Achei um otimista da ciência brasileira: Stevens Rehen

Nessa crise é difícil ser otimista com a ciência brasileira. Mas eu achei um e ele não está no governo!
Para ele, a ciência no Brasil não é das melhores porque somos uma nação nova, mas vai melhorar.
Stevens Rehen é um pesquisador reconhecido, faz minicérebros e investe boa parte do seu tempo em divulgação científica.

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Tudo sobre ele aqui: http://stevensrehen.blog.uol.com.br/
No twitter: @stevensrehen
No facebook: https://www.facebook.com/stevens.rehen

Citado no episódio:

https://www.youtube.com/user/nerdologia

https://www.youtube.com/user/minutosp…

Fraude cient√≠fica: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/n…

Cientista na Dança dos famosos

Cientistas dançam
Cientistas dançam

Claro que isso não é no Brasil, infelizmente. Mas o Bill Nye é um americano simpático que é conhecido por lá como O CARA DA CIÊNCIA. Ele fez vários programas para ensinar ciência pro povo.

E porque n√£o chamar esse “v√©inho” simp√°tico pra dan√ßar? √Č isso a√≠, pra ensinar ci√™ncia tem que se meter em tudo!

E melhor: ao som de DaftPunk!!!

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=KJEqQWgbNV8″]

Via Popular Science

Quem é o(a) cara da ciência no Brasil? Acho que quem mais é conhecido e que fala mais sobre esse tema é mesmo o Dráuzio Varela.

Mas acho que precisamos de uma cara jovem, animada, alguém meio maluco como o Bill Nye, pra tirar a ideia de ciência séria demais e distante que o brasileiro tem.

A Suzana Herculano é bacana, mas ainda acho muito quadrado o programa e a linguagem dela.

Por favor, graduandos, pós-graduandos, professores e interessados: TENTEM SER A CARA DA CIÊNCIA NO BRASIL!!! Ele está precisando.

Como um cientista vê o mundo

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Imagem de Abstruse Goose
Dica de @uoleo

N√£o que o modo do cientista ver o mundo seja melhor que o de outras pessoas, mas √© um modo bem interessante, que aumenta a complexidade e variedade de pensamentos poss√≠veis quando se v√™ uma imagem como a do coelhinho (e aumentar a diversidade sempre √© bom). Claro que um fil√≥sofo, agricultor, dona de casa ou escritor ter√° tamb√©m camadas de percep√ß√Ķes, que provavelmente n√£o ser√£o equa√ß√Ķes, mas n√£o deixam de ser complexas e diversas. N√£o me arrisco em dizer qual vis√£o √© melhor.
O pior √© que n√£o posso dizer que todos os cientistas veem o mundo assim. Ali√°s a maioria dos alunos de p√≥s-gradua√ß√£o e alguns muitos professores-doutores parecem aplicar a vis√£o cient√≠fica apenas no trabalho. Sei que a √ļltima coisa que um banc√°rio quer √© pensar em trabalho quando acaba o expediente, mas o pensamento cient√≠fico, e n√£o o trabalho cient√≠fico necessariamente, √© algo que pode e deve ser aplicado no cotidiano.
Afinal pensamento crítico nunca é demais.

“Publicar na Nature? Eu nem queria mesmo…”

O vídeo abaixo está ilustrando, de um jeitinho todo especial, como os pesquisadores decidem para qual revista científica vão mandar seu trabalho de pesquisa.
AVISO 1- Tentem ignorar o “show de interpreta√ß√£o” dos pobres posgraduandos que atuam neste filme.
AVISO 2- Nem todos os pesquisadores são idiotas maus-atores assim (só 75%). A intenção foi boa, vá!

Mesmo sem saber inglês dá pra entender né?
O pesquisador manda o artigo pra uma revista “sonho de consumo” naquela v√£ esperan√ßa. E se n√£o der, vai descendo, at√© conseguir publicar numa revista online de conte√ļdo aberto mas que ele tem que pagar para publicar (mais de 2mil verdinhas). Aqui eles tiram sarro mostrando a Nature totalmente fechada, e a √ļltima revista aceitando sem nem revisar o artigo. Essa revis√£o √© mais conhecida como peer-review
Nas portas aparece um n√ļmero pra cada revista, que √© o fator de impacto (Fi). √Č um n√ļmero “cabal√≠stico” que serve para quantificar a relev√Ęncia da revista.
Esse n√ļmero √© calculado dividindo o n√ļmero de artigos publicados pela revista pelo n√ļmero de vezes que os artigos da revista foram citados. Assim, se uma revista publica 10 artigos e s√£o citados, ou seja, usados como refer√™ncia, em 200 outros artigos, temos: 200/10 = 20. Este √© o fator de impacto da revista.
S√≥ que existem v√°rias f√≥rmas de se medir a relev√Ęncia das revistas. Esse √© s√≥ um e muito criticado. Veja o exemplo: uma revista que publica quinzenalmente semanalmente como a Nature, teve 1748 arigos publicados em 2004, citados 56255 vezes. Isso d√° um Fi de 32,2.
Agora uma revista como a Annual Review of Immunology, que publica apenas uma vez por ano 51 artigos e √© citada 2674 vezes tem um impacto de 52,4. Bem maior que a Nature, mas tamb√©m √© um n√ļmero de artigos bem menor e uma vez s√≥ por ano.
A Nature é o Arroz com feijão que mantém a coisa toda funcionando, enquanto a Annual Review of Immunology é o peru de natal esperado por todos no final do ano.
Nesse caso, qual a mais importante?
Depende do que você considera importante.
Com esta pergunta na cabeça, leia mais sobre o assunto no ScienceBlogs Brasil.

