E você, também é de ler?

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Hoje quem escreve é Maria Leticia Bonatelli do Blog Ciência Informativa.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

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O que voc√™ faz para atingir o seu p√ļblico alvo? Voc√™ conhece as pessoas que consomem o produto que voc√™ oferece? Existe uma f√≥rmula ideal para uma divulga√ß√£o cient√≠fica que realmente contemple TODOS?

Bom, essas s√£o perguntas que passam (ou deveriam passar) pela cabe√ßa de qualquer pessoa que produz conte√ļdo. Aqui eu vou falar de n√≥s, divulgadores cient√≠ficos. Como muitos de voc√™s, eu tenho um passado na p√≥s-gradua√ß√£o (mestrado e doutorado) e sempre tive interesse em compartilhar o meu conhecimento com o p√ļblico que, muitas vezes, n√£o tem acesso ao que √© discutido na academia.

Foi então que em meados de 2014, eu e um grupo de colegas iniciamos um projeto de divulgação científica chamado Ciência Informativa. O projeto incluía a criação de um blog de divulgação, no qual textos abordando diferentes tópicos da ciência seriam publicados semanalmente e, além disso, o mesmo espaço seria oferecido para que QUALQUER pesquisador ou aluno pudesse publicar textos de divulgação científica sobre a sua pesquisa.

E se voc√™ observar a data de cria√ß√£o do blog ‚Äď 2014 ‚Äď vai ver que n√£o foi exatamente no auge dos blogs. Outras m√≠dias ‚Äď vlogs, podcasts ‚Äď estavam surgindo e ganhando muita, ou at√© mais, aten√ß√£o que os blogs. Eu j√° ouvi de colegas da √°rea que deveria mudar de m√≠dia, que eu precisava ir para o Youtube e que os blogs j√° eram.

Mas, calma l√°. Se pensarmos nas tr√™s perguntas iniciais que fiz, existe uma m√≠dia que contemple todos? Um conte√ļdo que seja acessado por muitos p√ļblicos distintos? Crian√ßas, jovens e adultos? E voc√™, qual o produto que voc√™ mais consome na hora de se informar? Vlogs, podcasts ou blogs?

Particularmente, eu sou uma pessoa que gosta de ler para me manter informada. Consumo outros tipos de produtos tamb√©m, mas de longe prefiro ler artigos e an√°lises. E, ent√£o, ser√° que n√£o √© assim com as outras pessoas tamb√©m? Ser√° que diferentes conte√ļdos n√£o podem ser produzidos para contemplar diferentes p√ļblicos?

Um artigo publicado pela revista Nature em janeiro deste ano leva o t√≠tulo ‚ÄúWhy science blogging still matters‚ÄĚ e levanta diferentes pontos sobre a import√Ęncia e as dificuldades da blogagem ‚Äď se voc√™ ainda n√£o leu, recomendo. Segundo o artigo, blogar pode ser um desafio por conta da disponibilidade de tempo (ainda mais se voc√™ tamb√©m √© pesquisador) e ainda por competir com outras m√≠dias que acabam diluindo o impacto dos posts produzidos. Mas ainda assim, pode ser uma interessante forma de networking e, claro, de dissemina√ß√£o do conhecimento cient√≠fico ‚Äď seja entre pares ou n√£o.

Nesses quase 4 anos de blogagem ‚Äď o Ci√™ncia Informativa assopra velinhas em setembro de 2018 ‚Äď n√≥s vimos muitas mudan√ßas acontecerem no mundo da internet. De fato, √© dif√≠cil dizer qual ser√° a nova m√≠dia do momento ou qual app que usaremos daqui a seis meses. A mudan√ßa parece ser a √ļnica constante do mundo em que vivemos. E o blog, assim como as outras m√≠dias, tem que se adaptar a essa realidade.

