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Um bicho tinhoso!! Conheça o mais novo predador do Cretáceo do Brasil

Durante do¬†Cret√°ceo Superior, h√° cerca de 80 milh√Ķes de anos atr√°s, a regi√£o hoje correspondente ao noroeste do estado de S√£o Paulo e Tri√Ęngulo Mineiro em Minas Gerais, abrigava uma rica e diversificada fauna de¬†crocodiliformes terrestres¬†¬†(parentes distantes dos crocodilos e jacar√©s atuais), que prosperava em meio aos gigantes dinossauros.

Recentemente uma nova esp√©cie de crocodiliforme desse per√≠odo foi descoberta em uma cidade do interior de S√£o Paulo. Descrita por pesquisadores brasileiros, o novo animal, com o cr√Ęnio extraordinariamente bem preservado, ganhou um nome de dar medo:¬†Gondwanasuchus scabrosus. Quer entender o por qu√™ desse estranho nome de batismo? Vamos primeiro conhecer um pouco mais sobre esse animal:

Gondwanasuchus scabrosus_Rodolfo Nogueira
Arte de Rodolfo Nogueira.

– Texto por Thiago Marinho –

O mais novo representante dos crocodiliformes terrestres do Cret√°ceo do Brasil,¬†Gondwanasuchus scabrosus, √© um pequeno predador da Fam√≠lia Baurusuchidae, composta por importantes predadores e carniceiros que poderiam at√© mesmo competir por presas com pequenos dinossauros. Essa nova esp√©cie foi descrita com base em um cr√Ęnio parcialmente completo e muito bem preservado, proveniente de rochas da Forma√ß√£o Adamantina do munic√≠pio de General Salgado, noroeste do estado de S√£o Paulo. Gondwanasuchus n√£o passaria de 1,30 m de comprimento, mas o que esses animais n√£o tinham em tamanho, tinham em adapta√ß√Ķes que os tornavam eficientes predadores.

O nome do g√™nero,¬†Gondwanasuchus,¬†faz alus√£o a distribui√ß√£o da fam√≠lia dos baurussuqu√≠deos, restrita a regi√Ķes do antigo supercontinente Gondwana¬†(que durante o Cret√°ceo agrupava a Am√©rica do Sul, √Āfrica, Madagascar, √ćndia, Oceania e Ant√°rtica) e, suchus, que significa crocodilo. O nome que define a esp√©cie, scabrosus, √© uma palavra em Latim que significa ‚Äútinhoso‚ÄĚ, um apelido dado pelos pesquisadores que descreveram a esp√©cie, devido √† apar√™ncia “mal-encarada” do animal.

Figure 5 colourO f√≥ssil de Gondwanasuchus scabrosus √© representado por um cr√Ęnio parcialmente completo, que foi encontrado em 2008 em associa√ß√£o a um grande indiv√≠duo de Baurusuchus salgadoensis, um crocodiliforme tamb√©m da fam√≠lia dos baurussuqu√≠deos. Gondwanasuchus scabrosus convivia n√£o s√≥ com outros baurussuqu√≠deos, mas tamb√©m com crocodiliformes herb√≠voros da fam√≠lia dos esfagessaur√≠deos. A presen√ßa de esfagessaur√≠deos e o fato de os dep√≥sitos da Forma√ß√£o Adamantina no munic√≠pio de General Salgado serem basicamente compostos por paleossolos (solos que foram preservados no registro geol√≥gico), sugerem que pelo menos algumas partes do habitat de Gondwanasuchus eram compostas por¬†√°reas com vegeta√ß√£o ¬†arbustiva e arb√≥rea.

Cr√Ęnio peculiar:

O cr√Ęnio de Gondwanasuchus ¬†√© altamente comprimido lateralmente, como o de muitos dinossauros carn√≠voros – bastante diferente dos crocodilos atuais!¬†Suas narinas eram posicionadas lateralmente na regi√£o anterior do focinho e o animal possu√≠a grandes √≥rbitas oculares voltadas para frente.

Dentes modificados:

Cr√Ęnio em vista lateral anterior dorsal e ventralOs dentes posteriores de G. scabrosus s√£o altamente comprimidos e com bordas serrilhadas, como os dentes de alguns dinossauros carn√≠voros. Outra peculiaridade da denti√ß√£o desses animais √© a presen√ßa de profundas estrias que percorrem os dentes da base para o topo,¬†possivelmente garantindo uma maior resist√™ncia a quebra durante o processo de ca√ßa e alimenta√ß√£o.

Vis√£o especializada:

Os olhos de Gondwanasuchus scabrosus eram ¬†destacadamente voltados para frente, diferentemente do observado na maioria dos outros crocodiliformes, que possuem os olhos orientados lateralmente. Essa caracter√≠stica permitia que esses animais tivessem vis√£o binocular, ou seja, eles¬†poderiam enxergar tridimensionalmente, o que seria muito √ļtil para uma melhor avalia√ß√£o da dist√Ęncia dos objetos observados e melhor precis√£o de seus ataques.

Quer mais detalhes? Clique no infogr√°fico para ampliar!

esse
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Interessado em mais informa√ß√Ķes sobre esse animal?? Escreva pra gente (colecionadoresdeossos@gmail.com)!! Thiago da Silva Marinho, o primeiro autor do artigo, √© membro aqui do Colecionadores de Ossos!!¬†

Thiago da Silva Marinho

Bi√≥logo pela Universidade Federal de Uberl√Ęndia (UFU), Mestre e Doutor em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), hoje √© professor efetivo da Universidade Federal do Tri√Ęngulo Mineiro (UFTM).
Desenvolve estudos com ênfase em arcossauros mesozóicos, especialmente crocodyliformes e dinossauros.
Clique aqui para ver o Currículo Lattes.
 
