Cientistas derrubam a Lei da Gravidade! NOT!

Uau, ficaram sabendo que existem religiosos questionando a Lei da Gravidade e buscando o ensino do princ√≠pio da “Queda Inteligente” nas escolas dos EUA! Pois √©!

Calma, eu n√£o enlouqueci. Explico:¬†quem pensa que o costume de encaminhar ‚Äúnot√≠cias‚ÄĚ, ‚Äúrevela√ß√Ķes‚ÄĚ e ‚Äúpol√™micas‚ÄĚ sem nem ao menos se dar ao trabalho de verificar a veracidade do conte√ļdo √© exclusivo de gente com pouco estudo, desfavorecida e blablabla, engana-se.¬†O causo abaixo chegou ao Rafael e a mim por um amigo em comum, com a mensagem:

‚ÄúBi√≥logos: mensagem que est√° circulando na lista de e-mails da gradua√ß√£o em CURSO X da USP. Nem li, mas se interessar… Abra√ßo‚ÄĚ

"Santo Google, mais uma piada levada a sério!"

O e-mail encaminhava uma mensagem indignada de um dos alunos. Uma descoberta que, sem d√ļvida, agitaria todos que ensinam Ci√™ncias. Leiam por si pr√≥prios:

“http://www.theonion.com/articles/evangelical-scientists-refute-gravity-with-new-int,1778/

Cara, s√≥ pode ser piada…. N√£o basta a disputa entre o ensino do evolucionismo X criacionismo, agora alguns religiosos norte-americanos (sempre eles) questionam tamb√©m a lei da gravidade!!! Palha√ßada….

Traduzo um trechinho para os preguiçosos que não quiserem ler tudo em inglês, ou simplesmente traduzir tudo com algum tradutor:

“Vamos dar uma olhada nas evid√™ncias,” disse pesquisador s√™nior do ECFR (Centro Evang√©lico para o Racioc√≠nio baseado na F√©), Gregory Lunsden. “Em Mateus, 15:14, Jesus disse, ‘se um cego guiar outro cego, ambos cair√£o na cova.’ Ele n√£o diz nada sobre a gravidade fazer eles ca√≠rem – apenas que eles cair√£o. Ent√£o, em J√≥ 5:7, n√≥s lemos, ‘Mas o homem nasce para a tribula√ß√£o, como as fa√≠scas se levantam para voar.’ Se a gravidade puxa tudo para baixo, por que as fa√≠scas voam para cima com grande certeza? Isso claramente indica que uma intelig√™ncia consciente governa tudo que cai.”

D√° para acreditar nesses caras???‚ÄĚ

Minha pronta resposta para a tal mensagem foi ‚ÄúN√£o, gente, n√£o d√°.‚ÄĚ Desse modo, logo parti em busca da not√≠cia original para tirar essa hist√≥ria bizarra a limpo.

√ďbvio, me deparei com mais um belo exemplo de como muita gente perde tempo ‚Äď e talvez c√©rebro ‚Äď simplesmente confiando em qualquer coisa dispon√≠vel na internet. Existe um passo a passo b√°sico para filtrar bobagens como essa e n√£o pagar mico, como voc√™s ler√£o a seguir. Al√©m disso, sugiro que aproveitem essas dicas em qualquer leitura, conversa ou aula daqui em diante. Pensamento cr√≠tico, crian√ßas, s√≥ n√£o √© melhor que canja de galinha =)

Primeiro: encontrar a fonte original. Nesse caso espec√≠fico s√≥ essa a√ß√£o que n√£o vai tomar mais do que 5 minutos do seu precioso tempo j√° resolve qualquer d√ļvida. O artigo encaminhado como ‚Äúpol√™mico‚ÄĚ, ‚Äúabsurdo‚ÄĚ e ‚Äúinimagin√°vel‚ÄĚ foi publicado pelo The Onion. Case closed, next!

‚ÄúU√©, pera√≠, e da√≠? Nunca ouvi falar!‚ÄĚ

N√£o tem problema, o titio explica: o The Onion √© famoso por criar s√°tiras de not√≠cias reais ou simplesmente inventar conte√ļdo absurdo sobre assuntos importantes. No caso, uma s√°tira que aplica√ß√£o semelhante √† maluquice do Desing Inteligente para explicar a Lei da Gravidade. E pensar que algu√©m levou essa not√≠cia a s√©rio, tsc tsc.