Se voc√™ me pergunta: o Ci√™ncia Informativa atinge n√ļmeros de visualiza√ß√Ķes de Youtube? Minha resposta √© n√£o. Nosso crescimento √© mais lento e org√Ęnico. Conquistamos nosso p√ļblico ao longo desses anos, assim como os nossos colaboradores: cerca de 10% do conte√ļdo do blog foi escrito por pesquisadores e alunos que utilizaram a plataforma para realizar divulga√ß√£o cient√≠fica.

Sabemos sobre o que o nosso p√ļblico mais se interessa: textos sobre meio ambiente s√£o os mais acessados. Textos sobre linguagem e comportamento, que s√£o t√≥picos com conte√ļdo mais escasso na internet, tamb√©m s√£o muito acessados. Al√©m disso, sabemos que o nosso p√ļblico chega aos nossos textos, muitas vezes, por meio de pesquisa nos buscadores online ‚Äď utilize as palavras ‚ÄúRio Doce Hist√≥ria‚ÄĚ no Google e voc√™ poder√° ver o feature snippet do Ci√™ncia (Imagem abaixo).

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Tentar conhecer o seu p√ļblico talvez seja uma das coisas mais importantes que voc√™ pode fazer para aprimorar o conte√ļdo que produz. N√≥s sempre tentamos aprimorar o conte√ļdo e o formato do texto, assim como diversificar os assuntos abordados. Como muito de voc√™s, n√≥s tamb√©m aprendemos fazendo. E essa tamb√©m n√£o seria uma fun√ß√£o importante do blog? Capacitar pessoas para fazer divulga√ß√£o cient√≠fica?

Ent√£o se a ideia era responder se os blogs morreram, a minha resposta √© um sonoro n√£o. Diferentes conte√ļdos contemplam diferentes p√ļblicos e est√° tudo bem ser assim. No mundo da divulga√ß√£o cient√≠fica, voc√™ est√° aberto √† experimenta√ß√£o e pode procurar qual m√≠dia se encaixa mais. Claro que sempre h√° a necessidade de pensar em formas de melhorar o conteudo do seu blog, vlog, podcast ou outros, mas assim como eu prefiro ler, outras pessoas tamb√©m ir√£o preferir. E voc√™, tamb√©m √© de ler?

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Maria Letícia Bonatelli do blog Ciência Informativa

Blogs de Ciência da Unicamp РAinda estamos aqui

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Quem escreve hoje é a Erica Mariosa Moreira Carneiro, do Blogs de Ciência da Unicamp.

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It’s Alive” – Frankenstein (1931)

 

O prognóstico de morte dos blogs já foi anunciado por diversas vezes na mídia, contudo muitas iniciativas continuam insistindo nessa plataforma e conseguindo resultados interessantes e promissores! Tais como  nos seguintes casos, Science Blogs Рque está comemorando 10 anos com essa blogagem coletiva -, Ciência Informativa, Gene Repórter, Blogs da Ciência, Mural Científico e nós, do Blogs de Ciência da Unicamp, que desde 2015 promovemos divulgação científica escrita e produzida por pesquisadores, docentes e alunos da Unicamp.

Os blogs surgiram, de acordo com Malini (2008) e Paquet (2002), h√° mais de duas d√©cadas. O objetivo principal era ser um espa√ßo virtual para, por meio de textos, expressar ideias, informar e opinar sobre assuntos variados. Diferentemente das comunica√ß√Ķes em massa, como televis√£o e r√°dio, os blogs ganharam notoriedade devido √† possibilidade de liberdade de express√£o e intera√ß√£o com os leitores.

O nome ‚Äúblog‚ÄĚ vem de web-log, ou di√°rio de rede e foi usado inicialmente pelo norte americano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom que, na √©poca, tinha a inten√ß√£o de ser uma ferramenta que indicava p√°ginas atrav√©s de links, de acordo com a import√Ęncia que o pr√≥prio autor do conte√ļdo as atribuia.

