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Mas que Coprólito!!!

A ideia desse post foi levantada pelo meu amigo e colega Bruno Rafael do Santos, quando eu indagava sobre o que escrever no blog.
O tema pode parecer um pouco asqueroso, mas está presente em nossa diária realidade. Por que não falar de cocô fóssil?
 
Fezes fósseis

Fezes, cocô, excremento, dejetos são termos que podem ser definidos em uma única palavra na Paleontologia: Coprólito.

Breve histórico

Coprólito foi um termo criado por Buckland enquanto descrevia alguns fósseis incomuns encontrados em folhelhos marinhos no sul da Inglaterra em 1829. Este pesquisador reconheceu os estranhos objetos fossilizados como sendo massas fecais petrificadas, que julgou produzidas por ictiossauros, um tipo de réptil marinho, cujos fósseis são muito comuns naquela região.

Apesar da nomeção de Buckland, coprólitos já haviam sido descritos muito antes na literatura. O naturalista Martin Lister encontrou dejetos fossilizados ainda em 1678, porém não conseguiu, na época, reconhecer a verdadeira natureza do material. Em 1822, Mantell  também encontrou fezes fósseis. Mesmo que houvesse reconhecido semelhanças entre a composição química desse material com a de ossos fossilizados, ele os identificou tentativamente como cones e talos de um tipo de planta desconhecida.

Depois de aproximadamente um ano da descrição de Buckland, diversos trabalhos sobre o assunto começaram a ser publicados…

Importância dos coprólitos

Karen Chin, especialista no estudo de coprólitos, e diversos tipos e tamanhos de fezes fósseis.

Apesar das fezes nos pareceram coisas repulsivas e descartáveis, elas podem fornecer informações importantes!

Coprólitos podem dar pistas sobre o comportamento alimentar de seu produtor, detalhes sobre seu hábitat, a anatomia do seu tubo digestivo, a existência de paleoparasitoses e até mesmo conter fragmentos de DNA!

Algumas vezes, quando bem preservados, é possível reconhecer a natureza da dieta de seres extintos pela forma dos coprólito e pela presença de pequenos pedaços de ossos, escamas e vegetais preservados em seu interior (Veja imagem abaixo e também AQUI). Assinaturas químicas, todavia, revelam com precisão o cardápio pré-histórico dos antigos cagões: Análises espectroscópicas ajudam a decifrar a concentração de elementos químicos como carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e apatita. Animais com dietas carnívoras, por exemplo, têm fezes mais ricas em cálcio. Veja estes artigos AQUIAQUI e AQUI, por exemplo.

Inclusões de ossos, dentes e ?filamentos de plantas em coprólitos. Artigo disponível aqui: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018211004792.

Resíduos polínicos (pólen) do ambiente podem ainda ser ingeridos ou ficarem aderidos às fezes. Dessa forma, são mais facilmente preservados e a sua identificação torna possível reconstituir antigos cenários florísticos e até mesmo desvendar detalhes climáticos do passado.  Veja este estudo AQUI por exemplo.

Uma análise mais detalhada pode revelar surpresas ainda mais impressionantes. Coprólitos de Idade Pleisto-holocênica (alguns milhares de anos), por exemplo, podem conter fragmentos de DNA preservados. Se isolados, estes podem auxiliar em estudos genômicos. Veja ESTE estudo.

Preservação

Tá. Ossos podem ser mais fáceis de se preservar porque são mineralizados, mas e cocô? Como ele se preserva?

Bom, o material fecal é mais fácil de ser preservado do que parece!

Primeiramente, é produzido em maior quantidade, o que aumenta a sua chance de estar representado no registro fóssil: imagine quantas vezes um animal defeca durante a vida e no final dela, deixará apenas um punhado de ossos! Sob essa perspectiva, é muito mais fácil achar um cocô do que um osso!

Em segundo lugar, sua composição muitas vezes pode ajudar: alguns coprólitos são ricos em cálcio e isso contribui para sua preservabilidade, já outros são ricos em fibras, o que os torna mais suscetíveis a serem reincorporados ao sistema.

Em terceiro lugar, alguns aspectos químicos podem favorecer a fossilização: quando na água, o muco que recobre as fezes pode induzir trocas iônicas e acabar formando uma “capa protetora” no entorno do dejeto.

