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Um dinossauro no exílio e a luta contra o colonialismo científico

Poucos imaginariam que um dinossauro do tamanho de um ganso desencadearia uma das maiores pol√™micas da Paleontologia nos √ļltimos anos. Para bem ou para mal, ‚ÄúUbirajara jubatus‚ÄĚ tem chamado a aten√ß√£o como poucos f√≥sseis na hist√≥ria da Paleontologia.

Arte de Saulo Daniel, publicada no Twitter.

Quando foi revelado ao mundo no dia 13 de dezembro de 2020, “Ubirajara jubatus” deveria ter sido visto como uma descoberta interessante do ponto de pista cient√≠fico, pois tratava-se do primeiro dinossauro n√£o-aviano com penas do Hemisf√©rio do Sul. Contudo, a sua import√Ęncia foi rapidamente ofuscada por um emaranhado de problemas √©ticos e legais. O estudo de “Ubirajara” representa um t√≠pico caso de colonialismo cient√≠fico: um f√≥ssil brasileiro que foi parar de maneira suspeita num museu alem√£o (Museu Estadual de Hist√≥ria Natural de Karlsruhe) e uma pesquisa feita exclusivamente por cientistas estrangeiros.

O conceito de colonialismo cient√≠fico foi definido em 1967 por Johann Galtung como ‚Äúo processo pelo qual o centro de adquisi√ß√£o do conhecimento sobre uma na√ß√£o est√° fora a pr√≥pria na√ß√£o‚ÄĚ. Isto se aplica ainda √† Paleontologia de v√°rios pa√≠ses, cujas pesquisas, em pleno s√©culo XXI, s√£o predominantemente feitas por estrangeiros.

Al√©m do Brasil, pa√≠ses como China, Mong√≥lia, Marrocos, Rep√ļblica Dominicana e Myanmar, t√™m estado na mira, tanto de traficantes de f√≥sseis, como de pesquisadores sem escr√ļpulos. Os f√≥sseis atraem a curiosidade do p√ļblico e s√£o um valioso recurso em muitos aspectos: cient√≠fico, educacional, cultural e at√© econ√īmico, gerando turismo e beneficiando o com√©rcio local. Por√©m, todos estes benef√≠cios ficam num pa√≠s estrangeiro, quando os f√≥sseis s√£o levados (legal ou ilegalmente) ao exterior e terminam estudados por equipes de outros pa√≠ses, o que cria depend√™ncia cient√≠fica e perpetua desigualdades sociais.

No Brasil, assim como em toda a Am√©rica Latina e na maior parte dos pa√≠ses do mundo, os f√≥sseis pertencem legalmente √† Na√ß√£o onde s√£o encontrados. Durante d√©cadas, contudo, milhares de f√≥sseis t√™m sa√≠do ilegalmente da regi√£o do Araripe, no Nordeste do Brasil, regi√£o muito rica em termos paleontol√≥gicos, mas com um baixo √≠ndice de desenvolvimento humano. Estes f√≥sseis s√£o adquiridos a pre√ßos irris√≥rios por estrangeiros, chegam ilegalmente a feiras e leil√Ķes na Europa e terminam em cole√ß√Ķes privadas ou em museus estrangeiros.

Centenas destes f√≥sseis no ex√≠lio t√™m sido estudados por cientistas estrangeiros de maneira impune nas √ļltimas d√©cadas. Este problema √© mais do que conhecido pela comunidade cient√≠fica brasileira, por√©m estamos acostumados a que as nossas vozes n√£o sejam escutadas no exterior. Problema que n√£o enfrentam, por exemplo, os autores do estudo de “Ubirajara ” e de v√°rios outros f√≥sseis extra√≠dos irregularmente do Brasil. Eberhard Frey (ex-curador da cole√ß√£o de vertebrados do museu onde ainda hoje est√° “Ubirajara”) era, at√© 2021, nada menos que o presidente da Associa√ß√£o Europeia de Paleontologia de Vertebrados (EAVP, sigla em ingl√™s), enquanto que David Martill, tamb√©m autor do estudo de “Ubirajara”, publicou um artigo defendendo abertamente que os paleont√≥logos desrrespeitem as leis locais.

√Č uma luta que sempre tem sido desigual. Por√©m, desta vez foi diferente. Estamos na era das redes sociais, da comunica√ß√£o cient√≠fica online e das hashtags. O uso de hashtags como #BlackLivesMatter e #MeToo t√™m mostrado que as redes sociais podem unir esfor√ßos em torno de uma causa. #UbirajaraBelongstoBR (Ubirajara pertence ao Brasil), criada no Twitter pela paleont√≥loga e divulgadora cient√≠fica Aline Ghilardi, se espalhou como fogo na internet, poucas horas ap√≥s a not√≠cia do novo dinossauro. No Youtube, foram feitas v√°rias lives denunciando o caso, uma delas, pediu ao p√ļblico pra desenhar “Ubirajara” e protestar nas redes usando a hashtag #UbirajaraBelongstoBR. Em poucos dias este era o dinossauro mais desenhado do mundo: artistas, crian√ßas e p√ļblico geral participavam da campanha. O ru√≠do produzido foi t√£o alto que em duas semanas a revista Cretaceous Research retirou a pesquisa do ar e anunciou que investigava o caso.

Em setembro de 2021, o museu de Karlsruhe contra-atacou, publicando no Instagram um comunicado no qual afirmavam que o dinossauro Ubirajara era ‚Äėpropriedade do estado de Baden-W√ľrttemberg‚Äô e que n√£o seria devolvido ao Brasil. Em poucos dias acumularam-se mais de 10 mil coment√°rios pouco amig√°veis de brasileiros usando a hashtag #UbirajaraBelongstoBR. O museu teve que desativar a sua conta no Instagram. Poucos dias depois, a revista Science revelou que “Ubirajara” foi importado pela Alemanha em 2006 por uma empresa privada e, ent√£o, comprado pelo Museu Estadual de Historia Natural de Karlsruhe, em 2009, o que contradizia a alega√ß√£o de Eberhard Frey, que afirmava tanto que ele mesmo tinha transportado o f√≥ssil para Alemanha em 1995, portando uma suposta autoriza√ß√£o do governo brasileiro.

No 15 de novembro de 2021, publicamos uma carta na revista Nature Ecology and Evolution, na qual explicamos os problemas legais e √©ticos envolvendo n√£o s√≥ “Ubirajara”, mas v√°rios outros f√≥sseis que encontravam-se no museu de Karlsruhe e em outros museus do pa√≠s. Enviamos essa carta √† ministra de Ci√™ncia e Cultura do estado alem√£o de Baden-W√ľrttemberg e, um m√™s depois, ela nos respondeu prometendo investigar o caso e tomar a√ß√Ķes contra os respons√°veis.

