Hipótese epsilon: carta de emly para cony


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As sensações do estranho e dos novos descobrimentos não me angustiam, pelo

contrário. Achar que não estou desenvolvendo e explorando novos caminhos que me

deixam no estado angustiado e desanimado. Sim, é um processo. Cada coisa tem o seu

tempo. Fico dizendo isso pra mim e sei que estamos desenvolvendo algo mesmo não

percebendo, mas no momento está nublado e não consigo ver isso. Provavelmente,

porque buscava outro tipo de desenvolvimento.

Mas, como vc disse ontem, estamos desenvolvendo! Desenvolvemos uma

relação e estamos nos ajudando a perceber uma a outra como dançamos e trocando

jeitos de danças. Aprendendo uma com a outra. Acho legal e gosto quando me diz como

me vê/sente dançando. Preciso de um olhar externo pq as vezes, danço de um jeito,

persisto em certos padrões por não perceber que faço. Como, na sua casa, em que eu

abaixava o meu tronco e ser uma dança aberta, esticada- o jeito circo (não lembro como

vc falou).

Acho que nós duas carregamos experiências corporais que se manifestam bem

nos nossos jeitos de dançar. E, talvez, isso pode ser o que atrapalhe um pouco quando

tentamos dialogar na dança de CI. Não acho q nossos jeitos devam desaparecer, mas não

deixa-los tomarem conta.

Gosto de dançar com vc. É inusitado. Você coloca elementos de:

– toque e pegada com a mão, boca, pé, coxa.

-utiliza bastante a mão

– propõe “ jogos” tp o lance da cicatriz

– paradas- descansos

-uma intensidade no movimento

– uma dança dentro

– não tem uma “estética” – uma coisa meio buto.

E tem o negócio da bolinha. Nas performances, ela aparece e vc entra numa

movimentação agitada, intensa e dentro de vc. Nessas horas, sinto que não há conexão-

relação entre nós e não encontro jeito de dançar com vc. O negócio da bolinha é bom

para dançar solo.

Acho que por enquanto é isso.

Hipótese epsilon – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

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Nascida em São Paulo, em uma família tradicional japonesa, que me incentivava quando criança às artes orientais, odori e karaokê. Depois de uma caminhada que tomou trajetos inesperados, me formei em Ciências Sociais, Bacharelado em Antropologia, pela Unicamp, em 2015. Nesse período, encontrei o meu corpo em uma aula de Contato Improvisação oferecida por Marília Carneiro, na Casa do Lago, em 2014. Corpo desperto, ele se tornou o seu próprio caminho. Em busca de novas aventuras, encontrei a Cia. do Circo, onde meu corpo foi transformado em um campo com potência e pode experimentar diferentes relações com o peso, espaço e limites no tecido, trapézio e contorção desde novembro de 2014. Em 2015, comecei a me apresentar com a Cia. do Circo em eventos. O meu corpo também está sendo transformado com as técnicas de Klauss Vianna apreendidas nas aulas de Jussara Miller há um ano. Incorporei-me no projeto dirigido por Marília Carneiro, o Ciper- ContactImprovisation&Performance, grupo de pesquisa em performance de Contato Improvisação, em que participei como improvisadora e escritora.