Segundo: descobrir a data de publica√ß√£o e encontrar a mesma not√≠cia veiculada em outros portais, jornais, blogs etc. O artigo em quest√£o √© de 2005 e todas as not√≠cias semelhantes s√£o meras reprodu√ß√Ķes da nota original do The Onion. Preciso falar mais? Como algo que teria tanto impacto e geraria tanta discuss√£o s√≥ foi destacado por UM ve√≠culo de comunica√ß√£o? E porque ficou ao l√©u por tantos anos?

Geralmente, a resposta para as duas perguntas é: você está diante de uma mentira/bobagem/piada. Simples assim.

Para quem ainda duvida, outro link de 2005 que encontrei sobre o tema é da Ciência List e pode ser acessado em http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/49892. Lógico, menos de 1 dia depois da mensagem inicial a discussão entrou em uníssono: piada piada piada.

"Tantas informa√ß√Ķes, e agora?!" Sem drama, bom senso e paci√™ncia resolvem essas quest√Ķes. Usem-nos!

Resum√£o: normalmente descobrir se a ‚Äúgrande not√≠cia pol√™mica‚ÄĚ que chegou a voc√™ √© real ou n√£o dificilmente tomar√° mais do que 10 minutos do seu tempo.

Se você acha que é muito tempo para perder com isso, a solução é simples: não a encaminhe. Assim você poupa o seu tempo e de todos que a receberiam.

Ah, e o meu. Especialmente o meu.

Wikipédia: misturando cientistas com médiuns

Emanuel_Swedenborg_full_portraitOlhe que caso interessante:

Navegando pela Wikip√©dia para saber o que havia acontecido em outros dias 29 de janeiro do passado para fazer mais um dos “O que rolou na ci√™ncia HOJE“, a nova s√©rie de posts do RNAm, me deparo com um nascimento que me chamou a aten√ß√£o. Era Emanuel Swedenborg, descrito como cientista, fil√≥sofo, engenheiro e M√ČDIUM. Sempre acho esta jun√ß√£o de cientista e m√©dium interessante, porque soam conflitantes para mim. E claro que esse tipo de coisa s√≥ podia acontecer em 1688. Nessa √©poca, mentes inquietas como a de Swedenborg encontravam vastas √°reas do conhecimento ainda a serem desvendadas, assim ele deu pitaco em todas, de f√≠sica a espiritualidade.

O cara era bom, desceveu a pulsação do cérebro, percebeu que a cognição estava no cortex, construiu máquinas para mineração e como Leonardo daVinci imaginou máquinas voadoras e submarinos.

Mas o engra√ßado √© que tudo isso de interessante aparece s√≥ no final do artigo da Wiki. E na parte entitulada “cientista” aparece o seguinte trecho:

Cientista:

Por exemplo, em astronomia, ele descreveu os habitantes do planeta Vênus:

Eles s√£o de dois tipos, uns gentis e benevolentes, e outros selvagens, cru√©is e gigantes. Os √ļltimos roubam, pilham e vivem disso; os primeiros tem um grau t√£o elevando de gentileza e caridade que s√£o sempre amados pelos bons, e por causa disso sempre v√™em o Senhor aparecer-lhes em sua forma real no seu planeta[3].

Os habitantes da Lua foram descritos assim:

Os habitantes da Lua são pequenos, como crianças de seis ou sete anos; ao mesmo tempo, eles têm a força de homens como nós. A sua voz vibra como o trovão, e o som sai da barriga, porque a Lua tem uma atmosfera bem diferente da dos outros planetas[3].

Merc√ļrio √© habitado por humanoides muito parecidos com os terrestres:

Eu estava desejoso de descobrir que tipo de face os homens de Merc√ļrio tem, e se eles s√£o iguais aos homens da Terra. Ent√£o eles (os esp√≠ritos de Merc√ļrio) me apresentaram uma mulher exatamente como as que vivem naquele planeta. Sua face era linda, mas menor que as mulheres da Terra, ela tamb√©m era mais esbelta, mas de mesma altura (…)[4].

220px-Arcana_Caelestia_0001Habitantes do planeta Vênus?! Foi isso que ele realizou como cientista? Artigo zoado hein?

Mas a beleza da Wikip√©dia √© que eu ou voc√™ podemos dar nosso pitaco e editar a coisa toda. Inclusive neste artigo h√° um aviso que diz o seguinte: “

Este artigo ou secção possui passagens que não respeitam o princípio da imparcialidade.
Tenha algum cuidado ao ler as informa√ß√Ķes contidas nele. Se puder, tente tornar o artigo mais imparcial.”

O artigo não é mesmo imparcial pois quem o escreveu só colocou referências espíritas e puxou a sardinha pra esse lado.

