Novas reflex√Ķes sobre o caso da ex-invis√≠vel e atual fedida Lagoa da Turfeira.

por Luciano Moreira Lima

NOTA IMPORTANTE: para quem está acompanhando o caso a partir de agora é bom ler o texto anterior também publicado aqui no Caapora (scienceblogs.com.br/caapora) para se situar melhor. 

Sexta-feira est√° a√≠, √© hora de recapitular os fatos…

Brejos, p√Ęntanos, manguezais e ecossistemas correlatos sempre foram alvo de um certo preconceito por parte da popula√ß√£o geral. Al√©m do Shrek, que -embora simp√°tico- n√£o deixa de ser um ogro, outras coisas n√£o muito desej√°veis s√£o comumente associadas √†s √°rea √ļmidas, mesmo que injustamente. A mal√°ria, por exemplo, tem origem no express√£o “mal are”, pois se acreditava que s√≥ do sujeito respirar o “mal ar” dos brejos era tiro e queda pra tombar na cama.

Ogros pantanosos, doen√ßas olfativas e outras injusti√ßas cometidas contra as √°reas √ļmidas √† parte, √© dif√≠cil deixar de lado uma caracter√≠stica¬†que faz com que certas pessoas “tor√ßam o nariz” para esses ecossistemas, e que acomete principalmente os manguezais, um caracter√≠stico cheirinho de enxofre. Quem j√° desbravou √°reas de mangue sabe bem do que eu estou falando. √Č s√≥ afundar um pouco na lama que logo sobe aquele cheirinho mais forte. N√£o adianta olhar com cara feia para o amigo que vai caminhando na frente, a real causa cheiro √© a decomposi√ß√£o intensa de mat√©ria org√Ęnica por uma mir√≠ade de bact√©rias que durante o processo acabam liberando enxofre.

Da Ilha de Maraj√≥, no PA, √† regi√£o de Guaraque√ßaba, no PR, j√° percorri muitas √°reas √ļmidas no encal√ßo da passarada, mas nem os manguezais dos fundos da Ba√≠a de Guanabara superam o “mal are” que est√° exalando das √°reas √ļmidas aterradas nas imedia√ß√Ķes da Lagoa da Turfeira. Dessa vez, no entanto, a culpa n√£o √© das bact√©rias, o mau cheiro √© “daquilo mesmo que voc√™s est√£o pensando” que fizeram ali. Cheguei √† conclus√£o que o “mal ar” ¬†est√° t√£o forte que tem levado a uma desbaratiniza√ß√£o completa de algumas pessoas que visitaram a √°rea a ponto destas afirmarem veementemente que havia sim sido detectado uma redu√ß√£o do espelho d’√°gua e depois tentarem justificar o injustific√°vel argumentando coisas do tipo: ¬†“n√£o n√£o, n√£o matamos ningu√©m s√≥ amputamos um bra√ßo e uma perna, mas agora vamos monitorar o estado do paciente, vai morrer n√£o, pode ficar tranquilo”.

Oooooh catinga!!!

N√£o vou entrar em detalhes sobre o disse-me-disse, mas muito tem se falado e algumas perguntas importantes ainda n√£o foram respondidas:

Afinal, há ou não há um estudo de impacto ambiental sobre a malfadada obra? Se há, cadê?

Se não há, por que não há? Só estão dispensadas de apresentarem tal relatório empreendimentos considerados de baixo impacto, o que nos leva a outra pergunta importante: obras às margens de uma lagoa de quase 70 hectares são de baixo impacto?

Uma outra questão básica pode ser levantada aqui: se não houve estudo de impacto ambiental, não houve uma caracterização da lagoa, se não houve caracterização da lagoa como se sabe o nível que ela atinge durante a época da cheia. Sem saber isso, como estipular então onde começa o limite de proximidade a que a obra pode chegar (sendo ela 0,1 ou 1000 metros)? Essa fedeu muito, não?

Tem também a questão da licença de instalação, mas primeiro vamos esperar a resposta a essas perguntas mais básicas.

Desde a minha ida na lagoa na fat√≠dica tarde do √ļltimo s√°bado (21/04) fiquei imaginando que uma foto a√©rea atual seria perfeita para demonstrar o estrago. E n√£o √© que ontem a foto apareceu? Aproveito para agradecer ao Celso Dutra que gentilmente postou a imagem no meu FaceBook, e tamb√©m ao Andr√© Pol que produziu o esquema abaixo mostrando que de fato houve sim o aterro de √°reas alagas, pelo menos 5, tamb√©m de acordo com o Andr√©. Na foto √© poss√≠vel ver ainda o qu√£o colado na lagoa est√° o empreendimento, pelo visto as capivaras v√£o ter que se adaptar e passar a pastar as algas do fundo do espelho d’√°gua.

Vista aérea do estrago. Repare nos diversos espelhos d'água aterrados pela obra e na proximidade com a lagoa, especialmente no canto superior direito da obra. Foto gentimente encaminhada por Celso Dutra.

Detalhe da foto a√©rea mostrando o aterramento de diversas √°reas √ļmidas junto a Lagoa da Turfeira. Esquema gentilmente encaminhado por Andr√© Poll.

Detalhe da foto a√©rea mostrando o aterramento de diversas √°reas √ļmidas junto a Lagoa da Turfeira. Esquema gentilmente encaminhado por Andr√© Poll.

A √ļnica d√ļvida que faz tempo j√° deixou de existir √© sobre a import√Ęncia conservacionista da Lagoa da Turfeira e √°reas √ļmidas adjacentes, fato apontado diversas vezes at√© mesmo por aqueles que querem destruir a √°rea. Paradoxal n√£o? Fica mais uma pergunta: se j√° estava todo mundo careca de saber que a √°rea √© importante, por que n√£o criaram a reserva antes? Mas tudo bem, pensemos no “antes tarde do que nunca”. J√° que a reserva ser√° criada, que tal ser tranformada em uma op√ß√£o de lazer, com visita√ß√£o controlada, que vai completamente ao encontro da voca√ß√£o ambiental do munic√≠pio de Resende?

Abaixo seguem duas fotos para servirem como exemplo de parques em √°reas √ļmidas que al√©m de conservarem a biodiversidade, promovem a eduac√£o ambiental e geram recursos. Qualquer um que admire a natureza e tenha tido a chance de passear um pouco fora do pa√≠s sabe que mundo afora, especialmente em paises como o Jap√£o da Nissan, existem in√ļmeras reservas como essas da foto, grande parte delas inclusive como uma diversidade de aves muito MENOR que a da Lagoa da Turfeira.

Uma das muitas reservas mundo afora que unem conservação, educação ambiental e geração de recursos. Será que em um ano conseguimos ver a Lagoa da Turfeira assim?

Uma das muitas reservas mundo afora que unem conservação, educação ambiental e geração de recursos. Será que em um ano conseguimos ver a Lagoa da Turfeira assim?

Uma das muitas reservas mundo afora que unem conservação, educação ambiental e geração de recursos. Será que em um ano conseguimos ver a Lagoa da Turfeira assim?

