A gravidade dos Thunder-thundercats, ooooooooooooooooh!

Hoje vou forçar a barra para divulgar um abaixo assinado que os fãs de Thundercats vão gostar.

É uma petição para que a Warner Bros. lançe em CD a trilha sonora original dos Thundercats, composta por Bernard Hoffer. Quem quiser participar, clique aqui.

Na mesma página da petição, dá para baixar uma versão completa do tema da Cheetara, gravada no lado B de um mini-disco de vinil lançado na França, nos anos 1980. O lado A desse disco é o tema de abertura do desenho, cantado em francês (baixe aqui).

Agora, com vocês, a forçada de barra: vamos a algumas considerações científicas sobre Thundercats.

Vocês sabiam que o compositor da trilha sonora dos Thundercats, conforme este artigo, é filho de Max Hoffer (1907-1983), químico que trabalhou durante décadas para o laboratório Hoffmann-LaRoche? Segundo obituário do NYT, o Dr. Hoffer detinha 35 patentes, entre elas a de um quimioterápico do tipo “sulfa”, a gantrisina, usado no tratamento de infecções, antes da chegada às farmácias da penicilina.

Meus colegas blogueiros mais versados em farmacêutica talvez possam comentar mais a respeito do uso indiscriminado de sulfas e dos eventos que levaram, nos anos 1930, à criação do órgão de regulamentação de remédios e alimentos dos EUA, o FDA.

Como ex-estudante de gravitação, meu dever é comentar um erro horrendo dos roteiristas dos Thundercats, cometido no episódio “Mandora e os Piratas”.

Claro que Thundercats é mágica, sem compromisso com a realidade (“feel the magic, feel the roar, Thundercats around us…”). Mas eu lembro que esse erro científico em particular me chamou a atenção mesmo quando criança.

Em “Mandora e os Piratas”, Lion, o jovem senhor dos Thundercats, encontra mais uma vez a patrulheira estelar Mandora, desta vez às voltas com terríveis piratas espaciais. Lá pelas tantas (veja depois dos primeiros 7 minutos, mais ou menos), Lion acaba sendo capturado dentro da nave espacial pirata. O capitão pirata obriga Lion a andar na prancha em direção ao “abismo infinito do espaço”. De mãos atadas e olhos vendados, Lion caminha até à beira da prancha e cai no espaço, como se cai da beira de um precipício, aqui na Terra.

Se Lion estivesse sujeito às leis da física do mundo real, ele não teria a sensação de cair em um abismo. A sensação de queda na Terra se deve ao atrito com ar, o mesmo que salva a vida dos paraquedistas. No meio do espaço, praticamente não há atrito. Geralmente, também não há nenhum obstáculo chamado de chão para interomper bruscamente o movimento natural de queda livre.

A sensação de Lion seria a mesma que a do personagem Qfwfq do conto “A forma do espaço”, de Ítalo Calvino, publicado na coletânea As Cosmicômicas:

Cair no vácuo como eu caía, nenhum de vocês sabe o que isso quer dizer. Para vocês cair significa tombar, por exemplo, do vigésimo andar de um arranha-céu, ou de um avião que se avaria em vôo: precipitar-se de cabeça para baixo, bracejar um pouco no ar, e logo a terra vem se aproximando e levamos um grande tombo. Pois lhes falo, ao contrário, de um tempo em que não havia embaixo nenhuma terra nem coisa alguma de sólido, nem mesmo um corpo celeste na distância que pudesse nos atrair para a sua órbita. Caía-se assim, indefinidamente, por um tempo indefinido. Afundava no vazio até o limite extremo em cujo fundo é inimaginável que se possa afundar, e lá chegando via que esse limite extremo devia ser muito, mas muito mesmo mais embaixo, extremamente longe dali, e continuava a cair para alcançá-lo. Não havendo pontos de referência, não tinha idéia se a minha queda era precipitada ou lenta. Pensando bem, não havia provas sequer de que estivesse de fato caindo: quem sabe estava permanentemente imóvel no mesmo lugar, ou me movia no sentido ascendente; visto que não havia nem em cima nem embaixo, tudo não passava de questões nominais e dava no mesmo continuar pensando que caía, com era natural que pensasse.

Se os foguetes da nave pirata estivessem desligados, Lion nem sequer cairia “para baixo”, ficaria “flutuando” do lado de fora da nave, exatamente como o astronauta chinês Zhai Zhigang fez recentemente :

Primeira caminhada espacial do programa espacial chinês, feita em 27 de setembro de 2008. Crédito: Agência Xinhua, Zha Chunming

Primeira caminhada espacial do programa espacial chinês, feita
em 27 de setembro de 2008. Crédito: Agência Xinhua, Zha Chunming

O astronauta não cai quando sai da nave, porque na verdade tanto o astronauta quanto a nave já estão “caindo” juntos pelo espaço. Enquanto o astronauta e a nave não ligarem seus foguetes, os dois estarão em queda livre, seguindo a mesma trajetória pelo espaço.

Expliquei direito? Acho que não, né? Enfim, queria apenas apontar o erro, que o Física na Veia! também vem apontado na TV brasileira e explica muito melhor do que eu.

Discussão - 1 comentário

  1. Igor Santos disse:

    Genial!
    Eu sempre adorei a ciência dos desenhos e dos “filmes dos anos 50” (termo genérico).
    Tomara que essa coletânea saia…

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