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Um bicho tinhoso!! Conheça o mais novo predador do Cretáceo do Brasil

Durante do¬†Cret√°ceo Superior, h√° cerca de 80 milh√Ķes de anos atr√°s, a regi√£o hoje correspondente ao noroeste do estado de S√£o Paulo e Tri√Ęngulo Mineiro em Minas Gerais, abrigava uma rica e diversificada fauna de¬†crocodiliformes terrestres¬†¬†(parentes distantes dos crocodilos e jacar√©s atuais), que prosperava em meio aos gigantes dinossauros.

Recentemente uma nova esp√©cie de crocodiliforme desse per√≠odo foi descoberta em uma cidade do interior de S√£o Paulo. Descrita por pesquisadores brasileiros, o novo animal, com o cr√Ęnio extraordinariamente bem preservado, ganhou um nome de dar medo:¬†Gondwanasuchus scabrosus. Quer entender o por qu√™ desse estranho nome de batismo? Vamos primeiro conhecer um pouco mais sobre esse animal:

Gondwanasuchus scabrosus_Rodolfo Nogueira
Arte de Rodolfo Nogueira.

– Texto por Thiago Marinho –

O mais novo representante dos crocodiliformes terrestres do Cret√°ceo do Brasil,¬†Gondwanasuchus scabrosus, √© um pequeno predador da Fam√≠lia Baurusuchidae, composta por importantes predadores e carniceiros que poderiam at√© mesmo competir por presas com pequenos dinossauros. Essa nova esp√©cie foi descrita com base em um cr√Ęnio parcialmente completo e muito bem preservado, proveniente de rochas da Forma√ß√£o Adamantina do munic√≠pio de General Salgado, noroeste do estado de S√£o Paulo. Gondwanasuchus n√£o passaria de 1,30 m de comprimento, mas o que esses animais n√£o tinham em tamanho, tinham em adapta√ß√Ķes que os tornavam eficientes predadores.

O nome do g√™nero,¬†Gondwanasuchus,¬†faz alus√£o a distribui√ß√£o da fam√≠lia dos baurussuqu√≠deos, restrita a regi√Ķes do antigo supercontinente Gondwana¬†(que durante o Cret√°ceo agrupava a Am√©rica do Sul, √Āfrica, Madagascar, √ćndia, Oceania e Ant√°rtica) e, suchus, que significa crocodilo. O nome que define a esp√©cie, scabrosus, √© uma palavra em Latim que significa ‚Äútinhoso‚ÄĚ, um apelido dado pelos pesquisadores que descreveram a esp√©cie, devido √† apar√™ncia “mal-encarada” do animal.

Figure 5 colourO f√≥ssil de Gondwanasuchus scabrosus √© representado por um cr√Ęnio parcialmente completo, que foi encontrado em 2008 em associa√ß√£o a um grande indiv√≠duo de Baurusuchus salgadoensis, um crocodiliforme tamb√©m da fam√≠lia dos baurussuqu√≠deos. Gondwanasuchus scabrosus convivia n√£o s√≥ com outros baurussuqu√≠deos, mas tamb√©m com crocodiliformes herb√≠voros da fam√≠lia dos esfagessaur√≠deos. A presen√ßa de esfagessaur√≠deos e o fato de os dep√≥sitos da Forma√ß√£o Adamantina no munic√≠pio de General Salgado serem basicamente compostos por paleossolos (solos que foram preservados no registro geol√≥gico), sugerem que pelo menos algumas partes do habitat de Gondwanasuchus eram compostas por¬†√°reas com vegeta√ß√£o ¬†arbustiva e arb√≥rea.

Cr√Ęnio peculiar:

O cr√Ęnio de Gondwanasuchus ¬†√© altamente comprimido lateralmente, como o de muitos dinossauros carn√≠voros – bastante diferente dos crocodilos atuais!¬†Suas narinas eram posicionadas lateralmente na regi√£o anterior do focinho e o animal possu√≠a grandes √≥rbitas oculares voltadas para frente.

Dentes modificados:

Cr√Ęnio em vista lateral anterior dorsal e ventralOs dentes posteriores de G. scabrosus s√£o altamente comprimidos e com bordas serrilhadas, como os dentes de alguns dinossauros carn√≠voros. Outra peculiaridade da denti√ß√£o desses animais √© a presen√ßa de profundas estrias que percorrem os dentes da base para o topo,¬†possivelmente garantindo uma maior resist√™ncia a quebra durante o processo de ca√ßa e alimenta√ß√£o.

Vis√£o especializada:

Os olhos de Gondwanasuchus scabrosus eram ¬†destacadamente voltados para frente, diferentemente do observado na maioria dos outros crocodiliformes, que possuem os olhos orientados lateralmente. Essa caracter√≠stica permitia que esses animais tivessem vis√£o binocular, ou seja, eles¬†poderiam enxergar tridimensionalmente, o que seria muito √ļtil para uma melhor avalia√ß√£o da dist√Ęncia dos objetos observados e melhor precis√£o de seus ataques.

Quer mais detalhes? Clique no infogr√°fico para ampliar!

esse
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Interessado em mais informa√ß√Ķes sobre esse animal?? Escreva pra gente (colecionadoresdeossos@gmail.com)!! Thiago da Silva Marinho, o primeiro autor do artigo, √© membro aqui do Colecionadores de Ossos!!¬†

Thiago da Silva Marinho

Bi√≥logo pela Universidade Federal de Uberl√Ęndia (UFU), Mestre e Doutor em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), hoje √© professor efetivo da Universidade Federal do Tri√Ęngulo Mineiro (UFTM).
Desenvolve estudos com ênfase em arcossauros mesozóicos, especialmente crocodyliformes e dinossauros.
Clique aqui para ver o Currículo Lattes.
 
