Laborat√≥rios h√≠bridos de interface arte/neuroci√™ncias – L’IMPLORANTE LAB

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– Por Jose Otavio Pompeu e Silva

Um encontro inusitado entre cientistas e artistas em um laborat√≥rio montado para funcionar durante o congresso IBRO 2015 que acontecer√° no Rio de Janeiro e √© um dos maiores encontros entre neurocientistas do mundo. Ser√£o duas apresenta√ß√Ķes de uma performance que une a proposta de uma pesquisadora de p√≥s-doutorado, a atriz Dorys Calvert; um aluno de mestrado, o pintor Danilo Moveo; a aluna de doutorado e videomaker Cristina Amazonas que assina a dire√ß√£o de arte e o som do pesquisador e DJ Eufr√°sio Prates. Jos√© Ot√°vio e Maira Fr√≥es, dois neurocientistas da UFRJ, comandam a interface arte/ci√™ncia que simula uma rede neural com oscila√ß√Ķes entre dados eletrofisiol√≥gicos e art√≠sticos criando um ambiente de imers√£o em que o tema universal dos sentimentos profundos da mulher √© mostrado no texto das cartas da artista francesa Camille Claudel.

O laborat√≥rio ArtSci L’Implorante trabalha com o conceito de ru√≠do que est√° por tr√°s de toda rede comportamental e cognitiva, integrando performance teatral, pintura abstrata ao vivo e m√ļsica eletr√īnica holofractal, combinada com abordagens neurofisiol√≥gicos cl√°ssicas, representada por grava√ß√Ķes electrod√©rmicas e eletroencefalogr√°ficas diretamente obtidas a partir dos arteistas e complementado por impress√Ķes subjetivas . Um encontro entre o subjetivo e o objetivo, artistas e cientistas contempor√Ęneos em busca das bases neurobiol√≥gicas da experi√™ncia humana. Vamos exercer nesses ambientes o potencial de inspirar e propor abordagens inovadoras para lidar com afirma√ß√Ķes cient√≠ficas para uma cogni√ß√£o emocional e afetiva incorporada no comando da cria√ß√£o humana.

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arte / neurociência e ciência / interfaces de sujeitos

. UMA QUESTÃO DE CORPO
8 de julho quarta-feira 17:00
Conceitos emergentes e conhecimentos experimentais de comportamentos emocionais e cognitivos incorporadas

. UMA QUESTÃO DE COR
9 de julho quinta-feira 17:00
Paletas da experiência humana objetiva e subjetiva com cores

. UMA QUESTÃO DE SOM
Sexta-feira 10 de julho 17:00
Palavras sonoras, soando imagens sonoras e
cérebros sonoros na ciência

Experiência interativa
A geração das interfaces de artsci ao vivo (a qualquer momento)

Sul America Centro de Conven√ß√Ķes – Mezanino
Av Paulo de Frontin , 1 -. Cidade Nova, no Rio de Janeiro
anatomiadaspaixoes.blogspot.com

Artistas, cientistas:
Caetano DABLE,
Cecilia Hedin-Pereira,
Cristina Amazonas,
Dandara Dantas,
Danilo Moveo,
Dorys Calvert,
Eufrasio Prates,
Fernando de La Rocque,
Franey Nogueira,
Gabriel Brasil,
Jo√£o Bosco
Bedeschi Filho,
José Otávio
Pompeu e Silva,
Maira Fróes,
Mario Fiorani Jr

 

Infecção Hospitalar: o perigo subestimado

hospital-staph_600Imagem: Mike Adams http://www.naturalnews.com/023156_MRSA_staph_infections.html

Autor: Samuel Pereira
Discente do quinto semestre do curso de Biomedicina na Universidade Estadual de Santa Cruz, onde também realiza iniciação científica.

Nos √ļltimos dias, quando a m√≠dia noticiou sobre o isolamento de uma bact√©ria resistente causando infec√ß√£o em dois pacientes, em um hospital de Bras√≠lia p√īs em discuss√£o a tem√°tica das infec√ß√Ķes hospitalares (IHs). No Brasil, as estat√≠sticas das IHs n√£o s√£o atualizadas com frequ√™ncia, mas o Minist√©rio da Sa√ļde (MS) estima que a taxa m√©dia no pa√≠s seja de 15,5%, muito acima da m√©dia mundial que √© de 5%.

O Minist√©rio da Sa√ļde por meio da portaria n¬ļ 2612 de 12 de maio de 1998 estabelece infec√ß√£o hospitalar como um processo infeccioso adquirido ap√≥s admiss√£o do paciente e que se manifesta durante interna√ß√£o ou ap√≥s alta, quando puder ser relacionado com interna√ß√£o ou procedimentos hospitalares. Desde a d√©cada de noventa o termo IH vem sendo substitu√≠do por Infec√ß√£o Relacionada √† Assist√™ncia em Sa√ļde (IRAS), por√©m as duas denomina√ß√Ķes s√£o utilizadas.

Os primeiros casos de infecção hospitalar surgiram logo após a criação dos hospitais, pois nestes ambientes coexistiam os fatores essenciais ao aparecimento das IRAS. A circulação de microrganismos, uma cadeia de transmissão e hospedeiros comprometidos, associados a ineficientes programas de prevenção e controle existentes em grande parte dos hospitais contribuem para uma incidência crescente das IRAS.

No Brasil, uma das primeiras medidas de preven√ß√£o e controle deste grave problema de sa√ļde p√ļblica foi o desenvolvimento das Comiss√Ķes de Controle de Infec√ß√£o Hospitalar (CCIH), na d√©cada de setenta. Por determina√ß√£o do Minist√©rio da Sa√ļde (portaria 196 de 24 de junho de 1983) as CCIHs deveriam existir em todos os hospitais brasileiros, sendo constitu√≠das por profissionais de sa√ļde capazes de estabelecer infer√™ncias e interven√ß√Ķes. Cerca de vinte anos ap√≥s essa determina√ß√£o do MS constatou-se que apenas 30% dos hospitais possu√≠am uma CCIH.

Ao longo dos anos, a utiliza√ß√£o de antibi√≥ticos funcionou como principal estrat√©gia tanto no combate √†s infec√ß√Ķes comunit√°rias, quanto √†s infec√ß√Ķes relacionadas com os servi√ßos de sa√ļde. No entanto, o que preocupa na comunidade cient√≠fica atual s√£o os recorrentes casos de resist√™ncia aos antimicrobianos dispon√≠veis no mercado. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Preven√ß√£o de Doen√ßas (CDC) divulgou estat√≠sticas mostrando que 16% (do total de IRAS) s√£o causados pela bact√©ria Staphylococcus aureus, sendo que 60% dessas bact√©rias apresentavam resist√™ncia a algum antibi√≥tico.

As estrat√©gias de preven√ß√£o e controle adotadas at√© o momento n√£o foram suficientes para estabilizar o n√ļmero de casos de infec√ß√Ķes hospitalares. Buscar novas estrat√©gias √© indispens√°vel, uma alternativa s√£o as a√ß√Ķes de educa√ß√£o em sa√ļde que mostam resultados positivos no combate as infec√ß√Ķes comunit√°rias. As atividades de educa√ß√£o em sa√ļde podem ser efetivas ao aproximar o conhecimento te√≥rico da viv√™ncia pr√°tica de cada profissional envolvido na cadeia de transmiss√£o, permitindo que eles percebam a sua participa√ß√£o tanto no estabelecimento quanto no controle das IRAS. ¬†As atividades podem ser estendidas √† comunidade, visto que algumas pr√°ticas como o uso de antimicrobianos sem prescri√ß√£o m√©dica tamb√©m contribuem no surgimento de infec√ß√Ķes hospitalares.