 

MARINHO, T. S. et al. Gondwanasuchus scabrosus gen. et sp. nov., a new terrestrial predatory crocodyliform (Mesoeucrocodylia: Baurusuchidae) from the Late Cretaceous Bauru Basin of Brazil. Cretaceous Research. 2013 (on-line).

Bambiraptor? Pintosaurus!?‚Äď Os nomes mais estranhos da Paleontologia!

Com contribuição de Thiago Marinho

O bicho é meu e eu coloco o nome que eu quiser nele!!!

Pintossauro, Gasossauro, Dinheirossauro, Fodonyx, Bambiraptor…? A lista √© longa! Um mais estranho que o outro! Mas porque eles foram batizados assim?

Veja aqui uma amostra dos nomes mais estranhos da Paleontologia!

Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro

Quem n√£o lembra do epis√≥dio da Fam√≠lia Dinossauro em que Baby √© levado para o grande s√°bio afim de receber um nome, mas algo inesperado acontece? Ele acaba recebendo um nome meio que, digamos… incomum:¬†“Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro”.

(se voc√™ nunca assistiu, veja o epis√≥dio¬†AQUI¬†ūüôā ).

Isso nos leva a pensar: Afinal, como são escolhidos os nomes dos dinossauros??

Certamente n√£o √© como no epis√≥dio da fam√≠lia dinossauro (ver post anterior), mas ainda assim parecem surgir alguns resultados meio… incomuns.

Neste post vamos reunir alguns dos nomes mais inusitados já escolhidos por paleontólogos.

N√£o s√£o s√≥ os dinossauros que sofrem, mas toda ‘sorte’ de criatura extinta…

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Os 10 mais!

And the Oscar goes to:

1)¬†PINTOSAURUS:¬†g√™nero basal de procolofon√≠deo.¬†Procolofoqu√™?¬†Procolofon√≠deo!¬†Procolofon√≠deos s√£o parar√©pteis que lembram muito um “tipo robusto de lagarto”, mas na verdade n√£o tem nada a ver com eles (Veja¬†AQUI¬†e¬†AQUI¬†para saber mais).¬†Pintosaurus ¬†foi descrito em 2004, encontrado em rochas de idade Permo-tri√°ssicas do Uruguai.¬†Pinto-¬†foi escolhido para homenagear o¬†Dr. Iraja Damiani Pinto, paleont√≥logo ga√ļcho que contribuiu substancialmente para paleontologia sulamericana. (…)

2)¬†CHUPACABRACHELYS: Trata-se de uma tartaruga do per√≠odo Cret√°ceo, que foi encontrada no Texas, USA. N√£o tem muito a dizer… o nome realmente foi em homenagem ao¬†“chupa-cabra”

3)¬†GASOSAURUS CONSTRUCTUS: Dinossauro ter√≥pode chin√™s de m√©dio porte. O nome foi escolhido para homenagear uma empresa de combust√≠vel. O dinossauro foi encontrado durante sua constru√ß√£o, por isso o nome da esp√©cie √© ‘constructus‘.

4) DINHEIROSAURUS LOURINHANENSIS: Uma espécie de dinossauro saurópode gigante, aparentado ao Diplodocus. Ele foi encontrado na região da Praia de Porto Dinheiro, concelho de Lourinhã, em Portugal. O nome deriva do local aonde ele foi encontrado. Tinha que ser um dinossauro português..

5)¬†BAMBIRAPTOR: Sim, esse √© um dinossauro que foi nomeado em homenagem ao¬†Bambi. Isso mesmo, aquele personagem da¬†Disney¬†(…!!). Trata-se de um pequeno dinossauro carn√≠voro, com menos de 1m de comprimento. O nome foi escolhido porque aparentemente o esp√©cime encontrado era um juvenil.

6)¬†FODONYX:¬†Rincossauro¬†do Tri√°ssico M√©dio da Inglaterra. O nome significa “garra escavadora”. Em latim “fodere“=escavar e “onyx“=garra. “Tchau! vou ‘fodere’ dinossauros!”

7)¬†MINOTAURASAURUS: Tipo de dinossauro anquilossaur√≠deo proveniente da √Āsia. Foi descrito em 2008. O nome significa “Homem-touro-lagarto”.

8)¬†GOJIRASAURUS: G√™nero d√ļbio de dinossauro ter√≥pode encontrado em rochas tri√°ssicas do Novo M√©xico, EUA. O nome foi em homenagem ao monstro mitol√≥gico japon√™s.¬†Gojira…. Gojira….Gojira…

Incisivosaurus – n√£o √© s√≥ o nome que √© feio…

9) INCISIVOSAURUS: Um pequeno dinossauro terópode da China, provavelmente de hábito herbívoro. Sua dentição peculiar, com dentes proeminentes como os e um roedor, foi o que lhe rendeu o nome estranho.

10)¬†PIKAIA: Representante basal do grupo dos cordados. O nome dessa criaturinha Cambriana encontrada em¬†Burgess Shale¬†significa “da Pika”.¬†Pika¬†√© um tipo de pequeno mam√≠fero aparentado dos coelhos, comumente encontrado na regi√£o aonde os f√≥sseis de Pikaia foram descobertos. (Eu ri!)

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No mínimo exóticos:

–¬†Enigmosaurus: Grande dinossauro ter√≥pode herb√≠voro (Therezinosaur√≥ide) do Cret√°ceo da Mong√≥lia. Quando os seus restos foram encontrados, a anatomia n√£o usual da p√©lvis do bicho deixou os seus descobridores t√£o confusos, que lhes pareceu um verdadeiro enigma. Assim sendo, resolveram nome√°-lo dessa forma.

