Auld lang syne*… (3)

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Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossas vidas, mais amores.

Em cismar sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá,
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.

Não permita deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que eu não encontro por cá,
Sem qu’inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.

(Gonçalves Dias in Primeiros Cantos)

Disclaimer: Sei que o ideal seria
se pudesse oferecere referências melhores – se não de material de
primeira mão, ao menos de artigos acadêmicos que analisaram tais
documentos ou, no máximo, de livros-textos da área -, mas acabei usando
como atalho, para esta série sobre os países participantes da Copa 2010,
referências terciárias – e que nem dizem respeito diretamente à questão
etimológica. Em muitos casos, a Wikipedia (anglófona, claro) foi
utilizada como material para consulta incial (procurei verificar por
fontes independentes mais confiáveis). Então fiquem ainda mais atentos
para o fato de que as informações podem não ser suficientemente acuradas
(eufemismo para incorreção).

República da Coreia (kor. 대한민국 大韓民國 Daehan-minguk) ou Coreia do Sul. Naturalmente, partilha boa parte de sua história com a Coreia do Norte, da qual se separou em consequência dos primórdios da Guerra Fria entre a URSS – com os soviéticos influenciando a porção norte e os EUA, a porção sul. Situação definida até hoje após o armistício que suspendeu a Guerra da Coreia. kor. Han “coreano” deve estar ligada à raiz coreana com significado de “grande, líder” (talvez ligado ao mongol khan). Após a queda dos gojoseon, os coreanos organizaram-se em uma confederação denominada 삼한 samhan (“três han”). Apesar da dinastia chinesa Han ter se aventurado em território coreano, não deve ser a origem da denominação sul-coreana do país e do povo. [1]

Estados Unidos da América (ing. United States of America). Os nativos americanos chegaram ao território dos atuais EUA provavelmente da Ásia – em uma ou mais ondas – através do estreito de Behring (descoberto à época do último glacial). A data é disputada entre 12.000 e 40.000 anos a.C. ou até mais. Em 1513, o espanhol Ponce de León aportou na região da Flórida. Franceses também estabeleceram colônias. Os ingleses fixaram-se na Virgínia em 1607. Em 1776, as treze colônias inglesas declararam independência. Política expansionista levou à compra da Louisiana da França, ao extermínio de nações indígenas a Oeste e à Guerra Mexicano-Americana, com anexação de vasto território do Texas à Califórnia. O Alaska foi comprado dos russos. O Havaí foi incorporado depois que residentes americanos e europeus derrubaram a monarquia local no fim do séc. 19. Os estadunidenses são também conhecidos por americanos e eles frequentemente denominam seu país como America. América foi a denominação dada a todo o continente do Novo Mundo pelo cartógrafo germânico Martin Waldseemüller em 1507, em homenagem ao cartógrafo e explorador florentino Américo Vespúcio – o primeiro a perceber que o que hoje conhecemos como América do Sul não fazia parte da Ásia como se pensava até então. [2, p. 24-5.]

Inglaterra (ing. England). País membro do Reino Unido (ao lado da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales).  Restos de hominídeos datam de 700.000 a.C., e desde o fim do último glacial tem sido ocupado por populações humanas. Diversas tribos celtas habitaram a ilha, ocupada pelo Império Romano no ano 43 d.C e permacendo até 410. Em 1066, Guilherme, o Conquistador, liderou a conquista normanda – o que determinou a influência da língua francesa na língua inglesa, de origem germânica. Várias dinastias se sucederam no trono: Valois, Plantagenetas, Tudor… Um breve período republicano liderado por Cromwell se sucedeu entre a deposição de Carlos I em 1653 e a restauração da monarquia em 1660 com a ascenção de Carlos II. Em 1707, com o Ato da União, formalizou o tratado com a Escócia, criando o Reino Unido. Desde então, a Inglaterra é governada por monarquia parlamentarista do Reino Unido. Ing. England vem do ing. méd. Englonde, Yngelonde < ing. ant. Englaland “terra dos anglos” (em oposição aos saxões), Os anglos eram uma tribo germânica da região de Angeln da península da baía de Kiel no Mar Báltico (área atualmente em território alemão) < Angel, Angul, literalmente ângulo, pelo formato. [3]