 

REFERÊNCIAS

DF registra casos de superbactéria em três hospitais e uma UPA. 

BRASIL. Portaria n¬ļ 2616, de 12 de mar√ßo de 1998. Defini√ß√£o de infec√ß√£o hospitalar e outras provid√™ncias.

Azambuja, Eliana Pinho de, Denise Pires de Pires, and Marta Regina Cezar Vaz. “Preven√ß√£o e controle da infec√ß√£o hospitalar: as interfaces com o processo de forma√ß√£o do trabalhador.” Texto Contexto Enferm 13 (2004): 79-86.

Tortora, Gerard J., Berdell R. Funke, and Christine L. Case. Microbiologia. Artmed, 2012.

Inventores brasileiros pedem sua ajuda, em dinheiro, para levar ao mercado um dos designs mais premiados do mundo em 2014

РPor Henry Suzuki

Imagine que a pr√≥xima vez que voc√™ for comprar √°gua no supermercado, voc√™ possa escolher entre uma garrafa fechada com uma tampa ‚Äúnormal‚ÄĚ ou com um tampa que, ap√≥s ser usada, possa ser reutilizada como bloco de montar. Imagine agora que, al√©m de encaixarem entre si, essas tampas-blocos de montar tamb√©m se encaixem com blocos das principais marcas encontradas no mercado (Lego, Megablocks, etc).

Pois √©. Essas tampas existem: Nominadas pelo London Design Museum como um dos ‚ÄúDesigns of The Year 2014‚ÄĚ e vencedoras de diversos pr√™mios nacionais e internacionais de design e sustentabilidade, as Clever Caps (www.facebook.com/clevercaps) s√£o tampas de garrafa que j√° saem de f√°brica com duas vidas: Na primeira vida, s√£o tampas compat√≠veis com gargalos de garrafas PET convencionais. Na segunda, s√£o blocos de montar compat√≠veis com Lego. Isso tudo sem necessidade de reciclagem ou de qualquer outro tipo de reprocessamento.

claver caps

Criadas pelos inventores brasileiros Cl√°udio Patrick Vollers e Henry Suzuki, as Clever Caps est√£o muito perto de chegarem √†s g√īndolas. O lan√ßamento ser√° feito por uma empresa brasileira de √°guas minerais. No entanto, para esse primeiro lan√ßamento a produ√ß√£o ser√° feita com maquin√°rio de pequena escala, utilizado para o desenvolvimento das tampas.

Para acelerarem a amplia√ß√£o de escala de fabrica√ß√£o, os inventores lan√ßaram uma campanha de ‚Äúcrowdfunding‚ÄĚ (financiamento coletivo). Qualquer pessoa f√≠sica ou jur√≠dica (inclusive voc√™ que est√° lendo este texto) pode colaborar.

As doa√ß√Ķes, que s√£o feitas online, podem ser partir de 1 d√≥lar. Dependendo da quantia, os colaboradores podem escolher entre diferentes tipos de recompensas. Uma das mais populares √© a doa√ß√£o de Clever Caps para institui√ß√Ķes de caridade: para cada d√≥lar arrecadado, dez tampinhas ser√£o doadas.

Para colaborar com o crowdfunding das Clever Caps veja o site: http://igg.me/at/clevercaps/x/7851837

Informa√ß√Ķes sobre as Clever Cap, incluindo um tutorial sobre como contribuir na campanha podem ser vistas nesse v√≠deo: https://www.youtube.com/watch?v=KWQlI3GEXPA

 

Henry Suzuki é inventor, empreendedor e especialista em patentes.

 

Por que estudar química?

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Imagem de Shutterstock

– Texto de Roberto Costa

Tabela periódica, cadeia de carbono, átomos. Para muita gente, essas palavras assustam. Estudar química pode parecer complicado à primeira vista, mas quando começamos a relacionar a ciência ao nosso cotidiano o estudo pode se tornar muito mais natural e prazeroso.

Qu√≠mica √© a ci√™ncia que estuda a estrutura das subst√Ęncias, a composi√ß√£o e as propriedades das diferentes mat√©rias, suas transforma√ß√Ķes e varia√ß√Ķes de energia. Na pr√°tica, isso quer dizer que o papel da qu√≠mica da nossa vida √© muito importante. Ind√ļstria aliment√≠cia, petroqu√≠mica, farmac√™utica, t√™xtil e outras dependem diretamente da qu√≠mica, assim como a cria√ß√£o de novos medicamentos e materiais biodegrad√°veis.

Ela faz parte do nosso dia-a-dia. O simples fato de estarmos vivos indica que rea√ß√Ķes qu√≠micas est√£o acontecendo dentro de n√≥s, o tempo todo. A nossa respira√ß√£o √© pura qu√≠mica, e todas as atividades di√°rias envolvem qu√≠mica. Cada cheiro que sentimos demanda uma s√©rie de rea√ß√Ķes qu√≠micas intra-neuroniais. Acetona, √°lcool, grafite… Esses termos comuns do dia a dia tamb√©m fazem parte do repert√≥rio da qu√≠mica.

Aprendendo química, é possível entender melhor o mundo ao seu redor. Com ela você fica sabendo porque o detergente retira a gordura, porque as folhas mudam de cor no outono e como a cerveja é produzida, por exemplo. Com ela, você entende os rótulos de produtos e pode até aprender a cozinhar melhor!
Al√©m disso, ela √© importante para compreender outras disciplinas, como Biologia, Ci√™ncias Ambientais, F√≠sica, Medicina e Ci√™ncias da Sa√ļde. √Č por interligar tudo isso que a qu√≠mica √© chamada de ‚Äúci√™ncia central‚ÄĚ.

E aten√ß√£o: se voc√™ se apaixonar pela qu√≠mica, ela √© tamb√©m uma √≥tima op√ß√£o profissional. Entre as atribui√ß√Ķes de um qu√≠mico est√£o a elabora√ß√£o de projetos de instala√ß√Ķes industriais, manuten√ß√£o de equipamentos, pesquisa e cria√ß√£o de novos materiais, controle e supervis√£o da produ√ß√£o e aplica√ß√£o de testes de qualidade.

O momento para seguir nesta √°rea n√£o poderia ser melhor. A Associa√ß√£o Brasileira da Ind√ļstria Qu√≠mica (Abiquim) estima que os investimentos na ind√ļstria qu√≠mica brasileira devem chegar a 167 bilh√Ķes de d√≥lares at√© 2020 e criar mais de 2 milh√Ķes de empregos. Segundo o Guia do Estudante, entre os melhores cursos de qu√≠mica est√£o o da Universidade de Bras√≠lia (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Paran√° (UFPR), Pontif√≠cia Universidade Cat√≥lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para quem j√° embarcou nos estudos mas enfrenta dificuldades, uma boa dica √© buscar informa√ß√Ķes complementares na internet. Algumas ferramentas s√£o gratuitas e podem ser muito √ļteis, como o PasseiDireto, rede social acad√™mica onde √© poss√≠vel trocar conhecimento e compartilhar arquivos com outros estudantes universit√°rios, de diversas institui√ß√Ķes do pa√≠s, p√ļblicas e privadas.

Roberto Costa, formando de jornalismo que ama pesquisas científicas.

Fontes:
http://quimicaouniversoemmovimento.blogspot.com.br/
http://www.abiquim.org.br/home/associacao-brasileira-da-industria-quimica
http://passeidireto.com/

 

Experimento Micro-ondas – dia 22: o resultado final

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Experimento micro-ondas: mudou o pH, e agora?!

 

Depois de analisar os dados coletados durante os 22 dias de experimento, é hora de revelar os resultados.