Com a evolu√ß√£o da tecnologia, do acesso e da maior disponibilidade de ferramentas, os blogs foram sofrendo mudan√ßas. Primeiramente em seu tamanho, depois ao agregar fun√ß√Ķes, como inclus√£o de imagens, √°udios, v√≠deos, etc. O Blogs de Ci√™ncia da Unicamp surgiu em 2015 em meio a essas mudan√ßas, com o prop√≥sito de ser um portal de blogs de divulga√ß√£o cient√≠fica com conte√ļdo exclusivo e in√©dito produzidos por cientistas. Atualmente o projeto conta com 31 blogs ativos e 25 em fase de constru√ß√£o.

Dos anos noventa at√© os dias de hoje muita tecnologia ‚Äúnasceu‚ÄĚ e ‚Äúmorreu‚ÄĚ e outras se reinventaram para se manterem competitivas. Neste contexto, arautos do apocalipse sugeriram por diversas vezes como ‚Äúos blogs perderam sua for√ßa‚ÄĚ, j√° que¬† ‚Äúas pessoas n√£o l√™em mais‚ÄĚ.

OS BLOGS PERDERAM SUA FORÇA:

Enquanto surgiam iniciativas de blogs no Brasil, o mundo da tecnologia apresentava novos formatos de comunica√ß√£o que chamavam a aten√ß√£o dos blogueiros e de seu p√ļblico, sendo assim, muitos blogs foram abandonados ou migraram para outras plataformas.

Esse fen√īmeno motivou um extenso debate no canal de Blogs Gene Rep√≥rter, do divulgador cient√≠fico Roberto Takata, com o t√≠tulo ‚ÄúH√° uma crise nos blogues brazucas de ci√™ncias?‚ÄĚ, rendendo 7 postagens de 2013 √† 2015. Dentre as diversas colabora√ß√Ķes, Takata destaca que mesmo sem ter dados precisos, √© poss√≠vel perceber a diminui√ß√£o das postagens em canais que acompanha. Percep√ß√£o essa que se concretiza com a pesquisas a seguir:

  • Realizada em 2015 pela ag√™ncia Grumft e divulgada pela Ag√™ncia Adnews conclui-se que a blogosfera brasileira possu√≠a 200 milh√Ķes de blogs ativos.
  • Em 2017 a empresa BigData Corp atualizou os dados da blogosfera brasileira, constatando que existem mais de 5,5 milh√Ķes de blogs no Brasil. Sendo que mais de 90% dos blogs aliam a sua exposi√ß√£o a redes sociais e outras plataformas, 48,53% utilizam Facebook, 48,21% o Youtube e 33,97% Twitter.

Com uma redu√ß√£o de 97% de blogs ativos no Brasil em dois anos de atua√ß√£o √© poss√≠vel admitir que os blogs de fato perderam sua for√ßa, principalmente quando comparados a iniciativas de divulga√ß√£o cient√≠fica em outras plataformas, como o YouTube que possui uma audi√™ncia de 95% da populacŐßaŐÉo online brasileira – de acordo com os dados fornecidos pelo Youtube Insights 2017.

AS PESSOAS NÃO LÊEM MAIS:

Guimar√£es (2018) comenta que a √ļltima pesquisa sobre an√°lise de comportamento de leitura foi aplicada em 2015, pelo Ibope Intelig√™ncia sob encomenda do Instituto Pr√≥-Livro para o projeto Retratos da Leitura no Brasil[1], verificou-se que 56% da popula√ß√£o brasileira √© leitora, contudo o brasileiro l√™ poucos livros, uma m√©dia de 4 livros por ano, sendo que 2 dos livros n√£o s√£o terminados.

Entretanto, nessa análise precisamos também considerar o leitor virtual, ou seja, aquele que utiliza de blogs, e-books e redes sociais para ler. De acordo com o Instituto Reuters de Oxford[2] em 2016, 91% dos brasileiros usam a internet para se informar, sendo 72% desses, leitores de notícias.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica – IBGE[3] em sua √ļltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic√≠lios Cont√≠nua, em seu suplemento de Tecnologias da Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o (TIC) referente a 2016, concluiu que 64,7% da popula√ß√£o brasileira est√° conectada a internet, desse montante, 71% usam a internet para educa√ß√£o e aprendizado e 68,6% para comunica√ß√£o com outras pessoas. A partir dessas pesquisas, observa-se que o p√ļblico leitor mant√©m-se ‚Äúvivo‚ÄĚ e utilizando cada vez mais o meio digital.