 

MARINHO, T. S. et al. Gondwanasuchus scabrosus gen. et sp. nov., a new terrestrial predatory crocodyliform (Mesoeucrocodylia: Baurusuchidae) from the Late Cretaceous Bauru Basin of Brazil. Cretaceous Research. 2013 (on-line).

Bambiraptor? Pintosaurus!?‚Äď Os nomes mais estranhos da Paleontologia!

Com contribuição de Thiago Marinho

O bicho é meu e eu coloco o nome que eu quiser nele!!!

Pintossauro, Gasossauro, Dinheirossauro, Fodonyx, Bambiraptor…? A lista √© longa! Um mais estranho que o outro! Mas porque eles foram batizados assim?

Veja aqui uma amostra dos nomes mais estranhos da Paleontologia!

Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro

Quem n√£o lembra do epis√≥dio da Fam√≠lia Dinossauro em que Baby √© levado para o grande s√°bio afim de receber um nome, mas algo inesperado acontece? Ele acaba recebendo um nome meio que, digamos… incomum:¬†“Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro”.

(se voc√™ nunca assistiu, veja o epis√≥dio¬†AQUI¬†ūüôā ).

Isso nos leva a pensar: Afinal, como são escolhidos os nomes dos dinossauros??

Certamente n√£o √© como no epis√≥dio da fam√≠lia dinossauro (ver post anterior), mas ainda assim parecem surgir alguns resultados meio… incomuns.

Neste post vamos reunir alguns dos nomes mais inusitados já escolhidos por paleontólogos.

N√£o s√£o s√≥ os dinossauros que sofrem, mas toda ‘sorte’ de criatura extinta…

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Os 10 mais!

And the Oscar goes to:

1)¬†PINTOSAURUS:¬†g√™nero basal de procolofon√≠deo.¬†Procolofoqu√™?¬†Procolofon√≠deo!¬†Procolofon√≠deos s√£o parar√©pteis que lembram muito um “tipo robusto de lagarto”, mas na verdade n√£o tem nada a ver com eles (Veja¬†AQUI¬†e¬†AQUI¬†para saber mais).¬†Pintosaurus ¬†foi descrito em 2004, encontrado em rochas de idade Permo-tri√°ssicas do Uruguai.¬†Pinto-¬†foi escolhido para homenagear o¬†Dr. Iraja Damiani Pinto, paleont√≥logo ga√ļcho que contribuiu substancialmente para paleontologia sulamericana. (…)

2)¬†CHUPACABRACHELYS: Trata-se de uma tartaruga do per√≠odo Cret√°ceo, que foi encontrada no Texas, USA. N√£o tem muito a dizer… o nome realmente foi em homenagem ao¬†“chupa-cabra”

3)¬†GASOSAURUS CONSTRUCTUS: Dinossauro ter√≥pode chin√™s de m√©dio porte. O nome foi escolhido para homenagear uma empresa de combust√≠vel. O dinossauro foi encontrado durante sua constru√ß√£o, por isso o nome da esp√©cie √© ‘constructus‘.

4) DINHEIROSAURUS LOURINHANENSIS: Uma espécie de dinossauro saurópode gigante, aparentado ao Diplodocus. Ele foi encontrado na região da Praia de Porto Dinheiro, concelho de Lourinhã, em Portugal. O nome deriva do local aonde ele foi encontrado. Tinha que ser um dinossauro português..

5)¬†BAMBIRAPTOR: Sim, esse √© um dinossauro que foi nomeado em homenagem ao¬†Bambi. Isso mesmo, aquele personagem da¬†Disney¬†(…!!). Trata-se de um pequeno dinossauro carn√≠voro, com menos de 1m de comprimento. O nome foi escolhido porque aparentemente o esp√©cime encontrado era um juvenil.

6)¬†FODONYX:¬†Rincossauro¬†do Tri√°ssico M√©dio da Inglaterra. O nome significa “garra escavadora”. Em latim “fodere“=escavar e “onyx“=garra. “Tchau! vou ‘fodere’ dinossauros!”

7)¬†MINOTAURASAURUS: Tipo de dinossauro anquilossaur√≠deo proveniente da √Āsia. Foi descrito em 2008. O nome significa “Homem-touro-lagarto”.

8)¬†GOJIRASAURUS: G√™nero d√ļbio de dinossauro ter√≥pode encontrado em rochas tri√°ssicas do Novo M√©xico, EUA. O nome foi em homenagem ao monstro mitol√≥gico japon√™s.¬†Gojira…. Gojira….Gojira…

Incisivosaurus – n√£o √© s√≥ o nome que √© feio…

9) INCISIVOSAURUS: Um pequeno dinossauro terópode da China, provavelmente de hábito herbívoro. Sua dentição peculiar, com dentes proeminentes como os e um roedor, foi o que lhe rendeu o nome estranho.

10)¬†PIKAIA: Representante basal do grupo dos cordados. O nome dessa criaturinha Cambriana encontrada em¬†Burgess Shale¬†significa “da Pika”.¬†Pika¬†√© um tipo de pequeno mam√≠fero aparentado dos coelhos, comumente encontrado na regi√£o aonde os f√≥sseis de Pikaia foram descobertos. (Eu ri!)

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No mínimo exóticos:

–¬†Enigmosaurus: Grande dinossauro ter√≥pode herb√≠voro (Therezinosaur√≥ide) do Cret√°ceo da Mong√≥lia. Quando os seus restos foram encontrados, a anatomia n√£o usual da p√©lvis do bicho deixou os seus descobridores t√£o confusos, que lhes pareceu um verdadeiro enigma. Assim sendo, resolveram nome√°-lo dessa forma.

