

S√£o produzidas quando aquecemos pl√°sticos em microondas ou quando congelamos √°gua em garrafas pl√°sticas? Depende.

A utiliza√ß√£o de pl√°sticos pr√≥prios para aquecimento em microondas evita a forma√ß√£o desses compostos qu√≠micos, enquanto o congelamento de √°gua nada tem a ver com a libera√ß√£o de quaisquer subst√Ęncias t√≥xicas de recipientes pl√°sticos.

Do começo: o que são as dioxinas?

1,4-dioxin-2D-skeletal.pngA dioxina na verdade √© um composto org√Ęnico de f√≥rmula C4H4O2 que possui dois is√īmeros: 1,2-dioxina (ou o-dioxina) e a 1,4-dioxina
(ou p-dioxina, na imagem √† direita). No entanto, a literatura cient√≠fica utiliza o termo “dioxina” para se referir de
forma simplificada às dibenzodioxinas policloradas (PCDDs, imagem abaixo) como a
2,3,7,8-tetraclorodibenzodioxina (TCDD), a subst√Ęncia mais estudada por
seus efeitos t√≥xicos.PCDD_general_structure.pngParte dos problemas causados pela TCDD vem da sua intera√ß√£o com um receptor chamado AhR. O receptor afetado √© translocado para o n√ļcleo, onde √© reconhecido por elementos chamados AhREs (por serem responsivos ao AhR) em v√°rios genes diferentes. Essa atividade inicia diversas altera√ß√Ķes transcricionais, de modo que os resultados das pesquisas envolvendo o AhR expandiram sua import√Ęncia em m√ļltiplos aspectos como o desenvolvimento embrion√°rio, reprodu√ß√£o, imunidade inata e supress√£o tumoral.

Quem sentir falta de informa√ß√Ķes sobre os mecanismos, as duas refer√™ncias que citei no final deste texto trazem revis√Ķes excelentes e atual√≠ssimas sobre o tema, apesar de a qu√≠mica ser um pouco pesada.

Um caso famoso e recente.
Victor Yushchenko, candidato a
presid√™ncia da Ucr√Ęnia em 2004 ficou seriamente doente durante a corrida
presidencial no começo de Setembro. No diagnóstico, pancreatite aguda e
edemas relacionados a uma infecção viral e compostos químicos que não
s√£o normalmente encontrados nos alimentos levaram o presidenci√°vel a
afirmar que havia sido envenedado.

yushchenko.jpg

Yushchenko ent√£o reapareceu com o rosto
completamente desfigurado (foto abaixo) devido a cloracne ocasionada por
envenenamento por dioxina. A concentração de dioxina no sangue do
candidato encontrava-se 6000 vezes acima do normal. Apesar de polêmico, esse diagnóstico foi o mais aceito até então, e a premissa de envenenamento foi mantida.

E o microondas?

Existem várias mensagens na internet contra congelar água em garrafas de plástico ou cozinhar com plásticos no microondas. O caso da famosa mensagem que usa o Johns Hopkins como fonte de credulidade já foi desmentido pela instituição mais de uma vez.

As pesquisas atuais apontam que o congelamento de √°gua n√£o ocasiona a libera√ß√£o de compostos qu√≠micos t√≥xicos de garrafas de pl√°stico. No entanto, ao utilizar pl√°sticos para cozimento no microondas √© melhor seguir as recomenda√ß√Ķes do fabricante e certificar-se de que o recipiente pl√°stico √© pr√≥prio para este uso.

De qualquer modo, abaixo estão os símbolos que designam recipientes próprios para microondas e congelamento.

symbolfortableware.jpg

O departamento americano respons√°vel pela seguran√ßa alimentar (FSIS) possui diretrizes eficazes para o cozimento de alimentos em microondas, mas como n√£o encontrei nada parecido no Brasil, volto a recomendar: ao aquecer alimentos no microondas, utilize recipientes de vidro ou cer√Ęmica apropriados.