Em mar√ßo de 2022 publicamos, ent√£o, um amplo estudo onde denunciamos o colonialismo cient√≠fico em centenas de estudos sobre f√≥sseis do Brasil e do M√©xico. E, finalmente, em julho de 2022, o Minist√©rio de Ci√™ncia e Cultura de Baden-W√ľrttemberg anunciou que o Museu Estadual de Historia Natural de Karlsruhe tinha atuado de maneira desonesta e ordenou a devolu√ß√£o do f√≥ssil ao Brasil. Al√©m disso, solicitou ao museu que informasse sobre todos os f√≥sseis que se encontram irregularmente na sua cole√ß√£o.

Eberhard Frey aposentou-se prematuramente em 2022 e Norbert Lenz, também autor do estudo e diretor do museu, foi removido do seu cargo em julho de 2022.

Devido √† repercuss√£o gerada pelo caso, algumas revistas acad√™micas t√™m adaptado pol√≠ticas mais r√≠gidas sobre a origem legal dos f√≥sseis nas suas publica√ß√Ķes. Adicionalmente, alguns pa√≠ses come√ßaram a retornar voluntariamente f√≥sseis ao Brasil, como em outubro de 2021, quando uma universidade dos EUA entregou 36 aranhas f√≥sseis ao Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, e em fevereiro de 2022, quando a B√©lgica devolveu ao Brasil um pterossauro.

No momento em que estas linhas s√£o escritas, seguimos esperando pela repatria√ß√£o, n√£o s√≥ do dinossauro “Ubirajara”, mas de centenas de outros f√≥sseis que se encontram irregularmente em Karlsruhe e em outros museus da Alemanha. Aconte√ßa o que acontecer, a Ci√™ncia n√£o ser√° a mesma ap√≥s este caso. “Ubirajara” est√° j√° no sal√£o da fama dos maus exemplos na Paleontologia, junto a Archaeoraptor e ao Homem de Piltdown.

*Este texto foi originalmente publicado em espanhol em http://saberesyciencias.com.mx/2023/02/10/dinosaurio-exilio-la-lucha-colonialismo-cientifico/

Referências:

Smyth, R.S.H. et al. 2020. WITHDRAWN: A maned theropod dinosaur from Gondwana with elaborate integumentary structures. Cretaceous Research.

Martill, D. 2018. Why palaeontologists must break the law: a polemic from an apologist. The Geological Curator 10: 641-649.

Padilha, P. K. 2020. ROUBARAM mais um DINOSSAURO DO BRASIL #UbirajarabelongstoBR. https://youtu.be/Uf_QjXwbEDU

P√©rez Ortega, R. 2021. Retraction is ‚Äėsecond extinction‚Äô for rare dinosaur. Science 374: 14-15.

Cisneros, J.C. 2021. The moral and legal imperative to return illegally exported fossils. Nature Ecology & Evolution, 6:2-3.

Cisneros, J.C. 2022. Digging deeper into colonial palaeontological practices in modern day Mexico and Brazil. Royal Society Open Science 9:210898.

Vespersaurus: Um novo dino brasileiro

Estudo publicado nesta quarta-feira (26/06/19) na revista¬†Scientific Reports, do grupo Nature, apresenta uma nova esp√©cie de dinossauro brasileiro, que viveu no Per√≠odo Cret√°ceo, h√° cerca de 90 milh√Ķes de anos.

Figura-4
Reconstrução em vida de Vespersaurus paranensis. Crédito da imagem: Rodolfo Nogueira.

O fóssil foi encontrado no município de Cruzeiro do Oeste, PR, e foi estudado por paleontólogos das universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Maringá (UEM), além de pesquisadores do Museo Argentino de Ciências Naturales e do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste. A nova espécie foi nomeada Vespersaurus paranaensis.

Vesper (do latim) significa oeste/entardecer, em referência ao nome da cidade onde foi descoberto o fóssil, e paranaensis faz uma homenagem ao Estado do Paraná, já que este é o primeiro dinossauro paranaense descrito.

Os f√≥sseis da nova esp√©cie de dinossauro pertencem a um grupo de dinossauros carn√≠voros chamados de Noasaurinae. Os Noasaurinae s√£o abelissauros diferent√Ķes, de pequeno porte, encontrados desde a Argentina at√© Madagascar (com poss√≠veis registros na √ćndia). Estes ter√≥podes viveram em uma √©poca em que¬†os¬†continentes do sul ainda estavam unidos, formando o Gondwana, e transitavam de um lado para o outro, cruzando um imenso deserto que¬†existia entre o Brasil e a √Āfrica.
Restos de Noasaurinae j√° eram conhecidos para o Brasil (veja Lindoso et al., 2012 e Brum et al., 2016), mas este √© o material mais completo encontrado at√© o momento. √Č tamb√©m o material mais completo de dinossauro¬†ter√≥pode descrito para o Brasil at√© agora, com quase metade do esqueleto encontrado.

Figura-3
Representação tridimensional do esqueleto de Vespersaurus paranensis indicando (em cor sólida) os ossos que foram encontrados. Crédito da imagem: Rodolfo Nogueira.

O novo dinossauro possu√≠a v√©rtebras pneum√°ticas, que conferiam leveza ao seu esqueleto, como nas aves viventes, e um bra√ßo muito reduzido (com menos da metade do comprimento da perna). Por√©m, a sua caracter√≠stica anat√īmica mais peculiar¬†eram os p√©s. Seu peso era praticamente todo suportado por um √ļnico dedo central, sendo o animal funcionalmente monod√°ctilo, como os cavalos. Os dedos que flanqueavam¬†o d√≠gito central, por sua vez, possu√≠am grandes garras em forma de l√Ęmina, que¬†deveriam servir para cortar e raspar carne.

Figura-1
Pata direita de Vespersaurus paranensis como preservada na rocha, note a garra do quarto dedo em forma de l√Ęmina. Foto de Paulo Manzig.

As rochas do noroeste paranaense, nas quais Vespersaurus foi preservado formaram-se em ambientes desérticos, o que sugere que o animal deveria ser adaptado a esse tipo de clima. Na década de 70, em rochas relacionadas, o paleontólogo Giuseppe Leonardi descobriu uma ampla assembleia de pegadas fósseis. Algumas, feitas por um pequeno dinossauro bípede, carnívoro, aparentemente monodáctilo. À época não se conhecia nenhum animal com tais características ao qual elas pudessem ser atribuídas. Muito tempo depois, o produtor parece ter sido encontrado.

Figura-5
Reconstrução em vida do pé de Vespersaurus paranensis. Crédito da imagem: Rodolfo Nogueira.

