Foto da semana – Diga ahhhhhhh (Leptophis sp)

Ap√≥s uma semana explorando a selva de pedra carioca, nada melhor que estar de volta a B√ļzios e o que sobrou de sua Mata Atl√Ęntica. Embora j√° esteja morando h√° quase dois meses na minha nova resid√™ncia ainda n√£o tive tempo de conhecer todos os inquilinos que habitam o quintal ou os vizinhos que rondam pelas redondezas. No √ļltimo s√°bado, enquanto virava e desvirava o churrasco, me deparei com esta bel√≠ssima cobra-cip√≥ pendurada na bananeira ao lado da churrasqueira de onde me observava atentamente. De nada adiantou oferec√™-la churrasco e cerveja, ela n√£o estava de muito bom humor e tentou a todo custo me manter a dist√Ęncia com sua bocarra escancarada.

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O gênero Leptophis é composto por serpentes que são na sua maioria semi-arborícolas e de hábitos diurnos. Cerca de 90% da sua dieta é composta por pererecas que são capturadas por busca ativa entre folha e cavidade de árvores e bromélias. 

Foto da semana – Periquit√£o-maracan√£ (Aratinga leucophthalma)

Para fazer coro a foto do amigo Ciro Albano ganhadora do primeiro prêmio no concurso Avistar de fotografia de aves brasileiras deste ano, nada melhor que outra foto de Psittacídeo.

Aleucophtalmus.jpgApesar de muitíssimo mais comum que a raríssima arara-azul-de-lear (Anadorhynchus leari) ganhadora do concurso deste ano, o periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalma), também popularmente conhecido como maritaca, pode ser facilmente observado nas áreas urbanas de muitas cidades brasileiras. Não obstante, a ubiquidade está longe de diminuir sua beleza, especialmente quando ilumidado por uma providencial luz de fim de tarde.

Resultados do 3¬į Concurso Avistar – Ita√ļ BBA de Fotografia “Aves Brasileiras”

Acabam de ser divulgados os ganhadores do 3¬į Concurso Avistar – Ita√ļ BBA de Fotografia – “Aves Brasileiras”. A bel√≠ssima foto abaixo,”Bal√© das Araras”, de autoria do amigo Ciro Albano, foi a grande ganhadora na categoria “Melhor Foto”. O restante das fotos premiadas podem ser conferidas no site do evento que este ano contou com mais de 6500 concorrentes. O Caapora aproveita ensejo para parabenizar Guto Carvalho, idealizador do concurso e do “Avistar – Encontro Brasileiro de Observa√ß√£o de Aves”, pelo indispens√°vel trabalha que vem realizando em prol da populariza√ß√£o da observa√ß√£o de aves no Brasil.

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Foto da Semana (o retorno) – Atob√°-pardo (Sula leucogaster)

tchhhhhhh c√Ęmbio, algu√©m na escuta…
Depois de um per√≠odo um tanto quanto lac√īnico o Caapora vai aos poucos voltando a ativa.
Para celebrar o retorno e colocar um pouco mais de cores no hábitat novo do Caapora aqui no Scienceblogs Brasil nada melhor que reinaugurar a série fotos da semana.
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As duas aves acima s√£o atob√°s-pardos (Sula leucogaster), foram clicadas na Praia Grande em Arraial do Cabo – RJ. Sempre achei “atob√°-pardo” um nome injusto para um bicho t√£o bonito, mas v√° l√°, existem injusti√ßas nomenclaturais bem maiores, falarei um pouco mais sobre isso em uma pr√≥xima postagem. Voltando ao atob√°s… os Sulidae s√£o aves interessant√≠ssimas, seu principal alimento s√£o peixes, os quais s√£o pescados atrav√©s de mergulhos kamikazes (assista esse v√≠deo no you tube para entende melhor). Por conta de sua maneira √ļnica de obter alimento estas aves possuem diversas adapta√ß√Ķes not√°veis, sendo a falta de narinas uma das mais incr√≠veis. Prometo dedicar uma postagem futura exclusiva a esses interessantes b√≠pedes emplumados.

Pinguins ao mar!!

