Aê CNPqê, se liga no rap do LHCê

Bem, todo mundo já viu o incrível rap do LHC, certo?

A autora dessa jóia, Kate McAlpine, trabalha como jornalista e webmaster para o site de um dos experimentos do LHC, o detector ATLAS.

Na revista Symmetry de novembro, McAlpine conta como convenceu seus superiores a deixá-la  filmar  nos túneis do LHC. Ela comenta como o papel da divulgação cientiífica é subestimado pelas agências financiadoras de ciência.

Notem que o rap do LHC não foi obra de um pesquisador com falta do que fazer em seu tempo livre. Foi o projeto de uma profissional especializada em comunicar ciência, bacharel em física e letras, contratada a longo prazo por uma instituição que entende que

Comunicação é vital para um campo de pesquisa que requer grandes investimentos de dinheiro público. Para continuar financiando essa pesquisa interessante e útil, precisamos de cidadãos e políticos cientificamente conscientes. Precisamos continuar a produzir informação em um nível que pessoas sem um treinamento especializado possam entender, apreciar, e quem sabe até dançar. LINK

Físico freelancer? Astrônomo autônomo?

Quer mandar o instituto, a universidade, a agência financiadora e o editor de periódico para o inferno e fazer a sua pesquisa científica com liberadade total? Pergunte ao físico surfista Garrett Lisi como ele consegue.

Radicado em Maui, Havaí, Lisi não pertence a nenhuma universidade e publica seus artigos no ArXiv, sem submetê-los a nenhum periódico. Banca sua pesquisa em física teórica com de bolsas de fundações privadas, como Theiss Research, FQXi e Sub Meta.

Em entrevista publicada na Seed Magazine, Lisi diz que, após seu doutorado, se afastou do mundo acadêmico tradicional, por se interessar em unificar a relatividade geral com a teoria quântica de campos, mas preferir uma abordagem diferente da teoria das supercordas, predominante nos institutos de física. Lisi reclama também dos preços exorbitantes dos periódicos científicos e defende um novo sistema de publicação por pares, colaborativo, sem atravessadores, via internet. O físico, que foi destaque na imprensa ano passado por conta da propaganda exagerada sobre a sua “teoria de tudo”, sonha em criar no futuro uma rede de “Science Hostels”–mistos de pousada e instituto de pesquisa, para cientistas viverem e trabalharem nos lugares mais bonitos da Terra.

Autônomos como Lisi, existem aproximadamente 200 astrônomos “freelancers” nos EUA, segundo reportagem do site Nature Jobs. Esses astrônomos trabalham em casa, sem vínculo nenhum com universidades. Para conseguirem bolsas de estudo da Nasa e da NSF, se filiam a organizações como o Space Science Institute e o Planetary Science Institute, dedicadas a gereciar os pedidos de bolsas de pesquisadores independentes. Um arranjo desses só é possível nos EUA.

A vida de freelancer tem suas vantagens (mais liberdade na pesquisa e mais tempo com a família) mas não é um mar de rosas. Sem uma universidade por trás, fica difícil o acesso aos observatórios e a estudantes de pós-graduação para orientar.

Show Business tem consultoria de cientistas top nos EUA

Produtores de cinema e de TV nos EUA agora só têm uma única desculpa para cometer gafes científicas, além da famosa “liçensa poética”: a igualmente famosa “má vontade”. A Academia Nacional de Ciências dos EUA criou um serviço totalmente dedicado a auxiliar o pessoal da indústria do entreterimento a retratar a ciência e os cientistas fielmente, chamado The Science and Entertainment Exchange (SEE) (intercâmbio entre ciência e entreterimento), coordenando pela escritora especializada em física, Jennifer Ouellette (que fala a respeito do SEE em seu blog).

Semana passada, dia 19, o SEE foi inaugurado em um simpósio, em Los Angeles, Califórnia, onde cientistas do calibre de Rodney Brooks, Steve Chu, Robert Full, Lisa Randall e Vilayanur Ramachandran, falaram a uma platéia de artistas do audivisual como Seth MacFarlane, criador do seriado Family Guy, e Lawrence Kasdan, roteirista dos episódios V e VI de Star Wars (fonte: New Scientist).

O que o SEE diz que pode fazer pelo profissional da indústria do entreterimento:

Varrendo o espectro de tópicos cientiíficos, o SEE pode encontrar especialistas que trabalharão com você para identificar e retratar eficazmente os detalhes científicos que complementam um enredo. Podemos ajudar a amadurecer idéias que dependem de detalhes acurados relacionados a insetos, vida extraterrestre, formas de vida terrestres não usuais ou os mistérios dos oceanos. Podemos refinar conceitos relacionados a conceitos científicos emergentes tais como viagem espacial, dimensões múltiplas, nanotecnologia, tecnologia de computadores e engenharia. Podemos encontrar especialistas em questões ecológicas e ambientais, de saúde, medicina e doenças e práticas educacionais nos EUA. Estamos também em boa posição de trabalhar com você em questões de políticas públicas relacionadas à ciência tais como pesquisa com células tronco, mudanças climáticas globais e ensino sobre evolução e a natureza da ciência. LINK

Agora imaginem a SBPC oferecendo consultoria aos roteiristas das novelas da Globo…

A dança do doutorado

Dançar na tese de doutorado não quer dizer se dar mal para os inscritos no concurso de dança “científica” promovido pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência). O desafio é expressar teses de doutorado, tais como “entendendo a turbulência para usar fusão magneticamente confinada” e “gerando emaranhamento em um conjunto atômico frio via interação luz-átomo em um resonador óptico” em forma de dança. Dá para ver pelos vídeos da coreografias que os participantes, a maioria dos EUA e alguns da Europa e da Austrália, se empolgaram.