–¬†Camelotia:¬†G√™nero de um dinossauro prossaur√≥pode do Tri√°ssico Inglaterra. Seu nome significa “de Camelot”.¬†Camelot¬†trata-se do lugar lend√°rio na Gr√£-Bretanha, que teria abrigado o castelo e a corte do Rei Arthur.

–¬†Erectopus: Dinossauro ter√≥pode allossaur√≥ide do Cret√°ceo da Fran√ßa. Descoberto no final do S√©culo XIX, o seu nome significa: “Erecto=em p√©”, “Pous=P√©”. Hm…

–¬†Minmi: Dinossauro australiano da infraordem Ankylosauria.¬†O nome √© devido √†¬†Minmi Crossing, o lugar onde seus f√≥sseis foram descobertos.

–¬†Hallucigenia: G√™nero de invertebrado f√≥ssil do Per√≠odo Cambriano. O nome √© devido a sua forma bizarra, que aos olhos dos descobridores mais parecia uma alucina√ß√£o. J√° viu n√©!!

–¬†Drinker: Pequeno dinossauro hypsilofodont√≠deo do Jur√°ssico da Am√©rica do Norte. O nome, traduzido do ingl√™s significa “bebedor”, mas essa n√£o foi a inten√ß√£o, ele foi proposto para homenagear o renomado paleont√≥logo Edward Drinker Cope.

–¬†Gargoyleosaurus: Um dos mais antigos anquilossauros j√° descobertos. Gargoyleasaurus foi encontrado em Wyoming, em rochas de idade Jur√°ssica. Seu nome significa “lagarto g√°rgula”.

–¬†Xixiasaurus: Dinossauro ter√≥pode troodont√≠deo descrito em 2010. Seus restos foram encontrados na regi√£o administrativa de Xixia, na prov√≠ncia de Henan, China.

–¬†Pawpawsaurus:¬†G√™nero de dinossauro da fam√≠lia Nodosauridae, da infraordem Ankylosauria. Seus restos foram encontrados na¬†Forma√ß√£o Paw Paw, Texas, USA. Eu n√£o consigo falar sem rir!
–¬†Pedopenna: Dinossauro manirraptor do Jur√°ssico da China.¬†Pedopenna¬†significa “pena no p√©”. Este dinossauro recebeu esse nome por apresentar evid√™ncias da exist√™ncia de longas penas inseridas ao longo de seus metatarsos.
–¬†Ozraptor:¬†Dinossauro ter√≥pode encontrado na Austr√°lia, descrito em 1998. “Oz” faz refer√™ncia ao apelido dado aos australianos,“Ozzies”.
–¬†Borogovia:¬†O nome deste dinossauro carn√≠voro troodont√≠deo √© derivado dos¬†“borogoves”, criaturas de um poema de Lewis Carroll, ¬†Jabberwocky,¬†parte da obra “Alice no pa√≠s das Maravilhas”.
–¬†Appalachiosaurus: G√™nero de dinossauro ter√≥pode tiranossaur√≥ide do Cret√°ceo da Am√©rica do Norte. O nome faz refer√™ncia a regi√£o estadunidense conhecida como Appalachia, onde o f√≥ssil do animal foi encontrado.

–¬†Petrobrassaurus¬†puestohernandezi: Dinossauro saur√≥pode¬†argentino. Foi descrito em 2011. O nome do g√™nero realmente √© devido a companhia de petr√≥leo brasileira,¬†Petrobr√°s,¬†e o nome espec√≠fico se refere a “Puesto Hernandez”, um dos centros de extra√ß√£o da companhia, aonde o dinossauro foi encontrado. ¬†Ahhh, invejosos! Queridos!!

–¬†Atlascopcosaurus: Este dinossauro australiano recebeu seu nome em homenagem a companhia Atlas Copco. Esta companhia forneceu o equipamento para a expedi√ß√£o paleontol√≥gica que resultou na descoberta do novo dinossauro. Capessaurus, Fapespsaurus, Cnpqsaurus, vamo l√°, galera!!

–¬†Qantassaurus: Este dinossauro hypsilofodont√≠deo foi nomeado para homenagear a empresa a√©rea australiana, Qantas, que ajudou no transporte dos f√≥sseis. Conclus√£o: australiano n√£o sabe dar nome pra dinossauro!!

–¬†Panamericansaurus: Outro g√™nero de dinossauro saur√≥pode da Patag√īnia argentina. Foi descrito em 2010. O nome foi para homenagear a companhia petrol√≠fera¬†Pan American Energy, que deu apoio financeiro √†s pesquisas.

ArgentinosaurusAh…Esse s√≥ pra sacanear mesmo. Bonito nome.

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Homenagens curiosas:

Utahraptor spielbergi – Esse dinossauro raptor foi descoberto na semana de estr√©ia do filme Jurassic Park. O nome da esp√©cie foi escolhido para homenagear Stephen Spielberg, diretor de “Jurassic Park”. Posteriormente re-descrito, o nome da esp√©cie mudou para¬†ostrommaysorum. Depois de ganhar milh√Ķes com Jurassic Park, acho que S. Spielberg n√£o deve ter ficado chateado….

Arthurdactylus conan-doylensis¬†– Este pterossauro recebeu seu nome em homenagem a Sir Arthur Conan-Doyle, autor de “O Mundo Perdido“, mais conhecido pela sua s√©rie de livros “Sherlock Holmes”.