Outra coisa interessante é que o artigo da Wiki em inglês tá muito bom. Não que isso seja novidade, quase todos os artigos em inglês são melhores por n motivos, mas queria entender como funciona nos bastidores da Wiki esse lance de traduzir o artigo de outra língua em lugar de deixar passar um texto bem inferior e tendencioso.

 

Então vou fazer isso. Me cadastrei e vou tentar colocar as coisas em contexto e conto como foi a experiência de editar a Wiki pt. Já me alertaram para a fogueira das vaidades que arde por lá, mas mesmo assim acho que devo tentar por mim mesmo. Até mesmo para honrar a memória do cara que era um gênio da sua época, mesmo com sua maluquice que, aliás, sempre acompanha toda genialidade.

RNAm no Superpop: o v√≠deo e as impress√Ķes

superpop.jpg

Olha a L√ļ me defendendo do pastor a√≠!


Pra quem tinha mais o que fazer na segunda anoite, segue aqui o link pro programa sobre o fim do mundo em 2012, do qual participei.

Participei daquele jeitão. Fui com o espírito leve, querendo me divertir. Pois já imaginava que falar algo realmente pertinente seria difícil. E foi.

Uma hora a produ√ß√£o pedia pol√™mica, depois pediam “fala um s√≥ de cada vez”, e a√≠ ganhava quem parava de gritar por √ļltimo. E eu n√£o fui pra me estressar.

De cara a Luciana Gimenez fez a ligação direta que eu queria evitar: você é cético? Então não acredita em Deus?

Não queria ligar o ceticismo diretamente ao ateísmo. Esta é uma correlação que não é necessária. Muitos céticos não são ateus, e vice-versa. Mas no meu caso sou as duas coisas e a Lu (fiquei íntimo) queria bater nessa tecla, provavelmente por ser agnóstica ou até mesmo atéia. O pensamento cético é algo que todos necessariamente devem praticar, mas religião cada um pode ter ou não ter a sua.

Não preciso nem dizer que a ciência não foi nem mesmo tocada, mas pelo menos tudo foi tão confuso que nem mesmo os fatalistas convidados puderam falar muito.

O mais interessante desta participação foi a discussão que gerou entre os divulgadores de ciência do Scienceblogs Brasil e meus colegas cientistas: vale a pena participar destes programas? E qual postura se deve tomar no palco?

Vale a pena participar?

Muita gente achou que eu n√£o deveria ir, que pode queimar o filme participar de um programa t√£o pov√£o. Oras, eu fa√ßo este blog para ter o maior alcance poss√≠vel. Tento escrever de um jeito simples ao m√°ximo, onde o limite √© apenas a validade e o embasamento do que escrevo. Claro que eu prefiro escrever mais no estilo do colega Amigo de Montaigne, mas acho que este estilo minimamente rebuscado afasta muita gente que s√≥ quer se encantar pela informa√ß√£o f√°cil, ou o “pov√£o”. Mas este √© um problema de estilo e objetivo que √© muito pessoal e n√£o tem uma regra geral. Sem contar que eu me diverti a bessa, e isto deve ser levado em conta.

Postura do divulgador de ciência

Estando l√° no palco, eu deveria ser irreverente, sarrista, sacana, amargo, azedo, s√©rio, sisudo,…? N√£o poderia parecer arrogante, isto √© o que queria evitar ao m√°ximo. E na cabe√ßa das pessoas os cientistas j√° tem esta cara de arrogante detentores (ou detentos) da verdade. Melhor fugir disto. Muita gente cobrou que fosse mais incisivo, tentasse ganhar a palavra mais um pouco e at√© ridicularizar os malucos em cena. Mas √© dif√≠cil achar o ponto exato de ridicularizar sem cair na m√°scara arrogante que afasta o telespectador. TV √© simpatia! Acho que num programa como este o ideal √© ser levemente √°cido, ou azedinho-doce (existe ainda este chiclete?): doce com a apresentadora e a produ√ß√£o SEMPRE, e √°cido apenas com os convidados e as c√Ęmeras ligadas.


Cientista ou divulgador?

Durante o programa recebi v√°rios twits pelo @Rafael_RNAm (<- siga!) e alguns me chamaram aten√ß√£o com rela√ß√£o a eu ter me classificado como divulgador de ci√™ncia e n√£o como cientista ou bi√≥logo. Uns acharam chique, outros acharam rid√≠culo.Independente de gosto, eu estava l√° n√£o como especialista da minha √°rea, afinal um astr√īnomo, f√≠sico ou ge√≥logo (ou um psiquiatra) poderiam estar ali como especialistas. Mas como o que se p√īde arranjar foi EU, n√£o quis me apresentar como bi√≥logo. N√£o pra n√£o queimar o filme, mas porque n√£o cabia mesmo e acabaria at√© tirando a pouca autoridade que eu poderia ter.