Claro que ninguém vai sair de uma apresentação de dança sabendo tudo sobre mecânica quântica, mas pelo menos vai sentir um pouco do entusiasmo e da diversão com que os cientistas fazem suas pesquisas.

Os ganhadores do concurso em quatro categorias (estudante de pós-graduação, pós-doutorado, professor e juri popular) submeterão um artigo científico publicado em um periódico com revisão por pares de sua autoria. Depois, terão de explicar o artigo a uma equipe de coerógrafos profissionais, que vai preparar uma apresentação de dança para o encontro anual da AAAS em Chicago, dia 13 fevereiro de 2009.

O resultado do concurso será divulgado amanhã, na revista Science. LINK (via Cocktail Party Physics).

Nanobamas – Faces de Obama em nanotubos de carbono

Crédito: John Hart, Sameh Tawfick, Michael De Volder e Will WalkerCrédito: John Hart, Sameh Tawfick, Michael De Volder e Will Walker

Cada rosto do Obama nesta foto tem mais ou menos 500 mil nanômetros de comprimento e é feito de 150 milhões de nanotubos de carbono. O que não surpreende é o candidato escolhido pelos cientistas, Barack Obama,  favorito entre os ganhadores do Prêmio Nobel e de qualquer um com um pingo de juízo. LINK (via Wired Science)

P.S.:  Não resisti…

Mapas “distorcidos” mostram a realidade do mundo

Veja como o Brasil incha no mapa mundi quando o assunto é perda de recursos minerais ou volume anual de chuvas, e nosso país encolhe quando o assunto é produção científica

“O mapa não é o território”, certo? Mas em geral, mapas representam fielmente as áreas relativas que os países ocupam na face da Terra. Características dos países como produto interno bruto e índice de analfabetismo são representadas colorindo cada país no mapa com base em um código de cores.

Agora, que tal, para variar, representar essas características deformando as áreas relativas de cada país?  A idéia não é nova (lembro de mapas assim, meio toscos, no meu livro-texto de geografia no colégio), mas uma nova técnica desenvolvida em 2004 por físicos facilita horrores a confecção desses mapas. Tanto que existe um site cheio deles, chamados de cartogramas, produzidos por uma equipe de seis pessoas: dois cartógrafos, um físico, uma geógrafa, um especialista em medicina social e um psicólogo/matemático/cartógrafo. LINK (via New Scientist)

Arte com antibióticos e sangue humano

Crédito: Luciano Paulino Silva, EmbrapaCrédito: Luciano Paulino Silva

O que é isso? Três rosquinhas que assaram demais? Na verdade, são três células vermelhas de sangue humano, corroídas pela substância antibiótica filometilina, extraída da pele da rã Phyllomedusa hypochondriallis. O brasileiro Luciano Paulino Silva obteve a imagem por um microscópio de força atômica, que funciona como uma espécie de toca-discos de vinil, com um braço com uma agulha na ponta. A agulha passa sobre as células e, à medida que sobe e desce pela ação das forças moleculares, desenha a imagem, que ganhou prêmio de segundo lugar ano passado em um concurso internacional de fotografia microscópica. LINK

Ópera sobre nascimento da bomba atômica em cartaz em NY

cartaz da ópera Doctor Atomicus

cartaz da ópera Doctyor Atomicus

Estreou dia 13 de outubro no Metropolitan Opera House da cidade de Nova York uma nova montagem da ópera Doctor Atomicus, de 2005, com libreto de Peter Sellars e música de John Adams.

Leia o que meu compositor contemporâneo favorito diz sobre a sua obra, segundo ensaio de Dennis Overbye publicado no The New York Times:

“A bomba é uma constelação de tudo o que a América acredita”, disse recentemente Mr. Adams. Por um lado há a habilidade, o idealismo e a paixão na luta para derrotar o facismo. Por outro lado, há “a onerosa responsabilidade” de ter construido uma arma capaz de destruir toda a vida e então usá-la.