Coprólitos integram o registro fóssil por meio de rápida dessecação e/ou lenta mineralização. Quem nunca chutou um cocô seco de cachorro na rua? Se esse elemento orgânico fortemente dessecado for soterrado em local apropriado, pode – em alguns milhares de anos – virar um fóssil!

Curiosidade 1: É possível que as fezes de um animal sejam preservadas ainda dentro de seu trato digestivo. Quando isso acontece, elas são denominadas de enterólitos, não coprólitos.

Curiosiadade 2: Muitas pessoas utilizam coprólitos como adornos. Durante o processo de fossilização, minerais de cores diferentes podem ser incorporados ao tal cocô fóssil. Isso lhe rende cores inusitadas e uma beleza peculiar, basta polir.

Coprólito em secção transversal, polido.

Pingente feito de coprólito.

Curiosidade 3: Coprólitos de tubarões tem forma espiralada devido ao formato de seu intestino.

Nota de campo: Deve-se tomar muito cuidado para não confundir coprólitos com simples concreções! Algumas concreções tem aparências sugestivas… Lembre-se, todavia, que alguns coprólitos podem estar preservados dentro das mesmas, não custa checar!

Alguns estudos de caso

Exisitem inúmeros trabalhos publicados que tratam de coprólitos. Já citamos alguns, mas vamos listar outros de forma mais ilustrada:

A figura abaixo apresenta coprólitos de diversos tipos de vertebrados (herbívoros, onívoros e carnívoros) encontrados na Formação Cerro del Perro, Cretáceo Tardio do México. Como já mencionamos, nem sempre é pela morfologia do coprólito que identificamos o tipo de animal que o produziu. Nesse caso, estudos químicos ajudaram a determinar o tipo de dieta do animal produtor (Veja o artigo AQUI).

 

Existem alguns coprólitos muito pequenos, como os de peixes da Formação Withemud, Canadá. O tamanho, todavia, não diminui a sua importância: Micro-restos fossilizados foram encontrados em seu interior (pedaços de ossos, conchas e plantas), ajudando a identificar a estrutura de cadeias alimentares carboníferas (mais de 320 milhões de anos atrás) (Veja o artigo AQUI).

Coprólitos de peixes com não mais que 6 cm de comprimento, Formação Withmud, Canadá

No Brasil, um local onde os coprólitos são e já foram bastante estudados é a Bacia do Araripesituada nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí -,  onde são encontrados dentro de nódulos calcários, assim como os peixes fósseis da região. Tais coprólitos são interpretados como como produzidos por peixes, uma vez que é comum ocorrerem associado a eles.
Coprólitos em nódulo calcário na bacia do Araripe, Cretáceo.

Não só a Paleontologia estuda as fezes fósseis de animais, como também a Arqueologia se preocupa com o estudo de dejetos fósseis humanos. Por meio deles, além de se desvendar hábitos alimentares de nossos ancestrais, pesquisadores procuram descobrir quais parasitas afetavam a saúde humana pré-histórica (Veja este artigo sobre paleoparasitologia no Brasil: http://www.scielo.br/pdf/csc/v7n1/a18v07n1.pdf).

Fezes humanas fossilizadas. Idade: Mais de 15.000 anos.

Novidade: Essa semana foi publicado mais um estudo sobre coprólitos brasileiros. Paula Dias e colaboradores descreveram na revista “Journal of South American Sciences” uma concentração excepcional de coprólitos de vertebrados na na Formação Rio do Rasto, sul do Brasil. Por meio da morfologia dos mesmos, ela pode reconhecer que uma variedade maior de vertebrados do que se conhece por meio de fósseis corporais estava presente na região há mais de 250 milhões de anos. Veja o artigo AQUI.

Alguns coprólitos do recém-publicado estudo da Fm. Rio do Rasto.

Além dos estudos citados, inúmeros outros trabalhos são publicados anualmente relatando achados pelo mundo afora (Haja cocô fóssil!). Muitos deles são excepcionalmente curiosos. Faça uma busca!

Concluindo, pisar em um cocô fóssil não deve ser muito ruim, afinal. Prestem atenção nas suas caminhadas por aí! 😉

Referências:

Thulborn, R. A. Morphology, preservation e paleobilogical sgnificance of dinosaur coprólites.1991. Paleogeography, Paleoclimatology, Paleoecology, v.83, pp. 341-366.

Reinhard, K.J.; Jr, V.M.B. Coprolite Analysis:A Biological perspective on Archaeology. 1992. University of Nebraska – Lincoln, pp. 244-287.