E o Blogs de Ci√™ncia da Unicamp, como se insere nesta discuss√£o? Ser√° que tem visto diferen√ßa, em seu p√ļblico, desde seu lan√ßamento nestes 2 anos e meio?

O BLOGS DE CIÊNCIA DA UNICAMP

Como o pr√≥prio nome j√° sugere, essa plataforma de blogs realiza divulga√ß√£o cient√≠fica a partir do conte√ļdo gerado pela Unicamp, sendo que as estrat√©gias de divulga√ß√£o de conte√ļdo para a sociedade acontece apenas de forma org√Ęnica[4], em quatro redes sociais oficiais e quatro redes sociais em fase de teste.

Publicando ao menos uma postagem in√©dita ao dia direcionada ao seu p√ļblico de interesse previamente identificado, realiza-se tamb√©m sugest√Ķes de pauta para ve√≠culos de m√≠dia, entre outras estrat√©gias.

O projeto acaba de realizar sua 9a Integração com futuros blogueiros/cientistas da Unicamp. Desde o início do projeto, foram integrados 382 pesquisadores, dentre os quais 97 continuam ativos e 25 ainda estão em fase de desenvolvimento e preparação de seus blogs. A maioria dos participantes é formada por pós-graduandos (35% de doutorandos e 6% de pós doutorandos para 24% de docentes e) e mulheres (55%).

A administra√ß√£o do projeto √© realizada por uma equipe de volunt√°rios, divididos de acordo com suas atribui√ß√Ķes e expertises pessoais, sendo 2 docentes, 1 doutor, 4 doutorandos, 1 mestre, 1 mestrando e 2 graduandos, desses s√£o 7 mulheres e 4 homens.

Os resultados do projeto são medidos através dos analytics (oferecidos pelas mídias sociais, google e piwik). De 2015 até 2 de julho de 2018, segundo dados apresentados pelo Google Analytics, tivemos 75.851 leitores nas postagens do portal, destes 66% são de novos visitantes e 33% de visitantes que retornaram, 59,87% são mulheres e 40,13% são homens.

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Figura 1 – Visualiza√ß√Ķes no portal principal coletadas no Google Analytics

O Blogs de Ci√™ncia da Unicamp teve um aumento expressivo de leitores ao longo de 2 anos e meio de atua√ß√£o, principalmente se considerarmos que n√£o houve nenhum tipo de investimento financeiro em divulga√ß√£o no projeto. Isso mostra que, apesar de novas tecnologias surgirem todos os dias, e a comunica√ß√£o estar sempre se renovando, este tipo de m√≠dia continua tendo um p√ļblico cativo e crescente, que procura, se interessa e divulga seu conte√ļdo.

Talvez as iniciativas de divulga√ß√£o cient√≠fica que optem por esse formato n√£o atinjam milh√Ķes de seguidores e algumas classes sociais rapidamente, como faz o YouTube, por exemplo. Contudo a fun√ß√£o da divulga√ß√£o cient√≠fica escrita, o Blogs de Ci√™ncia da Unicamp tem se realizado satisfatoriamente.

√Č fundamental acrescentar que a din√Ęmica de acesso e o consumo do conte√ļdo escrito √© diferente do conte√ļdo em v√≠deo ou √°udio. Tal suporte n√£o deve ser descartado por mera justificativa de procura de aumento de audi√™ncia, tendo seu nicho espec√≠fico e, muitas vezes, complementar a outras plataformas e produ√ß√Ķes. √Č importante que conte√ļdos escritos de divulga√ß√£o cient√≠fica continuem sendo disponibilizados, j√° que a rela√ß√£o do leitor com o texto √© diferente daquele que assiste com o v√≠deo. O ideal seria que os formatos se combinassem de forma complementar, com uma introdu√ß√£o mais simples em v√≠deo e seu aprofundamento por meio de um conte√ļdo textual.