Vespersaurus paranaensis n√£o √© primeira esp√©cie¬†cret√°cica a ser encontrada no noroeste do Paran√°. No mesmo s√≠tio fossil√≠fero em Cruzeiro do Oeste foram descobertos tamb√©m o lagarto Gueragama sulamericana e in√ļmeros indiv√≠duos do pterossauro Caiuajara dobruskii.¬†A descoberta de mais¬†uma esp√©cie f√≥ssil em Cruzeiro do Oeste deve impulsionar¬†as pesquisas paleontol√≥gicas na regi√£o.

Veja o artigo:

Langer et al., 2019. A new desert-dwelling dinosaur (Theropoda, Noasaurinae) from the Cretaceous of south Brazil. Scientific Reports https://www.nature.com/articles/s41598-019-45306-9

Demais referências:

Brum, A.S., Machado, E.B., de Almeida Campos, D. and Kellner, A.W.A., 2016. Morphology and internal structure of two new abelisaurid remains (Theropoda, Dinosauria) from the Adamantina Formation (Turonian‚ÄďMaastrichtian), Bauru Group, Paran√° Basin, Brazil.¬†Cretaceous Research,¬†60, pp.287-296.

Lindoso, R.M., Medeiros, M.A., de Souza Carvalho, I. and da Silva Marinho, T., 2012. Masiakasaurus-like theropod teeth from the Alc√Ęntara Formation, S√£o Lu√≠s Basin (Cenomanian), northeastern Brazil.¬†Cretaceous Research,¬†36, pp.119-124.

Sobre penas e escamas: a nova roupa do rei

Recentemente uma nova publicação causou uma acalorada discussão entre amantes dos dinossauros na internet. Trata-se de um assunto muito mais polêmico que mamilos. Claro, só poderíamos estar falando de PENAS em dinossauros. Ou talvez, nesse caso, a ausência delas.

Polemica

No in√≠cio do m√™s Phill Bell e colaboradores, incluindo os Phill Currie, Robert Bakker e Pete Larson (alguns paleont√≥logos de renome na √°rea), publicaram um artigo na revista Biology Letters intitulado Tyrannosauroid integument reveals conflicting patterns of gigantism and feather evolution, ou, traduzindo: “O integumento de tiranosaur√≥ides revela um padr√£o conflituoso entre gigantismo e a evolu√ß√£o das penas”. Esse artigo foi amplamente noticiado pela m√≠dia geral e foi justamente a causa¬†de uma grande reviravolta na internet. Em especial, entre f√£s de dinossauros (e, mais significativamente, ¬†entre aqueles fan√°ticos por Jurassic Park).

Obviamente, esse foi mais um caso em que a m√≠dia leiga deitou e rolou. Dinossauros… tiranossauro… e penas. Ingredientes m√°gicos pra escrever besteiras vender not√≠cias/atrair leitores! Um monte de gente que simplesmente n√£o entende nada desses assuntos resolveu escrever sobre isso e pipocaram manchetes como: “O Tiranossauro n√£o tinha penas!”, “Tiranossauro era coberto de escamas, como um lagarto” ou “Jurassic Park estava certo!”. √Č claro que o corpo das not√≠cias n√£o foi melhor do que isso.

tyrannosaurus-rex-conway-1024x1024Um efeito em cadeia teve início e monte de outras pessoas prontamente compartilhou (sem ler, claro) nas redes sociais a notícia. Uma parte dessas mesmas pessoas, então, começou a advogar a manchete jornalística como a descoberta paleontológica do ano e a verdade definitiva sobre os tiranossauros.

Quando abri minha linha do tempo no Facebook, ela se parecia com isso:
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Depois de me inteirar sobre o assunto, mais uma vez lamentei sobre como uma divulga√ß√£o mal feita de um resultado de estudo cient√≠fico pode ser danosa. Um artigo t√£o legal, sendo mal compreendido e passando a ser usado quase como um¬†“argumento b√≠blico” por algumas pessoas que n√£o querem, de forma¬†alguma, se desapegar de ideias ultrapassadas. Foi um¬†verdadeiro desfile de fal√°cias. E √© por isso que viemos tentar esclarecer um pouquinho esse¬†assunto!

Primeiramente, n√£o podemos deixar de falar, que no mesmo dia que o artigo de Bell e colaboradores foi publicado, um outro artigo magn√≠fico sobre um filhote de ave (Enanthiornithine) do Cret√°ceo preservado em √Ęmbar de Myanmar saiu do prelo no peri√≥dico ‘Gondwana Research‘. Um artigo de grande impacto no meio paleontol√≥gico, que passou praticamente despercebido pela m√≠dia e consequentemente, o p√ļblico geral. Uma pena (me perdoe o trocadilho).

Para não propagar a injustiça, seguem aqui algumas fotos e o link do artigo para quem tiver interesse em ler sobre o assunto:

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Agora, quanto √†s penas em tiranossauros, √© importante come√ßar desde j√° dizendo que, de tudo que o artigo diz, a √ļnica coisa que ele N√ÉO diz √© que tiranossauros n√£o tinham penas. Pronto, falei. Pois √©, poder√≠amos encerrar a postagem aqui.

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O que o artigo tr√°s, na verdade, √© a descri√ß√£o formal de algumas impress√Ķes de pele com evid√™ncias de escamas em certas partes do corpo de diferentes esp√©cies de tiranossaur√≠deos (incluindo¬†Tyrannosaurus rex, Daspletosaurus, Tarbosaurus, Gorgosaurus e Albertosaurus)¬†e, a partir disso, os autores discutem¬†a possibilidade de¬†uma evolu√ß√£o paralela dessas esp√©cies gigantes mais tardias, em rela√ß√£o √†s esp√©cies de tiranossaur√≥ides emplumados mais basais¬†(considere aqui os penosos asi√°ticos¬†Yutyrannus e Dilong¬†– clique nos nomes para acessar os artigos originais com imagens dos f√≥sseis).¬†Basicamente, o que os autores argumentam, √©¬†que as esp√©cies tardias¬† (a maior parte de dep√≥sitos da Am√©rica do Norte) n√£o teriam uma extensa cobertura ¬†de penas como os tiranossaur√≥ides basais chineses (N√ÉO QUE ELES N√ÉO POSSUIAM PENAS!).¬†A justificativa¬†principal¬†do artigo √© que a evolu√ß√£o do gigantismo poderia ter desfavorecido a manuten√ß√£o de uma extensa cobertura de penas em¬†Tyrannosaurus rex, Daspletosaurus, Tarbosaurus, Gorgosaurus e Albertosaurus. Os autores justificam¬†sua¬†hip√≥tese¬†alegando¬†uma suposta redu√ß√£o na import√Ęncia das penas na manuten√ß√£o de calor corp√≥reo devido √†:

1) Homeotermia inercial por gigantismo (i.e. inércia térmica);

2) Uma hipotética atividade metabólica mais alta em algumas espécies tardias ou;

3) A ocupa√ß√£o de¬†ambientes com press√Ķes seletivas distintas. As esp√©cies asi√°ticas mais basais, por exemplo, habitavam regi√Ķes mais florestadas.

