Hipótese beta: 12.10.2016- madrugada. Ainda com piolhos mas não consigo acha-los


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       Hoje, começou o segundo ciclo do Ciper. A diretora nos oferecerá um preparo

Hipótese beta – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

corporal para exploração de pesquisa em CI a partir do material para coluna

desenvolvido por Steve Paxton, assim, quando este ciclo tiver terminado, teremos

adquirido técnica/consciência corporal/ material/ uma corporalidade.

         Ela começou com um aquecimento. Primeiro um trocadilho nos dedos. Mimese

do movimento, estimulando reflexo por visualização. Outros exercícios estimulavam o

tônus alto, a força vinda da coluna, ou melhor, a mobilização do nosso corpo para

mantermos o tônus resistente ao ambiente, assim, diminuindo o esforço da força -fazer

menos força. A intenção dos exercícios é fazer que o movimento surja da musculatura

de dentro e não das extremidades. Ter a consciência dessas qualidades de movimento

ajuda a integração do corpo. Também, trabalhou com o toque no osso, rotação, formas

circulares. Tipos de corporalidades que tiram as resistências no movimento para

aproveitar o máximo possível da energia cinética contida nele.

          Outra parte da preparação corporal foi feita pela ensaiadora. A metodologia

usada veio de teatro, chama-se View points, pontos de vistas. Os primeiros exercícios

de andar, correr, parar ao mesmo tempo com o grupo exercita nossa escuta coletiva e

focalizar nossa atenção para o movimento do grupo, diferente do preparo da diretora

que foca a nossa atenção para dentro do nosso corpo. Senti que os jogos propostos pela

ensaiadora estimulam mais a nossa atenção para o de fora- grupo. Não interessa tanto se

o movimento parta de dentro. Tanto que um dos exercícios era fazer movimento

simples- sem explorá-los no nível de dentro da musculatura- como andar, sentar, deitar

e pular. Explorá-los em relação aos movimentos externo.

Explorar o movimento a partir de fora, como o último exercício proposto,

produz uma dinâmica interna do movimento. Ou seja, ouvimos/

recebemos/apreendemos/absorvemos o movimento de fora, essa informação passa

dentro da gente e produzimos outro movimento a partir dele. Ouve e responde. Há um

milésimo de segundo entre essa transição do ouve e responde ao que ouviu. Então, de

certa forma, acaba sendo um movimento que parte de dentro também. Há um

movimento/dinâmica dentro dos movimentos.

           O CI exige que trabalhemos “de onde surge o nosso movimento” dos dois ao

mesmo tempo e constantemente. Um fluxo tornando uma coisa só. Obvio, que na dança

podemos explorar mais ora um ora outro, mas há o risco da pessoa que dança perder o

contato e/ou a improvisação.

Também tem os movimentos que não estamos em lugar nenhum.

Sem escuta não há resposta. Escuta propositiva- reflexiva (uso reflexiva opondo

ao mental). Resposta cinética- escuta cinética.

 

 

 


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Nascida em São Paulo, em uma família tradicional japonesa, que me incentivava quando criança às artes orientais, odori e karaokê. Depois de uma caminhada que tomou trajetos inesperados, me formei em Ciências Sociais, Bacharelado em Antropologia, pela Unicamp, em 2015. Nesse período, encontrei o meu corpo em uma aula de Contato Improvisação oferecida por Marília Carneiro, na Casa do Lago, em 2014. Corpo desperto, ele se tornou o seu próprio caminho. Em busca de novas aventuras, encontrei a Cia. do Circo, onde meu corpo foi transformado em um campo com potência e pode experimentar diferentes relações com o peso, espaço e limites no tecido, trapézio e contorção desde novembro de 2014. Em 2015, comecei a me apresentar com a Cia. do Circo em eventos. O meu corpo também está sendo transformado com as técnicas de Klauss Vianna apreendidas nas aulas de Jussara Miller há um ano. Incorporei-me no projeto dirigido por Marília Carneiro, o Ciper- ContactImprovisation&Performance, grupo de pesquisa em performance de Contato Improvisação, em que participei como improvisadora e escritora.