Tamb√©m √© preciso dizer que o blog √© uma op√ß√£o acess√≠vel ao cientista que opta por realizar divulga√ß√£o cient√≠fica independente dos canais de comunica√ß√£o de seus institutos e universidades, pois esse tipo de plataforma n√£o exige uma¬† infraestrutura cara, como c√Ęmeras, editor de v√≠deo ou √°udio, por exemplo. Tamb√©m se destaca a relativa independ√™ncia do divulgador cient√≠fico, que usa a escrita como meio, em fun√ß√£o de outras plataformas exigirem mais pessoas envolvidas (e com qualifica√ß√Ķes diferentes) na produ√ß√£o de conte√ļdo e/ou maior desenvoltura do divulgador – o que pode gerar um disp√™ndio de tempo e custo maior tamb√©m. Contudo, embora a escrita seja um modo de divulga√ß√£o mais individualizado, n√£o torna simples ou f√°cil ao pesquisador. O futuro divulgador cient√≠fico deve se esfor√ßar em utilizar uma linguagem acess√≠vel por qualquer p√ļblico que possa vir a seguir o seu canal, sempre primando pela qualidade da informa√ß√£o.

Quanto a pergunta inicial desta postagem…

NÃO, OS BLOGS NÃO MORRERAM!

Mas a divulgação científica, independente do formato escolhido, ainda precisa de um maior reconhecimento, investimento e engajamento para continuar se desenvolvendo. Há muito chão pela frente! Que tal caminharmos juntos?

 Agradecimento especial a toda a equipe Blogs de Ciência da Unicamp que participa, escreve e contribui voluntariamente para que o projeto se mantenha vivo e operante.

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Erica Mariosa Moreira Carneiro –¬†Administradora do Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Gradua√ß√£o em Comunica√ß√£o Social em Rela√ß√Ķes P√ļblicas ‚Äď PUCCampinas. P√≥s Gradua√ß√£o em Jornalismo Cient√≠fico ‚Äď Labjor/Unicamp. Mestranda em Divulga√ß√£o Cient√≠fica e Cultural ‚Äď Labjor/Unicamp. Experi√™ncia em Divulga√ß√£o em M√≠dias Sociais com Pr√°ticas N√£o Onerosas.

Colabora√ß√Ķes: Andr√© Garcia, Ana de Medeiros Arnt e C√°ssio Riedo

BIBLIOGRAFIA

FRANKENSTEIN: The movie. Direção de James Whale e Produção de Carl Laemmle Jr. Estados Unidos: James Whale, 1931. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=J8KHc3ipm-0>. Acesso em: 03. jul. 2018.

MALINI, F. Por uma genealogia da Blogosfera: considera√ß√Ķes hist√≥ricas (1997 a 2001), 2008. Dispon√≠vel em: <http://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/lcvt/article/view/35> Acesso em: 28 mar. 2017.

PAQUET, S. Personal knowledge publishing and its uses in research. 2002. Disponível em : <http://radio.weblogs.com/0110772/stories/2002/10/03/ personal Know ledgePublishingAndItsUsesInResearch.html>. Acesso em: 25 mar. 2017.

GUIMAR√ÉES, P. Retratos da Leitura ‚Äď Perfil do Leitor. 2017. Dispon√≠vel em: <https://www.institutoguimaraes.com.br/single-post/2017/07/27/Retratos-da-Leitura-%E2%80%93-Perfil-do-Leitor>. Acesso em: 03 jul. 2018.

SANTOS, I. Manuel Castells: um país educado com internet progride; um país sem educação usa a internet para fazer estupidez. 2017. Disponível em: <https://www.fronteiras.com/entrevistas/manuel-castells-um-pais-educado-com-internet-progride>. Acesso em: 03 jul. 2018.

[1] Foram entrevistadas 5.012 pessoas de 5 anos ou mais, alfabetizadas, ou não, e foram considerados leitores aqueles que leram algum livro nos três meses anteriores à entrevista.