Na quest√£o de gosto, acho o t√≠tulo “divulgador de ci√™ncia” muito garboso e deveria ser mais utilizado, acabando assim com a autoridade excessiva e distanciadora do ES-PE-CIA-LIS-TA, e abrindo caminho a estas pessoas que, como eu e o Scienceblogs todo, est√£o mais treinados em falar sobre ci√™ncia com os n√£o-cientistas. Coisa que poucos especialistas ou cientistas sabem fazer.

Só mais duas coisas:
1- Viu a camiseta do Scienceblogs Brasil que estou usando? Acabou de sair do forno, que acharam?
2- Quem acha que Luciana Gimenez é burra, pode esquecer. E eu gostei dela. Juro!
[para ‘burra’ procurar ‘Cida Marques’]

RNAm no Superpop. Ser√° o fim do mundo?

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“Fim do mundo em 2012!? Que loucura! Nem eu acredito nisso!”


O RNAm, na pessoa de @Rafael_rnam, estará hoje (31/5/10) no programa Superpop, com Luciana Gimenez AO VIVO(!!!) às 22hs.
Falando sobre um assunto que é super-atual e super-a-nossa-praia: o fim do mundo em 2012!
Fomos contactados pela produção graças ao post de caça ao paraquedista. Esta blogagem coletiva do ScienceBlogs Brasil tinha como objetivo atrair pessoas desavisadas pela busca no Google. Como esse tema 2012 está tão em voga, escrevemos um título bem chamativo: O fim do mundo não será em 2012. Será em 2019
Este é um dos posts dos quais eu mais me orgulho, mas não fala nada da profecia maia!
Isso só prova que estagiários de televisão não leem, e que blogagens de caça a paraquedistas funcionam. E neste caso não foi um paraquedista, mas sim um zepelim hinderburguiano!
Agora √© s√≥ tomar muito calmante e discutir os “argumentos” dos fatalistas l√° no palco.

Falta de noção sem limites: Vacinação

vacina c√£o.jpgTemos um novo recorde: √© a terceira vez esta semana que escrevemos um post motivado pela vontade de morder o cotovelo. Primeiro foi Jesus chorando, depois a “verdade” sobre a astrologia, e agora √© indisposi√ß√£o das pessoas em tomar a vacina da gripe H1N1.
Qual o problema em n√£o tomar a tal vacina? Ora, nenhum tirando o fato de que no caso dela funcionar e voc√™ entrar em contato com o v√≠rus, ele rapidamente ser√° combatido, n√£o transformar√° suas c√©lulas em f√°bricas que produzir√£o milhares de milh√Ķes de outros v√≠rus, e assim voc√™ n√£o ficar√° doente e n√£o ser√° um maldito transmissor de v√≠rus para outras pessoas.
Sei que por enquanto não é todo mundo que tem acesso à vacina, mas o que me deixa fulo da vida é que tem gente que tem acesso e NÃO QUER TOMAR!
Motivo? Nenhum. Pelo menos não quiseram dizer. Vai ver que o medo de injeção é maior que a vontade de salvar a vida de colegas da comunidade.
E quem s√£o estes pobres diabos? Mendigos, ambulantes, coletores de latinhas? N√£o, s√£o p√≥s-graduandos da USP, que trabalham num laborat√≥rio de biologia molecular! Incr√≠vel como a falta de no√ß√£o n√£o conhece barreiras nem preconceitos, nem ra√ßa nem n√≠vel social e “intelectual” (uma gr√°vida inclusa, que √© grupo de risco). √Č a nossa elite “pensante” brasileira!
Queria saber porque desde sempre existe tanta desconfian√ßa das vacinas. At√© hoje tem gente, e at√© organiza√ß√Ķes, que afirmam que ao inv√©s de fazer bem as vacinas fazem mal. Uma hist√≥ria velha de que uma vacina nos EUA causava autismo fica ecoando at√© hoje, sendo que foi provado que o estudo foi mal conduzido.
Tem maluco que fala que as vacinas n√£o foram provadas cientificamente! Que Pasteur estava mentindo (mas aposto que esses malucos tomam leite pasteurizado) falando que germes e coisas do tipo n√£o causam doen√ßas, mas sim as varia√ß√Ķes de seus campos energ√©ticos ou comer comida impura. O homem das cavernas, o mais puro de todos (com toda carga esteriotipada do “bom selvagem”), e que comia a comida mais pura de todas, vivia s√≥ at√© os 18 anos. E a√≠, como fica a pureza nessa hist√≥ria?
Acredite, isso é coisa de gente que não sabe o que diz.
Uma vacinação em escala mundial como a que vem sendo feita, se tivesse alguma reação ou efeito colateral, ele já teria aparecido e seria quase impossível acobertar.
Resumindo: os médicos recomendam que se tome a vacina caso tenha acesso a ela.
Agora, se voc√™ ainda assim est√° se lixando pra si mesmo e pra humanidade, tenha pelo menos a dignidade de sair da vida em sociedade. E o √ļltimo apaga a luz do BBB10.
РUpdêite via @rmtakata: Veja aqui o cronograma de vacinação dos grupos prioritários