Primeiramente, uma recapitulação básica do que é tudo isso:

Há algum tempo, voltou a circular um velho mito nas redes sociais de que o forno de micro-ondas teria capacidade de alterar características físico-químicas dos alimentos nele aquecidos. Para mostrar que essas mudanças eram perigosas, haviam fotos de duas plantas, uma regada com água fervida no micro-ondas e a outra com água fervida no fogão. A planta que recebia água do micro-ondas morria em 9 dias.

Mas será que é realmente isso que acontece?

Responder essa pergunta foi umas das minhas motiva√ß√Ķes para a realiza√ß√£o desse simples por√©m relevante experimento. Acompanhe os textos anteriores nos links acima caso voc√™ ainda n√£o os tenha lido. Garanto que tudo vai fazer mais sentido.

No √ļltimo texto, ‚ÄúExperimento micro-ondas ‚Äď Dia 20: mudou o pH, e agora?!‚ÄĚ demonstrei como o aquecimento da √°gua pode alterar suas caracter√≠sticas f√≠sico-qu√≠micas, como por exemplo o pH. Sim, aquecer a √°gua ou qualquer alimento no forno de micro-ondas muda algumas caracter√≠sticas da subst√Ęncia, na maioria das vezes tornando-a mais b√°sica (menos √°cida). Mas o efeito √© exatamente o mesmo de ferver a √°gua num fog√£o √† g√°s.

Portanto, ao partirmos da noção de que a água fervida (sem importar o como) será mais básica, poderíamos esperar um efeito no desenvolvimento das plantas envolvidas. O pH das águas utilizadas no experimento estão descritas na Tabela 1:

Tipo de √°gua pH
Mineral 6,0 ¬Ī0.1
Torneira 6,0 ¬Ī0.1
Fervida em forno de micro-ondas 6,8 ¬Ī0.1
Fervida em forno √† g√°s 6,8 ¬Ī0.1

 

 

 

Tabela 1 РRelação de pHs

O experimento estava dividido em três testes: germinação em terra, germinação em algodão e crescimento. Achei interessante partir de três abordagens diferentes e tentar chegar em resultados que não se contradissessem. Será que deu certo?

 

1.¬†¬†¬† Germina√ß√£o em terra ‚Äď R√ļcula e Chic√≥ria

 

Existem alguns textos pela internet dizendo que a água fervida em micro-ondas faria com que sementes ficassem estéreis. Será que é realmente isso que acontece?

Para o teste de germina√ß√£o em terra, escolhi duas esp√©cies de plantas que resistem bem ao calor e tem um tempo de germina√ß√£o relativamente diferente entre si: Eruca sativa (R√ļcula) e Cichorium end√≠via (Chic√≥ria). Foram mais de mil sementes espalhadas por 104 espa√ßos em uma sementeira, como a Figura 1:

Figura 1: sementeira para testes de germinação.

Figura 1: sementeira para testes de germinação.

As sementes e respectivas mudas foram regadas duas vezes ao dia com uma quantidade padrão de água durante todo o período do experimento. Será que a fervura realmente deixou as sementes estéreis?

Veja voc√™ mesmo na Figura 2. Na metade superior temos as Chic√≥rias e na inferior as R√ļculas:

Figura 2: Sementeira ao final do experimento.

Figura 2: Sementeira ao final do experimento.

Você consegue dizer qual fileira recebeu qual tipo de água simplesmente olhando para esta imagem?

A distribuição foi a seguinte, da esquerda para a direita: água mineral, água de torneira, água fervida no micro-ondas e água fervida no fogão. Acertou alguma?

Conclusão: Não há efeito observável em relação ao tipo de água utilizado. Todos os quadradinhos tiveram uma germinação parecida.

Talvez voc√™ n√£o tenha gostado muito desse resultado, por ser provindo de uma an√°lise puramente qualitativa e subjetiva, onde a avalia√ß√£o foi ‚Äúno olho‚ÄĚ. Mas esse n√£o √© nem o teste prim√°rio, o melhor acabou ficando para o final!

2.¬†¬†¬† Germina√ß√£o em algod√£o ‚Äď Feij√£o

 

Este foi um teste com um apelo um pouco mais did√°tico, facilmente reproduz√≠vel por qualquer um (professor, fa√ßa esse experimento em sua classe!). Separei 60 feij√Ķes-comuns e coloquei 3 em cada pote. Cada grupo de 5 potes recebia um tipo de √°gua. A brita no fundo do pote √© para que o mesmo n√£o saia voando, veja a Figura 3:

Figura 3: Feij√Ķes no algod√£o para teste de germina√ß√£o.

Figura 3: Feij√Ķes no algod√£o para teste de germina√ß√£o.

O que aconteceu? Ser√° que algum feij√£o n√£o germinou?

Acompanhe a Figura 4. Talvez seja um pouco dif√≠cil de observar, mas os feij√Ķes germinaram normalmente em todos os potes:

Figura 4: Feij√Ķes j√° germinados.

Figura 4: Feij√Ķes j√° germinados.

Conclus√£o: N√£o h√° efeito observ√°vel em rela√ß√£o ao tipo de √°gua utilizado. Todos os feij√Ķezinhos cresceram normalmente, como esperado!

 

3.¬†¬†¬† Teste de Crescimento ‚Äď Cuphea gracilis e Torenia fournieri

 

Agora partimos para uma an√°lise um pouco diferente. Mais robusta e quantitativa, o teste de Crescimento busca avaliar exemplares de duas esp√©cies de flores comuns e como diferentes tipos de √°gua afetam seu crescimento, medindo em biomassa. Esse foi o experimento de verdade, que usa n√ļmeros e porcentagens, imensamente melhores do que compara√ß√Ķes ‚Äúno olho‚ÄĚ como fizemos at√© agora.

3.1¬† ‚ÄúBiomassa‚ÄĚ? Isso √© spaghetti para bi√≥logos?

A piada pode ter sido ruim, mas a explicação é boa: biomassa é um termo chique para falar sobre a quantidade total de matéria viva existente num ecossistema ou numa população animal ou vegetal. [1]

Existem principalmente dois tipos de biomassa: específica, que trata da massa total de determinada espécie, e a biomassa de comunidade, que leva em consideração todas as espécies naquela comunidade.

Toda vez que utilizei biomassa aqui, estava me referindo à biomassa específica ou, no caso da biomassa média, a média da biomassa específica de nossas duas espécies: a Torênia e a Cufeia.

 

A biomassa foi medida de forma padronizada, na mesma hora e com o mesmo espa√ßamento temporal entre a √ļltima regada de cada planta. Uma balan√ßa de precis√£o foi utilizada para uma medida com maior acur√°cia. Isso significa que eu pesei elas na mesma hora, para garantir que eu n√£o estaria pesando junto √°gua da √ļltima regada.

 

As plantas estavam divididas de acordo com a Tabela 2:

Tipo de √°gua Quantidade
Mineral 12 plantas (6 de cada)
Torneira 12 plantas (6 de cada)
Fervida em forno de micro-ondas 24 plantas (12 de cada)
Fervida em forno à gás 12 plantas (6 de cada)

 

 

 

Tabela 2 РRelação de distribuição de plantas

Para comparar o crescimento das plantas, escolhi utilizar a medida de biomassa média de cada conjunto. Pesei em uma balança de precisão cada planta no início do experimento e as fotografei. Ao final, pesei e fotografei novamente todas as plantas. A ideia inicial era pesá-las diariamente, mas tal processo mostrou-se logisticamente complicado.

Calculei a média aritmética de cada um dos 4 grupos no início e no fim do experimento. O gráfico a seguir mostra a biomassa inicial, em azul; biomassa final, em laranja; variação em porcentagem em amarelo. As medidas de massa estão em gramas. Veja a Figura 5:

Figura 5: Comparação de Biomassa Média.