Falando em Nissan e Jap√£o, o famoso jornalista Ricardo Boechat (que literalmente mandou a prefeitura de Resende pra PQP – duvida?! eu tamb√©m duvidei… ou√ßa aqui) fez mais uma excelente e mal cheirosa pergunta: Ser√° que o governo japon√™s autorizaria a constru√ß√£o de uma f√°brica da Nissan em um local equivalente √† nossa Lagoa da Turfeira? Ser√°? Ser√°? N√£o precisa assistir Globo Rep√≥rter e ouvir o S√©rgio Chapellin falando “depois do intervalo, os segredos da longevidade dos japoneses” para saber que a resposta para a pergunta do Boechat. Afinal n√£o √© √† toa que no Jap√£o se vive mais, se sabe mais e trapalhadas pol√≠ticas s√£o motivo de como√ß√£o nacional, e isso tudo passa claramente pela rela√ß√£o do povo japon√™s com a natureza.

Fica ent√£o a pergunta final endere√ßada para a Nissan e seu presidente no Brasil Sr. Carlos Goshn: com tanta √°rea de pasto abandonada Resende afora voc√™s v√£o mesmo querer construir a f√°brica em um local que a coloca como uma s√©ria amea√ßa a √ļltima grande √°rea √ļmida remanescente da regi√£o Sul Fluminense? Pois se for o caso e essa importante empresa multinacional n√£o der a m√≠nima para um termo t√£o em moda quanto responsabilidade s√≥cio-ambiental, √© bom voc√™s irem se acostumando com o cheiro, porque com certeza, vez ou outra o neg√≥cio vai feder.

Depois da vergonha do Código Florestal, mais uma vez a sanidade ambiental do governo brasileiro está sendo colocada à prova. Agora é esperar e ver o que o que o laudo oriundo da visita do INEA irá concluir.

Aproveito para agradecer em meu nome e em nome da Lagoa da Turfeira e sua biodiversidade a todos que de alguma forma est√£o acompanhando, compartilhando, e lutando, especialmente o vereador Dr. Gl√°ucio Julianelli e a jornalista Ana L√ļcia Corr√™a de Souza que assumiram posi√ß√Ķes no pelot√£o de frente.

 

A invis√≠vel Lagoa da Turfeira, uma trag√©dia ambiental anunciada…

por Luciano Moreira Lima

Uma das √ļltimas grandes √°reas √ļmidas da regi√£o sul fluminense corre s√©rio risco de desaparecer ¬†

Das milhares de pessoas que diariamente passam pelo km 299 da Rod. Presidente Dutra (BR 116), poucas devem notar que contornada a oeste por uma abrupta curva do rio Para√≠ba do Sul est√° uma das √ļltimas grandes √°reas √ļmidas naturais da regi√£o sul fluminense, a Lagoa da Turfeira (tamb√©m conhecida como Lagoa da Kodak devido a proximidade com uma antiga f√°brica da referida empresa). Essa situa√ß√£o, no entanto, causa pouco espanto j√° que a grande lagoa parece n√£o ser invis√≠vel apenas para os motoristas concentrados na estrada. N√£o adianta procurar pelos seus cerca de 700.000 metros2 em um detalhado mapa hidrogr√°fico do munic√≠pio de Resende produzido em parceria com a prefeitura municipal –dispon√≠vel aqui ‚Äď. Voc√™ n√£o ver√° a indica√ß√£o de nem um pingo d‚Äô√°gua em seu local. Fato no m√≠nimo inusitado, uma vez que lagoas at√© 10 vezes menores s√£o corretamente indicadas no mapa e se dos dermos conta que a Lagoa da Turfeira pode ser claramente observada a mais de 10.000 metros de altitude via Google Earth.

Vista panor√Ęmica da Lagoa da Turfeira onde √© poss√≠vel ver o Rio Para√≠ba do Sul a direita. Resende, RJ. Fonte: GoogleEarth

Se uma √°rea equivalente a mais de 70 campos de futebol pode passar desapercebida, imagine aqueles que a habitam, como o diminuto tricolino (Pseudocolopteryx sclateri) de topete invocado e m√≠seros 9,5 cms. N√£o bastasse o tamanho, esse bonito passarinho vive apenas no meio de densas moitas de taboa (Typha domingensis), uma das plantas mais caracter√≠sticas de √°reas alagadas no Brasil. ¬†Ornit√≥logos e observadores de aves sabem que para poder observ√°-lo n√£o basta apenas vontade √© preciso se embrenhar-se no taboal, muitas vezes afundar com √°gua acima do joelho e ficar de ouvidos atentos ao seu discret√≠ssimo canto ‚Äď ou√ßa aqui – .

O pequeno e simpático tricolino (Pseudocolopteryx sclateri). Foto: Bruno Rennó.

Mais de 11 anos de visitas regulares a Lagoa da Turfeira e seu entorno imediato realizadas em parceria com o amigo e tamb√©m ornit√≥logo Bruno Renn√≥, resultaram no registro n√£o apenas do discreto tricolino mas tamb√©m de pelo menos outras 169 esp√©cies de aves silvestres no local. Nesse total, que representa cerca de 20% das aves do Estado do Rio de Janeiro, est√£o inclu√≠das esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o em √Ęmbito estadual e diversas aves migrat√≥rias paras quais a lagoa representa um importante ref√ļgio.

Os resultados desse estudo ‚Äď parcialmente apresentados no XVI Congresso Brasileiro de Ornitologia – tornaram evidente a import√Ęncia da Lagoa da Turfeira para conserva√ß√£o da biodiversidade fluminense e auxiliaram na sensibiliza√ß√£o do poder p√ļblico municipal para que algo fosse feito em prol da sua preserva√ß√£o . Dessa forma, em 2010 a Ag√™ncia do Meio Ambiente do Munic√≠pio de Resende elaborou o documento ‚ÄúEstudo T√©cnico Preliminar para Constitui√ß√£o de √Ārea Protegida no Banhado da Kodak‚ÄĚ, e entre as principais conclus√Ķes estavam:

“A criação e implantação de unidade de conservação no Banhado da Kodak alinha-se aos compromissos internacionais do Brasil de proteger o ambiente, conforme metas estabelecidas pela ONU, em se tratando do Ano Internacional da Biodiversidade.

A criação e implantação da unidade acarretará ainda um aumento do ICMS do município, conforme prevê a Lei no 5.100 de 04 de outubro de 2007 e o Decreto no 41.101 de 27 de dezembro de 2007.

Constata-se, portanto, que a unidade trar√° grandes benef√≠cios para o munic√≠pio [‚Ķ]‚ÄĚ

Dois anos se passaram ap√≥s finaliza√ß√£o desse documento e aos poucos a Lagoa foi novamente caindo no esquecimento dos √≥rg√£o governamentais, at√© a semana passada. Na √ļltima quinta-feira (19/04), alertado por amigos, descobri que a prefeitura Municipal de Resende ¬†havia orgulhosamente publicado uma imagem da Lagoa invis√≠vel em sua p√°gina do Facebook acompanhada de alguns par√°grafos de not√≠cia. No entanto, ao inv√©s do t√≠tulo fazer qualquer men√ß√£o a alguma a√ß√£o visando a conserva√ß√£o da √°rea l√° estava: ‚ÄúAs obras da Nissan‚ÄĚ. Meio sem rumo e sem querer acreditar no que eu havia lido me dei conta que n√£o apenas n√£o seria feito nada para conservar a Lagoa como tamb√©m estava sendo orgulhosamente anunciada o que poderia se tornar em uma das maiores trag√©dias ambientais recentes da regi√£o sul fluminense. Esperei o final de semana chegar e fui para casa em Resende ver com meus pr√≥prios olhos a situa√ß√£o da √°rea.