Lima, R.J.C.; Freire, P.T.C.; Sasaki, J.M.; Saraiva, A.A.F.; Lanfredi, S.; Nobre, M.A.L. 2007. Estudo de Coprólito da Bacia Sedimentar do Araripe por Meios de Espectroscopia FT-IR e Difração de Raios-X.Quim. Nova, v.30, n.8, pp. 1956-1958.

Rosa, R.A.R.; Cevallos-Ferriz, R.S.R.; Pineda, A.S. 1998. Paleobiological implications of Campanian coprolites. Paleogeography, Paleoclimatology, Paleoecology, v.149, pp. 231-254.

 

Paleontologia e vida extraterrestre

Retomo neste post, um assunto bastante polêmico, publicado no ano passado pelo Journal of Cosmology e repercutido em vários sites renomados internacionais: A descoberta de vida microbiana em meteoritos, advogado pelo pesquisador Richard B. Hoover, pesquisador Ph.D da NASA. Quando você leu extraterrestres, imagino que tenha pensado em aliens de ficções científicas, mas fique tranquilo, esses “alienzinhos” descobertos não chegam a ser nem de longe terroristas do espaço.

A descoberta e afirmação de Hoover dizia ter encontrado estruturas fósseis semelhantes a cianobactérias, em meteoritos que caíram na Terra há cerca de 100 ou 200 anos “Essas cianobactérias, apesar de serem semelhantes às terráqueas, possuem composição diferente e uma quantidade mínima de nitrogênio associada a elas,  demosntrando que são fósseis realmente antigos”, argumenta Hoover.

Filamentos "fósseis" das cianobactérias no meterorito
O assunto foi demasiado polêmico, e levou a discussões contra e a favor a afirmação do pesquisador. A própria NASA relatou no ato da publicação de Hoover, não apoiar a afirmação do mesmo. Ela ainda argumentou que não poderia apoiar uma afirmação como esta sem antes ter sido revisada e passada por críticas, afinal, essa descoberta seria algo grandioso, que para sua veracidade, teria de apresentar provas extraordinárias. Segundo Carl Pilcher, diretor do Instituto de Astrobiologia da NASA, os meteoritos estudados por Hoover caíram na Terra há 100 ou 200 anos, e  foram muito manipulados pelo homem, levando a crer que poderia haver contaminação das amostras.

Erros científicos 

Em 1996, um meteorito de 4,5 Ga, nomeado de ALH 84001, foi divulgado como portador  de bactérias de origem marciana. A notícia teve grande repercurssão mundial na época, porém, semanas depois, numa avaliação cientifica mais suscinta, os cientistas descobriram que o tal vestígio era querogênio – parte insolúvel da matéria orgânica, modificada por processos geológicos – originado pela contaminação terrestre. Apesar disso, ainda há dúvidas na comunidade científica, estando abertas, depois de anos, discussões sobre o assunto.

As bactérias de Hoover seriam semelhantes ao Titanospirillum velox, uma espécie de cianobactéria da Terra

E o trabalho de Hoover, que fim tomou?

Depois da publicação do achado, esperávamos que alguma notícia a mais surgisse sobre o assunto e atestados de outros cientistas da área. Porém, nada mais foi publicado ou discutido, ao menos na mídia – Se algum leitor souber de algo, por favor, manifeste-se!

Bactérias Extremófilas

Aqui, em nosso planeta, vida já foi encontrada em ambientes que humanos e qualquer outro ser jamais conseguiriam sobreviver. Estes achados denotam a hipótese de que bactérias podem também ser encontradas em ambientes extremos em outros planetas.

Um exemplo bastante importante e também uma descoberta relativamente recente é a das bactérias  com composição celular de arsênio, encontradas no Lago Mono (Califórina). Elas são capazes de substituir o fósforo na cadeia de DNA, proteína e lípidios por tal elemento. O arsênio é um elemento extremamente tóxico aos seres vivos, levando mais uma vez os cientistas a apostarem numa possível origem extraterrestre.

Panspermia

Se a hipótese de Hoover ganhasse confimações, a teoria da Panspermia ganharia fortes atributos corroborativos para a sua veracidade.

A Panspermia é a teoria que defende a idéia de que a vida na Terra provém do espaço, ou seja, meteoritos teriam caído na Terra carregando consigo as primeiras e mais primitivas formas de vida.