Figura 5: Comparação de Biomassa Média.

A tendência é clara. Veja a Tabela 3:

 

Tipo de √°gua

Média inicial

Média final

Variação

Porcentagem

Mineral

280,17

281,00

0,83

0%

Torneira

267,92

285,67

17,75

7%

Fervida micro-ondas

249,00

290,71

41,71

17%

Fervida fog√£o

248,92

290,25

41,33

17%

Tabela 3 ‚Äď Compara√ß√£o de biomassa m√©dia por tipo de √°gua.

Podemos concluir, a partir dessa an√°lise geral, que:

1.       No geral, as plantas utilizadas pelo experimento preferem as águas fervidas;

2.       A água mineral foi a que pior se saiu no nosso teste: as plantinhas que a receberam mal conseguiram sobreviver.

 

3.2  РComparação de Biomassa Média de espécimes de Cuphea gracilis.

 

Agora, vamos analisar uma espécie por vez, a começar pela Cuphea gracilis (Cufeia). O procedimento adotado foi o mesmo: foi feita a média aritmética da biomassa inicial e da final e uma comparação simples. Acompanhe a Figura 6 e a Tabela 4:

an√°lise_cufeia

Figura 6: Comparação de Biomassa Média de espécimes de Cuphea gracilis.

Tipo de √°gua

Média inicial

Média final

Variação

Porcentagem

Mineral

264,00

258,50

-5,50

-2%

Torneira

238,83

270,33

31,50

13%

Fervida micro-ondas

223,50

257,83

34,33

15%

Fervida fog√£o

213,00

258,17

45,17

21%

Tabela 4 ‚Äď Compara√ß√£o de biomassa m√©dia por tipo de √°gua de esp√©cimes de Cuphea gracilis.

O efeito agora é um pouco mais sutil. Não há uma diferença tão gritante entre a água de torneira e as fervidas. O que é interessante de se notar é o péssimo desempenho da água mineral, que fez as plantas perderem biomassa, ou seja, emagreceram um pouquinho. Nota: não recomendo ao leitor interessado em perder alguns quilinhos beber água mineral em excesso; caso o leitor não se recorde, as plantinhas aqui estudadas funcionam de modo ligeiramente diferente de um ser humano.

 

Podemos concluir, a partir dessa análise de biomassa de espécimes de Cuphea gracilis, que:

1.       No geral, as Cuféias utilizadas pelo experimento preferem as águas fervidas no fogão, com uma pequena diferença entre a água de torneira e a fervida no micro-ondas;

2.       A água mineral obteve o pior desempenho; os espécimes que receberam-na não apenas deixaram de crescer, mas definharam perdendo em média 2% de sua biomassa inicial;

 

3.2 РComparação de Biomassa Média de espécimes de Torenia fournieri.

 

O mesmo procedimento foi repetido para os espécimes de Torenia fournieri. Veja a Figura 7 e a Tabela 5:

an√°lise_torenia

Figura 7: Comparação de Biomassa Média de espécimes de Torenia fournieri.

Tipo de √°gua

Média inicial

Média final

Variação

Porcentagem

Mineral

296,33

303,50

7,17

2%

Torneira

297,00

301,00

4,00

1%

Fervida micro-ondas

274,50

323,58

49,08

18%

Fervida fog√£o

284,83

322,33

37,50

13%

Tabela 5 ‚Äď Compara√ß√£o de biomassa m√©dia por tipo de √°gua de esp√©cimes de Torenia fournieri.

O efeito agora é inverso. A água fervida no forno de micro-ondas se saiu melhor que a fervida no fogão, ao contrário do que ocorreu com a Cufeia. E desta vez o pior desempenho ficou com a água de torneira.

A partir de todos esses dados, podemos extrair algumas conclus√Ķes gerais:

1.       Em geral, as plantas utilizadas no estudo preferiram água fervida, ou seja, menos ácida;

2.       O pior desempenho médio ficou com a água mineral, com um crescimento quase nulo;

3.       A água de torneira, não-filtrada, teve um desempenho superior ao da água mineral, mas inferior ao das águas fervidas.

4.       Dentro das águas fervidas, a água fervida no forno de micro-ondas teve uma miserável vantagem de 0,00145% sobre a água fervida no fogão. Tecnicamente, seu desempenho foi melhor.

 

E temos um vencedor!

Conclus√£o principal: O experimento mostrou que a √°gua fervida no micro-ondas n√£o apenas n√£o faz mal algum as plantas, como se mostrou a melhor dos quatro tipos de √°gua!

pódio

Se voc√™ leu at√© aqui, deve estar se imaginando o porqu√™ que √°gua mineral obteve um desempenho inferior ao da √°gua de torneira. Bem, eu tamb√©m. Isso √© assunto para um pr√≥ximo experimento, a ser detalhado em breve…

Convido a todos a postarem suas perguntas na seção de comentários abaixo.

E aqui um experimento se encerra, mas a minha motivação não. Pretendo publicar um texto em breve respondendo às perguntas feitas e completando com mais detalhes que não foram incluídos aqui para não deixar o texto muito pesado. Também vou aproveitar o próximo texto para discutir com um pouco mais de detalhamento os resultados obtidos.

O objetivo agora é sintetizar os resultados para publicação em periódicos específicos ou não. No próximo texto detalharei melhor como tudo isso será feito.

Convido a todos para replicarem a ideia, utilizando outras plantas ou outros tipos de √°gua. Expresso aqui minha vontade de que todos possam realizar o exerc√≠cio cient√≠fico como hobby. Meu experimento foi simples, mas serviu para mostrar como se mistifica muita coisa a respeito do fazer cient√≠fico. √Č claro que n√£o acho que isso aqui se compara a uma pesquisa de verdade, mas serve para ilustrar o conceito.

Agrade√ßo a todos que apoiaram a execu√ß√£o e deram sugest√Ķes. Um agradecimento especial √† minha m√£e, que me ajudou do come√ßo ao fim do experimento, ao Rafael Bento aqui do ScienceBlogs, que me incentivou a escrever sobre o experimento e a minha ex-Professora de Biologia, Sharon, que sempre alimentou meu interesse pelas plantas!

Também aceito desafios para desbancar lendas urbanas!

Saliento para vocês leitores: perguntem, duvidem, critiquem, elogiem, proponham, desafiem. O espaço de comentários está aqui a seu dispor! E não se esqueça, se gostou do experimento, compartilhe e mostre para seus amigos e familiares.

Até o próximo experimento!

 

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Experimento micro-ondas: mudou o pH, e agora?!

Experimento micro-ondas – Dia 20: mudou o pH, e agora?!

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Primeiramente, minhas sinceras desculpas. Não tive como manter o ritmo de atualização que esperava devido a algumas pendências a resolver. Mas vamos lá:

Muito se fala, mas pouco realmente se sabe sobre o funcionamento do forno de micro-ondas. Um equipamento quase místico que é onipresente na maioria das residências, ele não resistiu a formação de uma lenda urbana em seu entorno.

Recentemente chegou até mim uma lenda urbana que fala sobre os efeitos nocivos do uso do micro-ondas para aquecimento de alimentos, utilizando como base um experimento que supostamente mostrava uma planta morrendo depois de 9 dias regadas com água fervida no forno de micro-ondas, como abordei no texto anterior: http://scienceblogs.com.br/ensaios/2014/02/experimento-microondas-dia-03/

Por sua forma de funcionamento ser ligeiramente mais complexa, muitas pessoas ficam criando mitos e lendas ao redor deste inofensivo eletrodom√©stico. A√≠ √© claro, os charlat√Ķes de plant√£o aproveitam para arrebanhar audi√™ncia para suas ideias de conspira√ß√£o, assunto que eu abordei no texto anterior tamb√©m.