Horóscopo: mitos, verdades e o limite da paciência

tolo.jpgEu me divirto muito, sabia? Não bastasse imagem chorona de Jesus (se bem que eu choraria também se não fosse meu senso deturpado de humor), olha o que me aparece na chamada da página principal do MSN Brasil:
“Inferno astral: Mitos e Verdade”
Diz l√° que o governador Serra adiou sua candidatura √† presid√™ncia por estar passando pelo seu inferno astral. E segue contando que a VERDADE sobre o inferno astral √© que pelo ano gastamos nossa energia vital (ou chi, ou mojo, ou neur√īnios) e q no anivers√°rio recarregamos a energia (comigo √© diferente – eu fico mais animado com a proximidade do meu anivers√°rio, e no dia seguinte a ele estou p√©ssimo de ressaca, por mais energ√©tico que eu tome na festa)
Bom, quanto aos mitos e verdades eu vou encurtar a história pra você:
MITO: Credibilidade dos grandes veículos da mídia.
VERDADE: Horóscopo é balela!!!
Ok, vamos deixar uma coisa bem clara: Não acredito em horóscopo. Na verdade ele e toda baboseira astrológica me causam verdadeira irritação, #prontofalei.
E se você nem desconfia do porquê então você vai amar ou odiar este blog. Não vai ter meio termo.
As √ļnicas explica√ß√Ķes que vou dar para justificar tal nojo s√£o o fato de ter uma postura c√©tica da vida, e este v√≠deo: -Clique aqui pq n√£o deu pra incorporar ao texto

Pena não ter legenda, mas o que ele mostra é um cara que escreve um texto sobre a personalidade da pessoa baseando-se no desenho da mão, na data de aniversário e em um item pessoal, tudo dentro de um envelope. Após análise, e sem ter como saber de quem é cada envelope, ele traz o texto e pergunta o quanto a pessoa se identifica com ele. As respostas variam de 100 a 80, 70% de semelhança. Um cara só diz ter se identificado com apenas 45% da descrição.
Quando o apresentador pede para as pessoas trocarem de texto com os colegas eles percebem que est√£o todos lendo o mesmo texto!
O lance √© que o texto foi escrito de um jeitinho maroto, usando v√°rios truques com os quais 90% das pessoas se identificam. E n√£o vai pensando que era um texto do tipo “voc√™ j√° teve um namoro problem√°tico, OU N√ÉO”, o texto √© bem especifico em alguns detalhes. √Č s√≥ ver a cara do povo quando percebe que √© o mesmo texto pra confirmar isto.
Fato é que a gente acha que está atento a tudo e no controle da situação, mas podemos ser enganados facilmente. O horóscopo faz isto todos os dias.
E o mais importante
Ah, só mais uma coisinha: tenho um conhecido que escrevia horóscopos num jornaleco aí sem nem saber o signo de quem nasce em dezembro e muito menos apontar o cruzeiro do sul no céu.
Tomara que este post n√£o me acumule mais carma.

Cuidado com a pr√°tica ortomolecular e biomolecular

ORTOMOLecular.jpgO Conselho Federal de Medicina falou, t√° falado. Algumas pr√°ticas ortomoleculares e biomoleculares n√£o podem ser realizadas por n√£o terem comprova√ß√Ķes cient√≠ficas. – Ali√°s, quem inventou esses nomes? Parece at√© essas coisas pseudocient√≠ficas bioqu√Ęnticas

Agora reposi√ß√£o de nutrientes que estejam faltando, como vitaminas, ou tirar outras subst√Ęncias nocivas, como metais pesados e pesticidas, s√≥ podem ser feitas nos par√Ęmetros internacionais e se forem medidas e comprovadas a falta ou excesso de subst√Ęncia.