Todas argumenta√ß√Ķes muito pertinentes, que implicam necessariamente na revers√£o (ou modifica√ß√£o) de um car√°ter basal do grupo, que √Č a presen√ßa de uma extensa cobertura de penas (veja a figura abaixo). Os autores deixam em aberto a¬†quest√£o sobre se¬†as escamas de esp√©cies mais derivadas seriam ou n√£o produto de uma modifica√ß√£o das penas primitivas¬†observadas em Yutyrannus e Dilong, j√° que as escamas em Aves atuais n√£o s√£o hom√≥logas √†s escamas ‘reptilianas’ (ou seja, n√£o t√™m a mesma origem embrion√°ria), mas sim s√£o resultado de penas modificadas.

Rela√ß√Ķes de parentesco entre Yutyrannus, Dilong e Tyranosauridae.
Rela√ß√Ķes de parentesco entre Yutyrannus, Dilong e Tyranosauridae.

Os autores concluem o artigo da seguinte forma:

“Our results, therefore, reveal an intriguing counterintuitive pattern between size and integumentary evolution within Tyrannosauroidea that can only be tested by future fossil discoveries.” – “Nossos resultados, portanto, revelam um intrigante padr√£o contraintuitivo entre tamanho e evolu√ß√£o tegumentar dentro de Tyrannosauroidea que s√≥ pode ser testado por futuras descobertas de f√≥sseis.”

A √ļltima frase resume tudo. Uma proposta que somente poder√° ser testada com futuras (e melhores ou mais completas) descobertas de f√≥sseis.

√ďtimo. Agora que ficou claro tudo o que o artigo quer dizer e aquilo que ele n√£o quer dizer, existem algumas outras coisas que podem ter sido mal interpretadas nele.¬†A primeira, e mais importante, √© a imagem sobre as impress√Ķes de pele com escamas (figurada alguns par√°grafos acima). A imagem d√° a impress√£o – errada! – de que as regi√Ķes ‘escamosas’¬†sinalizadas foram encontradas todas em um mesmo indiv√≠duo/esp√©cime ou que foram encontradas em diferentes f√≥sseis de uma mesma esp√©cie (no caso, como amplamente argumentado por quem n√£o leu o artigo direito:¬†Tyrannosaurus rex). Mas n√£o, ela re√ļne todas as evid√™ncias de impress√Ķes de peles das V√ĀRIAS esp√©cies citadas no texto (veja esta imagem que demonstra mais honestamente¬†o que conhecemos sobre o tegumento de Tyrannosaurus rex, Tarbosaurus e Albertosaurus, respectivamente – de cima para baixo).

2838737845_fa89d35c4a_zSão conhecidas apenas pequenas áreas preservadas de pele para cada espécie, o que nem de longe justifica que o padrão escamoso observado possa ser extrapolado para o corpo inteiro do animal/dos animais. Desde quando, por exemplo, a imagem ao lado seria uma justificativa para avestruzes serem escamosos?

A ausência de penas em algumas partes do corpo do animal não é uma evidência suficiente para afirmarmos que todo o animal era (ou a maior parte dele era) escamoso.

Agora, o oposto (ou seja, que penas estavam presentes nesses organismos, mesmo que ainda não tenhamos encontrado evidências diretas da sua presença) se pode afirmar com certo embasamento lógico. Por quê?!

√Č importante compreender um princ√≠pio b√°sico da Ci√™ncia, aqui adaptado √†¬†Biologia Evolutiva: √© mais parcimonioso supor que um caracter (no caso, penas) se manteve ao longo da evolu√ß√£o de um grupo de organismos, do que que ele tenha sido perdido, revertido ou alterado em linhagens sucessivas. Da mesma forma, por infer√™ncia com base nos parentes mais proximamente relacionados, – mais basais ou derivados – (phyllogenetic bracketing), √© mais parcimonioso afirmar que as penas estavam¬†presentes em Tyrannosauridae do que que estivessem ausentes.

N√£o vou nem me estender muito, mas ainda existem ainda outras quest√Ķes n√£o discutidas no artigo, como a a√ß√£o de¬†aspectos tafon√īmicos, que causam desvios preservacionais no registro fossil√≠fero. In√ļmeras¬†adversidades naturais (a√ß√£o de decompositores, exposi√ß√£o prolongada da carca√ßa, aspectos geoqu√≠micos da fossiliza√ß√£o, etc.) poderiam ter desfavorecido a preserva√ß√£o de penas. Os tipos de dep√≥sito em que as¬†esp√©cies mais tardias (de Tyrannosauridae) s√£o encontradas, s√£o bastante diferentes do de Dilong e Yutyrannus, que pelas condi√ß√Ķes de preserva√ß√£o excepcionais pode ser considerado um lagerst√§tte.

Aos paleobi√≥logos¬†interessa ainda investigarem poss√≠veis varia√ß√Ķes ontogen√©ticas (√© prov√°vel que em est√°gios mais juvenis, Tyrannosauridae tivessem uma cobertura mais extensa de penas); e geogr√°ficas (esp√©cies de latitudes mais altas apresentariam esse mesmo padr√£o sugerido no artigo?).

Mais uma vez: o que o artigo de Bell e colaboradores quis dizer, apenas, √© que a cobertura de penas nas¬†esp√©cies de Tyrannosauridae citadas no artigo (Tyrannosaurus rex, Daspletosaurus, Tarbosaurus, Gorgosaurus e Albertosaurus)¬†provavelmente¬†seria¬†mais restrita do que em esp√©cies mais basais, de Tyrannosauroidea, e outros Coelurosauria.¬†N√£o ¬†que elas estivessem definitivamente ausentes! Aceitem: a presen√ßa de penas (seja l√° em qual extens√£o pelo corpo) em Coelurosauria¬†(Eumaniraptora, Oviraptorosauria, Therezinosauroidea, Alvarezsauridae, Ornithomimosauria, Compsognathidae e Tyrannosauroidea) j√° n√£o √© mais um assunto em discuss√£o. √Č um fato amplamente aceito por paleont√≥logos especialistas em dinossauros.

Fãs de Jurassic Park, por favor, não deixem a emoção sobrepor a razão! E aos outros fãs de dinossauros: leiam sempre os artigos originais ou procurem fontes confiáveis de informação.

