Observações desafiam teoria sobre raios cósmicos

Raios cósmicos são núcleos atômicos, principalmente  hidrogênio e hélio, que chegam à Terra vindos de todas as direções do espaço com velocidades incríveis. A teoria mais aceita para a origem da maioria deles diz que são lançados ao espaço pela explosão de supernovas em nossa galáxia.

A ideia é que as ondas de choque da explosão lançam nuvens de gás eletricamente carregadas que, por sua vez, geram campos magnéticos que arremessam núcleos atômicos carregados ao espaço. Desviados e acelerados ainda mais pelo campo magnético da própria Via Láctea, alguns deles chegam à Terra.     

Parece, porém, que essa não é toda a história, de acordo com um novo estudo publicado na revista Science em 3 de março, baseado em três anos de observações de raios cósmicos feitas pelos instrumentos da missão PAMELA, em órbita da Terra.

Conforme a teoria vigente, por serem acelerados pelo mesmo mecanismo, a abundância dos núcleos de hidrogênio e hélio com relação a sua energia deveria seguir um mesmo padrão conhecido por “lei de potência”. Mas contrariando a previsão, os dados do PAMELA sugerem que tanto o hidrogênio quanto o hélio foram acelerados por mecanismos diferentes.

Os autores do estudo afirmam que outras fontes de raios cósmicos além das supernovas podem ser importantes e precisam ser buscadas. Outros especialistas ouvidos pelos sites Science News e Physics World, entretanto, acham que é cedo para buscar teorias alternativas, já que a diferença observada entre o hidrogênio e o hélio é pequena e pode, talvez, ser explicada por cálculos mais detalhados, levando em conta, por exemplo, desigualdades dentro de uma mesma onda de choque ou entre ondas de choques de supernovas diferentes.

Discussão - 2 comentários

  1. ShadowsAV disse:

    Se não vem de supernovas de onde vem então? “Lugares alternativos” é muito vago pra ciência que busca fatos! Essa questão da desigualdade nos números é comum, o universo por si só não é uniforme, falaram até que as leis da física se alteravam conforme a distante, ou de um lugar para outro, pra tentar explicar isso, tudo por causa de um diferença que é aceitável já que encontrar essa diferença é tão estranho quanto encontrar uma total igualdade nos números.
    Obs: Não so nenhum profissional na área, só leio bastante sobre.

  2. Igor Z disse:

    ShadowsAV, realmente a sugestão é vaga, mas o que os pesquisadores do PAMELA querem é justamente incitar outros grupos de pesquisadores a desenvolverem explicações melhores para as suas observações.
    Quanto às leis da física mudarem ao longo do espaço, todas as observações até hoje sugerem que isso não acontece. Na verdade, pode se demonstrar que o fato das leis da física serem iguais em cada ponto no espaço implica na lei da conservação do momento linear. E tudo indica que essa lei é válida tanto aqui na Terra, quanto no universo distante (astrofísicos a usam o tempo inteiro para explicar suas observações e são bem sucedidos nisso).
    Claro que isso não impede que se busque por variações nas leis, o que é muito saudável. Talvez você esteja se referindo a observações que sugerem que a constante de estrutura fina varie no espaço:
    http://www.newscientist.com/article/dn19429-laws-of-physics-may-change-across-the-universe.html
    A pesquisa é legítima, mas os dados estão no limite da confibilidade e como disse um pesquisador “afirmações extraordinárias, requerem evidências extraordinárias”. Mais observações precisam ser feitas para confirmar o fenômeno. E se for confirmado, ai sim, a casa vai cair…

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