–¬†Camelotia:¬†G√™nero de um dinossauro prossaur√≥pode do Tri√°ssico Inglaterra. Seu nome significa “de Camelot”.¬†Camelot¬†trata-se do lugar lend√°rio na Gr√£-Bretanha, que teria abrigado o castelo e a corte do Rei Arthur.

–¬†Erectopus: Dinossauro ter√≥pode allossaur√≥ide do Cret√°ceo da Fran√ßa. Descoberto no final do S√©culo XIX, o seu nome significa: “Erecto=em p√©”, “Pous=P√©”. Hm…

–¬†Minmi: Dinossauro australiano da infraordem Ankylosauria.¬†O nome √© devido √†¬†Minmi Crossing, o lugar onde seus f√≥sseis foram descobertos.

–¬†Hallucigenia: G√™nero de invertebrado f√≥ssil do Per√≠odo Cambriano. O nome √© devido a sua forma bizarra, que aos olhos dos descobridores mais parecia uma alucina√ß√£o. J√° viu n√©!!

–¬†Drinker: Pequeno dinossauro hypsilofodont√≠deo do Jur√°ssico da Am√©rica do Norte. O nome, traduzido do ingl√™s significa “bebedor”, mas essa n√£o foi a inten√ß√£o, ele foi proposto para homenagear o renomado paleont√≥logo Edward Drinker Cope.

–¬†Gargoyleosaurus: Um dos mais antigos anquilossauros j√° descobertos. Gargoyleasaurus foi encontrado em Wyoming, em rochas de idade Jur√°ssica. Seu nome significa “lagarto g√°rgula”.

–¬†Xixiasaurus: Dinossauro ter√≥pode troodont√≠deo descrito em 2010. Seus restos foram encontrados na regi√£o administrativa de Xixia, na prov√≠ncia de Henan, China.

–¬†Pawpawsaurus:¬†G√™nero de dinossauro da fam√≠lia Nodosauridae, da infraordem Ankylosauria. Seus restos foram encontrados na¬†Forma√ß√£o Paw Paw, Texas, USA. Eu n√£o consigo falar sem rir!
–¬†Pedopenna: Dinossauro manirraptor do Jur√°ssico da China.¬†Pedopenna¬†significa “pena no p√©”. Este dinossauro recebeu esse nome por apresentar evid√™ncias da exist√™ncia de longas penas inseridas ao longo de seus metatarsos.
–¬†Ozraptor:¬†Dinossauro ter√≥pode encontrado na Austr√°lia, descrito em 1998. “Oz” faz refer√™ncia ao apelido dado aos australianos,“Ozzies”.
–¬†Borogovia:¬†O nome deste dinossauro carn√≠voro troodont√≠deo √© derivado dos¬†“borogoves”, criaturas de um poema de Lewis Carroll, ¬†Jabberwocky,¬†parte da obra “Alice no pa√≠s das Maravilhas”.
–¬†Appalachiosaurus: G√™nero de dinossauro ter√≥pode tiranossaur√≥ide do Cret√°ceo da Am√©rica do Norte. O nome faz refer√™ncia a regi√£o estadunidense conhecida como Appalachia, onde o f√≥ssil do animal foi encontrado.

–¬†Petrobrassaurus¬†puestohernandezi: Dinossauro saur√≥pode¬†argentino. Foi descrito em 2011. O nome do g√™nero realmente √© devido a companhia de petr√≥leo brasileira,¬†Petrobr√°s,¬†e o nome espec√≠fico se refere a “Puesto Hernandez”, um dos centros de extra√ß√£o da companhia, aonde o dinossauro foi encontrado. ¬†Ahhh, invejosos! Queridos!!

–¬†Atlascopcosaurus: Este dinossauro australiano recebeu seu nome em homenagem a companhia Atlas Copco. Esta companhia forneceu o equipamento para a expedi√ß√£o paleontol√≥gica que resultou na descoberta do novo dinossauro. Capessaurus, Fapespsaurus, Cnpqsaurus, vamo l√°, galera!!

–¬†Qantassaurus: Este dinossauro hypsilofodont√≠deo foi nomeado para homenagear a empresa a√©rea australiana, Qantas, que ajudou no transporte dos f√≥sseis. Conclus√£o: australiano n√£o sabe dar nome pra dinossauro!!

–¬†Panamericansaurus: Outro g√™nero de dinossauro saur√≥pode da Patag√īnia argentina. Foi descrito em 2010. O nome foi para homenagear a companhia petrol√≠fera¬†Pan American Energy, que deu apoio financeiro √†s pesquisas.

ArgentinosaurusAh…Esse s√≥ pra sacanear mesmo. Bonito nome.

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Homenagens curiosas:

Utahraptor spielbergi – Esse dinossauro raptor foi descoberto na semana de estr√©ia do filme Jurassic Park. O nome da esp√©cie foi escolhido para homenagear Stephen Spielberg, diretor de “Jurassic Park”. Posteriormente re-descrito, o nome da esp√©cie mudou para¬†ostrommaysorum. Depois de ganhar milh√Ķes com Jurassic Park, acho que S. Spielberg n√£o deve ter ficado chateado….

Arthurdactylus conan-doylensis¬†– Este pterossauro recebeu seu nome em homenagem a Sir Arthur Conan-Doyle, autor de “O Mundo Perdido“, mais conhecido pela sua s√©rie de livros “Sherlock Holmes”.