[2] Pesquisa Completa: https://www.poder360.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Pesquisa-instituto-Reuters.pdf

[3] pesquisa completa: https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/acessoainternet2015/default.shtm

[4] Divulgação feita com estratégias de comunicação sem a geração de custo para o projeto.

Blogar ou n√£o blogar? Eis a quest√£o!

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Hoje quem escreve é a Lais Moreira Granato coordenadora do Blog Descascando a Ciência.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

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Eu como blogueira, fico irritada quando leio algum post ou ouço alguém falar que os blogs morreram. Isso não é verdade!!

Segundo o Google Trends, a procura por “como iniciar um blog” vem crescendo nos √ļltimos anos.¬†Cada vez mais, cresce o n√ļmero de empresas que fazem uso do velho “blog” como uma forma de atualiza√ß√£o de seus clientes sobre assuntos relacionados ao produto que √© comercializado. Ou at√© mesmo como uma maneira de aproxima√ß√£o, j√° que um blog √© bem mais din√Ęmico que um site, por exemplo.

Al√©m das empresas, cientistas t√™m feito uso dos blogs como uma nova forma de divulgar os resultados de suas pesquisas e atrair a aten√ß√£o da sociedade para a ci√™ncia. Prova disso √© o n√ļmero crescente de novos blogs vinculados a rede de blogs da UNICAMP, que foi criada em 2015 e como o Science Blogs Brasil que est√° completando 10 anos!

O que aconteceu nos √ļltimos anos, √© que com o surgimento de novas tecnologias, novas tend√™ncias tamb√©m surgiram, e por isso foi preciso atualiza√ß√£o!

Hoje em dia “a cara” dos blogs mudou! Hoje os blogs utilizam v√≠deos e outras ferramentas multim√≠dias para incrementar seus textos e fazem uso das redes sociais para que consigam alcan√ßar um maior n√ļmero de pessoas. A cria√ß√£o de conte√ļdo n√£o √© mais apenas sobre palavras. A cria√ß√£o de conte√ļdo utiliza as palavras para criar uma hist√≥ria e essa ‚Äúhist√≥ria‚ÄĚ √© mais do que apenas uma narrativa, como era no in√≠cio dos blogs. Ela representa fortemente sentimentos, opini√Ķes e pontos de vista que permitem que o escritor se conecte fortemente com o leitor.

Hoje os blogs são uma ferramenta de comunicação, a voz de uma marca, que integra textos, imagens, vídeos e o mais importante: emoção!

Eis que os Blogs n√£o morreram! Na realidade, eles se tornaram muito mais efetivos com o passar do tempo. O importante √© a qualidade do conte√ļdo que se deseja transmitir. Coisas boas sempre geram interesse!!

Vamos blogar!

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Charge de Luiza Carvalho (https://dialogoscciencia.com/2013/07/24/a-divulgacao-cientifica-e-a-minha-formacao-no-bacharelado-de-ciencias-biologicas-da-ufmg/

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La√≠s Moreira Granato, bi√≥loga, mestre em Agricultura e Doutora em Gen√©tica e Biologia Molecular. Atualmente p√≥s-doutoranda no Centro de Citricultura ‚ÄúSylvio Moreira‚ÄĚ/IAC e coordenadora do Blog Descascando a Ci√™ncia.

Os blogues morreram? Spoiler alert: n√£o. Longa vida aos blogues.

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? E para essa inauguração chamamos o amigo Roberto Takata para falar da morte, ou não, dos blogs.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

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“O relato de minha morte foi um exagero.” Mark Twain 1897. [1]

Como já entrego no título, claro que os blogues não morreram. Basta constatarmos que você está lendo este texto em um.

