Há muito tempo atrás… como soava a Odisseia de Homero?

Um  estudante ou um entusiasta dos Estudos Literários encarará uma difícil missão se quiser definir ou explicar conceitualmente o que é, de fato, Literatura. Muitos professores, pesquisadores e críticos já tentaram teorizar o que cabe ou não na definição de Literatura, mas há sempre um elemento que escapa a qualquer tentativa.

Porém, sabemos mais ou menos o que pode ou não ser considerado um texto literário e há alguns indícios de como se constituiu a História da Literatura ao longo dos anos.

E mesmo sem conhecermos exatamente sua origem, a epopeia grega Odisseia, atribuída a Homero, certamente remonta aos primórdios dessa discussão. Esse texto, produzido provavelmente no século VIII a.C., conta as aventuras de Odisseu e seu retorno a Ítaca, sua terra natal.

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Muitos problemas surgem quando pensamos nessa obra. Será que a Odisseia foi realmente escrita por Homero? Aliás, sabendo que na Grécia Antiga os textos eram cantados em voz alta, em que momento da história a Odisseia passou a ser registrada de forma escrita? Além disso, como foi possível estabelecer uma versão final para a Odisseia, sendo que esse tipo de texto oral era constantemente modificado a cada vez que era recitado?

Muitas dessas e de outras perguntas permanecem sem resposta, o que torna o estudo das literaturas clássicas uma área bastante instigante. E foi certamente seguindo algumas dessas questões que os professores pesquisadores Georg Danek, da Universidade Viena, e Stefan Hagel, da Academia Australiana de Ciências, propuseram uma simulação de como os versos gregos soavam originalmente na Grécia Antiga. Esse trabalho deu origem ao projeto “Homeric Singing – An Approach to the Original Performance”.

Compartilhamos a postagem do site Open Culture, com uma faixa que reproduz os versos das linhas 267 a 366, do Livro 8, da Odisseia.

Nesse link (em inglês), é possível acessar a reprodução dos versos em grego antigo, acompanhados por uma lira de 4 cordas: http://www.openculture.com/2016/10/what-homers-odyssey-sounded-like-when-sung-in-the-original-ancient-greek.html

Segundos os pesquisadores, a ideia não foi reconstruir com exatidão como os versos eram cantados na Grécia Antiga, mas se aproximar das técnicas usadas pelos cantores e músicos da época. O resultado é impressionante! Vale a pena ter essa experiência de olhos fechados e imaginar um mundo muito diferente do nosso.

Para mais informações sobre o projeto “Homeric Singing – An Approach to the Original Performance”, consultar a página (em inglês) http://www.oeaw.ac.at/kal/sh/index.htm

E pelo link a seguir é possível acessar diretamente o mp3 disponibilizado pelos pesquisadores: http://www.oeaw.ac.at/kal/sh/demodokos.mp3

Sugestão de leitura: Homero, Odisseia. Edição bilíngue. Tradução de Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2011.

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