Lagoa da Turfeira na p√°gina do FaceBook da Prefeitura Municipal de Resende.

Era por volta de 14:00 do √ļltimo s√°bado (21/04). Da Dutra j√° era poss√≠vel ver uma gigantesca √°rea de terra exposta meio enevoada pela poeira levantada pelo ir e vir constante de uma verdadeira frota de m√°quinas escavadeiras e caminh√Ķes. Segui pela estrada de ch√£o paralela a lagoa e encarado pelo olhar apreensivo das pessoas que l√° trabalhavam fui desviando das escavadeira e caminh√Ķes. O barulho constante dos motores e a poeira contribu√≠am deixando o cen√°rio de destrui√ß√£o ainda mais desolado e logo me dei conta que eu n√£o era o √ļnico perdido por ali, uma gar√ßa-branca-grande (Ardea alba) e duas gar√ßas-brancas-pequenas (Egretta thula) voavam sem rumo entre duas po√ßas j√° lamacentas sendo¬† repetidamente espantadas pelas m√°quinas.

Procurei em v√£o pela √°rea onde em 2001 havia feito o primeiro registro documentado da triste-pia (Dolichonyx oryzivorus) no Estado do Rio de Janeiro ‚Äď veja a publica√ß√£o cient√≠fica aqui – e onde tamb√©m observ√°vamos com frequ√™ncia o amea√ßado coleiro-do-brejo (Sporophila collaris). Tarde demais, a passarada havia simplesmente virado terra nua. Um pouco mais para frente em uma √°rea que ainda mantinha um pouco de vegeta√ß√£o uma concentra√ß√£o impressionante de aves, onde chamava aten√ß√£o o colorido dos chopim-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro) e da pol√≠cia-inglesa-do-sul (Leistes superciliaris), lembravam refugiados aglomerando-se as centenas e fugindo de um verdadeiro massacre.

Coleiro-do-brejo (Sporophila collaris) fotografado na Lagoa da Turfeira. Foto: Ciro Albano.

Polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris), fotografado na Lagoa da Turfeira. Foto: Luiz Ribenboim

Um pouco mais pra frente na estrada dirigi at√© o alto de uma colina e de l√° pude avaliar melhor o estrago. A extens√£o da √°rea aterrada era impressionante¬† e embora at√© aquele momento tenha sido poupado o espelho d‚Äô√°gua principal diversas √°reas √ļmidas existentes ao seu redor foram completamente aterradas. De l√° tamb√©m pude rever tamb√©m algo que sempre me causou especial press√°gio. Um antigo canal localizado no canto nordeste ligando-a ao Rio Para√≠ba do Sul, embora hoje esteja parcialmente assoreado j√° funcionou como sangradouro de suas √°guas podendo novamente ser utilizado para extingu√≠-la. No caminho de volta, entrei por uma estrada que acabava de ser aberta e estranhamente terminava no espelho d‚Äô √°gua, fiquei ainda mais apreensivo me perguntando a fun√ß√£o daquele caminho.

Cenário de destruição junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Lima

Cenário de destruição junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Moreira Lima

Cenário de destruição junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Moreira Lima

Por conta do mestrado sou obrigado a morar em São Paulo e aos poucos vou me acostumando com os engarrafamentos, poluição e violência urbana. Por isso, nada contra a montadora de carros, tampouco contra o dito progresso que prevê que a população de Resende aumente cerca de 50.000 pessoas nos próximos 5 anos. Mas, vale lembrar que lagoas são caracterizadas como áreas de preservação permanente, por isso são áreas intocáveis.

Al√©m disso, certamente deve ter sido produzido um estudo de impacto ambiental para uma obra dessa magnitude, o qual certamente tamb√©m deve ter identificado que qualquer atividade que afete a lagoa poder√° resultar em uma trag√©dia irrevers√≠vel para biodiversidade da regi√£o. Sendo assim, gostaria tamb√©m de ter tido a oportunidade de participar de alguma audi√™ncia p√ļblica onde o destino da Lagoa da Turfeira pudesse ser seriamente debatido.

Embora seu entorno j√° tenha sido bastante impactado ainda h√° tempo de salvar o que restou da √ļltima grande √°rea √ļmida natural da regi√£o meridional do vale do Rio Para√≠ba do Sul. A implementa√ß√£o de uma unidade de conserva√ß√£o no local, em √Ęmbito municipal ou estadual, seria n√£o apenas uma forma de garantir a exist√™ncia a longo prazo da Lagoa da Turfeira e sua rica biodiversidade, mas tamb√©m a oportunidade de cria√ß√£o de um espa√ßo onde atrav√©s de trilhas interpretativas e um centro de visita√ß√£o a popula√ß√£o resendense conquistasse uma nova op√ß√£o de lazer que vai totalmente de encontro a voca√ß√£o ambiental do munic√≠pio. Vale lembrar o grande potencial da √°rea para pr√°tica de uma das atividades ao ar livre que mais crescem no pa√≠s a observa√ß√£o de aves. N√£o por acaso, a Lagoa da Turfeira ocupa tr√™s p√°ginas do livro ‚ÄúA Birdwatching guide to South-East Brazil‚ÄĚ, o qual traz informa√ß√Ķes detalhadas sobre alguns dos principais locais para observa√ß√£o de aves no sudeste do pa√≠s. Sem contar nas in√ļmeras fotos clicadas no local e dispon√≠veis no site WikiAves ‚Äď veja aqui ‚Äď e que demonstram que os ambientes da lagoa s√£o frequentemente procurados por observadores de aves.

Por volta das 16:30 o c√©u nublado evolui para uma chuva fraca que ajudou a esconder os olhos cheios. De fato a ignor√Ęncia √© o melhor caminho para felicidade. Minha tristeza maior n√£o era por ser testemunha ocular de tamanha agress√£o a natureza, mas principalmente por saber a import√Ęncia daquele lugar para a vida e conhecer pelo nome e sobrenome todos aqueles fadados a buscar em v√£o um novo lar. Voltei para casa desolado mas disposto a fazer todo o poss√≠vel para mostrar que as cores e os sons das milhares de vida que dependem da Lagoa da Turfeira fazem que ela seja considerada qualquer coisa, menos invis√≠vel. Cientes que a trag√©dia estava anunciada depende de n√≥s deixar ou n√£o que ela aconte√ßa.

Tinha um jo√£o-porca no meio do caminho…

por Luciano Moreira Lima

Poucos lugares podem ser tão produtivos para o ornitólogo ou observador de aves quanto pequenas estradas que se embrenham floresta a dentro, especialmente as abandonadas. Quando comparadas as estreitas e escuras trilhas, o chão geralmente mais limpo e o campo de visão expandido tornam o caminhar nesses locais mais silencioso e atento, em horários propícios a cada dez passos se topa com um ou outro ser emplumado.