Fanboys, vocês ainda não se livraram do T. rex com penas...
Fanboys, voc√™s ainda n√£o se livraram do T. rex com penas… Arte de Raul Martin.

Algumas leituras adicionais sobre essa quest√£o:

T. rex, Feathers, Scales, and Science
Prejudices skin in the evolution of Tyrannosauridae
Those scales are scales?

Revenge of the scaly Tyrannosaurus 

Não deixe de assistir também o vídeo do nosso colega Pirulla sobre o assunto:

Discutindo a nova filogenia dos dinossauros

H√° algumas semanas, um estudo publicado na prestigiosa revista ‘Nature’ chamou a aten√ß√£o do mundo e veio abalar as estruturas de um consenso secular na paleontologia de dinossauros. O estudo publicado na revista Nature foi desenvolvido por Baron (Universidade de Cambridge) e colaboradores, e contou com uma amostragem abrangente de esp√©cies basais de dinossauros e outros Dinosauromorpha.

A novidade do estudo de Baron e colegas √© que uma nova topologia para a √°rvore evolutiva dos dinossauros foi obtida, onde os dinossauros ornit√≠squios (que incluem desde os estegossauros at√© os dinossauros “bico de pato”, veja imagem a seguir) caem como grupo irm√£o dos dinossauros ter√≥podes (grupo de dinossauros que inclui basicamente todos os dinossauros carn√≠voros), formando um clado denominado de ‘Ornithoscelida’. Esse resultado altera completamente o consenso tradicional sobre a evolu√ß√£o dos dinossauros, que colocava os dinossauros ter√≥podes e sauropodomorfos (grupo dos dinossauros herb√≠voros de pesco√ßo e cauda longa)  juntos, formando o clado cl√°ssico conhecido como Saurischia.

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Dinossauros ornitísquios. Arte de Franz Anthony (http://franzanth.com/).
Dinossauros terópodes. Arte de Franz Anthony.
Dinossauros terópodes. Arte de Franz Anthony.
Dinossauros sauropodomorfos. Arte de Franz Anthony.
Dinossauros sauropodomorfos. Arte de Franz Anthony.
Cladograma de acordo com a filogenia cl√°ssica dos dinossauros. Imagem por Darren Naish.
Cladograma de acordo com a filogenia cl√°ssica ou mais convencional dos dinossauros. Imagem por Darren Naish.
Cladograma ilustrando a filogenia proposta por Baron et al. (2017), separando os dinossauros terópodes e sauropodomorfos e sustentando o clado denominado de 'Ornithoscelida'. Imagem por Darren Naish.
Cladograma ilustrando a filogenia proposta por Baron et al. (2017), separando os dinossauros ter√≥podes e sauropodomorfos e sustentando o clado denominado de ‘Ornithoscelida’ (Theropoda + Ornitischia). Imagem por Darren Naish.

A filogenia  tradicional dos dinossauros, que se sustenta h√° quase 130 anos, sempre partiu do princ√≠pio de que dinossauros ter√≥podes e sauropodomorfos formavam um grupo monofil√©tico, ou seja, que consistiam de um agrupamento verdadeiro, que reunia uma esp√©cie ancestral e todos os seus descendentes.

Apesar do trabalho de Baron desafiar a proposta convencional das rela√ß√Ķes evolutivas dos dinossauros, o ordenamento que ele prop√Ķe em seu artigo n√£o √© muita novidade. Propostas alternativas, incluindo essa de Ornithoscelida, sempre existiram e foram consecutivamente testadas ao longo do tempo.  O que acontece √© que, nos √ļltimos anos, novas esp√©cies de dinossauros basais foram descobertas e descritas e pudemos ter acesso a novas informa√ß√Ķes sobre como se deu o seu processo evolutivo  de certos aspectos morfol√≥gicos dos dinossauros. Isso deu mais resolu√ß√£o √† nossa compreens√£o sobre a evolu√ß√£o desse grupo. O que Baron fez foi reunir essa informa√ß√£o em uma ampla matriz de dados morfol√≥gicos e test√°-la. O resultado foi que, com a nova amostragem de t√°xons basais de dinossauros, o arranjo filogen√©tico que melhor explica o que observamos √© a uni√£o de Theropoda e Ornithischia em um mesmo grupo: Ornithoscelida.

As grandes propostas alternativas sobre a evolução de Dinosauria.
As grandes propostas alternativas sobre a evolução de Dinosauria.
J√° posso queimar toda a minha bibliografia sobre dinossauros? Foto de Darren Naish.

Não preciso nem dizer que isso causou um reboliço na paleontologia e uma acalorada discussão entre paleontólogos, né?

Mas, calma, você não precisa sair por aí queimando todos os seus livros sobre dinossauros. Toda nova proposta que muda drasticamente uma ideia merece ser testada e reavaliada antes de definitivamente adotada.

Com a ascens√£o desse trabalho, v√°rios paleont√≥logos do mundo todo se reuniram para analisar minuciosamente a matriz de dados morfol√≥gicos usada por Baron e colegas. H√° muito tempo precis√°vamos de uma amostragem abrangente, incluindo mais t√°xons basais de Ornithischia e isso o trabalho de Baron tem de positivo! Por√©m, onde aparentemente o trabalho de Baron falha, √© na matriz de dados em si. Muitos colegas paleont√≥logos do mundo t√™m apontado falhas na codifica√ß√£o da matriz filogen√©tica apresentada no estudo publicado na Nature, e eles j√° est√£o trabalhando em uma r√©plica. Nos pr√≥ximos meses, uma publica√ß√£o reunindo paleont√≥logos de diversas nacionalidades dever√° ser publicada reavaliando a matriz de dados de Baron.

“Alega√ß√Ķes extraordin√°rias exigem evid√™ncias extraordin√°rias” Carl Sagan

A hip√≥tese de Ornithoscelida n√£o pode ser totalmente desconsiderada, j√° que a topologia filogen√©tica obtida por Baron e colaboradores explica muito bem a distribui√ß√£o de alguns caracteres morfol√≥gicos em dinossauros. O caracter mais claro para exemplificar essa quest√£o talvez seja a presen√ßa de estruturas tegument√°rias (i.e. penas e estruturas similares √† penas) tanto em Ornithischia quanto em Theropoda. Estruturas as quais ainda n√£o foram encontrada em f√≥sseis de Sauropodomorpha (o que n√£o significa que eles definitivamente n√£o as possu√≠am!!!).

Fóssil de Psittacosaurus, um dinossauro Ornithischia, com estruturas tegumentárias possivelmente homólogas às penas.
Fóssil de Psittacosaurus, um dinossauro Ornithischia, com estruturas tegumentárias possivelmente homólogas às penas encontradas em dinossauros terópodes.