Tianchisaurus nedegoapeferima¬†(Informalmente chamado de Jurassosaurus) – Tendo doado dinheiro para pesquisa de dinossauros na China, Stephen Spielberg sugeriu para esse dinossauro o nome de Jurassosaurus – em raz√£o do lan√ßamento do filme Jurassic Park em 1993. ¬†O nome esdr√ļxulo s√≥ pegou na informalidade. Por√©m ainda assim, o nome da esp√©cie (nedegoapeferima) homenageia Jurassic Park: ele √© formado pelas letras iniciais dos sobrenomes dos principais atores/atrizes que participaram do filme:¬†Sam¬†Neil, Laura¬†Dern, Jeff¬†Goldblum, Richard¬†Attenborough, Bob¬†Peck, MartinFerrero, Ariana¬†Richards e Joseph¬†Mazzello.

Dracorex hogwarsia¬†– O coitado desse bicho foi batizado como um tributo a obra de J.K. Rowling, “Harry Potter“. –¬†hogwarsia¬†faz alus√£o a ‘Hogwarts’, a escola de magia.

Mimatuta morgoth –¬†O Professor da Universidade de Chigado, Leigh Van Valen, nomeou uma s√©rie de mam√≠feros paleoc√™nicos com base em personagens da s√©rie de livros “Senhor dos An√©is”. Morgoth foi em homenagem ao “The Dark Lord”, mas al√©m dele ainda temos:

Alletodon mellon¬†– mellon √© a palavra √©lfica para “amigo” e a senha para a entrada nas minas de Moria.

Mithrandir onostus РMithrandir sendo outro nome para Gandalf.

Oxyprimus galadrielae РEm homenagem a Lady Galabriel.

Protungulatum gorgun¬†– ‘gorguns’ s√£o os orcs.

Bom gosto esse cara.

Masiakasaurus knopfleri – Esse pequeno dinossauro predador recebeu seu nome em homenagem a¬†Mark Knopfler, guitarrista da banda Dire Straits. De acordo com Scott Sampson, seu descobridor, o time resolveu batizar assim o dinossauro depois de escutar Dire Straits durante a escava√ß√£o. De acordo com eles, novos dinossauros s√≥ eram encontrados quando esse som estava no r√°dio. J√° tentamos essa t√°tica, mas pra gente s√≥ funciona com “Hotel California” do Eagles… #sarcasmo

Aegrotocatellus jaggeri¬†– ¬†Essa esp√©cie de trilobita foi nomeada realmente a fim de homenagear estrelas do rock! O nome da esp√©cie (jaggeri) ¬†foi um tributo a¬†Mick Jagger, vocalista do Rolling Stones, enquanto que o nome do g√™nero “Aegrotocatellus” significa em latim “Sick Puppie” (ver a banda de rock alternativo australiana ‘Sick Puppies‘).

aegrotocatellus-jaggeri
Jagger e seu trilobita

Um dos caras que ajudou a descrever esse trilobita (Greg Edgecombe), não satisfeito, nomeou uma outra série desses artrópodes primitivos com nomes de integrantes de bandas!  Ele homenageou Sex Pistols (Arcticalymene viciousi, A. Rotteni, A. jonesi, A. cooki, A. matlocki), Ramones (Mackenziurus johnnyi, M. joeyi, M. deedeei, M. ceejayi), John Lennon, Ringo Star e Simon & Garfunkel (Avalanchurus lennoni, A. starri, A. simoni, A. Garfunkeli).

Norasaphus monroae Esse trilobita foi uma homenagem de Richard Fortey, paleontólogo inglês, a Marlin Monroe.

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Trava-línguas:

РMalawisuchus mwakayasyunguti  Malawisuchus m(coloque-letras-nesse-espaço)

Piatzinigkosaurus РWTF? Isso foi sacanagem dos argentinos.

Huehuecanauhtlus tiquichensis –¬†uheuheueheuh!!¬†

– Nqwebasaurus¬†– Primeiro dinossauro com o som de “CLICK” em seu nome. Pronuncia-se: N – (som de click com a l√≠ngua) – KWE – BA – SAU – RUS. Nqweba √© o nome do lugar aonde o dinossauro foi encontrado, na √Āfrica do Sul. Trata-se de uma palavra na l√≠ngua da tribo Bantu.

РJinfengopteryx РChina 1

Jingshanosaurus РChina 2

РSzechuanosaurus РChina 3

РJinzhousaurus China 4. Os nomes chineses sempre são os mais impossíveis!

– Phuwiangosaurus¬†– Tail√Ęndia.

– Bruhathkayosaurus¬†– √ćndia. Corre√ß√£o: Os nomes asi√°ticos s√£o sempre os mais imposs√≠veis.

– Parapropalaehoplophorus¬†–¬†fale-3-vezes-r√°pido!

–> Agora-fale-tudo-junto!!!!

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“√Č√©√©√© do brasiiilll!!!”

Como se já não bastasse o Baurusuchus e lanches salgadoensis (Veja o post anterior), ainda temos uma série de crocodilos tupiniquins com nomes estranhos:

Morrinhosuchus¬†– Ganhou seu nome em homenagem a um morro ¬†(!) que fica pr√≥ximo ao local de coleta do f√≥ssil, o “Morrinho de Santa Luzia”.

Barreirosuchus – Mais uma alus√£o ao local de coleta, o bairro de Barreiros, em Monte Alto, SP;

Caipirosuchus paulistans –¬†que significa “o crocodilo caipira de S√£o Paulo”.

РPepesuchus РO nome foi uma homenagem ao Prof. José Martin Suárez (conhecido pelos colegas como Pepe).

Fora os dinossauros:

Oxalaia quilombensis¬†–¬†O g√™nero √© uma refer√™ncia a divindade africana ‘Oxal√°’ e a esp√©cie refere-se aos alojamentos quilombolas da Ilha do Cajual (local onde o f√≥ssil foi encontrado).