E para essa medição não vale o famoso teste do cabelo, que todo ortomolecular pede. Este só funciona em caso de intoxicação ou contaminação por metais tóxicos. Fora isso não funciona e está proibido de ser usado.

Alguns trechos interessantes da resolução (leia aqui na íntegra):

  • Art. 8¬ļ A remo√ß√£o de minerais, quando em excesso, ou de minerais t√≥xicos, agrot√≥xicos, pesticidas ou aditivos alimentares se far√° de acordo com os seguintes princ√≠pios:
  • I) O excesso de cada subst√Ęncia t√≥xica dever√° ser considerado isoladamente;
  • II) Exist√™ncia, na literatura m√©dica, de fundamenta√ß√£o bioqu√≠mica e fisiol√≥gica sobre o efeito delet√©rio do excesso da subst√Ęncia t√≥xica considerada, bem como de dados que comprovem a possibilidade de corre√ß√£o efetiva por meio da remo√ß√£o proposta;
  • III) Al√©m da melhoria dos par√Ęmetros laboratoriais, dever√° haver comprova√ß√£o cient√≠fica de utilidade cl√≠nica;
  • IV) O valor terap√™utico da remo√ß√£o de determinada subst√Ęncia t√≥xica dever√° ser avaliado para cada tipo de dist√ļrbio.
  • Art. 9¬ļ S√£o destitu√≠dos de comprova√ß√£o cient√≠fica suficiente quanto ao benef√≠cio para o ser humano sadio ou doente, e por essa raz√£o t√™m vedados o uso e divulga√ß√£o no exerc√≠cio da Medicina, os seguintes procedimentos da pr√°tica ortomolecular e biomolecular, diagn√≥sticos ou terap√™uticos, que empregam:
  • I) Para a preven√ß√£o prim√°ria e secund√°ria, doses de vitaminas, prote√≠nas, sais minerais e lip√≠dios que n√£o respeitem os limites de seguran√ßa (megadoses), de acordo com as normas nacionais e internacionais e os crit√©rios adotados no art. 5¬ļ;
  • II) EDTA (√°cido etilenodiaminotetrac√©tico) para remo√ß√£o de metais t√≥xicos fora do contexto das intoxica√ß√Ķes agudas e cr√īnicas;
  • III) O EDTA e a proca√≠na como terapia antienvelhecimento, antic√Ęncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias cr√īnicas degenerativas;
  • IV) An√°lise do tecido capilar fora do contexto do diagn√≥stico de contamina√ß√£o e/ou intoxica√ß√£o por metais t√≥xicos;
  • V) Antioxidantes para melhorar o progn√≥stico de pacientes com doen√ßas agudas, observadas as situa√ß√Ķes expressas no art. 5¬ļ;
  • VI) Antioxidantes que interfiram no mecanismo de a√ß√£o da quimioterapia e da radioterapia no tratamento de pacientes com c√Ęncer;
  • VII) Quaisquer terapias antienvelhecimento, antic√Ęncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doen√ßas cr√īnicas degenerativas, exceto nas situa√ß√Ķes de defici√™ncias diagnosticadas cuja reposi√ß√£o mostra evid√™ncias de benef√≠cios cientificamente comprovados.

GiovannaAntonelli.jpg

Chiques, famosas e “ortomoleculadas”

V√°rias destas pr√°ticas, agora proibidas, vem sendo feitas e divulgadas a muito tempo. Como acontece com Giovanna Antonelli, uma das estrelas da Novela das Oito “Viver a Vida” (por ser uma entidade, “Novela das Oito” deve ser escrita em mai√ļsculas, por respeito a sua divindade) . √Č o que diz sua terapeuta numa reportagem de dietas dos Famosos (tamb√©m com F mai√ļsculo por se tratar de divindade): “Giovanna Antonelli chegou ao consult√≥rio querendo emagrecer. Uma das provid√™ncias foi prescrever doses extras de minerais que baixassem sua vontade louca de comer doce na fase pr√©-menstrual”. Hum… mas sem medir nada pra ver se tava faltando mesmo? 

samara_felippo.jpgO fato √© que resolve mesmo. Pelo menos pra emagrecer. Afinal a Global (G mai√ļsculo) chega no consult√≥rio querendo perder 8kg pra ser a pr√≥xima capa da Playboy e a terapia molecular, com todo seu conhecimento, receita o que? Ou√ßa nas palavras de Samara Fellipo: “N√£o precisei passar fome e sequei 8 quilos em dois meses, reduzindo carboidrato e cortando doce e fritura”. Isso n√£o √© terapia ortomolecular Samara, √© COMER DIREITO, DIETA, e todo mundo sabe como funciona!