Estados Unidos Mexicanos (esp. Estados Unidos Mexicanos) ou México. A região é habitada desde pelo menos 21.000 a.C. Diversas civilizações floresceram antes da chegada dos espanhois: olmecas, maias e, principalmente, astecas. No séc. 16, Cortés destruiu o império asteca, estabelecendo o domínio espanhol. Em 1813, foi declarada a independência, reconhecida pela coroa espanhola em 1821. Diversas formas de governo foram estabelecidas, inicialmente Império e posteriormente República. Uma vasta área do Texas à Califórnia foi perdida com o resultado da Guerra Mexicano-Americana. O nome do país é uma referência à sua principal cidade e capital Cidade do México. A origem do nome da cidade é debatida. Alguns autores atribuem ao nahuatl Mextli, nome de uma divindade, significando Mēxihco “morada de Mextli”. Outros, que viria de mētztli (“lua”) e xictli (“umbigo, centro”), isto é, “centro da Lua” ou “centro do lago Lua”. [4]

República do Chile (esp. República de Chile). As planícies chilenas são ocupadas desde pelo menos o fim do último glacial. Eventualmente o povo Mapuche desenvolveu-se, resistindo às investidas incas. Em 1520, o navegador português Fernão de Magalhães atravessou o estreito de Magalhães. A conquista espanhola foi completada por Pedro de Valdivia, sendo anexado ao Vice-Reino do Peru. Em 1818, conquistou a independência. A origem do nome do país tem múltiplas versões. Em uma delas, teria sido derivado do nome inca para o vale do Aconcágua: Chili, por sua vez, originado do nome de um cacique: Tili. Uma das mais correntes é a de que provém do mapuche: chilli (“onde a terra termina”). [5, p. 44]

República Eslovaca (eslovaco: Slovenská Republika)  ou Eslováquia. Artefatos arqueológicos de cerca de 270.000 a.C. atestam a antiguidade da ocupação da área. Celtas, romanos, tribos germânicas já controlaram a região. Povos eslavos chegaram ao local no século 5 d.C. O Império Morávio formou-se e desintegro-se no séc. 9. O território foi incorporado pelo Reino da Hungria. Após a Primeira Guerra, com a região da Morávia e da Boêmia, surgiu a Tchecoeslováquia. Em 1993, a união se dissolveu, havendo a separação entre a República Tcheca e a República Eslovaca. O nome se refere ao povo eslovaco < eslovaco Slovák e tem a mesma origem do nome dos eslovenos.

Japão (jap. 日本国, にっぽん ou にほん Nihon-koku ou Nippon-koku). O arquipélago é habitado desde pelo menos 30.000 a.C. Diversos reinos dividiram o território, unificado durante o período Nara no séc. 8. O poder alternou-se entre o imperador, os senhores feudais e o chefe do exército (xogum). Em 1867, a restauração Meiji, trouxe novamente o poder para a mão do imperador. Política expansionista levou a conquistar territórios na China, parte da ilha Sacalina do Império Russo, a Coreia e Taiwan. Na Segunda Guerra expandiu seu império por vasta área do Pacífico. Mas foi derrotada pelos aliados e teve seu território bombardeado por dois artefatos atômicos. Uma monarquia parlamentarista constitucional foi imposta pelos EUA. O caracter 日 ni “sol” e 本 hon “origem, verdade, livro”. O nome Japão vem do nome chinês dado ao país, registrado por Marco Polo como Cipangu ou Zipangu, e através do malaio Jepang, registrado por comerciantes portugueses no séc. 16. (Alguns autores, no entanto, consideram que os próprios japoneses teriam dado nome ao país. No séc. 7, descontentes com a denominação Wa dada pelos chineses, teriam criado onome Jih-pen. [6, p. 15])

República Portuguesa ou Portugal. A região é habitada desde talvez uns 1,2 milhão de anos atrás, com a chegada dos primeiros hominídeos à Europa. Substituindo os neandertais (ou talvez se misturando com eles), os homens modernos ocuparam a região. Diversas tribos germânicas entre visigodos, ostrogodos, suevos e outros após a queda do Império Romano formaram
vários reinos cristãos independentes. Após a Reconquista, expulsando os mouros da península ibérica, o rei Alfonso 3o, de Leão, condeceu o condado de Portucales ao então duque galego Vímara Peres. Em 1095, declarou independência do Reino de Leão. Entre 1580 e 1640, constituiu com o Reino da Espanha a União Ibérica, sob uma única coroa. Entre 1808 e 1821, fugindo de Napoleão, a coroa portuguesa estabeleceu-se no Rio de Janeiro no vice-reino do Brasil. A partir de 1910 estabeleceu-se o republicanismo como forma de governo. Portugal vem de Portucales (através da forma Portugale), do latim Portus Cale, nome romano para a região do rio Douro. A denominação Cale é debatida. Alguns apontam para o grego καλλις kallis (“belo”) – os gregos estabeleceram colônias na região. Outro que viria do celta – antigos habitantes locais – cale ou cala, que significaria “porto” (e Portugal teria origem em um pleonasmo). [7, p. 55 e 215.]