– Irritator challengeri –¬†Dinossauro brasileiro nomeado por pesquisadores estrangeiros (David Martill e colegas) que ficaram “extremamente irritados” devido a “restaura√ß√£o” feita pelo seu coletor amador. Buscando fazer o f√≥ssil parecer mais completo e valioso, o coletor clandestino acabou obscurecendo a real natureza do animal e dificultando o trabalho dos pesquisadores.¬†Isso que d√° comprar f√≥ssil ilegalmente Dr. Martill!!! ¬†O nome da esp√©cie foi uma homenagem ao Prof. Challenger, personagem do livro “O Mundo Perdido” de Arthus Conan Doyle.

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E para encerrar, Panamericansaurus pra vocês:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=NXZdvgzOvY4″]

* Agradecimentos aos colegas paleontólogos que contribuíram ajudando (pelo facebook!) a reunir os nomes mais bizarros de seus respectivos campos do conhecimento!

>Novo Croc gigante do Paleoceno Colombiano e pistas sobre a origem dos Dyrosauridae

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Ilustração acima: Danielle Byerley, Florida Museum of Natural History

A Formação Cerrejo, no Nordeste Colombiano, estimada como do Paleoceno Médio-Tardio Рbaseado em estudos de isótopos de carbono e palinomorfos Рapresenta o primeiro bom registro de ecossistemas continentais terrestres para essa brecha no tempo na América do Sul.

As descobertas mais recentes, feitas numa √°rea de explora√ß√£o de carv√£o, indicam n√£o s√≥ a mais antiga evid√™ncia macrof√≥ssil de florestas neotropicais, como tamb√©m, a presen√ßa da maior serpente f√≥ssil j√° descoberta, Titanoboa cerrejonensis. Al√©m disso, h√° registros de c√°gados gigantes, peixes dipn√≥icos e elopomorfos e de um raro Crocodiliforme Dyrossaur√≠deo de focinho curto, conhecido como Cerrejonisuchus improcerus.

Num trabalho rec√©m-publicado de Alexander Hastings, Jonathan Bloch e Carlos Jaramillo, um novo dyrossaur√≠deo de focinho longo, Acherontisuchus guajiraensis foi descrito para a regi√£o. O material f√≥ssil havia sido coletado em 1994, mas ficou retido na mina de carv√£o at√© 2004, quando foi levado a Universidade da Fl√≥rida para estudos. O que chama aten√ß√£o, √© o tamanho do animal.

H√° 60 milh√Ķes de anos atr√°s, Acherontisuchus guajiraensis, de 9 m de comprimento, coexistiu com a gigantesca Titanoboa cerrejonensis em um sistema de rios semelhante ao atual Amazonas, atravessando uma as primeiras florestas tropicais √ļmidas do mundo, at√© desembocar no que seria um dia o Mar do Caribe.

O focinho longo do Acherontisuchus deve ter sido utilizado para capturar peixes e os autores ainda sugerem que o animal deveria ter competido com Titanoboa por alimento.

As an√°lises nos f√≥sseis descritos no artigo mencionado ecaixam Acherontisuchus em um grupo de Crocodiliformes chamado de Dyrossaur√≠deos, animais que usualmente habitavam ambientes marinhos e fluviais costeiros. 

Vale √† pena checar o artigo tamb√©m porque os autores realizam uma nova an√°lise clad√≠stica para os Dyrosauridae, utilizando 82 caracteres do cr√Ęnio e mand√≠bula para encaixar Acherontisuchus guajiraensis em sua posi√ß√£o dentro do grupo. Eles incluem dyrossaur√≠deos do Novo Mundo e do Velho Mundo como Hyposaurus rogersii, Congosaurus bequaerti, Atlantosuchus coupatezi, Guarinisuchus munizi, Rhabdognathus keiniensis e Rhabdognathus aslerensis.

Os resultados s√£o consistentes com rela√ß√£o a origem africana dos Dyrosauridae, com dispers√Ķes para o Novo Mundo durante o Cret√°ceo Tardio, passando por uma transi√ß√£o de habitats marinhos em taxa ancestrais, para ambientes fluviais em taxa mais derivados.

Bibliografia:
. HASTINGS, A.K., BLOCH, J. I., JARAMILLO,.C.A. 2011. A NEW LONGIROSTRINE DYROSAURID (CROCODYLOMORPHA, MESOEUCROCODYLIA) FROM THE PALEOCENE OF NORTH-EASTERN COLOMBIA: BIOGEOGRAPHIC AND BEHAVIOURAL IMPLICATIONS FOR NEW-WORLD DYROSAURIDAE. [Palaeontology, Vol. 54, Part 5, 2011, pp. 1095‚Äď1116]

>O Brasil pr√©-hist√≥rico era realmente dos crocodilos…

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Neste √ļltimo m√™s, novas descobertas sobre o Cret√°ceo brasileiro vieram afirmar que neste per√≠odo os Crocodyliformes realmente dominavam nosso pa√≠s. Enquanto os dinossauros reinavam com soberania na maioria dos ecossistemas terrestres, aqui no territ√≥rio tupiniquim os crocodyliformes se diversificavam e ocupavam os mais diversos nichos. Desde animais com cerca de 4 metros de comprimento, √°geis e carn√≠voros, como o Baurusuchus, at√© pequenos on√≠voros, como o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus. Haviam esp√©cies escavadoras, oportunistas e at√© mesmo consumidoras de plantas e ra√≠zes.