O problema aumenta quando as poucas pessoas que se interessam por entender como o aparelho funciona se deparam com outra lenda urbana: a de que o forno de micro-ondas funciona de modo a fazer com que as mol√©culas de √°gua supostamente entrassem em resson√Ęncia com a frequ√™ncia emitida pelo forno. O que n√£o √© o que realmente acontece.

‚ÄúO que aquece os conte√ļdos em um forno de micro-ondas √© principalmente o campo el√©trico e o efeito √© o seguinte. Uma mol√©cula de √°gua ‚Äď e √°gua √© abundante nos alimentos ‚Äď tem maior concentra√ß√£o de cargas negativas em um de seus extremos e de cargas positivas no outro. Assim, as mol√©culas de √°gua tendem a se alinhar com um campo el√©trico que atua sobre elas. Mas o campo el√©trico, no caso, √© oscilante, invertendo sua orienta√ß√£o bilh√Ķes de vezes por segundo. Portanto, as mol√©culas tender√£o a se alinhar em uma dire√ß√£o, logo em seguida em dire√ß√£o oposta e depois na mesma dire√ß√£o, etc. Durante esse movimento as mol√©culas interagem com as suas vizinhas e a energia que absorvem do campo el√©trico vai sendo distribu√≠da, aquecendo o conte√ļdo do forno‚ÄĚ explica Otaviano Helene, professor da USP, em mat√©ria para o Observat√≥rio da Scientific American [1].

Veja a Figura 1 para um melhor entendimento:

Figura 1: Exemplificação do alinhamento molecular com o campo elétrico oscilante. [2]

Figura 1: Exemplificação do alinhamento molecular com o campo elétrico oscilante. [2]

Agora que entendemos um pouco melhor de como realmente funciona, vamos partir para as perguntas que geralmente s√£o levantadas:

1 ‚Äď Poderia o aquecimento no micro-ondas alterar propriedades do alimento?

Ao que muitos c√©ticos prontamente respondem um enf√°tico ‚Äún√£o‚ÄĚ, a resposta √© sim.

Detalhe: não é devido ao método e sim ao aquecimento da própria água. Ferver água no fogão e no micro-ondas resultam na mesma coisa. Acompanhe:

Primeiro, peguei √°gua da torneira. Segundo a conta de √°gua, seu pH √© de 6,01. Meu medidor mostrou 6.0 ¬Ī0.1, o que est√° bem dentro do esperado. Veja a Figura 2:

Figura 2: Medindo o pH da água saída da torneira.

Figura 2: Medindo o pH da água saída da torneira.

Ent√£o, peguei esta mesma √°gua e fervi no forno de micro-ondas. Tenho tempo cronometrado para que ela apenas comece a ferver. Medi o pH mais uma vez, conforme a Figura 3:

Figura 3: Medindo o pH da água após ser fervida no forno de micro-ondas.

Figura 3: Medindo o pH da água após ser fervida no forno de micro-ondas.

Agora foi para pH 6.8 ¬Ī0.1.

Se eu fosse apenas ligeiramente tendencioso, já teria me aproveitado dessa leitura e afirmado que o micro-ondas é prejudicial e blá blá blá. Mas, calma lá. Veja o que acontece quando eu fervo a água de torneira no fogão, na Figura 4:

Figura 4: Medindo o pH da √°gua fervida no fog√£o.

Figura 4: Medindo o pH da √°gua fervida no fog√£o.

Ah√°! Mesma coisa. pH de 6.8 ¬Ī0.1.

O que podemos concluir então é que não é o método, e sim o ato da fervura que muda essa coisa misteriosa chamada pH. Muda também o gosto pelo mesmo motivo.

1.1¬† ‚Äď O que diabos √© esse pH?

Em resumo, √© uma forma de indicar a acidez ou alcalinidade de uma solu√ß√£o aquosa. O tal n√ļmero √© cologaritmo de base 10 da atividade de √≠ons de H+. A faixa de medi√ß√£o vai de 0 a 14 (n√£o √© o limite, √© uma conven√ß√£o de uso), sendo 0 um √°cido MUITO forte e 14 uma base MUITO forte. A √°gua pura, neutra, deveria ter um pH de 7.0. [3]

1.2¬† ‚Äď Porque o ato da fervura altera o pH?

Nossa √°gua de torneira, longe de ser pura, possui uma s√©rie de sais de c√°lcio, magn√©sio, s√≥dio e pot√°ssio, al√©m de outras coisas como oxig√™nio e di√≥xido de carbono dissolvidos. √Č desta mistura de componentes que vem o gosto da √°gua.

O di√≥xido de carbono (CO2) dissolvido reage com a pr√≥pria √°gua e cria √°cido carb√īnico (H2CO3), que por sua vez se dissocia para criar pequenas quantidades de √≠ons H+ e HCO3. Ent√£o o pH da √°gua √© regulado pelas quantidades de di√≥xido de carbono e √≠ons de bicarbonato (HCO3).

Mas os íons de bicarbonato (HCO3) são vulneráveis a calor e sofrem termólise (também chamada de decomposição térmica), transformando-se em um íon carbonato e dióxido de carbono, como a seguinte reação:

2HCO3 ‚ÜĒ CO3-2+ CO2 + H2O

Quando a água é fervida, tanto os dióxidos de carbono quanto os oxigênios dissolvidos na água são expelidos fora de nossa solução. Mesmo que a água resfrie, a reentrada de dióxido de carbono não consegue equiparar a perda dos bicarbonatos. Isso significa que teremos uma concentração reduzida de bicarbonatos e íons H+, diminuindo o caráter ácido da solução e por consequência, aumentando seu pH. [4] [5]

 

Então não, o forno de micro-ondas não tem a capacidade de alterar características físico-químicas da água mais do que o seu fogão convencional. Nada a se preocupar.

 

2 ‚Äď Poderia a √°gua fervida no micro-ondas causar altera√ß√Ķes no crescimento de plantas?

Sim, claro que pode. Assim como a água fervida no fogão. Não vou me cansa de repetir, o efeito do aumento do pH provém do aquecimento em si, e não da forma com que você faz isso. Para plantas que preferem solos mais básicos (alcalinos), regar com água fervida pode ajudá-las a se desenvolver melhor.

3 ‚Äď Voc√™ espera alguma diferen√ßa no desenvolvimento das plantas?

Sim, exclusivamente devido ao pH. Ambas √°guas mineral e de torneira possuem pH pr√≥ximo de 6.0 ¬Ī0.1 e as fervidas de 6.8 ¬Ī0.1. Se existir algum efeito, ele ser√° identificado num par mais √°cido (torneira e mineral) ou mais b√°sico (fervidas).

4 ‚Äď √Č verdade que o forno de micro-ondas opera numa frequ√™ncia que causa c√Ęncer?

Se isso fosse verdade, deveríamos estar muito mais preocupados com nossos roteadores WiFi, televisão e aparelhos de celular. Todos operam na faixa eletromagnética dos micro-ondas. Roteadores de WiFi operam inclusive na exata mesma frequência (2.4GHz) do que a maioria dos fornos de micro-ondas convencionais.

E lembre-se: seu micro-ondas est√° ligado poucos minutos por dia e est√° envolto por uma Gaiola de Faraday muito boa, feito para que as ondas n√£o escapem. Seu roteador √© feito para transmitir mais sinal para o maior n√ļmero de lugares poss√≠vel. O mesmo vale para aparelhos de celular, r√°dios UHF, televis√£o, entre muitos outros.

A resposta é Não.

5 ‚Äď Como est√° o andamento do experimento?