Todos os anos, milhares de pinguins-de-magalh√£es (Spheniscus magellanicus) migram para costa brasileira entre os meses de maio a setembro. Em sua grande maioria, s√£o jovens que¬† chegam √† procura de alimenta√ß√£o farta ap√≥s abandonarem suas col√īnias reprodutivas na costa patag√īnica argentina.

Geralmente, o ponto mais ao norte atingido por estas aves durante sua migra√ß√£o √© a costa norte do Estado do Rio de Janeiro. Este ano, no entanto, eles acabaram indo um pouco mais longe e foram registrados at√© na costa Sergipana. A culpa desta “perda de rumo” √© do fen√īmeno clim√°tico La Nin√£ que, entre outras coisas, causa um aumento da for√ßa da corrente fria das Malvinas que acaba chegando at√© a costa nordeste do Brasil e arrastando consigo os ping√ľins.

Grande parte dos ping√ľins que passam f√©rias na costa brasileira faz o caminho de volta at√© as col√īnias reprodutivas na Argentina dando continuidade ao ciclo de vida da esp√©cie. No entanto, para muitos deles a migra√ß√£o acaba funcionando como um processo de sele√ß√£o natural e exaustos com a longa viagem acabam indo parar nas praias onde chegam j√° mortos ou muito debilitados.

A convite do bi√≥logo da secretaria de meio ambiente do munic√≠pio de Maca√©, Alexandre Bezerra, auxiliei na reintrodu√ß√£o de seis pinguins na √ļltima ter√ßa-feira. Cada um dos integrantes deste simp√°tico sexteto foi recolhido nas praias de Maca√© nos dois √ļltimos meses e s√£o apenas alguns dos muitos indiv√≠duos que ap√≥s reabilitados acabaram ganhando uma segunda chance de sobreviv√™ncia.

Espero n√£o chegar l√°…

Assista o v√≠deo abaixo e descubra o que acontece quando um ornit√≥logo esquece de tomar seu gardenal. Espero n√£o chegar l√° um dia…

31 de Outubro, Dia do Saci, do Caapora e do Mapinguari!

Esque√ßa o Dia das Bruxas, 31 de Outubro √© o Dia do Saci. Em se tratando de um blog que recebeu a alcunha de uma criatura com rela√ß√Ķes de parentesco pr√≥ximas ao Saci, o Caapora n√£o poderia deixar essa data passar em branco. No entanto, deixemos o anfitri√£o da festa e o padrinho do blog um pouco de lado, e vamos comemorar a data falando um pouco sobre outro personagem do folclore brasileiro e √≠cone da¬† criptozoologia amaz√īnica, o Mapinguari.

Personagem do rico folclore amaz√īnico, o Mapinguari √© descrito como um animal detentor de garras enormes sendo completamente coberto por uma vasta pelagem castanho avermelhada que¬† esconde a pele cori√°cea semelhante a de um jacar√©. Geralmente, se locomove sobre quatro patas, mas eventualmente assume uma postura b√≠pede, podendo ent√£o passar dos dois metros de altura. Ainda segundo a lenda, o Mapinguari exala um cheiro muito forte e extremamente desagrad√°vel que deixa as pessoas desorientadas, e tamb√©m √© capaz de emitir um grito ensurdecedor que pode ser escutado a quil√īmetros de dist√Ęncia.

Em outras vers√Ķes da lenda, a criatura assume uma imagem bem mais assustadora¬† e √© descrita como¬† decaptadora e devoradora de homens, tendo os p√©s virados para tr√°s, apenas um olho e uma boca¬† descomunal que iria at√© a barriga. Alguns contam que o Mapinguari √© um velho paj√© que descobriu o segredo da imortalidade e foi amaldi√ßoado, condenado a viver para sempre como uma besta peluda e fedorenta vagando pela floresta.

Réplica do lendário Mapinguari exposta em Rio Branco, Acre.

Réplica do lendário Mapinguari exposta em Rio Branco, Acre.