Estas descobertas t√™m elucidado como teriam sido as rela√ß√Ķes ecol√≥gicas pret√©ritas do paleoambiente hoje representados pelas rochas do Grupo Bauru. As rochas do Grupo Bauru s√£o de idade Neocret√°cica (Final do per√≠odo Cret√°ceo, do Cenomaniano ao Maastrichiano, 99-65 milh√Ķes de anos atr√°s) e foram depositadas em um contexto continental fluvial e lacustre de clima quente e √°rido. Elas est√£o bem distribu√≠das nos estados de S√£o Paulo e Minhas Gerais, mas tamb√©m s√£o encontradas no Paran√° e Goi√°s, e at√© mesmo no estado do Mato Grosso. Estas rochas representam um antigo ecossistema que possu√≠a uma diversificada fauna de vertebrados, incluindo dinossauros saur√≥podes (titanossauros) e ter√≥podes (abelissauros, carcharodontossauros e maniraptores, incluindo as aves), lagartos, cobras, quel√īnios, anf√≠bios, pequenos mam√≠feros, mas principalmente crocodyliformes. Estes √ļltimos englobavam at√© seis distintos grupos: os notossuqu√≠deos, os sphagessaur√≠deos, candidodont√≠deos, peirossaur√≠deos, trematocamps√≠deos e baurussuqu√≠deos.

Ao que se deve esta incr√≠vel diversidade de crocodilomorfos? O que pode ter favorecido o desenvolvimente deste grupo de arcossauros neste particular contexto pret√©rito? Os pesquisadores ainda procuram uma resposta. A solu√ß√£o para o enigma pode estar envolvida com o fato deste local pret√©rito ter sido geograficamente isolado e ter produzido uma situa√ß√£o ecol√≥gica e ambiental √ļnica, que favoreceu estes animais. Teriam eles ocupado o nicho at√© mesmo de dinossauros? Competido com eles? Ou o nicho de mam√≠feros, t√£o raros neste registro por algum prop√≥sito? A continuidade dos estudos vai ajudar a resposder estas perguntas.
Campinasuchus, o novo crocodyliforme do Cret√°ceo brasileiro

Fantástica reconstituição artística de Campinasuchus em vida por Rodolfo Nogueira.

Campinasuchus √© um novo g√™nero de Baurusuchidae descrito com base em alguns cr√Ęnios parciais e esqueletos encontrados na regi√£o de Campina Verde, MG, contexto da Forma√ß√£o Adamantina, Grupo Bauru, Bacia Bauru.
Os Baurusuchidae incluem crocodyliformes com cr√Ęnios lateralmente comprimidos e gracilmente alongados. S√£o conhecidos para o Cret√°ceo Tardio do Brasil, Argentina e Paquist√£o. Todos os membros podem ser considerados de m√©dio e grande porte, cursoriais (caminhavam ativamente sem encostar a barriga no ch√£o, com os membros posicionados mais verticalmente) e predadores. Outras esp√©cies de Baurusuchidae incluem: Baurusuchus pachecoi, Baurusuchus salgadoensis, Baurusuchus albertoi e Stratiosuchus maxhechti do Brasil, al√©m de Cynodontosuchus e Wargosuchus da Argentina.
Campinasuchus se diferencia dos outos Baurusuchidae por possuir um focinho mais curto e afilado, uma dentição diferenciada e peculiaridades no seu osso palatal (céu da boca).
A sua presen√ßa refor√ßa a id√©ia de que a aridez, ou possivelmente um regime espec√≠fico de sazonalidade (altern√Ęncia de per√≠odos quentes e secos com per√≠odos de alta pluviosidade), dirigiram a diversifica√ß√£o dos crocodyliformes terrestres neste ecossistema peculiar do Cret√°ceo Tardio brasileiro.
O trabalho foi publicado por Ismar de Souza e Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e colaboradores, na revista Zootaxa, de distribuição on line e gratuita, em 9 de maio de 2011.
O primeira icnoespécie de ovos fossilizados da América do Sul


Ovo fossilizado de crocodyliforme , foto de Carlos de Oliveira.


Ninhos de 70 milh√Ķes de anos foram encontrados nas proximidades da cidade de Jales, interior do estado de S√£o Paulo, por Carlos de Oliveira, da Funda√ß√£o Educacional de Fernand√≥polis (SP). A descoberta foi publicada este m√™s na revista Paleontoloy por ele e colaboradores. Os ovos foram encontrados em 2006 em rochas da Forma√ß√£o Adamantina, Grupo Bauru. A grande concentra√ß√£o deste material chamou a aten√ß√£o de Carlos, que com o prosseguimento das escava√ß√Ķes encontrou o que seria equivalente a 17 ninhadas situadoas em 3 diferentes n√≠veis de deposi√ß√£o sedimentar (o que corresponderia a tr√™s eventos temporais diferentes).


Foto por Carlos de Oliveira.


Os ovos são alongados e tem forma elíptica. O tamanho varia entre 5,8 e 6,5 cm. A maioria estava quebrada, o que pode sugerir que os filhotes haviam nascido e deixado os ovos. Apenas alguns estavam completos.

Esqueleto parcial de Baurusuchus encontrado em associação com os ninhos. Foto: Carlos Oliveira.

Todos eles foram considerados como pertencentes a um g√™nero de crocodyliforme, Baurusuchus, devido a in√ļmeros ossos, e inclusive cr√Ęnios e esqueletos parciais destes animais, que foram encontrados associados aos ninhos. Mas n√£o foi s√≥ isso que ajudou os pesquisadores a definirem os produtores destes ovos. A microestrutura da casca tamb√©m revela detalhes sobre quem os depositou:

Ovos de aves, dinossauros, crocodyliformes, quel√īnios, lagartos e cobras t√™m estruturas macro e microsc√≥picas diferentes. Al√©m do tamanho e formato ovo, aspectos histoestruturais da casca, como a organiza√ß√£o do sistema de poros e a forma de deposi√ß√£o de c√°lcio (existem diferentes morfotipos estruturais: testudin√≥ide, crocodil√≥ide, dinossaur√≥ide, ornit√≥ide e geck√≥ide por exemplo) ajudam a identificar o produtor.