Minhas considerações

Ainda não sou perita no assunto, mas tenho algumas considerações a fazer, principalmente sobre o achado de Hoover.

Primeiro, é difícil para mim imaginar a descoberta de filamentos bacterianos preservadas em um meteorito. As condições de fossilização deveriam ser excepcionais, em qualquer planeta que eles tenham vivido. Mas lógico, há muitas coisas que na ciência não sabemos, e não podemos descartar essa idéia como um fato impossível.

Se a notícia foi publicada no começo do ano passado, e até agora não saiu nenhum pronunciamento sobre sua veracidade, sendo que mais de 100 especialistas da área foram convidados a estudar as amostras, onde está a sentença final?

Numa perspecitava a favor do achado, a composição celular das bactérias de Hoover são diferentes das encontradas na Terra,  logo pode representar uma evidência forte, assim como as bactérias “arsênicas” poderiam ter parado no lago Mono carreadas por algum meteorito.

E você caro leitor, no que irá apostar?

O artigo de Hoover pode ser acessado neste link, para maiores informações.

Mundo Perdido de Lago Barreales

Você já teve vontade de trabalhar num Centro Paleontológico, participar de escavações, e morar no meio de um deserto? Bom, eu já tive essa oportunidade, e posso dizer, foi uma das melhores experiências de toda minha vida!

Venho através deste post para falar do Centro Paleontológico Lago Los Barreales, localizado no meio do deserto da Patagônia, Argentina.

Se você já assistiu Jurasic Park I, e se lembra do início do filme em que o Dr. Alan Grant e a Dra Ellen Sattler comandam uma expedição para escavar a ossada de um velociraptor, você irá se deparar com um cenário parecido ao do Centro Lago Barreales também conhecido como Proyecto Dino.

Portão temático

A Patagônia, região ao Sul da Argentina, é conhecida mundialmente como o império do dinossauros. Por suas características climáticas desérticas, os fósseis chegam a “florescer” nas rochas que com o tempo vão sendo erodidas. A região do Proyecto Dino é uma região riquíssima em fósseis, principalmente dinossauros, e ali se instalou por financiamento da Universidad Nacional de Comahue, sendo direcionado e comandado pelos paleontólogos argentinos Jorge Calvo, Juan Porfiri e a brasileira Domênica Santos

Visão do Centro

Além de ser uma região riquíssima em fósseis, o cenário é incrível. O proyecto está instalado perto dos grandes lagos Los Barreales onde os invernos são demasiado frios com temporadas de neve e os verões calorosos, num ambiente desértico sem fim.

Neve em Barreales

Os fósseis

Os fósseis mais famosos encontrados nesta região são dos saurópodes Futalognkosaurus dukei e restos de terópodes como Megaraptor namunhuaiquii e Unenlagia paynemili, além de outros ornitópodes, pterossauros, fósseis de plantas e troncos fossilizados.

A experiência

A estadia foi curta porém valiosa. Durante a permanência tivemos contato com técnicas de escavação, limpeza de fósseis, criação de réplicas que são expostas no museu, com orientação dos técnicos e dos próprios diretores do projeto.

Limpeza de fósseis

 
Escavação

 
Réplica de Megaraptor no Museu do Centro

Com a estadia, também nos deparamos com as dificuldades da manutenção e progresso de um Centro Paleontológico, com escassez de verbas, sendo este, financiando e suportado pela Universidade de Comahue e pela atividade turística. Com todas as dificuldades, e apoio de diversos paleontólogos por todo o Mundo, o centro está crescendo cada vez mais e certamente novos fósseis estão por ser encontrados.

Se você quer saber mais sobre o proyecto dino, entre no site e tire suas dúvidas. É um local que recebe visitações com monitoria. Se você for à Patagônia, não deixe de visitar o Centro, é muito didático, e como já dito, o cenário é incrível!

Site do Proyecto: www.proyectodino.com.ar

 

Não só colecionadores de OSSOS! Parte II

Seguindo a postagem anterior e concretizando o prometido, venho falar dos primeiros organismos multicelulares, de corpo mole, que surgiram nos oceanos, e sua importância na construção da história e evolução.

Esses organismos fazem parte do que podemos chamar de biota de Ediacara. Ediacara foi uma região do sul da  Austrália e seu nome foi atribuído ao período em que esses fósseis ocorreram,  envolvendo cerca de 630 a 540 milhões de anos, no Éon Proterozóico.  Apesar de o período ser chamado de Ediacarano e eu estar falando de Ediacara, em outras regiões do mundo, tais quais Russia e China,  esses mesmos organismos foram encontrados na mesma  faixa de tempo.