Bate papo sobre as preocupa√ß√Ķes e os anseios de um educador e de um cientista.

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As preocupa√ß√Ķes e os anseios de um educador e um cientista com rela√ß√£o √† educa√ß√£o, o papel das Universidades e o acesso da popula√ß√£o aos meios cient√≠ficos. 

Aqui, um dos blogueiros do RNAm conversa com um grande amigo apelidado Sangue, professor do Estado há alguns anos, sobre a educação, o método científico e tudo mais.

Esta conversa n√£o foi planejada, simplesmente surgiu pelo msn, e foi transcrita praticamente sem altera√ß√Ķes. Por isso desculpem a informalidade e elogiem a franqueza.

E, claro, nos digam o que acham de tudo isto.

Leiam a conversa clicando abaixo:

Continue lendo “Bate papo sobre as preocupa√ß√Ķes e os anseios de um educador e de um cientista.”

EXTRA EXTRA! Trofeu do IgNobel roubado!!!

Interrompemos esta sequência de postagens especiais sobre o IgNobel para trazer uma notícia bombástica: Um dos prêmios IgNobel foi roubado!

trofeu ignobel 2009 roubado.jpgSim, senhoras e senhores, alguém mal intencionado saiu de Havard, onde acontece a premiação, com um troféu que não lhe pertencia.
Ao menos é o que noticia o blog oficial do IgNobel.

Eles pedem encarecidamente que devolvam e que perguntas n√£o ser√£o feitas. Afinal os trof√©us s√£o esculturas feitas √† m√£o para o pr√™mio – de gosto duvidoso, devo dizer (imagem no inicio do post), mas ainda sim √© uma sacanagem levarem. O que s√≥ levanta mais estranheza: afinal, quem levaria uma coisa dessas e pra qu√™? Existe um mercado negro de colecionadores interessados nesse tipo de pr√™mio cient√≠fico? Se sim, fico at√© feliz por saber que a ci√™ncia esta tomando estas propor√ß√Ķes!

O roubo do Nobel de verdade

Esta história me lembra de uma lenda que paira sobre um dos ganhadores também lendário de um Nobel de verdade.

Kary Mullis ganhou o prêmio Nobel de química em 1993 por desenvolver o famoso PCR, Reação em Cadeia da Polimerase, que é um processo usado muito em labs de biologia molecular para multiplicar uma pequena quantidade de DNA em muito DNA, facilitando nosso trabalho.

kary mullis.jpg

Esse cara nunca foi muito ortodoxo. Adora surfe, mostrou não acreditar no aquecimento global e no HIV como causador da AIDS, além de já ter usado LSD algumas vezes (mas nos anos 70 quem não tomou?) e inclusive atribuiu a este uso parte da descoberta do PCR (abriu a mente para o insight, tá ligado irmão?!). Depois que vendeu sua idéia, vivia de renda e dava festas regularmente em sua casa de praia. Foi numa dessas festas que teve a medalha do prêmio Nobel roubada. Sumiu.

alfred-nobel-medallion.jpg

Tempos depois recebe uma ligação de uma loja de penhores que havia comprado a medalha a preço de banana.
Chegando a loja Mullis ainda teve que pagar para reaver seu troféu.
Verdade ou não, esta história é uma viaaaagem, morou?!

Veja como o PCR √© importante, tem at√© dois clipes musical hil√°rios. Um no estilo “We are the world” e outro a la Vilage People:

Agora podemos continuar com a programação normal da série de posts sobre os ganhadores do IgNobel 2009

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Segredo (ou sacanagem) dos bastidores da ciência: o auto-engano