Tipos de ovos de acordo com sua microestrutura. A micro-estrutura pode ser avaliada por meio de cortes histol√≥gicos da casca, que s√£o ent√£o observados com o aux√≠lio da microscopia eletr√īnica de varredura.

O estudo dos ovos fossilizados se chama Paleo-oologia e está inserida numa área da paleontologia chamada de Paleoicnologia, palaios=antigo, iknos=vestígios e logos=estudo, ou seja, O estudo dos vestígios antigos.

A Paleoicnologia estuda todo tipo de vestígio fóssil indireto ou evidência comportamental de uma atividade biológica (produzida por um organismo extinto). Os ovos constituem vestígios do comportamento de reprodução de animais extintos, logo estão no escopo de estudo da Paleoicnologia, assim como as pegadas fósseis, por exemplo, que são vestígios de locomoção.

A Paleoicnoloia tem toda uma taxonomia pr√≥pria para definir diferentes tipos de vest√≠gios. Essa ‘parataxonomia’, √† modo do sistema de nomenclatura biol√≥gica, √© binomial e latinizada. Se as caracter√≠sticas gerais de uma estrutura paleoicnol√≥gica foram parecidas com as de materiais j√° conhecidos, elas recebem o mesmo nome destes, mas se foram diferentes, ganham uma nova designa√ß√£o, como uma nova esp√©cie. A prop√≥sito, ICNOesp√©cie e icnog√™nero s√£o a maneira correta de se denominar estas estruturas, para n√£o se confundir com o sistema de nomenclatura biol√≥gica – o que √© muito comum.

Por exemplo, o icnog√™nero de pegadas de mam√≠feros conhecido como Brasilichnium elusivum ( descrito para Fm. Botucatu, Bacia do Paran√°) comumente √© confundido com o nome do produtor das pegadas… que na verdade n√£o √© conhecido por nenhuma evid√™ncia de f√≥ssil corporal! O nome B. elusivum se refere somente √†s pegadas, n√£o ao seu produtor. At√© mesmo animais diferentes poderiam ter produzido o mesmo tipo de vest√≠gio. Cuidado…

No caso do material de Jales, SP, os autores consideraram que todas as características identificadas poderiam sustentar um novo icnogênero, que denominaram de Bauruoolithus fragilis. Esta seria a primeira icnoespécie de ovos fossilizados descrita para a América do Sul (mas não os primeiros ovos fósseis descritos nem para o Brasil, nem para a América Latina! Há abundantes registros de ovos fossilizados na Argentina e vários também aqui no Brasil. Referências em nosso país são os ovos de dinossauro encontrados na região de Uberaba e os ovos atribuídos a Mariliasuchus em Marília, SP).

As fei√ß√Ķes encontradas nos ovos, segundo os autores, s√£o muito diferentes daquelas encontradas em outros crocodilomorfos, o que leva a suspeita de que os produtores de Bauruoolithus teriam um modo de reprodu√ß√£o peculiar. Isto pode estar diretamente ligado com o sucesso ecol√≥gico do grupo e pode fornecer respostas interessantes quanto a adapta√ß√£o destes animais √†s condi√ß√Ķes ambientais do sudeste brasileiro durante o Cret√°ceo Tardio.

O estudo de ovos f√≥sseis pode revelar detalhes de aspectos biol√≥gicos e ecol√≥gicos dos seus produtores. –estrat√©gias ou comportamentos de reprodu√ß√£o est√£o intimamente ligadas ao rigor ambiental e estresse ecol√≥gico (competi√ß√£o, preda√ß√£o, etc), assim como aspectos paleoambientais – recuperados direta (tafonomia) ou indiretamente (um estresse ambiental -uma grande seca, per√≠odo de escassez de alimentos, etc. – pode ser detectado estudando-se a microestrutura dos ovos)-, e paleoclim√°ticos (inferidos utilizando-se an√°lise de is√≥topos). Estes estudos s√£o um passo al√©m da simples descri√ß√£o.

H√° muito a ser feito!


>Novos vertebrados do Mesozóico brasileiro РComeçamos bem 2011!

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Depois do an√ļncio de Tapuiasaurus em fevereiro, somam-se √† lista de vertebrados mesoz√≥icos do Brasil o gigante dino carn√≠voro Oxalaia, mais um bizarro crocodilomorfo terrestre – Pepesuchus – e Brasiliguana, um pequeno lagarto da regi√£o de Presidente Prudente, SP… 
Mas isso não é só, ainda há muito mais por vir!!

Tapuiasaurus foi descrito ainda em fevereiro na revista cient√≠fica de divulga√ß√£o livre, PLoS ONE (acesse o artigo aqui). O an√ļncio do bicho foi um sucesso: Dinossauro na cabe√ßa! Um cr√Ęnio completo foi apresentado por Zaher e colaboradores e o estado de conserva√ß√£o do material deixou pesquisadores do mundo inteiro boquiabertos. Tapuiasaurus pertence a um grupo de dinossauros chamado de saur√≥podes (dinos gigantes de pesco√ßo e cauda longos) e mais especificamente a um ramo chamado de ‘titanossaur√≠deos’. Cr√Ęnios de dinossauros saur√≥podes s√£o relativamente raros, j√° que tendem a logo se desarticular do corpo depois da morte do animal. Por isso Tapuiasaurus foi recebido com tanta festa.!
A idade do f√≥ssil est√° entre 125 e 112 milh√Ķes de anos. Ele foi encontrado nos estratos cret√°cicos da Bacia Sanfranciscana, nas imedia√ß√Ķes do munic√≠pio de Cora√ß√£o de Jesus, Minas Gerais, pr√≥ximo a divisa com a Bahia.
N√£o s√≥ o cr√Ęnio, mas v√©rtebras, partes da esc√°pula, um r√°dio e um f√™mur tamb√©m foram descritos.
O cr√Ęnio √© impressionante. Com o focinho alongado e a abertura nasal na altura dos olhos, ele lembra aquele de outros titanossauros como Rapetosaurus e Nemegtosaurus. Por√©m, Tapuiasaurus viveu bem antes destes animais – pelo menos 30 milh√Ķes de anos antes. Em termos evolutivos, essa √© uma informa√ß√£o muito importante. Tudo indica que este formato craniano, comumente encontrado em dinossauros saur√≥podes titanossaur√≠deos do final do Per√≠odo Cret√°ceo, j√° havia evolu√≠do bem antes do que se pensava.
Uma exposi√ß√£o tem√°tica com os f√≥sseis do animal est√° sendo apresentada no Museu de Zoologia da USP em S√£o Paulo. Vale a pena visitar!! Exposi√ß√£o “Cabe√ßa Dinossauro”.