Referências
[1] Lee,K.-B. &  Yi, K.-B. 1984. A new history of Korea. Harvard University Press. 474 pp.
[2] Channing, E. 2008. A short history of the United States. BiblioBazzar. 452 pp.
[3] Websters New World College Dictionary. 3rd ed.
[4] Palacios, E.J. 1922. De dónde viene el nombre de México, México- Tenochtitlan-Aztlán?
[5] Encina, F.A., and Leopoldo Castedo (1961). Resumen de la Historia de Chile. vol. 1. 4a. ed. Zig Zag.
[6] Cannon, G.H. &  Warren, N.W. 1996. The Japanese contributions to the English language […] Harrassowitz Verlag. 257 pp.
[7] Charnock, R.S.1859. Local etymology […] Houlston & Wright. 325 pp.

*Título de poema escocês de Robert Burns de 1788. Esc. Auld lang syne
= ing. old long since = port. há muito muito tempo.

Auld lang syne*… (2)

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Trem das Onze
Não posso ficar]
[
nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã.

Além disso mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.

Letra e música: Adoniran Barbosa.

Disclaimer: Sei que o ideal seria
se pudesse oferecere referências melhores – se não de material de
primeira mão, ao menos de artigos acadêmicos que analisaram tais
documentos ou, no máximo, de livros-textos da área -, mas acabei usando
como atalho, para esta série sobre os países participantes da Copa 2010,
referências terciárias – e que nem dizem respeito diretamente à questão
etimológica. Em muitos casos, a Wikipedia (anglófona, claro) foi
utilizada como material para consulta incial (procurei verificar por
fontes independentes mais confiáveis). Então fiquem ainda mais atentos
para o fato de que as informações podem não ser suficientemente acuradas
(eufemismo para incorreção).

Mas não tá cedo ainda?

Comunidade da Austrália (ing. Commonwealth of Australia). Os primeiros habitantes da região devem ter chegado entre 42.000 e 48.000 anos atrás – talvez por porções descobertas de terras durante o último glacial, quando o nível do mar era bem mais baixo do que atualmente. Os primeiros europeus avistaram e aportaram na ilha em 1606. Em 1770, James Cook mapeou parte da costa australiana e a reclamou para o Império Britânico. Em 1942, mas com efeito retroativo a 1939, a Austrália desvinculou-se constitucionalmente do Reino Unido. O nome vem do latim australis (“do sul” < auster “vento sul”; curiosamente, a base é a raiz proto-IE *aus- “brilhar a aurora”, que se conecta com a noção de “oriente”, como no ing. east) e a designação Australia foi oficialmente adotada pelo Almirantado Britânico em 1824. Os holandeses, naturalmente, tinham outro nome para a ilha-continente: Nova Holanda. [1]

República da Sérvia (sérvio Република Србија, Republika Srbija). Outro país surgido da fragmentação da Iugoslávia. Por volta do séc. 14, houve um Império Sérvio, mas conquistado pelos otomanos e depois pelos austro-húngaros. Após a Primeira Guerra, reuniu-se às demais nações eslavas austrais formando os estados iugoslavos. Com as várias guerras sangrentas de separação após o colapso da URSS, a união dissolveu-se. O próximo da província separatista é Kosovo, de maioria muçulmana albanesa. “Sérvio” > sérvio Срби, Sbri provavelmente se liga à base proto-IE *ser- “vigiar, proteger”. Acredita-se que as primeiras menções nos registros ocidentais aos sérvios seja de Plínio, o Velho, e de Ptolomeu, referindo-se aos Serboi, tribo sármata do cáucaso (embora outras interpretações seja que Serboi sejam os sorábios da Lusácia germânica ou aos sirácios do Mar Negro – a possibilidade de “sérvio” não ser um nome de origem eslava leva à especulação de que os sérvios – e os croatas – não sejam de origem eslava [2, pp: 56-7]).

