Sobre mamutes clonados e tudo mais…

Vocês já pararam para pensar nos prós e nos contras de se recriar animais extintos? 

Durante o último mês anunciamos diversas vezes a ocorrência do I DeExtinction Symposium ( I Simpósio sobre Desextinção) e a clara entrada da humanidade em uma era em que já é possível fazer isso: recriar animais extintos! A discussão gerada entre estudiosos acalorou-se no mundo todo e pessoas comuns puderam acompanhar de suas casas dezenas de cientistas apresentam os resultados dos seus projetos de longa data com a finalidade de trazer de volta à vida animais que foram banidos de sua existência na face da Terra (se você não pode acompanhar, assista aqui: http://longnow.org/revive/tedxdeextinction/ – em inglês).

Ficou claro o interesse das pessoas pelo assunto e falando a verdade, quem não gostaria de ver desde um Thylacinus à um Mamute caminhando outra vez?! Quem nunca sonhou com um Parque Pré-histórico?

Esse debate foi mais interessante, todavia, para que principalmente parássemos para pensar um pouco sobre o porque recriar animais. A ciência deve realizar alguma coisa simplesmente porque pode fazê-lo? Quais os prós e os contras disso?

Para começar, alguns mitos têm que ser destituídos. Recriar dinossauros a partir de clonagem continua sendo história de ficção. Quando falamos em recriar animais extintos, falamos daqueles que desapareceram nas últimas décadas, séculos ou alguns milênios apenas. Não milhões de anos. O DNA não é uma molécula estável o suficiente para resistir esse tempo todo e mesmo que algumas proteínas possam, elas não são suficientes para se recuperar partes significativas do genoma de um animal, que permitam a sua clonagem e replicação.

O DNA de mamute somente é acessível devido ao fato de ter permanecido congelado até a atualidade. Diversas carcaças desses animais são encontradas muito bem preservadas debaixo do permafrost ártico. Ainda assim, faltam pequenos fragmentos no código, que não resistiram ao tempo, e os cientistas têm completado utilizando uma técnica “alá Frankenstein“. Eles pegam trechos de DNA de um mamute e do outro e somam para obter o código completo. Voilá, genoma de mamute!! Hoje já entendemos o quão diferente eram esses animais de seus parentes atuais, inclusive com adaptações muito especializadas ao clima congelante – e que existiam mamutes ruivos, loiros e castanhos ;] (assista esse ótimo documentário sobre ‘como recriar mamutes’ AQUI).

Uma das carcaças de um bebê mamute mais bem preservadas encontradas na Sibéria

Isso é fabuloso! Estamos gerando conhecimento! Mas até que ponto podemos chegar? Sem dúvida muitos cientistas querem ir além, mas outros são mais cautelosos. Trazer animais de volta à vida pode gerar mais transtornos do que se parece. Quem nunca assistiu o filme, ou principalmente leu os livros sobre “Jurassic Park”, deve fazê-lo. Tirando o fato de serem dinossauros, a discussão abordada é ultra pertinente.

Depois de recriar o animal, o que você vai fazer com ele? Vai ser utilizado para entretenimento? Vai ser dissecado para pesquisas? Vai ser liberado no meio selvagem para se reproduzir outra vez? Quais os impactos de se fazer isso? Ainda existe habitat para ele? Qual vai ser o impacto na fauna e flora existente?

A discussão é diferente quando se fala de animais extintos nas últimas décadas e animais extintos há milênios:

Quando a extinção de um animal foi causada pelo homem recentemente, isso não nos obrigaria a empregar todos os nossos esforços em recuperá-los? Outra vez: Adianta, se seu habitat também foi destruído?

Pensem um pouco sobre isso, assistam os vídeos, e no próximo post vamos destrinchar todas essas perguntas e falar um pouco mais sobre o que aconteceu e as conclusões do I DeExtinction Symposium.

A melhor dica é, assistam ESSE filme (trailer abaixo)!! Sem falta.

Quem tiver interesse, leia os livros de Michael Crichton sobre Jurassic Park. Vale a pena.

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=vW6W36-oWCU”]

Sobre o(a) autor(a):

Aline é bióloga, especialista em paleontologia de vertebrados e criadora da rede de divulgação científica "Colecionadores de Ossos". Atualmente é professora adjunta de Paleontologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande (UFRN) do Norte em Natal, RN.

Um comentário em “Sobre mamutes clonados e tudo mais…”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *