Infecção Hospitalar: o perigo subestimado

hospital-staph_600Imagem: Mike Adams http://www.naturalnews.com/023156_MRSA_staph_infections.html

Autor: Samuel Pereira
Discente do quinto semestre do curso de Biomedicina na Universidade Estadual de Santa Cruz, onde também realiza iniciação científica.

Nos √ļltimos dias, quando a m√≠dia noticiou sobre o isolamento de uma bact√©ria resistente causando infec√ß√£o em dois pacientes, em um hospital de Bras√≠lia p√īs em discuss√£o a tem√°tica das infec√ß√Ķes hospitalares (IHs). No Brasil, as estat√≠sticas das IHs n√£o s√£o atualizadas com frequ√™ncia, mas o Minist√©rio da Sa√ļde (MS) estima que a taxa m√©dia no pa√≠s seja de 15,5%, muito acima da m√©dia mundial que √© de 5%.

O Minist√©rio da Sa√ļde por meio da portaria n¬ļ 2612 de 12 de maio de 1998 estabelece infec√ß√£o hospitalar como um processo infeccioso adquirido ap√≥s admiss√£o do paciente e que se manifesta durante interna√ß√£o ou ap√≥s alta, quando puder ser relacionado com interna√ß√£o ou procedimentos hospitalares. Desde a d√©cada de noventa o termo IH vem sendo substitu√≠do por Infec√ß√£o Relacionada √† Assist√™ncia em Sa√ļde (IRAS), por√©m as duas denomina√ß√Ķes s√£o utilizadas.

Os primeiros casos de infecção hospitalar surgiram logo após a criação dos hospitais, pois nestes ambientes coexistiam os fatores essenciais ao aparecimento das IRAS. A circulação de microrganismos, uma cadeia de transmissão e hospedeiros comprometidos, associados a ineficientes programas de prevenção e controle existentes em grande parte dos hospitais contribuem para uma incidência crescente das IRAS.

No Brasil, uma das primeiras medidas de preven√ß√£o e controle deste grave problema de sa√ļde p√ļblica foi o desenvolvimento das Comiss√Ķes de Controle de Infec√ß√£o Hospitalar (CCIH), na d√©cada de setenta. Por determina√ß√£o do Minist√©rio da Sa√ļde (portaria 196 de 24 de junho de 1983) as CCIHs deveriam existir em todos os hospitais brasileiros, sendo constitu√≠das por profissionais de sa√ļde capazes de estabelecer infer√™ncias e interven√ß√Ķes. Cerca de vinte anos ap√≥s essa determina√ß√£o do MS constatou-se que apenas 30% dos hospitais possu√≠am uma CCIH.

Ao longo dos anos, a utiliza√ß√£o de antibi√≥ticos funcionou como principal estrat√©gia tanto no combate √†s infec√ß√Ķes comunit√°rias, quanto √†s infec√ß√Ķes relacionadas com os servi√ßos de sa√ļde. No entanto, o que preocupa na comunidade cient√≠fica atual s√£o os recorrentes casos de resist√™ncia aos antimicrobianos dispon√≠veis no mercado. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Preven√ß√£o de Doen√ßas (CDC) divulgou estat√≠sticas mostrando que 16% (do total de IRAS) s√£o causados pela bact√©ria Staphylococcus aureus, sendo que 60% dessas bact√©rias apresentavam resist√™ncia a algum antibi√≥tico.

As estrat√©gias de preven√ß√£o e controle adotadas at√© o momento n√£o foram suficientes para estabilizar o n√ļmero de casos de infec√ß√Ķes hospitalares. Buscar novas estrat√©gias √© indispens√°vel, uma alternativa s√£o as a√ß√Ķes de educa√ß√£o em sa√ļde que mostam resultados positivos no combate as infec√ß√Ķes comunit√°rias. As atividades de educa√ß√£o em sa√ļde podem ser efetivas ao aproximar o conhecimento te√≥rico da viv√™ncia pr√°tica de cada profissional envolvido na cadeia de transmiss√£o, permitindo que eles percebam a sua participa√ß√£o tanto no estabelecimento quanto no controle das IRAS. ¬†As atividades podem ser estendidas √† comunidade, visto que algumas pr√°ticas como o uso de antimicrobianos sem prescri√ß√£o m√©dica tamb√©m contribuem no surgimento de infec√ß√Ķes hospitalares.

 

REFERÊNCIAS

DF registra casos de superbactéria em três hospitais e uma UPA. 

BRASIL. Portaria n¬ļ 2616, de 12 de mar√ßo de 1998. Defini√ß√£o de infec√ß√£o hospitalar e outras provid√™ncias.

Azambuja, Eliana Pinho de, Denise Pires de Pires, and Marta Regina Cezar Vaz. “Preven√ß√£o e controle da infec√ß√£o hospitalar: as interfaces com o processo de forma√ß√£o do trabalhador.” Texto Contexto Enferm 13 (2004): 79-86.

Tortora, Gerard J., Berdell R. Funke, and Christine L. Case. Microbiologia. Artmed, 2012.