Kinani 2017 – Plataforma internacional de dança contemporânea de Maputo/Moçambique

Com enorme alegria dou início a uma série de duas semanas de postagens sobre a 7a edição da bianual internacional de dança contemporânea de Maputo, o Festival Kinani. Kinani e uma palavra na língua xangana e quer dizer Dancem!

Minha presença por aqui, na qualidade de pesquisadora estudiosa da dança contemporânea, foi acolhida e viabilizada pelo festival em parceria com a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pratica artistica Mucina Aquela que Dança, da qual o blog é um meio de comunicação social.

As postagens terão dois objetivos: 1. dar a ver aspectos da realidade coreográfica que está a se atualizar na capital moçambicana em torno do Kinani. 2. dar a ver aspectos do próprio ofício de pesquisar na dança, a partir do ponto de vista de quem é de dança.

Desembarquei em Maputo uma semana antes de comecar a mostra de espetáculos propriamente dita, com vistas a acompanhar os ensaios finais das montagens, a pré produção, os workshops com os artistas que estarão em cena, entrevistar alguns coreógrafos e coreógrafas e bailarinos e bailarinas com quem mantenho uma conversa sobre criação em dança e treinamento do bailarino desde 2013 (por ocasiao do trabalho de campo etnografico do meu doutorado), além, é claro, de fazer alguns treinos na qualidade de dançarina, que afinal é esta a informação mais relevante.

Em geral, antes dos criadores começarem o trabalho coreográfico propriamente dito, posso participar do aquecimento, onde encontro no chão de dança com os conhecimentos que estão em jogo na cena de Dança Contemporânea internacional. No encontro com os artistas e a cena de Maputo, do Kinani 2017, tenho acesso ao que esta em circulação na França, Alemanha, Espanha, Portugal, Madagascar, Benin, Senegal, Namibia, Burkina Fasso, Kenya, EUA, Mayote, África do Sul, Zimbabwe, além de Moçambique. Estar no chão de dança com os bailarinos e bailarinas faz parte também do método de pesquisa cujo design elaborei em 2012.

A mostra de espetáculos começa no dia 21 e termina no dia 26, com mais de 20 obras em cartaz. E como diz a produção: Dança Maputo!

CEO at Mucíná - Aquela que Dança | marilia.carneiro@alumni.usp.br | Website | + posts

Doutora na área de Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte (Brasil/UNICAMP, Canadá/UQAM e Moçambique/UEM), dançarina e coreógrafa indisciplinar, bacharelou-se em Dança na Faculdade Angel Vianna (Rio de Janeiro) e bailarina criadora no Ateliê Coreográfico sob a direção de Regina Miranda (RJ/NYC). É especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, mestre em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e atuou por 10 anos nas políticas públicas de saúde, inclusive a implantação do programa integral de atenção à saúde dos povos indígenas aldeados no Parque do Xingu, pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. Na área da Dança trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dança contemporânea. É improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em residência artística em Paris por 3 anos, com prêmio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura & Michael Bugdahn, da Cie. À fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma geração de colegas que começou ensinar Contact na mesma época que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de criação de obras e ensino-aprendizagem e formação profissional em Improvisação de Dança. Estudou no Doctorat en études et pratiques des arts (Montreal, no Canadá) com o privilégio da supervisão de Sylvie Fortin. É formada no Método Reeducação do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu vínculo com a Unicamp é de ex aluna da Faculdade de Ciências Médicas e da Faculdade de Educação. Suas pesquisas triangulam a dança contemporânea no Brasil, Canadá e Moçambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em prática artística Mucíná - Aquela que Dança. E-mail: marilia.carneiro@alumni.usp.br