Alguns paleont√≥logos argumentam que, apesar de explicar bem a distribui√ß√£o de alguns caracteres, essa proposta filogen√©tica n√£o sustenta t√£o bem outras quest√Ķes anat√īmicas muito importantes, como a pneumaticidade nos ossos, observada tanto em Theropoda como em Sauropodomorpha – mas n√£o em Ornithischia -, ou mesmo o cl√°ssico formato do quadril trirradiado.

A quest√£o, pelo visto, continuar√° sendo quais caracteres morfol√≥gicos evolu√≠ram independentemente ou n√£o…

Presença/ausência de pneumaticidade óssea em Ornithodira.
Presença/ausência de pneumaticidade óssea em Ornithodira.
Pneumticidade em vértebra de um dinossauro terópode. Característica também presente em Sauropodomorpha.
Pneumticidade em vértebra de um dinossauro terópode. Característica também presente em Sauropodomorpha.

Outra grande cr√≠tica ao trabalho de Baron foi que a sua proposta filogen√©tica aponta a origem dos dinossauros como sendo europeia, o que para a grande maioria dos paleont√≥logos n√£o faz sentido algum.

A li√ß√£o maior do trabalho de Baron √© que ainda temos muito o que investir no estudo de dinossauros basais. Vamos aguardar o trabalho sobre a revis√£o da matriz de dados que sustenta Ornithoscelida ser publicado e torcer para novas descobertas de dinossauros basais sejam feitas!

Assista o vídeo sobre essa questão em nosso canal. Entrevistamos o paleontólogo argentino Diego Pol, um dos especialistas envolvidos na re-avaliação da matriz de dados do trabalho de Baron:

Captura de Tela 2017-05-01 aŐÄs 14.21.54

Leia mais sobre o assunto:

TetZoo: https://blogs.scientificamerican.com/tetrapod-zoology/ornithoscelida-rises-a-new-family-tree-for-dinosaurs/
Theropoda Blog: http://theropoda.blogspot.com.br/2017/03/ornithoscelida-20-saurischian-paraphyly.html
The Theropoda Database Blog:
1)https://theropoddatabase.blogspot.com.br/2017/03/ornithoscelida-lives.html
2) https://theropoddatabase.blogspot.com.br/2017/03/ornithoscelida-tested-adding-taxa-and.html

Referências:

Baron, M. G., Norman, D. B. & Barrett, P. M. 2017. A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution. Nature doi:10.1038/nature21700

Bambiraptor? Pintosaurus!?‚Äď Os nomes mais estranhos da Paleontologia!

Com contribuição de Thiago Marinho

O bicho é meu e eu coloco o nome que eu quiser nele!!!

Pintossauro, Gasossauro, Dinheirossauro, Fodonyx, Bambiraptor…? A lista √© longa! Um mais estranho que o outro! Mas porque eles foram batizados assim?

Veja aqui uma amostra dos nomes mais estranhos da Paleontologia!

Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro

Quem n√£o lembra do epis√≥dio da Fam√≠lia Dinossauro em que Baby √© levado para o grande s√°bio afim de receber um nome, mas algo inesperado acontece? Ele acaba recebendo um nome meio que, digamos… incomum:¬†“Ai Ai Estou Morrendo Seu Idiota da Silva Sauro”.

(se voc√™ nunca assistiu, veja o epis√≥dio¬†AQUI¬†ūüôā ).

Isso nos leva a pensar: Afinal, como são escolhidos os nomes dos dinossauros??

Certamente n√£o √© como no epis√≥dio da fam√≠lia dinossauro (ver post anterior), mas ainda assim parecem surgir alguns resultados meio… incomuns.

Neste post vamos reunir alguns dos nomes mais inusitados já escolhidos por paleontólogos.

N√£o s√£o s√≥ os dinossauros que sofrem, mas toda ‘sorte’ de criatura extinta…

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Os 10 mais!

And the Oscar goes to:

1)¬†PINTOSAURUS:¬†g√™nero basal de procolofon√≠deo.¬†Procolofoqu√™?¬†Procolofon√≠deo!¬†Procolofon√≠deos s√£o parar√©pteis que lembram muito um “tipo robusto de lagarto”, mas na verdade n√£o tem nada a ver com eles (Veja¬†AQUI¬†e¬†AQUI¬†para saber mais).¬†Pintosaurus ¬†foi descrito em 2004, encontrado em rochas de idade Permo-tri√°ssicas do Uruguai.¬†Pinto-¬†foi escolhido para homenagear o¬†Dr. Iraja Damiani Pinto, paleont√≥logo ga√ļcho que contribuiu substancialmente para paleontologia sulamericana. (…)

2)¬†CHUPACABRACHELYS: Trata-se de uma tartaruga do per√≠odo Cret√°ceo, que foi encontrada no Texas, USA. N√£o tem muito a dizer… o nome realmente foi em homenagem ao¬†“chupa-cabra”

3)¬†GASOSAURUS CONSTRUCTUS: Dinossauro ter√≥pode chin√™s de m√©dio porte. O nome foi escolhido para homenagear uma empresa de combust√≠vel. O dinossauro foi encontrado durante sua constru√ß√£o, por isso o nome da esp√©cie √© ‘constructus‘.

4) DINHEIROSAURUS LOURINHANENSIS: Uma espécie de dinossauro saurópode gigante, aparentado ao Diplodocus. Ele foi encontrado na região da Praia de Porto Dinheiro, concelho de Lourinhã, em Portugal. O nome deriva do local aonde ele foi encontrado. Tinha que ser um dinossauro português..

5)¬†BAMBIRAPTOR: Sim, esse √© um dinossauro que foi nomeado em homenagem ao¬†Bambi. Isso mesmo, aquele personagem da¬†Disney¬†(…!!). Trata-se de um pequeno dinossauro carn√≠voro, com menos de 1m de comprimento. O nome foi escolhido porque aparentemente o esp√©cime encontrado era um juvenil.

6)¬†FODONYX:¬†Rincossauro¬†do Tri√°ssico M√©dio da Inglaterra. O nome significa “garra escavadora”. Em latim “fodere“=escavar e “onyx“=garra. “Tchau! vou ‘fodere’ dinossauros!”

7)¬†MINOTAURASAURUS: Tipo de dinossauro anquilossaur√≠deo proveniente da √Āsia. Foi descrito em 2008. O nome significa “Homem-touro-lagarto”.

