Hipótese beta: Escrita Ciper


Car@ leitor@, para acessar o capítulo anterior, clique aqui.

Escrita e Desenho Ciper

Fui selecionado para registrar as performances do CIPer, seja pela escrita, desenho ou audiovisual. Não esperava estar fora das danças, mas aos poucos percebi que não estava fora, mas a escrita e o desenho me chamavam para o contato improvisação. Era um momento em que a dança dos outros me convidavam freneticamente para entrar em cena, mas ao mesmo tempo o papel prendia meus pés e mãos sobre ele. Esta era a minha cena, e o jogo duro não me permitia sair.

Até então perceber que este contato também me dava um novo gosto, um sabor de incertezas, de ansiedade de entrar na nova dança. Ao longo dessa performance, as palavras e frases saíram inacabadas. Como movimentos improvisados, alguns fluíram, outros tiveram quedas “bruscas”:

“Cada desafio que me aparece é uma grande descoberta de uma nova pessoa dentro de mim, posso ser uma pessoa extrovertida como uma tímida”.

“Tem vezes que crio expectativas antes e percebo no decorrer que nada imaginado tornou-se real. E quando o imaginado torna-se real, perde a graça, pois parece repetir a mesma dança”.

“Saí da cena da dança e o meu corpo sentiu falta do contato.
Os olhos sedentos pela dança estremecer”.

“4 cenas, 4 mundos, 4 formas” 

“Quando danço sinto o movimento
Quando não dança, penso o movimento”

“Os dançarinos de contato tem um imã dentro da alma, ora são opostos e brigam e ora atraem em contato de sintonia”

“Não sei descrever como são essa danças
Mas quando me perguntam as respostas nunca são as mesmas
Improviso nas respostas porque a dança pede e as palavras gaguejam
É a cabeça dançando sem parar quando me perguntam
Mas no coração e na alma tem-se a melhor resposta: a dúvida
Ela que carrega a vida”

“Um vazio. Apesar da presença, a dança me deixava vivo.
O contato e o movimento trazia sentimento para a vida
Os suspiros, movimentos e danças de fora trouxeram as meus olhos uma nova dança
Com dificuldades tive de aprender a dançar e estando fora da dança
Precisei desenvolver a escuta, o olhar, o contato e o movimento dos dançarinos

Mas não bastavam apenas esses elementos, era preciso sentir a sintonia, o desejo e o inconsciente
A minha empatia não dava conta
Pois as sensações eram tantas
Que a dança com a empatia e a sintonia era mais rápida”

 

 Suspirei quando o papel me soltou, e olhei em minha
volta e todas as danças já tinham acabadas. Senti um incômodo de não ter conseguido driblar o parceiro papel e fluir em direção à aquela pessoa que estava em mente. Mas logo percebi o quão o Contato Improvisação também é uma forma de vida, em que nem sempre conseguimos aquilo que desejamos no primeiro instante.

Logo fui ver o “replay” da minha performance, e surpreendi com as formas que elas envolveram. As palavras e os desenhos trouxeram surpresas que fluíram dentro de mim e conheci ainda mais quem eu sou. Desta improvisação, guardo essa vivência vivida, e percebo o quanto as surpresas são valiosas para a gente viver elas como se as desejamos, mesmo não sem as conhece-las.

Não penso em corrigi-las, nem melhora-las, por que a cada momento que eu rele-las vou relembrar das emoções que me conturbaram neste momento. Assim como nas improvisações de CI, a gente não corrige a dança, ela simplesmente acontece.

E assim vai ser contigo, amigo leitor, a primeira leitura vai ser a primeira dança, marcante que abrirá as primeiras portas mensageiras do seu corpo, alma e coração.

 

Hipótese beta – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

Encontre os capítulos anteriores que compõe esta novela em https://www.blogs.unicamp.br/mucina/category/series/hipoteses-para-o-leitor-uma-novela-performatica-gestual/. Para receber as notificações no seu email, cadastre-se no RECEBA A MUCíNá na barra lateral. Ou siga pela página no Facebook. E não se esqueça de deixar o seu comentário abaixo!;)

+ posts

A cada dança, meu corpo se revela, a cada caminhada meus olhos capturam a beleza das paisagens, a cada traços escritos, desenhados revelam a poesia da voz do coração. Nem mesmo eu sei quem eu sou. Mas sou um desejo de descobrir e sentir a cada movimento, improvisos e contatos com corpo e alma.
Minha aventura com Contato Improvisação (de Steve Paxton) começou no começo de 2016, quando sentia uma desconexão com uma outra parte de mim que segue a rotina padrão, imposta pela sociedade, fazendo o curso de Arquitetura e Urbanismo, na Unicamp. Cheguei a um ponto das dúvidas não caberem mais dentro de mim. Principalmente por não entender como "construir" um mundo em que as pessoas vivem mais afastadas do que unidas.
Diante do afunilamento de um foco, resolvi escalar o funil de baixo para cima para redescobrir o universo vasto que é banhado de diversidade cultural, emocional, natural e energético. Encontrei na dança minha criança interna que sempre queria dançar, mas no tempo de relógio de infância não entendia essa brincadeira, encontrei na poesia com a Biodanza (sistema Rolando Toro); o gosto por ler, não as palavras, mas as pessoas, os sentimentos; encontrei na Bioconstrução e Agroecologia a conexão com a natureza, como elas também dançam e a gente pode improvisar com elas mais próximo da gente. E encontrei no Contato Improvisação, o desejo de conhecer as partes do meu corpo, e percebi que eles falam a doçura que a alma e o coração expressam a cada movimento.
Neste projeto, CIPer (Contact Improvisation Performance) encabeçada pela Marília Carnieiro, aventurei me como um telescópio registrando as cenas em fotografia, como um microscópio escrevendo as pequenas célulinhas no papel e minhocas de traços artísticos, e também pude me moldar como um vento sólido nas danças de improvisação. Também não esqueço dos sons que descobri no piano e na voz durante as ventanias.
Sou muito grato por esse projeto em comunhão com os improvisadores e dançarinos que partilharam momentos especiais.

Dessas aventuras, tento me redescobrir como estudante de Arquitetura e Urbanismo, buscando descobrir como unir as pessoas nos espaços para que os viajantes contem suas histórias pelos corpos, olhos, abraços, seja pelo Urbanismo, Bioconstrução. Desejo trazer a natureza mais próxima das pessoas com a Bioconstrução e Agroecologia. Também o meu corpo deficiente quer trazer mais união e acessibilidade para as pessoas com outros talentos (que são esquecidas no preconceito) nos espaços e nos abraços. Aventuro me nas fotografias de registrar empaticamente a mensagem dos sentimentos das pessoas e natureza