Quem tiver dados REAIS de reposição de nutrientes usadas nessas terapias, pode me mandar.

N√£o apela, Folha

Agora, esta notícia da Folha resumindo a resolução está muito ruim e errada.

Diz que a resolu√ß√£o confirma a aus√™ncia de comprova√ß√£o cient√≠fica da pr√°tica, o que n√£o √© verdade. Ela regulamenta, ou seja, algumas pr√°ticas est√£o autorizadas e outras n√£o. E afirmar “Entre os preju√≠zos est√£o o aumento do risco de c√Ęncer”, √© senssacionalismo, j√° que n√£o √© exatamente isto que a resolu√ß√£o fala, como voc√™ p√īde ler acima.

E outra, a Folha definiu as pr√°ticas ortomoleculares e biomoleculares com o que estava escrito na resolu√ß√£o. Custava dar um “google” pra aprofundar pelo menos um palmo?

Congresso científico fantasma

congresso fantasma.jpg

Calma, não é um congresso científico SOBRE fantasmas, o que seria um paradoxo.
Mas um congresso-SPAM. Isso mesmo. E maldoso.

Imagine receber um email com uma programação de congresso na China com pesquisadores top da sua área. E ainda te convidam para dar uma palestra e por isso se oferecem a pagar, ou melhor, reembolsar, sua estadia e inscrição.
“Ora, nunca fui pra China. Seria uma √≥tima oportunidade!”
N√£o s√≥ voc√™ se interessa e se inscreve como reenvia a outros colegas, como √© praxe. Manda seus dados, n√ļmero do cart√£o de cr√©dito e BINGO, n√£o existe congresso.

Isso n√£o √© novidade no mundo corporativo. Calotes com congressos ou cursos fantasmas s√£o muito comuns. Mas geralmente s√£o temas mais abrangentes, com listas de email inespec√≠ficas. Cursos de “venda mais”, ou “Quem Mexeu no Meu Queijo e A Arte da Guerra para pequenos empres√°rios”.

O diferente aqui destes dois casos de congressos científicos fantasma é o nível de sofisticação. A programação contém nomes de pesquisadores importantes da área, e os emails foram para pesquisadores e interessados nas tais áreas.

O primeiro caso aconteceu em agosto de 2009, o suposto Congresso Internacional de Cardiologia na China. Aqui o caso foi de roubo ou mal uso de informa√ß√£o de uma empresa chinesa que estava realmente organizando um congresso. Mas as informa√ß√Ķes, programa e email de pesquisadores, vazaram e foram utilizadas para divulgar o “evento” antecipado. Alguns pesquisadores fizeram inscri√ß√£o com cart√£o de cr√©dito e compras n√£o autorizadas foram feitas com eles.

O segundo ir√° acontecer em Dezembro de 2010 (ou n√£o). √Č o “Conference on Human Welfare and the Global Economy”, organizado por uma entidade chamada Action World International Organization (AWIO). Este engodo foi descoberto pela revista The Scientist, que ligou para o local do evento indicado no email e descobriu que n√£o h√° reserva para a data, e os palestrantes contatados n√£o est√£o sabendo de nada!

√Č minha gente, por isso digo que √© cada vez mais dif√≠cil ser cidad√£o hoje em dia. Agora pra cada convite de congresso que queira ir voc√™ tem que ligar para o local onde se realizar√° o evento e perguntar “Vai rolar mesmo?”. Ou ligar para o palestrante programado e perguntar “Voc√™ vai mesmo?”. Ou pior, voc√™ pode ser o pr√≥prio palestrante e ter que ficar recebendo emails de confirma√ß√£o de presen√ßa. Haja saco.

Mas é o preço das facilidades da vida moderna.

Ciência ruim num estalar de dedos? IgNobel prá você!