8)¬†GOJIRASAURUS: G√™nero d√ļbio de dinossauro ter√≥pode encontrado em rochas tri√°ssicas do Novo M√©xico, EUA. O nome foi em homenagem ao monstro mitol√≥gico japon√™s.¬†Gojira…. Gojira….Gojira…

Incisivosaurus – n√£o √© s√≥ o nome que √© feio…

9) INCISIVOSAURUS: Um pequeno dinossauro terópode da China, provavelmente de hábito herbívoro. Sua dentição peculiar, com dentes proeminentes como os e um roedor, foi o que lhe rendeu o nome estranho.

10)¬†PIKAIA: Representante basal do grupo dos cordados. O nome dessa criaturinha Cambriana encontrada em¬†Burgess Shale¬†significa “da Pika”.¬†Pika¬†√© um tipo de pequeno mam√≠fero aparentado dos coelhos, comumente encontrado na regi√£o aonde os f√≥sseis de Pikaia foram descobertos. (Eu ri!)

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No mínimo exóticos:

–¬†Enigmosaurus: Grande dinossauro ter√≥pode herb√≠voro (Therezinosaur√≥ide) do Cret√°ceo da Mong√≥lia. Quando os seus restos foram encontrados, a anatomia n√£o usual da p√©lvis do bicho deixou os seus descobridores t√£o confusos, que lhes pareceu um verdadeiro enigma. Assim sendo, resolveram nome√°-lo dessa forma.

–¬†Camelotia:¬†G√™nero de um dinossauro prossaur√≥pode do Tri√°ssico Inglaterra. Seu nome significa “de Camelot”.¬†Camelot¬†trata-se do lugar lend√°rio na Gr√£-Bretanha, que teria abrigado o castelo e a corte do Rei Arthur.

–¬†Erectopus: Dinossauro ter√≥pode allossaur√≥ide do Cret√°ceo da Fran√ßa. Descoberto no final do S√©culo XIX, o seu nome significa: “Erecto=em p√©”, “Pous=P√©”. Hm…

–¬†Minmi: Dinossauro australiano da infraordem Ankylosauria.¬†O nome √© devido √†¬†Minmi Crossing, o lugar onde seus f√≥sseis foram descobertos.

–¬†Hallucigenia: G√™nero de invertebrado f√≥ssil do Per√≠odo Cambriano. O nome √© devido a sua forma bizarra, que aos olhos dos descobridores mais parecia uma alucina√ß√£o. J√° viu n√©!!

–¬†Drinker: Pequeno dinossauro hypsilofodont√≠deo do Jur√°ssico da Am√©rica do Norte. O nome, traduzido do ingl√™s significa “bebedor”, mas essa n√£o foi a inten√ß√£o, ele foi proposto para homenagear o renomado paleont√≥logo Edward Drinker Cope.

–¬†Gargoyleosaurus: Um dos mais antigos anquilossauros j√° descobertos. Gargoyleasaurus foi encontrado em Wyoming, em rochas de idade Jur√°ssica. Seu nome significa “lagarto g√°rgula”.

–¬†Xixiasaurus: Dinossauro ter√≥pode troodont√≠deo descrito em 2010. Seus restos foram encontrados na regi√£o administrativa de Xixia, na prov√≠ncia de Henan, China.

–¬†Pawpawsaurus:¬†G√™nero de dinossauro da fam√≠lia Nodosauridae, da infraordem Ankylosauria. Seus restos foram encontrados na¬†Forma√ß√£o Paw Paw, Texas, USA. Eu n√£o consigo falar sem rir!
–¬†Pedopenna: Dinossauro manirraptor do Jur√°ssico da China.¬†Pedopenna¬†significa “pena no p√©”. Este dinossauro recebeu esse nome por apresentar evid√™ncias da exist√™ncia de longas penas inseridas ao longo de seus metatarsos.
–¬†Ozraptor:¬†Dinossauro ter√≥pode encontrado na Austr√°lia, descrito em 1998. “Oz” faz refer√™ncia ao apelido dado aos australianos,“Ozzies”.
–¬†Borogovia:¬†O nome deste dinossauro carn√≠voro troodont√≠deo √© derivado dos¬†“borogoves”, criaturas de um poema de Lewis Carroll, ¬†Jabberwocky,¬†parte da obra “Alice no pa√≠s das Maravilhas”.
–¬†Appalachiosaurus: G√™nero de dinossauro ter√≥pode tiranossaur√≥ide do Cret√°ceo da Am√©rica do Norte. O nome faz refer√™ncia a regi√£o estadunidense conhecida como Appalachia, onde o f√≥ssil do animal foi encontrado.

–¬†Petrobrassaurus¬†puestohernandezi: Dinossauro saur√≥pode¬†argentino. Foi descrito em 2011. O nome do g√™nero realmente √© devido a companhia de petr√≥leo brasileira,¬†Petrobr√°s,¬†e o nome espec√≠fico se refere a “Puesto Hernandez”, um dos centros de extra√ß√£o da companhia, aonde o dinossauro foi encontrado. ¬†Ahhh, invejosos! Queridos!!

–¬†Atlascopcosaurus: Este dinossauro australiano recebeu seu nome em homenagem a companhia Atlas Copco. Esta companhia forneceu o equipamento para a expedi√ß√£o paleontol√≥gica que resultou na descoberta do novo dinossauro. Capessaurus, Fapespsaurus, Cnpqsaurus, vamo l√°, galera!!

–¬†Qantassaurus: Este dinossauro hypsilofodont√≠deo foi nomeado para homenagear a empresa a√©rea australiana, Qantas, que ajudou no transporte dos f√≥sseis. Conclus√£o: australiano n√£o sabe dar nome pra dinossauro!!

–¬†Panamericansaurus: Outro g√™nero de dinossauro saur√≥pode da Patag√īnia argentina. Foi descrito em 2010. O nome foi para homenagear a companhia petrol√≠fera¬†Pan American Energy, que deu apoio financeiro √†s pesquisas.

ArgentinosaurusAh…Esse s√≥ pra sacanear mesmo. Bonito nome.

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Homenagens curiosas:

Utahraptor spielbergi – Esse dinossauro raptor foi descoberto na semana de estr√©ia do filme Jurassic Park. O nome da esp√©cie foi escolhido para homenagear Stephen Spielberg, diretor de “Jurassic Park”. Posteriormente re-descrito, o nome da esp√©cie mudou para¬†ostrommaysorum. Depois de ganhar milh√Ķes com Jurassic Park, acho que S. Spielberg n√£o deve ter ficado chateado….

Arthurdactylus conan-doylensis¬†– Este pterossauro recebeu seu nome em homenagem a Sir Arthur Conan-Doyle, autor de “O Mundo Perdido“, mais conhecido pela sua s√©rie de livros “Sherlock Holmes”.