Em ritmo de encerramento. Os feij√Ķezinhos j√° est√£o sofrendo e ser√£o replantados em breve, estando j√° fora do experimento e devidamente pesados e fotografados. O resto das plantas ser√° pesada e fotografada individualmente para que possamos conferir se houve alguma diferen√ßa em seu desenvolvimento.

O exército de plantas utilizado para o experimento está começando a mostrar sinais de definhamento: precisam sair de seus vasinhos. Depois de todo o empenho, nada como uma repaginada no jardim e uma boa salada!

20140227_015

Os textos continuar√£o vindo, apesar da longa pausa que fui obrigado a fazer. O experimento continuou sem interrup√ß√Ķes e estarei compilando os resultados para publica√ß√£o aqui na semana que vem. Prometo que n√£o vai demorar muito.

O próximo texto será surpresa!

Até a próxima!

Referências:

[1] ‚Äď Observat√≥rio SciAm, Scientific American Ano 12, n¬ļ139, p√°g 20 ‚Äď Dezembro 2013;

[2] – http://www.pueschner.com/basics/phys_basics_en.php

[3] – http://pt.wikipedia.org/wiki/PH

[4] – http://www.hindu.com/seta/2005/08/25/stories/2005082500271600.htm

[5] – http://www.hc-sc.gc.ca/ewh-semt/pubs/water-eau/ph/index-eng.php

 

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Experimento Micro-ondas: Dia 03

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Agora que você já conhece um pouco mais do experimento que está sendo realizado ou o que, chegou a hora de saber o porquê.

Toda nova tecnologia, quando chega ao grande p√ļblico, vira alvo de pol√™micas e conspira√ß√Ķes. Com o forno de micro-ondas n√£o foi nada diferente. Criado por acidente em 1947 pela Raytheon, empresa estadunidense que desenvolve sistemas de radares ativos para fins militares e aeroespaciais, o aparelho at√© hoje √© um verdadeiro mist√©rio na cozinha de muitas pessoas. Exploraremos melhor a hist√≥ria e funcionamento do forno de micro-ondas em um futuro pr√≥ximo.

Pol√™micas em torno do micro-ondas ganham for√ßa com o alcance e a relativa facilidade de se criar e disseminar conte√ļdo (as vezes de p√©ssima qualidade) pela Internet. Muitos blogs, quando n√£o atrelados a uma rede que lhes ateste credibilidade (como o nosso querido ScienceBlogs) acabam divulgando conte√ļdo sensacionalista e por vezes completamente errado. Se √© feito por ingenuidade ou com inten√ß√Ķes perversas n√£o √© nosso foco aqui. O problema √© que muitas dessas informa√ß√Ķes caem nas m√£os (ou olhos) de muitas pessoas, que na base da confian√ßa cega e falta de ceticismo acabam acreditando em tudo que leem ali.

Nesse sentido, há o excelente E-Farsas, uma iniciativa de Gilmar Lopes, um Analista de Sistemas que analisa as várias polêmicas e supostas notíciais que circulam na Internet, fazendo e incentivando o bom uso do ceticismo.

Recentemente voltou a circular um velho mito sobre o forno de micro-ondas: que ele teria a capacidade de ‚Äúalterar a estrutura molecular de √°gua e criar compostos t√≥xicos‚ÄĚ. A alega√ß√£o era evidenciada a partir de um ‚Äúexperimento‚ÄĚ no qual durante 9 dias se molhou uma planta com √°gua fervida no fog√£o e outra fervida no micro-ondas, e aquelas fervida no micro-ondas morria ao final dos 9 dias. Este suposta not√≠cia foi requentada; surgiu em 2010 comentando sobre a experi√™ncia das plantinhas que supostamente havia sido feita em 2006 por uma jovem chamada Arielle Reynolds, para uma feira de ci√™ncias em Knoxville, Tennessee, EUA. [1][2]

Figura 1: Primeiro dia do suposto experimento. A planta da esquerda recebe √°gua fervida em micro-ondas e a da direita fervida no fog√£o.

Figura 1: Primeiro dia do suposto experimento. A planta da esquerda recebe √°gua fervida em micro-ondas e a da direita fervida no fog√£o.

 

Figura 2: Ao quinto dia, é visível a diferença no desenvolvimento das duas plantas.

Figura 2: Ao quinto dia, é visível a diferença no desenvolvimento das duas plantas.

 

Figura 3: Visivelmente, h√° algo de errado com a planta da esquerda.

Figura 3: Visivelmente, h√° algo de errado com a planta da esquerda.

Esbarrei com esta ‚Äúnot√≠cia‚ÄĚ h√° algumas semanas por um compartilhamento do Facebook. Li com aten√ß√£o e fiquei um pouco incomodado com algumas coisas:

  • Porque o texto n√£o apresenta nenhuma indica√ß√£o de quais seriam estes ‚Äúcompostos t√≥xicos‚ÄĚ ou ao menos apontaria alguma fonte para consulta aprofundada?
  • Porque o experimento foi realizando com apenas duas plantas? Uma amostragem dessas √© min√ļscula para tirar uma conclus√£o de tal magnitude.
  • J√° que os resultados foram t√£o surpreendentes, porque n√£o replicaram o experimento mais vezes e com outras plantas, para aumentar credibilidade?
  • Porque justificavam a falta de artigos e publica√ß√Ķes sobre o assunto como uma conspira√ß√£o das fabricantes de eletrodom√©sticos?

conspiracy-theory-alert

O tom sensacionalista, alarmista e pouco t√©cnico da maioria dos textos que encontrei falando sobre os perigos do uso de fornos de micro-ondas fez soar meu alerta c√©tico interior. Me lembrou muito aqueles pseudodocument√°rios sobre alien√≠genas, 11 de setembro, √Ārea 51 e afins. Mas dessa vez era um pouco diferente.

Uma coisa √© um pseudodocument√°rio revisionista, que buscar ‚Äúrelativizar‚ÄĚ e ‚Äúreavaliar‚ÄĚ fatos e evid√™ncias em busca de uma explica√ß√£o alternativa para corroborar devaneios de conspiracionistas, onde existe um sentimento de impot√™ncia frente ao que est√° sendo exibido. Outra coisa completamente diferente √© a exibi√ß√£o de um suposto experimento, malconduzido, que detalha um aparte da realidade. Isso n√≥s podemos fazer, qualquer um de n√≥s.

O simples experimento que criei utiliza elementos básicos do método científico. Não precisa de muito investimento (minhas estimativas iniciais colocam os custos do experimento em R$120-R$150) nem muito tempo dedicado. Apenas precisa de nossa iniciativa, da não conformação frente a uma notícia mal dada ou um experimento malconduzido.

Reconhe√ßo que o √īnus da prova recai sobre quem afirma a hip√≥tese, em conduzir um experimento decente, replic√°vel, detalhado e devidamente documentado. Minha inten√ß√£o aqui √© tentar mostrar para o grande p√ļblico n√£o apenas se a √°gua do micro-ondas faz mal ou n√£o, mas tamb√©m sobre os benef√≠cios de duvidarmos de informa√ß√Ķes e explica√ß√Ķes reconhecidamente ruins. Quero incentivar o maior n√ļmero de pessoas poss√≠vel de que √© sim tang√≠vel voc√™ separar algumas horas por m√™s e conduzir um experimento cient√≠fico simples de seu interesse. N√£o para necessariamente descobrir uma coisa nova ou almejando um Nobel e sim para entender um pouco melhor como o mundo ao nosso redor funciona.

Anseio o dia em que a prática científica amadora seja tão comum quanto tomar café-da-manhã ou assistir à novela das 8. Anseio o dia em que as pessoas não se contentem com as respostas deglutidas e tendenciosas, mas formem as suas próprias quando possível.