Para aqueles com equipamento fotográfico a tiracolo a situação é ainda mais proveitosa. A luz, sempre escassa no sub-bosque sombrio da mata, é mais abundante próximo as bordas permitindo uma abertura mais fechada e um ISO mais baixo, resultando em imagens mais nítidas e com menos ruído, o que pode fazer toda diferença na hora de um bom click.

J√° era meio de tarde e a passarada meio quieta permitiu que algumas borboletas e lib√©lulas diminu√≠ssem meu passo em uma caminhada por uma estrada abandonada nas proximidades do centro de visitantes no Parque Nacional do Itatiaia. Depois de alguns clicks retomei o curso e alguns passos a frente l√° estava o amigo Bruno Renn√≥ com o olho atento pra dentro do mato. Dava dois passos para direita, dois para esquerda, botava o olho no visor da c√Ęmera e assim que me viu pelo canto do olho acenou para que eu me aproximasse em sil√™ncio.

Repare no sorriso. Odonata, Parque Nacional do Itatiaia - RJ, (c) Luciano Moreira Lima. Caso voc√™ saiba deixo nos coment√°rios sugest√Ķes sobre a identifica√ß√£o do g√™nero ou esp√©cie. Canon 300mm f/4 + extender 1.4x, ISO 600, f/9, 1/125, flash de preenchimento.

Lepidoptera, Parque Nacional do Itatiaia - RJ, (c) Luciano Moreira Lima. Sugest√Ķes sobre a identifica√ß√£o do g√™nero ou esp√©cie s√£o bem vindas, deixe nos coment√°rios. Canon 300mm f/4 + extender 1.4x, ISO 1600, f/8, 1/160, flash de preenchimento.

Repare nos olhos azuis estilo Ana Paula Arósio, clique na imagem para ver ampliada. Lepidoptera, Parque Nacional do Itatiaia - RJ, (c) Luciano Moreira Lima. Canon 300mm f/4 + extender 1.4x, ISO 800, f/9, 1/80, flash de preenchimento.

Perguntei curioso ainda a certa dist√Ęncia:

– Que t√™m a√≠ Bruno Carlos? –

Me respondeu com o olho grudado no visor da c√Ęmera enquanto mirava pra dentro da mata:

– Chega a√≠! T√™m um Lochmias “dando mole” –

Para aqueles que ainda n√£o foram apresentados, Lochmias nematura, √© o √ļnico representante do seu g√™nero e um parente n√£o muito distante do famoso jo√£o-de-barro, Furnarius rufus. No entanto, talvez pelo comportamento mais arredio, n√£o teve o merecido reconhecimento de seu primo, cujo nome popular faz alus√£o a incr√≠vel habilidade de construir ninhos de barro que mais parecem verdadeiras casas (algumas vezes at√© mesmo pr√©dios – veja no WikiAves – ) e acabou sendo batizado pelo povo de jo√£o-porca, um nome vulgar, no m√≠nimo vulgar.

A voz do povo é a voz de Deus, mas para aqueles indignados com um nome tão ultrajante segue a explicação extraída do livro sagrado dos ornitólogos tupiniquins, Ornitologia Brasileira, de Helmut Sick:

¬†“Habita as margens de c√≥rregos de densa vegeta√ß√£o, onde pula no solo ou vai de pedra em pedra entrando mesmo na √°gua rasa √† ca√ßa de insetos e larvas; √†s vezes apanha folhas inteiras ca√≠das na √°gua √† cata de presas, inspeciona a lama de chiqueiros e esgotos (da√≠ a s√©rie de nomes vernaculares pouco airosos de que √© objeto), vira folhas e torr√Ķes de terra com o bico.”¬†

Pessoalmente acho seu nome injusto, pois foram poucas as vezes que vi o joão-porca forrageando próximo a áreas mal cheirosas que lhe justificassem tal adjetivação. Ao contrário, a espécie pode quase sempre ser observada buscando animalejos entre as pedras de córregos limpíssimos que serpenteiam pela mata e onde sua voz Рouça no WikiAves Р geralmente se mistura ao chuá incessante de alguma cachoeira próxima.

Cachoeira na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia, h√°bitat do jo√£o-porca fotografado a pouco metros dali. (c) Luciano Moreira Lima. Canon 300mm f/4, ISO 800, f22, 0.6.

Nesse cen√°rio, Lochmias parece comporta-se como um equivalente ecol√≥gico das aves do g√™nero Cinclus, fam√≠lia Cinclidae, esp√©cies de p√°ssaros semi-aqu√°ticos que habitam rios em diversas regi√Ķes do mundo, mas que n√£o ocorrem no Brasil. No entanto, at√© onde se sabe, Lochmias n√£o √© capaz de mergulhar como fazem os Cinclus. Falar em Cinclus e Lochmias nos remete ao misterioso¬†Thamnophilus aquaticus, supostamente descoberto por J. T. Descourtilz e mencionado por Silva Maia (1851) em um par√°grafo sobre uma “Especie nova e curiosa de passaro brasileiro” – veja aqui -. Embora o g√™nero Thamnophilus perten√ßa a fam√≠lia Thamnophilidae, ou seja, diferente do Lochmias, n√£o vejo explica√ß√£o melhor para as observa√ß√Ķes de Descourtilz do que um jo√£o-porca que se atreveu explorar atr√°s da cortina d’√°gua de uma cachoeira ou situa√ß√£o parecida.

Mas voltemos a estrada abandonada no Itatiaia… Lochmias que se preze raramente “d√° mole” pra foto e nas poucas vezes que presenciei essa situa√ß√£o, n√£o durou mais que 30 segundos. Por isso apressei o passo ao ouvir a resposta do Bruno, mas me aproximei sem muita confian√ßa, pois duvidava que o p√°ssaro estivesse ainda ao alcance da minha lente. Dito e feito, s√≥ deu tempo de ver o bicho adentrar na brenha.

No entanto, um ou outro galho mais exposto no meio da ramaria me diziam que aquela podia ser uma chance muito boa de conseguir um registro fotogr√°fico do jo√£o-porca, objetivo que v√°rias vezes j√° havia perseguido sem conseguir sucesso. Ipod na m√£o, reproduzi baixo por poucos segundos seu chamado caracter√≠stico e quase imediatamente o p√°ssaro se aproximou pousando em um galho ca√≠do cuja uma das pontas era justamente um dos lugares que eu havia previsto que daria uma boa foto. Com olhar curioso foi ao poucos se movendo at√© chegar justamente na posi√ß√£o onde eu havia idealizado, enquanto isso o dedo permaneceu grudado no disparador da c√Ęmera.

Olhar curioso do joão-porca, Lochmias nematura, observando através da ramaria. Parque Nacional do Itatiaia - RJ. (c) Luciano Moreira Lima. Canon 7D, Canon 300mm f/4 + extender 1.4x, ISO 600, f/5.6, 1/60, flash de preenchimento.

Jo√£o-porca, Lochmias nematura, fazendo pose no "limpo". Parque Nacional do Itatiaia - RJ. (c) Luciano Moreira Lima. Canon 300mm f/4 + extender 1.4x, ISO 600, f/5.6, 1/60, flash de preenchimento.