“É ying e yang, escuridão e luz”, ele diz. LINK

Anthony Tommasini afirma em sua resenha para o The New York Times estar impressionado com a complexidade da música:

Seções inteiras de escrita orquestral vibram com cores granulares, sonoridades nubladas e densidade textural. Mr. Gilbert [o maestro Alan Gilbert] expõe detalhes internos e elementos estratificados da música: fraseados obsessivos, acordes em aglomerados pungentemente dissonantes, linhas instrumentais solo elegíacas que vagam de maneira extrema por cima de ornamentações orquestrais nervosas e agitadas. Embora realçando as complexidades, ele nunca atrapalha a forma orgânica da música e seu impulso a frente. A tensão aumenta à medida que Mr. Adams empilha uma barulheira de ritmos imbatíveis e métricas fraturadas, com os acordes da orquestra explodindo em cacos de escombros harmônicos: chame isso de Minimalismo Atômico. LINK

Outras músicas de John Adams que adoro: Nixon in China, Harmonielehre , The Chairman Dances, Tromba Lontana, Short Ride in a Fast Machine, Fearful Symmetries, Lollapalooza , Violin ConcertoNaive  and Sentimental Music.

Adams escreveu uma autobiografia, resenhada recentemente no New York Times.

Richard Preston fala de jornalismo científico como literatura

Tapeçaria “O Unicórnio em Cativeiro”, 1495-1505, da coleção The Cloisters, Nova YorkTapeçaria "O Unicórnio em Cativeiro", 1495-1505, da coleção The Cloisters, Nova York

Uma aula para o escritor iniciante interessado em ciência é a entrevista que Richard Preston concedeu a Carl Zimmer. Confira na íntegra, no blog de Zimmer, The Loom.

Preston coemça dizendo que o que o interessa na ciência e o que ele precebe que também move os cientistas com quem conversou não é a mera compilação de fatos e teorias sobre o mundo. “Ciência tem haver a ver com mistério, com portas que nunca foram abertas e coisas que nunca foram antes vistas.”

Na marca dos 19 minutos de conversa, mais ou menos, Zimmer comenta que o novo livro de Preston, Panic Level 4, além de ser uma compilação de textos publicados originalmente na revista The New Yorker, pode ser lido como “o retrato de um escritor de ciência”. Zimmer então pergunta à Preston como ele se interessou por escrever sobre ciência. Preston conta que, enquanto completava seu doutorado em literatura na Universidade de Princeton, resolveu assitir ao curso de graduação “A Literatura do Fato”, ministrado por John McPhee. Preston se apaixonou pela própria noção de nonfiction writing, e percebeu o potencial de explorar por meio desse gênero literário os recantos mais obscuros e profundos da existência humana. Resolveu também dar vazão a sua antiga paixão pela ciência, escolhendo assuntos científicos.

Aos 26 minutos, Preston explica como a partir de suas entrevistas consegue construir uma narrativa no estilo dos diálogos interiores de James Joyce. Zimmer quer saber qual é o segredo para penetrar tão profundamente na mente dos entrevistados. “Carl, eu sou que nem a KGB, sem a tortura física. É uma questão de entrevistar, re-entrevistar e re-entrevistar…”

Zimmer e Preston se queixam da indisposição de muitos cientistas em falar sobre experiências pessoais, mesmo com relação ao trabalho.

Na coletânea Panic Level 4 há duas reportagens disponíveis para ler de graça no site da revista The New Yorker.

A mais recente, de 2005, “Capturing the Unicorn”,conta a história da restauração e documentação fotográfica da tapeçaria Unicórnio em Cativeiro. Para juntar corretamente o mosaico de fotos digitais de alta reolução da tapeçaria, os curadores do museu procuram os irmãos Chudnovsky, um par de gênios matemáticos que usa seu supercomputador para reconstituir a estrutura tridimensional do entrelaçamento dos fios da tapeçaria. Ao entrelaçar narrativas, descrições e explicações científicas, Preston provoca ressonâncias de emoções, sensações, idéias e símbolos por todo o texto, fazendo dele mesmo uma intrincada tapeçaria.

Os irmãos Chudnovsky foram também os protagonistas da reportagem “Mountains of Pi“, publicada em 1992. Embora não ache a forma do texto tão envolvente quanto a do Unicórnio, que escritor não venderia a alma para começar uma reportagem com a frase “Gregory Volfovich Chudnovsky recently built a supercomputer in his apartment from mail-order parts.“?

Acompanhando a história dos irmãos matemáticos que calculam dois bilhões de algarismos do número pi em um computador na sala de estar, conhecemos os personagens e o cenário da história em primeira mão. Posso ver o corredor escuro da casa de Gregory Chudnovsky, sem uma foto sequer ilustrando o artigo, e, em seguida, aprender mais sobre números transcendentais do que me ensinaram na graduação em física na USP.

A história dos irmãos Chudnovsky inspirou o excelente filme Pi, de Darren Aronofsky.

Manual do cientista faminto

Vinho de romã, saleiro veleiro, origami de wonton, porta copos que muda de cor e lingerie comestível são as receitas do livro The Hungry Scientist Handbook selecionadas pela revista Wired deste mês:

Acha que sua cozinha é apenas uma estação de preparo e consumo de alimentos? Seu ludita. Equipada com água corrente, chama à gás e uma série versátil de ferramentas e substâncias químicas, ela é o local perfeito para testar suas idéias e montar invenções.LINK

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