Nova Zelândia (ing. New Zealand, maori Aotearoa). Os primeiros habitantes devem ter sido polinésios, por volta de 1250 a.C. O primeiro europeu a chegar às ilhas foi o explorador holandês, Abel Tasman, em 1642, que as batizou de Staten Landt (“terras dos Estados Gerais (Holandeses)”). Mas o massacre impostos pelos maoris à tripulação fez com que nenhum europeu aportasse por lá até 1769, quando James Cook alcançou as ilhas em sua expedição. Vários tratados foram estabelecidos com os maoris, até que, em 1840, o Império Britânico clamou para si a autoridade sobre as terras. Em 1947, foi considerado um país independente dentro da Comunidade Britânica. O nome Nova Zeelandia foi dado por cartógrafos holandeses, em referência à província nederlandesa da Zelândia (ned. Zeeland “terras do mar”, por se tratar de um conjunto de ilhas e penínsulas). Aotearoa (“terra das longas nuvens brancas”) era o nome dado pelos maoris para a ilha Norte, atualmente se refere a todo o país. [3]

República Italiana (it. Repubblica italiana) ou Itália. A região é habitada desde pelo menos o Paleolítico. Uma longa história dos etruscos e do Império Romano de desenvolveu – estendendo-se por quase toda a Europa e adjacências. Fragmentando-se em vários estados, o país foi unificado somente no início do séc. 19. Não se conhece a etimologia do nome, mas se especula que esteja ligado ao osco Víteliú (“terra dos bezerros”, compare com a palavra “vitela”), essa interpretação é reforçada por ser o touro símbolo das tribos do sul da região. [4, p. 208]

Reino da Dinamarca (din. Kongeriget Danmark). Indícios de ocupação humana na área correspondente à Dinamarca europeia continental datam de 130.000 a 110.000 mil anos atrás. Durante os séc. 8 a 11, os exploradores e guerreiros vikings estenderam os domínios dinamarqueses até a América. Durante a Idade Média e a Era Moderna, Dinamarca, Noruega e Suécia estiveram unidos em várias ocasiões sob um único governo, na União Kalmar. Eventualmente a união se desfez. A origem e significado de Danmark é bastante debatida. Uma versão bastante comum é que dan significa “terras planas” (ligado ao al. Tenne “eira” e ing. den “caverna, covil”) e mark “floresta ou fronteira” (ligado ao ing. marsh “marca”), alguns ligam ao nome do primeiro rei Dan. [5, p. 152]

República de Côte d’Ivoire (fr. République de Côte d’Ivoire) ou Costa do Marfim. A região é habitada desde pelo menos o começo do Neolítico. Diversos reinos, incluindo muçulmanos, floresceram na área antes do domínio europeu, que chegaram em 1483. Em 1843, a França assumiu o controle na forma de protetorado. Em 1960, o país conseguiria sua independência.Como o nome sugere, um importante produto explorado durante a era colonial foi o marfim. Atualmente o comércio é ilegal, mas a população local de elefantes encontra-se seriamente ameaçada – talvez com pouco mais de 500 indivíduos somente. [6, pp: 177-80.] Ing. “Ivory” e fr. “ivoire” do lat. eboreus “de marfim” < ebur, ebor “marfim” < egíp. ‘b, ‘bw âbu “elefante, marfim”. “Marfim” < ár. عظم الفيل aẓm al-fīl, “osso de elefante” (de عظم aẓm, “osso”e فيل fīl, “elefante”). [7, p. 168.]

Confederação Suíça (al. Schweizerische Eidgenossenschaft, fr. Confédération Suisse, it. Confederazione Svizzera, romanche Confederaziun Svizra, lat.Confœderatio Helvetica). Habitantes humanos – neandertais – estão presentes na região desde cerca de 150.000 anos a.C. O território já esteve sob domínio dos francos, do Sacro Império Romano e de diversas casas reais como a dos Savoia e dos Habsburgo. Durante a Idade Média, vários cantões uniram-se em uma confederação. Nessa época várias vitorias em batalhas deram origem à fama do exército suíço – a Guarda Suíça.  Em 1648, com o Tratado de Westfália, foi reconhecida a independência da Confederação Suíça em relação ao Sacro Império Romano e a condição de neutralidade nas guerras travadas entre os estados e nações europeias – neutralidade mantidade até os dias de hoje. Em 1798, a Suíça foi conquistada pelo exército napoleônico. Com a guerra entre a França e outras potências europeias: Rússia e Áustria, a Confederação readquiriu autonomia. Mas foi no Congresso de Viena de 1815 que a independência foi reconhecida e a neutralidade reenfatizada. “Suíça” vem do alemânico Schwiizer, referindo-se aos habitantes do cantão Schwyz, possivelmente relacionado ao Ant. Alto-Alemão suedan “queimar”. “Helvécia” e o lat. helvetica referem-se aos helvécios, tribo celta que, durante o Império Romano, ocupava o platô suíço, talvez ligado à raiz elw “muitos, ricos, numerosos”.