As duas fotos acima foram as melhores da sequ√™ncia que eu consegui. No final, acho que a foto do jo√£o-porca com o olhar curioso entre os vultos da folhagem ilustra muito bem o comportamento t√≠mido da esp√©cie e por isso gostei mais dessa do que daquela em que o passarinho faz pose no lugar que eu havia ansiosamente desejado. Fotografia de natureza, especialmente de aves, pode ser um pouco frustrante √†s vezes, mas em outras o que voc√™ achava que estava bom pode fica ainda melhor…

Caapora, o retorno…

Hora de despertar! Flagrante de um bugio (Alouatta clamitans) tirando um cochilo no meio do dia no Jardim Bot√Ęnico de S√£o Paulo, que ali√°s e um excelente lugar encravado na selva de concreto para se fotografar vida selvagem. Foto: Luciano Moreira Lima

Ap√≥s um longo per√≠odo de hiberna√ß√£o o¬†Caapora¬†desperta. Os leitores antigos perceber√£o que as recentes mudan√ßas no visual do seu habitat natural aqui no Scienceblogs Brasil s√£o apenas uma das novidades dessa nova fase. Agora, al√©m deste que lhes escreve, Luciano Lima, fazem parte do ‚Äúcorpo editorial‚ÄĚ do¬†Caapora¬†os amigos e tamb√©m zo√≥logos Guilherme Garbino e Rafael Marcondes, os quais aproveito para agradecer por terem aceitado o convite para fazer parte desse projeto cujo √ļnico ressarcimento √© a oportunidade de aprender atrav√©s do compartilhamento de conhecimento.

O¬†Caapora¬†pretende continuar a fazer jus ao seu significado em tupi, ‚Äúaquele que vive no mato‚ÄĚ, levando seus leitores em jornadas pelas matas, cerrados, caatingas e brejos desse pa√≠s e cumprindo o seu papel s√≥cio-ambiental de divulgar informa√ß√Ķes sobre as camadas menos conhecidas da biodiversidade ofuscadas pela popular fauna carism√°tica. ¬†

Ao lado podem ser encontradas informa√ß√Ķes mais detalhadas sobre Rafael e Guilherme e sobre mim, j√° que minha vida deu um bom upgrade desde as √ļltimas palavras compartilhadas por aqui h√° mais de dois anos.¬†

Mais Megamouth: press release e fotos inéditas

Atendendo a pedidos, abaixo seguem fotos inéditas do Megachasma
pelagios
encontrado no litoral fluminense e um press release
(português/inglês) que pode ser usado como base para aqueles que
quiserem divulgar a descoberta em jornais, revistas e blogs. Vale
ressaltar que as fotos são da autoria de Bruno Rennó

Press release Português


Tubar√£o
raríssimo é encontrado na costa do Rio de Janeiro

Animal
com mais de 5 metros de comprimento é apenas o terceiro da sua
esp√©cie j√° registrado no Oceano Atl√Ęntico

Pesquisadores
da FIOCRUZ encontraram recentemente um raríssimo
tubar√£o-de-boca-grande (
Megachasma
pelagios
)
encalhado em uma praia do município de Arraial do Cabo, no Estado do
Rio de Janeiro. O animal encontrado tratava-se de um macho adulto com
cerca de 5,4 metros de comprimento e aproximadamente uma tonelada de
peso. O espécime em questão corresponde ao terceiro
tubar√£o-de-boca-grande j√° assinalado para o Oceano Atl√Ęntico, e
somente ao 43¬ļ representante da esp√©cie conhecido em todo o mundo.

Segundo
os biólogos Luciano Moreira Lima e Bruno Rennó, responsáveis pela
descoberta e pesquisadores do Projeto Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros
Marinhos da Bacia de Campos, “o tubar√£o-de-boca-grande √©
considerado um dos tubar√Ķes mais raros do mundo. Apesar de poder
atingir até 5,5 metros de comprimento e possuir uma aparência
inconfundível, com uma cabeça desproporcionalmente grande que lhe
confere a aparência de um girino gigantesco, a espécie foi
descoberta pela ci√™ncia apenas na d√©cada de 1980”. Ainda segundo
os biólogos, outra particularidade desta espécie é que apesar do
seu tamanho enorme ela é inofensiva, se alimentando exclusivamente
de pl√Ęncton o qual √© capturado de uma maneira √ļnica entre todos os
tubar√Ķes, mas bastante similar a forma com que algumas baleias obt√©m
seu alimento.

A
descoberta do tubar√£o-de-boca-grande nas areias fluminenses ocorreu
durante um dos monitoramentos regulares de praia conduzidos para o
estudo de aves, tartarugas marinhas, baleias e golfinhos no √Ęmbito
do Projeto Habitats – Heterogeneidade Ambiental da Bacia de Campos,
coordenado pelo CENPES/Petrobras. A necropsia do espécime, realizada
ainda na praia, revelou uma prov√°vel morte por causas naturais.

Para
Salvatore Siciliano, pesquisador da Escola Nacional de Sa√ļde
P√ļblica/FIOCRUZ e coordenador da equipe respons√°vel pela
descoberta, “este achado demonstra a import√Ęncia dos
monitoramentos regulares de praia para o estudo da fauna marinha e o
quanto ainda falta conhecermos sobre a biodiversidade da costa
brasileira”.

A
descoberta realizada no início de julho deste ano foi divulgada na
edição de setembro da revista Ciência Hoje
(http://www.ciencia.org.br) e um artigo científico contendo detalhes
do achado está em preparação. Fotos inéditas do
tubar√£o-de-boca-grande encontrado em Arraial do Cabo podem ser
vistas no blog de divulgação científica Caapora
(http://scienceblogs.com.br/caapora).


Para
maiores informa√ß√Ķes contatar

Luciano
Lima

calyptura[arroba]gmail.com

Projeto
Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros Marinhos da Bacia de Campos



English press release


Extremely
rare shark found

on the coast of Brazil

With
more than 5 meters, the specimen represents only the third of its
species ever found on the Atlantic Ocean.

Researches
from the
Fundação
Oswaldo Cruz in Rio de Janeiro, Brazil, recently found an extremely
rare Megamouth Shark washed ashore on the northern coast of Rio de
Janeiro state. The specimen is an adult male with more than 5 meters
and nearly 1 ton, and corresponds to the third record of
Megamouth
in the Atlantic Ocean and the 43
rd
for the whole world.

According
to Luciano Lima and Bruno Rennó, authors of the discovery and
researchers of the Project Marine Birds, Turtles and Mammals from the
Campos Basin, the
Megamouth
is considered one of the rarest sharks in the world. Despite its
large size, reaching up to 6 meters in total length and an
unmistakable appearance due to its enormous head resembling a
tadpole, the species was only described in the early 80’s.
Biologists say that another particularity of such species is its
gentle behaviour, much probably related to its feeding strategy,
preying upon tiny zooplankton, captured just like whales do.

The
discovery of such specimen on the coast of Brazil occurred during
regular monitoring surveys on beaches of central-north coast of Rio
de Janeiro State conducted for surveying marine birds, turtles and
mammals for the large Program Habitats – Environmental
Heterogeneity of Campos Basin, coordinated by CENPES/PETROBRAS. The
necropsy conducted on the beach revealed that the specimen had
probably died from natural causes.