Tianchisaurus nedegoapeferima¬†(Informalmente chamado de Jurassosaurus) – Tendo doado dinheiro para pesquisa de dinossauros na China, Stephen Spielberg sugeriu para esse dinossauro o nome de Jurassosaurus – em raz√£o do lan√ßamento do filme Jurassic Park em 1993. ¬†O nome esdr√ļxulo s√≥ pegou na informalidade. Por√©m ainda assim, o nome da esp√©cie (nedegoapeferima) homenageia Jurassic Park: ele √© formado pelas letras iniciais dos sobrenomes dos principais atores/atrizes que participaram do filme:¬†Sam¬†Neil, Laura¬†Dern, Jeff¬†Goldblum, Richard¬†Attenborough, Bob¬†Peck, MartinFerrero, Ariana¬†Richards e Joseph¬†Mazzello.

Dracorex hogwarsia¬†– O coitado desse bicho foi batizado como um tributo a obra de J.K. Rowling, “Harry Potter“. –¬†hogwarsia¬†faz alus√£o a ‘Hogwarts’, a escola de magia.

Mimatuta morgoth –¬†O Professor da Universidade de Chigado, Leigh Van Valen, nomeou uma s√©rie de mam√≠feros paleoc√™nicos com base em personagens da s√©rie de livros “Senhor dos An√©is”. Morgoth foi em homenagem ao “The Dark Lord”, mas al√©m dele ainda temos:

Alletodon mellon¬†– mellon √© a palavra √©lfica para “amigo” e a senha para a entrada nas minas de Moria.

Mithrandir onostus РMithrandir sendo outro nome para Gandalf.

Oxyprimus galadrielae РEm homenagem a Lady Galabriel.

Protungulatum gorgun¬†– ‘gorguns’ s√£o os orcs.

Bom gosto esse cara.

Masiakasaurus knopfleri – Esse pequeno dinossauro predador recebeu seu nome em homenagem a¬†Mark Knopfler, guitarrista da banda Dire Straits. De acordo com Scott Sampson, seu descobridor, o time resolveu batizar assim o dinossauro depois de escutar Dire Straits durante a escava√ß√£o. De acordo com eles, novos dinossauros s√≥ eram encontrados quando esse som estava no r√°dio. J√° tentamos essa t√°tica, mas pra gente s√≥ funciona com “Hotel California” do Eagles… #sarcasmo

Aegrotocatellus jaggeri¬†– ¬†Essa esp√©cie de trilobita foi nomeada realmente a fim de homenagear estrelas do rock! O nome da esp√©cie (jaggeri) ¬†foi um tributo a¬†Mick Jagger, vocalista do Rolling Stones, enquanto que o nome do g√™nero “Aegrotocatellus” significa em latim “Sick Puppie” (ver a banda de rock alternativo australiana ‘Sick Puppies‘).

aegrotocatellus-jaggeri
Jagger e seu trilobita

Um dos caras que ajudou a descrever esse trilobita (Greg Edgecombe), não satisfeito, nomeou uma outra série desses artrópodes primitivos com nomes de integrantes de bandas!  Ele homenageou Sex Pistols (Arcticalymene viciousi, A. Rotteni, A. jonesi, A. cooki, A. matlocki), Ramones (Mackenziurus johnnyi, M. joeyi, M. deedeei, M. ceejayi), John Lennon, Ringo Star e Simon & Garfunkel (Avalanchurus lennoni, A. starri, A. simoni, A. Garfunkeli).

Norasaphus monroae Esse trilobita foi uma homenagem de Richard Fortey, paleontólogo inglês, a Marlin Monroe.

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Trava-línguas:

РMalawisuchus mwakayasyunguti  Malawisuchus m(coloque-letras-nesse-espaço)

Piatzinigkosaurus РWTF? Isso foi sacanagem dos argentinos.

Huehuecanauhtlus tiquichensis –¬†uheuheueheuh!!¬†

– Nqwebasaurus¬†– Primeiro dinossauro com o som de “CLICK” em seu nome. Pronuncia-se: N – (som de click com a l√≠ngua) – KWE – BA – SAU – RUS. Nqweba √© o nome do lugar aonde o dinossauro foi encontrado, na √Āfrica do Sul. Trata-se de uma palavra na l√≠ngua da tribo Bantu.

РJinfengopteryx РChina 1

Jingshanosaurus РChina 2

РSzechuanosaurus РChina 3

РJinzhousaurus China 4. Os nomes chineses sempre são os mais impossíveis!

– Phuwiangosaurus¬†– Tail√Ęndia.

– Bruhathkayosaurus¬†– √ćndia. Corre√ß√£o: Os nomes asi√°ticos s√£o sempre os mais imposs√≠veis.

– Parapropalaehoplophorus¬†–¬†fale-3-vezes-r√°pido!

–> Agora-fale-tudo-junto!!!!

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“√Č√©√©√© do brasiiilll!!!”

Como se já não bastasse o Baurusuchus e lanches salgadoensis (Veja o post anterior), ainda temos uma série de crocodilos tupiniquins com nomes estranhos:

Morrinhosuchus¬†– Ganhou seu nome em homenagem a um morro ¬†(!) que fica pr√≥ximo ao local de coleta do f√≥ssil, o “Morrinho de Santa Luzia”.

Barreirosuchus – Mais uma alus√£o ao local de coleta, o bairro de Barreiros, em Monte Alto, SP;

Caipirosuchus paulistans –¬†que significa “o crocodilo caipira de S√£o Paulo”.

РPepesuchus РO nome foi uma homenagem ao Prof. José Martin Suárez (conhecido pelos colegas como Pepe).

Fora os dinossauros:

Oxalaia quilombensis¬†–¬†O g√™nero √© uma refer√™ncia a divindade africana ‘Oxal√°’ e a esp√©cie refere-se aos alojamentos quilombolas da Ilha do Cajual (local onde o f√≥ssil foi encontrado).