Ok. Os blogues n√£o morreram. Mas est√£o em risco de extin√ß√£o em um futuro pr√≥ximo? A√≠ √© mais complicado de responder. Ao menos para os de ci√™ncia com autores brasileiros h√° alguns ind√≠cios nesse sentido. Como uma redu√ß√£o no padr√£o de atividade de uma amostra de 346 weblogs no estudo do qual tomei parte (Fig. 1). Ressalte-se, no entanto, que n√£o √© a √ļnica interpreta√ß√£o poss√≠vel – pode ser que novos blogues (de ci√™ncias) estejam surgindo e o nosso levantamento n√£o foi capaz de capt√°-los adequadamente. E pelo menos um estudo (com um n√ļmero menor de “di√°rios virtuais”) concluiu que estaria havendo um aumento.

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Figura 1. Varia√ß√£o do n√ļmero de blogues de ci√™ncias ativos com autores brasileiros. Reproduzido de: Fausto et al. 2017.

Os blogues em geral – n√£o nos restringindo aos de ci√™ncia em pt-br – aparentemente v√£o bem. No Worpress.com, a principal plataforma de blogues blogues* (isto √©, tirando microblogues como o twitter; fotologues como o instagram ou Pinterest; videoblogues como muitos canais do YouTube; e plataformas de blogues que s√£o mais um tipo de m√≠dia social como o tumblr), o n√ļmero total de postagens mensais v√™m mantendo a tend√™ncia de crescimento desde o seu lan√ßamento em 2005: de pouco menos de 600.000 postagens novas (25,6 milh√Ķes de pageviews) em outubro de 2006 a mais de 77 milh√Ķes de novos posts (20,7 bilh√Ķes de pageviews) em junho de 2018 (Fig. 2) (Uma cautela deve ser tomada, no entanto, j√° que se trata de n√ļmeros divulgados pela pr√≥pria plataforma sem declara√ß√£o de auditoria, e n√£o um levantamento independente.)

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Figura 2. Varia√ß√£o do n√ļmero de postagens dos blogues hospedados no WordPress.com ao longo do tempo. Fonte: WordPress.com.

Os blogues como formato de comunicação devem ainda continuar por vários anos com algum grau de influência (ainda que eventualmente setorial: para temas específicos ou para grupos específicos de pessoas). Verdade que isso é mais um desejo do que um prognóstico, especialmente para os de ciências. Se, de um lado, temos uma aparente crise na blogosfera cientófila brazuca independente (e mesmo internacional [vide nota 2]); de outro, talvez estejamos frente a um processo de institucionalização da divulgação científica através de blogues: em 2015 foi lançado o Blogs de Ciência da Unicamp e, em 2016, o portal UFRGS Ciência. De novo, mais um desejo do que um prognóstico, no entanto.

Embora atualmente na internet brasileira canais no YouTube – com centenas de milhares a milh√Ķes de views por epis√≥dio, como no caso do Manual do Mundo e do Nerdologia – e podcasts – com dezenas de milhares de ouvintes como o Drag√Ķes de Garagem ou o SciCast – tenham mais visibilidade, e v√°rias iniciativas comecem a explorar outras m√≠dias como o instagram, enxergo um papel importante dos blogues no ecossistema da comunica√ß√£o p√ļblica de ci√™ncias online. Estes s√£o plataformas que conseguem fazer a integra√ß√£o dessas outras m√≠dias – por meio da incorpora√ß√£o (’embedding’) – e, melhor do que as demais, explorar a comunica√ß√£o por meio do texto escrito. Por exemplo, equa√ß√Ķes s√£o dif√≠ceis de serem exploradas em m√≠dia de √°udio, √© poss√≠vel de serem apresentadas em v√≠deo, mas explica√ß√Ķes mais detalhadas podem ser prejudicadas pela din√Ęmica da narra√ß√£o de v√≠deos – no texto, as pessoas podem ir e voltar e saltar de modo mais eficiente; gr√°ficos interativos podem ser facilmente inseridos nos blogues; e tendem a consumir menos banda (o que √© um fator a se considerar quando uma fra√ß√£o significativa acessa via celular – se n√£o houver um wi-fi dispon√≠vel e confi√°vel por perto, arquivos de √°udio e v√≠deo podem esgotar rapidamente a franquia de dados). Textos tamb√©m s√£o mais male√°veis quanto √† acessibilidade (ao menos de pessoas alfabetizadas) e, por enquanto, t√™m vantagens na indexa√ß√£o em mecanismos de busca, de tradu√ß√£o e mesmo de procura do pr√≥prio navegador. Boa parte das outras m√≠dias t√™m limita√ß√Ķes para o fornecimento de hiperlinks, especialmente para fora do site que hospeda o servi√ßo, o que √© facilmente integrado nos textos de blogues (na verdade, os links s√£o parte do esp√≠rito blogueiro – para os leitores poderem se aprofundar, para indicar outros canais dignos de serem seguidos, para dar a fonte original…). E, possivelmente como caracter√≠stica principal, a produ√ß√£o e edi√ß√£o de texto tamb√©m tende a ser muito f√°ceis e baratas do que uma boa edi√ß√£o de √°udio e v√≠deo – facilitadas ainda pelo fato de a educa√ß√£o formal enfatizar a habilidade de escrita.