S√£o in√ļmeros os relatos de pessoas que juram de p√© junto j√° terem ficado cara a cara com um Mapinguari. As hist√≥rias se repetem nos lugares mais long√≠nquos e isolados da Amaz√īnia, √≠ndios, seringueiros e ca√ßadores dos confins do Acre, Amap√°, Par√° e Amazonas afirmam j√° terem visto o que alguns acreditaram ser o pr√≥prio “coisa ruim”, outros afirmaram at√© j√° terem matado o bicho, mas foram impossibilitados de se aproximar por conta do cheiro f√©tido exalado pela besta.

Desde 1977, quando iniciou suas pesquisas com aves amaz√īnicas, o ornit√≥logo estadunidense David Oren, atualmente pesquisador do Museu Paraense Em√≠lio Goeldi, sempre ouviu hist√≥rias sobre o Mapinguari contadas pelos moradores locais durante seus trabalhos de campo em regi√Ķes remotas da Amaz√īnia, mas mantinha-se c√©tico sobre o assunto. No entanto, em 1988 , Oren ouviu um relato de um encontro com um Mapinguari na regi√£o norte do Tocantins que o fez duvidar que seu interlocutor estivesse mentindo. Este relato fez ele racionalizar os fatos e pensar um pouco se aquilo poderia mesmo ser verdade e caso fosse, qual seria esse animal t√£o bizarro capaz de dar origem a lenda? A resposta que lhe veio a cabe√ßa foi surpreendente, uma pregui√ßa terrestre gigante da fam√≠lia Megalonychidae!

Atualmente, os bichos-pregui√ßas se resumem a apenas cerca de seis esp√©cies viventes, mas h√° cerca de 20 mil anos atr√°s o grupo das pregui√ßas era muito mais diversificado, ocorrendo por quase todo continente americano e era representado por v√°rias esp√©cies de pregui√ßas terrestres, muitas delas gigantescas, como Megatherium, que podiam atingir o tamanho de um elefante! De acordo com o registro f√≥ssil, as pregui√ßas terrestres estariam extintas h√° alguns milhares de anos, os f√≥sseis mais recentes datam de aproximadamente 10.000 anos atr√°s. Segundo David Oren, no entanto, os numerosos relatos de encontros de pessoas com Mapinguari podem corresponder na verdade a¬† encontros com pregui√ßas terrestres que ainda hoje habitam a regi√£o amaz√īnica.

Megatherium americanum, uma das maiores preguiças terrestres que já existiram.

Megatherium americanum, uma das maiores preguiças terrestres que já existiram.

A convic√ß√£o do pesquisador era t√£o grande que a partir de 1988 ele organizou v√°rias expedi√ß√Ķes por quase toda a Amaz√īnia, algumas at√© apoiadas por institui√ß√Ķes como a National Geographic, com o intuito de provar a exist√™ncia do Mapinguari e contabilizou o relato de mais de cem pessoas que alegam t√™-lo visto, escutado ou at√© matado. At√© agora, nenhuma das expedi√ß√Ķes de Oren conseguiu localizar evid√™ncias concretas que comprovam a exist√™ncia desta criatura lend√°ria, e ao menos por enquanto, o Mapinguari sobrevive apenas no imagin√°rio dos povos amaz√īnicos. Mas, quem sabe n√£o se¬† esconde em alguma regi√£o¬† inating√≠vel da Amaz√īnia uma das maiores, sen√£o a maior, descoberta zool√≥gica de todos os tempos.

Wildlife Photographer of the Year 2008

"Snowstorm Leopard", foto ganhadora do Wildlife Photographer of the Year 2008.

"Snowstorm Leopard", foto ganhadora do Wildlife Photographer of the Year 2008.

Foram anunciados hoje os ganhadores do Wildlife Photographer of the Year 2008, uma das maiores competi√ß√Ķes de fotografia de vida selvagem do mundo. O concurso, que √© promovido pelo Museu Ingl√™s de Hist√≥ria Natural e a BBC Wildlife Magazine, contou este ano com um n√ļmero recorde de participantes, foram 32350 inscritos de mais de 82 pa√≠ses!!!