– Irritator challengeri –¬†Dinossauro brasileiro nomeado por pesquisadores estrangeiros (David Martill e colegas) que ficaram “extremamente irritados” devido a “restaura√ß√£o” feita pelo seu coletor amador. Buscando fazer o f√≥ssil parecer mais completo e valioso, o coletor clandestino acabou obscurecendo a real natureza do animal e dificultando o trabalho dos pesquisadores.¬†Isso que d√° comprar f√≥ssil ilegalmente Dr. Martill!!! ¬†O nome da esp√©cie foi uma homenagem ao Prof. Challenger, personagem do livro “O Mundo Perdido” de Arthus Conan Doyle.

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E para encerrar, Panamericansaurus pra vocês:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=NXZdvgzOvY4″]

* Agradecimentos aos colegas paleontólogos que contribuíram ajudando (pelo facebook!) a reunir os nomes mais bizarros de seus respectivos campos do conhecimento!

Vertebrados fósseis da região de Marília, SP

O paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava, vem há 17 anos fazendo um minucioso trabalho de escavação e coleta de fósseis nas rochas da região de Marília, interior de São Paulo. Seu trabalho resultou em importantes descobertas para a Paleontologia brasileira no que tange estudos sobre o Cretáceo do Brasil. Nesta postagem, convidamos William para nos contar um pouco da sua história trabalhando com fósseis no interior de São Paulo:

Texto de William Nava

As minhas primeiras coletas de fósseis em Marília datam do início dos anos 90 e referem-se a fragmentos ósseos identificados como pertencentes à saurópodes do grupo dos titanossauros.Fiz a primeira descoberta de ossos de um dinossauro na região de Marília em 1993, na estrada vicinal P. Nóbrega-Rosália. O achado ganhou repercussão nacional na época, sendo amplamente divulgado pelos meios de comunicação. 

O incremento das pesquisas ao longo dos anos, revelou in√ļmeros afloramentos do Cret√°ceo Superior por toda a regi√£o. A partir de 1996, com o achado dos primeiros f√≥sseis de crocodilomorfos notoss√ļquios (que 3 anos depois seriam descritos cientificamente como¬† Mariliasuchus amarali) em rochas pr√≥ximas ao vale do Rio do Peixe, ¬†foi poss√≠vel¬† concluir que a regi√£o tinha¬† potencial para f√≥sseis muito bem preservados. A¬†grande maioria desses f√≥sseis vem sendo coletada em cortes de estradas rurais. In√ļmeros materiais, principalmente de crocodilomorfos, como ¬†o pequeno crocodilo Adamantinasuchus navae, ¬†¬†foram descobertos durante a ¬†escava√ß√£o de obras ¬†no C√≥rrego Arrependido, afluente do Rio do Peixe.
A vantagem de residir na cidade onde estão os sítios paleontológicos é que se pode ir à campo a qualquer dia, ou mesmo nos finais de semana.  Igualmente, se pode abrir novas frentes de escavação e acompanhar esse trabalho, catalogando, fotografando as ocorrências e os níveis estratigráficos onde ocorrem os fósseis.
William Nava explicando sobre os fósseis e a geologia da região. Foto de Bernardo Pimenta.

Com o passar dos anos, acumulei muitos restos √≥sseos de dinossauros e crocodilos que escavava pela regi√£o, al√©m de alguns materiais obtidos por doa√ß√£o (como peixes do Nordeste e restos de madeiras petrificadas oriundos de outros estados) formando um consider√°vel acervo, que mais cedo ou mais tarde, necessitaria de ser exposto √† comunidade. Em pouco mais de uma d√©cada de escava√ß√Ķes e coletas, os trabalhos na regi√£o resultaram numa diversificada fauna de vertebrados f√≥sseis, com dinossauros do grupo dos titanossauros, pequenos crocodilomorfos (Mariliasuchus e Adamantinasuchus),¬†escamas gan√≥ides (de peixes lepisosteiformes), dentes e restos √≥sseos de v√°rios tipos de peixes, dentes de pequenos ter√≥podes, um pequeno lagarto, al√©m de microf√≥sseis.¬†

Reconstituição artística de um dinossauro saurópode titanossaurídeo. Arte de Felipe Elias (http://felipe-elias-portfolio.blogspot.com/)

 
Mariliasuchus e Adamantinasuchus

Entre os f√≥sseis mais importantes relacionados aos crocodilomorfos da regi√£o de Mar√≠lia est√£o ovos fossilizados e copr√≥litos de¬†Mariliasuchus amarali. ¬†Esses ovos f√≥sseis constituem o primeiro registro desse tipo de f√≥ssil no Brasil. Em 2002 encontrei num bloco de arenito uma ninhada composta por 9 ovos fossilizados, um achado fant√°stico. Tudo indica que os animais, vivendo em popula√ß√Ķes perto de lagoas, ali depositavam seus ovos e muitos¬† eram rapidamente soterrados por grandes cargas de sedimentos, passando assim para o registro f√≥ssil.¬†

Reconstituição de Mariliasuchus em vida. Arte de Maurílio de Oliveira.