According
to Salvatore Siciliano, researcher at Escola Nacional de Sa√ļde
P√ļblica/FIOCRUZ and coordinator of the research team involved in
such
finding, this “unique and spectacular creature clearly demonstrates
the importance of regular monitoring of stretches of coast and how
much we still need to know about the biodiversity of the Brazilian
coast”.

The
finding of such large specimen was first announced in the Brazilian
magazine for popularization of science Ciência Hoje
(http://www.ciencia.org.br) while the article is in preparation for a
specialized article. Unpublished pictures of the
Megamouth
shark form Arraial do Cabo can be seen in the science blog Caapora
(http://scienceblogs.com.br/caapora).


For
further information please contact

Luciano
Lima

calyptura[at]gmail.com

Project Marine Birds,
Turtles and Mammals of Campos Basin

mega2_caapora.JPG

mega5_caapora.JPGmega4_caapora.JPG

mega3_caapora.JPG

Tubarão raríssimo encontrado no litoral do Rio de Janeiro

Em julho deste ano Salvatore Siciliano, Bruno Renn√≥ e eu fizemos uma incr√≠vel e inesperada descoberta zool√≥gica. Encontramos um exemplar com mais de cinco metros de comprimento do rar√≠ssimo tubar√£o Megachasma pelagios (popularmente conhecido como tubar√£o-de-boca-grande, em portugu√™s, e Megamouth, em ingl√™s) encalhado nas areias de uma das praias que monitoramos regularmente na costa centro-norte do Estado do RIo de Janeiro para o estudo de aves, quel√īnio e mam√≠feros marinhos.

A decoberta foi primeiramente divulgada na edição de setembro da revista de divulgação científica Ciência Hoje, abaixo segue o texto do artigo na íntegra e duas fotos do tubarão.

BIOLOGIA MARINHA: Um dos mais raros tubar√Ķes do mundo √© encontrado na costa brasileira

Gigante dos mares em areias fluminenses

Em 9 de julho √ļltimo, um macho adulto de Megachasma pelagios – rar√≠ssimo tubar√£o descrito pela primeira vez nos anos 80 – foi encontrado encalhado e rec√©m-morto na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), pelo pesquisadores brasileiros que assinam esse artigo. O esp√©cime representa o 43¬ļ exemplar de M. pelagios conhecido no mundo e apenas o terceiro registrado no oceano Atl√Ęntico. Um animal jovem havia sido capturado na costa de S√£o Paulo em 1995 e outro achado no mesmo ano em Dakar, Senegal.

A descoberta foi feita durante um dos monitoramentos regulares de praia conduzidos pelo Projeto Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros Marinhos da Bacia de Campos, realizado pela Escola Nacional de Sa√ļde P√ļblica, da Fiocruz, dentro do Projeto Habitats – Heterogeneidade Ambiental da Bacia de Campos, coordenado pelo Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras.

Com 5,39 m de comprimento, o exemplar APARENTA ter morrido por causas naturais, uma vez que n√£o foram encontradas marcas que pudessem ser atribu√≠das √† captura em redes ou √† colis√£o com embarca√ß√£o a motor. A necropsia mostrou que o est√īmago do tubar√£o estava completamente vazio, o que pode indicar que ele n√£o vinha se alimentando h√° algum tempo.

Megachasma2_caapora.JPG

Figura 1: Exemplar de Megachasma pelagios encalhado na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), em julho de 2009. Foto Bruno Renn√≥ / Projeto Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros Marinhos da Bacia de Campos.

Uma descoberta ao acaso

O primeiro Megachasma pelagios foi descrito em 1983. A descoberta aconteceu totalmente ao acaso, envolvendo um exemplar que se prendeu acidentalmente em uma √Ęncora de um navio da marinha norte-americana ao largo de Oahu, Hava√≠, em 1976. Ao ser examinado por especialistas, revelou que n√£o se tratava apenas de uma nova esp√©cie, mas tamb√©m de um novo g√™nero e fam√≠lia de tubar√£o, mais tarde denominada Megachasmidae. Foi considerada uma das descobertas zool√≥gicas mais fant√°sticas do s√©culo 20, rivalizando at√© com o celacanto, conhecido como ‘f√≥ssIL vivo’.

O nome do g√™nero √© composto por um prefixo grego (mega = grande) e um sufixo latino (chasma = cavidade); pelagios vem do latim e significa ‘oce√Ęnico, do mar’. Considerado extremamente raro, cada registro do tamb√©m chamado tubar√£o-de-boca-grande √© documentado em detalhe e passa a integrar um cat√°logo internacional.

O Megachasma pelagios poder ser considerado um gigante dos mares, chegando a medir mais de 5,5 m de comprimento e passar de 1 tonelada, Megachasma pelagios tem uma apar√™ncia bizarra, o que o torna facilmente distingu√≠vel de qualquer outro tubar√£o. Como o seu nome bem diz, sua boca √© extremamente grande, coberta por mais de 50 fileiras de pequenios dentes pontiagudos e curvados para tr√°s, das quais apenas tr√™s s√£o funcionais. Al√©m disso, a nadadeira dorsal  elativamente pequena e a cauda com o lobo superior bastante alongado contribuem para dar um aspecto desproporcional ao animal, o que o torna facilmente distingu√≠vel de qualquer outro tubar√£o.

Diferente de qualquer outra esp√©cie de elasmobr√Ęnquio e curiosamente semelhante √†s grandes baleias, como a jubarte (Megaptera novaeangliae), a estrat√©gia de busca por alimento do tubar√£o-de-boca-grande envolve o engolfamento de zoopl√Ęncton. Ao se alimentar, o animal engolfa grande quantidade de √°gua na cavidade bucofaringeal enquanto nada ativamente com a boca aberta. Para suportar esse volume de √°gua e as presas nela contidas, a pele dos lados ventrais e laterais da boca, que √© muito el√°stica, √© distendida. Posteriormente, a boca se fecha, a √°gua √© expelida pelas guelras e o alimento, engolido. Dada a sua depend√™ncia por zoopl√Ęncton, o Megachasma pelagios realiza deslocamentos verticais di√°rios na coluna da √°gua acompanhando suas presas, podendo atingir at√© 180 m de profundidade.

Megachasma1_caapora.JPG

Figura 2: Detalhe da cabeça do exemplar de Megachasma pelagios encalhado na Praia Grande,
em Arraial do Cabo (RJ), mostrando a boca extremamente grande do animal. Foto Bruno Rennó / Projeto
Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros Marinhos da Bacia de Campos.

Entre os mais raros do mundo

Passados 25 anos de sua descoberta, o Megachasma pelagios √© ainda hoje considerado um dos tubar√Ķes mais raros do mundo. No total, somando-se os esp√©cimes capturados, encontrados encalhados em praias e observados no mar, eram conhecidos at√© o momento 42 registros da esp√©cie espalhados pelas zonas tropicais e subtropicais dos tr√™s oceanos. A maior parte dos esp√©cimes encontrados concentra-se no Pac√≠fico, seguido pelo √ćndico; no Atl√Ęntico, apenas dois exemplares haviam sido reportados.