Algumas dessas vantagens poder√£o ser igualadas por √°udios e v√≠deos na medida em que algoritmos se tornarem confi√°veis em extrair os textos desses arquivos (permitindo, por exemplo, pular direto para trechos que falam diretamente de um termo ou assunto); outras, como links externos, dependem de altera√ß√Ķes de pol√≠ticas de servi√ßo dos provedores (embora a tend√™ncia seja oposta, por exemplo, no facebook, que deseja manter os usu√°rios em sua plataforma o m√°ximo de tempo poss√≠vel); mas o texto, em uma forma ou outra, tem resistido √† prova do tempo.

Mesmo que os blogues blogues* não resistam às tendências atuais e futuras; os blogues nem tão blogues (como o tumblr, facebook, instagram e outros) que incorporem pelo menos alguma possibilidade de inserção de textos e explorar parte de suas vantagens devem continuar o legado. Ainda que isso seja mais desejo do que um prognóstico.

Nota:

*Blogues Blogues – blogs em formato cl√°ssico como WordPress e Blogspot

[1] A citação mais completa é:
“James Ross Clemens, a cousin of mine, was seriously ill two or three weeks ago in London, but is well now. The report of my illness grew out of his illness; the report of my death was an exaggeration.” Mark Twain, 31 de maio de 1897.
[“James Ross Clemens, um primo meu, esteve seriamente adoentado h√° duas ou tr√™s semanas em Londres, mas agora est√° bem. O relato de minha enfermidade surgiu a partir da enfermidade dele; o relato de minha morte foi um exagero.”]

[2] Como com o fechamento da versão original americana do ScienceBlogs РATENÇÃO: o ScienceBlogs Brasil é um projeto independente e não foi afetado por essa decisão do grupo SEED.

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Neste inst√°vel mundo intern√©tico – do qual o cemit√©rio de projetos da Google √© um exemplo eloquente – n√£o √© qualquer empreitada que chega aos dois d√≠gitos de transla√ß√Ķes terrestres.

Mais do que parab√©ns, devo dizer muito obrigado, ScienceBlogs Brasil, pelo bel√≠ssimo trabalho que tem feito nesta √ļltima d√©cada. N√£o apenas tem informado e conscientizado seus incont√°veis leitores e fi√©is f√£s em rela√ß√£o a temas relacionados √†s ci√™ncias e dado visibilidade a tanto projetos e divulgadores incr√≠veis; como inspirado um sem n√ļmero de pessoas a seguirem a carreira cient√≠fica e de comunica√ß√£o de ci√™ncias. Um dos principais projetos de divulga√ß√£o de uma das principais institui√ß√Ķes brasileiras: o Blog de Ci√™ncias da Unicamp, √© um filho espiritual direto dos SbBr.

Desejar longa vida aos SbBr é, assim, mais do que um cumprimento a todos os colaboradores Рatuais e pregressos Рe a comunidade de leitores que se formou em torno; é uma obrigação moral para alguém que aprecia e valoriza a cultura científica.

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Roberto Takata, entre outras coisas, escreve no Gene Repórter.