De acordo com estudos j√° publicados sobre o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus, apurou-se que esses animais, al√©m de um comportamento greg√°rio e terrestre, que lhes permitia caminhar longas dist√Ęncias em √°reas com clima quente e seco, tinham um h√°bito alimentar bastante diversificado, podendo incluir em sua dieta desde carne at√© vegetais. Isso √© um dado bastante incomum para os crocodilos de hoje, que s√≥ vivem na √°gua e possuem dieta carn√≠vora. Dessa forma, as duas esp√©cies de crocodilos encontradas em Mar√≠lia, al√©m de muito raras no registro fossil√≠fero,¬†permitem a n√≥s, paleont√≥logos, in√ļmeras possibilidades de estudos, devido √† boa preserva√ß√£o dos f√≥sseis encontrados nas rochas da Forma√ß√£o Adamantina, que ocorrem em todo o oeste do estado de S√£o Paulo.
Reconstituição Artística de Adamantinasuchus navae. Arte de Deverson da Silva (Pepi).
O MUSEU DE PALEONTOLOGIA

Museu de Paleontologia de Marília

Inaugurado em novembro de 2004 pela Secretaria Municipal da Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Mar√≠lia, o Museu de Paleontologia √© uma significativa contribui√ß√£o ao conhecimento cient√≠fico nacional e internacional na √°rea da paleontologia. Est√° localizado no centro da cidade, e vem se tornando um dos grandes potenciais cient√≠ficos da regi√£o, tendo em vista a raridade do material¬† encontrado. Trata-se do segundo museu do interior paulista com exposi√ß√£o permanente de f√≥sseis de animais que viveram no per√≠odo Cret√°ceo, entre 70 e 90 milh√Ķes de anos atr√°s. Est√° aberto a toda a comunidade e tamb√©m √° escolas e universidades. Al√©m das dezenas de escolas da cidade e da regi√£o, tamb√©m j√° recebemos alunos de gradua√ß√£o e p√≥s-gradua√ß√£o do curso de Geologia da Universidade Federal do Paran√°, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade de S√£o Paulo, entre outras.
O Museu abre novas perspectivas no campo cient√≠fico e tamb√©m para o turismo local e regional com o incremento de atividades pedag√≥gicas, visitas t√©cnicas monitorizadas, produ√ß√£o de material impresso e outros recursos que auxiliam na educa√ß√£o e na maior divulga√ß√£o do espa√ßo, at√© como forma de gerar e atrair novos recursos e investimentos. O museu tem como objetivo a busca e pesquisa dos f√≥sseis, sua preserva√ß√£o, divulga√ß√£o junto √† comunidade local e regional, exposi√ß√£o do acervo de ossos principalmente de dinossauros, que s√£o o grande chamariz para o p√ļblico leigo e crian√ßas, e as reconstitui√ß√Ķes em vida do Mariliasuchus e do Adamantinasuchus, para dar uma id√©ia de como eram esses pequenos crocodilos, que viviam entre os grandes titanossauros. Temos recebido milhares de visitantes tanto daqui e da regi√£o, como tamb√©m de outros estados, fazendo do museu hoje, um forte atrativo cultural e tur√≠stico para uma vasta regi√£o do interior do estado.
 
No museu podem ser vistos diversos ossos de dinossauros (titanossauros), restos de crocodilos, ovos fossilizados, peixes da Chapada do Araripe (CE), troncos de √°rvores¬† fossilizados, restos de tartarugas, banners ilustrativos, fotografias de expedi√ß√Ķes realizadas nos campos de pesquisa da regi√£o e mapa de ocorr√™ncias fossil√≠feras dentro do Grupo Bauru, entre outras atra√ß√Ķes.

O museu está situado na Av. Sampaio Vidal, 245, esquina com a Av. Rio Branco, em Maríla, no centro, e fica aberto de segunda à sexta, das 8h30 às 18h00.
O telefone para contato é (14) 3402-6600 Р ramal 6614.
  
PARCERIAS, ESTUDOS e DIVULGA√á√ÉO CIENT√ćFICA
 
Diversos f√≥sseis escavados nas rochas da regi√£o encontram-se depositados para estudos em institui√ß√Ķes como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Museu Nacional da UFRJ, UNIRIO, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Museu de Zoologia da USP, UNESP campus de Bauru-SP, Museu de Hist√≥ria Natural de Taubat√©-SP, e recentemente UnB- Universidade de Bras√≠lia, em parcerias t√©cnico-cient√≠ficas bastante promissoras.
Atualmente Mar√≠lia se coloca ao lado das grandes regi√Ķes fossil√≠feras do pa√≠s, contribuindo com seus f√≥sseis para um melhor entendimento acerca dos ecossistemas e da paleofauna que existiu no Brasil h√° milh√Ķes de anos. Os f√≥sseis aqui achados j√° foram citados em peri√≥dicos de Paleontologia, como o American Museum Novitates, Gondwana Research, e recentemente o Bulletin of Geosciences, da Rep√ļblica Tcheca.

Visite o site www.dinosemmarilia.blogspot.com para saber mais sobre os fósseis de Marília e região.
 
William Roberto Nava
Paleontólogo e Coordenador do Museu de Paleontologia de Marília
Secretaria Municipal da Cultura e Turismo
Prefeitura Municipal de Marília

>Ol√° Pakasuchus!

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Novo (e mais um bizarro) crocodilomorfo f√≥ssil encontrado. Dessa vez na Tanz√Ęnia.

N√£o, dessa vez esse n√£o √© brasileiro, mas √© um primo pr√≥ximo dos bichinhos daqui. Pakasuchus foi encontrado na √Āfrica, especificamente no sul Tanz√Ęnia, lado leste da costa africana. Trata-se de um pequeno crocodilomorfo de idade cret√°cica (105 milh√Ķes de anos), do tamanho de um gato dom√©stico e, como bom notosuqu√≠deo que √©, terrestre e portador de algumas caracter√≠sticas bem bizarras. Como voc√™s ver√£o, esse animal possu√≠a dentes muito similares ao de mam√≠feros e, ao que tudo indica, alguma capacidade de mastigar….

Ilustração de Zina Deretsky, US National Science Foundation

Para recapitularem o que é um crocodilomorfo notosuquídeo, revisitem o post de Morrinhosuchus (aqui).