Tianchisaurus nedegoapeferima¬†(Informalmente chamado de Jurassosaurus) – Tendo doado dinheiro para pesquisa de dinossauros na China, Stephen Spielberg sugeriu para esse dinossauro o nome de Jurassosaurus – em raz√£o do lan√ßamento do filme Jurassic Park em 1993. ¬†O nome esdr√ļxulo s√≥ pegou na informalidade. Por√©m ainda assim, o nome da esp√©cie (nedegoapeferima) homenageia Jurassic Park: ele √© formado pelas letras iniciais dos sobrenomes dos principais atores/atrizes que participaram do filme:¬†Sam¬†Neil, Laura¬†Dern, Jeff¬†Goldblum, Richard¬†Attenborough, Bob¬†Peck, MartinFerrero, Ariana¬†Richards e Joseph¬†Mazzello.

Dracorex hogwarsia¬†– O coitado desse bicho foi batizado como um tributo a obra de J.K. Rowling, “Harry Potter“. –¬†hogwarsia¬†faz alus√£o a ‘Hogwarts’, a escola de magia.

Mimatuta morgoth –¬†O Professor da Universidade de Chigado, Leigh Van Valen, nomeou uma s√©rie de mam√≠feros paleoc√™nicos com base em personagens da s√©rie de livros “Senhor dos An√©is”. Morgoth foi em homenagem ao “The Dark Lord”, mas al√©m dele ainda temos:

Alletodon mellon¬†– mellon √© a palavra √©lfica para “amigo” e a senha para a entrada nas minas de Moria.

Mithrandir onostus РMithrandir sendo outro nome para Gandalf.

Oxyprimus galadrielae РEm homenagem a Lady Galabriel.

Protungulatum gorgun¬†– ‘gorguns’ s√£o os orcs.

Bom gosto esse cara.

Masiakasaurus knopfleri – Esse pequeno dinossauro predador recebeu seu nome em homenagem a¬†Mark Knopfler, guitarrista da banda Dire Straits. De acordo com Scott Sampson, seu descobridor, o time resolveu batizar assim o dinossauro depois de escutar Dire Straits durante a escava√ß√£o. De acordo com eles, novos dinossauros s√≥ eram encontrados quando esse som estava no r√°dio. J√° tentamos essa t√°tica, mas pra gente s√≥ funciona com “Hotel California” do Eagles… #sarcasmo

Aegrotocatellus jaggeri¬†– ¬†Essa esp√©cie de trilobita foi nomeada realmente a fim de homenagear estrelas do rock! O nome da esp√©cie (jaggeri) ¬†foi um tributo a¬†Mick Jagger, vocalista do Rolling Stones, enquanto que o nome do g√™nero “Aegrotocatellus” significa em latim “Sick Puppie” (ver a banda de rock alternativo australiana ‘Sick Puppies‘).

aegrotocatellus-jaggeri
Jagger e seu trilobita

Um dos caras que ajudou a descrever esse trilobita (Greg Edgecombe), não satisfeito, nomeou uma outra série desses artrópodes primitivos com nomes de integrantes de bandas!  Ele homenageou Sex Pistols (Arcticalymene viciousi, A. Rotteni, A. jonesi, A. cooki, A. matlocki), Ramones (Mackenziurus johnnyi, M. joeyi, M. deedeei, M. ceejayi), John Lennon, Ringo Star e Simon & Garfunkel (Avalanchurus lennoni, A. starri, A. simoni, A. Garfunkeli).

Norasaphus monroae Esse trilobita foi uma homenagem de Richard Fortey, paleontólogo inglês, a Marlin Monroe.

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Trava-línguas:

РMalawisuchus mwakayasyunguti  Malawisuchus m(coloque-letras-nesse-espaço)

Piatzinigkosaurus РWTF? Isso foi sacanagem dos argentinos.

Huehuecanauhtlus tiquichensis –¬†uheuheueheuh!!¬†

– Nqwebasaurus¬†– Primeiro dinossauro com o som de “CLICK” em seu nome. Pronuncia-se: N – (som de click com a l√≠ngua) – KWE – BA – SAU – RUS. Nqweba √© o nome do lugar aonde o dinossauro foi encontrado, na √Āfrica do Sul. Trata-se de uma palavra na l√≠ngua da tribo Bantu.

РJinfengopteryx РChina 1

Jingshanosaurus РChina 2

РSzechuanosaurus РChina 3

РJinzhousaurus China 4. Os nomes chineses sempre são os mais impossíveis!

– Phuwiangosaurus¬†– Tail√Ęndia.

– Bruhathkayosaurus¬†– √ćndia. Corre√ß√£o: Os nomes asi√°ticos s√£o sempre os mais imposs√≠veis.

– Parapropalaehoplophorus¬†–¬†fale-3-vezes-r√°pido!

–> Agora-fale-tudo-junto!!!!

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“√Č√©√©√© do brasiiilll!!!”

Como se já não bastasse o Baurusuchus e lanches salgadoensis (Veja o post anterior), ainda temos uma série de crocodilos tupiniquins com nomes estranhos:

Morrinhosuchus¬†– Ganhou seu nome em homenagem a um morro ¬†(!) que fica pr√≥ximo ao local de coleta do f√≥ssil, o “Morrinho de Santa Luzia”.

Barreirosuchus – Mais uma alus√£o ao local de coleta, o bairro de Barreiros, em Monte Alto, SP;

Caipirosuchus paulistans –¬†que significa “o crocodilo caipira de S√£o Paulo”.

РPepesuchus РO nome foi uma homenagem ao Prof. José Martin Suárez (conhecido pelos colegas como Pepe).

Fora os dinossauros:

Oxalaia quilombensis¬†–¬†O g√™nero √© uma refer√™ncia a divindade africana ‘Oxal√°’ e a esp√©cie refere-se aos alojamentos quilombolas da Ilha do Cajual (local onde o f√≥ssil foi encontrado).

– Irritator challengeri –¬†Dinossauro brasileiro nomeado por pesquisadores estrangeiros (David Martill e colegas) que ficaram “extremamente irritados” devido a “restaura√ß√£o” feita pelo seu coletor amador. Buscando fazer o f√≥ssil parecer mais completo e valioso, o coletor clandestino acabou obscurecendo a real natureza do animal e dificultando o trabalho dos pesquisadores.¬†Isso que d√° comprar f√≥ssil ilegalmente Dr. Martill!!! ¬†O nome da esp√©cie foi uma homenagem ao Prof. Challenger, personagem do livro “O Mundo Perdido” de Arthus Conan Doyle.

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E para encerrar, Panamericansaurus pra vocês:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=NXZdvgzOvY4″]

* Agradecimentos aos colegas paleontólogos que contribuíram ajudando (pelo facebook!) a reunir os nomes mais bizarros de seus respectivos campos do conhecimento!