O grande ganhador desse ano foi o fot√≥grafo americano Steven Winter que conseguiu flagrar um rar√≠ssimo leopardo-das-neves, Panthera uncia, no meio de uma nevasca (foto acima). Para conquistar esta surpreendente fa√ßanha, Winter passou dez meses rastreando os leopardos em montanhas remotas na fronteira entre a √ćndia e o Paquist√£o e contou com a ajuda de suas 14 c√Ęmeras movidas a controle remoto e estrategicamente posicionadas nas trilhas dos leopardos sob condi√ß√Ķes de temperatura t√£o g√©lidas quanto 40 negativos.

Entre os demais premiados, cabe destacar tamb√©m o fot√≥grafo brasileiro Adriano Ebenriter que recebeu men√ß√£o honrosa na categoria “Animal Portraits” com uma bel√≠ssima foto de uma coruja-buraqueira, Athene cunicularia, observando vigilante do alto de uma duna em Florian√≥polis.

As fotos premiadas estar√£o em exposi√ß√£o a partir de amanh√£ no Museu Ingl√™s de Hist√≥ria Natural. Mas, se voc√™ √© como eu e est√° sem grana at√© para ir ao centro da cidade tem medo de avi√£o, n√£o¬† precisa ficar na curiosidade, as fotos tamb√©m podem ser admiradas no saite oficial do concurso, mas cuidado para n√£o ficar de boca aberta e babar no teclado! Aproveite e ajude eleger a foto preferida do p√ļblico.

Est√° olhando o que? Vai encarar?

N√£o √© s√≥ no Animal Planet, Discovery Channel e National Geographic que as pessoas encontram serpentes em casa e ligam para algum Super Bi√≥logo ou¬† Super Veterin√°rio resgat√°-las. A “pequenina” jib√≥ia,¬† Boa constrictor, com quase 2,5 metros, das fotos acima foi resgatada em uma oficina mec√Ęnica na periferia da cidade pela equipe do Setor de Animais Pe√ßonhentos e Sinantr√≥picos do Centro de Controle de Zoonozes de Campos dos Goytacazes – RJ. Depois de resgatada a serpente foi libertada em uma √°rea de restinga conservada distante da civiliza√ß√£o.

O Caapora aproveita o ensejo para parabenizar os profissionais do Setor de Animais Pe√ßonhentos e Sinantr√≥picos pelo excelente trabalho da equipe, que nos √ļltimos meses vem resultando no resgate e reintrodu√ß√£o no ambiente natural de diversas serpentes que vez ou outra v√£o buscar abrigo em lugares n√£o muito convencionais.

Vale lembrar que a maior parte das serpentes, como a jibóia das fotos, são inofensivas ao ser humano pois não são venenonas. E que, venenosas ou não, as serpentes desempenham um papel importantíssimo na natureza e são predadores indispensáveis em diversos ecossistemas.

Foto da semana: “Sexo selvagem a beira mar”

Depois de um dia inteiro de trabalho monitorando aves marinhas nas praias de Quissam√£ – RJ, eu me preparava para entrar no carro e me refugiar do sol escaldante quando vi de relance um inseto pequeno, um tanto quanto esquisito, passar correndo do lado do meu p√©. O bicho parou em um pequeno monte de conchas a uns dois metros de mim e desapareceu da minha vista. Curioso, dei dois passos para frente e l√° se foi o bicho correndo de novo, me aproximei com mais cautela e tive a felicidade de descobrir que o tal “inseto esquisito” era, na verdade, um casal de besouros-tigre (Fam√≠lia Carabidae, Subfam√≠lia Cicindelinae) acasalando a beira mar.

Máquina em punho, fui cuidadosamente me aproximando, já estava com o dedo no disparador quando o casal de besouros apaixonados partiu em correria de novo, tentei me aproximar mais algumas vezes, mas os besouros pareciam ser bastante tímidos e não quereriam ter a sua intimidade registrada. Foi quando um dos meus amigos se aproximou para ver o que eu estava fazendo ajoelhado na areia, os besouros partiram em correria de novo, só que desta vez pararam bem do lado do meu joelho. Virei meu corpo com todo cuidado do mundo, me aproximei mais um pouco, prendi a respiração, estiquei o pescoço e CLICK!

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