Os f√≥sseis de Pakasuchus foram encontrados na Bacia de Rukwa Rift, na Tanz√Ęnia. O respons√°vel pela descoberta √© o Prof. Patrik O’Connor, da Universidade de Ohio, EUA, que juntamente com um time internacional de outros cientistas, descreveu o pequeno crocodilo. O estudo foi financiado pela U.S National Science Foundation e a National Geographic Society, e publicado esse m√™s na revista Nature.  

O primeiro esp√©cime de Pakasuchus foi coletado em 2008, em rochas do Cret√°ceo M√©dio (105 milh√Ķes de anos), e tratava-se de um exemplar completo. Foram encontrados posteriormente, no entanto, materiais equivalente √† outros 7 indiv√≠duos, que apesar de fragmentados,  ajudaram a complementar o estudo. Levou um tempo at√© que todos os esp√©cimes fossem analisados, mas n√£o para que o pequeno crocodilo se mostrasse uma descoberta interessante.

O mais impressionante nesse animal não é o formato de seu corpo, mas o de seus dentes:

“Se voc√™ somente pudesse observar os dentes desse animal, n√£o pensaria que se trata de um crocodilo. Voc√™ se perguntaria que tipo estranho de mam√≠fero ou ‘r√©ptil-mamaliforme’ possu√≠a aquilo”, afirmou Patrik, que admite que se surpreendeu com o novo animal.

A nova espécie de crocodilomorfo era grácil, sem a pesada armadura dérmica dos crocodilos atuais Рcom exceção de duas fileiras de placas na cauda. O animal possuía os membros alongados e uma cabeça relativamente pequena com narinas frontais. Todos os aspectos da sua anatomia sugerem fortemente hábitos terrestres e bastante móveis (cursoriais).

O pequeno cr√Ęnio cabe na palma de uma m√£o e o animal n√£o deveria ser maior do que um gato dom√©stico. As caracter√≠sticas de sua denti√ß√£o logo se destacam: H√° redu√ß√£o dent√°ria – como em todos os notossuqu√≠deos –  e uma acentuada heterodontia (diferencia√ß√£o dent√°ria). Grandes caniniformes frontais s√£o seguidos por alguns pequenos dentes c√īnicos e ent√£o substitu√≠dos ao longo da fileira por consp√≠cuos dentes molariformes.

Pakasuchus kapilimai (Ilustração: Zina Deretsky)
A dentição de Pakasuchus: Formas molariformes destacadas e a mandíbula que poderia se movimentar para frente e para trás. (Ilustração: Zina Deretsky)
Vista esquerda do cr√Ęnio de Pakasuchus

Os dentes molariformes desse notoss√ļquio possuem pequenas c√ļspides para o processamento de alimento, semelhante √†quelas dos dentes de alguns mam√≠feros carn√≠voros. Certamente esse animal processava seu alimento de uma maneira bem peculiar. Trata-se de mais um exemplo de que os crocodilomorfos possu√≠ram linhagens incrivelmente variadas: muitas formas, tamanhos e estilos de vida distintos.

Pakasuchus viveu num per√≠odo em que as massas de terra do Gondwana ainda estavam ligadas, portanto ser√° poss√≠vel reconstituir a hist√≥ria biogeogr√°fica que o relacionava com os notoss√ļquios sulamericanos. Frente aos bichinhos da Am√©rica do Sul, Pakasuchus n√£o √© nenhuma novidade surpreendente… apenas mais um fragmento da hist√≥ria das bizarrices crocodilianas.

Nos continentes do Hemisf√©rio Norte, pequenos mam√≠feros estavam em ascens√£o. Essas criaturinhas exploravam todos os tipos de oportunidades ecol√≥gicas perif√©ricas enquanto os dinossauros dominavam os ecossistemas terrestres. Por√©m, no Hemisf√©rio Sul, essa hist√≥ria parece ter sido um pouco diferente. O que os registros f√≥sseis indicam √© que os pequenos mam√≠feros eram relativamente raros e esses estranhos crocodilos, os notoss√ļquios, √© que deveriam preencher os nichos dispon√≠veis com adapta√ß√Ķes bastante similares aos seus equivalentes mam√≠feros do Hemisf√©rio Norte.

Patrik nomeou Pakasuchus em refer√™ncia ao voc√°bulo para ‘gato’ em  Kiswahili (uma l√≠ngua Bantu) e adicionou o sufixo ‘suchus’ de ‘crocodilo’. O nome completo do bichinho √© Pakasuchus kapilimai.

Foram utilizadas técnicas de CAT Scan para o estudo detalhado da dentição do animal. Pakasuchus possuía apenas 13 dentes de cada lado da boca e uma mandíbula relativamente móvel, o que sugere uma certa capacidade de mastigação.


Os estudos filogen√©ticos de Pakasuchus indicam que ele seria um parente muito pr√≥ximo de Adamantinasuchus navae um pequeno notoss√ļquio brasileiro descrito em 2006. Adamantinasuchus viveu h√° 90 milh√Ķes de anos no que √© hoje a regi√£o de Mar√≠lia, SP, tinha a mesma forma gr√°cil, n√£o passava de 50 cm de comprimento e tamb√©m apresentava heterodontia.


A heterodontia, portanto, n√£o √© nenhuma novidade surpreendente nesse grupo. Diversos outros notoss√ļquios apresentam configura√ß√£o dent√°rias bastante ex√≥ticas indicando dietas √≠mpares. Desde carnivoria estrita, passando por onivoria, at√© possivelmente a herbivoria.


Pakasuchus também é proximamente relacionado à Mariliasuchus e Candidodon, outros dois crocodilinhos terrestres brasileiros. Candidodon no início fora confundido com um mamífero (o nome inclusive faz alusão), justamente pela sua configuração dentária peculiar, só posteriormente quando encontraram melhores evidências do animal é que ele foi reclassificado corretamente como um crocodilomorfo.