Embora o ecossistema marinho corra s√©rio risco de entrar em colapso por conta da superexplora√ß√£o de seus recursos, nosso conhecimento sobre os oceanos ainda √© incipiente, fato nitidamente ilustrado por diversas descobertas fant√°sticas relacionadas √† vida marinha nas tr√™s √ļltimas d√©cadas. Entre esses achados, o tubar√£o-de-boca-grande pode ser apontado como um dos mais not√°veis e um exemplo vivo do nosso desconhecimento sobre a fauna marinha. Um artigo cient√≠fico sobre o animal dever√° ser apresentado em breve em uma revista especializada.

A descoberta de um novo M. pelagios na costa brasileira demonstra a import√Ęncia do monitoramento regular de trechos de costa e de estudos de caracteriza√ß√£o da biodiversidade marinha em longo prazo. Pesquisas dessa natureza podem ser apontadas como uma efetiva ferramenta para melhor compreender o desconhecido, mas criticamente amea√ßado, ecossistema marinho.

Luciano M. Lima, Bruno Rennó e Salvatore Siciliano

Projeto de Monitoramento de Aves, Quel√īnios e Mam√≠feros Marinhos da Bacia de Campos

Sobre mulheres, preguiças e o monstro do Panamá

A not√≠cia √© assustadora e ganhou destaque em v√°rios jornais essa semana…

“Segundo jornais panamenhos, quatro adolescentes entre 14 e 16 anos estavam em torno do lago, no s√°bado (12), quando viram uma criatura bizarra saindo de uma gruta. Assustados com sua apar√™ncia e com medo de serem atacados, os jovens atiraram pedras at√© mat√°-la e a jogaram na √°gua. A not√≠cia logo se espalhou pela cidade. Retirada do lago, a criatura foi apontada como um ET por moradores da regi√£o e pela imprensa local. Outros a descreveram como o personagem “Gollum”, da trilogia “O senhor dos an√©is

As fotos mais ainda…

Thumbnail image for monstro.jpg

Se você já estava preparando para se esconder debaixo da cama com medo da invasão alienígena, pode ir se acalmando.

animalembryo051.jpg

A foto ao lado, retirada daqui, p√Ķe rapidamente fim ao mist√©rio. A imagem mostra um feto de pregui√ßa-de-tr√™s-dedos (Bradypus tridactylus). Embora o “monstro” do Panam√° corresponda a uma pregui√ßa adulta a foto do feto n√£o deixa d√ļvidas quanto a sua real identidade. Al√©m disso, observando com aten√ß√£o a foto do suposto ET no canto superior esquerdo √© poss√≠vel ver as garras na ponta de uma das patas e alguns vest√≠gios de p√™los na barriga. 

Um outro mist√©rio seria como a pregui√ßa de Cerro Azul perdeu quase completamento sua pelagem. As possibilidade s√£o muitas, mas por ter sido encontrada as margens de um lago sou capaz de apostar o sal√°rio do meu chefe que a perda de p√™los √© resultado da decomposi√ß√£o ter se iniciado dentro da √°gua. Em diversas ocasi√Ķes j√° encontrei carca√ßas de gatos e cachorros “pelados” lan√ßados a beira mar durante os monitoramentos de praia que realizamos pela costa fluminense em busca de aves, quel√īnios e cet√°ceos marinhos.   

O mais interessante, contudo, √© que o alvoro√ßo causado pela pregui√ßa pelada panamenha n√£o √©  muito diferente do que aconteceu quando os primeiros europeus que chegaram a am√©rica se depararam com pregui√ßas vivas. Os primeiros cronistas a descreverem a natureza brasileira se surpreenderam com as fei√ß√Ķes quase humanas do estranho animal. Em 1560, o Padre Jos√© de Anchieta escreveu “a sua cara parece assemelhar-se alguma cousa de
rosto de uma mulher
“, j√° Fern√£o de Cardim, foi menos gentil com os elogios e afirmou que seu “rosto parece de mulher mal toucada”, seja l√° o que quer dizer isso. A foto abaixo, retirada daqui, permite que os leitores tirem sua pr√≥prias conclus√Ķes entre as supostas semelhan√ßas entre mulheres e pregui√ßas. Eu achei particularmente interessante o esp√©cime de pregui√ßa pelada da ponta esquerda.

preguiça.jpg

Pois bem, como sempre, a mentira tem perna curta, ou melhor neste caso, bra√ßos longos.  

Feliz dia do Biólogo (atrasado)

Dinos in Rio 2009

Se você tem algum interesse por bichos pré-históricos e não foi ao Dinos in Rio 2009, perdeu!!

O evento foi realizado no Museu Nacional do Rio de Janeiro entre 24 e 30 de agosto. Além da exibição de obras de alguns dos mais renomados paleoartistas da América do Sul, a programação da 2 Exposição Internacional de Arte Paleontológica incluiu também diversas palestras ligadas ao tema.

Infelizmente, a falta de tempo n√£o me permitiu assistir nenhuma das palestras, mas a exposi√ß√£o por si s√≥ j√° compensou a ida e volta de B√ļzios para o Rio na mesma manh√£. Muitas das obras pareciam t√£o reais que davam a impress√£o que a qualquer momento iam criar vida e sair correndo ou voando pelos corredores do Museu Nacional.

Apesar de n√£o voar, uma das obras em exposi√ß√£o, uma r√©plica feita utilizando t√©cnica animatr√īnica do pterossauro brasileiro Tapejara imperator, era capaz de bater asas e foi uma das grandes atra√ß√Ķes do evento. Outras obras que chamaram a aten√ß√£o foram as reconstitui√ß√Ķes do Microraptor gui, Angataruma limai, algumas incr√≠veis miniaturas em bronze de mam√≠feros do pleistoceno e diversas pinturas.

Confira abaixo algumas fotos…

IMG_0855.JPG

Dinos in Rio 2009

IMG_0836.JPG

Microraptor gui, obra do paleoartista Orlando Grillo

IMG_0865.JPG

Duelo de Titãs, Eremotherium x Smilodon, obra do paleoartista Maurílio Oliveira

IMG_0840.JPGAngaturama limai, obra do paleoartista Orlando Grillo

IMG_0860.JPGO menino e o pterossauro Tapejara imperator , obra do paleoartista Hugo Pailos

IMG_0853.JPGEsculturas em bronze

IMG_0870.JPGSkorpiovenator bustingorryi  x Homo sapiens

IMG_0898.JPGDa esquerda para direita, Paraphysornis rennoi, Paraphysornis brasiliensis, Paraphysornis limai