Chega de reflex√Ķes, vamos √†s plantinhas:

Figura 4: Ol√°, eu sou um feij√£o.

Figura 4: Ol√°, eu sou um feij√£o.

Todas as plantas estão se desenvolvendo, sobrevivendo e germinando. Umas mais, outras menos, o que será objetivamente avaliado por meio de comparação de biomassa e fotos ao final. Além de ser muito cedo para dizer quais plantinhas estão vivendo melhor, o que cada planta está recebendo está documentado e só será revelado ao final do experimento.

Figura 5: O saud√°vel grupo C, com 6 Torenia fournieri e 6 Cuphea gracilis.

Figura 5: O saud√°vel grupo C, com 6 Torenia fournieri e 6 Cuphea gracilis.

E devo confessar, √© quase terap√™utico acordar um pouco mais cedo e ir regar as plantinhas, acompanhar sua germina√ß√£o e crescimento. Recomendo a todos, principalmente para os mais agitados e estressados, replicarem o experimento. Al√©m do exerc√≠cio cient√≠fico e relaxamento, acompanhar o crescimento de r√ļculas e chic√≥rias pode render uma boa salada no final do experimento. Ou voc√™ acha que minha m√£e est√° ajudando de gra√ßa?

Figura 6: Os 52 p√©s de R√ļculas, futuramente ser√£o salada.

Figura 6: Os 52 p√©s de R√ļculas, futuramente ser√£o salada.

No pr√≥ximo texto, vamos explorar um pouco melhor o que √© verdade e o que n√£o √© nas alega√ß√Ķes de efeitos dos fornos micro-ondas.

Até a próxima!

Ah, e aceito sugest√Ķes de preparo de saladas que envolvam grandes quantidades de R√ļculas e Chic√≥rias.

Tulio Baars ‚Äď http://alexaradio.org/

Fontes:

[1]: ‚ÄúAlimentos preparados no micro-ondas fazem mal √† sa√ļde?‚ÄĚhttp://www.e-farsas.com/alimentos-preparados-micro-ondas-saude.html

[2]: Tudo come√ßou nesta p√°gina: ‚ÄúMicrowaved Water – See What It Does to Plants‚ÄĚ – http://www.rense.com/general70/microwaved.htm

LOGBOOK 06/02/2014 até 08/02/2014:

– R√ļculas de modo geral germinam muito r√°pido, talvez n√£o sejam adequadas para timelapse;

– Conseguir uma GoPro ou c√Ęmera autom√°tica para fotos da germina√ß√£o das Chic√≥rias;

РHá uma visível diferença de crescimento entre alguns grupos de feijão. Ansioso para saber que água recebem;

– Quantidade de √°gua √≥tima encontrada: 100mL de √°gua por planta. Necessita de mais observa√ß√Ķes para determinar as diferen√ßas de quantidade de √°gua para cada esp√©cie;

РIdeia para experimento futuro: relacionar o desenvolvimento e germinação em função da diferença entre a temperatura da água regada em relação a temperatura ambiente: plantas preferem água gelada quando está mais quente?

РBorrifar folhas com água, é uma boa ideia? Algumas parecem levemente ressequidas quando vistas com uma lupa.

 

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Experimento Micro-ondas: Dia 01

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Olá, meu nome é Tulio Baars e eu amo ciência.

N√£o √© como uma m√ļsica especial ou um filme que se tem um apre√ßo. Eu realmente amo a ci√™ncia. Sem delongas, para mim √© a mais pura e linda forma de express√£o humana, criando uma forma de contemplar e entender o Universo, do micro ao macro, em uma escala sem precedentes. Me pego as vezes, em momentos de reflex√£o, pensando emocionado no qu√£o insignificantemente especiais n√≥s somos, assunto que j√° abordei em um texto no blog do meu projeto principal (http://alexaradio.org/singularidade-insignificancia-a1/).

Minha ideia √© tentar aplicar ao m√°ximo o m√©todo cient√≠fico e o ceticismo no meu dia a dia. O ceticismo n√£o serve apenas para questionar hip√≥teses novas, mas √© uma filosofia de vida. √Č uma forma n√£o de interpretar o mundo, mas de interpretar e avaliar com clareza as informa√ß√Ķes que recebemos dele. E √© partindo dessa ideia que bolei um experimento simples, mas digno de acompanhamento.

Depois de muito ler sobre os alegados ‚Äúperigos‚ÄĚ dos microondas, principalmente utilizando como evid√™ncia uma planta que morria ao ser regada com √°gua aquecida num forno micro-ondas, resolvi fazer algo a respeito. Elaborei um simples e barato experimento para testar a hip√≥tese da alega√ß√£o alarmista, utilizando o pouco que conhe√ßo do m√©todo cient√≠fico. Convido voc√™, leitor, a embarcar nessa ‚Äújornada‚ÄĚ em busca de confirmar ou refutar uma lenda urbana, divulgando os benef√≠cios do pensamento sistem√°tico ao mesmo tempo em que eu mesmo aperfei√ßoo minhas no√ß√Ķes do mesmo. Convido voc√™ tamb√©m a comentar sua opini√£o e quaisquer sugest√Ķes, elogios e cr√≠ticas.

20140205_002

O teste, que tem a duração estimada em 15 dias (estendível se necessário), busca avaliar o efeito de cada tipo de água escolhido em dois momentos da vida de uma planta: vida adulta e germinação. Os tipos de água escolhidos são: água mineral, água de torneira não-filtrada, água de torneira fervida em fogão e água de torneira fervida em forno micro-ondas.

Para o teste de sobrevivência em vida adulta, selecionei duas espécies de plantas, Torenia fournieri (Torênia) e Cuphea gracilis (Cufeia) para o teste. A escolha não foi arbitrária, resistência a calor, durabilidade, idade e preço foram levados em conta. São 60 mudas, 30 de cada, distribuídas do seguinte modo:

Р12 mudas (6 de cada espécie) receberão água mineral;

Р12 mudas (6 de cada espécie) receberão água de torneira não-filtrada;

Р12 mudas (6 de cada espécie) receberão água de torneira fervida em fogão;

Р24 mudas (12 de cada espécie) receberão água de torneira fervida em forno micro-ondas.

A terra utilizada é padrão para todos os testes, aumentando ainda mais a credibilidade deste (simples) experimento.

Para o teste de germina√ß√£o, escolhi duas plantas que tem uma relativa boa capacidade de germina√ß√£o nesta √©poca do ano: Eruca sativa (R√ļcula) e Cichorium end√≠via (Chic√≥ria). S√£o 52 de cada, em uma sementeira, conforme a Figura 1:

sementeira

Figura 1: sementeira para testes de germinação.

Para efeitos didáticos, também separei 20 copinhos com o clássico feijão-no-algodão, que todos já fizemos nas séries iniciais, conforme a Figura 2:

feij√Ķes

Figura 2: Feij√Ķes-no-algod√£o para testes de germina√ß√£o.

O procedimento de pesquisa é simples. Todos os dias de manhã, às 7h30, pegarei uma medida de cada água que já deixei preparada no dia anterior e rego as plantas, todas na mesma quantidade. Após regar, peso individualmente cada planta (que já foi individualmente catalogada) e tiro uma foto.

Ao final do dia, as 19h30, somente o procedimento de regar é repetido.

O objetivo é ter um acompanhamento da evolução do peso de cada planta ao longo de todo o procedimento, por meio de um banco de dados. Cada planta recebeu uma etiqueta individual, que a caracteriza em um grupo de 12 plantas, conforme a Figura 3:

A4

Figura 3: Exemplo de uma Torenia fournieri fotografada e catalogada.

O mais interessante de tê-las fotografadas de forma individual e diária é depois poder fazer um timelapse para cada planta e acompanhar seu desenvolvimento de forma visual. Vale lembrar que o experimento está sendo realizado com duplo-cego, graças a ajuda de minha mãe.