Wells PG, Lee CJ, McCallum GP, Perstin J, & Harper PA (2010). Receptor- and reactive intermediate-mediated mechanisms of teratogenesis. Handbook of experimental pharmacology (196), 131-62 PMID: 20020262

FUJII-KURIYAMA, Y., & KAWAJIRI, K. (2010). Molecular mechanisms of the physiological functions of the aryl hydrocarbon (dioxin) receptor, a multifunctional regulator that senses and responds to environmental stimuli Proceedings of the Japan Academy, Series B, 86 (1), 40-53 DOI: 10.2183/pjab.86.40

Transg√™nico prejudica planta√ß√Ķes vizinhas

algod√£o transg√™nico.jpg√Č isso mesmo. O cientista aqui vai falar mal de transg√™nicos. E n√£o sou eu n√£o, √© um artigo da Science. Isso √© pra ningu√©m vir com a velha historinha de que “o lobby das ind√ļstrias boicota as pesquisas e a publica√ß√£o de estudos que v√£o contra seus interesses.” N√£o que isto n√£o exista, mas n√£o √© t√£o conspirat√≥rio como muitos fantasiam.
A hist√≥ria √© a seguinte: o transgene mais famoso do mundo √© o tal “Bt”, que vem da bact√©ria Bacillus thuringiensis. Se voc√™ coloca este gene em plantas elas passam a produzir prote√≠nas que matam as larvas de algumas mariposas que s√£o pragas. Assim essas mariposas n√£o se alastram na planta√ß√£o e nem nas planta√ß√Ķes vizinhas, permitindo reduzir em muito o uso de inseticidas.
Parte da beleza do Bt √© que ele √© espec√≠fico para alguns insetos apenas. Mas esta √© parte do problema tamb√©m. Porque onde foi plantado algod√£o Bt na China houve redu√ß√£o de uso de inseticida, mas infesta√ß√Ķes de um outro inseto ficaram mais comuns. Isso porque o inseticida usado antes controlava as duas esp√©cies, e reduzir o uso dele permitiu o aumento de um dos bichos.
E o pior √© que esse outro inseto nem gosta muito e nem mesmo era considerado uma praga do algod√£o, mas acabou o usando de trampolim para as outras planta√ß√Ķes vizinhas mais apetitosas. Eles acasalavam nas flores de algod√£o e depois iam detonar da vizinhan√ßa.
O estudo mostra que é importante monitorar, não só a praga alvo do transgênico, que no caso aqui é a mariposa, mas também os outros insetos menos significativos.
E é assim que a ciência vai caminhando, pondo pra testar, juntando dados e mudando nossa forma de lidar com o mundo.
PS.: Sobre os trang√™nicos, eu n√£o acho t√£o arriscado assim, afinal eu prefiro introduzir um gene s√≥ num ecossistema do que como temos feito a mil√™nios: mandando um conjunto de cromossomos completo, como quando introduzimos um animal inteiro em outro ambiente ou mesmo uma monocultura. √Č o caso famoso dos coelhos na austr√°lia, c√£es e gatos em diversos outros ambientes, o caf√© no estado se SP (tem p√© de caf√© em todo canto na mata atl√Ęntica hj em dia).
ResearchBlogging.orgLu, Y., Wu, K., Jiang, Y., Xia, B., Li, P., Feng, H., Wyckhuys, K., & Guo, Y. (2010). Mirid Bug Outbreaks in Multiple Crops Correlated with Wide-Scale Adoption of Bt Cotton in China Science, 328 (5982), 1151-1154 DOI: 10.1126/science.1187881

Enchentes até na capa da Science

capa science.gifGente, tá tudo alagando. Alagou São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, suas ruas, avenidas e casas. Alagou até a capa da revista Science desta semana!

Ok, n√£o tem nada a ver com Brasil, ou excesso de chuvas, mas sim com furac√Ķes. Esta foto √© de Pinar del Rio, em Cuba, ap√≥s o furac√£o Ike.

ResearchBlogging.org

Mas d√° pra prever as consequencias do aquecimento? E as nossas enchentes?

Estudos usando modelagem matem√°tica mostraram que a tend√™ncia com o aquecimento global √© que os furac√Ķes diminuam mas fiquem mais fortes, causando mais estragos do que causam hoje

modelo furac√£o.gif

Mas muita calma nessa hora, porque os próprios pesquisadores afirmam que os modelos não são definitivos.
O que estes caras fizeram foi unir v√°rias proje√ß√Ķes de condi√ß√Ķes clim√°ticas para o fim do s√©culo 21 (a proje√ß√£o √© que vai aquecer), e colocar esses dados num modelo de forma√ß√£o de furac√Ķes. Tudo isso calculado para o Atl√Ęntico Norte.