República de Honduras (esp. República de Honduras). Vários povos habitavam a região antes da chegada de Colombo às Américas. O principal foram os maias. Colombo aportou na costa hondurenha em 1502. Em 1821, obteve independência da Espanha em conjunto com outras regiões da América Central. Entre 1822 e 1838, integrou a República Federal da América Central. A origem do nome é alvo de disputadas. Em esp. honduras significa “profundezas”, e uma frase é atribuída a Colombo “Gracias a Dios que hemos salido de esas Honduras” [“Graças a deus saímos dessas profundezas”], mas não há registro de primeira mão. Uma explicação alternativa é que se ligaria ao leonense asturiano fondura “ancoradouro”. [8, p. 14.] Há um Rio Hondo (“rio fundo”) em Belize, não sei se teria alguma ligação com o nome. Até 1973, Belize era conhecida como Honduras Britânica, em oposição à Honduras Espanhola, que de
u origem à Honduras atual: que abarca a região oeste, que era conhecida como Higueiras até 1580, sendo Honduras reservada à região leste.
 

Referências
[1] Adamant Media. 2001. Early voyages to Terra Australis, now called Australia […] Adegi Graphics. 343 pp.
[2] Fine, J.V.A. 1991. Early medieval Balkans […] University of Michigan Press. 336 pp.
[3] Barber, L. 1989. New Zealand: a short history. California University. 252 pp.
[4] Herring, E. & Lomas, K. 2000. The emergence of states identities in Italy in the first millennium BC. University of London. 225 pp.
[5] Skovgaard-Petersen, K. 2002. Historiography at the court of Christian IV (1588-1648): […] Museum Tusculanum Press. 454 pp.
[6] Blanc, J.J. 2007. African elephant status report 2007 […] IUCN. 275 pp.
[7] Bassetto, B.F. 2001. Elementos de filologia românica. EdUSP. 380 pp.
[8] Tábora, J.M. 2002. Folklore y Turismo. Ed. Guaymuras. 143 pp.

*Título de poema escocês de Robert Burns de 1788. Esc. Auld lang syne = ing. old long since = port. há muito muito tempo.

Auld lang syne*…

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Valsa da Despedida

Adeus amor
Eu vou partir
Ouço ao longe um clarim
Mas onde eu for irei sentir
Os teus passos junto a mim

Estando em luta
Estando a sós
Ouvirei a tua voz.

A noite brilha em teu olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração
Do seu.

Então na terra
Onde for
Viverá o nosso amor.

A luz que brilha em teus olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração
Do teu.

No céu na terra
Onde for
Viverá o nosso amor.

Letra: João de Barro; Adaptação de composição de: Robert Burns


Disclaimer: Sei que o ideal seria se pudesse oferecere referências melhores – se não de material de primeira mão, ao menos de artigos acadêmicos que analisaram tais documentos ou, no máximo, de livros-textos da área -, mas acabei usando como atalho, para esta série sobre os países participantes da Copa 2010, referências terciárias – e que nem dizem respeito diretamente à questão etimológica. Em muitos casos, a Wikipedia (anglófona, claro) foi utilizada como material para consulta incial (procurei verificar por fontes independentes mais confiáveis). Então fiquem ainda mais atentos para o fato de que as informações podem não ser suficientemente acuradas (eufemismo para incorreção).


Já vai, já?

