√Č a porta dos (p√≥s-graduandos) desesperados!

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Por Fernando “Joey Salgado” Heering Bartoloni

Li o t√£o aclamado livro de Leonard Mlodinow, The Drunkard’s Walk (Penguin Books, adaptado para o portugu√™s como O Andar do B√™bado, Ed. Jorge Zahar).

Ainda n√£o me decidi se gostei ou n√£o gostei deste livro em que Mlodinow mostra como nossa no√ß√£o de racionalidade √© muito subjetiva e alheia a processos rand√īmicos que ocorrem em nossas vidas. Apesar da leitura ser meio densa, uma vez que ele enrola demais para chegar aos finalmentes de certos pontos e devido a um preciosismo dispens√°vel no formalismo matem√°tico usado em alguns momentos, incontestavelmente, as hist√≥rias contadas por Mlodinow s√£o excelentes. Tanto que teve uma que me deixou deveras pensativo.

Na verdade, √© uma demonstra√ß√£o muito clara de que o emprego da l√≥gica para a solu√ß√£o de um problema n√£o depende somente da matem√°tica, mas do problema como um todo. Irei apresent√°-lo em uma vers√£o modificada em rela√ß√£o ao livro e deixarei o “enigma” aqui pendente at√© semana que vem, quando irei publicar a solu√ß√£o do mesmo. Palpites ou resolu√ß√Ķes completas s√£o bem vindas nos coment√°rios. At√© por quem j√° leu o livro, ainda mais porque me parece que esse “estudo de caso” √© bem conhecido de maneira geral. ūüėČ
Seguinte…
Digamos que seu orientador do doutorado, que por acaso tamb√©m ministra uma disciplina da gradua√ß√£o em que voc√™ √© monitor, lhe oferece a oportunidade de escolher uma entre tr√™s portas, numeradas de 1 a 3, para “ganhar” seja l√° o que for que estiver escondido atr√°s da mesma (a p√≥s-gradua√ß√£o, afinal, √© uma loteria…).
Ele ent√£o lhe diz que uma das portas esconde o exemplar final da sua tese, pronta para ser depositada e defendida no prazo, enquanto que as outras duas escondem pilhas de centenas de relat√≥rios da turma do diurno e noturno da “Introdu√ß√£o √† Org√Ęnica Experimental”, que devem ser corrigidos at√© o dia seguinte. Voc√™ deve escolher uma entre as tr√™s portas, ao passo que, ap√≥s a sua escolha, o seu orientador, que est√° ciente do que est√° por tr√°s de cada uma delas, abre uma das duas portas que n√£o foram escolhidas para revelar o que voc√™ “perdeu”. Digamos que voc√™ escolheu a porta de n√ļmero 2. Seu orientador, ent√£o, abre a porta de n√ļmero 3, somente para lhe revelar uma pilha de relat√≥rios sem notas. Por enquanto, ufa! Logo ap√≥s esse sopro de al√≠vio moment√Ęneo, ele lhe oferece trocar de porta ou continuar na mesma. Ou seja, uma vez que voc√™ viu que a porta de n√ļmero 3 n√£o possui sua t√£o sonhada tese, voc√™ deve decidir se continua apostando na porta de n√ļmero 2, ou se muda de aposta para a porta de n√ļmero 1. Dito se a troca ser√° realizada ou n√£o, seu orientador ir√° revelar, com um prazer s√°dico, diga-se de passagem, se a sua madrugada ser√° passada na companhia prazerosa de Morfeu, ou na companhia amarga da Cafe√≠na. 
A pergunta, finalmente, √©: qual o melhor neg√≥cio? Se manter firme e forte com a porta de n√ļmero 2, ou mudar de ideia e trocar a aposta para a porta de n√ļmero 1?
Divirtam-se!