O registro Ediacarano mostra evidência dos primeiros fósseis de organismos multicelulares com órgãos complexos já achados. Para a maioria dos pesquisadores da área, eles são considerados um grupo a parte, não tendo qualquer ligação com os organismos que viriam depois.

Reconstrução da biota de Ediacara

As formas registradas em rochas são vastas, incluindo anatomia discoidal, em forma de pena, outras semelhantes a medusas atuais, estruturas tubulares, e outras totalmente desconhecidas.

Registro de Dicknsonia, fóssil do Ediacariano

 
Cyclomedusa, Ediacara

Apesar de serem os primeiros metazoários (organismos com células diferenciadas), e terem dominado por um longo período de tempo, seu reinado teve fim no Proterozóico final e inicio do Camrbiano (primeiro período do Éon fanerozóico, datando cerca de 530 milhões de anos), com o surgimento de animais ainda mais complexos  – Como diria Darwin, numa competição, sobrevive aquele que é mais apto.

A vida então floresce

A explosão do Cambriano, é assim chamada, pelo surgimento abrupto de todos os filos animais que hoje existem. Nesse período, os animais já eram capazes de produzir conchas e eram mais parecidos com os animais de hoje.

Reconstrução do Cambriano

Os animais dessa época mostram formas, muitas vezes, bizarras. Entre os identificados, temos o anomalocaris, opabinia, allucigenia e wiwaxia. Esse grupo estranho não demonstra qualquer ligação com os outros filos que surgiram, levando-nos a crer que também foram extintos, como os organismos de Ediacara

O mais famoso registro fóssil desse perído foi encontrado numa região do Canadá conhecida como Burgess Shale, pelo paleontólogo Charles Walcott, em 1909. Além dos fósseis citados acima, outros invertebrados, trilobitas, esponjas, e a pikaia, o primeiro cordado que deu origem ao vertebrados, também foram encontrados na região.

Hallucigenia fóssil, Cambriano

 
Reconstrução artística do fóssil Hallucigenia

 
Opabinia, Cambriano

A explosão subta de organismos no Cambriano, sem evidências de ancestrais, foi a controvérsia que poderia ter sido a maior dor de cabeça de Darwin na teoria da Evolução. Apesar disso, há pesquisadores que defendem a idéia de um período anterior não preservado, no qual estaria a chave para este mistério.

O que sabemos sobre o começo da vida multicelular ainda pode ser meio obscuro. O que temos são evidencias químicas e traços biológicos preservados em rochas, ao contrários dos animais com esqueleto, que deixam vastos registros ósseos, e são melhor compreendidos. Sua origem e sua história ainda é motivo de discussões e controvérsias. Levantamos hipóteses, mas hipóteses não são sentenças. Cabe a nós, eternos estudantes, continuar descobrindo e constantemente acrescentar novos conhecimento à ciência.

Aguardem pelos próximos posts, e viajem pela paleontologia que não estuda somente ossos! 😀

Não só colecionadores de OSSOS! Parte I

O trabalho do paleontólogo é sem dúvidas excêntrico. Estamos sempre na ansiedade de encontrar algo novo, inédito. Quando esta façanha ocorre, nós cientistas somos capazes de mudar teorias, criar outras, e caminhar um passo a frente no conhecimento dos mistérios do Planeta.

Mas quando falo em paleontologia, “eu sou paleontólogo” sempre escuto de volta “ah você estuda dinossauros!!” Os dinossauros talvez tenham sido os animais mais incríveis que já habitaram o Planeta. Eles estão nos museus, nos desenhos, nos filmes, nos documentários e encantam tanto as crianças como os adultos. Sua imponência e o fato de não mais existirem no nosso presente, talvez sejam os atributos mais chamativos e mais fascinantes, levando algumas vezes as pessoas a descrerem de sua existência.

Mas não é pra falar de dinossauros que criei este post.

Eu sou paleontóloga, ou como meu orientador diz, estou no caminho de ser. Porém, eu não estudo plantas, não estudo dinossauros, não estudo mamíferos pré-históricos ou qualquer animal com ossos ou pele. Minha pesquisa está voltada ao estudo de construções sedimentares induzidas por cianobactérias. Isto não parece tão legal aos olhos da maioria, mas garanto que é uma vertente extremamente importante da paleontologia, como já apontado em posts anteriores. Através de outros exemplos, vou mostrar a você, caro leitor,  que não só de ossos se vive um paleontólogo!