Ali√°s, cabe aqui um sincero agradecimento a ela, que sempre me incentivou a perseguir as respostas para minhas inquieta√ß√Ķes e que n√£o apenas ajudou a custear e transportar os insumos, plantas e apetrechos, mas ficou at√© a noite me ajudando a etiquetar e catalogar cada plantinha. Valeu, m√£e!

Os resultados colhidos ser√£o agrupados em forma de um artigo e devidamente submetido aos peri√≥dicos adequados. Por enquanto, voc√™ pode acompanhar o andamento do experimento por aqui. Ou pela televis√£o, se voc√™ √© da regi√£o de Rio do Sul ‚Äď SC. Hoje mesmo (05/02/14) a RBA TV veio aqui fazer uma reportagem sobre o experimento.

Os textos ser√£o organizados e escritos de modo a serem facilmente lidos para qualquer um, mas sem dispensar o devido rigor cient√≠fico. Ao final de cada texto teremos um indicativo do que vem a seguir e um pouco de transcri√ß√Ķes do meu logbook, onde escrevo tudo aquilo digno de nota dos experimentos realizados.

Nos pr√≥ximos dias, voc√™s poder√£o conhecer com um pouco mais de detalhes as plantas que usamos, as motiva√ß√Ķes para o experimento, o que √© real e o que n√£o √© com os mitos do micro-ondas e √© claro, quem sou eu que estou aqui tomando seu tempo.

Lembrando que tenho 17 anos e ainda sou muito novato nestes assuntos (quaisquer que sejam, rs). Aceito de bom grado sugest√Ķes de condu√ß√£o do experimento, dicas de literatura a ser consultada, cr√≠ticas e elogios.

Até a próxima!

Tulio Baars ‚Ästhttp://alexaradio.org/

 

LOGBOOK 05/02/2014:

– Deixar mais √°gua fervida preparada para regar, grande demora em esfriar totalmente;

– Documentar temperatura ambiente na hora de cada regada;

– Documentar hora de cada regada;

– Aumentar quantidade de √°gua para as plantas, todas se mostram levemente desidratadas;

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Um garoto contra um mito: Tulio vs Microondas

tulio

N√£o existe nada mais poderoso do que uma mente humana focada (fen√īmeno tamb√©m conhecido como “um cabra encanado”).

E se essa pessoa encanada ainda tiver iniciativa e gostar de p√īr a m√£o na massa, pronto, temos um desbravador. N√£o vou falar que essa pessoa √© uma cientista, porque h√° gente assim em todas as √°reas, nas artes e na filosofia, e na falta de palavra gen√©rica melhor usei “desbravadores” mesmo.

E sabe do que desbravadores n√£o gostam? Respostas f√°ceis.

Vamos come√ßar um experimento neste blog com um desbravador: Tulio Baars – o cara interessado por astronomia que com 16 anos fez um curso a dist√Ęncia; aprendeu sobre uma tal Anomalia Magn√©tica do Atl√Ęntico Sul; se inscreveu num programa da NASA e ganhou dela um kit para coletar seus dados; se interessou por Perturba√ß√Ķes Ionosf√©ricas S√ļbitas; falou com a Universidade de Stanford e ganhou mais dois kits para pesquisa e depois mais um detector de raios c√≥smicos.

Mas chega de puxar o saco dele, veja a história toda aqui.

Mesmo com tanta atenção voltada para o universo, o Tulio não se desligou das pequenas perguntas terrenas Рcuriosidade não é seletiva e perguntas são perguntas. Ficou encucado agora com um monstro cheio de mistérios e magias: o forno de microondas.

T√£o presente e t√£o controverso, uns dizem que ficar perto dele d√° c√Ęncer, tomar √°gua fervida nele d√° c√Ęncer, comida requentada nele d√° c√Ęncer, e por a√≠ vai. [Fora aqueles shows pirot√©cnicos com metais dentro de microondas que sempre aparecem na TV com um aviso “N√£o fa√ßam isso em casa”.]

Um experimento tem rodado o mundo das internets, usando água fervida (e esfriada depois, claro) para regar plantas, onde supostamente essas plantas sofrem mais em comparação com as regadas com água normal.

O Tulio não se aguentou e vai tocar mais esse experimento no maior estilo FAÇA-VOCÊ-MESMO. Nós do ScienceBlogs Brasil vamos acompanhar e publicar esse experimento que qualquer um pode fazer em casa. De hoje em diante vamos publicar o diário do Experimento Microondas.

Fique ligado. E se quiser fazer o seu em casa, escreva para a gente!

Siga o experimento:

Acompanhe o experimento desde o começo:

Dia 0: Um garoto contra um mito: Tulio vs Micro-ondas

Dia 1: Experimento Micro-ondas: Dia 01

Dia 3: Experimento Micro-ondas: Dia 03

Dia 20: Mudou o pH, e agora?!

Dia 22: O resultado final

Mais uma prova de que mulheres s√£o mais ciumentas que homens

Por Bruno Camera

As chuteiras da discórdia

As chuteiras da discórdia

A esposa olha para o par de chuteiras no fundo do arm√°rio transitando entre a incredulidade e o √≥dio puro. Minutos antes o marido se despedira, sacola de academia na m√£o, saindo como todas as quintas-feiras para o futebol com os amigos. Ela sempre desconfiou: n√£o conhecia os amigos de pelada; os amigos que conhecia n√£o jogavam futebol. Agora aquelas chuteiras ali, denunciando a mentira. Ela nem se lembrava mais quantos anos fazia que ele ia todas as semanas √†quele jogo. Como p√īde ser t√£o burra?

Sempre achei que mulheres s√£o mais ciumentas que os homens e que sentem ci√ļmes por motivos diferentes. Ser√° s√≥ impress√£o? Um grupo de pesquisadores ga√ļchos testou o n√≠vel de ci√ļme sexual e emocional em mais de 400 volunt√°rios, homens e mulheres ao redor dos 27 anos, a maioria comprometida. Os entrevistados responderam se seria mais dif√≠cil perdoar infidelidade emocional ou sexual.

O resultado foi realmente interessante, mostrou que mulheres sentem mais ci√ļmes do que homens. Entre elas os ci√ļmes emocionais s√£o mais fortes que os sexuais. J√° nos homens n√£o houve diferen√ßa entre o ci√ļme emocional e sexual.

De acordo com a teoria da sele√ß√£o sexual, f√™meas de diversas esp√©cies perdem mais quando seus parceiros deixam de investir nelas do que quando acasalam com outras parceiras. Machos, por outro lado, seriam prejudicados ao criar filhos de outro macho, da√≠ o ci√ļme sexual.

Foram horas remoendo o flagrante, pensando no retorno iminente do marido √† casa e em como o colocaria contra a parede. O √≥dio transmutado numa secre√ß√£o √°cida que fervia no est√īmago. Sentada na poltrona de frente para a porta, a esposa ouve a ma√ßaneta. Do outro lado da porta o marido, com uma folhinha de grama estrategicamente colada √† testa, um esfolado no joelho esquerdo e o suor azedo rescindindo √† dist√Ęncia, proclama: ‚ÄúEstou com os p√©s em carne viva! Esqueci as chuteiras e tive que jogar descal√ßo.‚ÄĚ

 

Por Bruno Camera

Fernandes, H. B. F.; Natividade, J. C. e Hutz, C. S. 2011. Diferen√ßas Sexuais em Ci√ļme: Teste de Hip√≥teses Evolucionistas Atrav√©s de Medidas Escalares. Resumo publicado no Sal√£o de Inicia√ß√£o Cient√≠fica da UFRGS.