Hipótese zeta: A pequena dança de Steve Paxton


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A pequena dança de Steve Paxton

PAXTON, STEVE (1977-78). A pequena dança. Contact Quarterly’s Source Book, collected writings and graphics from Contact Quarterly dance journal 1975-1992. Título original: The small dance. Tradução para o português: Rodrigo Souza e Marília Carneiro. Contact editions: Northampton, EUA, 1997, p.23.

Contexto: THE SMALL DANCE foi traduzido em outubro de 2016 em Barão Geraldo, Campinas, Brasil, durante o projeto de pesquisa em prática artística Contactimpro&Performance (@ciperforma) – improvisadores experimentando Contato Improvisação (CI) e performance, dirigido por Marília Carneiro.

 

A Pequena Dança

Elizabeth: Logo no início de um workshop de Contato Improvisação, é comum os professores falarem sobre a “pequena dança”. Porque você começa com a ‘small dance’?

STEVE PAXTON: Bem, primeiro porque é uma percepção bastante fácil: tudo o que você tem a fazer é ficar de pé e a seguir relaxar. Então, em um certo momento, você percebe que relaxou tudo o que pôde relaxar, mas você ainda está de pé, e que este estar de pé é uma sequência de muitos instantes de movimento. O esqueleto te segura na vertical apesar de mentalmente você estar relaxando. Agora, o próprio fato de você estar ordenando a você mesmo a relaxar, e ainda continuar de pé – encontrando este limite no qual você pode relaxar ao máximo sem cair, coloca você em contato com um esforço básico de sustentação que está constantemente no corpo, mas do qual você não tem consciência o tempo todo. É um pressuposto do movimento estático que desaparece em atividades mais interessantes do que esta, ainda que esteja sempre lá, sustentando você. Nós estamos tentando entrar em contato com esse tipo de força primitiva do corpo e torná-la facilmente perceptível. Chame isto de ‘small dance’… Foi um nome escolhido em grande parte porque descreve bem a situação, e porque enquanto você está de pé e sentindo a “pequena dança”, você está ciente de que você não está ‘fazendo’ a pequena dança, então, de um certo modo, você está observando[1] você mesmo funcionar[2], observando seu corpo realizar esta atividade[3]. E sua mente não está imaginando qualquer coisa fora do corpo e não procura por nenhuma resposta ou é usada como um instrumento ativo, mas a mente está sendo usada como uma lente para focar em certas percepções.

Elizabeth Zimmer entrevistando Steve Paxton na Radio CBC.

Publicado originalmente em Contact Quarterly, Volume 3 – 1977-78.

Publicado novamente em Contact Quarterly’s Contact Improvisation Source Book, Contact editions, Northampton, Massachussets, EUA, 1997, p. 23.

 

[1] Nota da tradução: do original, watching. Em português, em Contact Improvisation, dizemos “observando”, mas pensar em “assistindo” pode ajudar a quem dança.

[2] Nota da tradução: do original, to perform.

[3] Nota da tradução: do original, performance.

 

Hipótese zeta – Criação de Constanza Paz Espinoza Varas

 


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Doutora na área de Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte (Brasil/UNICAMP, Canadá/UQAM e Moçambique/UEM), dançarina e coreógrafa indisciplinar, bacharelou-se em Dança na Faculdade Angel Vianna (Rio de Janeiro) e bailarina criadora no Ateliê Coreográfico sob a direção de Regina Miranda (RJ/NYC). É especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, mestre em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e atuou por 10 anos nas políticas públicas de saúde, inclusive a implantação do programa integral de atenção à saúde dos povos indígenas aldeados no Parque do Xingu, pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. Na área da Dança trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dança contemporânea. É improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em residência artística em Paris por 3 anos, com prêmio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura & Michael Bugdahn, da Cie. À fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma geração de colegas que começou ensinar Contact na mesma época que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de criação de obras e ensino-aprendizagem e formação profissional em Improvisação de Dança. Estudou no Doctorat en études et pratiques des arts (Montreal, no Canadá) com o privilégio da supervisão de Sylvie Fortin. É formada no Método Reeducação do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu vínculo com a Unicamp é de ex aluna da Faculdade de Ciências Médicas e da Faculdade de Educação. Suas pesquisas triangulam a dança contemporânea no Brasil, Canadá e Moçambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em prática artística Mucíná - Aquela que Dança. E-mail: marilia.carneiro@alumni.usp.br

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