Dividirei a temática “Não só colecionadores de OSSOS” em vários posts tratando das diferentes vertentes da paleontologia que não são conhecidos pelo público em geral, salvando-se os próprios paleontógos ou simpatizantes pela área. No próximo post, entrarei no assunto dos primeiros organismos de corpo mole que “surgiram” em uma Terra pretérita. É sensacional, aguardem! 

 

Vamos falar de MicroArte!

Estava eu pensando no que escrever para este post: escreveria sobre dinossauros, petróleo, extinções, repteis marinhos? É muito difícil ter uma ideia criativa para um post e fazer com que as pessoas se interessem e leiam.

Assim, de uma forma mais suave, decidi falar de arte!

Não é sobre arte desenhada ou esculpida por paleoartistas. É arte natural. Arte que se criou na natureza e enche nossos olhos com beleza inexplicável. É tão belo como um floco de neve visto por um microscópio. É a arte morfológica dos microfósseis.

Em posts anteriores pude escrever brevemente sobre os microfósseis. Citeis alguns grupos, enfatizei outros. Mas em nenhum momento falei sobre a beleza que eles expressam aos olhos dos micropaleontólogos. Este post é breve, fotográfico. Compilei fotos para que vocês, caros leitores, também possam entrar nesse mundo diminuto, e assim, também enxergar sua beleza.

Como os dinossauros, trilobitas,  répteis marinhos, mamiferos atuais ou extintos,  que possuíam diferentes ornamentações na cabeça ou no tronco, cada microfóssil também possui seus adornos, características diferenciadas e únicas que se preservam na forma de carapaça, seja de quitina, sílica, calcário. Através dessas características, são divididos em grupos tais quais radiolários, foraminíferos, nanofósseis calcários, conodontes, dinoflagelados, etc. Vejamos alguns desses grupos logo abaixo!

Foraminífero

Foraminífero

 

Foraminífero

Radiolário

Radiolário

Nanofóssil calcário

Dinoflagelado

Como diria Louis Armstrong, What a Wonderful World!

Todas as fotos foram retiradas do google imagem!

Paleocurta: O que é a Geomicrobiologia?

Caros leitores, vocês já ouviram falar em microbialitos, estromatólitos, trombólitos, leiolitos? Bom, esses nomes estranhos são matéria de estudo da Geomicrobiologia.

A Geomicrobiologia nada mais é uma ciência na interface entre a Geologia, Biologia e Paleontologia que busca entender estruturas organossedimentares construídas por atividade bacteriana, tais quais os famosos estromatólitos de Shark Bay, na Austrália.
Estromatólitos de Shark Bay, Austrália. Fonte: www.sharkbay.org
A Geomicrobiologia nos dias atuais está em crescente desenvolvimento no Brasil, tendo em vista a bacia de Santos, que contém os reservatórios de petróleo do Pré-sal. Mas afinal, o que a Geomicrobiologia tem a ver com o petróleo? Segundo literatura cientifica, esses reservatórios são de origem microbial, ou seja, um dia foram estromatólitos. Os estromatólitos são construções sedimentares bastante porosas, por isso sua facilidade em armazenar óleo.
Mas até ai falei da importância econômica, e a histórica?
Bom, essa introdução foi apenas uma breve apresentação da Gomicrobiologia. Se você se interessou pelo assunto, fique atento as próximas postagens, voltarei a falar das rochas de origem microbial e como elas ajudam a caracterizar paleoambientes desde lá no Arqueano, tempo que a vida começou a aflorar nesse fantástico planeta. Aguardem!
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>Nossa Júlia da vida real!

>Nossa querida e prestigiada paleontóloga Aline Ghilardi está conquistando a mídia brasileira! Saiu hoje na revista “tititi” uma reportagem comparando a Júlia da novela “Morde e assopra” à nossa criadora do Colecionadores, a verdadeira paleontóloga de dinossauros. Para quem quiser acessar a reportagem virtual, é só clicar no link abaixo. Ou então, ler diretamente na revista da edição número 664. É um orgulho saber que a paleontologia está em ascensão e que fazemos parte disso tudo. Parabéns Aline!


Saudações Colecionadores!