Hipótese alpha: Round Robin, um clássico


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Hipótese alpha – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

 

Direções para a performance

Por Marília Carneiro

 

A performance no b2a será a 1a sessão. Haverá uma segunda, na Casa do Lago.

A ideia é experimentar a estrutura clássica em relação com o público (aquele que não dança, aquele que observa a dança).

Round Robin é uma estrutura para a exploração/prática de duetos de CI.

Estar dançando ou estar sustentando energeticamente a round tem o mesmo valor neste trabalho. A dança se perde sem a sustentação do círculo.

Questão:

o público, está onde?

Está sentado e distante dos duetos (quer dizer, os improvisadores que estão na round sem dançar estão mais perto do dueto do que está o público). O glorioso público não está implicado na sustentação energética dos duetos. O público é livre para se comportar como quiser energeticamente. O público não tem o direito de entrar nos duetos. Não se trata de uma performance interativa. Ele será informado a este respeito, para que possa ser um público no mínimo satisfatório em seu papel de público.

Narrativa da consigna da RR:

O foco são os duetos.

Começa com o círculo vazio. Observa-se o espaço. As danças vão urdir o espaço (Aquino, 2003).

1 solo

1 dueto

1 trio de transição

1 novo dueto – sai a pessoa que estava há mais tempo

1 trio de transição

1 novo dueto…

Assim sucessivamente, como uma roda de capoeira, diriam os contatueiros (contateiros capoeiristas).

Questões:

A principal questão parece ser a sensibilidade sobre a duração (pensando com Bogart, no View Points) dos duetos. Menos dos movimentos de dentro das danças, mas dos duetos como um todo. Há a duração justa que permite ao público (e nós, o público no próprio improvisador) ver um dueto desenvolver uma impro, sem que ela (a impro) se esgote. Às vezes o dueto esgota a exploração antes de alguém entrar, normalmente se o círculo demora a responder (quer dizer, a entrar). Esta é a sensibilidade necessária: quando já deu para ver, mas ainda não esgotou? Este é o momento de uma nova pessoa entrar para compor o trio de transição.

FIGURINO:

Vou dirigir o figurino, acatando uma sugestão da improvisadora que teceu uma relação com a arte gráfica. No caso foi a Emily Kimura.

Cores permitidas: vermelho, branco e preto.

Sem palavras escritas. Pode compor o figurino com estas cores. Pode combinar diferentes tons destas cores.Pode ser saia,pode ser calça, pode ser shorts, pode ser vestido, pode ser top, pode ser.

Haverá um pré-preparo performático da round. As direções serão oferecidas no ensaio de sábado e no domingo antes de começar.

Keep safe, and enjoy!

Referência bibliográfica

Aquino, Dulce. A dança como tessitura do espaço. Paisagens do corpo, Cadernos PPG-AU/FAUFBA, Vol. 1, n. 1, 2003, pp. 17-28.

 

 

 


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CEO at Mucíná - Aquela que Dança | marilia.carneiro@alumni.usp.br | Website | + posts

Doutora na área de Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte (Brasil/UNICAMP, Canadá/UQAM e Moçambique/UEM), dançarina e coreógrafa indisciplinar, bacharelou-se em Dança na Faculdade Angel Vianna (Rio de Janeiro) e bailarina criadora no Ateliê Coreográfico sob a direção de Regina Miranda (RJ/NYC). É especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, mestre em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e atuou por 10 anos nas políticas públicas de saúde, inclusive a implantação do programa integral de atenção à saúde dos povos indígenas aldeados no Parque do Xingu, pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. Na área da Dança trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dança contemporânea. É improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em residência artística em Paris por 3 anos, com prêmio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura & Michael Bugdahn, da Cie. À fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma geração de colegas que começou ensinar Contact na mesma época que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de criação de obras e ensino-aprendizagem e formação profissional em Improvisação de Dança. Estudou no Doctorat en études et pratiques des arts (Montreal, no Canadá) com o privilégio da supervisão de Sylvie Fortin. É formada no Método Reeducação do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu vínculo com a Unicamp é de ex aluna da Faculdade de Ciências Médicas e da Faculdade de Educação. Suas pesquisas triangulam a dança contemporânea no Brasil, Canadá e Moçambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em prática artística Mucíná - Aquela que Dança. E-mail: marilia.carneiro@alumni.usp.br