República dos Camarões (ing. Republic of Cameroon ou fr. République du Cameroun). Há uma longa história de ocupação do território. Mas o nome se deve ao explorador e navegador português que, em 1472, alcançou a foz do que é hoje denominado Rio Wouri em Douala – notando a abundância de crustáceos como lagostins e camarões, batizou o curso d’água de Rio Camarões ou Rio dos Camarões. Ao controle português, sucederam-os holandeses e alemães. Após a Primeira Guerra, franceses e britânicos partilharam o território: com o Camarão Francês à leste (ocupando 80% do território) e o Camarão Inglês à oeste – coletivamente as colônias seram chamadas de “The Cameroons“. Após a Segunda Guerra, Ahmadou Ahidjo proclamou a independência do lado francês – a 1o de janeiro de 1960. Em 1972, as colônias finalmente se reunificaram sob a República de Camarões. [1, p. 13]

República Democrática Popular da Coreia ( 조선민주주의인민공화국, 朝鮮民主主義人民共和國 Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk) ou Coreia do Norte. A península da Coreia é ocupada desde pelo menos o paleolítico superior. Até 1905, com a Guerra Russo-Japonesa, toda a península era governada pelo Império Coreano. O Japão anexou a Coreia, perdendo-a após a Segunda Guerra. O território foi dividido em uma área sob o comando soviético e uma sob o comando americano – divididos pelo paralelo 38. Em 1950, iniciou-se uma guerra entre as Coreias, com a Coreia do Norte, comunista, buscando a unificação – a tentativa foi frustrada pela intervenção americana em favor da porção sul. Em 1953 foi declarado um armistício que dura até hoje – formalmente a guerra nunca foi encerrada. O nome Coreia provém da dinastia Goryeo ou Koryŏ, que governou a península de 918 a 1392. Chosŏn vem do Reino de Gojoseon, que teria sido fundado em 2333 a.C. e da Dinastia Joseon (1392-1897) – a primeira referência escrita é nos documentos chineses, que denomina a região de Chaoxian (Chosŏn é a pronúncia coreana): de chao “manhã, aurora” e xian “fresco, calmo”, pela posição a leste do país em relação à China (na direção da manhã). [2, pp: 16-7]

República da África do Sul (ing. Republic of South Africa, afrik. Republiek van Suid-Afrika, ndeb. iRiphabliki yeSewula Afrika, xhosa iRiphabliki yaseMzantsi Afrika, zulu iRiphabliki yaseNingizimu Afrika, n. sotho Rephaboliki ya Afrika-Borwa, sotho Rephaboliki ya Afrika Borwa, tswana Rephaboliki ya Aforika Borwa, swati iRiphabhulikhi yeNingizimu Afrika, venda Riphabuḽiki ya Afurika Tshipembe, tsonga Riphabliki ra Afrika Dzonga). Humanos modernos habitam a região desde pelo menos 100 mil anos atrás. Em 1487, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, rebatizado posteriormente de Cabo da Boa Esperança. A região dá nome à Cidade do Cabo. Foi ocupada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. No século 19, ocorre a Guerra dos Boeres, em que os colonos descendentes de holandeses, alemães e franceses, enfrentaram o poder britânico por minas de diamante. Em 1910, foi declarada a independência do Império Britânico, efetivada em 1931. De 1948 a 1994 vigorou a política do apartheid (do afrik. “separação”), política oficial de segregação racial. Em 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente. E desde então a África do Sul foi readmitida na comunidade internacional – suspensa em diversos órgãos e competições internacionais pela política racista. A etimologia do termo “África” é controversa. Afri (plural de Afer) é a denominação dos romanos para diversos povos ao sul do Mediterrâneo; o historiador Flavius Josefo associava a denominação ao neto de Abraão, Efer, cujos descendentes teriam colonizado a Líbia; Leo Africano considerava que seria ligado ao grego Αφρική Aphrike (a “não” e phrike “frio, horror” – portanto “sem frio”) e várias mais foram propostas. South vem o ing.ant. suð (“do sul”), provavelmente com base no proto-germânico *sunthaz, de onde viriam o al. Süd, Süden, o fr. sud, o esp. sur, sud e o port. sul – por empréstimo das línguas germânicas. [3, 4]

República Francesa (fr. République française) ou França. Francia era a denominação da região norte da Europa dominada pelos francos. O nome do povo pode ter se originado do proto-germânico frankon “um tipo de lança ou machado de atirar” ou do termo germânico para “livre” (em oposição aos eslavos, povos escravizados na Europa Central). A área do território atual da França correspondia mais ou menos à região romanda da Gália, povoada pelos celtas gauleses (sim, quem lê “Asterix e os Gauleses” saberá), chamada pelos romanos de Gallus – daí, certamente, o galo ser símbolo nacional da França. [5, p. 42]