O cr√Ęnio de Tapuiasaurus macedoi.

Reconstituição do animal pelo paleoartista Leandro Sanchez.

Quanto a Oxalaia, anunciado √† imprenssa brasileira no dia 16 de mar√ßo, temos um registro bem menos impressionante, mas t√£o importante quanto o de Tapuiasaurus. Oxalaia tratava-se de um imenso dinossauro carn√≠voro espinossaur√≠deo (da fam√≠lia do Espinossauro e do Suchomimus, dinos com o focinho alongado e achatado como o dos crocodilos), que devia medir entre 12 e 14 metros. Seria o segundo maior dinossauro dessa fam√≠lia de ter√≥podes. Os restos do animal foram encontrados ainda em 1999 durante uma expedi√ß√£o da equipe de paleont√≥logos do Museu Nacional √† Ilha do Cajual, no Estado do Maranh√£o (Leia aqui!). Encontrado na famosa ‘Laje do Coringa’, o n√≠vel mais fossil√≠fero da Forma√ß√£o Alc√Ęntara, o bicho parece ter sido um elemento comum no ambiente pret√©rito daquela regi√£o, onde s√£o encontrados abundantes dentes do animal. Foram descritos por Kellner e colaboradores dois fragmentos de cr√Ęnio, considerados suficientes para definir a nova esp√©cie. O trabalho foi apresentado numa edi√ß√£o especial dos Anais da Academia Brasileira de Ci√™ncias e pode ser acessado aqui. Oxalaia pode ser considerado hoje o maior dinossauro carn√≠voro brasileiro. Tr√™s esp√©cies de espinossaur√≠deos j√° foram descritas para o Brasil: Irritator challengeri, Angaturama limai e Oxalaia quilombensis. O nome Oxalaia faz refer√™ncia a divindade africana Oxal√° e quilombensis √† um antigo Quilombo da regi√£o da Ilha do Cajual.

Fragmentos do cr√Ęnio de Oxalaia, descritos por Kellner e colaboradores.

Reconstituição artística do animal por Maurílio de Oliveira.

Pepesuchus pode parecer um nome estranho, mas foi uma homenagem ao Prof. Jos√© Martin Suar√©z (conhecido por seus colegas como Pepe) para nomear o mais novo crocodilomorfo terrestre barsileiro. Descrito por Di√≥genes de Almeida Campos e colaboradores, a nova esp√©cie conta com dois cr√Ęnios quase completos e mand√≠bulas. O material √© proveniente do famoso s√≠tio “Tartaruguito” (Fm. Presidente Prudente, Grupo Bauru, Bacia Bauru), pr√≥ximo √†s cidades de Pirapozinho e Presidente Prudente, no Estado de S√£o Paulo. A nova esp√©cie foi classificada como um peirossaur√≠deo e acrescenta ainda mais ao conhecimento desses animais na Bacia Bauru, Cret√°ceo Superior brasileiro. Os peirossaur√≠deos parecem ter sido um dos clados de Mesoeucrocodylia mais bem representados no paleocontinente austral, Gondwana. O material p√≥s-craniano da nova esp√©cie ser√° descrito separadamente.

Reconstitui√ß√£o do cr√Ęnio de Pepesuchus.
Reconstituição artística de Pepesuchus.

Por fim, n√£o poder√≠amos deixar de falar de Brasiliguana, tamb√©m publicado na edi√ß√£o especial dos Anais da Academia Brasileira de Ci√™ncias (acesse aqui). Brasiliguana trata-se de um pequeno lagarto dos estratos do Cret√°ceo Superior da Forma√ß√£o Adamantina, Bacia Bauru, da regi√£o do munic√≠pio de Presidente Prudente, SP. O registro de squamatas no Brasil √© raro e inclui somente 6 apontamentos: Tijubina, Olindalacerta e squamata indeterminado, da Bacia do Araripe, e Pristiguana e 2 registros tamb√©m n√£o espec√≠ficos da Bacia Bauru. Brasiliguana viria a acrescentar este conhecimento.
O animal foi descrito por William Nava e Agustín Martinelli com base em um fragmento cranial, cujos formato e implantação dos dentes, de acordo com os autores, são semelhantes a dos lagartos iguanídeos.

Material descrito de Brasiliguana prudentensis.


Já que falamos tanto da edição especial dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, vale a pena checar os outros artigos. Você os encontra disponíveis aqui.

N√£o deixe de dar uma olhada naquele de Bittencourt & Langer (aqui). O amigo Johnny fez uma fant√°stica revis√£o sobre as ocorr√™ncias de dinossauros no Brasil e as suas rela√ß√Ķes biogeogr√°ficas. Refer√™ncia!
As novidades por enquanto s√£o estas, mas fiquem de olho porque tem muito mais por vir!