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Paleontólogos encontram fósseis de seis filhotes de antigos répteis no Rio Grande do Sul

Por Felipe Pinheiro

Reconstituição artística de um grupo de dinodontossauros. Arte de Márcio Castro.
 

Pertencentes √† grande linhagem que daria, posteriormente, origem aos mam√≠feros, os dicinodontes eram os principais herb√≠voros durante boa parte do Per√≠odo Tri√°ssico, h√° cerca de 240 milh√Ķes de anos. No Brasil, o dicinodonte mais comum √© encontrado em algumas localidades do Rio Grande do Sul e chama-se¬†Dinodontosaurus. Ele era um animal razoavelmente grande, podendo chegar a 500 kg e medindo at√© 2,5 metros de comprimento. Assim como o que acontece com v√°rios grandes herb√≠voros atuais, sempre se especulou que o dinodontossauro andava em grandes bandos, em um comportamento que protegeria os animais dos ferozes predadores da √©poca, como os r√©pteis quadr√ļpedes¬†Prestosuchus¬†e¬†Decuriasuchus, parentes dos atuais crocodilos e jacar√©s.

Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Pampa fizeram uma descoberta surpreendente na cidade de Dona Francisca, Rio Grande do Sul: restos de pelo menos seis filhotes de dinodontossauro foram encontrados aglomerados uns sobre os outros, em uma associação bastante rara para os paleontólogos.

‚ÄúEstava tudo uma confus√£o. Cr√Ęnios e peda√ßos de mand√≠bulas misturados a ossos de bra√ßos, v√©rtebras e costelas. Em uma an√°lise cuidadosa, pudemos comprovar a exist√™ncia de seis animais, mas √© bastante prov√°vel que existisse muito mais do que isso‚ÄĚ, relata Gianfrancis Ugalde, autor principal do trabalho cient√≠fico publicado na revista internacional¬†Historical Biology. Al√©m de pesquisadores da Unipampa, o estudo contou com a participa√ß√£o de paleont√≥logos da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Embora tivessem grandes presas que os defendiam de predadores, os dinodontossauros eram bastante vulner√°veis ao ataque de grandes r√©pteis. ‚ÄúA forma√ß√£o de manadas √© bastante comum em herb√≠voros atuais‚ÄĚ, diz o professor¬†Felipe¬†Pinheiro¬†(Unipampa), que tamb√©m assina o trabalho. ‚ÄúAl√©m de ajudar na prote√ß√£o contra predadores, as manadas contribuem em uma maior taxa de sobreviv√™ncia dos filhotes a riscos como fome e doen√ßas. Os novos f√≥sseis comprovam que esse comportamento surgiu muito antes da origem dos pr√≥prios mam√≠feros‚ÄĚ, explica¬†Felipe.

Embora a causa da morte dos bichinhos continue incerta, √© prov√°vel que as carca√ßas tenham ficado expostas por um tempo razo√°vel antes de serem soterradas e, centenas de milh√Ķes de anos depois, acabarem na bancada de estudo dos paleont√≥logos.

Referência:

Ugalde et al. (2018). Link para acessar artigo: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2018.1533960?fbclid=IwAR2b92qDj9OeTNgxASfEoIWg5mwDKOwCqoEAoIZuugYy8vaHwT9aGH1VJoA&journalCode=ghbi20&