Mariliasuchus amarali 
Dente de Candidodon itapecuruense РFonte: Carvalho, I.S. 1994. Candidodon: Um crocodilo com heterodontia (Notosuchia, Cretáceo Inferior, Brasil). Anais da Ac. Bras. de Ciências, 66(3): 331-346. (aqui)

Pakasuchus de fato √© um novo bichinho muito interessante, mas aten√ß√£o: sem alarme ou estardalha√ßo demais. A heterodontia e a relativa flexibilidade mandibular j√° eram bem conhecidas entre os crocodilomorfos. Os nossos bichinhos brasileiros est√£o beeeem a frente nisso. O que Pakasuchus leva ao extremo – o que o torna t√£o especial –  √© a condi√ß√£o molariforme altamente modificada que ele
alcan√ßou, com c√ļspides acess√≥rias incrivelmente semelhantes aos mam√≠feros carn√≠voros atuais.

Para mais informa√ß√Ķes: 
Veja o v√≠deo da reconstitui√ß√£o cr√Ęnio/dentes aqui.
A mat√©ria site da National Geographic Society aqui  – e a do site da Nature aqui

O’Connor, P. et al 2010. The evolution of mammal-like crocodyliforms in the Cretaceous Period of Gondwana. Nature, 466: 748-751  | doi:10.1038/nature09061;

>Morrinhosuchus luziae, mais um bizarro crocodilomorfo do Cret√°ceo brasileiro

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Recentemente mais um novo crocodilomorfo notoss√ļquio foi descrito para o Cret√°ceo do Brasil:  Morrinhosuchus luziae.

Morrinhosuchus foi descrito com base em um esp√©cime encontrado no munic√≠pio de Monte Alto, SP, e  vem juntar-se √† fam√≠lia das bizarrices crocodilianas da Bacia Bauru.

Notoss√ļquios foram crocodiliformes que viveram durante o Per√≠odo Cret√°ceo (110-65 m.a.a.). Seus f√≥sseis s√£o encontrados na Am√©rica do Sul, √Āfrica e √Āsia. Eram animais essencialmente terrestres que apresentavam caracter√≠sticas peculiares adaptadas a esse estilo de vida, como um cr√Ęnio alto e lateralmente achatado, narinas externas e em posi√ß√£o frontal, √≥rbitas lateralmente localizadas, redu√ß√£o no n√ļmero de dentes e membros mais desenvolvidos √† locomo√ß√£o cursorial. Ocuparam variados nichos ecol√≥gicos, com formas carn√≠voras, on√≠voras e possivelmente at√© herb√≠voras, tendo atingido variados tamanhos. A partir disso, n√£o √© dif√≠cil de concluir que se verifica uma consider√°vel varia√ß√£o morfol√≥gica entre as esp√©cies desse grupo, principalmente no cr√Ęnio e em especial nos padr√Ķes de denti√ß√£o, que incluem heterodontia e alta especializa√ß√£o dent√°ria.

A Bacia Bauru, de onde proveio o esp√©cime de Morrinhosuchus, √© uma bacia sedimentar que se distribui no Brasil pelos estados de S√£o Paulo, Paran√°, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goi√°s. No total ela abrange uma √°rea de aproximadamente 370 000 Km2.  Sua sedimenta√ß√£o ocorreu num ambiente de clima quente, semi-√°rido nas bordas e des√©rtico no interior. A principal fase de deposi√ß√£o se deu durante o Cret√°ceo Superior entre o Coniaciano e o Maastrichtiano.

Mapa geológico da Bacia Bauru

J√° haviam sido descritas formalmente para essa bacia 10 esp√©cies de crocodiliformes – Sphagesaurus huenei, Mariliasuchus amarili, Adamantinasuchus navae, Mariliasuchus robustus, Sphagesaurus montealtensis, Armadillosuchus arrudai,Baurusuchus salgadoensis, Baurusuchus pachecoi, Stratiotosuchus maxhechti, Uberabasuchus terrificus e Montealtosuchus arrudacamposi -, uma forma mais extraordi√°ria que a outra. O √ļltimo deles a ser publicado foi, Armadillosuchus arrudai, ou ‚Äúcrocodilo-tatu‚ÄĚ como foi apelidado. O apelido se baseia em algumas caracter√≠sticas peculiares do animal, como a coura√ßa de prote√ß√£o em seu dorso.

Voltando a Morrinhosuchus, apesar de ter sido descrito com base em somente um esp√©cime, constitu√≠do apenas das regi√Ķes distais do cr√Ęnio e mand√≠bula, os autores puderam identificar uma s√©rie de caracter√≠sticas relevantes para a defini√ß√£o de uma nova esp√©cie.

Ele apresenta uma morfologia dent√°ria semelhante √† encontrada no g√™nero Mariliasuchus, com dentes globosos, por√©m de arranjo distinto. A estrutura  geral do rosto, que se mostra bastante alta e estreita, tamb√©m sublinha  diferen√ßas. Esse animal vem ampliar a diversidade de formas de notoss√ļquios gondw√Ęnicos e contribuir para o conhecimento faun√≠stico e dos ecossistemas cret√°cicos da Bacia Bauru.

Reconstituição de Morrinhosuchus por Deverson da Silva


Parabéns Fabiano! Abraço dos Colecionadores!


IORI, F.V. & CARVALHO, I.S. 2009. Morrinhosuchus luziae, um novo Crocodylomorpa Notosuchia da Bacia Bauru, Brasil. Revista Brasileira de Geociências, 39(4): 717-725.