Arquivo Z – Mustela africana, a doninha-amaz√īnica

Após alguns meses de silêncio forçado por conta de trabalho quase escravo Рespero que meu chefe não leia isso -, o Caapora volta a ativa.
Desde que migramos para o ScienceBlogs, estava pretendendo iniciar uma s√©rie de postagens sobre animais brasileiros desconhecidos do p√ļblico em geral, criaturas ofuscadas pela fama dos mico-le√Ķes, araras-azuis, tartarugas marinhas e demais integrantes da chamada “fauna carism√°tica”. Pois bem, nada melhor que retomar as coisas cumprindo promessas do passado. Para inaugurar a s√©rie apresento a voc√™s uma doninha que poderia muito bem sofrer de crise de identidade.
Em 1735, o bot√Ęnico sueco Carl Linn√© criou um novo sistema de classifica√ß√£o e nomenclatura dos seres vivos, o qual agrupava as esp√©cies em ordem hier√°rquica e dava a cada uma delas um bin√īmio exclusivo. Este engenhoso sistema foi capaz de colocar ordem no verdadeiro pandem√īnio que era a taxonomia e a sistem√°tica at√© o in√≠cio do s√©c. XVIII e acabou sendo t√£o bem aceito por zo√≥logos, bot√Ęnicos e demais estudiosos de tudo o que √© vivo, que mais de 200 anos ap√≥s sua cria√ß√£o continua em uso praticamente sem altera√ß√Ķes, uma impressionante fa√ßanha dentro da “metamorfose ambulante” que √© a ci√™ncia.
Embora muitos pesquisadores estudiosos da biodiversidade, especialmente os n√£o ligados diretamente a taxonomia, reclamem das mudan√ßas ocasionais na nomenclatura e classifica√ß√£o de algumas esp√©cies, um dos pilares do sistema criado por Linn√© √© justamente a imutabilidade. De acordo com o “Principio da Prioridade” (artigo 23 do C√≥digo Internacional de Nomenclatura Zool√≥gica), o nome v√°lido de um t√°xon √© o nome mais antigo dispon√≠vel atribu√≠do ao mesmo, ou seja, uma vez batizada uma esp√©cie seu nome jamais poder√° ser alterado. Os casos de mudan√ßas mencionados acima geralmente se referem a mudan√ßas ao n√≠vel de g√™nero e refletem avan√ßos no conhecimento sobre o relacionamento entre diferentes t√°xons. Jamais s√£o permitidas altera√ß√Ķes no nome cient√≠fico de uma esp√©cie por motivos outros que n√£o a mudan√ßa de g√™nero por conta de novos arranjos sistem√°ticos ou a aplica√ß√£o direta de alguma das regras do ICZN.
Imagine voc√™, um taxonomista do s√©culo XIX, funcion√°rio de um museu europeu e que recebe de uma das col√īnias de seu pa√≠s um carregamento de esp√©cimes incluindo algumas esp√©cies at√© ent√£o novas para ci√™ncia. A maioria dos exemplares n√£o possui qualquer etiqueta com informa√ß√Ķes m√≠nimas como local e data de coleta, e ao ver a palavra “√Āfrica”escrita do lado de fora da caixa, voc√™ √© tentado a acreditar que os animais provavelmente foram coletados em algum lugar do continente Africano, quando na verdade parte deles √© provenientes da Am√©rica do Sul. Situa√ß√Ķes aparentemente inusitadas como esta, ocorriam com certa freq√ľ√™ncia em muitos museus europeus at√© o final do s√©culo XIX e foram respons√°veis por in√ļmeras injusti√ßas nomenclaturais, como √© o caso do animal que inaugura a s√©rie de postagens sobre animais brasileiros pouco conhecidos.
A doninha-amaz√īnica (Mustela africana) √© uma das sete esp√©cies brasileiras da fam√≠lia Mustelidae, a maior fam√≠lia da Ordem Carn√≠vora com cerca de 55 esp√©cies, e que al√©m das doninhas, inclui animais como os fur√Ķes, a irara, a lontra e a ariranha. Como prova de qu√£o interessante s√£o esses animais transcrevo abaixo a frase da apresenta√ß√£o de um amigo, que ter√° sua identidade preservada, retirada de um site de relacionamentos: “Meu nome √© X, sou um humano como todos voc√™s que est√£o lendo este texto, mas o que eu queria mesmo era ser um mustel√≠deo”.
Com quase 50 cm da ponta da cauda, que corresponde a aproximadamente metade do tamanho do corpo, at√© a ponta do focinho a doninha-amaz√īnica pode ser considerada relativamente grande quando comparada a outros representantes do g√™nero. Vista por cima, parece ser toda marrom-avermelhado escuro, mas o queixo, as partes inferiores da pata e a barriga s√£o claras, esta √ļltima com uma extensa mancha castanha no meio. As solas das patas s√£o peladas e os dedos dos membros anteriores s√£o parcialmente unidos por membranas interdigitais demonstrando que a esp√©cie pode apresentar h√°bitos semiaqu√°ticos. At√© onde pude constatar, n√£o s√£o conhecidas imagens da doninha-amaz√īnica em seu ambiente natural ou mesmo de animais em cativeiro, apenas fotos de peles de museus como a do esp√©cime tipo exibido abaixo.
mustela africana.jpg
A doninha-amaz√īnica foi descrita em 1838 pelo zo√≥logo franc√™s Anselm Ga√ętan Desmarest, o exemplar tipo (foto acima) muito provavelmente deve ter sido coletado pelo famoso Alexandre Rodrigues Ferreira, o primeiro naturalista brasileiro, e foi um dos milhares de esp√©cimes saqueados do Museu da Ajuda de Portugal e levado para o Museu de Hist√≥ria Natural de Paris durante a Invas√£o Napole√īnica. Sem saber a proced√™ncia correta do exemplar que tinha em m√£os, Desmarest se limitou a indicar a localidade tipo como “d’Afrique” e tratou de batizar a nova doninha como Mustela africana.
Em 1897, Em√≠lio Goeldi, c√©lebre zo√≥logo cujo nome foi imortalizado no Museu Paraense Em√≠lio Goeldi, descreveu a partir de exemplares coletados no Par√° a doninha Mustela brasiliensis. Em 1913 Angel Cabrera demonstrou que a esp√©cie descrita por Goeldi era a mesma que havia sido batizada por Desmarest em 1838, evidenciando assim o erro do zo√≥logo franc√™s. Regra existe para ser cumprida, Mustela brasiliensis passou a ser tratado como sin√īnimo de uma esp√©cie que j√° havia sido descrita anteriormente, e Mustela africana passou a ser o nome das doninhas amaz√īnicas.
Passados mais de 150 anos de sua descri√ß√£o, Mustela africana √©, ainda hoje, considerado um dos mam√≠feros mais enigm√°ticos da Am√©rica do Sul e sua distribui√ß√£o ainda n√£o √© conhecida em detalhes. Os poucos dados existentes apontam para uma ocorr√™ncia restrita a Bacia Amaz√īnica, com registros conhecidos para o Brasil, Equador e Peru. Injusti√ßas nomenclaturais a parte, o caso da doninha-amaz√īnica nos mostra que n√£o apenas as apar√™ncias, mas tamb√©m os nomes e os zo√≥logos enganam e se enganam. Assim sendo, s√≥ nos resta aceitar a tirania do C√≥digo Internacional de Nomenclatura Zool√≥gica e nos conformar que a mais brasileira das doninhas ser√° sempre “africana”!
Referências
Desmarest, A. G. (1818) Nouv. Diction. d’Hist. Nat., 19:376
Goeldi, E. (1897) Ein erstes authentisches Exemplar eines echten Wiesels
aus Brasilien. Zool. Jahrb., Abt. f. systematik, geogr. u. Biol.,
10:556-562, pi. 21, September 15, 1897.
Cabrera, A. (1913) Sobre algunas formas del g√©nero “Mustela.” Bol. d. 1. Real Soc.
Espaiiol d. Hist. Nat., 13:429-435, November, 1913.

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