Hipótese delta: Fotoimprovisação


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No contato Improvisação a dança é movida pelas incertezas e dúvidas de ter uma sensação nova ou repetir os mesmos movimentos que conhecemos. O toque, o olhar, o suspiro nos convidam a jogar no improviso cambaleado tentando achar um equilíbrio diante do outro corpo.

Cada Jam, Performances trás suspiros internos de cada improvisador e de quem assiste com dúvidas de entrar no jogo ou continuar parar a guerra interna entre a coragem de entrar e a insegurança de ficar.

Não sabemos quais serão os próximos movimentos, às vezes criamos expectativas de explorar certas partes corporais e fluir para uma pequena dança de um membro do corpo, mas a surpresa nos ameaça. Surpresa que nos cria ainda mais dúvidas e nos deixam sem direção.

Foi no Barracão, que tive uma experimentação! Eu não era dançarino, mas tinha uma missão: registrar cada emoção, sentimentos através e além dos movimentos faciais.
E perguntas me envolviam como um caminho a explorar, mesmo que eu me perdesse em cada trilha.
Registrar fotograficamente o que os olhos diziam? Os gestos nos acenavam? Os corpos envolviam? A rapidez nos enganava? E por onde a alma caminhava neste universo?

Cada questionamento me trazia um sentido para não me perder nas aventuras internas dos corpos humanos.

Cada detalhes performáticos de quem estava na dança corporal ou nos movimentos faciais cheio de suspiros na Performance e JAM no Barracão de 4 novembro instigavam a experimentação do fotógrafo Andy.

A vontade de fotografar também era um contato improvisação do fotógrafo com as danças, os suspiros e a câmera nas mãos. O desejo de entrar na dança e registrar os olhares dos dançarinos movia o fotografo nessas experimentações de captar as sensações por dentro dos corpos e olhares.

A câmera também era como um corpo para o fotógrafo era preciso dar liberdade para a máquina fotográfica improvisar. E como todo improviso na dança não tem certo ou errado, as fotografias também envolveram dúvidas e incertezas. E os resultados também saíram fotos tremidas e escuras que também surpreenderam ao Andy, que viu que aquelas fotos “ruins” também são boas, cheio de mensagens que registraram um novo olhar sobre as emoções, sensações que cada pessoa trazia naquele momento de incerteza e dúvidas.

Eu queria apenas entender o jogo de cada corpo, e quando dois corpos se cruzavam, que batalha seria esta? Não sei, nem saberei. Nem a história contará em seus mais simples versos esse complexo universo.

Eis que as minhas dúvidas, em 5 de novembro, não paravam! Queria voltar ao tempo para esquecer-se desses registros que me incomodaram por não conseguir dar uma resposta para aquele movimento parado ao tempo, que o meu corpo mente queria despedir da dança como um comprimento ou um abraço e cada um caminhar o seu trajeto.

Então, vou dormir, não importa que horas são, quero viajar de volta ao tempo, antes da dúvida, antes daquela vida, do Barracão.

Para aqueles que queiram aventurar sobre as minhas dúvidas, as fotos estão aqui no facebook e no blog.

 

Hipótese delta – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

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A cada dança, meu corpo se revela, a cada caminhada meus olhos capturam a beleza das paisagens, a cada traços escritos, desenhados revelam a poesia da voz do coração. Nem mesmo eu sei quem eu sou. Mas sou um desejo de descobrir e sentir a cada movimento, improvisos e contatos com corpo e alma.
Minha aventura com Contato Improvisação (de Steve Paxton) começou no começo de 2016, quando sentia uma desconexão com uma outra parte de mim que segue a rotina padrão, imposta pela sociedade, fazendo o curso de Arquitetura e Urbanismo, na Unicamp. Cheguei a um ponto das dúvidas não caberem mais dentro de mim. Principalmente por não entender como "construir" um mundo em que as pessoas vivem mais afastadas do que unidas.
Diante do afunilamento de um foco, resolvi escalar o funil de baixo para cima para redescobrir o universo vasto que é banhado de diversidade cultural, emocional, natural e energético. Encontrei na dança minha criança interna que sempre queria dançar, mas no tempo de relógio de infância não entendia essa brincadeira, encontrei na poesia com a Biodanza (sistema Rolando Toro); o gosto por ler, não as palavras, mas as pessoas, os sentimentos; encontrei na Bioconstrução e Agroecologia a conexão com a natureza, como elas também dançam e a gente pode improvisar com elas mais próximo da gente. E encontrei no Contato Improvisação, o desejo de conhecer as partes do meu corpo, e percebi que eles falam a doçura que a alma e o coração expressam a cada movimento.
Neste projeto, CIPer (Contact Improvisation Performance) encabeçada pela Marília Carnieiro, aventurei me como um telescópio registrando as cenas em fotografia, como um microscópio escrevendo as pequenas célulinhas no papel e minhocas de traços artísticos, e também pude me moldar como um vento sólido nas danças de improvisação. Também não esqueço dos sons que descobri no piano e na voz durante as ventanias.
Sou muito grato por esse projeto em comunhão com os improvisadores e dançarinos que partilharam momentos especiais.

Dessas aventuras, tento me redescobrir como estudante de Arquitetura e Urbanismo, buscando descobrir como unir as pessoas nos espaços para que os viajantes contem suas histórias pelos corpos, olhos, abraços, seja pelo Urbanismo, Bioconstrução. Desejo trazer a natureza mais próxima das pessoas com a Bioconstrução e Agroecologia. Também o meu corpo deficiente quer trazer mais união e acessibilidade para as pessoas com outros talentos (que são esquecidas no preconceito) nos espaços e nos abraços. Aventuro me nas fotografias de registrar empaticamente a mensagem dos sentimentos das pessoas e natureza