2009IgNobel.gifMais um texto da nossa s√©rie sobre o IgNobel 2009, e, pr√° come√ßar, temos aqui um exemplo de como o IgNobel n√£o premia somente pesquisas “inusitadas” ou de resultados pouco pr√°ticos, como o Rafael comentou em nossa entrevista ao Programa E-farsas. Muitas vezes, o pr√™mio √© dado a um trabalho realmente idiota.
Então, melhor estalar os dedos e começar duma vez!
Ganhador do Prêmio IgNobel de Medicina de 2009, o Dr. Donald L. Unger, um médico de Thousand Oaks (California, EUA), deve ser uma das pessoas mais controladas Рou mentirosas Рque eu já ouvi falar.
Por que? Cansado de ouvir sua m√£e, tias e outras pessoas sobre os “malef√≠cios” de se estalar as juntas dos dedos, o pequeno Donald, num insight ou n√£o c√©tico teve a brilhante ou n√£o ideia de conduzir um estudo de caso que comunicou ao peri√≥dico Arthritis & Rheumatism no ano de 1998.
Nessa comunica√ß√£o (PDF em Ingl√™s), publicada na se√ß√£o “Letters” do peri√≥dico, afirmou n√£o haver conex√£o entre o ato de se estalar os dedos e o desenvolvimento de artrite, de acordo com dados coletados durante o espantoso per√≠odo de 50 anos!
Estalos ocasionais ou espont√Ęneos, como costuma acontecer nos p√©s e tornozelos depois de levantarmos da cama, s√£o in√≥cuos. Mas se forem repetidos com freq√ľ√™ncia, aumentam a produ√ß√£o do l√≠quido interno das juntas, o que pode causar engrossamento, dor e perda de flexibilidade, como afirmou o Dr. Isidio Calich (Faculdade de Medicina da USP) √† Super Interessante.
knuckle_cracking.jpgExistem dois tipos de estalo, e, conforme o tipo, podem acontecer danos aos tend√Ķes e √† cartilagem que recobre a extremidade dos ossos. O primeiro tipo acontece quando esticamos a junta (puxando um dedo, por exemplo, como na imagem da esquerda), o que gera uma esp√©cie de v√°cuo que faz o l√≠quido no interior das juntas se movimentar com viol√™ncia (por isso o ru√≠do). O outro tipo √© quando dobramos a articula√ß√£o, no qual o estalo √© decorrente do atrito entre as cartilagens dos ossos (como quando apertamos os dedos contra a palma da m√£o, como na imagem abaixo).
crucking_knuckle.jpg
Agora, se me perguntarem, tenho certeza que o IgNobel veio por causa do desenho experimental do inspirado aspirante a cientista: ele passou 50 anos da vida dele estalando os dedos da m√£o esquerda duas vezes ao dia. E n√£o fez o mesmo com a m√£o direita. Bom, “a n√£o ser em casos de distra√ß√£o, ou quando aconteceram estalos espont√Ęneos”… ent√£o t√°.
De acordo com seus “dados”, no per√≠odo de “estudos” ele contabilizou ter estalado os dedos da m√£o esquerda por aproximadamente 36500 vezes (!!!), e n√£o observou nada que indicasse o desenvolvimento de artrite na m√£o esquerda, al√©m de n√£o observar nenhuma diferen√ßa significativa entre os dedos das m√£os esquerda (estalada constantemente) e direita (s√≥ de vez em quando).
Portanto, segundo nosso querido Dr. Donald (farei um esfor√ßo herc√ļleo para n√£o cham√°-lo de pato nenhuma vez, prometo… bom… desconsiderem essa, por favor), os dados que observou corroboraram (adoro essa palavra) os dados de um estudo publicado 25 anos antes por Swezey RL. e Swezey SE., entitulado “The consequences of habitual knuckle cracking.” (West J Med 1973;122:377-9).
Para mim, a cereja do bolo est√° no final da comunica√ß√£o, quando o autor sugere que outros “mitos” que ouvimos quando crian√ßas sejam verificados, e d√° como exemplo “espinafre te deixa mais forte”, e relata:
macaco-chongas.jpg“This study was done entirely ut the author’s expense, with no grants from any governmental or pharmaceutical source.”

Tradu√ß√£o: “Este estudo foi totalmente custeado pelo autor, sem qualquer tipo de financiamento governamental, ou farmac√™utico.”
S√≥ me faltava essa mesmo… por isso, al√©m do IgNobel, ele ganha do RNAm um macaquinho do Chongas, que reflete tudo o que senti ao escrever esse texto.
Quer saber mais sobre esse assunto? Sugiro essa mat√©ria da HowStuffWorks (em Portugu√™s) e uma p√°gina de “perguntas e respostas” do Centro de Artrite do Johns Hopkins (em Ingl√™s).

RNAm no programa E-Farsas

e-farsas.jpgSabad√£o estaremos no famoso programa E-Farsas!
Muito antes do Fantástico ter aquele quadro Detetive virtual, o Gilmar já sentava o sarrafo na falta de noção digital.
Ele vai ao ar na JustTV s√°bado dia 28/12 √†s 18h30. Neste dia seremos “nozes” do RNAm que iremos apresentar nossas farsas.
Caso você perca, o programa cai no YouTube e logo será postado aqui.
Bjomeassista