República Helênica (gr. Ελληνική Δημοκρατία Ellīnikī́ Dīmokratía) ou Grécia. Do lat. Græci (“helenos”), gr. Grakoi. Segundo Aristóteles Graikhos provinha de Graii, como se denominavam os dóricos de Épiro. Ελλάς Hellas, como os gregos chamam a seu país, deriva da tribo que habitava a região da Tessália, os Helli ou Selli [6, pp: 39-40]. Os turcos denominam a Grécia de Yunanistan (“terra dos jônios”), enquanto árabes e hindus se referem a Yunan. [5, p. 57]

República Federal da Nigéria (ing.Federal Republic of Nigeria). A região é ocupada desde pelo menos 10.000 a.C. Diversos reinos se sucederam como o de Calabar, os estados de Igbo, o reino de Nri, o Império Songhai… Nos fins do séc. 19 e início do séc. 20, o Império Britânico invadiu a região, criando a Colônia e Protetorado da Nigéria. Em 1960, a Nigéria declarou independência. O nome provém do Rio Níger (que também dá o nome ao país vizinho mais ao norte, Níger). Especula-se que o nome do rio provenha do tuaregue ngher, abreviação de egereou n-igereouen de (egereou “rio grande, mar” e n-igereouen plural de egereou) e não do latim niger “negro” (suas águas não são escuras e, apesar dos povos nas proximidades serem de pele negra, nenhum outro rio da África Negra recebeu denominação similar – mas poderia ser o caso disso ter ocorrido por ser dos primeiros locais fora do norte da África explorada pelos navegadores europeus). [7]

República da Eslovênia (esloveno Republika Slovenija). É um dos países resultantes da desintegração da Iugoslávia. Apesar de sua história recente como unidade política autônoma, a identidade de uma nação eslovena existe de longa data – desde pelo menos o séc. 16. A região é ocupada desde cerca 250 mil anos atrás, pelos neandertais. Os eslavos devem ter chegado por volta do séc. 6. Slověně “tribo eslava oriental” vem possivelmente do eslavo sláva “glória, fama” ou de slovo “ouvir” (nesse último caso, slověně significaria originalmente “povo que fala (a mesma língua)”. Há outras especulações sobre a origem do termo eslavo, como que seria afim à raiz proto-I.E. *(s)lawos “povo, pessoas”. [8, p. 310-1]

República Argelina Democrática e Popular (ár. الجمهورية الجزائرية الديمقراطية الشعبية Al-Yumhūriyya al-Yazāiiriyya ad-Dīmuqrāţiyya ash-Sha`biyya; tamazight Tigduda tamegdayt taɣerfant tažžayrit; fr. République Algérienne Démocratique et Populaire) ou Argélia. Na Antiguidade, os povos númidas desenvolveram um importante reino. Os habitantes locais acabaram por originar os bérberes atuais. O comando passou das mãos dos conquistadores espanhóis para o do Império Otomano e depois para o jugo francês. A independência foi conquistada em 1962. O nome do país deriva do nome de sua principal cidade e capital: Argel (fr. Alger, ár. الجزائر al-Jezair “as ilhas”, possível contração de جزائر بني مازغان jazā’ir banī mazghanā “as ilhas de Mazghanna” como denominados por geógrafos medievais árabes – referência às ilhas próximas às costas, onde devem ter sido instalados os primeiros portos). [9, p. 54] 

Referências
[1] Collins, H.T.M et al. 1993. Destination: Cameroon. Diane Publishing. 58 pp.
[2] Seth, M.J. 2006. A concise history of Korea. Rowman & Littlefield. 257 pp.
[3] Beck, R.B. 2000. The history of South Africa. Greenwood Publishing. 248 pp.
[4] Ross, R. 2008. A concise history of South Africa. Cambridge University Press. 251 pp.
[5] Taylor, I. 2005. Words and places […] Read Books. 392 pp.
[6] Mure, W. 1854. A critical history of the language and literature  of ancient Greece. vol. 1. Longman.517 pp.
[7] Niger. Online Etymology Dictionary.
[8] Quiles, C. 2007. A grammar for modern Indo-European […] Indo-European Association. 389 pp.
[9] Ring, T.; Salkin. R.M. & La Boda, S. 1996. International Dictionary of Historic Places: Middle East and Africa. vol. 4. Taylor & Francis. 900 pp.

*Título de poema escocês de Robert Burns de 1788. Esc. Auld lang syne = ing. old long since = port. há muito muito tempo.

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