Vou contar mais um segredo de como a ciência funciona nos bastidores.
Exemplo resumido de uma pesquisa:
Voc√™ quer descobrir como as c√©lulas respondem a um tratamento. E para isso cultiva as c√©lulas com a droga de teste. Para saber se est√° funcionando podemos fixar as c√©lulas testadas (como a gente v√™ com org√£os no formol) e usar marca√ß√Ķes que brilham se o tratamento funciona, e assim ver no microsc√≥pio.
Da√≠ tiramos fotos. Quanto mais brilho, maior marca√ß√£o, e melhor para confirmar a efic√°cia do tratamento. Ent√£o contamos as c√©lulas positivas e comparamos com c√©lulas que n√£o foram tratadas (o que chamamos de “controle”). O controle n√£o pode brilhar, entende? Ou se brilhar deve ser menor que as c√©lulas tratadas. E se brilhar igual? Sinto muito mas isto significa que sua hip√≥tese n√£o funciona. Tem que dar diferente do controle!
Claro que no laboratório nada é preto no branco. Nunca TODAS as céluas estão lindas e brilhantes. Por mais que a técnica usada esteja corretíssima, nunca sai perfeito. E outra, umas aparecem muito brilhantes e outras pouco. Por isso usamos estatística. Sempre é preciso fazer um experimento várias vezes pra ter certeza de que aquele aumento na média é um aumento mesmo. Se só 5% das vezes as células brilham, na média, o tratamento não funciona, certo?
O viés maldito do maldito cientista
Se at√© quem n√£o √© cientista entende, como √© que um baita pesquisador j√° conhecido no seu meio, com publica√ß√Ķes cient√≠ficas boas e alunos sobre sua orienta√ß√£o, pode querer pegar justo uma foto dos 5% que funcionam para ilustrar o tratamento?!
E ainda acha bonito: “Olha que foto bonita, vamos usar esta.” E o pobre aluno orientado, que fez o experimento, suou e sangrou para fazer todas as repeti√ß√Ķes, vendo a sacanagem se formar n√£o tem nem o poder de gritar “MARMELADA”.
√Č vergonhoso mas acontece. E MUITO!
Muita gente p√Ķe a culpa na press√£o em ter resultados, e resultados bons para publicar numa revista cient√≠fica melhor; as publica√ß√Ķes trazem mais alunos e mais dinheiro para o pesquisador continuar pesquisando mais.
Mas pra quê pesquisar se já mostrou que não está nem aí? Porque burlar o método científico desse jeito é mostrar que não está nem aí para ciência. Então pra que continuar? Ou parte do tesão é enganar o mundo e a si mesmo?
Eu fico imaginando o que se passa na cabeça de um pesquisador deste que, do alto de seu cabedal científico, ainda se regozija com um resultado que intimamente sabe ser exagerado ou falso mesmo.
Acho que esta é só mais uma amostra da maior e mais forte das capacidades humanas: O AUTO-ENGANO.

Todos confiam nos cientistas

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Os cientistas que erram, ou agem de m√° f√© mesmo, podem at√© trazer uma vantagem. Isto nas palavras de Steven Wiley em artigo para a revista New Scientist. L√° ele fala que estes erros n√£o chegam a afetar a credibilidade dos pesquisadores perante o p√ļblico, e s√≥ refor√ßariam a id√©ia de que o senso de moralidade tamb√©m est√° presente nos cientistas.
Realmente parece que o ser com mais crédito na praça é o pesquisador. Wiley cita uma pesquisa americana de 2001 onde 90% das pessoas perguntadas acham que os cientistas são pessoas dedicadas, trabalhando para o bem da humanidade. Lembro também de uma pesquisa feita no Brasil (pena não lembrar a fonte), em que a classe em que as pessoas mais acreditam é a de pesquisador com pós-graduação.

Nota Mental: Interessante o resultado dessa pesquisa americana, afinal mais de 50% dos mesmos americanos não acreditam na evolução do homem segundo a teoria de Darwin, a qual é praticamente consenso entre os tão confiados cientistas.

Êxito ou má conduta
A ciência aparece na mídia de duas formas principais: por êxitos ou má conduta. O êxito é um produto do trabalho, e a má conduta diz respeito a personalidade do pesquisador. Perceba que as duas coisas não estão na mesma classe de qualidades.
Quando se notic√≠a um √™xito, quase nada se fala das qualidades ou defeitos do pesquisador. S√≥ interessa o resultado. Somente em casos de m√° conduta se p√Ķem em xeque as qualidades pessoais do pesquisador.
Um bom resultado, al√©m claro de trabalho duro, exige muito de sorte. J√° a personalidade reflete um conjunto complexo de escolhas ou caracter√≠sticas intr√≠nsecas da pessoa. Quem deve ter mais m√©rito, um pesquisador voraz, agressivo e sortudo com bons resultados ou um pesquisador com menor relev√Ęncia cient√≠fica mas ponderado e respons√°vel?
Este √ļltimo seria √† prova de fraudes, mas a falta de agressividade competitiva faria a ci√™ncia andar mais devagar.
Fato é que as duas estratégias funcionam a seu modo, afinal as duas permanecem na academia. Pela pouca experiência que tenho, realmente podemos dividir, grosso modo, a personalidade dos grandes pesquisadores nessas duas categorias, o agressivo e o ponderado.
H√° ainda os pesquisadore irrelevantes que abundam em pa√≠ses como o Brasil, onde passando num concurso universit√°rio pode-se ser um “pesquisador” sem ter que pesquisar. Mas isto √© outro caso.
Bons exemplosbeakman cientista.jpg
A popula√ß√£o, principalmente os jovens que se interessam pela a √°rea de pesquisa, precisam de mais bons exemplos dentro da √°rea. Bons pesquisadores que n√£o sejam exc√™ntricos ao extremo, que saiam de vez em quando pra tomar uma cervejinha com os amigos, fale de futebol e dos √ļltimos hits do youtube.
Aliás, fatos como a paixão avassaladora de todos por Susan Boyle só mostram que precisamos sempre de heróis do dia-a-dia.