O resultado √©: menos tuf√Ķes s√≥ que mais fortes. Calcula-se um aumento dos preju√≠sos de 30% comparando com a m√©dia atual.

Agora mais um momento “Muita Calma Nessa Hora”: As enchentes destes meses no Brasil n√£o podem ser ligadas diretamente a aquecimento global. Qualquer um que disser isso est√° se precipitando (sim, a televis√£o e os jornais se precipitam e erram, vcs n√£o sabem o quanto). N√£o tem como dizer num curto per√≠odo de tempo, em eventos isolados, o que causou o que.

Prever o clima deve ser a coisa mais dif√≠cil de se fazer. Afinal √© muita vari√°vel! √Č como dizem: dependendo das condi√ß√Ķes, at√© o bater de asas de uma borboleta pode gerar uma enchente na marginal Tiet√™.

  • Artigo (para assinantes):

Modeled Impact of Anthropogenic Warming on the Frequency of Intense Atlantic Hurricanes

Bender, M., Knutson, T., Tuleya, R., Sirutis, J., Vecchi, G., Garner, S., & Held, I. (2010). Modeled Impact of Anthropogenic Warming on the Frequency of Intense Atlantic Hurricanes Science, 327 (5964), 454-458 DOI: 10.1126/science.1180568

Espi√Ķes, a CIA, e o aquecimento global.

urso polar se escondendo.jpg

Legenda:“Malditos espi√Ķes, escondam-se!”

“Temos uma tecnologia que faz imagens de sat√©lites muito, mas muuuito precisas. Pra que voc√™ quer usar: pra monitorar o descongelamento de geleiras e outros usos cient√≠ficos, ou para espionar seus inimigos subdesenvolvidos que nunca seriam p√°reo militar pra voc√™?”
Adivinha o que qualquer governante responderia?
Fant√°stica a capacidade do ser humano de descontar o futuro, ou seja, apostar no curto prazo em detrimento do longo.
A CIA dos EUA est√° colaborando com cientistas do clima liberando imagens da regi√£o √°rtica tiradas por seus satelites-espi√Ķes. Mas n√£o n√£o foi f√°cil convencer, pois os agentes n√£o acham estrat√©gico mostrar estas imagens. Claro, elas mostram um pouco do como eles tiram as fotos, revelando alguns segredinhos de espionagem, como o n√≠vel de defini√ß√£o das fotos, posi√ß√£o dos sat√©lites, etc.
spy_vs_spy_counterserveilla.jpgConcordo que este perigo existe e tem sua import√Ęncia. Existe para os EUA, mas o que o resto do mundo tem a ver com isto? Aquecimento global n√£o √© ainda uma prioridade maior que ataques terroristas? Agora pode n√£o ser, mas aguardemos 50 anos que eles v√£o ver.
Não sou ingênuo, mas quero ainda acreditar que devemos sempre desejar o bem maior.
Esta iniciativa é bem vinda, mas é só uma fresta por onde a gente pode ver a diferença de força entre diferentes interesses nacionais/globais ou político/científico
Pra se ter uma id√©ia, a defini√ß√£o das imagens cedidas para estudo pela CIA tiveram a defini√ß√£o diminuida para n√£o mostrar ao mundo a capacidade real dos sat√©lites-espi√Ķes (provavelmente por serem capazes de ler a etiqueta da sua cal√ßa de l√° do espa√ßo).
O que me deixa fulo da vida √© a militariza√ß√£o da tecnologia, sempre a frente de quest√Ķes mais nobres. Agora t√£o l√°, os mega-satelites (sem falar em outras pesquisas militares que s√£o as mais fortemente financiadas), nas m√£os n√£o dos cientistas que os criaram, ou de comiss√Ķes de √©tica respons√°veis, mas nas m√£os de pol√≠ticos. Se voc√™ confia no seu, √≥timo. Se n√£o…
E √© essa apropria√ß√£o da ci√™ncia, ou tecnoci√™ncia que √© a regra. O cientista n√£o tem controle sobre suas descobertas. Depois de adquirido pulveriza-se o conhecimento tecnocient√≠fico, que acaba sendo controlado por poderes econ√īmicos e pol√≠ticos.
J√° aconteceu antes, no caso da bomba nuclear, e vai continuar acontecendo
Os cientístas e os cidadãos têm que ficar mais espertos e engajados. Afinal temos que saber quem é que tem autorização para a pertar o grande botão vermelho.Pentagono.jpg